N/A: Essa é a minha primeira tentativa de um songfic, portanto sejam legais comigo, está bem? Quem conhece a música vai reparar que tirei um verso da letra, foi proposital...

A música é Behind Blue Eyes, interpretada pelo Limp Bizkit. Quem Tiver a oportunidade, ouça... Não é barulheira...

Espero que gostem. ^_^

Behind Blue Eyes

Era uma escura noite de lua nova, com poucas estrelas no céu e forte ventania. Em uma construção que se diferenciava das demais, um jovem, que não podia ser chamado de comum. Sua aparência já era peculiar: olhos e cabelos azuis como céu daquela noite, porte fino e altivo, típico de ingleses.

Porém, os fascinantes olhos, normalmente inexpressivos ou até misteriosos, naquela noite possuíam um brilho triste. Estava a pensar nas coisas que fizera e que ainda teria que fazer.

Se tudo fosse tão simples como Ele planejara, não haveria problema algum. Mas agir somente sobre Sakura não faria o intento Dele tornar-se realidade. Nesse dia mesmo, tivera que usar a pessoa que menos queria. Fechou os olhos e visualizou mentalmente os olhos violeta brilhando, enquanto uma lágrima solitária molhava seu próprio rosto.

no one knows what it's like

to be the bad man

to be the sad man

behind blue eyes

Tomoyo... Chorava simplesmente de pensar na angústia que ela passara por ficar naquela escuridão durante o tempo que Sakura levara para descobrir uma maneira de encontrá-la. A garota de olhos violeta era corajosa e confiava em seus amigos, mas isso não dava o direito de ninguém usá-la da forma com que havia feito.

Não sabia o que pensariam quando revelasse tudo, teria que manter sua calma e precisão, nada poderia sair fora dos planos Dele. Isso significaria manter-se escuso de qualquer suspeita.

and no one knows

what it's like to be hated

to be faded to telling only lies

Sorriu ao pensar em seu descendente. Ele fora a único a suspeitar realmente, por outros motivos, que tiravam sua atenção do foco dos acontecimentos, o que acabava dando-lhe uma vantagem.

Mentir para eles não era exatamente sua idéia de ajuda, mas não tinha poder o suficiente para desobedecer aos planos Dele. Apesar de não ter todo o conhecimento do plano, faria sua parte.

but my dreams they aren't as empty

as my conscious seems to be

I have hours, only lonely

my love is vengeance

that's never free

Por trás de toda aquela calma e autocontrole, havia um rapaz que possuía muitos sonhos. Apesar de parecer tão seguro de si, livre de preocupações e, até certo ponto, alegre, Eriol Hiiragizawa tinha seus problemas, e precisava resolvê-los sozinho.

E era exatamente isso que estava fazendo naquele momento: sentado em sua poltrona, naquela sala escura, tendo que reprimir seus verdadeiros sentimentos para que o curso das coisas se mantivesse inalterado.

no one knows what its like

to feel these feelings

like I do, and I blame you!

no one bites back as hard

on their anger

none of my pain woe

can show through

Ele sabia que não havia outra pessoa que estivesse passando pelo mesmo que ele: a obrigação de agir de uma forma que não gostava por algo maior, muito maior do que a vã filosofia humana podia imaginar. Por um lado sentia-se aliviado, afinal, somente ele suportava essa terrível experiência, mas não ter ninguém com quem pudesse conversar e compartilhar seus desejos e mágoas era quase enlouquecedor.

"E isso tudo é culpa sua!" – gritou o rapaz, para a escuridão que preenchia a sala. – "Está ouvindo, Clow? É sua culpa!" – deu um soco no braço da poltrona, deixando mais lágrimas molharem seu rosto. Depois de algum tempo acalmou-se e um sorriso irônico tomou seus lábios. – "Não importa o que eu faça ou diga, nada vai mudar... Indiferente de qualquer dor e sofrimento que podem ser causados, você não dá a mínima, não é?"

but my dreams they aren't as empty

as my conscious seems to be

I have hours, only lonely

my love is vengeance

that's never free

Seus devaneios foram interrompidos por um barulho familiar e logo sua guardiã entrou na sala.

"Mestre Eriol... Desculpe interrompê-lo, mas a senhora Mizuki está chamando-o ao telefone." – disse, recatada. Sabia que seu mestre detestava interrupções quando se fechava no escuro daquela forma.

"Está tudo bem, Nakuru." – ele levantou-se, passando a mão pelo rosto para apagar os rastros de lágrimas. Não podia dar sinais de fraqueza a seus guardiões.

"Enquanto atende a senhora, gostaria que eu preparasse algo ou acendesse a lareira, Mestre?" – perguntou, antes que ele deixasse a sala.

"Não desejo nada, mas pode acender a lareira se quiser." – respondeu em tom terno, saindo logo em seguida: sabia que a guardiã não gostava de ambientes escuros e fechados.

Chegou ao lado do telefone, colocando-o próximo ao ouvido.

"Boa noite, Kaho... A que devo a honra desse telefonema?" – perguntou, educadamente.

"Boa noite, Eriol. Cortês como sempre, não?" – perguntou, divertida. – "Somente estou ligando para saber como as coisas andam por aí. Faz algum tempo que não recebo notícias suas."

"Sim... Estive ocupado." – explicou-se, limitando a terminar a frase naquele ponto. – "Mas tudo está ocorrendo conforme o previsto, não se preocupe."

"Nunca duvidei de suas capacidades." – comentou, como que se desculpando. – "Somente queria ouvir isso de você."

"Kaho, Kaho... Não se precipite ao interpretar minhas palavras... Não me senti insultado com sua pergunta." – disse o inglês, em tom divertido.

"Está certo, Eriol... Agora aconselho que vá deitar-se, amanhã terá mais trabalho a fazer."

"Está bem. Boa noite, Kaho." – disse, colocando o aparelho no gancho e suspirando.

Voltou à sala e viu que o fogo na lareira crepitava, deixando o ambiente morno e melancólico.

no one knows what its like

to be mistreated, to be defeated

behind blue eyes

Kaho Mizuki era a única pessoa a quem ele contara o plano de Clow, mas ela não podia estar por perto.

"Provavelmente ligou somente por ordens da Aliança..." – comentou em voz alta, fitando o fogo.

A Aliança de Magia... Lembrava-se claramente da reação do Conselho de Magos quando disse que iria ao Japão para ajudar a nova Mestra das Cartas a transformá-las. Riram, não consideravam que Sakura pudesse dominar o poder contido nas cartas, já que era simplesmente uma garotinha de onze anos.

Manteve sua posição e fora maltratado e humilhado por todos. Mesmo assim estava ali fazendo o que o destino lhe reservara.

no one know how to say

that they're sorry and don't worry

I'm not telling lies

Deixando seus pensamentos vagarem, logo foram parar em sua sucessora. Sakura tinha um coração de ouro, surpreendera-se ao ver tanta inocência e bondade em uma só pessoa.

Logo em seguida, viu-se pensando em seu descendente. Ele era fechado e tinha medo de expor seus sentimentos, mas dificuldade em escondê-los. Somente a distraída flor de cerejeira não os decifrara ainda.

No início rira ao ver o desencontro do casal, mas agora entendia quão difícil era não poder expressar seus sentimentos, seja por medo ou por impossibilidade.

no one knows what its like

to be the bad man, to be the sad man

behind blue eyes

Foi interrompido novamente por Nakuru, que lhe pareceu hesitante ao falar.

"Mestre Eriol... Tem uma pessoa que está querendo vê-lo..." – disse vagarosamente, como se pedindo permissão para continuar.

"E quem é, Nakuru?" – perguntou, mas, antes que ela pudesse dizer, a garota entrou na sala.

"Boa noite, Eriol..." – disse Tomoyo. – "Desculpe invadir sua casa dessa forma."

"Não se preocupe com isso." – disse ele, apontando o sofá para que ela sentasse. – "Nakuru, pode trazer um pouco de chá para nós?" – pediu, vendo a guardiã se retirar.

"Em um minuto, Mestre." – respondeu, deixando-os a sós.

"Então... A que devo a honra de sua visita inesperada, Tomoyo?" – perguntou, sentando-se ao lado dela.

"Bem, primeiramente devo parabenizá-lo. É um ator e tanto, Eriol." – disse, sorrindo ternamente.

"Devo confessar que não entendo suas palavras." – disse, estranhando o rumo da conversa.

"Não precisa agir dessa forma comigo... Sei que foi você quem armou aquela confusão na escola hoje... E também todas as outras coisas estranhas que aconteceram desde sua chegada a Tomoeda." – disse, transmitindo uma calma inabalável. – "Sakura e Shaoran podem estar confusos com seus sentimentos para perceber as pistas que vem deixando, mas tenho meus pensamentos bem centrados o suficiente para juntá-las..."

Um pesado silêncio seguiu a fala de Tomoyo. Eriol levantou-se e foi até a lareira, sendo seguido pelo olhar da jovem japonesa. Deu um pesado suspiro antes de pronunciar-se.

"Falou de suas conclusões com alguém antes de vir para cá?" – perguntou.

"Não... Preferi falar com você antes, eu posso cometer erros também." – sorriu ternamente, levantando-se e indo até ele.

"O que a faz confiar tanto em minha palavra? E também, o que lhe dá tanta certeza de que não irei machucá-la?" – perguntou, intrigado.

"Teve inúmeras chances de machucar a mim e aos outros... Mas não o fez." – explicou, ainda com a voz serena. – "Importa-se que eu faça uma pergunta também?"

"De forma alguma." – disse, mas sua expressão se mantinha impassível.

"Por que guarda todas as suas angústias para si mesmo? Não tem ninguém com quem possa conversar?" – perguntou ela, acariciando suavemente o rosto do inglês.

"Tomoyo..." – sussurrou, fechando os olhos e aproveitando o contato daquela pele de seda com a sua. – "Não posso... Não tenho escolha. Esse é meu destino, que foi traçado há muito tempo atrás..."

"Não seja tolo..." – interrompeu-o. – "Por que acha que estou aqui? Eriol, ninguém pode reprimir seus sentimentos tanto assim... Estou aqui se precisar conversar... Estarei sempre." – completou, vendo os olhos dele brilharem tristemente.

"Mas... Sakura e Shaoran..." – foi calado pelo indicador dela sobre seus lábios.

"Não confunda as coisas... Ambos são meus amigos, mas o que eu sinto por você é completamente diferente... Talvez meus sentimentos não sejam como os seus, mas não me importo... Deixe-me ajudá-lo..." – implorou sussurrando.

"Está realmente disposta a fazer isso por alguém que mal conhece?" – perguntou, espantado.

"Estou disposta a conhecê-lo, Eriol... Se faço tanto por meus amigos, imagine do que sou capaz pela pessoa que amo..."

"Tomoyo..." – foi tudo o que disse antes de colar seus lábios nos dela, sentindo seu pescoço ser enlaçado.

Envolveu-a completamente pela cintura e uma lágrima solitária rolou por seu rosto assim que a fez desmaiar durante o beijo. Carregou-a até o sofá e deitou-a no mesmo, apagando sua memória em seguida.

Nakuru entrou na sala, com a bandeja de chá.

"O que houve, Mestre?" – perguntou, observando a jovem deitada.

"Leve-a para casa, Ruby Moon." – pediu, indo para seu próprio quarto. Assim que se deitou, olhou pela janela, fitando a lua cheia. – "Perdão, Tomoyo... Mas meu destino é ficar sozinho até isso tudo acabar..."

N/A: Olá, pessoal!

Meu primeiro songfic... que emoção... Ç_Ç

Bem, antes dos agradecimentos, quero falar umas coisinhas...

Fui avisada que o casal T+E na época do anime/manga é um tanto inviável, tanto pelos sentimentos da Tomoyo pela Sakura como o relacionamento do Eriol com a Mizuki. De qualquer maneira preferi manter dessa forma, pois sempre imaginei algo entre os dois nessa época e fiquei muito feliz em encontrar o modo que eu considerei quase perfeito para expressar isso. Seria perfeito somente se eles terminassem juntos... (Ou se, ao invés da Tomoyo, a personagem fosse eu ali =P)

Agora, agradecimentos...

Fantomas, amigo querido, que revisou e me deu vários toques (como esses empecilhos do relacionamento T+E). Valeu pela ajuda e fico muito feliz em saber que você gostou do song, apesar de tudo.

Felipe S. Kai, que me deu umas opiniões e mais ou menos acompanhou o progresso desse songfic (que saiu em dois dias), valeu pela força e fiquei muito feliz mesmo em saber que você gostou. #^_^#

Yoruki Mizunotsuki, anjinho lindo, esse songfic dedico a você... Disse que seu pai está me afetando, pois aí está: me afetou de vez. =P

Well, espero a opinião de vocês... Não garanto mais songs, esse veio do nada quando eu estava ouvindo a música (que não pára de tocar no rádio) e pensando no Eriol (grande novidade... ¬¬)...

Beijinhos a todos...

Miaka.