Capítulo XI- Finalmente juntos

As palavras do velho mago ecoaram em sua mente...

"Mesmo significado"... " mesmo significado..." sem que Severo Snape pudesse fazer um juízo completo da situação. Quer dizer que então ..

O mestre de Poções limitou-se a olhar o diretor, pois algo ali não aprecia fazer sentido. Se ela tivesse realmente visto o que diretor afirmava no espelho, não teria porque fugir como havia feito... Ou teria? A pergunta vagou em sua mente, enquanto a voz do diretor parecia vinda da eternidade.

- Agora, Severo.. se quiser poderá ir procurá-la. Certamente, irá encontrar Hermione Granger, pois será guiado pela voz que está dentro do seu coração.

O diretor, recolheu o espelho, cobrindo novamente com o pano aveludado, e saiu da sala, deixando para trás um homem muito confuso.


Aquilo tudo era uma confusão de novos e inesperados sentimentos que brotavam no coração daquele homem frio e calculista, ou melhor, daquele homem que fora muito frio e calculista, mas que com o passar do tempo, e com uma sacudidela que a vida lhe dera reaprendera os valores que a vida tinha. Passando a mão por seus cabelos, ele limitou-se a sentar numa poltrona e tentar digerir tudo aquilo que estava acontecendo. Uma pálida luz do sol entrava na masmorra, ainda gélida e mostrava a poeira voando pelo ar, enquanto os frascos de seus ingredientes pareciam ainda adormecidos por conta da noite que recém acabara. Num dos cantos estavam suas bagagens e os presentes para a senhorita Granger.. Porque sempre ela, porque maldição depois de tantos anos fora... Não, o espelho poderia mentir, sim poderia, mas dificilmente o fizesse, mesmo porque ali era respeitada a individualidade de cada pessoa. Cada qual via o que mais lhe interessava naquele preciso instante, nada além disso, ou daquilo.

Teria sido bem mais natural e talvez mais cômodo, se pudesse ter visto a si, encontrando a Srta. Granger perdida em algum lugar. Realmente não precisava ter se visto casado com ela. Ele sorriu com a lembrança do sonho bom que o espelho lhe mostrara, mas que infelizmente seria mais um sonho.

Severo Snape fechou os olhos enquanto lembrava-se de cada instante que vira no espelho, e sorvia mais um pouquinho daquela felicidade que continuava lá, separada da vida real por aquele vidro.

Considerando-se que Dumbledore não mentia e nem mesmo teria porque fazer isso, então porque ela fugira? Porque simplesmente desaparecera sem deixar vestígios? De que tivera medo? Dele dificilmente seria .. mesmo porque se o espelho tivera o mesmo sentido para ambos era porquê... Ele arregalou os olhos ao formular todo o pensamento... porquê ela também gostava dele.. ela também o amava e ficara com medo... Não com medo dele, mas com medo de como tudo seria dali por diante. De como agiriam e reagiriam. Sim, ele compreendia perfeitamente isso, pois também estivera tentado a fazê-lo, quanto vira seu eu do espelho beijando a moça. Era muito triste assistir a toda aquela felicidade sabendo que era pouco provável que isso fosse real.. E Hermione não soubera como agir.. E sumira...

Amava.. ele a amava? Então aquela era a sensação de amor? Era querer que a pessoa a quem se ama, esteja bem, esteja feliz, mesmo que não seja ao nosso lado? O amor seria um espécie de abnegação de si mesmo, ao passo que favorece o encontro de si dentro de si dentro da outra pessoa, no reflexo do brilho de um olhar, num sorriso, ou apenas no simples fato de estar ali.

Ele ergueu-se de golpe da cadeira. Mas ele, ele, Severo Snape sabia que aquilo era possível. Não seira algo muito fácil nem de ser assimilados por eles mesmo, os envolvidos, quem dirá pelos outros. Seria algo bastante inconvencional pela diferença de idade, pelo seu passado.. Mas e quem era feliz apenas respeitando as convenções?

Ninguém vivia a vida do outro, e bem, se pudessem ser felizes juntos, que o mundo falasse o que quisesse. Naquela altura dos acontecimentos, não tinha mais o que deixar de fazer, o que pensar nos outros, no que diriam, no que falariam. Sim, seus livros eram lindos e maravilhosos e talvez, de alguma maneira lhe trouxeram a felicidade que tanto procurara dentro deles. E que incrivelmente estivera debaixo de seus olhos por tanto tempo.

Sim, talvez toda aquela cultura, aquela intelectualidade acumulada, fosse de alguma maneira o seu diferencial, tivesse sido a maneira com que a providência divina- não que alguém lógico e racional como ele acreditasse nestas baboseiras trouxas, mas considerando-se que talvez os trouxas pudessem Ter alguma razão neste segmento, pudesse Ter acontecido algo desse gênero – poderia Ter lhe mostrado um futuro.

Tudo aquilo lhe soava com uma bela mostra de sentimentos, uma bela amostragem de ser feliz... mas era apenas uma amostra, e possivelmente disse não fosse passar.

Mas ele, ele não tinha sentimentos... Ele era uma pessoa que não sabia amar ninguém.. nem a si próprio... como poderia Ter qualquer espécie de sentimentos profundos por ela. Justo por ela!!!! Não poderia ser por outra pessoa?

Porque o espelho mostrava que nutria sentimentos tão profundos por uma das poucas pessoas que sempre estivera a seu lado em todos aqueles momentos difíceis em que havia passado e em toda a sua reconstrução interna? Sim, reconstrução interna. Mas será que Hermione ajudara a colocar cada tijolo no lugar apropriado e desta maneira não moldara também um ideal para si mesma? Não lhe ajudara a se transformar numa pessoa melhor porquê...

Por Deus, porque pensara tanto nela enquanto estivera fora, porque não via a hora de vê-la novamente? Porquê sua decepção foi o mais sentimento de desapreço que sentira na vida, ao não vê-la em sua chegada, mais cedo?

Tinha que vê-la. Tinha de vê-la deseperadamente....

Seu coração, sua mente.. seu eu estavam presos nos olhos cor de mel de Hermione Granger.

Num único golpe, levantou-se e saiu em direção aos jardins da escola.

Os pensamentos daquele homem corriam soltos. Cogitava aonde a moça poderia estar, aonde deveria ter ido, aonde passara a noite. Será que ela tivera coragem de se embrenhar na Floresta escura sozinha? Será que o desespero lhe fizera tentar fugir num sentido físico da palavra? Mas que sentimentos estranho era aquele, que impedira-a de aparecer, simplesmente de fingir que não tinha visto nada e que a vida continuava? Do que ela tivera medo?

Ele perguntava-se intimamente , enquanto caminhava lentamente pela orla da Floresta já sabendo a resposta.

Tivera medo do que poderia acontecer, possivelmente de como lidaria com aquilo tudo, guardado na última gavetinha do coração. se ao menos pudesse esquecer tudo aquilo... pudesse não sentir aquela coisa que lhe queimava o peito...

Embrenhou-se na Floresta pois supunha que Alvo e Minerva já houvessem procurado-a em todos os locais mais óbvios e menos perigosos. Não lhe era nada agradável embrenhar-se ali, mas era o que tinha que fazer.

Caminhou alguns passos, penetrando na Floresta espessa , mas não sabia que direção tomar. A floresta era enorme e poderia levar dias procurando. Naquele instante o mestre de Poções lembrou-se da orientação do diretor: "Seu coração o guiará" . Não que acreditasse muito neste tipo de sugestão, mas não tinha outra para orientar-se. Segui reto, sempre em frente, em busca dela.

As árvores iam se tornando mais e mais espessas e já era pouca a luminosidade que se tinha por entre elas, tornando o caminho a seguir, duro e difícil. O homem, parou, secou o suor do rosto e gritou:

- Srta. Granger!

e mais alto:

- SRTA. GRANGER!

Apenas o piar dos pássaros lhe deram algum sinal de que havia vida naquela floresta. Ela não respondera, mas possivelmente ainda estivesse muito longe para escutá-lo.

O tempo ia passando e nem sinal da Srta. Granger. Isso fazia com que o mestre de Poções se desesperasse cada vez mais. Será que por sua culpa talvez ela estivesse machucada precisando de cuidados, será que teria acontecido algo? Para tirar esta lenta e profunda agonia do coração precisava vê-la..

- Hermione!

Gritou mais alto ainda:

- HERMIONE!

Hermione estava semi adormecida, de tanto cansaço e estafa, decidira que deveria voltar ao castelo, mas não tinha forças para isso, não naquele momento em que passara noite anterior perambulando pela Floresta sem coragem nem força de admitir seus sentimentos. parecia escutar uma voz longínqua chamando-a, mas deveria estar dentro de seus sonhos, por parecia-se terrivelmente com a de Severo Snape. A moça voltou a fechar os olhos, acreditando piamente que a voz dele estivesse dentro de sua mente, dentro do coração... Ela acomodou-se sobre um monte de folhas e voltou a dormir.

Alguns instantes depois a voz parecia bem mais próxima, e era a voz dele, chamando por seu nome. Ela levantou-se e abriu os olhos. E novamente o chamado se repetiu. Deveria sair dali, deveria sumir, tentar desviar-se da rota dele, não saberia o que dizer, mas foi inútil. Um segundo depois, ele apareceu desviando-se dos galhos das árvores com folhas espalhadas por toda a roupa e a testa molhada de suor.

Aquele foi um momento tenso, em que ambos apenas se olharam. Hermione voltou-se a sentar-se, tentando formular uma boa desculpa por Ter desaparecido ,e por não ter respondido quando ele lhe chamara, mas mesmo que não quisesse seu coração batia acelerado apenas com a presença dele. Sabia por experiência própria que a história teria que ser bem contada pois ele, não aceitaria qualquer conto da carochinha.

O professor, limitou-se apenas olhar a moça.. e agora vendo-a bem, embora coberta de folhas sentia-se tranqüilo... Num rompante, e para estranhamento total dela, Severo Snape sentou-se a seu lado no fofo monte de folhas.

- Porque você sumiu? – era a voz dele, com um quê de curiosidade, com um quê de preocupação. Hermione ficou surpresa pela suavidade da voz.. quem diria que aquela voz poderia ser assim tão.. – Estávamos todos preocupados.

Ele esperou um minuto ou mais até a moça se manifestar.

- Senti vontade de ficar sozinha. – Hermione teve que considerar que soara falso até para seus próprios ouvidos. O olha dela, mantinha-se fixo, olhando para uma árvore em frente de onde eles estavam.

- Mas poderia ter avisado Minerva e seu amigos. – comentou ele, olhando a moça com o canto do olho. – Estão todos bastante preocupados.

- O senhor também? – ela perguntou incapaz de se conter.

- Claro que sim. – afirmou ele.

Mais um silêncio incômodo. O professor não sabia o que dizer.

- Porque tinha que ser justamente o senhor a vir até aqui, me procurar? – quis saber ela.

- Bem, Alvo disse que eu seria capaz de encontrá-la. – explicou ele, enquanto ela virava-se para olhá-lo. – Pois fique sabendo, que por sua causa eu ainda nem descansei da viagem. – era um tom falso de brabeza, estranhamente autêntico.

- Desculpe por não ir recepcioná-lo quando chegou. – desculpou-se ela, sentindo culpa por ele ainda cansando das idas e vindas ainda Ter que se embrenhar na Floresta .

- Mas eu entendo porque você não foi. – disse ele, com tal convicção que fez o coração da moça a seu lado estremecer.

- Entende?

- Sim, entendo. – explicou ele. – Eu também vi o espelho. Alvo levou-o até mim, assim que pensei em vir lhe procurar. – Naquele instante arrependeu de Ter falado aquilo de maneira tão abrupta, poderia Ter sido mais cordato e calmo, mas não conseguia refrear as palavras que teimavam em sair boca a fora. Que ódio! Porque alguém tão controlado e contido quanto ele, não conseguia refrear a língua em frente a ela?

- O espelho? – ela quis confirmar, com o coração congelado, num só golpe.

- Sim, o espelho. – ele parou, tirou algumas folhas restantes do cabelo, antes de continuar. – Eu vi o espelho, e segundo Alvo... ele disse..

- O que o diretor disse? – ela quis saber numa voz precisa e urgente, virando-se de frente a ele.

- Bem, ele disse que o que eu vi... – ele parou em busca da frase certa e admirou a moça que o olhava com apreensão, e uma idéia lhe ocorreu. Ela tinha as mãos dobradas em cima das pernas e ele lhe tomou a mão direita. A moça tentou recuar assustada. As mãos deles eram frias e finas. Os olhos cor de mel da moça se arregalaram. Ele levantou a mão dela, e levou-a até os lábios, beijando-a com suavidade.

- Eu vi que você me der uma chance, Hermione Granger, poderemos ser muito felizes juntos. – disse ele, olhando-a fixamente nos olhos.

A moça olhava para ele num misto de surpresa, incredulidade e felicidade, onde nenhum dos sentimentos se sobrepunha ao outro. Depois do primeiro impacto, ela sorriu um sorriso muito sincero, enquanto dizia.

- Considere sua proposta aceita, Severo Snape.

O professor ficou radiante de tanta felicidade, e isso que ele supunha que a felicidade não fosse um sentimento destinado a ele. Ao escutar aquela frase, poderia Ter gritado por horas, poderia Ter ido até as estrelas e voltado, mas suavemente aproximou seu rosto do da moça e os lábios se tocaram, transformando-se num doce e ardente beijo.

*** FIM ***

Pessoal, essa fanfic fica por aqui, pois ela terminaria no momento em que, segundo o desafio do WIKTT, Severo Snape e Hermione Granger iniciassem seu romance.

Queria agradecer de maneira especial, a todos que acompanharam essa fanfics. E de maneira especialíssima a Lika Riddle (por todas as sugestões e toques), a Noctivague (e agora tu decide aquele lance) e ao Charles Malfoy ( as últimas cenas não te lembram nada, não?).

Mil beijos e obrigado a todos,

Sarah