Um amor puro

Por: Bulma-chan

Capitulo 3: O laço de amor que nos une

"Gohan, eu preciso conversar com você!" Imagens desconexas passam rapidamente por minha cabeça.

"Como pode dizer que a ama Trunks? Ela só tem 5 anos!" Minha mente fica em branco, o medo que sinto é forte demais, meu coração esta doendo, eu não sou tão forte quanto pareço.

Mais uma vez esse sonho, Já nem sei quantas vezes o tive. Desde aquela noite de domingo, aquela noite há 12 anos atrás, eu sempre acordo com esse sonho, talvez isso aconteça para que eu não me esqueça da promessa que fiz a Gohan.

Observo meu reflexo no espelho enquanto me visto, quero estar o mais elegante possível, hoje vou me encontrar com a minha pequena. Pan cresceu muito nos últimos anos, ela se tornou uma linda mulher. Seus cabelos estão mais compridos, agora já chegam quase a sua cintura. Ela não ficou muito alta, mas pra mim isso só acentua sua beleza.

Quando fecho meus olhos eu a vejo sorrindo pra mim aquela noite, seus olhos cheios de tristeza atravessaram minha alma, eu pude sentir sua dor quando ela me abraçou e quando suas lágrimas alcançaram molhar meu pescoço eu a abracei também "vou estar esperando você Pan!" a apertei mais contra mim e deixei algumas lágrimas escorrerem por meu rosto.

Abro meus olhos, agora eu estou feliz, vou me encontrar com ela, vou ver seu sorriso mais uma vez. O sorriso dela tem uma estranha energia, ele faz com que eu me sinta em paz, feliz, pronto pra enfrentar uma dura semana de trabalho longe dela.

Olho-me novamente no espelho e sorriu pra mim mesmo, eu estou ótimo. Uso um terno azul marinho, camisa branca, gravata vinho bem escuro e calças da mesma cor do terno, meus sapatos estão muito brilhantes, acho que posso ficar tranqüilo.

Como de costume eu me arrumei cedo demais então agora eu teria que achar alguma coisa pra me distrair.

Deito na minha cama e fico observando minha aliança, ela esta intacta, nem parece que a tenho a 12 anos. Quando eu olho pra ela eu sinto uma certa nostalgia, ela é símbolo de uma promessa e não apenas um compromisso, que era minha intenção quando a comprei. Eu achei que fosse ser difícil esperar 13 anos para poder estar com ela, para poder dizer que amo, mas eu aprendi a apreciar cada momento de sua companhia eu soube sentir alegria desde que a buscasse na escola ou a levasse para passear no fim de semana. Ao menos isso eu pude fazer nesses 12 anos. Mas ao olhar pra minha aliança agora eu não posso evitar me sentir em êxtase afinal, só falta um ano!

Lembrar dos momentos felizes que passei com ela sempre me faz bem, lembrar de como é doce seu sorriso, de como seus olhos inocentes brilham cheios de vida ao observar as pequenas coisas como o por do sol ou a água correndo no rio. Ela continua sapeca, quando era criança eu custava a acompanhar seu ritmo quando íamos ao parque de diversões ou mesmo quando lutávamos, ela era muito elétrica e continua assim até hoje.

Quando olho para ela tenho vontade de lhe contar que o que sinto por ela é mais que uma amizade, tenho vontade de dizer que a amo. Mas mesmo sendo amor esse sentimento que tenho é diferente. Eu não desejo seu corpo ou seus lábios, o que sinto por ela é algo além do físico é algo espiritual. Quando estou com ela meu coração se alegra e meu dia se ilumina, para que eu seja feliz basta que ela esteja ao meu lado, e foi depois de descobrir a pureza desse sentimento, depois de descobrir que estamos compartilhando um sentimento raro e muito especial que percebi que esses 12 anos teriam passado da mesma maneira se eu não tivesse contado a Gohan que eu a amava.

Hoje, mais velho e com a cabeça mais aberta, eu posso entender perfeitamente as duras palavras dele naquela noite.Ele devia ter medo de que eu fizesse algum mal a sua filha, ele não sabia o tipo de sentimento que tenho por ela, mas acho que Videl percebeu alguma coisa, vejo em seus olhos quando nos encontramos.Acho que lhe devo eternamente minha gratidão, ela foi um anjo pra mim. Pan também cresceu e com isso sua cabeça deve ter mudado, não consigo mais saber o que se passa na cabeça dela, acho que agora, mais que nunca, terei que confiar que o sentimento que nos une ainda vive dentro dela.

Minha pequena cresceu tanto nesses anos que até meu pai comentou "ela esta muito bonita" não me esqueço de suas palavras até hoje. Quando observo minhas fotos com ela é que vejo que só eu não mudei, meu rosto apenas ganhou um pouco de seriedade, mas apenas quando não estou com ela.

Perdi tanto tempo nas minhas recordações que quando cai em mim já estava em cima da hora.Minha casa esta toda enfeitada pra festa, hoje é aniversário de Bra, tem balões pra todo lado, mesas e cadeiras espalhadas pelo jardim. O pobre do Yuri já está morto de tanto carregar coisas de um lugar pro outro, de acordo com a vontade de Bra. Depois de passear com Pan nós vamos voltar pra minha casa, Bra nos mataria se não comparecêssemos ao aniversário dela. Atrasado como estava eu fui voando e depois de achar um lugar mais afastado pra pousar me dirigi ao local combinado.

Ela estava parada do outro lado da rua, estava observando umas crianças brincarem no parque. Eu me aproximei por trás e tapei seus olhos com minhas mãos

- Adivinha quem é, Panzy!

- Trunks - eu a abracei por trás e a balancei de um lado para o outro.

- Você acertou, Panzy. Como descobriu? - dei um beijo em seu rosto e me encostei na grade que cercava o parque.

- Como descobriu Panzy? - Eu fico tão feliz quando estou com ela que chego a me comportar como criança, eu fazia isso quando ela era pequenininha.

- Quem mais me chama de Panzy Trunks? - dei uma risada e puxei a bochecha dela.

- Só eu! - ela deu um sorriso tímido pra mim.

- Trunks porque me trata assim? Eu nunca vi você puxando a bochecha ou chacoalhando a sua irmã! - dei o melhor sorriso que consegui e puxei ainda mais a bochecha dela.

- Por que a Bra é uma rabugenta e você..- eu soltei a bochecha dela e cutuquei seu nariz - e você é minha pequenininha - ela fez uma careta pra mim.

- Eu não sou mais pequena, eu cresci, ou será que você não viu? - a encarei um segundo, mas depois tornei a sorrir, A puxei pela mão e abracei.

- Claro que vi Panzy, você ficou muito linda, Mas ainda assim você sempre vai ser minha pequenininha! - o rosto dela ficou triste,não sei porque, mas eu me senti mal por isso - aconteceu alguma coisa Panzy?

- Não. Vamos indo? - ela me sorriu, mas seu sorriso ainda era triste.

- Claro! Onde minha menininha quer ir? – ela aceitou o braço que lhe oferecia e fomos caminhando pela rua. – então, o que quer fazer hoje? – ela me sorriu de forma maliciosa.

- Quero revanche! – ela se soltou de mim e parou na minha frente séria – Você me venceu da ultima vez, mas juro que hoje você não me derrota – fiz uma careta pra ela, não posso evitar fazer isso.

- Acha mesmo que pode me vencer? Eu sou o melhor!

- Claro que posso e você vai ter que pagar um sorvete enorme pra mim se eu vencer! – o sorriso voltou ao seu rosto, aquele lindo sorriso que me fazia estremecer de felicidade.

Ela voltou a segurar no meu braço e juntos nos dirigimos para a loja de jogos. Desde que Pan teve idade pra enxergar por cima dos controles ela me desafia, mas sempre perde, eu jogo isso a muitos anos mais que ela. Eu sempre deixo ela escolher o jogo, que certamente é de luta, são os favoritos dela.

Eu sempre a derrotei facilmente, mas hoje devo admitir que custou um pouco, acho que ela andou treinando, por pouco não perco!

- Merda. Perdi de novo! Trunks, você deve estar roubando. – Puxei a uma mecha do cabelo dela e ri abertamente.

- Claro que não estou roubando, é que eu jogo a muito mais tempo que você – ela deu um soco no meu ombro e eu larguei seu cabelo. Nesse momento uns aplausos chamaram minha atenção. – olha Pan, eles tem aquelas máquinas de dança, você quer ir? – ela me encarou um instante e depois baixou a cabeça.

- Trunks, eu não sei dançar.

- Ora eu também não, mas se não tentarmos nunca vamos aprender – levantei seu rosto - Vamos não pode ser tão difícil.

- Eu não sei. Aquelas meninas que estão lá dançam bem, eu vou ficar com vergonha se errar – sorri pra ela.

- Não é só pisar no lugar certo quando a seta chega lá em cima? – ela concordou com a cabeça – Pan, nós somos muito rápidos, não vamos errar! – ela sorriu pra mim e nos dirigimos para a pequena multidão. Eu desabotoei meu terno e pedi pra uma pessoa segurar, nós subimos no painel. Pan estava vermelha, todos estavam olhando pra ela e eu sei que ela não gosta muito de chamar a atenção.

- Trunks, eu só vou fazer isso por que você pediu – eu sorri e lhe beijei no rosto.

- Obrigado Panzy! – ela me sorriu e a música começou a tocar.

Nós dançamos bem, a velocidade daquelas setas não é nada para nós, e dançamos por muito mais tempo. Eu gostei desse joguinho acho que vou comprar uma dessas maquininhas pra mim. Pan gostou da brincadeira mais que eu, já que ela tirou uma pontuação maior e finalmente conseguiu me vencer em alguma coisa.

Nós tínhamos que ir para casa, Bra disse para chegarmos antes dos convidados. Mas nesse fim de tarde aconteceu algo que eu realmente não esperava e tudo começou por causa de um simples comentário, eu achei agradável o que disseram, mas infelizmente não esperava que doesse tanto assim nela.

- Que casal de namorados mais lindo, veja como se dão bem. – uma senhora, quase idosa, comentou isso com a filha que devia ser pouco mais velha que eu. Eu estava com o braço no ombro da Pan e carregava meu terno no meu ombro. Eu soltei um sorriso para a senhora e não pude evitar ficar vermelho, mas quando eu olhei para a Pan eu vi seus olhos se nublarem e depois uma lágrima escorrer.

- Panzy, o que foi? Por que esta triste? – ela virou o rosto de forma que eu não pudesse vê-lo direito.

- Nada.

- Não é verdade, eu estou vendo que você não esta bem – fiz com que me encarasse, seus olhos tristes desviaram dos meus.

- Não estou passando bem. – toquei seu rosto, mas ela se afastou de mim.

- O que esta sentindo?

- Não sei. Olha eu acho melhor ir pra casa, pede desculpas pra Bra por mim.Tchau – ela me respondeu rapidamente e se afastou descendo as escadas. Eu fiquei olhando ela se afastar. Eu não acreditei que ela estava passando mal, alguma coisa no comentário daquela mulher a ferio de tal forma que agora ela estava fugindo de mim, e eu não iria deixar as coisas assim. Desci as escadas correndo, seguindo o Ki dela, e a encontrei sentada num degrau da escada. Eu me sentei ao seu lado e segurei sua mão, ela estava tremendo.

- Trunks, me deixa sozinha, por favor – como eu posso deixa-la sozinha quando eu sei que ela esta sofrendo e precisa do meu apoio? Eu não sabia muito bem o que fazer, mas dali eu não sairia até que ela estivesse sorrindo novamente – Vá embora Trunks.

- Não. Vou ficar aqui ate você me contar o que te deixou tão triste.

- E se eu não contar? – senti que ela estava chorando, coloquei minha mão em sua cabeça e fiquei mexendo em seus cabelos.

- Então nós vamos ficar aqui a noite inteira! – suas lágrimas aumentaram quando eu disse isso, eu a abracei e sussurrei em seu ouvido "não chore Panzy, não gosto de te ver chorando" ela tentou se afastar, mas eu não deixei, disse que iria cuidar dela, que iria protege-la e é isso que vou fazer.

- Trunks, por favor não me abrace – a afastei um pouco de mim, olhei dentro de seus olhos e perguntei porque – por que quando você me abraça as pessoas pensam que somos namorados.

- Pan, não ligue para o que os outros falam – eu disse aquilo para acalma-la, mas me doe saber que não lhe agrada idéia de ser minha namorada.

- Eu me importo sim. Não quero que pensem isso, não quero – afrouxei um pouco meu abraço, suas palavras doíam, elas me feriam.

- Não se preocupe com isso, afinal isso não machuca ninguém – ela me empurrou e se levantou alterada.

- Não machuca ninguém? É claro que machuca Trunks, machuca a mim!!

- Mas Panzy, eu pensei que você gostasse de me ter como amigo, mas no entanto esta parecendo que não é assim – me senti fraco, meus sentimentos estavam me dominando. Mas ela também não parecia muito consciente do que falava, ela estava chorando muito e eu não demoraria muito a começar também.

- ESSE É O PROBLEMA TRUNKS, EU NÃO TE VEJO COMO AMIGO – mais lágrimas saíram de seus olhos, e dos meus finas gostas ameaçavam em transbordar a qualquer momento - Trunks, eu tenho muita vergonha do que vou dizer, mas se não falar eu não vou me perdoar - ela começou a chorar mais forte e eu percebi que o que ela iria me dizer era motivo de vergonha para ela, então eu me aproximei dela e fiz com que encostasse sua cabeça em meu peito e fiz carinho em seus cabelos.

- Quando fazem comentários como o daquela senhora o sentimento de culpa que carrego aumenta ainda mais - ela esta chorando tanto e eu não sei o que fazer para acalma-la – você sempre me tratou com tanto carinho e respeito e eu nunca pude corresponder da mesma forma - com as gemas dos meus dedos eu acariciava suas costas, um carinho inconsciente por que eu não agüentava mais ver ela chorando tanto.

- Mas Pan, eu nunca pedi nada, só em ver seu sorriso já é recompensa demais pra mim - apoiei minha cabeça sobre a dela, ela é tão frágil que tenho medo de machuca-la.

- Trunks.. você cuida de mim como se eu fosse sua irmã e eu tenho um sentimento muito diferente desse seu. Quando você me abraça ou faz carinho em mim eu sinto algo mais, meu corpo estremece e eu me entrego as sensações, Você me vê como amiga e eu te enxergo como homem. E é por isso que não quero mais que me abrace, por que esse sentimento eu não consigo controlar quando você me toca" sinto meu coração acelerar suas batidas, era verdade o que eu estava ouvindo?

- Esse sentimento é amor Pan? - Ela já esta sofrendo demais com essa situação, mas comigo não é diferente, meus olhos estão ardendo e sinto que um leve tremor começa em minhas mãos. Ela mexe a cabeça respondendo a minha pergunta, eu a abraço com mais força e sinto como suas lágrimas já atravessaram minha roupa e agora tocam diretamente o meu corpo.

- Você não traiu nossa amizade Panzy, Você seguiu seu coração e é isso que importa! - fecho meus olhos e deixo minhas lágrimas escorrerem, a sinto soluçar sobre meu peito, será que ela ainda não entendeu?

- Eu não podia ter me apaixonado, eu sabia que você não poderia me corresponder. Eu devia ter me afastado de você no dia que descobri que você já ama outra pessoa.. me perdoei Trunks!! - ela me envolve com meus braços e soluça contra meu terno já encharcado - sinto muito Trunks, eu não queria espionar, mas eu já tinha te perguntado tantas vezes por que você usava essa aliança e você nunca quis me contar, era sua vontade e eu devia respeita-la, mas quando ouvi Bra perguntando pra você, eu não consegui sair de perto, eu escutei você dizer que era símbolo de uma promessa, uma promessa que você tinha feito a uma garota, a promessa de se casarem quando fossem mais velhos... desculpe Trunks, eu traí sua amizade de tantas formas que vou entender se não quiser mais me ver! - minha pequena cresceu, se tornou uma linda mulher e mesmo assim me ama.

Ficamos calados uns minutos e eu senti que ela se acalmava. Sinto um raio partir minha cabeça ao perceber que por pouco eu não a perco para sempre. Eu sempre tive minha aliança como símbolo do que sentia por ela, mas por causa dela minha pequena Pan achou que devia se afastar de mim.Meu peito se agita e contínuos soluços enviam lágrimas para meus olhos.

- Boba – segurei seu rosto com minhas mãos – Boba – Ela me encara triste, mas eu lhe entrego meu mais sincero sorriso – boba, boba, boba – ao invés dela que me olha com estranheza eu a olho com alegria, eu choro de alegria.

Ela não entende minha felicidade e eu a compreendo, ela era muito pequena para se lembrar. Coloco minha mão direita na frente de seu rosto, ela me olha indecisa, eu apenas acenei um sim com cabeça enquanto enxugava as lágrimas dela com minha outra mão.

Ela tremia tanto quanto eu quando seus dedos envolveram minha mão.Ela levantou o anel ate a altura dos olhos, o encarou um instante e depois fechou os olhos.

- Não posso Trunks, apesar de tudo não quero saber o nome da pessoa que você ama - minha menina continua tão inocente.

- Então eu digo pra você - ela negou com a cabeça, mas eu a segurei pelos ombros e sussurrei em seu ouvido "Pan" Ela parou de chacoalhar a cabeça e me encarou incrédula e eu apenas sorri, acho que isso é tudo que faço ultimamente. Ela inspecionou a aliança e rapidamente levou a mão a boca para impedir um grito, depois de alguns segundos eu vi um sorriso aparecer em seu rosto.

- Trunks...você..você me ama? - segurei ambas bochechas dela com a ponta dos meus dedos e puxei.

- Amo Panzy, amo muito.Amo mais que tudo. Amo, amo, amo! -é um alivio finalmente poder dizer isso. Eu guardei esse sentimento dentro de mim por tanto tempo e agora eu me sinto em paz.

- Mas a data que esta aqui é de mais de 12 anos atrás, eu tinha... 5 anos! - Segurei seu queixo e olhei dentro de seus olhos.

- Eu estive te esperando - ela se jogou em meus braços e me abraçou com força - Panzy, eu tenho que te entregar uma coisa - ela me soltou, eu tirei o terno e desfiz o nó da gravata, abri o primeiro botão da camisa e finalmente alcancei minha corrente, tirei a aliança que comprei a anos atrás e a coloquei no dedo anelar dela.

Ela olhou para o anel, depois para mim, novamente para o anel e finalmente sorrindo, como ha muito tempo não a vejo, me abraçou de novo. Eu me separei um pouco dela e fiz com que me olhasse.

- Panzy, estou muito feliz de saber que mesmo depois de tanto tempo você ainda me ama - tirei algumas mechas de cabelo do seu rosto e enxuguei o rastro das lágrimas. Ela segurou minha mão e aproximou seu rosto do meu, eu fiquei surpreso, mesmo depois de tanto tempo ela ainda tem mais atitude que eu, fechei meu olhos e aceitei o beijo dela.

Quando nos separamos eu a encarei sério, mas depois sorri, ela estava tão vermelha quanto uma adolescente quando te dão o primeiro beijo.. será que?.. achei melhor nem perguntar. Levei a mão aos meus próprios lábios, eu podia sentir a essência dela presa a eles. Nos encaramos um instante e do nada começamos a rir feito dois idiotas.

- Tome Trunks - ela colocou minha aliança de volta no dedo - vamos embora pra casa, Bra já deve estar nos esperando – nós saímos da escada e caminhamos felizes, caminhamos como o que somos de verdade, um casal apaixonado.

- Trunks, você não teve medo de que eu deixasse de te amar? - acariciei com o polegar as costas da mãozinha dela.

- Não. Eu sempre soube que o laço de amor que nos une é mais forte que tudo, até mesmo mais forte que o tempo!

Fecho os olhos enquanto voamos para casa e minha conversa com Gohan, a conversa que tive com ele a tanto tempo, me vem a mente.

- Gohan, preciso falar com você! – ele faz um sinal para que me sente e eu obedeço.

Eu não sei por onde devo começar, eu sei que independente do que eu diga ele não vai aceitar. Minhas mãos estão tremendo, eu sinto medo, aperto meus joelhos para que ele não perceba.

- Sobre o que quer falar Trunks? – ele me ofereceu uma xícara de chá, eu a aceitei estava muito nervoso e talvez ela me ajudasse a relaxar.

- É um assunto um pouco delicado – olhei atentamente pro Gohan, ele estava tranqüilo como sempre – é sobre Pan – olhei pra dentro da minha xícara, não queria ter que olha diretamente pra ele. Ele bebeu um pouco de chá e depois perguntou casualmente.

- Ela fez alguma coisa errada? - Balancei minha cabeça em negativa, talvez o único erro dela seja me tratar com tanto carinho. – então o que foi que ela fez? – Gohan parecia impacientar-se, o que é muito estranho nele. Então eu percebi que quanto mais eu prolongava essa conversa mais eu não sabia o que dizer, então bebi todo o conteúdo da xícara de uma vez enquanto juntava toda a minha coragem de novo.

- Ela disse que me ama, Gohan – eu percebi que ele queria rir, talvez ele achava aquilo infantil demais pra ser levado a sério, mas agora que tinha começado eu iria até o final – e eu descobri que também a amo! – pronto, eu tinha dito, agora era rezar e esperar pra ver o que acontecia.

- Você tem certeza do que está me dizendo? – ele devolveu a xícara ao pires e cravou seu olhar em mim – você esta dizendo que ama uma criança, se for uma brincadeira, eu vou logo te avisando que não estou gostando nem um pouco – eu já sabia, já esperava isso desde o começo, como eu poderia faze-lo entender?

- Sinto muito Gohan, mas não é uma brincadeira, eu estou falando sério. E tenho absoluta certeza do que estou dizendo – agora as palavras saem de minha boca sem esforço algum, elas fluem livremente.

- Como pode dizer que a ama? – eu nunca tinha visto Gohan fora de si antes, mas ao ouvi-lo gritar eu também sai de mim – ela só tem 5 anos!!

- Eu a amo Gohan! Sei que a amo desde o velório da minha mãe – minha voz saiu subida de tom, eu estava gritando também.

- Ela é uma criança Trunks, ainda não sabe o que é amar! – quando levantei meu rosto para encara-lo senti que algo úmido caia em minhas mãos, eu estava chorando, não sei quando comecei, mas também não me importa.

- Pra se amar não existe idade Gohan, apenas se ama e pronto – estou sério, meus olhos choram, mas meu rosto continua sério. Dizer que ela não sabe o que é amor é como dizer que ela não sabe sentir, e o amor é um sentimento tão puro que pra ele existir só é necessário um coração sincero.

- Trunks, eu te proíbo de vê-la! – ele não pode estar falando sério, ele não pode me afastar dela, não pode. Quero gritar com ele, mas minha voz se nega a sair, será que vou perde-la?

- NÃO PAPAI!! – o grito parte da escada. Minha pequena esta lá, ela esta chorando.Videl tenta leva-la para o quarto, mas Pan se segura fortemente no corrimão da escada.

- Pan...- seu nome sai da minha boca como um lamento. Ela esta tão triste, eu não quero vê-la assim.Gohan olha tudo espantado, escuto ele a mandar voltar para o quarto, mas ela se solta de Videl e vem correndo me abraçar.

- Não deixa ele fazer isso Trunks! – ela se agarra aos meus joelhos com força, de seus olhos escorrem lágrimas cada vez com mais intensidade.

- Você esta confundindo as coisas Trunks. O que ela sente por você é amor de criança, um amor infantil que pode mudar com o tempo – sentei no sofá e Pan sentou no meu colo. Ela disse em nítidas palavras, apesar do choro, que queria ficar comigo.

- Eu não estou confundindo nada Gohan, eu tenho absoluta certeza do que sinto por ela – me calei um momento e enxuguei os olhos de Pan – e não é por ser um amor de criança que ele deixa de ser verdadeiro! – ele ia dizer alguma coisa, mas Videl o chamou e eles foram conversar junto ao pé da escada - Não chore Panzy, nós vamos resolver isso – beijei sua testa e a abracei, ela descansou a cabeça no meu peito e fechou os olhos, eu enxuguei minhas próprias lágrimas e me pus a fazer carinho nos cabelos dela enquanto observava seu rosto sonolento, não levaria muito tempo até que ela adormecesse.

Quando Gohan voltou Pan já dormia tranqüilamente em meus braços. E enquanto ela dormia eu fiz a promessa.

- Trunks, você esta disposto a esperar? – eu não entendi suas palavras – O que eu quero saber é se esta disposto a esperar por ela. Eu continuo achando que isso é um amor infantil e passageiro, mas não tem como eu responder isso por ela. Então eu te proponho que esperemos até que ela tenha idade suficiente para responder por si mesma. O que me diz Trunks? Esta disposto a esperar 13 anos?- 13 anos, ele pediu que esperasse tanto tempo, ou aceito isso ou me afasto dela, minhas opções não são muitas.

- 13 anos. Depois desse tempo ela vai ter 18 anos – ele concordou com a cabeça. Ou é isso ou nada – depois disso eu posso casar com ela? – era melhor deixar claro minhas intenções, não queria que após tanto tempo de espera ele me negasse a mão dela.

- Se quando o dia chegar ela aceitar, vocês terão minha permissão – após tanta angustia eu finalmente pude sorrir – Trunks, só que não quero que você diga que a ama, eu quero que ela descubra as coisas de forma natural, caso contrário você pode influenciar em suas decisões. Você aceita?

- Aceito.

- Então é uma promessa feita de homem para homem – ele esticou a mão e eu a apertei.Até hoje eu não sei o que Videl disse pra ele, mas agradeço, por que sei que do contrário eu nunca teria conseguido convence-lo.

Como Pan dormia em meus braços eu fui deixa-la no quarto.Quando a coloquei na cama ela acordou. Seus olhos estavam preocupados.

- Você vai me deixar Trunks? – eu acariciei sua cabecinha e me ajoelhei ao lado de sua cama. Eu tinha feito um acordo com o pai dela, mas ainda faltava o mais importante que era ela própria.

- Claro que não – sorri pra ela - Panzy, você casa comigo quando for mais velha? – ela me olhou dubitativa.

- Não podemos casar agora? – eu dei algumas risadas, só ela pra me fazer rir num momento desses.

- Você ainda é muito pequena, vai ter que crescer muito até que possa se tornar minha esposa.

- Que tanto eu tenho que crescer? – como é detalhista e curiosa.

- Ate que seja do mesmo tamanho que eu! – sorri pra ela, mas lágrimas surgiram em seus olhos.

- Vai demorar muito! – ela me abraçou e chorou de encontro ao meu pescoço.

- Só um pouco. Vamos não chore.

- Vai demorar muito, quando eu tiver seu tamanho você não vai gostar mais de mim! – como eu não iria gostar? Ela esta com medo, assim como eu.

- Vou sim. Eu vou estar te esperando! – ela se separou de mim e enxugou os olhos.

- Você jura?

- Juro por essa aliança em meu dedo.Ela marca nosso compromisso, exatamente do mesmo jeito que a sua – eu apontei para o anelzinho no dedo dela.

- É uma promessa, né? – sorri pra ela. Puxei a coberta e lhe dei um beijo na testa.

- É uma promessa Panzy! – acariciei sua cabeça e apaguei a luz – Boa noite.

- Boa noite Trunks. Te amo!

- Também te amo pequena – fechei a porta e suspirei "também te amo"

Depois dessa noite tudo o que fiz foi esperar.

Abro meus olhos, nós já estamos chegando a corporação.Observo Pan ao meu lado, nossas mãos entrelaçadas.

- Panzy, acho que vou precisar me explicar para o seu pai – ela me olhou curiosa.

- Por que?

- É que eu devia ter esperado até você ter 18 anos pra dizer que te amo.

- Não se preocupe.Nós estamos juntos agora, e isso é o que importa.

Ela sorriu pra mim e esse foi um daqueles velhos sorrisos, foi um daqueles que vem do fundo do coração dela e isso me alegrou ainda mais. Meu sentimento não mudou nada depois que ela se abriu comigo, mas agora eu tenho absoluta certeza de que tudo vai estar bem.

Fim

Notas:

Nyaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa . ficou horrible!! Palmas para mim eu estraguei a Fic T-T ( Bulma chorando)

Espero que não me odeiem por isso nn

Bem.. esse capitulo ficou estranho. Era pra ter terminado na parte depois do beijo, mas como eu sou idiota ¬.¬' eu só fui perceber que não dava pra entender o que tinha acontecido entre o Trunks e o Gohan depois de ter terminado. O motivo dessa gafe é simples: sou eu que escrevo e como sei o que aconteceu eu não precisei ler essa parte pra entender.. . ai ai como eu sou anta ¬¬' mas o erro foi corrigido a tempo

Acho que é só isso.. já sabem Tomates e ovos podres para minha caixa de mensagem ..

Eu fiquei muito feliz com os comentários que recebi durante o tempo que levei para escrever essa Fanfic, quero que saibam que foram elas que me deram motivação para seguir em frente. Algumas pessoas disseram que ficou triste e que o Trunks só sofria e boa parte disso se deve ao fato de que eu escuto o CD Metropolis parte 2 do Dream Theather enquanto estou escrevendo. Não acho as músicas do CD triste, mas me é impossível escrever algo alegre quando o escuto.

Espero que a fic tenha sido de agrado de todos!

Agradeço a todos por terem lido! e Kaylla muito obrigada pelo comentario!!...

Ate a proxima