N/T: Esta fic foi escrita por VampireNaomi e é a minha preferida! Espero que goste dela tanto quanto eu.

NI TANG CAPÍTULO 1

Não era uma manhã quieta de sábado na pequena loja do Tio. Todos estiveram acordados por horas ajudando o velho a encontrar um feitiço-chi especial, que deveria banir Shendu para sempre sem o seu portal. (isto soa familiar, hein?)

O Tio virava as páginas amareladas do seu livro e tomava um pouco de chá quente às vezes. Ele esteve sentado lá desde que o sol nasceu e ninguém se atreveu a dizer nem uma palavra depois que ele gritara com Jade por ela ter sussurrado muito alto.

A garota estava sentada nas escadas e observava Jackie e Tohru levarem mais livros do Tio e o chá. Ela suspirou. Já se passaram alguns dias desde que eles derrotaram Dai Gui, o demônio da terra, na Espanha, e ela já estava procurando por uma nova aventura.

Tudo esteve muito quieto desde então, a Mão Negra não tentou abrir um novo portal, onde quer que ele fosse, e aqui na loja eles não fizeram nada além de tentar fazer o maior silêncio possível. Encontrar o feitiço certo era muito para o Tio, ele não descansou e nem deixou ninguém descansar.

– Não esse livro! Eu disse pra me trazer o marrom! – o Tio gritou de repente e bateu em Jackie, com raiva. O arqueólogo quase derrubou o livro que estava segurando, mas conseguiu pegá-lo de volta bem a tempo.

– Mas Tio, este é marrom – ele defendeu e depois desejou ter ficado de boca fechada.

– É, mas não é o certo! Você tem que me trazer exatamente o livro que eu quero! – gritou o velho e Jackie suspirou. Ele não queria nem se lembrar da última vez em que o Tio esteve assim tão ranzinza, e o mau humor do velho estava começando a afetá-los também.

– Muito bem, Tio – ele murmurou e colocou o livro de volta na biblioteca onde Tohru estava passando pelas estantes tentando adivinhar qual dos livros verdes era o certo.

Jade escondeu um bocejo e lambeu os lábios. Ela estava com sono, não podia acreditar que tinha sido forçada a acordar a essa hora. Era fim de semana! Ela apoiou a cabeça nas mãos e fechou os olhos. Não ia machucar ninguém se ela descansasse por um momento...

– O feitiço! Eu achei!

– Ah! – Jade exclamou em surpresa e quase caiu. Um olhar rápido para o relógio revelou que ela dormira. Bem, pelo menos o tempo tinha voado e ela ousou falar.

– É mesmo? Que tipo de feitiço é? – perguntou Jackie, deixando os três livros que ele estava levando em uma cadeira.

O Tio franziu as sobrancelhas e leu a velha e frágil página, passando os dedos pelas linhas.

– Hum... Um muito difícil, três partes diferentes, cada uma tem que ser feita ao mesmo tempo. Mas se funcionar, nós poderemos mandar o Shendu de volta para o Netherworld sem um portal do demônio – ele disse e a expressão de Jackie clareou.

– Que boa notícia! Então tudo vai voltar a ser como antes – ele disse, feliz. – Do que precisamos para o feitiço?

– O feitiço tem que ser lido perto do Shendu enquanto alguém queima arroz descascado embrulhado em seda e canta esta melodia – o Tio respondeu profundamente pensativo e leu a parte do livro novamente para ter certeza. Jackie franziu as sobrancelhas.

– Difícil – ele disse e o Tio concordou com a cabeça.

– Mas vale a pena, nós temos que tentar. Tohru, você pega o arroz, Jade estuda esta melodia e Jackie compra seda.

Os outros concordaram e o Tio voltou a ler o livro. Ele esperou durante algum tempo antes de virar para olhá-los de novo. – O que estão esperando? Agora!

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Shendu estava de muito mau humor. Aquele maldito Chan arruinou tudo de novo! Por que nenhum dos demônios que eles libertaram não pôde ficar livre por pelo menos um maldito dia? Tá, Dai Gui era um idiota e Shendu o desprezava, mas cada demônio que era mandado de volta fazia com que os irmãos ficassem ainda mais furiosos com ele.

Ele sabia que eles já deveriam estar procurando pelo próximo portal, que pertencia a Hsi Wu, o demônio do céu, ou a Bai Tsa, a demônio da água. Mas ninguém fizera nada para isso. Os homens patéticos de Valmont não eram nada além de estorvos e era inútil esperar que eles fizessem alguma coisa sem o seu comando.

– Amanhã – ele decidiu e chiou impacientemente. Amanhã eles achariam o próximo portal e desta vez nada sairia errado. Ele sacrificaria todos os Enforcers de Valmont se fosse preciso. Talvez assim os seus irmãos não o matassem.

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O dia seguinte estava claro e dois grupos diferentes acordaram ao mesmo tempo com o sol. Ambos tinham seus próprios objetivos e certamente seriam os vitoriosos.

– O Capitão Black disse que o Valmont e seus Enforcers foram vistos perto do estádio de beisebol – Jackie disse e olhou para o Tio, que estava murmurando o feitiço para si mesmo. O dia anterior fora mesmo uma tortura para todos eles, quando o arroz e a seda foram comprados Tio os forçara a cantar uma antiga melodia chinesa até que saísse perfeita, e então eles escutaram e julgaram os feitiços que o velho lera pra eles.

Eles tiveram que fazer isso, na pressa ninguém preparou um feitiço-chi para o próximo demônio e eles tiveram que terminar o feitiço antes que Shendu abrisse o portal.

– Tem certeza de que você se lembra de como é a melodia? – confirmou o Tio com Jade, que girou os olhos.

– Dã, eu estudei isso o dia inteiro. Eu seria uma total idiota se não soubesse – ela disse e o Tio franziu as sobrancelhas.

– Não fale comigo desse jeito! Você está com o arroz? – ele perguntou gritando.

– Bem aqui – Jade respondeu e mostrou ao homem uma pequena bolsa branca que continha um punhado de arroz.

– "timo – disse o Tio, aprovando e voltando ao seu livro.

Eles chegaram no estádio antes da partida começar e acharam uma boa vaga para o carro.

– Agora nós só temos que encontrar o Shendu – Jackie disse e olhou ao redor. Havia pessoas por toda parte, mas eram todos fãs dos times jogadores e ele não viu um homem em um vestido chinês estranho em lugar nenhum.

Jade também deu uma olhada ao redor e segurou o saco de arroz firmemente nos dedos. Finalmente uma tarefa de verdade! Ela poderia cantar este canto ridiculamente fácil e queimar um pouco de arroz, e a fumaça criaria um portal que sugaria Shendu para o Netherworld, aonde ele pertencia.

– Ei! – ela gritou de repente e atraiu a atenção de todo mundo. Ela vira um flash de um vestido preto e azul, com certeza! – O Shendu está bem ali! – ela exclamou e apontou para a multidão.

– Rápido, atrás dele. Nós não podemos deixá-lo abrir um novo portal! – O Tio se apressou e ele, Jackie, Jade e Tohru correram atrás do demônio sem prestar atenção aos protestos das outras pessoas.

Ratso olhou pra trás quando ouviu um ruído que ele não pensou ter sido aqui. Franziu as sobrancelhas e chamou Chow cutucando as suas costas.

– O quê? – perguntou o chinês e Ratso apontou para a multidão.

– Acho que eu vi o Chan lá – disse o homem, inseguro, e Chow bufou.

– Chan? O que ele estaria faz- espera um pouco! É claro que ele está aqui!

– Devemos contar ao Shendu? – Ratso perguntou e apontou com a cabeça para o demônio que caminhava na frente deles. Chow balançou a cabeça.

– Não, ele só ia nos forçar a lutar com ele e você sabe como isso terminaria – ele disse. – É melhor esperarmos e vermos o que acontece.

Shendu sorriu. O portal estava perto, ele podia sentir isso.

– Venham – ele disse e fez um gesto para Chow e Ratso, que se entreolharam antes de se apressarem atrás do demônio. Ratso segurava a caixa Pan Ku nas mãos e realmente esperou que eles pudessem ficar livres do demônio e voltar ao esconderijo.

– Ei, espere! – alguém gritou de repente e todos os três se viraram para olhar.

– Chan! – Shendu chiou furiosamente e se virou para Chow e Ratso. – Peguem ele!

Os dois deixaram sair um suspiro mental e se preparam para uma nova e inútil luta. Claro que eles não falariam isso para Shendu, para a própria saúde deles, eles tinham pelo menos que tentar.

Jackie não ousou olhar próximo a ele onde sabia que Tio e os outros estavam preparando o feitiço, assim ele não atrairia a atenção dos inimigos para lá. Evitou facilmente os socos que Chow tentou dar e chutou o homem enquanto isso.

– Já estamos bem perto, queime o arroz! – sussurrou o Tio quietamente e Jade concordou com a cabeça. Com um flash do seu acendedor, o arroz pegou fogo e ela observou contente as chamas lamberem a seda branca. – Mao tah fe di gui zhan! Dao fa he se ni fong! – o Tio começou a tentar soletrar cada palavra do feitiço do melhor jeito que pôde. O feitiço era difícil, cada verso era diferente e um pequeno erro seria o bastante para arruinar tudo.

Shendu chiou furiosamente e em choque quando sentiu uma força invisível puxando-o. Ele conhecia esse feitiço, era um feitiço antigo usado para banir demônios e ele pensou que Tchang Zu havia destruído todas as cópias disso. Ele apertou os seus olhos vermelhos e tentou encontrar o maldito tio do Chan.

– Rápido! Não deixem que ele termine o feitiço! – o demônio chiou e se virou para escapar. Chow e Ratso se viraram para verem surpresos o Tio, Jade e Tohru correrem atrás do demônio que estava fugindo, e Jackie aproveitou a chance para chutá-los mais uma vez antes de ir embora também. Ratso se levantou lentamente e esfregou o pescoço.

– Devemos ir também? – ele perguntou e Chow concordou com a cabeça.

Cantar é difícil quando se tem que correr ao mesmo tempo, mas Jade estava em boa forma e conseguiu, embora sentisse como se os seus pulmões fossem explodir. Para o Tio era mais difícil, ele era mais velho mas tinha mais fibra do que muitos mais jovens do que ele.

O arroz queimando espalhou um odor asqueroso por toda parte e Shendu lambeu os lábios. Por que eles não podiam deixá-lo em paz? Ele não queria voltar para o Netherworld nem agora nem nunca, os seus irmãos o fariam em pedaços.

Ele aumentou a velocidade e pensou que ia conseguir. Para que o feitiço funcionasse, ele teria que estar perto do arroz queimando e ele já estava muito longe. O feiticeiro do chi e a garota nunca o alcançariam a tempo e Shendu sorriu para si mesmo. Ele ia conseguir!

E então ele tropeçou no próprio vestido. Tudo parecia acontecer como em um sonho, ele caiu no chão e se xingou. Por que ele não escutou Valmont quando o homem tinha razão pelo menos uma vez? Se ele estivesse usando roupas ocidentais em vez de vestidos, poderia ter escapado.

Shendu se virou quando ouviu passos e chiou em desespero quando viu que o Tio e Jade o tinham pegado. Ele xingou em chinês e tentou se levantar, embora soubesse que era inútil. O feitiço já estava quase terminado...

A fumaça parecia crescer e cercou Shendu por toda parte. Ele tentou dissipá-la e mergulhar para fora de seu alcance, mas parecia que a fumaça estava em todos os lugares.

– Não, não, não, não! – ele murmurou desesperadamente para si mesmo antes que tudo ficasse branco e ele não sentisse mais nada.

O Tio deixou sair um suspiro contente e Jade deixou cair a bolsa queimada de seda, sorrindo. Jackie, Chow e Ratso chegaram correndo e Jackie se virou para o Tio.

– Já acabou? – ele perguntou e o velho afirmou com a cabeça.

A fumaça começou a enfraquecer e o Tio franziu as sobrancelhas, preocupado. Alguma coisa estava errada agora.

– Onde está o Valmont? – perguntou Chow, nervoso, quando toda a fumaça se foi mas eles não viam o homem em lugar nenhum.

– Eu - Eu não sei – disse o Tio quietamente e pela primeira vez na vida Jackie sabia que o velho estava realmente inseguro.

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A sua cabeça doía e tudo o que ele quis foi desabar em um sonho duradouro e descansar um pouco. Ele não se lembrava do que tinha acontecido e nem tentou, lembrar doía muito. Se pudesse apenas dormir...

Algo bateu em seu peito dolorosamente e Valmont murmurou um protesto. Ele não podia se preocupar menos agora, estava tão cansado.

– Acorda, idiota! – Ele ouviu alguém chiar e por um momento estava acordado. Aquela voz... Ele não queria nem tentar se lembrar, aquela voz o tinha seguido em todos os seus pesadelos durante semanas.

– Shendu! – ele exclamou e se sentou.

Foi recebido por uma visão totalmente estranha, o lugar era todo vermelho e laranja, o ar tinha um cheiro horrível e ele não podia ver um ponto fixo em lugar nenhum. Valmont olhou ao redor e sentiu um frio que cortou todo o seu corpo. Ele nunca vira este lugar direito, só através dos portais dos demônios antes que eles se fechassem.

O Netherworld. O lugar onde ficavam os demônios. Como ele foi parar ali? E por quê? Então ele se lembrou de Shendu e ergueu os olhos só para ver o grande demônio do fogo em seu próprio corpo. Valmont desejara que isso acontecesse há muito tempo para que assim pudesse voltar a ter o controle sobre si mesmo, mas ironicamente ele não estava nem um pouco feliz agora.

– Shendu? – ele perguntou com a voz trêmula e o demônio sorriu para ele.

– Valmont – ele disse com a voz coberta de ódio e raiva, que não deixou nada pouco claro. Valmont engoliu em seco e tentou não pensar no que o demônio planejou para ele.

Ele tinha que sair daqui! Valmont se levantou e percebeu que ainda estava vestindo o já muito familiar vestido chinês. Ele deu um passo inseguro para longe de Shendu procurando desesperadamente por uma saída, qualquer coisa. Mas não viu nada além do horrível vermelho e mordeu o lábio. Ele nunca teve esse medo na vida!

– Vai a algum lugar, Valmont? – perguntou Shendu, feliz, e Valmont sentiu as garras afiadas do dragão quando ele o agarrou pelo pescoço. Ele fez um ruído por isso e podia imaginar o sorriso no rosto de Shendu. Droga, isso não podia terminar assim! – Não tenha medo, Valmont. Eu não vou deixar você morrer por muito tempo. Na verdade, nunca – Shendu disse como se soubesse o que o homem estava pensando e subiu um frio na espinha de Valmont. Talvez a morte não fosse uma opção tão ruim afinal...

– Shendu! – Uma voz foi ouvida de repente e Shendu se virou para ver o furioso Tchang Zu. O dragão curvou a cabeça.

– Meu honrado mestre – ele saudou e Tchang bufou.

– Pare com isso! O que deu errado, por que você falhou em carregar o simples fardo que nós demos a você? E a explicação tem que ser boa! – disse o demônio do trovão, irritado, e Shendu hesitou nervosamente.

– O feiticeiro do chi mostrou ser mais forte do que eu esperava, mestre – respondeu. – Ele usou o antigo feitiço de Du Woh e conseguiu me banir pra cá – ele continuou quando Tchang Zu concordou com a cabeça. O demônio do trovão cruzou os braços.

– E daí? Você ainda tinha a chance de sobreviver e ainda assim foi derrotado! Agora todos nós estamos condenados aqui! E eternidade é muito tempo, Shendu. Nós temos que ter algum entretenimento – ele disse e Shendu soube muito bem o que o irmão quis dizer com isso. Mas ainda tinha uma carta na manga.

– Honrado mestre, nem tudo está perdido – ele disse e suspirou de alívio quando Tchang pareceu estar interessado. Shendu ergueu Valmont, que escutara quietamente a conversa dos demônios. Tchang Zu ergueu uma sobrancelha em interesse.

– Explique – ele disse brevemente.

– Nós oito não podemos escapar deste lugar por causa dos portais, mas alguém que não tem um poderia fazer isso facilmente – Shendu disse e apontou para Valmont com a garra. – Ele vai abrir os portais para nós – ele continuou e Tchang Zu bufou.

– Um mero mortal – ele disse em desprezo. – Por que deveríamos confiar nele? Como vamos saber que ele não nos trairá quando o deixarmos sair? – ele perguntou em suspeita.

Shendu sorriu.

– Essa é a beleza disso. Ele poderia ser um de nós – ele disse. Valmont gritou e sentiu como se algo muito frio estivesse rastejando dentro de si. Um demônio? Ele?!

– Nunca! Me solte! – ele suplicou e tentou se livrar do aperto de Shendu.

– Quieto! – o dragão chiou e o acertou com uma das garras.

Tchang Zu pensou nisso por muito tempo.

– Um de nós? – ele confirmou e Shendu concordou com a cabeça ansiosamente.

– Sim! Já foi feito antes – ele lembrou.

– Muito bem, Shendu. Vamos fazer isso. E quem sabe, essa pode ser a sua melhor idéia – ele concordou. – Tso Lan! – ele gritou e bateu palmas. Não levou muito tempo para o demônio da lua vir flutuando com o seu longo cabelo preto fluindo atrás dele. Ele não gostava da atitude insistente do irmão mais velho, mas não era bobo. Ele não queria começar uma discussão com nenhum dos irmãos, assim a situação era a melhor para ele.

– Sim? – perguntou Tso Lan com uma voz agradável, sem dizer "mestre" de propósito. Ele também tinha os seus limites. O demônio da lua olhou curioso para Valmont e imediatamente o reconheceu como o mesmo que dividira o corpo com Shendu. E falando no dragão, parecia que o seu irmão idiota falhara afinal. Bem, ele não estava esperando outra coisa.

– Hoje a nossa família terá o nono membro – Tchang Zu anunciou e apontou para Valmont com a sua mão azul. Tso Lan ergueu uma sobrancelha, um demônio novo?

– Será que é mesmo uma boa idéia? – ele perguntou em suspeita. Ele não gostara desse jogo da última vez, e ele não gostou agora, ele achava que isso não era natural.

– Sim. Eu quero que você mantenha o Hsi Wu longe durante o ritual. Nós não podemos deixar ele ver muito – disse Tchang Zu com uma voz que deixou claro que ele não queria ouvir nenhum protesto.

Tso Lan sabia quando era hora de ficar calado. Embora ele normalmente dissesse o que pensava, não era estúpido o bastante para discutir com o demônio do trovão quando ele decidia algo. Esta era uma questão séria, mas Tso não quis arriscar a própria posição na família. Ele concordou com a cabeça e se virou para ir encontrar Hsi. Tchang tinha razão em pelo menos uma coisa, o demônio do céu não podia ver muito.

Tchang se virou para olhar Shendu e Valmont de novo e sorriu.

– Bem-vindo à família – ele disse sarcasticamente e Valmont chutou o ar tentando se libertar.

– Não! Vocês não podem fazer isso comigo! Eu imploro, eu faço qualquer coisa! Eu prometo abrir todos os portais se vocês me deixarem ir! – ele tentou desesperadamente mas os dois demônios só riram dele.

– Já faz muito tempo que eu não vejo um humano implorando por clemência assim – disse Tchang Zu, feliz.

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Todos os demônios, menos Tso Lan e Hsi Wu, estavam lá. Bai Tsa se sentou em uma enorme pedra, observando Valmont em silêncio. Todos os outros, exceto ela e Hsi Wu, já tinham visto o homem antes e não estavam tão interessados.

– Um demônio novo? – Dai Gui grunhiu e olhou para Valmont.

– Ele nunca se tornará alguma coisa, ele é muito fraco – Xiao Fung julgou, infeliz, e bufou. Tchang Zu balançou a cabeça.

– Não importa no que ele vai se tornar. Ele não tem um portal do demônio e assim ele pode andar livremente entre os dois mundos.

– Sem ele nós nunca poderemos escapar deste lugar – acrescentou Shendu. Bai Tsa lhe deu um olhar astuto.

– E sem ele você não estaria se sentindo tão bem – ela comentou e Shendu chiou furiosamente para a irmã.

– Eu não entendo por que nós ainda estamos falando sobre isso! Todos nós ganhamos se fizermos isso e perdemos se não fizermos! – gritou Tchang Zu com raiva por causa da discussão infantil dos irmãos mais novos.

Po Kong observou Valmont com um pouco de interesse.

– Que tipo de demônio ele vai se tornar? – perguntou.

– Nós veremos quando o ritual acabar – disse o demônio do trovão, e Valmont só pôde se retrair quando pensou nisso.

Ele não podia acreditar, isso tinha que ser algum tipo de sonho horrível. Nenhum dos demônios falou mais com ele, nem mesmo quando ele gritou e implorou que lhe deixassem ir. A sua voz já estava rouca e a garganta doía de tanto gritar e agora toda a sua esperança já tinha morrido.

Ninguém viria ajudá-lo, ninguém. Ele já tinha implorado ajuda de todo mundo que teoricamente tinha a chance de vir, até Chan estava na lista. Nada aconteceu, claro, os demônios apenas o olharam se divertindo e ele parou. Ele estaria condenado se deixasse que esses monstros se divertissem mais ainda!

Bai Tsa começou a cantar uma melodia complicada e logo Po Kong e Xiao Fung se juntaram a ela. A melodia parecia ser uma criatura viva, era tanto baixa quanto alta em um termo regular e os três demônios fecharam os olhos vermelhos como em um transe.

Valmont sentiu algo frio indo por todo o seu corpo e a pedra incômoda debaixo dele parecia desaparecer quando o seu corpo ficou entorpecido. Ele sentiu como se tivesse penetrado em algum lugar da sua própria mente e algo negro e pegajoso o tinha tragado.

Não durou muito tempo, uma dor ardente cortou de repente o seu coração e a dor se espalhou rapidamente por todo o corpo. Valmont tentou gritar, mas no momento em que abriu a boca algo entrou e tudo o que ele conseguiu foi um murmúrio inútil. Ele sentiu como se estivesse a ponto de sufocar e se esforçou muito para conseguir um pouco de ar. Lágrimas fizeram tudo manchar e ele viu uma figura escura próxima a ele, talvez Tchang Zu?

Continua...