NA: Atendendo aos pedidos, procurei fazer um capítulo mais longo desta vez. Obrigada a todos os que não desistiram de ler essa fic. Como prometido, ela terá atualizações mais constantes e será, será sim finalizada. Este é um presentinho de Natal a todos.

Snake e Andy: é claro que "Efeito Durmstrang" terá desdobramentos. Com certeza! Afinal, não se esqueçam que eu AMO Igor Karkaroff.

Capítulo XXII - Discussões, objetivos e ... Hermione Granger.

Dumbledore apenas mirou-o com seus olhos azuis, aparentemente escolhendo as palavras. Na verdade, seu objetivo era acalmar o garoto histérico a sua frente. Quase esboçou um sorriso. Duvidava que algum dia pudesse aplicar o termo histérico a Severo Snape, mas aquela estava sendo a oportunidade perfeita para isso.

— Severo - por fim o velho mago disse, indicando uma cadeira-, sente-se, temos muito que conversar.

Snape, que ainda aparentava estar extremamente bravio, sentou-se com raiva.

— Exatamente do que você se recordou?

— De tudo! - rosnou Snape - De tudo!

— De uma só vez? - estranhou Dumbledore. - Isso não condiz com o efeito da maldição. Segundo tudo o que li a respeito e de pessoas que já foram amaldiçoadas com ela, você iria se recordando aos poucos, e assimilando sua vida anterior com essa a partir da maldição, digamos assim.

— Seja como for, Alvo - Snape parecia cuspir as palavras de tão bravo que estava -, eu lembrei de tudo! Como pôde fazer isso comigo? Como?

— Severo, meu caro. – Dumbledore sorria levemente por trás de seus oclinhos de meia lua. - Fiz tudo o que pude para colocá-lo a salvo.

— Você imaginou que me colocando entre os alunos da Grifinória estaria me mantendo a salvo?

— Exatamente - concordou o diretor. - Exatamente. Mesmo seus amigos Lúcio e Richard que estiveram aqui a sua procura não desconfiaram que você pudesse estar escondido na escola, entre os alunos da Grifinória.

Dumbledore coçou os cabelos prateados e concedeu:

— Bom, é possível que tenham desconfiado de algo... você e essa sua amizade com Draco Malfoy, realmente não estava nos meus planos.

— Estava nos seus planos fazer com eu me envolvesse com a srta. Granger? - Snape parecia ainda mais feroz.

— Óbvio que não, Severo. - Dumbledore parecia realmente consternado. - Tanto que quando percebi que a sua amizade com a srta. Granger estava indo além do... bem, além do desejado inventei uma família puro-sangue para conter seus ímpetos, Severo. Que culpa tenho eu se não fui bem sucedido? - O velho mago agora levantava as mãos para os céus como que solicitando uma benção.

— Você tinha que ter evitado! - sibilou Snape.

— Severo, eu disse que tentei. - Dumbledore parecia serio agora, mas seus olhos sorriam. - Fiz o que pude. Sinceramente, não esperava que eu fosse obrigar você a não a se relacionar com a srta. Granger. Eric Zhyrmusky, por exemplo, apenas me acusaria de intransigente e despótico!

— Eric Zhyrmunsky sou eu, Alvo! - Snape estava inflexível.

— Pode ser, pode não ser, Severo! - comentou Alvo Dumbledore. - Isso vai depender mais de você do que propriamente da duração do efeito da maldição. Eric - continuou o velho bruxo com seus olhos azuis brilhando na direção dos olhos castanhos do rapaz a sua frente -, tem coisas que você enquanto Severo nunca teve o prazer de ter.

— O quê, por exemplo? – perguntou Snape com ironia.

— Amigos! – o velho mago falou a palavra sem inflexão nenhuma. – Você quando jovem não teve amigos, Severo.

— Tive sim - contestou ele. - Mulciber e Avery, por exemplo. Lúcio e Igor.

— Não estou falando desta espécie de amigos, Severo! – Dumbledore agora parecia sorrir. - Sonserinos dificilmente são amigos uns dos outros sem esperarem vantagem em troca. E de mais a mais, onde eles estiveram quando você precisou deles?

Dumbledore calou-se esperando que o rapaz retrucasse, o que conforme suspeitara, acabou não acontecendo.

— Eric tem um amigo - afirmou Dumbledore - e não é Draco Malfoy, que tentou e pelo visto acabou com sua reputação perante os grifinórios.

— E quem seria então?- perguntou Snape com ironia.

— Neville Longbotton – afirmou o velho mago, e perante o silêncio de Snape continuou: - o menino Longbotton fez o que pôde para você e a srta. Granger não brigarem, fez o possível para que você desistisse da idéia louca de fingir namorar a Srta. Dobbs, acreditou na sua inocência quando tudo e todos diziam o contrário. Sim, meu caro Severo. Eric tem um amigo de verdade que só quer vê-lo feliz e preferencialmente com a srta. Granger.

— Muito bonito isso que você esta dizendo, Alvo, mas não faz parte de mim – considerou Snape com ironia.

— Quem sabe você esteja tendo uma chance que muitas pessoas adorariam ter – avaliou o diretor. - Uma chance de reconstruir sua história. Quando foi jovem pela primeira vez você amou desesperadamente uma moça que não correspondia a seus sentimentos. Mas desta vez, você ama uma moça que também o ama.

Snape sorriu tristemente enquanto levantava-se da cadeira e dizia:

— Pode até ser que ela ame Eric, mas não amararia Severo Snape, Alvo.

— Será que não? - Dumbledore sorria largamente ao observar Eric saindo da sala.


Snape caminhava meio a esmo pela escola, sem destino certo. Não queria ir à aula, pois tinha certeza de que seus colegas grifinórios estariam por lá. Também não queria deixar de ir, sempre era uma oportunidade de sentir o clima vigente, de viver mais um pouco como Eric, enfim, de aproveitar. Com um feitiço "accio" chamou os materiais e caminhou lentamente para a aula de Poções. Não era exatamente inspirador estar em uma sala de aula que lhe pertencia, com alunos que deveriam ser seus, estando na posição de discente, recebendo pretensos ensinamentos de Madame Pomfrey. No mínimo iria ser uma situação complexa, uma vez que Hermione era seu par nestas aulas. E havia ainda mais a poção que deveriam entregar e pelo que ele lembrava claramente terminara com um desdobramento no mínimo curioso.

O garoto deu uma leve batidinha na porta e adentrou a masmorra. Todos pareciam curvados sobre os caldeirões e poucos demonstraram qualquer interesse pelo recém chegado. Ele caminhou em direção ao primeiro caldeirão sobre o qual Hermione trabalhava sozinha com os cabelos em desalinho e o rosto vermelho pelo calor do fogo. No canto oposto da masmorra, Draco Malfoy cumprimentou-o com um aceno de cabeça, que ele acabou por retribuir do mesmo modo. Por um breve segundo conjeturou como os sonserinos estariam se saindo nesta disciplina, sem sua constante proteção.

Sua recepção não foi nem um pouco calorosa quando se sentou ao lado de Hermione. Os olhos cor de mel dela apenas demonstravam ódio ao vê-lo, porém nenhuma palavra foi dita. Por um segundo ele sentiu saudade das recepções calorosas dela, mas certamente aquilo pertencia ao passado. Com uma leve mirada sob o caldeirão percebeu que Hermione tentava cozinhar sozinha a Poção do Morto-Vivo, seguindo regiamente as instruções contidas no livro didático. Por um instante, ele pôde apreciar as mãos dela, lépidas e velozes mexendo o caldeirão e lembrar-se da delicadeza daquelas mãos quando na noite anterior pousaram em suas costas.

Como ela não falou uma sílaba sequer, ele resolveu colaborar a seu modo, preparando os ingredientes e alcançando-os a Hermione, que inicialmente pareceu surpresa com a solitude do russo, mas por fim, deixou que ele colaborasse com a tarefa. Quando Hermione estava engarrafando a poção, Eric falou-lhe baixinho para que ninguém mais ouvisse:

— Granger, acho que precisamos conversar.

Hermione limitou-se a olhá-lo com tanta raiva que parecia faiscar em seus olhos. Pela expressão dela, Snape se odiou. Sim, naquele instante não era somente a bela moça grifinória em sua frente que o odiava. Ele se desprezava, era afinal um verme. Tentou, por fim, remediar a situação:

— Temos que terminar a poção - salientou no mesmo tom de voz anterior.

— Claro – assentiu ela -, a poção.

— Imagino que você não queira perder um único décimo de nota por causa dessa poção.

— Acertou!

— Marque hora e local e me avise – disse ele se erguendo da bancada. Naquele instante os olhos de ambos se encontraram e Snape sentiu seu estômago ir até a lua e despencar na volta. Que maldita maldição. O que ele era agora? Um garoto bobo de 17 anos louco de amor por uma grifinória que o odiava! Dando de ombros, ele saiu da sala de aula.


Já que não possuía mais uma sala própria, nem seu próprio dormitório, Snape resolveu se esconder de todos na biblioteca. Poucos passeavam por lá, era mais um local onde as pessoas faziam o que tinham que fazer e logo saíam. Ele entrou na biblioteca, deixando os materiais sobre sua mesa preferida, pois, sendo ele um bruxo formando e com estudo suficiente para ministrar aulas, deveria ter sido isentado de temas, trabalhos e provas, coisa que acabou não acontecendo. Antes de se dedicar às tarefas, resolveu espiar pela janela, ver o que estava acontecendo nos arredores da escola, pois sentiu uma necessidade premente de visitar os bosques e o lago; passear ao sabor do sol; sentir as emoções que jamais sentira e que agora pareciam fazer parte da vida de Eric.

Lá embaixo, rindo e conversando com um grupo, ele pôde perceber a presença de Hermione. Tentava, em vão, repelir aqueles pensamentos, lembrar-se do lado racional da questão, esquecer do quanto seu coração batia quando a via. Só lembrava ter sentido tudo isso por uma única pessoa em sua vida e, até a maldita maldição acontecer, fora este sentimento bom que o dominara.

Eric não sabia quanto tempo ficara sentado absorto em pensamentos olhando pela janela. O que o fez retornar do "mundo dos sonhos" foi a mão delicada e quente de Hermione em seu ombro ao mesmo tempo em que dizia:

— Não temos que terminar a poção, Zhyrmunsky?