Os bastidores


1. Como você começou a escrever?

Bem, vejamos... Aos sete anos eu tive meu primeiro texto publicado em jornal, no Diário da Serra de Campo Grande (MS), uma redação sobre o dia das mães. Aos oito eu inventei de publicar um jornal na minha escola, "O TAGARELINHA". Mas histórias mesmo, eu só fui começar a escrever em 1999, aos 12 anos na sétima série, inspirada em Agatha Christie. Desde então, eu vivo com um caderno e uma caneta sempre ao alcance da mão porque nunca sei quando uma inspiração repentina vai me assaltar...

2. E as fics?

Eu já conhecia fics muito antes de conhecer Harry Potter. Gosto muito de animes e mangás, embora hoje em dia não tenha tempo para assistir nada... Eu vivia procurando fics dos meus animes preferidos. Nessa época eu já escrevia, mas não tinha coragem de mostrar minhas histórias para ninguém. Acho que foi depois de ter lido "O Senhor dos Anéis" pela terceira vez quando comecei a escrever "Aliança", que eu tomei coragem para mostrar minhas maluquices a outras pessoas. Falando nisso, eu tenho que tomar vergonha na cara e revisar aquela monstruosidade... Foram quase 500 páginas de cadernos escritas na minha letra miúda... Não posso desperdiçar dois anos de trabalho...

Em todo caso, Carol, Bruno e Tatiana, que leram e me ajudaram a digitar a história, adoraram. E foi isso que me encorajou a mostrar aquilo que eu escrevia para outras pessoas. Eu fazia coral na escola e no último ano, em 2003, eu escrevi uma história homenageando sobre uma rádio clandestina que luta contra a ditadura. Meus amigos eram os personagens, todos com pseudônimos de pássaros. "Nascemos para Cantar" era o nome da história. Todo mundo adorou. Além disso, eu fazia do ato de escrever uma forma de terapia para aguentar a pressão do vestibular.

Mas, voltando às fics... Eu tinha a idéia fixa de escrever algo com os marotos desde o terceiro livro, "O prisioneiro de Azkaban". Eu tinha simplesmente me apaixonado pelos personagens. Só que meus outros projetos e a falta de muitas informações adiaram o projeto até a saída do quinto livro, que coincidiu com a minha passagem pelo vestibular. Obrigação cumprida, eu tinha seis longos meses antes de a faculdade afinal começar. Aí, comecei a desencavar das minhas gavetas as passagens já escritas que eu tinha, junto às anotações de física e matemática (eu simplesmente não conseguia lutar contra isso, sempre nessas aulas eu tinha que começar a escrever...)

3. De onde veio o nome Hades?

Para quem não sabe, Hades, na mitologia grega, é o nome do deus dos infernos. E é, também, a denominação genérica do próprio inferno. Quando comecei a pensar em criar a história, esse nome me apareceu na cabeça, mas como eu tinha muito pouco de base, eu acabei esquecendo dele. No começo de 2004 eu me sentei ao computador e jurei para mim mesma que não saía de lá até ter um prólogo decente para uma história com os marotos. Quando comecei a digitar (e a apagar), a palavra Hades me voltou a cabeça. Aí eu desliguei o computador e voltei aos meus livros. Reli os cinco de HP, anotando cada dado do passado dos marotos, e depois me enfurnei na mitologia. Barsa, dicionário, livros específicos... E voi lá! Juntei o ragnarock dos nórdicos e o hades dos gregos e comecei a construir as bases da saga.

4. E as personalidades dos personagens?

Eu me inspirei principalmente nos meus amigos da época da escola. Três deles me forneceram a base para os marotos: Thiago, Felippe e Flávio, respectivamente Tiago, Sirius e Remo. O Pedro não teve ninguém da realidade para dar base. Agora as meninas... Não é muito difícil, para quem me conhece, traçar um paralelo entre eu e a Lily. Eu sempre fui meio escandalosa e, antes de estabelecer amizade com os garotos, era cheia de não me toques e pavio curto (bom, pavio curto eu sou até hoje...). Se não acreditam em mim, podem perguntar a Flávio, que sempre está por aqui... Emelina, a mais equilibrada da turma, foi baseada em Vanessa, mil e uma utilidades, como o bombril. Vanessa faz psicologia na faculdade, teatro, dança, música... Eu sempre tive uma imagem de fragilidade da mãe de Neville, a Alice. E liguei ela a Aline, outra amiga minha. Gabriela é Selene, sempre na moda e ligada em horóscopos e coisas do tipo. E Susan... Bem, a Su é uma homenagem minha a Carol, amiga e praticamente irmã.

5. Como surgiu a idéia da Antiga magia e de fazer de Lílian uma guardiã?

Eu gosto bastante dessa luta entre antigo e novo. A velha e a nova ordem. Eu tirei a denominação "Antiga e Alta magia" de livros sobre mitos nórdicos, mas ela teve muito mais envolvido em sua criação. Eu poderia citar Marion Zimmer Bradley, Philip Pulman, Tolkien... Além disso, eu queria responder a muitas das perguntas que a Rowling tinha deixado em suspense. O que Dumbledore fala sobre o Departamento de Mistérios no fim do quinto livro foi o que me deu a idéia final: o pingente de hades. Os boatos sobre um segredo de Lílian me fizeram escolhê-la como detentora de um poder que todos quisessem. Voldemort não quis matá-la. Porque? Porque a queria como aliada. Foi assim que a história foi surgindo.

6. Porque um dragão? E afinal, Hades é bom ou ruim?

Eu queria aproveitar o lema de Hogwarts. E também porque o dragão é um símbolo de poder em diversas culturas. Eu nunca questionei o fato de um dos personagens mais importantes da história ser um dragão. Minha grande dúvida era a cor dele (ridículo, não?). Eu escolhi o branco, símbolo da paz e da inocência. Quanto a Hades ser bom ou ruim... Eu não acredito nesse maniqueísmo que separa o mundo em bons e maus. Ninguém é perfeito. Ninguém pode ser 100 sempre. Hades foi um pirata e assassino antes de se tornar um dragão e, como tal, ensinar a Lílian o que ela precisava para ser uma guardiã.

7. De onde surgiu a Thanatus?

Quando eu assisti o primeiro filme de X-men, o que mais me fascinou na história foi o fato de a Vampira não poder tocar as pessoas sob pena de sugá-las até a morte. Quando comecei a escrever Hades, eu tinha na cabeça cenas em que algo do tipo acontecesse. Numa ficha de biologia eu encontrei o nome em grego da morte. Daí foi um pulo para inventar a temida maldição.

8. E Helena?

Quando li a "Ilíada", coloquei na cabeça de escrever uma estória em que uma personagem se chamasse Helena. Eu precisava de um contra ponto para o dragão. E alguém que pudesse introduzir aos leitores o significado da antiga magia e da Thanatus.

9. Saint-Germain é um personagem real?

Sim. Eu pesquisei alguma coisa antes de decidir quem seria o vilão do passado de Hades e Helena. Aí me deparei com Saint-Germain, Lady Glamis (dizem que ela realmente assombra o castelo de Glamis, não é invenção minha) e outros personagens que acabei usando na fic.

10. Qual a explicação para os subtítulos das duas fics?

A última guardiã é um tanto óbvio. Refere-se a Lílian, único pilar da Antiga Magia. Às portas do inferno merece uma explicação mais elaborada... Eu adoro história (acho que já deu para perceber...) e sempre gostei de estudar sobre as guerras que já foram travadas em nossa sociedade. Eu tenho como filosofia que é só com o conhecimento do que erramos que podemos não errar. Então me apliquei em estudar os motivos e o que aconteceu nessas guerras, em especial nas do século passado, a primeira e a segunda guerra mundial. Nessa época (acho que foi por volta de 2000 ou 2001) eu cheguei a conclusão que estar numa guerra é estar à beira de um inferno. E essa conclusão voltou a minha cabeça quando comecei a escrever a segunda fase de Hades, em que os personagens estão numa guerra. Eles estão às portas do inferno, sempre por um fio.

11. Você sentiu vontade de abandonar a fic alguma vez?

Muitas vezes. Não na primeira parte, a última guardiã foi até bem leve de escrever. Mas em às portas do inferno, eu estive muitas vezes a ponto de ter uma crise de nervos. Quando Voldemort amaldiçoa Lílian por exemplo. Agora, a pior crise foi depois do casamento dos Potter. Porque não um ponto final? Mas eu não gosto da sensação de que deixei algo inacabado. Não quando eu já tinha planejado até o último capítulo...

12. De onde você tirou as brigas de Lílian e Tiago?

Essas brigas são praticamente auto-biográficas. Não digo mais do que isso...

13. Você prefere Sirius com Susan ou Camille?

Sempre fui uma simpatizante da Susan. A Camille estava, desde o começo, comprometida com o Edgar na minha cabeça. Mas o desaparecimento da Susan também ja estava planejado desde o começo da fic. Eu fiz isso porque, se realmente houvesse alguém com o Sirius, ela teria aparecido nos livros. Se não apareceu, é porque ficou no passado. Não me peçam para explicar isso, eu sei que ficou confuso...

14. A continuação?

Vocês estão curiosos, heim? Vejamos o que eu posso dizer sem comprometer meus novos mistérios... A fic vai se chamar Doze Anos, e vai ser contada a dois tempos. Como assim a dois tempos? Isso significa que passado e presente vão se misturar, já que os personagens estarão sempre relembrando seus anos em Hogwarts. Dessa maneira, retomaremos os marotos desde o primeiro ano. A história vai ser contada sob quatro pontos de vista: Sirius, Remo, Severo e Pedro.

15. E o Harry, vai aparecer?

Eu não gosto de escrever com o Harry. Prefiro muito mais os marotos. A gente tem mais liberdade para inventar. Por isso, não vai haver continuação com ele. Doze anos encerra definitivamente a saga de hades.

16. E a Susan, ela vai reaparecer?

Isso é uma coisa que eu realmente não sei dizer. Eu não tenho certeza do que vou fazer com a Su. Se ela vai continuar desaparecida ou vai reaparecer. Vai depender dos rumos que a história tomar enquanto eu escrevo. Eu sei que vocês adorariam que ela voltasse, mas, mesmo que ela volte, acho que as coisas não seriam como antes. Eu realmente sinto muito por isso, mas em HP não apareceu até hoje nenhuma madrinha para o Harry. E eu estou fazendo o possível para seguir os livros.

17. Você tem mais algum projeto além de Hades?

Sim. Eu quero escrever uma fic em Universo Alternativo, para poder dar vazão a toda a minha raiva do Pedro e de Voldemort. Também tenho outra fic sobre os marotos em estágio de pesquisas (eu sempre pesquiso antes de escrever). E "Um dia a casa cai", que eu tenho que tomar vergonha na cara e voltar a ela.

18. Quando estréia Doze Anos?

Para quem não sabe, eu faço faculdade. De jornalismo. Só que eu vou fazer dois cursos e o segundo (Direito), vai começar agora em outubro. Ou seja, duas faculdades... E minhas provas começam agora no fim de setembro. Como Doze Anos tem capítulos bem maiores que Hades, eu vou demorar mais a escrever. Sendo assim, a fic só vai sair quando eu entrar de férias da católica, ou seja, lá para novembro. Até lá, divirtam-se com meus projetos menores e com Fragmentos.

19. Você vai continuar Fragmentos?

Sempre que tiver inspiração. E vou usar as idéias de vocês também. Agora que eu acabei hades, vou reler as sugestões que me mandaram para Fragmentos. E eu tenho alguns que eu estou querendo fazer também já a algum tempo.

20. De onde vieram os Perpétuos?

Não são criações minhas, infelizmente. Os Perpétuos são do grande Neil Gaiman. Eu só fiz mudar o nome deles. Morte virou Thanatus. Sonho, Morpheus. Destino, Destruição, Delírio, Desejo e Desespero viraram, respectivamente, Chronos, Chaos, Delirium, Eros e Phobos.

21. Porque você não escreve um livro?

Eu penso em escrever livros, mas não agora. Para mim, as fics são uma espécie de aquecimento, de treinamento. Eu sou perfeccionista e pretendo escrever livros quando souber que estou realmente madura para isso. Idéias não me faltam. E eu sou louca para fazer livros históricos... Não apenas fantasia.

23. Algum recado para os leitores?

Foi um enorme prazer tê-los por aqui, receber suas dúvidas, críticas e comentários. Se Hades chegou até aqui, isso foi em grande parte, mérito de vocês, que me acompanharam em todos os momentos, até mesmo no meu aniversário. Obrigada por tudo Dynha (que me acompanhou desde o primeiro capítulo e que foi a primeira a deixar comentário nessa fic), Mya Angel, Nessinha-Black, Marmaduke Scarlet, Flávia Fernandes, CiNzAs, Saky, Natália, Lele Potter Black, Gabriele Delacour, Juliana, JujuBlack, Lady-Liebe, Bru, Deby, Vera C.D, Jasmine Riddle, Evenstar, Dominiun, Morguene Evans, Keshi Toshimasa, Flávio, Sf-chan, Kathy Parteno Gryffindor, Luiza, Sarita, Adriana Black, Carolina Lesache, Luthien Elessar, Helga, Babii Evans, Nick Malfoy, Ang, Nina Evans, Jessika Black, Bru Black, Daniele, Marina, eu, mi, Erika, Ma Madden, Wendy (Carol, maninha!), Jéssy, Natasha Malfoy, Lily Dragon, Thaisinha, Gaia, Irmãs Potter (Isabelle e Babbi), Nostalgi Camp, AHHHHHHHH!!!!, Isabelle Potter Demonangels, Nycolly Black, Letícia Potter, Paulinha Granger, Naaaaaaao!!!!, Carol Black, Adhara, Ana Luthor, Carla, Nathi-Evans, Black Angel, (, Naiara, Maíra, Rose Mia, BabI Black, NaIzInHa, Naniiinha, Lucilla, Drika, Fabio, Mile, Giulinha Black, Mcsfbb,Becky W. Granger, Elisabeth, Jesuíne, pessoal do blog Lílian e Tiago, do fórum Lílian e Tiago, do blog Embarque no expresso, povo que conversa comigo no MSN, pessoal que migrou da Edwiges para cá... Enfim, se eu me esqueci de alguém, por favor, me perdoem. Um grande beijo a todos que acompanharam a fic mesmo sem comentar, que comentaram, que me adicionaram em sua lista de contatos... Enfim, acho que é isso.

Até a próxima...

Silverghost.

P.S.: Bem, eu queria fazer desse último capítulo um talk-show especial, mas não tivemos muitas perguntas para os personagens, então eu acabei adaptando para uma "entrevista" de mim para mim mesma (...). Espero ter respondido a maioria das dúvidas, mais alguma coisa, vocês podem comentar e deixar o e-mail que eu respondo sem problemas. Não tenham vergonha de perguntar, foquem à vontade, eu vou ter o maior prazer em responder a vocês!

P.S.¹: As irmãs Potter (Isabelle e Babbi) estão fazendo um site fã-clube para Hades. Elas pediram para que o pessoal entre em contato com elas. Como o ff. não aceita colocar endereço nem de site, nem de e-mail, quem estiver interessado, deixe um comentário aqui mesmo na história.

P.S.²: Entrem no blog na Mia, onde eu também escrevo! lilianetiago.weblogger (o resto vocês já sabem, se eu colocar acho que vai sumir...). Tem muitos autores de fics L/T lá, para quem gosta, vale a pena conferir.

P.S.³: Entrem no blog embarquenoexpresso.weblogger, eu estou participando da fic coletiva que está sendo escrita lá com o nome de Mina MacFusty. E, no diário da Mina (proezasdemina.weblogger) vocês vão encontrar uma história original minha, Relicário. Certo, eu acho que por hoje, basta.

Para terminar, um presente para vocês. Um pequeno trailler de Doze Anos. Espero que gostem do que virá...


Essas são noites escuras... como há tempos não se via...

Sirius ouviu o alarido sem se mexer. Seus olhos apenas observavam o céu, por demais escuro. Bellatrix, os dois Lestrange e um rapazinho que ele não conhecia estavam sendo levados a suas celas naquele instante.

Quase podia sentir pena da prima. Não sabia como ela fora capturada, nem lhe interessava saber. Sua mente estava muito longe dali, muito longe dos gritos que se juravam inocentes, muito longe dos espectrais dementadores que deslizavam pelo chão de terra batida, muito longe da escuridão que parecia se adensar a cada instante.

Finalmente ele saiu de sua imobilidade, tirando do bolso quase esfarrapado um pequeno objeto, que, à primeira vista, poderia ser confundido com uma caixinha de música. Ele passou os dedos longos sobre a gema verde da tampa e ela se abriu. Uma voz suave começou a cantar. Sirius sorriu, enquanto descansava a cabeça contra as barras de metal da cela.

...repletas de neblina... e de remorso...

O pequeno Perebas saiu quase correndo do quarto dos gêmeos, passando por um assustado Rony e pela senhora Weasley. Percy tentou aproximar-se para pegar seu rato, mas não teve tempo. Perebas saiu correndo desabalado pela porta, embrenhando-se no jardim da Toca.

Pedro ainda ouviu Molly tentar consolar o filho, dizendo que o rato certamente voltaria, enquanto ralhava com os gêmeos, que apareciam com as caras sorridentes igualmente cobertas de fuligem.

O rato logo deixou o jardim, chegando ao pequeno bosque que circundava a propriedade. Lá, o rato voltou a sua forma humana, já bastante maltratada sem as idéias mirabolantes dos gêmeos em que o usavam como cobaia.

O rapaz sentou-se numa pedra, observando a neblina que pairava sobre o bosque. Por algum motivo, ele lembrou-se da Floresta Proibida e dos amigos. Quantas vezes tinham entrado na Floresta junto com Remo, em noites de lua cheia?

Uma lágrima correu pelo rosto rechonchudo. Aqueles tempos felizes nunca mais voltariam. E a culpa era toda dele.

... escondendo o luar, multiplicando as sombras...

Remo observou o semblante da jovem. Não havia terror nos olhos dela, apenas uma triste surpresa. Ela levantou-se, andando pela pequena sala. Porque ela não ia embora? Não entendia que corria perigo continuando ali?

- Foi por isso que me afastou? Por isso que...

- Por favor, Tonks, vá embora.

- Mas, Remo...

- A noite está chegando. Eu me sinto fraco demais para lutar contra a minha própria natureza. Vá embora, para sua própria segurança.

Ela aproximou-se da lareira, enquanto tirava um pouco de Pó de Flu de um saquinho, guardado em um dos bolsos da capa.

- Amanhã eu volto para cuidar de você.

Ele deu um meio sorriso e ela jogou as chamas no fogo, gritando alguma coisa antes de desaparecer nas chamas verdes. O sol acabara de se pôr.

Há gotas de sangue em meu passado...

Severo observou cada uma daquelas faces com seu habitual desprezo. Nenhuma daquelas tolas cabeças estava realmente interessada em ouví-lo. Todos o temiam, de certa forma, isso lhe agradava; mas não passavam de cabeças ocas, sem nada conhecer do mundo, prontos para cair em armadilhas preparadas por eles mesmos. Como ele caíra no passado...

Com um movimento de varinha, ele fez palavras surgirem no quadro e começou com seu habitual discurso introdutório de todos os anos. Seus olhos cruzaram com os de um rapaz numa das primeiras cadeiras. Olhos verdes e tristes...

Durante a chamada, ele tirou a dúvida de quem seria o rapaz. Um Meadowes. O que ele seria da pequena Dorcas? Severo meneou a cabeça, tentando espantar da cabeça tais pensamentos. Não era hora de se deixar dominar por essas fraquezas.

Um passado que me persegue... como uma profunda ferida, uma mágoa que não quer cicatrizar. Só o que eu queria era adormecer. Simplesmente adormecer e conservar o pouco de sanidade que me resta. Doze anos... Doze anos que me foram dados... Doze anos que me foram tirados... E eu permaneço prisioneiro de minhas lembranças...


Agora é realmente a hora do adeus. Ou melhor, como eu já falei ali em cima... Até a próxima!