Capítulo I- A maldição que modifica uma vida

- Alvo! Alvo! abra! – alguém esmurrava a porta, desesperadamente.

Alvo Dumbledore dormia placidamente, afinal a noite corria solta. Porém, a voz de severo Snape lhe despertara. Na verdade, nem deveria estar dormindo, pois seu amigo e também Mestre de Poções da escola, fora cumprir uma missão delicadíssima, em que corria graves riscos. Porém, o velho bruxo, achando que sonhara com a voz de Snape, apenas virou-se para o outro lado, mas a voz voltou a se repetir, cada vez menos longínqua.

- Alvo! Acorde!

Desta vez, o diretor despertou. Levantou-se da cama, trajando um camisolão e toca para o cabelo azuis- claras, formando um conjunto ímpar, e correu abrir a porta de seus aposentos pessoais, e deu de cara com Snape parado, preparando-se para esmurrar pela terceira vez a porta. O diretor reparou que o mestre de Poções ainda trajava suas vestes de Comensais da Morte.

- Entre, Severo! – o diretor lhe deu passagem na porta, e o homem entrou. – Sente-se e se acalme... Você parece tenso.

- Tenso... – o outro começou a caminhar pelo aposento, desordenadamente. – Se eu estivesse apenas tenso...

- Conte-me o que aconteceu. – pediu o diretor, lançando ao outro um olhar de preocupação. Severo era tão controlado, que vê-lo assim, tenso a aflito, certamente era indicativos que coisas muito ruins estavam por vir.

- Uma desgraça! – afirmou ele, colocando a cabeça entre as mãos e repuxando os cabelos. – Uma desgraça! Estou perdido! Desta vez, estou perdido.

- Acalme-se, Severo. – pediu o diretor, fazendo surgir do nada uma xícara de chá bem quente – Acalme-se e me conte que aconteceu. Esse seu desespero não vai nos levar a lugar nenhum. O que aconteceu?

- O Lord das Trevas.- disse Snape, respirando fundo, como se aquilo lhe custasse um grande sacrifício.

O diretor olhava para o homem de olhos e cabelos negros que estava sentando a sua frente, esperando que ele continuasse.

- O Lord nos lançou uma Maldição das Trevas. Antes do raiar do dia todos os Comensais traidores se transformarão em outras pessoas, desprotegidas, para que fosse possível acabar conosco. Por sorte eu consegui escapar. –ele baixou os olhos antes de continuar- Acho que Lúcio me deixou sair.

- Explique-se melhor, Severo. – pediu o diretor, colocando seus oclinhos de meia-lua.

- É uma maldição antiga das trevas – Snape começou a explicitar- a Impediratus. O diretor assentiu com a cabeça. – O Lord nos transformará em outras pessoas , apagando nossas memórias.

- Mas Severo, não se apavore! Você consegui escapar de onde estão os Comensais e isso é muito importante. – considerou o diretor.

- Sim, mas não conseguia ficar imune a maldição. Quando o Lord nos lançou aquela maldição, era em vão tentar resistir, porque se fizesse isso, a morte era certa. – contou Snape, desolado.

- E não existe contra-feitiço? – o diretor quis saber, mesmo porque Severo era exímio conhecedor das Trevas.

- Ainda não foi descoberto. – explicou Snape, balançando a cabeça- realmente acho que Lord me localizará, onde quer que eu esteja. Com isso de nova pessoa fisicamente e com a memória apagada, as pressas se tornam mais fáceis. O problema é que essa maldição atinge apenas os traidores. Os fieis aos Lord nada sentirão e nem modificarão seu aspecto físico, e os outros serão mortos.

- Entendo sua posição, Severo. – comentou o diretor- mas não percebi o que o Voldemort lucra fazendo isso.

- Fácil prever. – disse Snape, com meio sorriso gélido.- As forças aliadas a você, Alvo perdem seu informante ou informantes como preferir, porém, deste lado, Voldemort continuará a Ter seus aliados. De outro lado, os comensais fieis, ficarão com medo de trair seu senhor.

- Entendo. – assentiu o velho bruxo, acarinhando sua longa barba branca – O que exatamente acontece com os traidores, Severo.

- Fisicamente falando a pessoa muda completamente. – explicou Snape- Ninguém sabe que tipo físico poderemos adquirir. O Lord, pelo que conheço desta maldição, nos reconhecerá pela marca negra. essa continua latente em cada um de nós, embora não apareça sem ser convocada. Existe a perda da memória total da memória, mas sem perdermos nossos poderes mágicos. Eles funcionarão como uma espécie de intuição. Deve ser muito triste morrer assim, sem nem saber o porquê.

- Tem certeza de que não existe contra-feitiço, Severo? - perguntou novamente o diretor. Mesmo remotamente poderia ser que Snape, com todo o desespero que estava vivenciando estivesse se esquecendo de alguma pesquisa recente na área.

- Tenho, Alvo! – disse Snape, num tom que traia todo o seu medo. – Que se saiba, ainda não temos como bloquear essa maldição. é uma espécie de Avada Kedavra que mata as pessoas aos poucos.

- Certo, Severo. E tem de duração esse efeito?- o diretor quis saber.

- 200 dias. – disse Snape, levantando-se novamente, considerando impossível ficar parado num mesmo local. – Dizem os estudos que depois de um tempo sob esse efeito as pessoas começam a lembrar-se de quem são, mas a aparência física só se modifica no 200º dia. Isso se a pessoa chegar viva até lá, claro. – ironizou ele. – E agora, o que eu faço? – ele quis saber- Como conseguirei me esconder do Lord por 200 dias sem saber nem ao menos quem sou.

- Deixe tudo por minha conta.- disse o diretor, com um sorriso que demonstrava tranqüilidade.- Você confia em mim, não confia Severo?

- Claro que confio, Alvo. – assentiu o homem que agora olhava as cinzas das lareiras – Mas não consigo imaginar onde posso passar 200 oculto. Será que devo voltar a casa dos meus pais?

- Não, não deve retornar lá.- explicou o velho bruxo.- seria o primeiro local em que os aliados das trevas iriam lhe procurar. darei um jeito de manter você aqui dentro da escola por esse período.

- Na escola? – admirou-se o outro.- mas como?

- Daremos um jeito, meu amigo e...- o diretor sorriu ao mestre de Poções, mas antes que ele terminasse de falar, o homem caiu ao chão desmaiado num sono profundo, enquanto sua aparência ia se modificando.


O sol já estava alto... era de manhã. Ele tentou erguer-se daquele lugar. Onde estava mesmo? Não sabia. Mas era um lugar confortável. A cama tinha lençóis brancos e estava muito perfumada. Ele ergue-se mais e olhou ao redor, era uma espécie de enfermaria, de hospital. Uma mulher de cabelos escuros, penteados num coque antigo e vestida de branco aproximou-se da cama onde estava. Deve ser a enfermeira ou a médica, concluiu ele.

- Como o senhor está?

- Creio que bem. – ele respondeu, apalpando suas pernas- O que aconteceu? Onde estou? Como vim parar aqui?

- Calma, meu jovem! – era um homem com uma longa barba branca quem falava ao mesmo tempo em que se aproximava da cama, ele tinha olhos azuis e um oclinho de meia-lua que o fazia, por alguma razão, sentir-se seguro- Tenha calma. Papoula, deixe-me a sós com o jovem Eric.

- Eric? – perguntou ele, enquanto via a mulher se afastar - Eric? Esse é meu nome? Porque não lembro de nada?

- Você sofreu um grave acidente, enquanto se dirigia a escola. – explicou o diretor- meu nome é Alvo Dumbledore, sou o diretor da escola Hogwarts de magia e Bruxaria. – Vendo o olhar apreensivo do garoto, ele continuou- Você é um bruxo, Eric. Sabe o que significa isso?

- Não lembro, senhor. – disse ele, com um olhar de desamparo.

- Nem o que vinha fazer aqui?

- Não senhor.

- Você vinha para a escola, Eric. – dissera o diretor sorrindo- Vinha cursar o sétimo ano de Hogwarts. Seus pais o mandaram para cá, para que você conseguisse diplomas mais seletivos do aqueles que obteria em Drumstrang.

- Drumstrang, o que é isso?- perguntou o rapaz com interesse.

- è uma escola de bruxos. – afirmou o diretor, com um sorriso. Se Severo pudesse se ver como Eric, seria realmente engraçado.

- E meus pais, onde estão?

- Na Russia. – disse o diretor, que já tinha toda a historia da entidade familiar de Eric elaborada. – achamos que não era necessário chamá-los até aqui. Você se recuperará do acidente e aos poucos recobrará a memória. – Agora, você deve descansar, antes que o ano letivo se inicie, e amanha começaremos a fazer você relembrar de algumas coisas básicas. As outras virão com o tempo. – descanse meu amigo, descanse.


Alvo Dumbledore considerava que tudo aquilo seria mais fácil do que ele mesmo imaginara. Para sua sorte absoluta, Severo tornara-se um garoto de 17 para 18 anos, e poderia colocá-lo estudar entre os alunos normais. Seria realmente essa a melhor camuflagem, escondê-lo na escola entre os alunos, como os trouxas faziam, escondendo coisas importantes em meio a coisas desprezíveis.

Bem, teria que inventar uma historia sobre a escola russa, falsificar alguns papeis para quando os seguidores de Voldemort viessem a procura de Severo, e eles viriam sim. Teria que inventar sobre seu pai, sua mãe, e enviar cartas a ele mostrando-se como essas pessoas. Teria que fazê-lo acreditar em quem era, e talvez fazer de Eric Zhirmunsky, a pessoa feliz que Severo Snape nunca fora. Obviamente teria que dar um jeito dele não ficar em Sonserina ou chamaria muita atenção. Talvez Corvinal, fosse o posto ideal, para o novo Eric Zhirmunsky. Mas existia uma possível associação entre corvinais e sonserinos. Não- conjeturou o velho bruxo- o melhor seria uma casa em que não fosse possível que ele considerasse suspeito. Um Snape na Lufa-Lufa? Severo quando recuperasse seu próprio Eu, reclamaria muito. O ideal Seria colocá-lo em Grifinória. Sim, Grifinória!

Isso era fato: O Chapéu seletor colocaria Eric na casa de Grifinória, decidiu-se o diretor.