THE ROGUE SLAYER AND THE RIPPER GANG

By Aline

Disclaimer: Buffy the Vampire Slayer e Angel the Series pertencem a Joss Whedon, Mutant Enemy, Fox, WB, upn e seja lá mais quem for. Não pertencem a mim. Eu não estou ganhando nenhum dinheiro com esta fanfiction, estou apenas me divertindo e matando as saudades.

Nota da Autora: Essa fanfiction pretende contar a história do que seria um spin-off com Faith e Giles como protagonistas. No entanto, eu modifiquei algumas coisas que eu considero péssimas nas temporadas anteriores. Willow teve seus problemas com drogas, quer dizer, com bruxaria, mas não se tornou Evil, porque Tara não morreu. E Kennedy nunca existiu (thanks God!). Xander ainda tem seu olho esquerdo e não casou com Anya, mas eles estão reatando, pois ela também não morreu. Spike morreu como um herói e pode aparecer a qualquer momento, já que sua morte foi mística (e ele jamais tentou estuprar Buffy). Sunnydale não foi destruída, mas sim, apenas a Boca do Inferno, ou seja, o colégio.

A princípio, haverá duas histórias se desenrolando. Giles, Buffy, Dawn, Xander e Anya estão na Inglaterra, investigando o que aconteceu com o Conselho de Sentinelas e pensando num modo de reerguê-lo, sob nova direção. Junto a eles estão metade das novas caçadoras (ex-potenciais).

Em Sunnydale, estão Faith, Wood, Willow, Tara, Andrew e a outra metade das novas caçadoras, combatendo o mal que ainda resta e cuidando para que a Boca do Inferno permaneça fechada.

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Parte 2 - O Mal sempre retorna.

Giles continuou a fitar Ben, tentando acreditar no que seus olhos lhe mostravam. Apesar de ter passado um ano inteiro em contato com O Primeiro, e de ter sabido de suas múltiplas aparições, Giles nunca o havia encontrado pessoalmente. Nesse momento, apesar de ter vivido sete anos na Boca do Inferno, Giles foi tomado por aquela sensação de irrealidade, típica dos momentos em que algo improvável e surreal acontece em nossas vidas.

Ben continuou a sorrir.

- "O que foi, Sr. Giles? Parece que viu um fantasma! Oh, espere! É isso o que eu sou. Eu já fui um jovem médico, com uma vida pela frente. Mas isso tudo me foi tirado. Você lembra? Lembra de como me sufocou até a morte?"

- "Era necessário." - murmurou Giles.

- "Tem certeza? De que lhe adiantou? Sua caça-vampiros morreu mesmo assim. Ela sacrificou a própria vida para salvar inúteis como você. Ela é uma heroína, lembra? Ela não é como nós."

- "O que você quer? Me irritar até a morte? É só isso o que você pode fazer. Você se mostrou muito poderoso ano passado." - Giles continuou em tom irônico. "O Grande Mal se deixou abater por um vampiro! Quem diria que um vampiro, com sua alma torturada, seria mais forte que você e todo o seu exército!"

- "Do que está falando?"

- "Oh, você já esqueceu? Foi mesmo uma bela batalha e nós te pegamos de surpresa. Sabia que foi você mesmo quem deu a Buffy a idéia de ativar todas as caçadoras? Você disse que ela viveria sempre sozinha e ela percebeu que não precisava ser assim. Ela podia fazer as coisas de modo diferente; e foi isso o que ela fez."

- "Sr. Giles, acho que está havendo algum engano. Quem você pensa que eu sou?"

- "Quem poderia ser? Se não o vilão mais incompetente e irritante que já enfrentamos, que retorna desprovido de seu exército, com a mera intenção de aborrecer nossas vidas?"

Ben parecia um pouco confuso e Giles continuou a falar.

- "Monte seu exército e venha nos enfrentar de novo, se for capaz. Mas enquanto isso não acontece, não venha nos cansar com sua forma incorpórea e intocável, pois nós temos muito trabalho a fazer."

- "Forma incorpórea e intocável? Sr, Giles, não parece que o senhor é um ex- sentinela, falando desse jeito. O senhor nunca ouviu falar em ectoplasma? É disso que sou feito e é graças a esta substância que posso me materializar aqui, em frente ao senhor."

Giles empalideceu ao ouvir estas palavras, mas tentou se manter firme. Entretanto, quando ele percebeu que Ben estava se aproximando, o pavor cresceu e Giles se deu conta de que estava suando frio e com o coração palpitando. O terror o dominou completamente quando ele sentiu uma mão gelada e morta tocar o seu braço.

- "Ah ... ah ... aw ... " - Giles não conseguia mais falar, a garganta estava subitamente seca, os olhos fixos naquele rosto descolorado pela ação da morte, que o observava a menos de meio metro de distância.

Ben apertou seu braço com mais força e, subitamente o soltou, recuando alguns passos. Giles voltou a respirar.

- " Isso não acabou, Sr. Giles. Eu poderia matá-lo agora, mas não estou aqui para realizar uma vingança pessoal. Só vim lhe dar um aviso: não perca seu tempo dedicando-se a uma causa perdida. Há um Mal no mundo maior do que o senhor e seu bando de amigos desmiolados vai poder enfrentar." - Ben virou as costas e desapareceu no que parecia ser uma cortina de fumaça, que era feita de ectoplasma, como Giles pôde agora constatar.

Giles passou o restante da noite sem conseguir fechar os olhos.

Tara sempre gostou de acordar cedo. Para ela, era um prazer poder caminhar pelas ruas ainda vazias da cidade, na hora do nascer do sol, enquanto a maior parte da população dormia tranqüilamente. Isso fazia com que ela se sentisse energizada e em companhia de forças positivas da natureza. Sua vida já tinha escuridão demais e era assim, banhando-se na luz do sol, que ela conseguia afastar as trevas que circundavam a ela e a todos os habitantes de Sunnydale.

Mas ela não estava reclamando. Mesmo bem antes de morar na cidade, sua vida não era feliz e ensolarada.

'I lived my life in shadows. Never the sun on my face.'

Sua infância tinha sido mágica. Literalmente. Na companhia de sua mãe e de sua avó, Tara aprendeu a lidar com seus poderes e a canalizar a sua energia. Aprendeu várias coisas sobre bruxaria e feitiços, mas sempre no sentido positivo, sempre no uso para o bem.

Quando sua mãe morreu, Tara viu esse mundo mágico desmoronar. Ela tinha dezessete anos e se viu na companhia de seu pai e seu irmão, que detestavam magia e tinham medo do que poderia acontecer se Tara aprendesse a controlar todos os seus poderes. Para impedi-la de se desenvolver nesse sentido, eles resolveram inventar a história de que Tara era metade demônio e que seu lado demoníaco iria emergir com total força por ocasião de seu vigésimo aniversário.

Apesar de acreditar neles, Tara não quis ficar em casa, esperando para ver o que ia acontecer. Sendo assim, quando ela descobriu que havia conseguido uma vaga na Universidade de Sunnydale, foi para lá que ela se dirigiu, consciente de que estava indo morar numa Boca do Inferno.

Viver lá não era fácil, mas havia compensações.

Tara sorriu ao lembrar como tinha sido "romântico" o seu primeiro encontro com Willow, escondendo-se na lavanderia da universidade, com aqueles monstros, ladrões de vozes, batendo na porta, do lado de fora.

E foi aí que a sua vida realmente começou. Uma vida feliz, mas também perigosa. Não houve mais nenhum momento em que Tara não se sentisse em perigo, mas ela também nunca havia se sentido tão bem consigo mesma e tão viva.

As ocasiões de perigo foram múltiplas. Começou com a perseguição dos gentlemen, aparecendo depois aquele demônio criado por Jonathan, que a obrigou a passar a noite escondida no armário do faxineiro. E quando Oz voltou a Sunnydale, disposto a ter Willow de volta, Tara o viu se transformar em lobisomem bem na sua frente, em plena luz do dia. Daquela vez, ela não acreditou que sobreviveria.

Tara franziu a testa.

O que a assustou aquele dia não foi só a perseguição do lobisomem, mas o próprio retorno de Oz, que a fez acreditar plenamente, que ela havia perdido Willow de vez. Com certeza, aquele foi o mais longo dia de sua vida, em que ela ficou sentada em sua poltrona, sem saber qual seria o seu futuro. E quando Willow bateu em sua porta, nem por um segundo passou por sua cabeça que esta havia decidido ficar com ela. Mas foi o que aconteceu. E apesar de ter sido um dia longo e angustiante, foi um dia feliz para Tara.

No entanto, por mais que isso fosse insensato, Tara nunca conseguia deixar de pensar em Oz e em como deve ter sido muito mais difícil para ele, viver aquele dia. Às vezes, ela pensava nele, onde ele poderia estar agora e o que ele estaria fazendo. E ela sabia que havia ocasiões em que Willow também pensava nele. Mas Willow nunca disse nada.

Tara suspirou. Não seria ela quem iria trazer este assunto à tona. Se Willow quisesse conversar, ela estaria lá para ouvir. Tara tinha certeza de que Oz era um cara legal e eles poderiam ter sido amigos, se não houvesse "circunstâncias."

Mas o tempo foi passando e Tara, finalmente, conseguiu acreditar que Willow não estava arrependida por a ter escolhido, e que Oz era mesmo uma figura do passado. A maior prova disso foi o retorno de sua família, querendo levá- la de Sunnydale com a alegação de que Tara se transformaria em demônio. Ainda hoje, Tara se emociona ao lembrar que Buffy e a Scooby Gang a defenderam, antes mesmo de saber que não haveria nenhuma transformação.

Enquanto Tara dirigia seus pensamentos para os anos anteriores, o seu passeio matinal também ia mudando de curso e Tara estava apenas vagamente consciente dos lugares por onde passava. Há muito tempo, ela já havia saído da Main Street e estava agora se encaminhando para um bairro nobre da pequena cidade.

Foi depois daquele aniversário de vinte anos que Tara começou a se sentir totalmente à vontade com os amigos de Willow e ela também pôde se sentir mais segura sobre seus sentimentos. E quando parecia estar tudo bem para ela, Willow e seus amigos, surge uma deusa demoníaca e louca, tentando capturar Dawn para abrir um portal que a levaria de volta à sua dimensão.

Tara estremeceu subitamente. Seria por causa do ar frio da manhã ou da recordação daquele dia? Nem mesmo os piores momentos que ela passou junto ao seu pai e seu irmão lhe causavam o terror daquele dia, onde ela estava sentada naquele banco, no meio da Feira Multicultural da universidade. Poucas horas antes, ela havia tido sua primeira briga com Willow, o que a deixara bastante fragilizada. Ela foi à feira, mesmo sem vontade, apenas porque não tinha outro lugar para ir e resolver sentar naquele banco, com a esperança de que Willow aparecesse. E por um segundo, ela acreditou que isso tinha acontecido, quando sentiu uma mão segurar a sua. Mas foi tomada por total pavor quando viu que a pessoa a quem tal mão pertencia não era Willow.

Era Glory.

A deusa infernal e louca acreditava que Tara era a Chave. E não adiantava explicar que ela estava enganada, pois isso só serviu para deixar Glory ainda mais agressiva. Apesar de já terem se passado mais de dois anos, ainda era com desespero que Tara se lembrava de como Glory inseriu seus dedos em seu crânio, retirando dela a consciência e a sanidade. Tara passou dias num mundo de pesadelo, onde ela sentia pequenos insetos rastejando por baixo de sua pele. E quando ela olhava para Dawn, não era a menina o que ela via, mas a própria Chave, na forma de uma brilhante luz verde.

Tara sacudiu a cabeça, tentando afastar de si esses pensamentos.

Depois, ela fechou os olhos e tornou a abri-los.

Piscou várias vezes.

Por fim, ela esfregou os olhos, numa tentativa desesperada de apagar o que estava em sua frente.

Não deu resultado.

Como se ela nunca tivesse morrido, como se ela ainda morasse ali, naquele bairro luxuoso da cidade, Glory estava casualmente parada na rua, usando um vestido vermelho e encarando Tara com um ar divertido.

- "Finalmente, eu te encontrei de novo, pobre humana inútil."

- "Giles, você está acordado? Não me diga que passou a noite em claro, pensando no novo Conselho?" – Buffy acordou com sua usual disposição de caçadora e não percebeu de imediato as manchas escuras sob os olhos do ex- sentinela.

- "Para ser exato, eu não posso dizer que já acordei, pois eu ainda não dormi." – Giles falou com ar cansado e Buffy se aproximou, percebendo pela primeira vez a sua aparência.

- "Giles, o que houve? Fala pra mim. Seu cabelo está todo em pé, você está cheio de olheiras. Alguém foi atacado?" – Buffy fez uma pausa e falou em voz mais baixa. – "Alguém morreu?"

- "Não. Quer dizer, não para a segunda pergunta. Quanto à primeira, eu não sei bem o que dizer. Não diria que aquilo foi um ataque. Talvez eu chame de aparição."

- "Quem apareceu?" – Buffy perguntou e depois continuou, sua voz num misto de ansiedade e esperança. – "Spike?"

- "Oh, não, não foi Spike." – Giles tentou falar afetuosamente, para não ferir os sentimentos da caçadora. – "Foi Ben."

- "Ben? Ben, o médico que nós conhecemos e que é Glory? Ben is Glory?" Buffy estava confusa e Giles a olhou nos olhos, tentando fazer com ela compreendesse, sem que ele fosse obrigado a falar.

- "Mas eu não entendo." – ela continuou, franzindo a testa, num esforço para compreender. – "Você falou de uma aparição, mas Ben está vivo." Subitamente, ela arregalou os olhos. – "Oh, meu Deus! Ela voltou? Glory voltou e está atrás de Dawn? Giles, a gente precisa fugir agora mesmo, vou pegar minhas coisas e vou avisar Dawn ..."

Ela parou quando sentiu Giles segurar seu braço.

- "Não é preciso fugir. Ainda não, pelo menos. Não era Glory, era apenas Ben." – Giles parou por um segundo, respirou fundo e continuou. – "E Ben morreu, Buffy. Eu o matei."

Buffy continuou a fitar Giles, com o choque estampado em seu rosto.

- "Você fez o quê?"

- "Era preciso." – Giles disse e murmurou para si mesmo. – "Eu fiz o que era preciso."

Buffy continuou a olhá-lo.

- "Eu disse a você que eu jurei proteger este mundo e que isso implicava em fazer coisas que outros não fariam. Eu o matei, Buffy. Porque, desse modo, Glory jamais poderia voltar. Eu fiz isso por você e por Dawn."

- "Mas como? Quando?"

- "Após você bater em Glory com o martelo do troll Olaf, ela se transformou em Ben e você o deixou viver. Mas eu não."

O choque de Buffy só aumentava.

- "Você matou um ser humano!" – a voz de Buffy estava cheia de surpresa e decepção.

- "Com minhas próprias mãos. Literalmente." – Giles tirou os óculos e se sentou ao lado de Buffy. – "Eu sinto muito." – ele disse com sinceridade. – "Sinto por ele e sinto por decepcionar você."

Buffy continuava sem saber o que dizer. Por fim, ela levantou os olhos:

- "Olha, Giles. Eu não vou conseguir digerir isso agora. Será que dá pra gente seguir em frente e deixar pra pensar nisso depois?"

- "Sim, claro, mas de qualquer modo ..." - "Giles!" – Buffy o interrompeu um pouco bruscamente – "Por favor, agora não."

Giles estava desapontado, mas a obedeceu.

- "Bem, eu não sei o que ele queria ... disse que não buscava uma vingança pessoal. Ele parecia estar seguindo ordens de alguém." – Giles franziu a testa, relembrando o episódio da noite anterior.

- "Do Primeiro? Será que ele não vai desistir nunca?" – o choque de Buffy estava dando lugar a exasperação. – "Se tem uma coisa que eu acho chata é enfrentar o mesmo vilão duas vezes seguidas."

Giles ainda não havia recuperado o senso de humor.

- "Não era o Primeiro. A não ser que suas dificuldades em se materializar tenham se resolvido." – Giles tirou os óculos e começou a limpá-los. Quando ele voltou a falar, sua voz era grave e assutada. – "Ele me tocou, Buffy. Poderia ter me machucado, se quisesse. A mão dele estava gelada; era a mão de um morto."

Os dois se entreolharam, sem saber o que dizer.

O sol penetrava sorrateiramente pela janela do quarto principal da ex- residência Summers. Agora, aquela casa poderia ser chamada de quartel, mas seu aspecto lembrava mais um albergue da juventude, ou pensão de estudantes, com todas aquelas caça-vampiros morando ali.

Eram 10:30h da manhã, e numa hora tão "matinal", Willow não estava preocupada em pensar no que aquela casa havia se transformado. Ela queria se aconchegar debaixo das cobertas, adiando ao máximo a hora de acordar.

'Afinal de contas, hoje é domingo.'

Ela estendeu o braço por sobre o lugar onde Tara deveria estar. Deveria estar, mas não estava.

'Meu Deus, como ela consegue fazer estas caminhadas tão cedo?! Não deve ser saudável acordar a esta hora...'

Willow olhou para o lado e viu o relógio. Seus devaneios foram cortados pela realização de que, afinal, era hora de acordar.

- "Acho que não posso mais adiar este momento." – Willow se levantou com um suspiro e começou a se preparar para mais um dia.

Em Londres, Giles, Buffy, Xander, Anya, Dawn e as caçadoras já estavam reunidos. Giles ainda parecia fragilizado e Buffy resolveu tomar a palavra.

- "Seria bom se tivéssemos tido mais tempo, mas não deu. Vocês foram avisadas, sabiam que ia ser assim. Não há férias quando se luta contra o mal, e parece que as tréguas também não duram muito. A nossa vida é assim, e é assim todo dia. E é hora de vocês entenderem isso. É nosso destino estar nessa guerra, e a guerra já começou."

As caçadoras olhavam para Buffy com seriedade e preocupação. Ninguém falava, nem piscava os olhos. Até as respirações estavam suspensas.

Buffy continuou.

- "Giles foi atacado ontem. Não pelo Primeiro, mas por um fantasma. O fantasma de alguém que conhecemos no passado e que morreu em certas circunstâncias ..."

Giles a olhou e Buffy continuou.

- "Circunstâncias que não são importantes agora. O que importa é que este fantasma diz que esta trabalhando para alguém, algum novo Mal que está se manifestando."

Buffy parou por um segundo e contemplou sua platéia atenta e apreensiva.

-"Precisamos começar o trabalho. Eu irei treinar as caçadoras. Xander, Anya e Dawn, ajudem Giles com a pesquisa. Temos de procurar algum tipo de ser maligno que possa controlar ou se associar a fantasmas."

- "E demônios!" – Anya acrescentou – "Não se esqueça do ataque que Willow sofreu na semana passada. Ele falou exatamente a mesma coisa e qualquer um, com um mínimo de inteligência, perceberia que os dois fatos estão ligados."

Dessa vez, Buffy deixou passar a ofensa que Anya, sem querer ou não, lhe fez. Não adiantava retrucar. Anya parecia ter mesmo a capacidade de enxergar o óbvio; aquilo que, por vezes, escapava à percepção de todos os outros.

Além disso, o comentário de Anya lhe despertou uma sensação estranha. Um frio na espinha e uma sensação nova e desconfortável de impotência.

Sunnydale estava em perigo.

Quando Willow entrou na cozinha, ela sentiu um estranho aperto no peito. Uma apreensão indefinida e inexplicável. Ela até tentou afastar essa sensação, mas quando se deparou com os rostos perturbados de Faith, Wood e Andrew, ela não pôde mais se controlar. Seu rosto estava pálido e sua voz saiu esganiçada.

- "O que aconteceu? Falem! Houve alguma coisa com ..." - "Tara saiu por volta de 8:30 e ainda não voltou. Já dei uma volta pelas redondezas e não a encontrei. Ela te disse que pretendia ir a algum lugar?" – Faith tentou falar delicadamente, para não deixar Willow ainda mais preocupada.

Willow se sentou devagar. Ela sentia a cabeça girando e o mundo a sua volta parecia desmoronar.

'Tara, Tara ... Por favor, não.'

- "Willow! Red! Calma, não aconteceu nada, eu tenho certeza. Ela deve ter dado uma volta, parou em algum lugar e ..."

Willow a interrompeu. Ela estava bem próxima da histeria.

- "Não, não foi isso. Alguma coisa aconteceu. Eu sinto. Eu sei."

O telefone toca nesse momento e seu tilintar soa como um mau presságio aos ouvidos de todos.

- "Eu atendo." – disse Wood, que se precipitou em direção do telefone.

Andrew e Faith mantiveram silêncio, enquanto Willow olhava para Wood, tentando entender o quê e com quem ele falava.

-"Oh, como estão as coisas por aí? Aqui nós estamos ... mais ou menos. Vocês também? Ah, sim? É mesmo? Entendo, claro. Vou chamá-la."

Wood olhou para Faith.

-"É Buffy. Ela precisa falar com você."

A alegria que o telefonema de sua amiga despertaria não foi sentida por Willow dessa vez. Ela permaneceu no mesmo lugar, sem demonstrar desejo de se comunicar com os amigos.

Faith recebe as notícias de Londres e, por sua vez, conta a Buffy o suposto desaparecimento de Tara. Buffy diz que ficará no aguardo de novas notícias. Faith coloca o fone no gancho.

- "Red, eu e Wood vamos vasculhar esta cidade inteira. Por que você e Andrew não tentam fazer algum feitiço para localizá-la?"

Os olhos de Willow se iluminaram.

'Eu sempre vou achar você.'

- "Vou fazer agora mesmo."

Faith e Wood se dirigem porta, enquanto Willow se levanta e chama Andrew para buscarem ingredientes para o feitiço.

Antes que Faith colocasse a mão na maçaneta, a porta se abre com um estrondo. Entra na casa um ser estranho, vestindo uma roupa que lembra a batina de um padre, ou o hábito de um monge.

'Parece um hobbit com lepra.' – pensou Faith.

Ele parecia absolutamente apavorado por estar ali e suas mãos tremiam.

- "Não vim para lutar. Vamos manter a calma, para que ninguém saia machucado."

Faith o olha com absoluto desprezo.

- "O único que vai sair daqui MUITO machucado é você."

O ser estranho estremece mais ainda, mas continua falando.

- "Eu apenas sigo as ordens da Gloriosa. Ela mandou avisar que capturou a bruxa e sugará seu cérebro, de novo, se vocês não forem comigo, agora, para lá."

Todos pararam, sentindo o impacto daquela notícia. Willow foi a primeira a sair do transe e caminhou na direção do mensageiro de Glory.

- "Estamos indo."

- "Espera, Red. E se for uma armadilha?"

- "Temos que arriscar, Faith. Vocês estão comigo nessa ou não?"

Faith, Wood e Andrew perceberam que não tinham escolha e seguiram junto com Willow.

Buffy encontra Giles pensativo, folheando um livro, mas sem se concentrar realmente no que lê. Ela o contempla por um segundo e resolve se aproximar.

- "Giles, acho que devo voltar para Sunnydale. Tara desapareceu e eu não posso fazer nada se estiver aqui. Vou arrumar minhas coisas e tentar pegar o primeiro avião ..."

Giles a interrompe suavemente.

- "Buffy, espere. O que está dizendo?"

Buffy contrai os lábios e olha para seu Guardião com gravidade.

- "Eles precisam de mim, Giles. É algo que eu tenho de resolver."

- "Será? Buffy, será que você ainda não percebeu as conseqüências do que houve no ano passado? Sunnydale está com quinze novas caçadoras, prontas para uma luta, e esperando ansiosamente que esta aconteça, eu devo dizer. Faith é uma caçadora muito experiente e bem treinada. Além disso, Willow é uma bruxa poderosa, Wood é muito forte e Andrew ..., bem, ele deve servir para alguma coisa."

- "Mas..."

- "Será que você não percebe que nós não somos nada aqui sem você? Dawn, Xander e Anya precisam de você."

Buffy o olhou expectante.

Giles tirou os óculos e a fitou.

- "Buffy, eu preciso de você. Sei que não costumo dizer isso, mas estou dizendo agora. Por favor, fique."

Buffy sente as lágrimas nos olhos. Ela está dividida entre seu senso de dever e a lealdade aos amigos.

- "A não ser que lhe seja insuportável, ficar perto de mim, depois do que lhe contei..."

Buffy levanta os olhos e encara seu Guardião.

- "Não, não é isso. Olha, Giles, eu pensei muito e me dei conta de que afinal, todos nós aqui temos nossos pecados. Eu já perdoei Angel e Faith, ... e Spike. Por que eu não te perdoaria? O que você fez foi por um bom motivo, e acho que eu só posso te agradecer."

Giles a abraça, também emocionado.

- "Será que valeu a pena? Será que Glory foi mesmo derrotada?"

Willow, Faith, Wood e Andrew seguem o serviçal de Glory até o antigo apartamento da deusa demoníaca. Willow não acredita que está voltando àquele lugar e revivendo aquele pesadelo. O clima entre os quatro é pesado e ninguém diz uma palavra durante todo o trajeto.

Chegando lá, são recebidos pela própria Glory, demoníaca, radiante e louca, como sempre. A sensação de irrealidade só aumenta. Ainda tomada por esta espécie de transe, Willow vê que Tara está presa em uma cadeira perto de Glory. Apesar do ódio que tal imagem lhe causa, ela fica feliz ao ver que Tara está viva e bem.

- "Há quanto tempo não nos vemos, não é, bruxa? Vejo que trouxe novos amiguinhos. Aonde estão os antigos? Onde está aquela caça-vampiros loura e vulgar? Ah, sim, na Inglaterra. Eu havia me esquecido disso. Parece que ela foi mais inteligente do que vocês, ao sair desta cidade."

Glory faz um gesto com a mão e Tara é libertada.

- "Willow!"

Tara corre para Willow e elas se abraçam.

-"Oh, so cute!" – Glory sorri, mas é um sorriso totalmente cruel e irritante para os presentes. Depois, ela fica séria de novo.

-"Eu os trouxe aqui para dar um aviso. Eu poderia ter matado essa humana inútil se eu quisesse, mas não quis. Eu estou aqui com um outro objetivo. Só quero lhes avisar para interromperem o que estão fazendo, aqui e na Inglaterra, agora mesmo. Senão, haverá conseqüências muito, muito piores do que o que vocês já viram até agora.

Willow a encara com ódio.

-"Mentira, você não tem nenhum poder, você está morta. É por isso que você não fez nada."

Glory retorna o olhar, num misto de ódio e desdém. Ela levanta calmamente a mão direita e um raio sai desta, atingindo Willow num instante e lançando-a contra a parede.

Wood e Tara correram para acudi-la e a ajudaram a se levantar, correndo para a saída. Faith também saiu, mas não sem antes dirigir-se a Glory mais uma vez.

- "Isso ainda não acabou."

- "Eu acho que não, minha cara. Está só começando."

Buffy desliga o telefone e seu rosto consegue expressar alívio e preocupação ao mesmo tempo. Ambas as sensações têm a mesma intensidade.

-"O que houve? Boas ou más notícias?" – Xander notou sua expressão estranha e não demorou a perguntar.

- "Um pouco de cada. Tara foi resgatada, mas vocês não imaginam quem a havia seqüestrado."

Ela faz uma pausa para aumentar o suspense.

-"Glory."

Pânico se reflete nos olhos de Dawn. Buffy percebe e tenta confortá-la.

-"Parece que ela não está atrás de você desta vez. Tudo indica que ela trabalha pra alguém. Alguém mais poderoso do que tudo o que já enfrentamos. E ela nos deu um recado: quer que paremos já com a reconstrução do Conselho."

- "Isso nunca vai acontecer."

- "Eu sei, Giles. É claro que não.Mas precisamos descobrir quem ou o que está por trás disso. E também precisamos juntar nossas forças. Quanto mais organizados e poderosos nós estivermos, mais chances teremos.

Envolvidos pela seriedade do momento, eles mal escutaram a campainha tocar.

Karen, uma das novas caçadoras que tinha ido atender a porta, retorna alguns segundos depois, acompanhada por um rapaz de cabelos louros.

- "Pessoal, temos uma visita."

- "Oi, eu estava passando por aqui e achei que poderiam estar precisando de minha ajuda."

Todos olharam para ele.

- "Oz!"

CONTINUA