Capítulo 1

ESCRITOS EM SANGUE

Era uma questão de honra, uma questão de orgulho, uma questão de desafio, uma questão de disputa…Uma questão de vitória. Queriam vencer, queriam aquela Abóbora de Bronze e fariam de tudo para tê-la. Os seus companheiros de casa confiavam neles, depositaram todas as suas esperanças neles e eles os deixariam orgulhosos, mesmo que para isso tivessem que apelar, ir aos extremos, fazer muito mais do que eles fizeram em todos esses seis anos em quem estava em Hogwarts. Venceriam e esfregariam na cara daqueles sonserinos nojentos que eles eram os melhores no que faziam, que eles eram os melhores arteiros da escola. Afinal, eles não se chamavam Marotos por nada.

A tradição havia sido retomada por Dumbledore há dois anos atrás. Uma tradição que há dez anos estava inativa na escola, mas que agora estava de volta: a semana das Travessuras ou Gostosuras, a semana dos sustos e, dessa vez, eles ganhariam, desbancariam a invencibilidade de dois anos seguidos da Sonserina e mostrariam a todos quem eram os melhores daquele castelo.

As regras eram bem simples para serem seguidas. Cada casa competia entre si para ver quem pregava o maior susto dentro da escola durante a semana que antecedia o Halloween, para ver quem era capaz de montar o melhor conto de terror e fazê-lo se tornar real dentro de Hogwarts. E Dumbledore tinha deixado bem claro que ninguém estava a salvo, que todos eram potenciais vítimas de susto: desde os alunos até os fantasmas e professores. E no final quem montasse a melhor peça levaria como prêmio máximo, o troféu Abóbora de Bronze para a sua casa. E era uma honra ganhar tal troféu, ainda mais para os dois rapazes que agora andavam silenciosos pelo castelo escurecido.

O corpo do jovem esgueirou-se pelo corredor a passos leves e inaudíveis, uma precaução mesmo que o seu corpo não pudesse ser visto. Junto dele estava outro jovem, que também caminhava ao seu lado a passos leves e atento a qualquer movimento suspeito. Os anos andando debaixo daquela capa e de maneira gatuna fizeram os dois ganharem uma certa prática no quesito: perambular pela escola depois da hora.

-Tiago... – o moreno murmurou por debaixo da respiração para o seu companheiro de travessura. –acha mesmo que vai ter algo na biblioteca que possa nos ajudar esse ano? – perguntou Sirius, prontamente verificando a posição de Filch no mapa que carregava. Não era por causa da disputa que a regra de andar pelo castelo depois da hora tinha sido mudada. Embora o rapaz suspeitasse que Dumbledore estivesse, somente esta semana, fazendo-se de cego em relação aos alunos soltos pelo castelo durante a madrugada.

-Acho. – respondeu Tiago de maneira curta e direta.

-E de onde você tirou a brilhante idéia de que Madame Pince vai ter um livro desses na biblioteca? – Sirius retrucou com escárnio. Duvidava muito que a bibliotecária guardasse livros que contivessem material para traquinagens entre o seu vasto acervo.

-Eu tá legal? Quando estava cumprindo detenção ontem catalogando aquele bando de livros eu vi um livro perfeito para nós.

-Você viu? Tem certeza que não estava já grogue de cansaço? Você pode ter visto coisas.

-Por que você está duvidando da minha palavra? – perguntou Tiago irritado, dando um relance ao amigo por cima do ombro e voltando a sua atenção ao corredor vazio.

-Vamos ser realistas Tiago, Pince ter um livro desses é o mesmo que Malfoy começar a agir como gente.

O maroto soltou um riso abafado a parou de caminhar quando se viu em frente à porta da biblioteca.

-Está na Seção Restrita, – informou ao amigo – por isso nós vamos direto para lá... – e estava prestes a entrar quando a mão de Sirius em seu braço o impediu.

-Não, nós não vamos!

-O quê?

-Malfoy está vindo para cá, agora! – sibilou em um tom de desagrado e desespero na voz. Malfoy era o monitor e fazia parte do grupo de sonserinos que armaria a peça para as Travessuras ou Gostosuras e tirar os Marotos da jogada com uma bruta detenção era o que ele mais almejava durante esta semana, poderia se dizer que era o seu objetivo de vida.

-Merda! – praguejou Tiago entre dentes e o outro adolescente deu um sorriso torto.

-Você beija a sua mãe com essa boca? – escarneceu Sirius.

-Cala a boca! Vamos! – começou a puxar o amigo pelo braço

-Mas e o livro?

-Dê por perdido, teremos que bolar uma outra coisa. – e rapidamente viraram-se e começaram a caminhar apressados, cada vez mais distantes de onde Lúcio, que vinha entrando pelo corredor, estava.

Quando finalmente alcançaram um dos corredores que levaria a torre da Grifinória é que suspiraram aliviados, mas um grito de gelar a alma fez os dois pararem em seus rastros abruptamente a arregalar os olhos aterrorizados, olhando um para o outro como se perguntassem o que havia sido este grito.

-O que foi isso? – Sirius arrumou coragem de perguntar em voz alta o que estava pensando.

-Não sei. Veio do corredor da Grifinória. – responde Tiago com a voz um pouco trêmula. O grito era de fazer até o mais valente dos homens tremer como um menino medroso.

-Vamos lá ver o que foi que aconteceu?

-Que jeito! Temos que passar por lá mesmo. – pouco a pouco foram incitando seus pés a andarem a caminho do corredor e quando alcançaram esse viram algo que ao mesmo tempo os deixou intrigados e assustados.

Caído perto de uma estátua estava um corpo. Prontamente eles retiraram a capa e correram até lá. Tiago agachou-se e virou o corpo caído para ver quem era e a figura revelou-se ser uma jovem do quarto ano. Ela tinha os olhos largos de choque como se tivesse visto a coisa mais aterrorizante da terra naquele momento e o seu corpo estava rijo. Desesperado, o artilheiro colocou dois dedos no pescoço dela e suspirou aliviado ao lhe sentir a pulsação.

-Acho que foi ela que gritou Sirius. – comentou o moreno, mexendo na jovem e tentando fazê-la levantar para poder carregá-la para a torre. –Sirius? – chamou de novo ao ver que esse não tinha respondido. –Sirius o que hou…? – levantou-se com a jovem nos braços e virou-se para o amigo que encarava com olhos largos algo que estava escrito na parede, e parecia que estava escrito com sangue.

-Mas que coisa é essa? – indagou Sirius, passando a mão no que estava escrito e confirmando a sua suspeita: era sangue.

-Será que...? – Tiago revirou o corpo em seus braços, tentando achar algum ferimento nele, mas não havia nada. –Não, o sangue não é dela.

-A questão não é o sangue... É o que está escrito.

-E o que está escrito espertalhão? Porque o que eu to vendo não é o inglês que eu aprendi.

-Essa é a questão. O que diabos está escrito? – perguntou, tentando ler a inscrição na parede.

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-Um monte de algarismos romanos… – começou Tiago, mas foi interrompido por barulhos de passos que vinham na direção deles. Rapidamente olharam para os lados procurando um local para se esconderem, mas já era tarde, pois Dumbledore desembocara no corredor acompanhado por Filch e Minerva, Malfoy vinha logo atrás e abriu um grande sorriso de satisfação ao vê-los.

-Ótimo, era só o que nos faltava… Estamos fora da disputa. – murmurou Sirius, enfiando a capa de Tiago no bolso de suas vestes.

-Sr. Potter e Sr. Black, o que aconteceu aqui? – indagou Minerva e novamente os dois se entreolharam a procura de respostas no rosto um do outro.

Tiago durante semanas não soube de onde tirou a história, mas ao mesmo tempo em que era simplória foi algo tão genial que os livrou de uma bela detenção e os manteve na disputa.

-Ouvimos gritos. – respondeu apressado antes que Sirius abrisse a boca e estragasse tudo. –Estávamos na torre fazendo uma dever atrasado quando ouvidos um grito horrível vindo daqui de fora e viemos ver o que acontecia. E pelo visto… – ele olhou para os professores. – os senhores também ouviram os gritos.

-Na verdade não. – Dumbledore disse calmamente. –O senhor Malfoy ouviu e foi nos chamar.

Um sorriso malicioso cruzou a face de Tiago que teve que morder a língua para não soltar uma provocação do tipo: medroso o suficiente para não vir sozinho verificar, Malfoy?

-Mas conte-nos o que houve. – Dumbledore continuou.

-Bem – Sirius entrou na conversa. – ouvimos gritos e viemos verificar e encontramos essa aluna – ele olhou para a garota nos braços de Tiago, não podia se dizer que ela estava inconsciente já que os olhos estavam largos em terror. – caída embaixo dessa... – e apontou para a inscrição na parede.

Minerva olhou para o local e estrangulou um grito na garganta. A inscrição, ela chegou à conclusão assim como os outros dois rapazes, estava escrita em sangue.

-Alvo... Acha que pode ser uma brincadeira da semana de Travessuras ou Gostosuras?

-Não creio. A regra diz para assustar os alunos e não atacá-los.

-Bem professor... – Lúcio deu um sorriso debochado. – a cara dela me parece bem assustada.

Tiago e Sirius estreitaram os olhos em desconfiança, olhando diretamente para o loiro no fim da fila de adultos.

-Na verdade sr. Malfoy ela me parece mais em choque. – disse Dumbledore tranquilamente. –Melhor levá-la a ala hospitalar sr. Potter. – Tiago assentiu silenciosamente e começou a se mover. Sirius fez menção de segui-lo quando McGonagall o impediu.

-Aonde pensa que vai sr. Black?

-Vou com ele. Seja lá o que tenha atacado essa menina vai que ataca o Tiago também? É mais seguro eu ir com ele.

-Atacar o Potter? É mais fácil ele fugir da cara feia dele.

-Ele, Malfoy? Como você pode saber que é ele?

-Estou apenas especulando Black. Ou você realmente acha que eu teria o mau gosto de fazer uma brincadeira dessas? – retrucou, olhando com desdém para o que estava escrito na parede. –Tenho mais classe e inteligência do que isso.

-Inteligência? Hunf! Isso eu duvido.

-Sr. Potter... Por favor leve a jovem para a ala hospitalar. O senhor pode ir também sr. Black. – com certeza isso foi à deixa para eles se calarem e seguirem seus caminhos, e foi o que eles fizeram. –O senhor pode ir para a sua sala comunal agora sr. Malfoy. –Lúcio assentiu e começou a caminhar com seu tradicional ar arrogante logo assim que os dois grifinórios sumiram no corredor.

-Alvo... acha mesmo que isso é sério ou é só uma brincadeira?

-Creio que não sei lhe responder Minerva. Realmente eu não sei.


-Inconsciente?

-Inconsciente é modo de dizer Lily, a garota estava em choque. – retrucou Tiago que logo na manhã seguinte estava junto com Sirius na mesa da casa para contar aos colegas o que havia ocorrido na noite anterior.

-O que vocês acham que tenha acontecido? – Olívia Brown uma colega do sétimo ano, indagou. –Por acaso foi um Tricks or Treats?

-Se foi… foi de muito mau gosto por sinal. – disse Remo, colocando mais uma fatia de torrada em seu prato.

-Pode ter sido de mau gosto... mas foi algo de meter medo. Quem quer que tenha feito isso sabe assustar. – rapidamente Sirius recebeu um olhar feio do jovem lobisomem ao seu lado. –O quê? – perguntou num tom extremamente inocente.

-Sirius... por acaso você...

-Não delira Remo, eu estava com Tiago ontem à noite e você sabe fazendo o quê. Acha mesmo que eu teria tempo de armar tudo isso?

-Sei lá.

-Acha mesmo que eu conseguiria estar em dois lugares ao mesmo tempo? – nisso Remo deu um sorriso extremamente malicioso.

-Você consegue ter dois encontros ao mesmo tempo, por que não pode estar em dois lugares? Ainda me surpreendo em como você conseguiu sair com a Olívia e a Ashley no mesmo dia e quase na mesma hora. – mal a frase saiu da boca de Remo e um grito enfurecido foi-se ouvido na mesa da Grifinória e na da Corvinal, que ouvia o relato dos meninos.

-SIRIUS BLACK! – duas vozes igualmente irritadas, duas faces igualmente vermelhas e duas mulheres igualmente furiosas vieram na direção do moreno.

-Muito obrigado Remo. – sibilou o rapaz entre dentes, recolhendo seu material e saindo as pressas do Salão Principal sob risadas e com duas mulheres raivosas em seu encalço.

-E então... – Lílian virou-se para os Marotos que ainda estavam na mesa como se nada tivesse acontecido. – já tem idéia do que vão fazer? A semana já começou e precisamos colocar nossos planos em prática. – a jovem debruçou-se sobre a mesa. –Contamos com vocês meninos, não queremos ter aqueles sonserinos arrogantes esfregando novamente aquele troféu nas nossas caras. Não preciso lembrar que apesar de estarem também concorrendo muitos das outras casas apostam na nossa vitória.

Os Marotos deram iguais sorrisos maliciosos.

-Não se preocupe minha querida Lily... – Tiago passou um braço sobre o ombro da jovem que tremeu e corou intensamente como a cor de seus cabelos. – estamos com algo bem macabro em mente.

-E o que vocês têm em mente? Qual será o tema de vocês? Eu soube que a Corvinal usará o tema espíritos para poder vencer.

-Que tema mais batido. – comentou Pedro.

-Lufa-lufa usará o tema agouros... Sonserina é um mistério sobre o que eles vão fazer. E vocês? – sussurrou, tentando veemente ignorar o meio abraço de Tiago. Remo deu um sorriso ainda mais malicioso.

-Lendas Urbanas.

-O quê? – indagou a ruiva, engasgando com a surpresa.

-O que há de errado em trabalhar com esse tema? – perguntou Tiago visivelmente confuso, achava o tema muito mais que perfeito para a ocasião.

-Bem... Lendas Urbanas não se chamam Lendas Urbanas por nada. De onde vocês tiraram esse tema? Isso é uma coisa trouxa.

-Lemos em umas revistas que alguns colegas trouxas nossos nos emprestaram para escolher um tema. Qual é o problema nisso?

-Bem... geralmente... – Lílian abaixou o tom de voz que soou um pouco macabro aos ouvidos dos outros garotos. – as Lendas Urbanas tendem a se tornarem reais. É o que acontece. Quem começa uma Lenda Urbana geralmente perde o controle sobre ela.

Os sorrisos de Remo e Tiago cresceram como nunca enquanto Pedro encolhia-se ao lado do amigo depois do relato da ruiva.

-Legal! – falaram os dois jovens em unísso.

-Legal? Tiago... Eu estou até começando a ficar com medo só pelo fato de vocês pensarem em seguir esse tema. – gaguejou a garota surpresa diante da felicidade dos meninos.

-Não se preocupe... – Tiago aproximou-se dela e cochichou em seu ouvido, o que fez a jovem a tremer mais ainda com o tom íntimo com o qual ele falou. – eu protegerei você. – sorriu brilhantemente, o sorriso que sempre fazia as meninas da escola suspirarem pelos cantos, e pulou cadeira afora, sendo seguido prontamente por Remo e Pedro.

Assim que ficou vaga, rapidamente a cadeira foi ocupada por uma jovem que trajava as vestes da Corvinal.

-O que ele disse? Você ficou vermelha feito um pimentão. Finalmente se acertaram? – Arabella desembestou a falar antes mesmo que Lílian tivesse tempo de processar as palavras do rapaz.

-Ele não disse nada. E nós sempre nos entendemos.

-Ah sim, como bons amigos. Vocês estão nesse chove e não molha há tempos. Está me cansando Lily. Se você não fizer nada, eu faço.

-E quanto a você? Por que não toma vergonha na cara e joga logo tudo o que sente em cima do Sirius?

-Há uma grande diferença entre o meu caso e o seu. Sirius é um galinha, investimento perdido. Quanto ao Tiago...

-É um galinha também… Investimento perdido.

-Mas você tem que confessar amiga, que para dois galinhas eles estão mais para dois gatos.

Lílian e Arabella sorriram e rapidamente saíram da mesa rumo as suas aulas.


Parecia uma reunião da máfia, mas era do que eles geralmente eram chamados: a Máfia Sonserina. O chefe, seu braço direito e os dois lacaios acéfalos. E o ambiente também era propício para se dizer que aquilo era uma reunião da máfia. A luz fraca sobre a mesa iluminava pouco os rostos daqueles quatro jovens que eram mais encobertos pelas sombras do que pela claridade, e parecia que somente um deles tinha a voz suprema dentro daquele grupo.

-Vocês tinham que ter visto a cara daquela sangue ruim.

-Que cara Lúcio? Você disse que ela estava em choque.

-É dessa cara mesmo que eu estou falando Severo.

-O que assustou aquela garota? Será que pode nos pegar também? – Goyle interrompeu para logo depois receber um olhar feio de Lúcio.

-Onde foi que eu arrumei esses dois molóides como comparsas? – resmungou o loiro em um tom exasperado

-Quer mesmo que eu te responda Malfoy? – Snape retrucou venenoso.

-Claro que não vai nos pegar idiota! Probabilidade mínima.

-Como você pode ter tanta certeza Lúcio? – o rapaz soltou um bufo de indignação. A sua vontade era de azarar aqueles dois imbecis por causa da sua lentidão de raciocínio. Isso se eles soubessem raciocinar.

-Vamos voltar ao plano, por favor? – interrompeu antes que perdesse a sua já escassa paciência.


As duas meninas andavam com cautela pelos corredores. Uma estava com o olhar atento como o de uma águia enquanto a outra segurava a suas vestes com o olhar medroso como o de um coelho assustado.

-Joe, não acha melhor voltarmos para a nossa sala comunal? – falou a jovem que tremia a cada passo que dava.

-Não! – a garota de nome Joe bradou. –Davies nos pediu para fazer isso e nós faremos. Caso você tenha se esquecido também estamos concorrendo à disputa e temos que pregar a melhor peça que existe. Cansei de ver aqueles sonserinos sempre vencerem.

-Mas... deixe isso para os Marotos da Grifinória, eles saberão como batê-los. – Joe parou de caminhar e bateu com força um pé no chão.

-Está se acovardando Judy? – a corvinal bradou. –Escuta, eu não tenho nada contra os grifinórios, mas se era para deixar eles vencerem a gente nem participava da disputa, deixava isso entre eles e as outras casas.

-Mas... mas... no ano anterior a Corvinal ficou em segundo lugar. Já não basta?

-Não! Afinal, do que você tem medo?

-Do que eu tenho medo? Você não ouviu o Potter e o Black falando sobre o acontecido de ontem à noite no corredor da ala da Grifinória? Uma menina foi atacada e encontraram na parede algarismos romanos escritos com sangue.

-E você acreditou no que aqueles dois disseram? Pelo amor de Merlin, eles são os dois maiores armadores de Hogwarts. Noventa por cento do que sai da boca deles são lorotas!

-Não importa, aquilo pareceu bastante verdadeiro e por isso eu acredito, porque eu fui lá confirmar! – respondeu com uma voz esganiçada.

-Não deveria ter feito isso. – Joe deu um sorriso traquinas em meio à escuridão, voltando a andar. –Ouvi dizer que quem lê aqueles números... – e abaixou a voz para um tom mais sombrio. – será a próxima vítima. – Judy soltou um grito de pavor que logo foi abafado pela mão de Joe sobre a sua boca.

-Está maluca? Quer que nos peguem? Adeus a nossa brincadeira.

-Mas... mas...

-Judy... Você é muito impressionável, acredita em tudo o que lhe dizem.

-Não posso evitar. – a menina parou novamente de andar. –É que... É que quando eu era pequena meu irmão costumava contar histórias de terror para mim. Eram histórias horríveis...

-Nossa, você sabe histórias de terror e nem nos contou? Olha quantas idéias nós poderíamos ter tirado disso.

-Não tem graça. Eu nunca que reviveria essas histórias, é de arrepiar.

-Você é muito medrosa mesmo. – murmurou Joe, puxando a jovem pelo braço e a incitando a andar. Continuaram o caminho caladas, com Joe indo à frente e Judy a seguindo, sempre olhando para os lados e para cada sombra do corredor que se mexia.

-Você... É verdade que quando a pessoa vê os números na parede está condenada a ser a próxima vítima? – Joe quase soltou uma gargalhada no meio do corredor. Ela era mais do que impressionável.

-Você realmente não acreditou no que eu disse, acreditou? – falou, virando-se para poder olhar a jovem, mas essa não parecia mais olhar para ela, mas sim para um ponto acima da cabeça dela e uma expressão de terror em seu rosto como se estivesse vendo a própria morte a sua frente. –Judy? Judy? – balançou a garota pelos ombros, mas essa apenas balbuciou algo, ficando cada vez mais pálida e dando a aparência de que iria desfalecer. Um dedo trêmulo foi erguido, apontando por cima do ombro da corvinal e a mulher sentiu um calafrio descer a espinha. Lentamente Joe virou-se para ver o que Judy tanto olhava e apontava, e arrependeu-se da ação no momento em que a fez. Sua expressão tornou-se de puro terror e ela ganhava as mesmas feições que Judy.

Quando o relógio deu a sua primeira badalada após a meia noite, um grito de gelar a alma foi-se ouvido ecoando por Hogwarts.