Naruto, obviamente não me pertence.

"O tempo deixa perguntas, mostra respostas, esclarece dúvidas… Mas, acima de tudo, o tempo traz verdade".

Capítulo 2.

O som de algo apitando me fez voltar a realidade aos poucos. Lembrava muito pingos de uma torneira mal fechada. A claridade me incomodou assim que eu consegui abrir os olhos. Sentia-me meio grogue, minhas pernas formigavam e uma leve dor de cabeça se instalava atrás de meus olhos. Descobri que o barulho irritante vinha de um aparelho que monitorava os meus batimentos cardíacos, pulsação e pressão arterial.

Meus olhos começaram a se acostumar com a claridade que entrava pela persiana de muito mal gosto. O cheiro de álcool fez minhas narinas arderem, me fazendo engolir a seco. Automaticamente levei as mãos a garganta. A dor que senti ao engolir me fez lembrar de mãos fortes e pesadas que seguravam firme o meu pescoço com o intuito de me matar estrangulada.

Me sentei de qualquer jeito em um ato involuntário tentando procurar por um par de olhos azuis que estivesse a espreita querendo me matar. Meu braço ardeu com o movimento rápido que eu fiz e notei que em minha mão um acesso grotesco me ligava a um soro pendurado ao meu lado. Tentei analisar os nomes dos medicamentos que estavam escritos com letras garrafais no frasco, mas antes que terminasse com primeiro nome as portas do quarto se abriram.

— Senhorita Haruno, meu nome é Fugaku Uchiha — ele pareceu querer estender a mão na minha direção, mas se conteve ao analisar meu leve erguer de sobrancelhas. — Sou responsável pelo seu caso, faço parte do grupo de inteligência da CIA e estou aqui para lhe assessorar.

— Que caso? — perguntei de forma ríspida — Eu não sou um "caso" — meus dedos fizeram aspas na última palavra expressando o meu total descontentamento com aquela situação — Acredito que o senhor saiba quem eu sou — Ele abriu a boca para me responder, mas o calei com um simples gesto de mãos — Quero saber quem invadiu a minha casa e onde está o meu namorado.

— Acreditamos que quem invadiu a sua casa esteja atrás do seu dinheiro, ou melhor dizendo, as empresas têxtil do seu pai — ele se aproximou e foi a primeira vez de fato que analisei o quarto onde me encontrava.

Paredes de uma tonalidade de branco que me fazia querer vomitar, a luz deixava a pele do homem opaca e sem vida, não queria nem imaginar como estava naquele momento. O cheiro de algo podre vinha do banheiro atrás do homem e eu esperava que não estivesse enfurnada em um hospital de quinta categoria em Miame.

— Meus pais foram assassinados há dois anos — comecei de forma lenta. Falar dos meus pais me deixava um tanto quanto depressiva, mas não deixava transparecer. Para sobreviver na indústria de moda, aprendi a ser firme e dura como um diamante. Bela, fria e cara. — Está querendo me dizer que quem os matou retornou para me matar?

— Seu pai era um agente da CIA. Ele nos ajudou em muitos casos, como tráfico de mulheres, prostituição infantil e tantos outros que envolvem os holofotes. Acho que você já deve ter se deparado com algum tipo de pervertido pelo meio do caminho.

— Nesse meio a gente vê de um tudo — coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Estava me sentindo incomodada com aquela conversa. De fato, já havia visto e ouvido muitas coisas impróprias, mas nunca fui mulher de passar a mão na cabeça de macho escroto ou de pessoas oportunistas. — Meu pai nunca mencionou a CIA para mim e minha mãe.

— Ele não queria envolver vocês duas — o homem de terno preto de segunda mão e olhos escuros como a noite, passou os dedos pelos fios pretos e sebosos do cabelo que eu poderia apostar não sabiam o que era um shampoo de boa qualidade antes de prosseguir o seu discurso fajuto. — Tenho que lhe dizer que a sua vida corre risco.

— Claro que corre risco — tentei não soar fria demais, mas era uma característica adquirida ao longo da profissão — Ele quase conseguiu me matar! O que me leva a fazer mais uma vez a pergunta que o senhor não me respondeu: onde está o meu namorado?

— Morto — disse de forma curta e grossa — Infelizmente nós perdemos um bom agente.

— Espera! — esfreguei os olhos na esperança de que estava tendo um pesadelo — Está me dizendo que Itachi morreu e que ele era um agente da CIA?

— Sim.

— Por favor, não diga que ele se envolveu comigo por causa de alguma missão estúpida — tentei soar coerente, já que palavras fluíam pelos meus lábios sem me dar a chance de pensar nelas.

— Eu sinto muito.

— Sai daqui! — gritei irritada. Olhei para os lados a procura de alguma coisa que eu pudesse tacar no homem, mas não havia nada, nem ao menos um vaso com flores. Será que ninguém se importava por eu estar ali naquele hospital?

— Voltarei mais tarde quando a senhorita se acalmar. — ele disse de forma profissional. Acho que ele não se importou com o olhar mortal que lancei em sua direção — Precisamos falar sobre o programa de proteção a testemunha.

Ele me olhou de forma intensa e saiu do quarto me deixando sozinha. Tentei procurar minhas coisas, mas não havia nada meu naquele maldito lugar. Minha pele começava a coçar devido aos trapos que estava usando, meu cabelo estava tão imundo quanto ao do Uchiha e o cheiro do hospital começava a impregnar a minha pele.

Eu tinha pavor de entrar naquele lugar. Quando eu era adolescente evitava ao máximo pisar em um hospital, já que passei grande parte da infância indo visitar a minha avó. Só de lembrar do cheiro de água sanitária, produtos de limpeza e éter já me deixava enjoada. Aquele ambiente também me dava nos nervos. Tudo muito branco, corredores frios e um ambiente estéril, além dos funcionários de jaleco branco andando pelos corredores como se as vidas das pessoas não importassem.

Eu sei que não posso generalizar, mas quando se é uma criança e agem estupidamente com você, aquela lembrança te marca tanto que é difícil você desconstruir o pensamento. Suspirei irritada. Eu queria muito sair daquele lugar. Se ao menos estivesse com o meu celular, poderia ligar para minha assistente e pedir para ela agilizar a papelada de alta.

As lembranças de Itachi começaram a invadir a minha mente e eu precisava vestir a minha armadura, não podia me deixar levar pelos sentimentos e emoções. Além do que, ele era a porra de um agente da CIA que tinha invadido a minha vida e me colocado em perigo, além de me enganar.

Meu Deus! Esse homem cheirou cocaína comigo em minha casa! Será que os sentimentos dele ao menos eram verdadeiros ou tudo não passava de uma brincadeira? Uma missão idiota? Era por essa e outras que eu sempre evitei me apaixonar, mas Itachi era um homão da porra e ficava difícil não se deixar seduzir pelos olhos, boca e corpo escultural do moreno.

Agora que a minha mente estava focada nele, em como ele era estupidamente gato, o nome Uchiha não me era estranho. Eu já conhecia aquele sobrenome. Uchiha… Sim! Itachi era um Uchiha. Levei a mão a boca apavorada. O homem que estava há alguns segundos no meu quarto era um Uchiha, será mera coincidência os sobrenomes serem iguais ou eles eram parentes? Tudo estava tão confuso em minha mente.

Uma enfermeira entrou no quarto me dizendo que eu receberia alta hoje ainda, o mais tardar depois do almoço. A mulher era alta e sua pele era de um dourado de dar certa inveja. Uma pena eu não poder me expor ao sol daquele jeito, minha profissão não me permitia. Qualquer mancha em minha pele poderia custar muitos contratos.

Ela se aproximou e com delicadeza, para a minha sorte, retirou o acesso da minha mão. Agradeci mentalmente quando ela saiu e antes que a porta pudesse se fechar, Ino entrou esbaforida. Revirei os olhos para a loira irritada. Ela usava um conjuntinho preto da Gucci um tanto quanto esquisito, por mais que fosse de marca. O problema não era a roupa e sim a pessoa que estava usando.

Definitivamente cinza não combinava com a tonalidade de sua pele. Seus cabelos loiros estavam presos de forma horrenda no topo da cabeça e os óculos de grau escondia os olhos azuis. Ela se aproximou de mim cautelosamente, sabia só de me olhar que o dia não estava sendo nada bom.

— Senhorita Haruno, eu trouxe umas roupas — ela começou a falar de forma tímida — Já deixei a papelada da sua alta preparada, a senhorita só precisará assinar os papéis.

— E o meu voo para New York? — resolvi ignorar o fato dela só ter aparecido agora.

— Temos um problema a respeito desse voo, senhorita — ela se encolheu ao terminar de falar. Rapidamente encarei os olhos azuis dela. Ino estava me escondendo algo. — O senhor Uchiha me fez cancelar a sua passagem.

— Por acaso o senhor Uchiha — cruzei os braços sem tirar os olhos do ser patético a minha frente — paga o seu salário?

— Não, senhorita — ela abaixou a cabeça evitando me olhar nos olhos — Vou providenciar outra imediatamente.

— É o que eu espero — falei ao me levantar.

Ela ficou me encarando antes de sair do quarto. Definitivamente eu estava perdida. Tinha acabado de perder a única pessoa por quem senti alguma coisa e ao mesmo tempo descobri que o cara era uma mentira. Estava comigo por interesse. Meu coração não aguentava mais tanta decepção.

Precisava ser forte. Tinha que vestir a máscara e seguir adiante. Um dia de cada vez, Sakura. Peguei a bolsa que Ino havia deixado em cima de um sofá brega e entrei no banheiro. O cheiro de produto de limpeza invadiu as minhas narinas me fazendo lacrimejar.

— Céus! Por que tudo nesse lugar tem que ser tão horripilante? — perguntei, evitando tocar as coisas. O banheiro era todo branco e ficava evidente a falta de recursos no hospital. Faltava sabão e papel higiênico, produtos básicos para a higiene pessoal de qualquer pessoa.

Peguei um vestido de alcinha com decote em coração. Sua cor era de um verde-esmeralda que lembrava muito a cor dos meus olhos. Ele alegre, o que destoava completamente daquele lugar tão estéril. Uma coisa eu tinha que admitir em relação a minha assistente: Ino sabia organizar as minhas coisas. Ela entendia a minha mania de limpeza e sabia que tudo deveria ser separado por cores.

Assim que terminei de me arrumar, voltei para o quarto e me surpreendi por ver o Uchiha próximo a janela encarar os carros indo e vindo nas ruas de Miame. Pigarreei e ele virou o corpo na minha direção. Foi ai que notei em como ele era parecido com Itachi. Droga! Eles eram parentes, talvez pai e filho ou tio e sobrinho, vai saber.

— Sua assistente passou por mim como um furacão — ele começou a dizer de forma controlada. Estava tentando não me deixar estressada. Pena que as coisas não funcionavam assim. — Perguntei o que ela estava indo fazer com tanta presa e ela não quis me responder.

— De fato. — peguei meu perfume da Lancome na bolsa. Não era o que eu mais gostava, o Miracle era uma fragrância que deixava para usar no dia a dia em casa, então serviria para sair daquele lugar. Ousei espirrar um pouco no ar, para quem sabe aquele cheiro de água sanitária da pior categoria diminuísse um pouco. — Ino deve obediência somente a minha pessoa, agente.

— Infelizmente tenho que lhe informar que a senhorita não poderá fazer mais o que bem entender — notei de imediato a voz dele mudar. Antes estava me tratando com certa cordialidade, agora estava mais seco, frio. — Tem um assassino a solta e ele, com certeza voltará para terminar o serviço, acho que a senhorita me entende.

— Sim, eu compreendo. — falei, pegando uma escova de cabelo dentro da minha necessaire — Contudo, não posso deixar de viver a minha vida por causa de um assassino. Aliás, acabei de comprar um lindíssimo apartamento em Manhattan e estou cheia de compromissos que não podem ser adiados ou cancelados.

— Eu sinto muito, mas você fará exatamente o que eu mandar — tenho certeza que ele notou o passo involuntário que dei para trás ao escutar seu tom autoritário — Você é peça chave para uma investigação, além de estar com a vida em perigo. — ele se aproximou o suficiente para eu ter certeza que aquele homem era alguém muito importante dentro da CIA. — Um agente perdeu a vida para lhe manter viva, o mínimo que deveria fazer é prezar pela sua segurança.

Não deveria me sentir incomodada com as palavras dele, mas elas perfuraram o meu coração e me fizeram lembrar da minha infância. Já havia passado por isso antes, duas vezes sendo mais exata. Uma com a minha avó que morreu por mim e outra pelos meus pais. Sempre tinha alguém se sacrificando para me dar uma nova chance de viver e eu não tinha o direito de tornar a morte deles em vão. Ninguém nunca me perguntou o que eu de fato queria. Estavam sempre lá, me colocando em primeiro lugar e no final das contas, eu estava viva, porém sozinha.

— Se eu não for para Manhattan vou perder um contrato bilionário, além das ações da empresa da minha família caírem — aquilo era verdade, mas não era o que me incomodava de fato. Eu não me importava com a empresa, eu vivia do meu trabalho e tinha dinheiro no banco que sustentaria três gerações. O que me deixava aflita era não saber o que estava por vir. Não ter controle das coisas. — O que pretende fazer?

— Vamos te colocar em um programa para proteção à testemunha. — ele diminuiu mais uma vez a distância entre nós — Colocarei dois agentes para lhe proteger e você irá para um lugar onde as pessoas não a conheçam.

Eu ri com a última frase. Ninguém me conhecer? Até parece. Meu rosto estava estampado em todos os outdoors dos Estados Unidos. Era garota propaganda de muitas marcas famosas, seria difícil praticamente impossível achar um lugar onde ninguém soubesse quem eu era.

— O que é tão engraçado?

— Se você acha que possa existir um lugar nesse mundo onde um mísero ser não me conheça, acho que você não sabe quem eu sou — falei de forma arrogante.

— Você pode se surpreender, senhorita Haruno.

— Ótimo! — disse divertida. — Vou fazer como deseja, mas não diga que eu não te avisei.

Ele me encarou de cima a baixo, como se estivesse avaliando o que eu tinha acabado de dizer. Assentiu de forma cautelosa e se encaminhou para a porta do quarto. Fiquei esperando ele me dizer alguma coisa inteligente, mas o mesmo não o fez. Simplesmente abriu a porta e logo em seguida dois homens entraram. Um eu tinha uma vaga lembrança, já que seus cabelos prateados não me saiam da memória e o outro fez o meu coração parar de bater. Aqueles cabelos escuros como a noite, aquele olhar sombrio e misterioso me lembravam tanto uma pessoa. Se não fosse pelo cabelo ser um pouco mais curto, eu poderia afirmar com toda a certeza desse mundo, que eles eram a mesma pessoa.

— Este é o policial Kakashi, foi ele quem lhe ajudou hoje mas cedo — mirei os olhos escuros do policial. Ele tinha uma cicatriz no olho esquerdo que começava um pouco acima de sua sobrancelha e terminava quase na base de seu nariz. Se ele não tivesse um olhar tão intenso e seu corpo não fosse todo trabalhado no músculo, além de ser muito sexy, eu poderia dizer que ele era bonitinho, mas mentiria para mim mesma. O cara era um gato e eu tinha que admitir isso. Mesmo com aquela cicatriz no rosto, alias, ela dava um certo charme a ele o que me fez estremecer.

Segurava firme a escova de cabelo. Tinha até me esquecido que ela ainda estava em minhas mãos. Que constrangedor. Fiquei sem saber o que fazer. Se guardava a maldita escova ou se falava alguma coisa para o homem que me encarava sem nem ao menos piscar.

— Este é o capitão das forças especiais, Uchiha Sasuke — eu não queria olhar para o outro, porque o primeiro homem já fazia meu corpo estremecer esse então… era como se um fogo subisse e atingisse em cheio a minha intimidade. Meu Deus! Eu estava ficando excitada só de olhar para ele.

Não me levem a mal, no meu meio de trabalho existem homens maravilhosos, mas todos eles eram parecidos de certa forma. Tudo muito padronizado. Homens altos, fortes, malhados a maioria de olhos azuis e com os cabelos perfeitamente alinhados. Esses dois homens eram assim, contudo eles exalavam masculinidade. Tinha um ar de "homens das cavernas", não sei se essa seria a melhor expressão, mas eles tinham um quê a mais. Fugiam do óbvio.

Até o cheiro era diferente. Meu Deus! Meus hormônios estavam começando a me trair. Encarei o homem parecido com Itachi e senti as minhas pernas bambas. Ele era tão lindo quanto o outro Uchiha. E pelo jeito eram parentes, os três alias. O que estava acontecendo? Era uma organização familiar com o intuito de proteger — alguns enganar —, jovens indefesas como eu?

— Eles farão a sua segurança até o local onde você permanecerá até prendermos o assassino e o caso ser julgado — O agente me encarou com um leve arquear de sobrancelhas. Na certa devia achar estranho a minha oscilação de humor. Antes atrevida e agora acuada como uma gatinha indefesa. — Além de ficarem com você o tempo que for necessário.

Aquilo não prestaria, com certeza não prestaria. Senti a tensão no ar. O outro Uchiha, o tal capitão pareceu não gostar dessa última parte. Ele olhou para o outro e uma troca de mensagens foi feita através do olhar. Me senti incomodada e na mesma hora vesti a minha máscara. Tinha que aparentar estar segura e não me deixar intimidar por eles.

— Acha que esses dois estão qualificados para cuidar da minha segurança? — perguntei de forma ríspida. — Como você mesmo disse anteriormente, tenho que prezar pela minha vida e não parece que esses dois querem ser os meus guarda-costas. — não estava mentindo. Por mais que eles fossem belos e deliciosos não me passavam tranquilidade. Era como se estivessem ali contra sua vontade.

— Meu irmão estava fazendo um ótimo serviço — o capitão começou a falar me fazendo preder a respiração. Merda! Então eram irmãos. Tão gato e suculento quanto Itachi. Braços fortes, cabelos bagunçados, olhos escuros como a noite. Um ar sedutor e másculo, voz forte, firme e grossa. Era um pouco menor que o outro policial, o platinado, mas nada muito discrepante — até você viciá-lo em cocaína.

— Como? — perguntei ligeiramente abalada. Ele havia me dando um soco na boca do estômago. Arrogante e frio, muito diferente do irmão.

— Se meu irmão não estivesse doidão, ele não teria sido morto e esse caso estaria encerrado agora.

— Acho que você não conhecia muito bem o seu próprio irmão — despejei com raiva. Eu não tinha viciado ninguém em droga, muito pelo contrário. Itachi tinha me oferecido.

— Você não quer começar…

— Chega! — O Uchiha mais velho cortou o capitão e o olhar de raiva que ele me lançou me deu calafrios. — O seu trabalho é manter a senhorita Haruno viva. Seu irmão fez o que tinha que fazer. Sobre a cocaína, eu averiguarei depois. — Ficou claro como água que aquele homem era pai dos dois. Nada do que eu já não suspeitasse. — Espero que até o fim dessa noite vocês tenham chegado no destino.

Ele me olhou pela última vez antes de sair do quarto e ter os outros dois homens em seu encalço. Ino entrou logo em seguida morrendo de medo que eu pudesse descontar a minha raiva sobre ela. Porém, a única coisa que eu fiz foi deixar o meu corpo cair contro o sofá de couro sintético. Passei as mãos pelos meus cabelos tentando acalmar as batidas do meu coração. Se uma coisa eu não tinha dúvidas, aquele capitão tinha total convicção que o seu irmão morreu por minha culpa e o pior de tudo, eu estava começando a acreditar nisso também e um buraco negro começou a crescer dentro do meu peito.