Nota Dollua: dia 16 de maio de 2008 - Estou fazendo uma pequena arrumação aqui nesta fanfic. Apenas formatando, não estou mudando absolutamente nada da tradução da Rafi e nem da minha, apenas organizando-a para provaveis futuros leitores. Divirtam-se.


Primeira Nota da Tradutora (Rafi n'ha Doria): Essa fic não é minha – ela é da Cosmic (http : / / www . cosmicuniverse . net /), todos os créditos são dela pela fanfic original em inglês (quem quiser ler no idioma matriz dê uma chegada em ); minha única função aqui é passar para o português e difundir em sites que se dediquem a fics potterianas na mesma linguagem. A Cosmic ficaria muito, muito feliz com reviews, pessoal, então, façam o seguinte, por favor – escrevam o que acharam e mandem pra ela, OK? Quem souber falar/escrever em inglês pode mandar direto para ela; quem não souber, manda pra mim que eu repasso traduzido com muito prazer. Bjinhus, passem direto pelo disclamer chato de praxe e boa leitura!!

Disclamer: Os personagens, mundo, e idéia originais de Harry Potter não são propriedade minha ou da Cosmic – tudo pertence a J.K. Rowling, às editoras que publicam os livros em todas as linguagens e à Warner Bros. Co. Nenhuma quebra dos direitos autorais e das trademarks é intencional, e essa estória não tem nenhum fim lucrativo.


TEMPO FORA DE LUGAR


Primeiro Capítulo - A Dor de Cabeça é o Último dos Meus Problemas

A cabeça de Harry latejou.

Ele tentou se espreguiçar, e constatou que seus músculos estavam doendo. Um pequeno gemido escapou dos seus lábios, e de repente ele ouviu passos. Alguém se aproximou de onde quer que estivesse deitado – uma cama? Era macio o suficiente – e ele ouviu alguém dizer,

- Ele está acordando! - não havia duvidas de que era Madame Pomfrey, a medi-bruxa encarregada da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Ele abriu os olhos, esperando encontrar o ambiente familiar da Enfermaria de Hogwarts, mas ao invés disso ele se deparou com um pequeno aposento lindamente decorado. Nas paredes estavam penduradas tapeçarias em vermelho escuro e dourado, e a mobília estava espalhada com bom gosto ao redor do cômodo. Do lado oposto ao que estava havia uma janela que se estendia do chão quase até ao teto, através da qual ele viu céus escuros e chuva pesada batendo contra o vidro.

Bem próxima à cama, do lado esquerdo de Harry, estava Madame Pomfrey. Ela estava lançando alguns feitiços curativos nele, se Harry não estava enganado. Ele a olhou; havia alguma coisa estranha sobre ela. Estava vestindo o mesmo uniforme que sempre usou, mas havia alguma coisa. Harry sabia que não seria capaz de dizer o que era naquele momento, então ele apenas ignorou isso por agora.

Harry tentou se levantar, mas uma mão forte o segurou.

- Você deveria continuar deitado um pouquinho, Harry. – disse uma voz que ele conhecia muito bem.

Harry piscou.

– Professor Dumbledore? – ele guinchou. Dumbledore sorriu, seus olhos brilhando.

- Olá Harry. Bem-vindo de volta. Eu imagino que esteja com algo como uma dor de cabeça da batalha?

Harry ficou olhando para ele, sem entender nada. Batalha? Que batalha?

- Agora, eu suponho que devo te deixar descansar, antes que Papoula bata na minha cabeça por incomodar seus pacientes. Ela não queria que nenhum de vocês dois recebesse visitas, mas eu consegui convencê-la a me deixar ver você.

Harry imaginou se ele queria dizer Rony, ou talvez Hermione.

- Mas antes de eu ir embora, você gostaria de algo para beber? – ele perguntou. – Um pouco de chá, ou talvez leite? Eu não vou te dar nada das coisas mais fortes por enquanto.

Harry ficou olhando para ele de novo. De que coisas mais fortes ele estaria falando?

- Um copo de leite está ótimo. – Harry respondeu, e então teve uma percepção tardia.

Aquela definitivamente não era sua voz.

Por sorte, tanto Madame Pomfrey quanto Dumbledore já tinham saído do quarto; logo, eles não viram a expressão confusa no rosto dele. Harry pulou fora da cama tão logo a porta foi fechada atrás dos dois. Ao que ele afastou os cobertores, teve um vislumbre das suas mãos. Aquelas não eram suas mãos. Elas eram maiores, e mais masculinas que as suas. De novo, ele imaginou o que estava acontecendo no mundo mágico.

Rumou até o espelho no lado direito do quarto. Era um espelho bonito com borda de ouro, mas Harry não reparou. Ele estava ocupado demais olhando fixo para o rosto que parecia lhe pertencer.

Ele levantou o rosto para analisar suas feições. Ainda era ele, pensou, porém parecia mais... velho? É, era isso. A infantilidade da sua compleição desaparecera e fora substituída por uma face marcante. Seu nariz, que sempre fora pequeno e redondo, continuava praticamente pequeno, contudo agora estava reto e um tantinho mais pontudo. As maçãs do seu rosto pareciam mais fortes, sua linha mandibular mais definida.

Seus olhos continuavam sendo do mesmo verde esmeralda que foram a vida toda, mas agora eles eram contornados por um par de escuras e pesadas sobrancelhas e longos cílios negros.

Seu cabelo, ainda que continuasse negro de ébano e totalmente indisciplinado, estava agora na altura dos ombros. Ele percebeu que gostara daquela mudança em sua aparência em especial, rapidamente prendendo os fios num pequeno rabo-de-cavalo.

O que deu a Harry a certeza de que a pessoa que a imagem no espelho refletia era ele mesmo foi a cicatriz na sua testa, uma cicatriz fina em forma de raio.

Harry observou seu reflexo, ainda pasmo com as mudanças na sua aparência. Estava mais alto agora – quase uma cabeça mais alto do que o corpo de dezesseis anos de idade ao qual estava acostumado. Seu corpo era magro e com músculos bem torneados, mas isso não era muito uma mudança em relação à antes – Harry sempre fora bem exercitado, por causa do quadribol.

Havia ainda uma diferença a mais no seu corpo. Uma grande diferença, bem no seu peito.

Era uma tatuagem, e ela deu a Harry um choque e tanto, não só por estar lá, mas também pelo que ilustrava.

Poucos instantes depois, ele ouviu Dumbledore retornar e correu de volta para a cama. Cobriu-se e apenas tentou fingir que não tinha acabado de levar o maior susto da sua vida.

O Diretor de Hogwarts entrou no aposento trazendo um copo de leite, o qual deixou na mesa de cabeceira de Harry. Silêncio se seguiu, antes que Harry tivesse reunido coragem suficiente para perguntar,

- Onde está o Draco? – Dumbledore, que o estivera mirando com curiosidade, arqueou as sobrancelhas levemente.

- Eu estava pensando em quando você ia perguntar. – ele disse.

Harry imaginou, outra vez, o que é que estava acontecendo. Ele estava feliz que conseguira interpretar a tatuagem direito, mas ele ainda não entendia o que significava. Ele e Malfoy? Por que infernos ele iria se associar ao seu arquiinimigo assim? Algo definitivamente não estava certo.

- Ele está no quarto ao lado deste. – Dumbledore lhe falou. – Ainda não acordou.

Harry pensou sobre o que teria lhes acontecido, para ter deixado os dois inconscientes. Um acidente, ou algo pior? Batalha, o diretor dissera, mas que tipo de batalha?

- Por quanto tempo eu estive apagado? – Harry perguntou. Ele concluiu que essa era uma pergunta livre para ser feita, e não uma que levantaria suspeitas. Ele teria que ser muito cuidadoso, pelo que percebeu.

- Cinco dias. – Dumbledore respondeu. – Eu devo dizer que estava preocupado quando vocês chegaram...

Então não era um acidente, era? Não soava como se fosse.

- Eu posso vê-lo? – Harry não sabia porque perguntara isso. Porque de repente ele queria ver aquele que era o seu inimigo a mais de seis anos. O jovem sonserino não tinha parado em nada sobre fazer a vida de Harry um inferno, ainda assim ele sentia que precisava vê-lo.

- Claro. – o diretor disse, e mais uma vez Harry não entendeu. Normalmente, Dumbledore iria no mínimo imaginar por que ele queria ver o filho de um Comensal da Morte. Ele poderia não perguntar alto, mas seus olhos teriam perguntado por ele. Entretanto, agora Dumbledore apenas sorriu quando Harry lhe questionara.

Harry pôs suas pernas para fora da cama e pôs-se a andar, ainda um pouco instável, em direção à porta que Dumbledore segurava aberta para ele. O bruxo mais velho foi à sua frente até a porta do quarto de Malfoy. Sem mais uma palavra, ele deixou Harry lá dentro e fechou a porta atrás de si. Harry ficou sozinho com Malfoy.

Ainda que o loiro na cama não parecesse com o Malfoy que Harry conhecia, ele parecia mais consigo mesmo do que Harry.

O Malfoy na cama não era muito mais alto do que aquele que Harry conhecia, o que queria dizer que o sonserino devia ser vários centímetros mais baixo que o moreno se eles ficassem próximos um ao outro. Malfoy continuava sendo tão pálido como sempre fora.

Suas feições mudaram, todavia. A curvatura infantil à volta das bochechas sumira, dando lugar a queixo e maçãs do rosto afilados e pontudos. Seu nariz era completamente reto, dividindo seu rosto igualmente. Duas sobrancelhas finas bordejavam seus olhos fechados. A boca dele era pequena, de lábios finos e vermelho-pálidos –

Então Harry percebeu que estava observando a boca de Malfoy, de todas as pessoas.

Ele sacudiu a cabeça para afastar a imagem e se aproximou, parando ao lado da cama. O sonserino, Harry percebeu, estava também usando cabelo comprido, mas diferentemente do de Harry, o cabelo de Malfoy era totalmente liso e arrumado, caindo suavemente logo abaixo dos seus ombros.

Agora que Harry estava mais perto, ele também notou um machucado na têmpora esquerda de Malfoy. A pele pálida estava quase azul.

Como que puxado por uma força invisível, Harry levantou a mão e tocou a área escurecida com a ponta de seus dedos. Ele mal tinha feito contato quando um tranco de energia disparou através do seu corpo, dentro de sua mão e desaparecendo na pele de Malfoy. Uma luz ofuscante começou a brilhar exatamente onde Harry tocara a têmpora de Malfoy. Um momento depois a energia pareceu explodir, e Harry foi atirado longe de Malfoy, aterrisando a vários passos de distância.

Estupefato, Harry sacudiu a cabeça; estava totalmente confuso, sem sequer saber o que tinha acontecido.

Então, Malfoy deu um leve suspiro. Harry se levantou do chão e se aproximou novamente do leito. As pálpebras de Malfoy tremeram, e no instante seguinte, se abriram.

Olhos de prata encontraram esmeralda.

- Quem é você? – ele cuspiu, tentando soar raivoso, mas seus olhos o traíram. Ele parecia amedrontado, seus olhos correndo por Harry e todo o lugar ao redor. – O que você quer?

Harry, que continuava ao lado da cama, disse, - Calma, Malfoy. Sou eu, Harry.

Ele não pôde se impedir de abrir um sorriso. Malfoy ainda era a pessoa que ele conhecia. Se não fosse, teria reconhecido Harry – e provavelmente teria sido um pouquinho mais legal (entretanto, Harry não estava totalmente certo sobre isso). De qualquer modo, pavor não era exatamente a emoção que mais costumava tomar conta do seu rosto, como agora. Harry não se lembrava bem da última vez que vira Malfoy assustado.

O loiro na cama se pôs a olhar como quem procura algo para o rosto de Harry.

- Potter?! – ele finalmente perguntou, sua voz cheia de descrença. Harry assentiu com a cabeça. – Mas esse não é... você não é... – Malfoy gaguejou.

Harry decidiu ajudá-lo com a verbalização – Eu não pareço comigo, - ele disse, - mas você também não, então está tudo bem.

As mãos de Malfoy subiram ao seu rosto. – O quê?! – ele exclamou, seus dedos tateando freneticamente suas feições alteradas, e seu queixo caiu quando ele percebeu as diferenças.

Harry olhou ao redor e viu um pequeno espelho de mão dourado sobre a mesa na quina do quarto.

- Accio espelho! – ele disse, apontando sua varinha para o objeto, e o espelho voou até sua mão. Silencioso, ele entregou o espelho a Malfoy.

O rosto de Malfoy ainda carregava uma expressão de descrença ao que ele olhou para si mesmo no espelho, mas ele estava mais calmo agora que tinha assegurado que ainda era ele, só um pouco mudado.

- O que aconteceu, Potter? – ele perguntou. – O que você fez comigo dessa vez?

- Eu? Eu não fiz nada. – Harry falou, surpreso com o repentino ataque. – Pelo que sei, você pode estar por trás disso.

- Seja realista, Potter. Por que eu faria isso conosco? – Malfoy zombou.

- Pela mesma razão que eu faria: nenhuma. Eu não acho que isso seja sua culpa. Tudo o que eu sei é que nós não somos mais os mesmos.

Malfoy olhou para ele durante alguns instantes. Finalmente ele pareceu decidir pôr suas diferenças de lado no momento, só para descobrir o que estava acontecendo.

- Qual é a última coisa que você se lembra? – ele perguntou a Harry.

A testa de dele se franziu ao que ele tentou lembrar de algo antes da escuridão da qual acordara. Grama? Grama se movendo em sua direção rapidamente...? Trevas, alguém berrando... antes disso, ar... planando muito acima dos terrenos de Hogwarts – quadribol? É, devia ser isso. Ele tinha visto o Pomo de Ouro... alguém tinha gritado "Esquiva!" para ele, mas foi um momento tarde demais. Os dois balaços o acertaram, e ele perdeu o controle de sua vassoura. Ele perdeu seu equilíbrio sobre ela, e de repente estava caindo... Tentou se segurar em alguma coisa no caminho para o chão, mas a coisa caiu junto com ele e então veio a escuridão...

- Eu me lembro de quadribol. – Malfoy disse. – Alguma coisa aconteceu... Eu te vi caindo, e você despencou em cima de mim. Eu não podia te segurar, e não acho que você estava realmente consciente. Nós dois caímos.

Harry concordou com a cabeça. – Eu me lembro de quadribol também. Os balaços me acertaram, mas a partir daí não me vem mais nada. Bem, havia gritos, mas estava tudo preto...

Ambos ficaram quietos, perdidos em pensamentos sobre o jogo de quadribol e a atual situação.

- Onde nós estamos? – foi Malfoy a quebrar o silêncio. Harry deu e ombros.

- Não faço absolutamente nenhuma idéia. Mas Dumbledore e Madame Pomfrey estão aqui, e eles não parecem achar esquisito nós estarmos diferentes de uma hora pra outra, então... eu acho que somos só nós. Alguma coisa aconteceu quando nós batemos no chão do campo. Dumbledore diz que eu estive apagado por cinco dias, então isso deve valer pra você também.

- Por que eu estava inconsciente?

- Eu não sei. Dumbledore disse que nós "voltamos" de algum lugar ou alguma coisa, mas ele não foi muito específico.

- Desde quando esse amante de trouxas é específico? Ele adora falar em charadas.

- Não chame Dumbledore de amante de trouxas como se isso fosse ruim. – Harry o ameaçou.

- Ou então o quê? – Malfoy cuspiu. – Você vai me azarar?

- Ah, eu posso pensar em um monte de coisas horríveis que eu posso fazer a você que não envolvem uma varinha, Malfoy.

Malfoy ficou quieto. Era óbvio que ele tinha percebido a diferença de tamanhos entre eles – entrar numa briga com Harry poderia ser fatal para o sonserino. Não que o moreno fosse querer matá-lo, mas com certeza lhe infligiria um belo dano à saúde. Harry era maior, mais alto e de modo geral parecia mais forte que o suave e delicado Malfoy.

Uma batida na porta os salvou da luta iminente.

- Entre. – Harry disse.

Dumbledore, seguido por duas pessoas que Harry não reconheceu, entrou no quarto. Harry sorriu para as duas novas pessoas – um rapaz, e uma moça grávida – em cumprimento. Então ele teve uma segunda percepção tardia.

- Mione? Rony? – ele perguntou.

- Quem mais, Harry? – Rony respondeu e lhe deu um sorriso largo que era muito "Rony" da parte dele.

Hermione sorriu para ele. Ela estava linda, Harry pensou. Seu cabelo castanho, ainda um pouco armado mas agora cortado num jeito simpático, contornava um rosto que lembrava muito àquele de dezesseis anos que Harry conhecera. Havia mudanças, mas elas eram sutis, e apenas a faziam parecer crescida como indubitavelmente era. Sua gravidez apenas a fez mais bonita.

Rony, no outro lado, se transformara num jovem homem que brilhava em confidência e confiança. Ainda havia alguma coisa brincalhona nele, porém era menos aparente agora que ele entrara na juventude. Ele era alto – mais alto que Harry e encobria a pequena Hermione, mas Harry continuava achando que eles eram excepcionalmente perfeitos juntos.

- Ah, Draco, eu vejo que você está acordado. Eu esperei que Harry aqui pudesse te persuadir em acordar. – Dumbledore disse, dando a volta na cama e se chamando a atenção de Harry e seus amigos.

A cara de Malfoy fez Harry querer rir. Ele parecia um peixe fora d'água com a preocupação de Dumbledore com seu estado. Harry iria se divertir com isso mais tarde... muito mais tarde.

- Madame Pomfrey vai estar aqui logo-logo para te fazer um check up, mas eu acredito que ela não vai achar nada de errado com você depois de Harry ter te curado.

Malfoy ficou olhando para Harry, enquanto Harry ficou olhando para Dumbledore. Como ambos tiveram a impressão de que Harry de alguma forma já tinha curado antes, os dois ficaram quietos. Esse mundo estava começando a parecer mais estranho do que eles haviam imaginado.

Rony andou até Harry e apertou o seu ombro. – Eu sabia que você iria fazer isso. Não pensei nem um pouco que uns Comensais da Morte daqueles iriam te pegar. Não depois de você ter enfrentado o que enfrentou; mas, eu devo dizer, nós ficamos um pouco preocupados lá.

- O que; o que aconteceu? – Malfoy perguntou. Harry lhe atirou um olhar zangado, mas os outros pareciam achar aquilo esperado. – Eu não me lembro de muita coisa. – ele continuou.

- Nós não sabemos de verdade. – Rony falou. – Sirius disse que estava tudo saindo certo até que mais Comensais da Morte aparataram no campo. De repente havia um monte de trouxas no meio de uma guerra bruxa; essa nunca é uma boa mistura. Muitos deles ficaram feridos, e vocês dois os curaram enquanto Sirius, Rem' e os outros lutaram. Eles não podiam proteger vocês dois, então um Comensal da Morte pôs a maldição Cruciatus em você, - ele apontou para o loiro. – e os comensais puseram algumas maldições em você também, Harry. Vocês perderam tanta energia enquanto estavam curando que caíram inconscientes. Então a ajuda finalmente chegou, e Sirius e Rem' trouxeram vocês pra casa.

- Vocês têm estado inconscientes desde então. – Hermione disse, abrindo sua boca pela primeira vez desde que entrou no cômodo.

Harry estava duplamente chocado e não-chocado com os modos amigáveis de Hermione e Rony para com Malfoy. No mundo real eles nunca estariam sorrindo para o loiro, especialmente Rony. Todavia, como tudo naquele mundo era estranho e diferente, aquilo não era de se espantar.

Madame Pomfrey entrou no aposento. O silêncio caiu sobre o lugar enquanto ela fazia alguns feitiços de exame, e um último feitiço curativo no paciente. Por fim, ela anunciou, - Você está novinho em folha.

Dumbledore sorriu. – Bom. Então nós podemos ir voltando para a escola. – ele disse a Madame Pomfrey. – Eu tenho certeza que o Sr. e a Sr.a Weasley aqui cuidarão bem desses dois.

Os olhos de Harry se arregalaram levemente. Eles estavam casados? Bem, certo, ela estava esperando, mas ainda... Eles estavam casados.

Madame Pomfrey concordou com a cabeça, e então eles disseram suas despedidas. Poucos minutos depois eles desaparataram, e Harry e Malfoy foram deixados com Rony e Hermione – ou Sr. e Sr.a Weasley. Harry não podia enfiar isso na sua cabeça.

- Bom, agora que vocês estão sãos e salvos de novo, nós podemos levá-los de novo para seus aposentos normais. – Rony disse. – Nem precisamos separá-los, de qualquer jeito.

Harry e Malfoy trocaram olhares. O que Rony queria dizer dessa vez? Sabiamente, eles escolheram ficar quietos. Seguiram Hermione para fora do quarto; Rony foi logo atrás deles.

Hermione os guiou pelo corredor até o que parecia ser o saguão de entrada, e subiram por escadas largas. Quando chegaram no topo dos degraus, havia um vão pelo qual puderam ver a sala de estar. Havia corredores que levavam a direções opostas partindo de onde estavam, e Hermione os guiou pelo da esquerda. Eles passaram por duas portas de cada lado do corredor e pararam bem no fim. Hermione abriu a porta para revelar outro quarto maravilhosamente decorado – as paredes eram pintadas de azul claro, e as cortinas eram brancas, movendo-se suavemente no vento que vinha da janela aberta, enfeitiçada para não deixar a água da chuva lá fora entrar. O chão era coberto por um fino tapete azul royal, e no meio do quarto havia uma cama larga.

Uma.

Harry e Malfoy olharam um pro outro, então para a cama, e então de volta de um para o outro.

- Vamos deixar vocês sozinhos. – Hermione avisou, antes de adicionar num tom malicioso: - Eu acho que vocês têm alguma conversa para pôr em dia.

- Vamos chamar quando o jantar estiver pronto. – Rony adicionou, e fechou a porta atrás de si e sua esposa.

- Eles estão casados?! – Malfoy perguntou, incrédulo.

- É o que parece. – Harry respondeu, antes de voltar a olhar para a cama.

- Eu não estou dormindo com você. – Malfoy falou, seguindo os olhos de Harry.

- De verdade, parece que você deveria estar. – Harry provocou. – Parece que estamos juntos nessa pequena realidade.

Malfoy corou e rosnou para ele, - Eu nunca estaria junto com você, Potter.

- Eu não sou seu tipo? – Harry falou.

- Meu tipo? – Malfoy perguntou. – Digamos apenas que você é muito... masculino... pro meu gosto. – ele cuspiu.

- Oh, mesmo? Eu acho que ouvi alguns rumores sobre você. Neles, você não se importava muito com a masculinidade.

Malfoy ficou profundamente vermelho. – Eu não sou; eu não tenho...

- Calma, seu panacão. Eu não vou dizer a ninguém que você é gay. Pra quem eu diria? Mione e Rony parecem saber muito bem, não acha?

- Bem, eles parecem achar que você é gay também. Agora me diga, porque isso?

Harry deu de ombros. – Nós estamos numa realidade alternativa. Quem sabe? Tudo parece ser diferente aqui.

Malfoy ficou quieto por alguns minutos. – E se não estivermos?

Harry, que tinha se largado na cama, franziu o cenho. – E se nós não estivermos o quê?

- Numa realidade alternativa.

- O que mais isso poderia ser? – Harry perguntou.

- O futuro.

- Você não acredita no que está dizendo, seu infeliz. Nós dois estaríamos juntos no futuro? Com você lutando no lado certo? Você, filho do homem que é a mão direita de Voldemort? Eu realmente não acho que esse seja o futuro.

Malfoy se sentou e ficou olhando para as próprias mãos. – Eu estou no lado certo desde o último verão, Potter. – ele disse, tão baixo que Harry quase não escutou.

- O quê?

- Você ouviu. Eu não preciso dizer de novo.

- Você está envergonhado disso? – Harry perguntou, pondo-se sentado ao lado do loiro. Malfoy o encarou.

- Envergonhado? Não, eu não estou envergonhado.

- Então por que você não quer dizer isso de novo?

- Então você pode esfregar isso na minha cara e me dizer que você estava certo o tempo todo? Não, obrigado Potter, eu posso me virar sem isso. – sua voz era fria como gelo.

- O que; o que fez você mudar? – Harry perguntou.

Malfoy o encarou de novo, e então desviou os olhos. – Isso é uma coisa que eu devo te dizer mais tarde, mas definitivamente não agora.

Harry imaginou porque Malfoy estava agindo tão... tão fora de personalidade. Esse quase tímido jovem homem de voz baixa não era o Malfoy que Harry conhecia. Entretanto, Harry descobriu que quase gostava daquela versão do sonserino.

- Mas... seu pai? – Harry disse, lembrando-se do Malfoy mais velho.

Malfoy virou o rosto e voltou a olhar para ele. Sua expressão era ilegível, mas Harry achou que podia detectar tristeza e dor nos olhos dele.

- Desculpe, não é da minha conta, - Harry começou, mas o loiro o cortou.

- Não, Potter, você quer saber. Dumbledore vai te dizer cedo ou tarde de qualquer jeito. – ele parou, e pareceu perguntar a si mesmo se essa era uma boa idéia ou não. Ele deu de ombros para si mesmo antes de dizer, - Meu pai ainda acredita que eu vou ser um Comensal da Morte assim que eu me formar. Ele não tem idéia de que eu virei a casaca, e eu espero que ele nunca tenha, porque se tiver, ele vai me matar.

- Mas ele é seu pai! – Harry exclamou.

Malfoy lhe passou um olhar de canto. – Você é mesmo ingênuo, Potter. Você realmente acha que carne e sangue vão importar quando Voldemort der ordens a ele pra me matar? Eu acho que não. E se Voldemort mandar meu pai me torturar, ele vai fazer isso também. E sabe de uma coisa? Eu nem mesmo acho que vai importar se Voldemort mandar ou não. Ele vai me matar só porque ele vai estar desapontado comigo.

Ele falou como se soubesse por experiência, e Harry soube naquele momento que o jovem Malfoy não teve a maravilhosa, perfeita infância que todo mundo achava que ele tivera. Harry não duvidou da habilidade de Lúcio para punir seu filho nem por um segundo, e sabia que os métodos usados eram cruéis, para falar o mínimo.

- Mas eu duvido que o Menino Que Sobreviveu saiba uma mísera coisinha sobre um pai desapontado. – Malfoy disse. – Seus parentes provavelmente faziam tudo pra você e esticavam o tapete vermelho quando quer que você chegasse.

Harry ficou olhando para ele. Os Dursleys? Esticando o tapete pra ele? Fazendo tudo pra ele? O dia em que isso acontecesse seria aquele em que o tamanho de Duda realmente fosse por causa de ossos graúdos.

- Os Dursleys nunca fariam isso por mim. – Harry respondeu. – Esticar o tapete vermelho? Eles estavam mais pra esticar o velho tapete cinza cheio de buracos pra eu usar como cama, mas eles nunca iriam fazer alguma coisa pra mim.

Harry não tinha idéia de porque estava dizendo a Draco Malfoy, de todas as pessoas do mundo, como os Dursleys o tratavam, mas isso parecia certo no momento. Afinal de contas, Malfoy tinha dividido com ele seu pouco de informação sobre como era viver na Mansão Malfoy.

Agora Malfoy era quem estava olhando para o outro.

- Mas; todo mundo diz que seus parentes te tratavam como realeza em casa. – ele disse, de testa franzida.

- Nesse caso, "todo mundo" precisa checar suas fontes. – Harry replicou, um traço de amargura em sua voz. – Os Dursleys nunca fizeram nada por mim. Sempre fui eu a fazer as coisas pra eles: Eu limpava a casa, cortava a grama, fazia a comida...

- Podia ter posto veneno no jantar deles. – Malfoy falou com um sorriso sádico.

- Agora, por que eu não estou surpreso de ouvir isso vindo de você? – Harry perguntou, mas não havia malícia em sua voz. Ele se viu quase curtindo a companhia de Malfoy; era meio que legal tê-lo ali. Num novo mundo de loucura, era bom ter uma pessoa com quem conversar, mesmo que essa pessoa fosse seu pior inimigo. – Malfoy? – Harry chamou, quebrando o silêncio que tinha tomado conta do quarto.

- Sim, Potter? – o loiro respondeu.

- Podemos ser amigos, só por agora? Só enquanto estamos nesse lugar maluco?

Malfoy, que estivera olhando para fora da janela, virou-se para Harry e para a mão que ele estendera. – Você me oferecendo amizade, Potter? – ele perguntou. – Eu lembro de um tempo quando eu não era bom o suficiente pra você.

Os olhos de Malfoy se estreitaram. Harry olhou para ele, nos olhos prateados que agora mostravam orgulho ferido, e ele de repente percebeu que parte do motivo de Malfoy tê-lo odiado tanto fosse apenas isso. Harry negara a amizade de Malfoy no primeiro dia de escola, e o orgulho dele fora maculado.

- Eu não posso voltar o tempo, Malfoy, mas nós podemos fazer as coisas melhorarem. – Harry disse. – Temos que fingir que somos amantes aqui; nós provavelmente devíamos tentar agir civilizadamente um com o outro.

Malfoy olhou para Harry, e por um longo minuto, ele não disse nada. Então ele finalmente aceitou a mão oferecida.

- Certo, Potter, mas só enquanto nós estamos aqui. – ele afirmou.

De repente um grito veio do andar de baixo: – Jantar! – Hermione berrou, e Harry caminhou até a porta. Ele parou, com a mão na maçaneta, e disse:

- Oh, Malfoy?

- Sim, Potter?

- Lembre de me chamar de Harry enquanto estivermos com outras pessoas.