Sangue Compartilhado

cap.17 - O Fim

Kagome se sentiu quase sufocada quando a multidão começou a cercar InuYasha e ela, Kikyou na frente, seu rosto fino esboçando um sorriso falso. Ela finalmente tinha a vantagem e estava apostando tudo o que tinha. Mas ainda havia uma carta que não fora jogada - Kikyou não sabia dos poderes de miko que Kagome também possuía... E ela o usaria quando fosse necessário.

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Miroku subiu os degraus da escola, sentindo uma aura se formar no edifício. Correu para onde Kagome e InuYasha estavam, rogando para que não estivesse atrasado.

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InuYasha voltou seu olhar para a companheira, mordendo o lábio inferior. Tanto ódio... Não queria Kagome envolvida naquilo. Ela não merecia ser ferida daquela forma. Ele abraçou-a com mais força, olhando feio para Kikyou.

"Você não tem direito, Kikyou... Não envolva Kagome nisso. Ela não é youkai." InuYasha a segurava de forma protetora, mas a mulher apenas riu dele.

"Você se acasalou com ela, não? Um termo tão... Bárbaro." Ela fungou desdenhosamente. "Como um animal." Então, apontou alguém na multidão e comandou. "Traga-me um arco e flechas. Tenho que me certificar de que esses youkais não nos incomodarão mais."

A garota a quem ela pedira para pegar os itens apenas riu. "Você quer a minha ajuda para matar os youkais?" Ela perguntou, a diversão clara em sua voz. "Será que não consegue identificar um youkai?"

Kikyou gelou, os olhos arregalados. Kagome riu e deixou seus sentidos passarem sobre a multidão. A maioria das pessoas ali era youkai. Raiva e desprezo eram as emoções dominantes e muitos ostentavam sorrisos ferinos enquanto observavam a miko.

"Você não pode ser youkai." Ela balbuciou. "Você não parece..."

Kagome balançou a cabeça suavemente. "Será que você não sente, Kikyou? A mágica que os envolve para esconder suas verdadeiras formas?"

"Eu não... Não posso..." A mulher parecia assustada.

A garota riu novamente. "Então deixe que eu me apresente." Ela deu um sorriso falso. "Sou Kagura." Seus olhos se tornaram vermelhos por um momento, fazendo Kikyou recuar. "Eu já ouvi falar de você."

Kikyou lançou um olhar desafiador para ela. "Você não me conhece. Do que está falando?"

"Eu te conheço, miko. Você se esbanja em nossas mortes, gosta de matar famílias." Seus olhos se tornaram frios. "Achou que não tínhamos a capacidade de amar? Que não lamentaríamos a morte de nossos entes queridos?"

Os olhos assustados de Kikyou procuravam ajuda no meio da multidão de rostos hostis. Novamente, sua vida terminaria de forma brutal. Seus braços pararam ao lado do corpo enquanto ela esperava por seu destino.

Kagome não podia suportar o que via. Apesar de tudo que Kikyou fizera no passado e no presente, não merecia a morte que Kagura lhe daria.

"Kagura, pare." Com a voz baixa, ela deu um passo à frente. "Kikyou merece uma punição, mas não a morte."

Kagura fez uma cara de desprezo. "E por que eu deveria te escutar, esquisita?" Um leque apareceu e Kagome pôde sentir o cheiro do vento se formando em volta dela. Olhou para InuYasha com preocupação.

"Você vai escutá-la, porque ela é minha companheira." Seus olhos sérios fitaram os de Kagura. "Princesa da família Inuyoukai. Sua superior."

Kagura recuou ligeiramente. Kagome parecia surpresa. "InuYasha... Sua... Família?" Ela perguntou e ele assentiu, parecendo estar se divertindo.

"Ela não tem o mesmo status em círculos humanos, Kagome, mas nos nossos a minha família ainda é a líder. Kagura tem que se lembrar disso."

Kagura assentiu rapidamente, mas ainda sim olhou feio para a miko, que tremia de medo. "Por que você quer que eu a salve, Kagome-hime? Ela tentou matar você e seu companheiro."

"Ela merece ser punida." O sorriso de Kagome respondeu o de Kagura por um momento. Ela olhou para a miko. "Mas não morta. Nós a julgaremos e a prenderemos."

InuYasha assentiu. Agora ele se arrependia de ter matado a garota antes, pois essa era a causa do que estava acontecendo. Mas ele ainda se perguntava o que Kikyou andara fazendo naquele mundo para causar tanta animosidade para si mesma.

"Certo." Kagura fez um gesto para dois garotos atrás dela, que seguraram Kikyou com facilidade. "Nós cuidaremos dela." Ela deu um sorriso para Kagome. "Não a mataremos. Não se preocupe. Ela será... Detida."

Os olhos de Kikyou encontraram os de Kagome enquanto ela era arrastada e a garota tremeu com o desespero que viu neles. Talvez a morte fosse mais misericordiosa...

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Miroku chegou à multidão que se dispersava e olhou em volta, à procura de duas pessoas que ele sabia que estariam ali. Sorrindo, correu para Kagome e InuYasha, abraçando a garota. Ela se afastou dele, fitando-o, desconfiada.

"Kagome-sama! Você não se lembra de mim?" Miroku perguntou, magoado. InuYasha também olhava feio para ele. Não era justo... Ele os conhecia, mas eles o tratavam como se fosse alguém indigno de confiança.

"Eu te conheço, Miroku." Ela respondeu, divertida. "Mas não quero ser apalpada." InuYasha rosnou ao seu lado.

"Nem pense nisso, primo."

Miroku fez sua melhor cara de ofendido. "Eu estou os vendo saudáveis e juntos pela primeira vez desde nossa última vida e vocês me tratam assim?"

Estreitando os olhos para ele, Kagome segurou um sorriso antes de abraçá-lo. "Eu também estou contente porque você está bem." Ela sussurrou.

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Shiru olhou para cima quando InuYasha entrou pela porta, seu cabelos negros tornando-se brancos mais uma vez. Ele segurava Kagome pela mão e ela não perdeu tempo em abraçar a garota.

"Kagome." Ela sorriu. "Você está bem, pelo que vejo."

Kagome assentiu, devolvendo o sorriso. "Estou feliz por estar de volta." A garota disse suavemente. Shiru assentiu.

"Como está sua vida agora? Sua família e amigos?"

Ela suspirou. "Solitária... Tenho levado um estilo de vida completamente diferente. Não consigo me encaixar."

Shiru assentiu. "Sua família já notou suas diferenças?" Ela arqueou uma sobrancelha ao ver as garras nas pontas dos dedos de Kagome. "Eu sei que você tem tentado esconder, mas depois de um tempo sua mãe vai notar alguma coisa."

Ela suspirou novamente. "Eu contei para a mamãe antes de ir atrás do InuYasha. Não acho que ela esteja tão feliz..."

Shiru parecia preocupada. "Não será fácil para ela, Kagome. Neste mundo os youkais existem, mas estão escondidos, com medo. Há poucas mikos e elas não são fortes o suficiente para sentir o que está debaixo de seus narizes."

Kagome assentiu. "Minha mãe parecia assustada por mim... E preocupada quando eu contei do bebê."

InuYasha se assustou e fitou a companheira com um olhar chocado. "Bebê?" Ele arfou. Kagome corou e olhou para o chão.

"Eu acho... Que vou ter um bebê." Ela sussurrou e olhou para ele, nervosa. "Eu... Você está... Feliz?" Perguntou, a voz quase inaudível. Suas palavras foram cortas quando InuYasha a abraçou.

"Por que eu não estaria?" Ele inquiriu. "Minha companheira... Vai ter o meu filho." O hanyou sorriu alegremente para ela, girando-a no ar.

Kagome riu. "Eu te contei no nosso sonho... Não se lembra?" Ela o abraçou com força, mas ele parecia um pouco preocupado.

"Amor... Onde você... Nós... Vamos morar?" Ele pressionou as orelhas na cabeça. "Você tem uma família agora. Um irmão e uma mãe que te amam, em um lugar onde você não precisa temer nada."

"Eu também achei meu companheiro novamente." Ela respondeu. "Você acha que vou desistir de você?" A garota o abraçou com mais força. "Meu lugar não é com eles. É com você. Minha família da forma como eu a conheço já morreu há muito tempo."

InuYasha fez beiço. "Mas eles estão aqui agora..." Ele não sabia exatamente porque estava encorajando sua companheira a ficar longe dele.

"InuYasha, minha mãe sabe sobre mim agora e eu... Eu deveria te apresentar a ela, para que saiba quem é meu companheiro."

Shiru assentiu. "Eu gostaria de conhecer sua mãe também, Kagome. Mas primeiro..." Ela inclinou a cabeça para o lado, analisando a aparência de Kagome. "Eu acho que você devia aprender a esconder seus novos... Atributos."

Kagome olhou para suas mãos e assentiu. "Eu acho que sim..." Murmurou. "Não acho que eles gostem muito dos youkais... Não é como antes. Eles não os temem mais, mas também não os aceitam... São as párias agora."

Ela franziu a testa. "Não gosto deste mundo." Ela disse suavemente. "É errado... Qual o propósito de mudar tudo se vai ficar assim?"

Shiru suspirou. "Em qualquer mundo, haverá problemas e preconceitos. Nem todo mundo pensa da mesma forma. Agora... Vamos prepará-los para contar à sua mãe toda a verdade."

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Kagome analisou sua aparência no espelho - mal parecia ela. Estava tão acostumada com os atributos youkai que tinha que era estranho se ver como uma humana comum. E InuYasha como humano normal também.

Ele riu ao ver a imagem deles no espelho. "Lembra daquela noite que eu estava humano? Você quase fez espetinho de mim."

Kagome corou e murmurou. "Eu não sabia quem você era! Mas estou feliz por isso." Virou-se para ele com um sorriso. "Senão eu nunca teria um companheiro."

Ele a puxou para perto de si. "É..." Beijou-a levemente, mas parou quando ouviu uma risadinha.

"Por Deus, vocês são doentes." InuYasha virou-se para lançar um olhar mortal ao irmão.

"Você só está com inveja." Ele murmurou, mas as pontas de suas orelhas estavam vermelhas pelo fato de Sesshoumaru tê-lo pegado sendo tão... Aberto com seus sentimentos.

"Não, vocês são nojentos. Estou surpreso porque você ainda não a jogou na cama para brincar com ela."

InuYasha bufou. "Eu tenho mais respeito pela minha companheira." Ele riu. "Você nem tem uma, mas é o primogênito."

Sesshoumaru fungou. "Não há ninguém bom o suficiente para mim, Sesshoumaru." Disse arrogantemente. "Não vou estragar o sangue de nosso pai."

Kagome girou os olhos. "Ele mudou mesmo." Ela murmurou e virou-se para fitar o youkai. Seu cabelo estava mais curto do que ela se lembrava e agora estava negro. Seus olhos azuis gelados estavam estreitados para ela, que podia sentir sua confusão.

"Eu te conheço, mulher?" Ele perguntou. "Não acredito que tenha te encontrado antes." Mas ele estava fitando-a com atenção. "Apesar de que..."

Kagome deu um sorriso desdenhoso. "O grande youkai Sesshoumaru não consegue nem se lembrar da mulher do irmão?" Ela perguntou. "E eu que pensava que você era todo superior."

Sesshoumaru olhou feio para ela. "Não tenho que me lembrar das escolhas de fêmeas do meu irmão desprezível." Disse baixinho. "Está abaixo de mim." Então deixou o quarto com o nariz empinado.

Kagome riu. "Oh, o pobre youkai ficou todo confuso." Ela sabia que ele podia ouvi-la. Então, sorriu para InuYasha. "Acho que senti a falta dele."

InuYasha estreitou os olhos para ela, de brincadeira. "E não de mim? Estou magoado." Ele se afastou dela. "Vamos, a minha mãe está nos esperando."

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Kagome riu ao ver seus filhos derrubando um ao outro, rosnados suaves anunciando o ataque antes que acontecesse. Eles eram tão ativos - mais do que ela se lembrava, apesar de que sua mãe não achava a mesma coisa.

"Yoru! Hiru! É hora do jantar. Seu pai vai estar em casa logo."

Dois sorrisos enormes idênticos iluminaram o rosto das crianças e elas correram para a mãe rapidamente, jogando-se nos braços dela para que os levantasse.

"Agora, vocês vão ter que se comportar quando o papai chegar em casa. Não podem ficar pulando nele." Kagome tentou manter uma expressão séria. O que o InuYasha mais quer é que seus filhos pulem nele.

"É sério, Mama?" Hiru fez beicinho, pressionando as orelhas na cabeça. "Não está tentando nos enganar de novo, está?"

Kagome sorriu. "Por que eu faria algo assim com meus filhos?" Suas orelhas também se mexiam em diversão. Yoru aproveitou a chance para pegar sua orelha esquerda e Hiru, a direita.

"Mama!" As crianças gritaram em seus ouvidos.

Ela gemeu. "Isso dói..." Murmurou, tentando tirar as mãozinhas de cima dela. "Eu sei que vocês são fascinados por elas, mas será que não podiam pegar a do seu pai em vez da minha?" Ela implorou.

Yoru balançou a cabeça, os cabelos prateados e negros caindo em seu rosto. "Nananinanão. Você disse que o papai não queria. Então brincamos com você."

As crianças conseguiram derrubá-la no chão e ela riu quando eles pularam nela, tentando fazer força para empurrá-los para que pudesse sentar. Ouviu alguém entrar na sala e virou-se para ver Miroku, Sango e InuYasha fitando-a, divertidos.

As crianças aproveitaram a chance para atirarem-se no pai, rindo como loucas. "Papai! Você chegou!" Então olharam para Sango e Miroku.

"Quem são vocês?" Yoru perguntou. "Você tem o cheiro da mamãe depois que o papai..." A sentença foi interrompida quando InuYasha tampou a boca dela. Ele se virou para Sango e Miroku com um olhar que claramente pedia desculpas, enquanto Kagome corava.

Sango apenas sorriu, passando a mão na cabeça da menina. "Você tem um nariz muito bom. Eu estou esperando... Um filho." Disse suavemente.

Kagome deu um sorriso radiante. "Parabéns!" Disse alegremente. "Estou feliz que aquele youkai pervertido finalmente fez algo certo." Ela fingiu olhar feio para Miroku.

Miroku ergueu as mãos em autodefesa. "Não sei do que está falando." Ele disse arrogantemente. "Eu sempre fui um perfeito cavalheiro."

Com os protestos que se seguiram, Kagome sorriu, sentando em sua cadeira e esperando que todos se acomodassem. Pensou em como estava mais feliz agora - e o trabalho que ela e InuYasha faziam nesse mundo era bem melhor que o último.

Encontrar youkais que foram abusados, crianças hanyou se escondendo - e construir para eles uma casa, um local seguro - a sociedade estava lentamente começando a aceitá-los sob a forte direção de Kagome e InuYasha. O pai dele era o chefe daquele distrito japonês e InuYasha estava seguindo seus passos.

Aquele mundo era diferente do antigo Japão no qual Kagome vivera, o Japão onde youkais dominavam - era um mundo completamente novo, o qual eles acharam fácil modelar para o que precisavam.

Sua mãe tinha aceitado as notícias com mais facilidade do que o esperado - O fato de Shiru ser uma figura conhecida e respeitada na comunidade (mais agora do que antes) ajudara bastante.

Kagome abraçou suas crianças cansadas depois que eles saíram de cima do pai e sorriu, feliz. Tocou o anel em seu dedo levemente, olhando para InuYasha.

Eu te amo. Ele devolveu o sorriso, os olhos fitando-a suavemente.

E eu amo você, minha Kagome.

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Olá pessoal!

Eu peço sinceras desculpas pela demora. Esse cap. Está pronto há bastante tempo, mas a Jenny teve alguns problemas e demorou pra revisar (maldito cunhado, né Jenny? u.ú Não dá paz!). Ela me entregou esse cap. há alguns dias, mas até agora não tive como postá-lo. Fui a São Paulo tirar meu visto para os EUA (e adivinhem, consegui! #festaaaa!# Vou pra Disney!).

Bem, hoje vou ser bem breve. Gostaria de agradecer principalmente à Jenny, que revisou esse capítulo. Às reviews, obrigada: Jenny Ci (a primeirinha XD), Satuki Nika (tia o caramba. u.ú mudou de nick de novo? XDD), Naku-chan (Ainda não comecei o cap.12 de Piratas Não Amam, mas assim que terminar o 5 de Manchetes eu começo.), Maira, Tici-chan (pow, quanto tempo que eu não atualizo. XDD Páscoa. XDD Já estamos quase no Feliz Corpus Christi XDDD), Anna Lennox (Filhinha desnaturada, não deixe a mamãe na mão. u.ú Mas tudo bem, já que mãe tudo perdoa. ), Ana Jully Potter, Dessa-chan (A vontade da senhorita é uma ordem... E juntos eles estão. P), Love Inu, Nila-chan, Kagome Shinomori (agora que você vai ter saudades mesmo. O.o acabou-se o que era doce. XDD) M.Sheldon (Você pulou a parte da bunda lê-lê. O.o Mas tudo bem, ta perdoada. P) , mk-chan160 (a "barrenta" não morreu, mas tudo terminou bem.).

Quem quiser, cheque minha nova tradução, Manchetes! ) É um romance super humorado da Maiden of The Moon.

Beijos e obrigada por todo o apoio, gente!

Bella (completamente rouca, mas feliz.)