O MITO DO AMOR ETERNO

"Dizem que o amor consegue superar qualquer obstáculo. Neste"mito", ele superou até mesmo os limites celestiais... E infernais..."

Capítulo 1: O Começo

ERA MITOLOGICA

Todos os Deuses estavam animados: No amplo salão revestido do mais puro marfim branco, a festa parecia que não teria mais fim. Comemorava-se ali mais um aniversário da derrota que os Titãs, filhos da Terra, sofreram perante os deuses Olímpicos.

No meio do salão, as Graças dançavam ao som vindo das liras mágicas de Apolo e Hermes. Os Deuses viam o espetáculo quase extasiados. Dentre os Olímpicos convidados, três destacavam-se pelo porte e pelo poderosíssimo Cosmo que emanavam. Tratava-se dos irmãos Zeus, Posseidon e Hades.

- O Que está achando da festa, meu querido irmão Posseidon? – Pergunta o Rei do Olimpo.

- Se ate um funeral organizado pelas Graças se torna algo extremamente agradável ao olhar, o que eu poderia dizer de uma festa?! Nunca me diverti tanto como hoje. – Ele então olha para Hades, que apenas olha para o vazio - Mas eu acho que nosso frio irmão não esta se divertindo com esse magnífico baile.

Hades continua com o olhar vago, enquanto degusta vinho em uma taça ricamente ornada com pedras preciosas.

Naquele momento, o Senhor dos Mortos está sendo enxergado apenas por seus irmãos. Os outros Deuses não conseguem vê-lo, uma vez que ele está utilizando seu Elmo Mágico, que o torna invisível aos olhos mortais e imortais. - Pelo contrário, Posseidon, Estou alegre, afinal, essa comemoração marca a nossa vitória perante os Titãs.

- Mas já que se diz alegre com esse festejo, porque não mostra sua verdadeira face, irmão? – Zeus indaga.

- A morte tem várias faces, dizem os mortais. – Ele responde.

- Digas o que quiser, Hades – Posseidon interrompe – mas notei que, de uns tempos para cá, você nunca mais apareceu em público como realmente é. Quando não esta invisível, se mostra como um homem feio e coxo... Porque estas agindo assim? – O Senhor Dos Mares continua, enquanto mostra um leve sorriso de escárnio – Será que meu sombrio irmão tem medo que alguma Deusa se apaixone pelo seu magnífico porte? Ou será que você treme so em pensar em se casar?... Na minha opinião, acho que já está de o Senhor do Mundo dos Mortos Ter uma rainha...

- CHEGA!!!! – Hades fala, e parece estar furioso – Vejo que o vinho turbou completamente seu raciocínio, Posseidon!!!!

O Imperador dos Mortos se levanta do divã e sai do salão a passos firmes.

- Quantas vezes eu lhe falei para não tocar nesse assunto com Hades, Posseidon? – Zeus o repreende.

- Perdoe-me, meu irmão, grande Zeus – Responde Posseidon – mas eu acho extremamente estranha a aversão de nosso irmão ao casamento. Prece que ele gosta mais da etérea solidão do que a doce companhia de uma mulher...

Zeus nada responde. O Senhor do Olimpo sabe que Hades sempre foi reservado no que diz respeito ao amor. Até Athena, a belíssima Deusa da sabedoria, a quem Hades admirava e a colocava por sobre todas as outras imortais, não tinha despertado nele nenhum sentimento mais profundo. Mas o que nenhum dos Deuses sabiam, era que Hades estava usando todos os artifícios possíveis no intuito de se livrar dos braços lascivos de Afrodite, a magnífica Deusa do Amor, que apesar de ser casada com Hefestos, Deus Artífice, nunca negou seu amor pelo Deus do País dos Mortos.

Nos jardins do Palácio, ainda invisível, Hades tenta espairecer seus pensamentos. De repente ele sente um Cosmo totalmente desconhecido se aproximar. Sua respiração quase pára ao contemplar a dona de tão esplendoroso poder.

Uma jovem, de pele branca como o leite, encosta-se a uma coluna. Seus longos cabelos negros enfeitados com uma discreta tiara de ouro parece uma rica moldura para seu belíssimo rosto, colorido por dois languidos olhos verdes. A bela moça está vestida com uma túnica cor de rosa e usa jóias discretas. Ela parece estar entediada com a festa e assim quis o Destino que seu olhar, na realidade, fitasse os misteriosos olhos igualmente verdes do Imperador das Trevas, que por conta de sua invisibilidade, não estava sendo visto pela moça.

"Quem és, ó bela criatura?..." – Hades se indagava em pensamento e sem sombra de dúvida ficaria a contemplar a misteriosa deusa a durante toda a noite. Mas um terceiro personagem chega ao local.

- Finalmente eu a encontrei, bela Cora! – A voz grave e severa acaba por denunciar Ares, o Deus da Guerra – Por que se escondes de mim?!?

- Eu não estou me escondendo, Ares – Ela responde – Por favor, deixe-me sozinha.

- Como ousas me repudiar, Deusa? – Ares se aproxima e a pega pelo braço – Sabia que hoje tu estás mais bela do que a própria Afrodite?...

- Ares, solte-me, por favor!! – A voz da Deusa se altera, uma vez que ela notou que o Deus guerreiro esta totalmente embriagado.

- O que disse, mulher?!?... – Ele se encoleriza – Saibas que ninguém, nem Deusa nem mortal pode me repudiar! – Ele a agarra com mais força e a aperta contra a coluna – Grites o quanto quiser, Cora, filha de Deméter! Mas saiba que ninguém vai te escutar! Ninguém!!!!!

Ele a beija contra sua vontade e começa a descer os seus lábios pelo pescoço da jovem, que fica desesperada.

- Socorro!!! – Ela grita com bastante medo.

- Desista!!! – É a única palavra que Ares consegue proferir, pois sente que atrás dele, uma poderosíssima Cosmo-Energia começa a se elevar.

- Quem está... – Ares não tem nem tempo para se virar, pois uma grande esfera de energia de cor esverdeada o atinge, arremessando-o para o outro lado do jardim.

Como conseqüência dos vários tonéis de vinho que o Deus da Guerra havia ingerido naquela noite, ao cair, Ares acaba ficando inconsciente.

Hades, o autor do golpe, vai ate a direção de Cora, que estava ajoelhada de tanto terror. Ao se ajoelhar para ver se a jovem esta bem, ela começa a olhar para os lados e perguntar: - Quem está ai?!?... – Ela parece bastante desnorteada e surpresa.

Ele não responde. De repente, ela se põe de pé e seu rosto fica a poucos milímetros de distância do rosto de Hades. A proximidade é tanta, que ele sente a respiração rápida da jovem bater em seu rosto. O doce hálito exalado pela deusa parece embriagar.

"Que estranha sensação é essa??" – Hades se indaga novamente.

Quando ia dizer algo á jovem, uma outra moça se faz presente.

- Minha senhora?... Minha senhora?!... – Cianéia, dama de companhia de Cora, a procurava.

- Estou aqui, Cianéia! – Cora limpava as lágrimas rapidamente e se vira em direção à amiga.

Hades dá alguns passos para trás.

- Graças aos Deuses eu te encontrei! – Cianéia, que tem longos cabelos negros e lisos e olhos cor violeta a abraça – Se a grande Deméter me tivesse visto sem você, ela me precipitaria ao Tártaro!!

Cora sorri com a preocupação da amiga.

- Pronto, Cianéia, não se preocupe. Eu estou bem... Mas eu preciso saber quem é... – Cora volta a olhar para o vazio, mas acaba, mesmo sem saber, encarando Hades novamente.

- Não, minha senhora! – Cianéia a puxa pelo braço. – Sua mãe quer lhe ver agora mesmo! Vamos!

As duas jovens saem correndo em direção ao salão de festas, deixando Hades sozinho nos jardins.

- Cora, filha de Deméter... – Finalmente ele fala o nome dela.

Com o fim da festa, os Deuses que não têm morada no Olimpo voltam às suas Casas, espalhadas pelos Quatro Cantos da Terra. Por insistência de Zeus, Hades acaba ficando o resto da noite no Palácio Celestial.

No seu quarto, ele se prepara descansar um pouco. Retira seu Elmo Mágico e se torna visível novamente e, após um banho em uma fonte termal anexada em seu aposento, Hades veste uma túnica de linho branco, evidenciando ainda mais seu belo porte atlético. Ao se deitar, seus negros cabelos, que estão molhados, ensopam todo o travesseiro. Depois daquele incidente com Ares, ele não conseguiu mais ver Cora. A lembrança da deusa parecia martelar o seu pensamento constantemente.

Ele enfim cerra os olhos, mas não consegue dormir. Parecia ainda sentir o perfume vindo de Cora.

Repentinamente, a porta do quarto se abre. Ele continua com os olhos fechados, fingindo estar dormindo. Hades ouve passos se aproximando de sua cama. Os aguçados sentidos do Deus denotam se tratar de uma mulher.

"Será Cora?!?" – Ele pensa.

A Mulher senta na borda da cama e ele começa a ficar extasiado com a idéia de que a "intrusa" seja a bela Cora.

"Será que ela descobriu que eu estava nos Jardins naquela hora?!?"

Seus pensamentos turvaram ao sentir o delicado toque dos lábios da estranha em seus lábios. Ele corresponde ao delicado beijo, mas nota que os lábios que o tocava eram lascivos de mais para serem os de Cora. O deus abre os olhos e vê então Afrodite, que não tinha notado que ele a descobrira.

- O que fazes aqui?!?!... – Ele repentinamente se senta na cama e agarra a deusa pelo braço – E ainda por cima está nua!!

- Boa noite, Lorde Hades... – A magnífica deusa responde cinicamente.

- Sabes que eu não desejo me envolver contigo!! – Hades se levanta.

- Mas sei também que o desejo mais do que tudo, meu senhor. – Ela se levanta e o abraça por trás.

Ele se desvia mais uma vez de Afrodite. A Deusa dos amores se irrita.

- Conheces bem a minha história, Hades! Fui obrigada a me casar com Hefestos. Meu corpo pode estar impedido de amar, mas meu coração e espírito são livres!! – Ela fica frente a frente com ele, que não demonstra nenhum sinal de emoção. – E a minha alma elegeu você, meu querido... – Ela sorri de tal forma que deixaria qualquer Deus ou mortal aos seus pés. – Eu te amo Hades! Não há mais como negar esse sentimento!

- Mas eu não sinto nada por você, Vênus – O tom de voz de Hades é tão frio que chegaria a gelar a alma de qualquer um – Eu sinto pelo seu triste casamento, mas não serei eu que irá macular seu casamento com Hefestos – ele abre a porta do quarto – Retire-se daqui agora, Afrodite, ou eu mesmo irei contar ao seu marido sobre os seus assédios! Afrodite nada diz. Rapidamente ela pega sua túnica do chão e sai rapidamente do quarto de Hades em direção aos seus aposentos. Ao chegar no seu quarto, ela vê seu marido Hefestos dormindo pesadamente. Ao contrário de Hades que apenas se disfarçava, Hefestos é totalmente feio e de pernas tortas. Sem dúvidas, o mais feio dos Deuses do Olimpo. O olhar da deusa se enche de ódio. Com os dentes cerrados ela diz:

- Pelas Estrelas que iluminam o Firmamento noturno, eu juro que Hades, o Senhor do País dos Mortos, irá pagar por Ter desprezado todo o meu amor...! Eu me vingarei!!!

Antes do alvorecer da Aurora, Hades saiu do seu quarto em direção à coxia do palácio. Estava determinado a deixar o Palácio Olímpico o mais rápido possível. Chegando ao local, ele vê Ganimedes, o cocheiro real, ainda adormecido. O rapaz estava dormindo quase que sentado e com uma taça de vinho nas mãos.

- Acorde Ganimedes – diz Hades.

- Ahn... - o rapaz, que tentava colocar os seus pensamentos no lugar, nota que é Hades que está em sua frente.

- Meu Senhor! – ele se levanta sobressaltado – Em que posso ser útil?!

- Prepare o meu cavalo. Voltarei ao meu reino.

Logo que Ganimedes cela o animal, Hades parte em direção ao Mundo dos Mortos. Zeus que não sabia da repentina partida do irmão, passeia nos jardins do palácio, acompanhado de sua filha Athena.

- A festa de ontem estava maravilhosa, meu Pai! – diz Athena, que está vestida com uma túnica na cor azul-celeste – Pena que Hades não pôde ter comparecido a este magnífico banquete...

- Pelo contrário, minha querida filha. Hades não só veio, como também pernoitou no Palácio.

- Mas como eu não o vi?! – Athena está perplexa.

- Como de costume, ele apareceu invisível.

- Sei... – Athena toma um ar reflexivo – Tudo isso graças a Afrodite...

- O que disse, Athena? – Zeus pára de caminhar.

- Hades começou a ter esse tipo de atitude depois que Afrodite começou a se insinuar para ele. Não se lembra, meu Pai?

- Creio que pela primeira vez tenho que discordar de você, filha. Afrodite tomou uma postura correta e íntegra depois que ela se uniu em matrimônio com o meu filho Hefestos.

A conversa é interrompida com a chegada de Ganimedes.

- Bom dia meu Senhor, minha Senhora... – Ganimedes fala enquanto faz uma postura de reverência.

- Bom dia, Ganimedes – responde Athena com um sorriso doce – tens alguma boa nova já a estas horas?

- Sim... É que Lorde Hades já partiu rumo ao Mundo dos Mortos.

- Como é?! Hades já foi e nem me avisou?! – Zeus parece chateado com a atitude do irmão.

- Não fique chateado, Papai. Da mesma forma que o Senhor, seu irmão também possui um vasto reino a governar.

Zeus olha para a sua filha e dá um leve sorriso. Ele tem plena certeza de que é o Grande Rei dos Deuses, mas também sabe que por trás de todas as suas resoluções, estão presentes os sábios conselhos de sua filha Athena.

- Tens razão, Athena. – e caminhando em direção à Sala do Trono, continuou – temos um vasto reino para governar.

Planícies de Elêusis

Hades ainda estava na metade de sua trajetória rumo ao seu Palácio. Ao entrar em uma floresta em Elêusis, uma região predominantemente rural, ele ouve ruídos de risos. Ao apurar a sua audição, ele constata que se trata de duas moças. Rapidamente ele pára de cavalgar, coloca o seu elmo, ficando invisível e se aproxima. Quão enorme e agradável foi a sua surpresa, ao ver que as duas donzelas eram Cora e Cianéia.

- Então ele foi arremessado para o outro lado do jardim e ficou desacordado! Parecia um cão velho e doente! Ahahahahaha...

Cora conta o fato para Cianéia que está de olhos arregalados.

- E quem foi que poderia ter feito essa proeza contra o Deus da Guerra, lady Cora?

- Eu não sei. Você não me deixou ver quem era... ( ¬¬ )

- Mas é que eu estava cumprindo ordens, minha lady! ( )

Cora que estava sentada em um tronco caído abraça os joelhos e de forma como se estivesse fascinada, confessa:

- Eu daria a minha divindade para saber quem foi o meu herói...

Hades está a ponto de tirar seu elmo e se revelar para a princesa, quando é impedido por Cianéia.

- Vamos nos banhar no lago, minha lady – a ninfa puxa a Deusa pelo braço – a água está convidativa.

- Pode ir na frente, Cianéia. Prometo que logo irei!

Cianéia saiu correndo em direção a fonte, deixando Cora sozinha. A oportunidade perfeita para Hades.

- Bom dia, lady Cora...

- Quem está aí?! – a jovem se levanta e olha para todos os lados.

- O seu herói... – ele chega mais perto dela.

- ...meu herói...? – ela dá um sorriso.

Hades que preferiu continuar invisível, toca a delicada mão de Cora e dá um beijo. Ao sentir os lábios dele em contato com a sua mão, ela sente o seu corpo se estremecer por inteiro, pois nunca ela tinha sido tocada por nenhum homem mortal, ou por um Deus. Tentando disfarçar o seu rubor, a Deusa se retrata.

- Como ousas me tocar?! – ela retira sua mão das mãos do Imperador.

- Perdoe-me pelo atrevimento, minha lady.

- Estará perdoado se você sair desse estado invisível e se mostrar para mim! – ela fala como uma criança que tenha sido contrariada.

Hades sorri e fica surpreso com a própria reação, pois ele já tinha se esquecido quando foi a última vez que ele tinha dado um sorriso. Nesse momento, o deus toma uma atitude pouco condizente a sua personalidade.

- Prometo que farei o que me pedes, se concordares em passar o dia de hoje na minha companhia.

A deusa pára estupefata.

- Como eu posso ficar ao lado de alguém que eu nem posso v...

Um beijo cala definitivamente os seus lábios e os seus pensamentos se desfazem por completo. Cora sente um turbilhão de emoções passando rapidamente por todo o seu corpo e ela apenas fecha os olhos, numa entrega total e sincera. Aquele fora o seu primeiro beijo e aquele desconhecido começou a ser a partir daquele momento, o seu verdadeiro amor.

Hades jogou em Cianéia um pequeno encanto e a jovem dama de companhia adormeceu nas margens da fonte. Ele e Cora passaram todo aquele dia juntos, desfrutando da agradável e doce brisa vindos dos vales verdejantes de Elêusis. Cora parecia mais bela e feliz do que nunca e Hades parecia ter se esquecido de quem era e de suas responsabilidades. Para eles nada mais importava. Apenas a presença de um e outro. Porém, a noite chegou, despertando os enamorados dos seus doces sonhos...

- Selene já se faz presente nos céus – diz Cora, que contempla a Lua, aninhada nos braços do Imperador dos Mortos.

- Por favor, minha lady... Não me faças lembrar de que preciso ir... – Hades fala, enquanto acariciava o rosto da jovem.

- Então esqueça mais uma vez que precisas ir...

Ela fecha os olhos, o convidando para mais um beijo.

- Minha querida – Hades começou – teria coragem de deixar tudo o que tens para se casar comigo?

Cora ficou bastante surpresa com aquele pedido.

"Deixar Elêusis e a companhia de minha mãe?" – ela pensou. Mas qualquer rejeição àquele pedido já não tinha mais nenhum efeito. Seu coração já se inclinara totalmente perante aquele estranho.

- Bem... – ela começou – aceitarei se você cumprir o que me prometeu nesta manhã. Mostre-me a tua face.

Hades então cumpriu com a promessa. Ele retirou o elmo e se tornou visível novamente. Cora o contemplou maravilhada. Uma mecha negra do cabelo dele caía no seu rosto anguloso e másculo, escondendo uma parte dos seus olhos verde-claros. Ela nunca tinha visto durante toda a sua existência alguém tão belo quanto ele. Nem Apolo, o iluminado deus da juventude era tão imponente quanto aquele deus, que Cora até aquele momento não imaginava quem era.

- Não faz parte da promessa, mas é necessário que você saiba que Eu sou. – disse ele, que fez uma breve pausa e continuou - Eu sou Hades, o Imperador do Mundo das Sombras e irmão de Zeus.

O ar surpreso no rosto da jovem se tornou ainda maior.

- ...Hades...? – ela disse quase em um sussurro.

- Por isso, mais uma vez eu te pergunto. Aceitaria ser a minha Rainha?

Ele já estava se preparando para ouvir uma negativa de Cora, pois imaginava que uma deusa dos campos como ela jamais de filiaria a um deus tão como ele e principalmente, que estivesse disposta a deixar os verdes campos terrestres para viver em uma região desconhecida e temida por tantos. Porém...

- Eu o amo, meu Lorde. – ela se inclinou em reverência – Mas... Eu nunca mais verei a minha mãe?

Sem esperar aquela resposta e sem pensar duas vezes, fala:

- Você verá Deméter sempre que desejar.

Cora deu um largo sorriso e o abraçou, falando baixinho:

- Sim! Eu aceito ser a tua Rainha... Para sempre!

Hades a olhou maravilhado e abraçando a deusa, deu-lhe um doce beijo. A alegria de ambos era algo tão intenso, que não notaram que alguém, atrás de alguns arbustos, estava observando o casal.

Cora e Hades beijam-se novamente, quando finalmente Cianéia acorda do feitiço. E, ao que parece, ela despertou do feitiço por obra de outra divindade.

Cora, que até então se encontrava abraçada e trocando um longo beijo com Hades, sente uma energia conhecida para ela. Era sua mãe, Deméter, que acabara de chegar, querendo saber dela, onde estava.

Às margens do rio, Cianéia acorda e vê que quem está diante de si é ninguém menos que Deméter.

- Cianéia, posso saber onde está a minha filha Cora?... Você deveria ser sua dama de companhia e no entanto, estava ai dormindo às margens do rio!!

Amedrontada por algum possível castigo, Cianéia conta, entre pausas e olhares de medo, que Cora e ela estavam para ir ao rio, quando de repente ela caiu em um sono profundo sem mais nem menos. Só agora estava acordando.

Percebendo o medo da jovem dama de companhia de Cora, Deméter olha-a com ternura e diz:

- Acalme-se, menina!... Não te farei mal algum... Apenas quero saber da minha amada filha...

- Creio que ela esteja ainda onde a vi pela última vez, do outro lado do rio.

- Então irei procurá-la e você venha comigo.

Cianéia ainda se levantava para acompanhar a Deusa, quando Cora aparece... Sozinha. - Onde estavas, minha filha?!?!... Matou-me de preocupação!! – Disse Deméter abraçando a filha.

- Calma, mamãe, eu apenas fui dar um passeio...

- Certo... Um passeio?? E sem Cianéia?...

- Mas é que...

- Mas nada, vamos agora para o Palácio!! Vamos jantar e após você vai me contar exatamente o que ficou fazendo hoje o dia inteiro!!

- Sim, mãe... – Disse, com a cabeça baixa, em respeito á sua mãe.

Mais tarde, no Palácio de Deméter.

- Cora, venha comigo...- Disse Deméter com autoridade.

Cora seguiu a mãe até uma sala onde poderiam conversar.

- Sim, minha mãe...

- Quem é ele?...

- Ele?!?!... Do que está falando mamãe?... – Diz sentindo-se estranhamente ameaçada, pois não sabe como sua mãe veio a descobrir sobre o passeio que deu com seu "herói" da outra noite.

- Cora, você não é mais uma criança... E eu muito menos. Sei que este seu olhar vago só pode ser culpa de alguma nova travessura de Eros com você... Quero saber quem é ele?... Quem foi seu acompanhante neste passeio de hoje!!

- Mas mamãe, eu e ele... Nós... Ele não...

- Cora, pare de gaguejar... Diga o nome dele, apenas isso...

- Mas não vai me impedir de vê-lo novamente?...

- Impedir?... – a Deusa das colheitas da uma risada e olha ternamente para a filha – claro que não, Cora... Mas acho que, como sua mãe, tenho o direito de saber com quem tens andado...

Mais confiante, Cora volta a sorrir e respira aliviada. Ela então conta para a mãe sobre o seu amado.

- Mamãe, vou lhe contar então... Ele me salvou de Ares na festa ontem... Foi meu herói. Ele foi quem pôs Cianéia para dormir enquanto nós passávamos o dia juntos...

- Mas então este rapaz merece todos os meus louvores!! Eu sei que há muito Ares vem lhe assediando... E este jovem que lhe salvou estava na hora certa para lhe ajudar... Que ele seja abençoado!! Como ele se chama mesmo?...

- ... Hades... – Fala em tom baixíssimo na voz.

O olhar de Deméter se torna escuro, seu sorriso não mais existe. A Deusa ficara desnorteada ao ouvir tal nome ser pronunciado pela boca de sua filha. Justamente a quem sempre protegeu para jamais conhecer as coisas ruins da vida, como por exemplo, saber sobre o sombrio mundo de Hades e ele próprio. Ela não pode se quer pensar em tal possibilidade.

- O que disse, Cora?!?!?!...

- Hades, mamãe... Ele foi meu salvador...

- NÃO!!!!!!!!! Não pode ser!! Não!!!!

- Mas mamãe, ele foi tão bom e gentil, me tratou tão bem... Hoje nós... – Ela pára de falar antes de contar sobre o beijo que trocaram mais cedo.

- Vocês o que?!?!...

- Nós nos beijamos, mamãe...

Cora não precisa falar mais nada. O que disse até ali era mais do que suficiente para que Deméter desse sua última palavra sobre este relacionamento.

- Não o verá mais... Não será mais tocada por ele... Nunca mais, Cora, você me entendeu?!?!...

- Mas... – Cora vê o quanto sua mãe ficou furiosa ao saber de tudo e resolve não mais mexer neste assunto, ao menos por enquanto...- Sim, mamãe... Se for esta a sua vontade, assim eu o farei...

E a jovem retira-se para seu luxuoso quarto, deixando que suas lágrimas formem um caminho pelo chão até chegar à sua cama, onde se joga aos prantos.

Sozinha no salão, Deméter fala para si mesma:

- Cora, minha filha, é para seu próprio bem!! Nunca mais se aproximará daquele Deus!! Eu não sei do que seria capaz de fazer caso minha amada filha se unisse a este Deus, cujo rosto esconde de todos e cuja frieza congela até ao coração de nós imortais!! Fique longe dele, Cora...

Deméter seria realmente capaz de loucuras para manter sua filha longe de Hades. E ainda havia mais uma divindade capaz de qualquer coisa para ver Cora e Hades separados, já que tal relacionamento atrapalharia seus planos.

Mas este é apenas o início de uma longa e triste jornada do conturbado amor de Cora e Hades...

Continua

Notas da autora ou papo furado, se preferir:

Olá! Nossa, há quanto tempo eu não posto fic's! Mas é que a minha vida se normalizou apenas agora! Agora, eu prometo que não vou parar com as fic's por tanto tempo!

Apesar de ser o primeiro capítulo, eu já quero começar com os agradecimentos! E o primeiro vai para a grande escritora Luthy Lothlórien (minha irmã) que teve a paciência de digitar e de escrever alguns trechos desse primeiro capítulo !!! Muito obrigada mana! Você é 10!

Bem, agora falando dessa fic: A idéia para fazer essa fic foi é claro, o mito de Hades e Perséfone. Porém, eu quis dar um ar romântico à coisa, e por conta disso, discordâncias ao mito e adaptações aparecerão constantemente nessa fanfic. E é claro, como já puderam notar, os papéis estão um pouco trocados aqui, visto que, nessa Fic, o "herói" é o Hades.

Agora, eu espero a opinião de vocês através dos reviews, pois afinal, é de comentários que se vive um ficwriter!

Até a próxima!

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