Finalmente tinham terminado a escola. Foram sete anos de confusões, provas e amores. Estavam afinal por sua própria conta e risco, longe da segurança que Alvo Dumbledore sempre parecia irradiar. E o mundo fora dos muros de Hogwarts não é muito justo.
Joguetes em meio a uma guerra, cada escolha que se faz agora pode influir na sobrevivência ou não de muitas pessoas. Não há como, simplesmente se ficar neutro nesse jogo. Todos, mais cedo ou mais tarde, têm que escolher um lado e lidar com as consequências dessa escolha.
A realidade é mais dura do que jamais puderam supor, e agora a amizade por tantos anos inabalável há de ser posta a prova. Pois é hora de assumir novas responsabilidades e grandes poderes, enfrentando cada perda com força, tentando sempre manter a cabeça erguida diante dos problemas.
E, acredite, existem muitos problemas quando se está à beira do inferno...


Prólogo

Quase três anos se passaram desde a formatura. Desembrulhando mais um de seus presentes de aniversário, Lílian pensava em como o tempo conseguia passar tão rápido nos poucos momentos que conseguiam respirar aliviados com todos os problema que surgiam a cada minuto.

Três anos... Nunca se esqueceria do dia em que Tiago, pouco depois de começar o curso de Auror, simplesmente invadira a casa de Petúnia para levá-la nem que fosse a força. Afinal, disse ele na época, ela prometera pensar na possibilidade de ir morar com ele e, quatro meses após a formatura, ela ainda não se decidira e estava sempre muito ocupada para ele. Sirius sugerira (e ajudara) a drástica atitude e desde então, viviam juntos, para escândalo de sua conservadora irmã, visto que não eram casados (não por falta de insistência de Tiago...). Mas quem se importava com a opinião de Petúnia?

Sirius e Tiago logo se formariam na Academia de Aurores. Ela ainda tinha dois anos do curso de curandeira pela frente, curso que fazia à noite, visto que, pelas suas brilhantes notas nos N.I.E.Ms., fora chamada para trabalhar no Ministério, onde, um ano depois de assumir o cargo, recebeu Camille Dearborn como colega. Hestia Jones também virara aprendiz de curandeira e Marlene trabalhava no departamento de mistérios (Lílian sempre se perguntava se ela era uma inominável ou uma das "cobaias" de lá...).

Remo saíra do país para se especializar em Defesa Contra as Artes das Trevas, mas logo voltaria. Pelo menos é o que ele dizia em suas cartas há uns seis meses, cartas essas que eram cada vez mais curtas. Pedro, que se tornara jornalista, distanciara-se por algum tempo dos amigos, mas, há pouco mais de um ano, voltara a se aproximar, depois de sua mãe ter sofrido um acidente e ter ficado paralítica.

Sirius, embora não perdoasse um rabo de saia que passasse a cem metros dele (com algumas raríssimas excessões, como ela, por exemplo, visto que Tiago definitivamente não queria "dividi-la" com os amigos...), ainda tinha esperanças que Camille terminasse o noivado com Edgar (pois é, pobre Sirius, Camille agora era noiva. Ela já podia até imaginar a cena que ele faria no dia em que anunciassem o casamento, e Lílian tinha certeza que não ia demorar muito pelo que a loira contava no escritório) para correr para os braços dele.

Susan, depos de uma temporada na Itália com seus pais, voltara à Londres, e também trabalhava no Ministério, mas num departamento diferente do de sua querida "irmãzinha". Nos finais de semana, a italianinha costumava ir para o apartamento de Selene, num subúrbio bruxo de Londres, tocar com a amiga num estúdio que Selene improvisara no porão. Lílian sempre se perguntava como uma garota sozinha, bonita e bem resolvida como Susan ainda estava sozinha. Quem sabe não devesse apresentá-la a Gideão?

Gideão. Tiago morria de ciúmes do amigo da namorada. O rapaz se formara na Academia de aurores no ano anterior, ele inclusive convidara ela e Tiago, mas eles acabram não indo depois de Tiago simpesmente encantar o guarda-roupa dela enquanto a ruiva estava tomando banho, fazendo com que as roupas tentassem atacá-la (tivera que dormir uma semana no sofá da casa de Sirius por isso, e nem assim se arrependera. Homens...). O irmão dele, Fábio, também trabalhava no Ministério e continuava com Emelina.

A loira das Black Sabath dividia-se entre seu trabalho de relações trouxas, a arte (além da música, Emelina dedicava-se ao teatro, à pintura e dança) e o noivado com Fábio Prewett. Selene, que passara uma temporada na América, se formara em música. Tocava todos os instrumentos possíveis e imagináveis e pensava seriamente em montar uma banda. Só precisava encontrar as parceiras, visto que as outras amigas já tinham suas próprias carreiras a seguir...

Alice e Frank tinham se casado pouco depois da festa de formatura. Frank era colega de Tiago e Sirius, enquanto Alice trabalhava com herbologia e poções, na Academia de Ciências Alquimísticas, como pesquisadora.

E não podia se esquecer de seus "quase sogros". Os pais de Tiago, especialmente Miriam Potter, faziam questão de tratá-la como se já fosse da família (bem, ela praticamente já era, só faltavam algumas meras formalidades). A convivência com a mãe do namorado também fizera a garota entender de onde o maroto tirava suas maluquices. Definitivamente, ele tinha a quem puxar.

Três anos... Apesar de já terem passado por poucas e boas, eles ainda conservavam muito da alegria dos tempos de escola. Sim, ainda eram amigos e isso era como um raio de sol na escuridão que Voldemort queria jogar sobre eles.

Lílian sorriu com esse pensamento, levando inconscientemente a mão ao pescoço, onde um delicado cordão dourado repousava. Hades. Embora já não tivesse o dragão, ela sempre estava procurando se aperfeiçoar no uso da Antiga Magia. Ainda não descobrira como usar os poderes que o pingente encerrava, já que nunca encontrara uma literatura específica sobre "Antiga Magia, como utilizar os poderes que Helena deixou em Hades e ele legou para Lílian: um manual de 500 tópicos" (que saudade dos tempos de escola...).

Ela levantou-se, deixando a caixa de lingerie de chocolate (presente de Sirius, é óbvio...) de lado. Tiago, que fora acompanhar o melhor amigo até a esquina (moravam a uma quadra de distância, não era à toa que sempre tinha visita para o almoço...), logo chegaria. E ainda tinha toda a bagunça da festa para arrumarem... Lílian voltou-se para a janela, onde a lua brilhava, cheia. Em algum lugar, Remo estava sozinho, sofrendo com mais uma transformação.

A ruiva fechou os olhos, expandindo sua sensibilidade ao máximo. Podia sentir a aura de Susan, movendo-se no pequeno apartamento em que ela passara férias inesquecíveis, Selene e Emelina num pub um pouco mais distante, Alice e Frank já quase sumindo de sua "área de rastreamento", Sirius entrando em casa com o amigo ao lado.

Lentamente ela passou a mão sobre o pingente, que brilhou fraco enquanto ela pedia aos céus que todos ficassem bem e aquele inferno logo terminasse. A porta atrás dela se abriu e Lílian abriu um grande sorriso. Tiago chegara.


"Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xod
Saudade assim faz doer
E amarga que nem jil
Mas ninguém pode dizer
Que me viu triste a chorar
Saudade, o meu remédio é cantar!"

Ah, o saudoso Luiz Gonzaga... E aí, pessoal, sentiram minha falta? Faz um bocado de tempo que eu não apareço, não é? Se vocês pudessem conhecer o lugar para onde fui, entenderiam minha demora em voltar para casa. Mirandiba é, como posso dizer... um lugar onde o tempo não passa e onde mora a eternidade. Primeiro que casa de vó (e de tia) é bom demais: é como uma sombra no meio do sertão (isso é literalmente), sempre tem comida gostosa (ela faz tudo o que você prefere; e a cocada de leite de vó é boa demais!) e você descansa a cabeça de todo o tipo de problema que tenha. Segundo que cidade de interior é danada para ter história, seja de alma, bicho ou do povo antigo. Terceiro que uma autêntica feira onde todo tipo de animal zurra, berra e se sacode, você só encontra nesses lugares meio que esquecidos pelo tempo. Ah, coisa boa é tomr banho de açude (e de chuva e de bica, principalmente num lugar onde água é igual a festa, porque a maior alegria de um sertanejo é ver a água correr no açude, num lugar onde a seca impera), tomar leite tirado naquele instante, ouvir estória de trancoso enquanto espera o pão caseiro assar para comer quentinho com manteiga e queijo feitos em casa... E tem a primarada, as festas de fazenda, a preguiça...

Bem, é o suficiente de reminiscências. Espero que tenham gostado desse capítulo depois de um tempo tão longo de espera. Como sempre, não se esqueçam de deixar reviews, eles são meu combustível! Escrevam para mim que eu escrevo para vocês, essa é uma troca bastante justa, não?

Beijos,

Silverghost.