Título: A poção do amor

Autora: Bélier

Categoria: Romance

Retratação: Eu não possuo Saint Seiya/Cavaleiros do Zodíaco. Infelizmente (ou felizmente) eu não os possuo, pois do contrário eles teriam namorado mais do que lutado... De qualquer forma, eles são propriedade de Kurumada, Toei e Bandai.

Resumo: Afrodite inventa uma poderosa poção do amor! Mas muitos copos serão trocados até ele conseguir acertar o do seu amado cavaleiro de Câncer!

Capítulo 8 – Kamus e Miro

O almoço daquele dia foi, no mínimo, esquisito.

Enquanto os casais formados a mais tempo almoçavam tranqüilamente, comentando sobre a noite passada, Shura e Shina trocavam beijos e abraços ardentes em uma mesa mais afastada dos outros. A notícia espalhou-se rapidamente, e logo todos estavam a par do que tinha acontecido na limusine.

Mas ainda não sabiam do evento mais recente...

Kamus e Máscara da Morte quase perderam o horário do bufê. Ambos almoçavam calados, com a maior cara de sono. Os olhos do francês praticamente soltaram farpas ao avistar Miro entrando no salão e se dirigindo a mesa deles. Escorpião estava abatido, e parecia não se lembrar do que havia acontecido na noite anterior, caso contrário nunca teria se sentado com Aquário e Câncer.

- Ai, como dói... – Miro gemeu, apoiando os cotovelos na mesa e segurando a cabeça. – Pessoal, quanto eu bebi, ontem?

- O suficiente para enfiar a carteira na cueca! – Máscara comentou, divertido. Kamus permaneceu impassível.

- Bom, foi só isso que eu fiz? – Miro até que achou aquilo aceitável. Podia ser pior.

- Você também passou mal, quando chegamos... – O italiano fazia a maior força para não explodir em uma sonora gargalhada. – Tivemos que te dar banho e colocar na cama!

- Só isso, mesmo? – Miro estava começando a estranhar a careta que o cavaleiro de Câncer fazia, tentando segurar o riso. Olhou para Kamus, esperando que o amigo pudesse lhe dizer a verdade. – Foi só isso, Kamus?

Máscara finalmente não agüentou, e riu tanto que até dobrou o corpo.

- Não, seu imbecil! Você só me fez passar a maior vergonha!!!

Kamus, irritadíssimo, levantou-se e saiu da mesa, deixando a comida quase que intocada.

- Ai, e essa agora? – Miro coçou a cabeça, preocupado.

- Fica tranqüilo, Miro... – Câncer enxugou as lágrimas com as costas das mãos, respirando fundo. – Você não fez nada de mais, não... É que o Kamus anda meio estressado, coitado...

- Não sei não, não lembro de nada... – Escorpião espiou Aquário sair do salão. – Fala logo, italiano, o que é que eu fiz pra ele?

- Bem... – Câncer mediu as palavras. – Digamos assim... Você só sentou no colo dele... – Ao ver o olhar de incredulidade do amigo, Câncer concluiu, rápido. – É claro, você estava bêbado, e a limusine estava em movimento, foi um acidente, mas você complicou tudo quando começou a rir...

Miro tapou os dois ouvidos com as mãos...

Enquanto isso, numa mesa ali perto, os dois gêmeos discutiam, baixinho.

- Vai passando a grana, aí, Saga! – Kanon cobrou o irmão.

- Ah não, Kanon... Desse jeito eu vou ficar na miséria! – Saga resmungou, tentando se safar.

- Nada disso, aposta é aposta! – Kanon foi firme. – Eu apostei no Shura com a Shina e ganhei!

- Humpf! Como todos os outros... – Saga pegou a carteira e foi passando o dinheiro para o gêmeo. – Isso não é justo, como pode você acertar todos?!

- Intuição, mano, intuição... – Kanon contou o dinheiro, feliz. – Coisa que você não tem, diga-se de passagem! Onde já se viu, nem no Seiya com a Saori você apostou!

- Mas é claro! Eu sempre imaginei que ele fosse a fim da Shina!

- E conseqüentemente, você errou a Shina com o Shura, também!

- Bem, sabe como é, né? – Saga deu de ombros. – Foi uma sucessão de erros!

- Você é muito ruim pra isso... Pior foi ter apostado na June com o Hyoga, que furada, hein?!

- Nem me fale, viu... Eu achei que ele gostava de loiras!

Nesse momento, Mu entrou no salão, com a cara mais lambida do mundo. Os gêmeos ficaram só olhando. Logo em seguida, chegou Shaka, também com cara de quem queria passar desapercebido...

- Opa, opa! – Saga ficou animado. – Essa é minha! Eu tenho certeza!

Kanon olhou desconfiado, escondendo o dinheiro recém ganhado. – Não vem não, você não pode provar! Até agora não vimos nada de estranho entre os dois...

- Mas eu sei que eu ganhei! – Saga estava eufórico. – Olha bem, o jeito como eles estão disfarçando! E você só está negando porque essa foi a aposta mais alta que fizemos! Você apostou que Virgem ia ficar sozinho!

- É claro! Quem é que ia ter coragem de enfrentar o mau humor daquele dorminhoco?! – Kanon observou os dois cavaleiros sentarem-se na mesma mesa, como se estivessem se vendo aquela hora.

- Ah, meu irmão, é só dar o remedinho certo que esse mau humor desaparece! – Saga riu. Já estava imaginando o dinheiro voltar para suas mãos. Era só uma questão de tempo para os dois acabarem se traindo...

Afrodite, que já havia almoçado e estava saindo do salão, passou sorridente ao lado da mesa onde Shaka havia se sentado com Mu, olhando fixamente para os dois cavaleiros. Peixes piscou então para Mu, que devolveu a piscadela com um "obrigado" formado apenas com os lábios. Mesmo assim, Shaka notou, e inquiriu o amigo sobre aquilo.

- Olha, Shaka, a história é longa, mesmo assim vou te contar... Mas antes... – Mu tocou a coxa do loiro sob a mesa, acariciando-a. Virgem estremeceu ligeiramente. – Isso ajudou, mas não foi o principal! - Mu deu risada, e começou a narrar suas suspeitas a respeito de Afrodite para o indiano.

Naquela noite, Saori decidiu fazer um jantar dançante a bordo. Assim, o grande salão de baile do transatlântico foi preparado com mesas lindamente enfeitadas, e todos compareceram animados, com smokings e vestidos de festa. Um pequeno conjunto tocava músicas de baile antigas num palco, e garçons serviam bebidas e salgadinhos.

- Ei, mas isso aqui está muito chique! – Seiya comentou, enchendo a mão de salgadinhos.

- Seiya, seja mais discreto! – Saori ralhou com o cavaleiro de Pégaso. Mesmo assim, a deusa riu quando Seiya enfiou dois salgadinhos na boca e fez careta para ela. – Seu tonto!

Saori estava muito bonita em um vestido branco de um tecido acetinado, que colava em seu corpo, e deixava suas costas nuas. Seiya vez ou outra se atrevia a escorregar suas mãos pelas curvas da amada. Ao lado dos dois estavam Ikki e June, esta com um vestido azul escuro tomara-que-caia. A maioria dos cavaleiros usava smokings pretos muito bem cortados, tudo cortesia de Atena. Uma das exceções entre os homens era Shun, que usava um smoking branco, com faixa azul. Ele e Hyoga eram os únicos que dançavam naquele momento, destacando-se no enorme salão.

Marin e Aioria sentavam-se numa mesa com Shina e Shura. Ao ver que o espanhol e a italiana, que usava um atrevido frente única verde, não iam parar de se agarrar tão cedo, Marin convidou o Leão para dançar, e se juntaram a Shun e Hyoga. O vestido longo vermelho de Marin balançava suavemente enquanto os dois dançavam.

Aldebaran sentou-se numa mesa com Shiryu, Mu e Shaka, e já se deliciava com a quantidade e variedade de bebidas que lhe eram servidas. Touro não parava de espiar com o canto dos olhos os dois cavaleiros de Ouro, que pareciam por demais comportados, agora.

- Não vai demorar muito para esse daí apagar! – Dragão comentou, divertido, referindo-se ao cavaleiro de Touro para os outros dois. Mas, ao olhar para Áries e Virgem, notou que uma decisão silenciosa acontecia ali.

Mu olhou para Shaka, que fez cara de filhote de cachorro. Virgem estava lindo com o smoking escuro, que destacava ainda mais seus cabelos dourados. O tibetano não resistiu ao olhar triste do amado, e levantou-se, surpreendendo não só Shiryu, como todos os outros que estavam no salão.

- Quer dançar? – Áries estendeu a mão para Shaka, num gesto cortês.

O loiro levantou-se da mesa imediatamente, eufórico, aceitando a mão de Mu, que o conduziu até o meio do salão.

- Viu só!?!? – Saga gritou, batendo a mão na mesa e quase caindo da cadeira. – Eu te falei, Kanon!!!

Kanon quis morrer. Aposta entre os gêmeos do Santuário era impossível de ser quebrada. Ainda tentou argumentar com o irmão. – Mas Saga, veja bem, uma dancinha não quer dizer nada...

Saga fuzilou o irmão com o olhar.

- Só pago se sair beijo! – Kanon concluiu.

Afrodite deu sorte de chegar ao salão e encontrar Máscara acompanhado apenas por Kamus. Os dois sentavam-se numa mesa mais no fundo do salão, próxima às cortinas. Peixes deslocou-se até lá, maravilhoso em uma blusa sem mangas azul piscina todo bordada de paetês, que lembravam muito escamas, e calças pantalonas da mesma cor, esvoaçantes e de várias camadas. Afrodite não quis cair no comum e vestir-se como os homens, nem tampouco como as mulheres. Mesmo assim, parecia deslumbrante.

- Olá! Boa noite! – Afrodite cumprimentou Câncer e Aquário, sorridente. – Posso me sentar?

- Claro! – Máscara concordou, depressa, meio abobalhado com a visão de Peixes.

- Então, lindinhos, como está a noite? – Afrodite percorreu o salão com os olhos, parando então em Mu e Shaka, dançando. – Ah! Até que enfim aqueles dois resolveram sair da toca?

- Então... – Kamus comentou, distraído, olhando para a pista de dança. – Todo mundo achou estranho quando os dois foram dançar, mas será que é mesmo o que a gente está pensando? – Nesse momento, Mu puxou o rosto de Shaka para mais perto do seu e roubou-lhe um beijo. – Esqueçam, é isso mesmo que a gente está pensando! – Kamus resmungou.

De algum lugar do salão, puderam ouvir Saga gritando.

- UUUHUUUUUU!!! ESTOU RIIIIIIICOOOO!!!!!

Afrodite aproveitou a distração de Máscara e de Kamus, que tentavam ver o que acontecia na mesa dos gêmeos, e tratou de tirar o frasco de poção da bolsinha que carregava e colocar um bom tanto do líquido no copo de uísque que o garçom acabara de colocar na mesa. Notando que a poção já estava quase no final, despejou tudo de uma vez, enchendo o copo até a borda. "É agora ou nunca, essa dose vai ser para derrubá-lo de vez!" Peixes pensou, um tanto quanto nervoso.

Nesse momento, chegou o último integrante da turma, ainda com cara de ressaca. Miro olhou desanimado para a mesa onde Kamus estava, e, enchendo- se de coragem, resolveu falar com o amigo.

- Oi, pessoal! – Miro fez um leve aceno para Afrodite e Máscara, mas notou que Aquário, que estava de costas para ele, enrijeceu os músculos. – Oi, Kamus.

Aquário resmungou uma resposta, e Miro sentou-se, tentando estabelecer uma conversa com o amigo, para poder pedir-lhe desculpas.

- Olha, Kamus, sobre o que aconteceu ontem...

- Esquece, Miro, não quero mais falar sobre isso! – Aquário levantou-se, e fez menção de deixar a mesa.

- Espere, Kamus! – Escorpião levantou-se também, segurando-o pelo braço.

- Não me toque! – O francês puxou o braço bruscamente.

Foi a vez de Miro ficar irritado. - Escuta aqui, Kamus, eu só vim conversar com você porque queria pedir desculpas! Sinto muito pelo que aconteceu ontem, mas eu estava bêbado e não tinha a intenção de te ofender!

- Ah, claro! – Kamus foi irônico. – Você nunca tem intenção de ofender ninguém! Você é um santo, não é?! – Escorpião arregalou seus belos olhos azuis. – Ah, então isso para você é uma surpresa?! Então, meu caro, trate de se lembrar de todos os comentários infelizes que você fez durante a viagem, sempre que alguém estava numa boa! Ou vai me dizer que você estava bêbado, todas as vezes??? – Kamus estava possesso. – E as suas piadas infames, então?! Uma pior que a outra!

- Ora, seu... seu... – Miro não conseguia achar as palavras para se dirigir ao cavaleiro de gelo. – Eu não sabia que a minha presença te incomodava tanto assim, seu... certinho de meia tigela!!!

Máscara da Morte olhava assustado de um cavaleiro para o outro. Tentou pegar o seu copo de uísque antes que os dois o derrubassem, mas Kamus bateu com força a mão na mesa, fazendo o líquido âmbar tremer e quase transbordar. Recolheu a mão, e ficou só esperando. Afrodite levou uma das mãos à boca, abafando um grito de surpresa, ao ver a poção bem no meio da briga!

Aconteceu tudo muito rápido...

- Eu sou certinho mesmo! Mas pelo menos não fico por aí, enchendo a cara, para os outros depois terem que me carregar!!! – Kamus vociferou.

- Eu encho a cara quando eu quiser!!! – Miro retrucou.

Escorpião, bufando de raiva, agarrou o copo de uísque sobre a mesa, bebendo uma boa golada sem sequer fazer careta. Bateu o copo semicheio na mesa e limpou a boca com as costas das mãos, num gesto de afronta para Aquário.

Afrodite quase teve um ataque.

Kamus, ao ver Miro desafia-lo, não se conformou com a insinuação do amigo de que nem para beber ele prestava. Passou a mão no copo e bebeu o resto do uísque...

(...)

Afrodite teve um ataque. O pobre cavaleiro de Peixes desmaiou, sendo amparado por Máscara da Morte, que estava sentado ao seu lado.

- Ui, ele sabe beber! – Miro fez careta para o cavaleiro de gelo.

- Você pensa que é o bom, é?! – Kamus gritou, possesso. – Você me paga!

- Você vai ver! – O grego partiu para cima do francês, o punho fechado para acertá-lo.

Nesse momento, o conjunto começou a tocar um tango, e os ocupantes das outras mesas assoviaram e bateram palmas quando Shura e Shina começaram a dançar, encenando o ritmo sensual com maestria. Ninguém prestou atenção na briga de Aquário e Escorpião...

Afrodite nesse momento voltava a si. Seu primeiro pensamento foi o de estar no céu, ao ver que estava nos braços do cavaleiro de Câncer, que o abanava com um menu, mas ao ver a briga que se formara entre Kamus e Miro, lembrou- se do fato aterrorizante de que ambos haviam provado a poção. Endireitou-se rapidamente em sua cadeira, olhando alarmado para o pega.

- Ai, minha Deusa, alguém tem que ajuda-los! – Peixes gemeu, desesperado. Ele sinceramente não sabia o que ia acontecer agora.

- Ah, deixa quieto... Você não está passando bem! – Máscara ponderou, sem querer deixar Afrodite ir. – Eles acabam se entendendo. Além disso, eu que não sou louco de entrar no meio dessa briga! Os dois estão trocando farpas desde que o cruzeiro começou! Eu sabia que ia acabar assim!

- Entendendo em que sentido? Esse é o problema! – Afrodite gemeu, ao ver que Kamus devolvia o sopapo que Miro havia lhe dado.

Escorpião apelou, e agarrou as mechas da frente do cabelo de Kamus, puxando- as. Aquário gemeu de dor, e tentou se soltar do agarrão.

"Ai, isso não está me parecendo normal!" Afrodite pensou, preocupado, ao ver os dois cavaleiros se engalfinhando. "Acho que foi até bom o meu italiano não ter tomado isso, acho que a poção já devia ter estragado!" Peixes nem havia se atentado para o prazo de validade da poção, ao fazê-la. Ele também não fazia idéia de quais efeitos colaterais ela poderia provocar, nesse caso. Será que eles iam acabar se matando?!

Nesse momento, Miro agarrou o vaso que enfeitava a mesa e tentou acertar Kamus. Aquário, felizmente, congelou o objeto antes que este o acertasse, e o vaso se espatifou em milhares de caquinhos de gelo. Miro bufou de ódio, e pulou sobre Kamus, que perdeu o equilíbrio e caiu de costas no chão, gemendo.

Escorpião sentou-se sobre a cintura de Kamus, erguendo o punho para socá- lo. "Francês irritante, agora... você... me paga..." Miro sacudiu a cabeça, sentindo uma tontura horrível. Quando sua mente se desanuviou, ergueu o punho novamente. "Você vai ver...?!" Sua cabeça começou a latejar, e um mal estar invadiu seu corpo logo em seguida. – Droga! – Escorpião abaixou o braço, levando a mão até a cabeça e segurando-a. Apertou os olhos com força, quando a dor pareceu aumentar.

Kamus percebeu a hesitação de Miro, e empurrou-o com as duas mãos, acertando-o no peito. O grego cambaleou, tonto, mas não saiu do lugar. "Agora eu acerto esse cretino!" Aquário segurou Miro pela gola da camisa, e fechou o punho. A cabeça do Escorpião pendeu para frente. "Mas... O que ele tem?" Kamus, de repente, começou a passar mal também. Sentiu o corpo formigar, e seus braços começaram a pesar. Olhou para Miro novamente, e viu que este o olhava fixamente, seus olhos brilhando de forma intensa. Soltou imediatamente o pescoço do grego, um arrepio estranho percorrendo sua espinha.

- Kamus, não... não faz isso... – Miro pediu, curvando-se sobre o corpo do francês e depositando um beijo molhado em sua boca. – Não quero... brigar... com você... – O grego murmurou, entre um beijo e outro, seus cabelos cacheados caindo em cascata sobre seu rosto e o de Kamus.

Aquário sequer questionou o que o outro estava fazendo. Ao sentir o contato suave dos lábios de Miro sobre os seus, fechou os olhos e relaxou. A briga que ficasse para depois... Aliás, porque eles estavam brigando mesmo? Segurou a nuca do amigo com uma das mãos, puxando-o para si e colando sua boca à dele, cansado dos beijos breves. Não precisou de muito esforço para que Miro abrisse a boca para ele, e aprofundou o beijo, deixando sua língua tocar sofregamente a do cavaleiro de Escorpião.

Miro deixou escapar um gemido abafado, e correspondeu ao beijo, segurando o rosto de Kamus com as duas mãos, sua língua acariciando com destreza a boca do amigo. Afundou os quadris contra a virilha de Kamus, uma sensação maravilhosa de bem estar se espalhando por ele. Podia sentir seu corpo ficar mais e mais quente, em contato com o do francês, mas aquilo não era nada parecido com febre... Era maravilhoso. Durante muito tempo ele quis tocar o amigo daquele jeito, mas nunca tivera coragem. Era sempre afastado pela frieza do cavaleiro de Aquário e pelas constantes broncas que ele lhe dava...

Kamus sentiu seu corpo responder imediatamente aos movimentos maliciosos de Miro. Gemendo, puxou-o mais ainda para perto de si, seus dedos enroscando- se nos cabelos azuis, enquanto procurava com a outra mão a coxa do grego, acariciando-a sobre o tecido da calça. Kamus desejava Miro, e como... Mas ele geralmente se sentia inibido pela presença sensual do amigo. Sempre soube que a implicância que tinha com o Escorpião era o fato de achar que nunca seria ardente o suficiente para satisfazê-lo. Assim, vivia criticando- o, na esperança de mantê-lo afastado.

Mas, ao sentir Miro se mexer sobre ele mais uma vez, agradeceu aos céus pelo amigo ser tão teimoso...

Afrodite e Máscara olharam por cima da mesa os dois cavaleiros no chão.

- Você entendeu essa? – Câncer perguntou, abismado. – Eles estavam brigando... E de repente, estão se amassando?!

Afrodite, apesar da decepção de constatar que a poção ainda funcionava, sim, sorriu. – Isso não me surpreende muito, não!

- Quer saber? – Máscara segurou Afrodite pela mão. – Vamos sair daqui, antes que esses dois percam o controle de vez!

- Mas vamos deixá-los aqui, assim? – Peixes perguntou, admirado.

- Agora é que eu não vou separá-los, mesmo! – O italiano riu. – Vamos sentar em outra mesa e torcer para que ninguém tropece neles!

- Então tá! – Afrodite foi saltitante atrás de Máscara da Morte. Por um momento, seu semblante entristeceu, ao lembrar que havia gasto toda a poção. "Fazer o que? Acho que tinha que ser assim, mesmo... Ajudei todo mundo, mas não consegui o que queria!"

Perdido em seus pensamentos, Afrodite sequer notara que Câncer o levava pela mão...

Enquanto isso, no chão...

Depois de vários beijos, os dois cavaleiros se separaram, ofegantes. Kamus olhou bem para Miro, seus olhos azuis se encontrando com os do amigo. – Se eu soubesse que era tão fácil calar essa sua boca, teria feito isso antes... – Aquário comentou, acariciando de leve o rosto do grego. Miro sorriu, erguendo levemente um canto da boca, como era seu costume fazer.

- Bem, agora que você já sabe como fazer, vou falar besteira como nunca!

- Mais?! – Kamus riu-se do comentário do Escorpião. O francês definitivamente não sabia o que estava acontecendo com ele. Sempre se julgara frio, mas, naquele momento, não conseguia manter suas mãos longe de Miro. Seus dedos abriram sem muita dificuldade dois botões da camisa do grego, abaixo da gravata borboleta que este usava. Kamus sentiu a palma da mão formigar quando tocou a pele quente do peito de Miro. Deslizou a mão até onde conseguia alcançar, vendo o amigo fechar os olhos e suspirar de prazer. Roçou de leve um dos mamilos, sentindo-o endurecer ao seu toque.

Escorpião gemeu alto, e respondeu arrancando a gravata de Kamus, desfazendo o laço com um puxão forte. Passou a mordê-lo na base do pescoço. Aquário arqueou levemente as costas, mas não deixou de acariciar Miro.

Para surpresa do cavaleiro de gelo, Miro se mostrou o mais sensato dos dois. – Kamus, isso tá muito bom, mas... – Escorpião interrompeu-se, ao sentir a mão de Kamus subir mais em sua coxa. Em troca, acariciou-lhe o abdômen, por sobre a camisa. – Mas eu quero ir para o meu quarto para terminar logo isso! - Suas bocas se encontraram novamente, e trocaram outro beijo ardente.

Interrompendo o beijo, o francês provocou o amigo. – É só você sair de cima de mim que eu vou com o maior prazer...

Mais que depressa, Miro ergueu-se, olhando disfarçadamente por cima das mesas para ver se ninguém estava vendo. Todos agora dançavam animados uma música do Elvis. Escorpião não pôde deixar de sorrir ao ver Shaka fazer uma graciosa pirueta e voltar para os braços de Mu. Estendeu a mão para ajudar Kamus a se levantar. Os dois saíram de fininho do salão, contornando as mesas.

Só Afrodite os viu saindo. Sorriu diante da cena, e voltou a dançar Jailhouse Rock com Máscara.

Capítulo 9 – Afrodite e Máscara da Morte!

Comentários da autora:

Af, meninas!!! Até que enfim!!!

Espero que quem tenha esperado até aqui tenha gostado! Maior responsabilidade escrever sobre esses dois! Todo mundo parece ter um carinho por eles (eu também, diga-se de passagem)!

A idéia dos dois beberem a poção eu já tinha desde o começo, só não sabia como fazer... Eu queria uma situação em que ninguém que estivesse lendo percebesse o que ia acontecer. A idéia do mesmo copo não me pareceu legal, mas aliada à briga (aquele lance de afronta, mesmo, de duelo, "se ele pode eu também posso"), acabou ficando boa.

Agora, a história dos gêmeos apostando surgiu nesse capítulo mesmo. Achei que os dois estavam muito quietinhos na fic. Acho que vou colocar a cena do Saga gritando "fiquei rico", ao ver o beijo do Mu e do Shaka, nas minhas pérolas, também.

Bem, é isso! Está acabando! Não fiquem bravas comigo, mas o Deba, o Shiryu, o Saga e o Kanon vão sobrar, mesmo. Fiquei totalmente sem idéias para juntar casais, depois dessa fic!

Ou talvez não!!! (risos, risos, risos)

Talvez eu fique algumas semanas sem atualizar... Forças maiores. Mas eu volto. Como compromisso, deixo mais duas fics começadas, espero que gostem. Espero ansiosa comentários!

Beijos!

Bélier