O MITO DO AMOR ETERNO

Não existe um fim

Logo que chega em seu quarto, a deusa corre em direção a um espelho, dando logo em seguida um longo suspiro de alívio, pois havia constatado que seu rosto continuou inalterado no reflexo do espelho. Rindo descontraidamente, ela se dirige, dançando de alegria, até uma pequena fonte. Porém...

"NÃO!" – a deusa esconde seu rosto de si mesma, pois a água da fonte refletiu nitidamente o que os deuses viram naquele momento.

"Ora, ora... Por que tanto pavor, amada dos imortais?" – uma voz grenha faz com que Afrodite virasse rapidamente para uma das inúmeras janelas do quarto. Sentada no parapeito da janela, Éris, a mesquinha deusa da discórdia, ria da cena enquanto acariciava uma enorme serpente naja que está enrolada em seu fino pescoço. – "Oh! Por favor, não me olhe! Tenho medo de ficar com a minha beleza tão enegrecida como a sua!" – e finalizou com uma histérica gargalhada.

"Saia daqui!" – Afrodite gritou desesperada. – "Até você tem agora um rosto mais belo do que o meu! Saia daqui e me deixe sofrer sozinha!"

"Afrodite, Afrodite..." – Éris desce do parapeito. – "A deusa do amor que não conseguiu controlar o amor que como uma erva daninha, arrasou todo o seu coração, deixando sua alma virar um poço imundo de rancor e vingança..."

"Chega Éris..." – Afrodite suplicava. – "Deixe-me em paz..."

A deusa da discórdia se aproximou de Afrodite e com certo ar de piedade e alegria, começou a acariciar os longos cabelos de Vênus. – Tu que sempre me esnobou é agora, alvo da minha piedade. – Éris disse misteriosamente.

"..." – Afrodite não responde, tal é o seu sofrimento naquele momento, mas as últimas palavras da Discórdia sem dúvida atiçaram a sua curiosidade e ainda com o rosto parcialmente coberto pelas pequenas mãos, ela ergue a cabeça, pronta a ouvir o que Éris tinha a dizer.

"Afrodite. Eu lhe ofereço a sublime vingança, se em troca me ofereceres o símbolo maior de sua beleza e sensualidade." – Éris diz pausadamente.

"O meu cinturão!" – Afrodite indaga abismada, mas percebe que este acessório não seria mais útil a ela. – "Mas por que me ofereces tal chance de vingança?..." – agora, a voz da deusa do amor se tornou mais fixa, parecendo que sua dona conseguiu erguer novamente, o seu ar imperativo.

"Por um motivo muito simples, Citeréia." – Éris responde com um sorriso regozijante nos lábios. – "Eu odeio Athena e você odeia a Hades agora... Ou será que ainda ama aquele que a fez perder o posto de 'mais bela'"?

"Eu o odeio!" – Afrodite responde sem pensar duas vezes.

"Então?" – Éris pergunta alegremente. – "O que estás a esperar? Apenas peço que aceite meus serviços em troca do seu magnífico cinturão e verás brevemente a ruína completa do deus dos mortos!"

Sem falar mais nada, Afrodite se aproxima de um pequeno criado-mudo, retirando de l�, um espelho com hastes douradas e com tristeza, mais uma vez contempla o seu rosto que naquele objeto, refletia uma beleza não mais vista por nenhum ser vivo sequer. Pelo mesmo espelho, a deusa vê o sorriso mesquinho da deusa da discórdia e com um olhar repleto de vingança, diz. – "Dou-te autorização para em meu nome, vingar a todos que fizeram este terrível mal a mim. Terás tua recompensa, mas antes, quero ver o meu desejo recompensado."

E com uma gargalhada grenha e odiosa, a Discórdia sela o maligno acordo com Afrodite que a partir desse dia, partiu para um templo na remota ilha de Chipre, não mais aparecendo em público.

Algum tempo depois, no Mundo dos Vivos...

Em uma belíssima casa de campo nos arredores de Atenas, dois homens discutem entre si. As vozes ficam mais altas a cada minuto.

"Isso é loucura!"

"Não é loucura! É amor! Eu a amo desesperadamente, será que não entende!"

"Maldita hora que eu selei esse acordo com você! Se ao menos tivesse passado por minha mente que a mulher que desejarias era ela, eu jamais teria selado tão louco juramento..."

"Você não pode voltar atrás Theseu! Eu o ajudei no rapto de sua adorada princesa Helena! Agora terá que me auxiliar nesse intento!"

"Mas Piritos!" – o herói Theseu, agora rei de Atenas, tenta persuadir o seu amigo, o também valente guerreiro Piritos. – "Você tinha que se apaixonar justamente pela deusa Perséfone! Com tantas mulheres belas nesse mundo, você tinha justamente que escolher para si a esposa do deus dos mortos!"

"Ah, meu amigo!" – Piritos diz com um brilho desvairado no olhar. – "Nem a mais bela ninfa seria capaz de fazer meu coração se curvar da forma de como a magnífica deusa Cora o fez... Ainda me lembro como se fosse agora... Eu ainda um menino em seus oito anos, tentando dar os primeiros passos como caçador, na floresta de Elêusis e então, a vi... Bela, inocente, perfeita... Estava dançando ao som dos pássaros, completamente despreocupada. A princípio, pensei que se tratava de uma ninfa, mas depois, eu ouvi uma outra voz a chamando... 'Cora! Cora! Cora minha filha, venha!' E com certo desespero, vi a fada se afastar de mim, indo ao encontro de uma outra mulher, não menos magnífica e finalmente, desapareceu na bruma da floresta. Infinitas vezes fui até a floresta, na esperança de vê-la dançando entre as flores novamente... Mas eu não a vi... E minha vida tem se acabado a cada dia por conta desse amor desvairado..." – e notando que o semblante do amigo demonstrava que os argumentos o estavam vencendo, Piritos continuou. – "Sei que isso parece loucura, mas tenho fé nos deuses que minha idéia pode dar certo! Afinal, não é segredo para ninguém que ela se casou a força com o terrível Hades, pois ele a raptou sem piedade alguma!"

"Piritos..." – Theseu começa. – "Continuo a dizer que tu és um louco... Mas a tua inspiração me fez ceder... Irei contigo até o Reino dos Espíritos e que Afrodite tome a nossa frente."

"Muito obrigado amigo..." – Piritos diz com sinceridade.

Após algum tempo, a tranqüilidade parecia ter voltado a reinar novamente no Mundo das Sombras. Hades já suspirava mais aliviado, pois a pertinente tristeza que povoava o belo rosto de sua esposa, já tinha se esvaído mais e agora, ela voltava a ter os seus passeios pelos vales cristalinos dos Elíseos. Em um desses passeios diários, Cora, que colhia flores, distraída estava acompanhada por Cianéia.

"O que irá fazer com tantas flores, lady Cora?" – Cianéia perguntava curiosa.

"Irei usá-las para enfeitar o quarto de Nix." – ela responde sorridente. – "Afinal, é o mínimo que posso fazer por ela que tanto fez por mim."

"Mas garanto que o seu sorriso já é a mais cara retribuição para os esforços de lady Nix!" – Cianéia retruca feliz por ver a felicidade no rosto de sua senhora.

Nesse exato momento, as duas param com o diálogo, pois ouvem ao longe, o som de trote de cavalo.

"Será meu marido!" – Cora pergunta feliz.

"Mas lorde Hades saiu há pouco tempo para o Palácio de Zeus. Acho que ele não voltaria tão rápido assim..." – Cianéia responde um tanto ressabiada.

"Vamos ver então!"

E dando uma pequena corrida, as duas graciosas criaturas sobem uma pequena elevação na planície, a fim de poderem contemplar melhor quem poderia ser. Logo, os semblantes das duas tomam um ar de curiosidade, pois seus olhos mostram dois homens trotando rapidamente e com grande ímpeto, estavam começando a subir na mesma elevação que as duas se encontravam.

"Quem são eles?" – Cianéia pergunta um tanto desconfiada.

"Talvez sejam almas de guerreiros que morreram em plena batalha e que agora podem desfrutar dos Elíseos..." – Cora diz, esticando um pouco o pescoço para reconhecê-los melhor.

Mas perceberam que não poderiam ser almas em busca do descanso, pois assim que eles avistaram a deusa e a ninfa, deram mais impulso aos cavalos e um deles, olhava para Perséfone de um jeito diferente... Um olhar desvairado.

"Lady, vamos fugir!" – Cianéia disse, puxando Cora pelo braço.

"Não precisa temer Cianéia! Não estamos mais no Mundo dos Vivos! Esse Reino é seguro!" – Cora dizia com uma ponta de autoridade na voz.

"Mas lady Cora..."

"Deusa Cora!" – a voz do homem que a olhava fez a deusa olhar para sua direção novamente.

As palavras que talvez Cora proferissem não saíram sequer de seus pensamentos, pois com um movimento rápido e calculado, Piritos tomou Perséfone pela cintura, a colocando com agilidade ao seu lado, enquanto o cavalo dava meia-volta. Cianéia ainda tentou intervir, mas um golpe em sua cabeça dada por Theseu a fez perder os sentidos e cair na verde grama. Theseu também deu meia-volta e com uma velocidade ainda maior, começaram a cavalgar rumo ao portal que separava os Campos Elíseos do resto do Inferno.

"Cianéia!" – Cora gritou desesperada ao ver a amiga estendida no chão.

"Ela estará bem, minha amada deusa!" – Piritos disse com um amor incontrolável na voz.

"Não se preocupe pela vida de sua amiga, deusa! Afinal, ela já está morta!" – Theseu não desperdiçou a oportunidade para fazer uma de suas piadas de mau gosto.

"O que estão fazendo! Parem com essa loucura j�!" – Perséfone implorava.

"Só pararei com isso, quando a ter em meus braços e livre desse odioso marido que tens, deusa!" – Piritos diz bem próximo ao ouvido de Cora, fazendo a deusa gelar por um breve momento.

Enquanto se aproximavam do portal, Nix aparece ao lado de seus filhos Hypnos e Thanatos, ao lado de Cianéia que ainda está desacordada.

"Cianéia? Menina, acorde. O que aconteceu?" – Nix pergunta, enquanto toca a jovem fazendo com que ela se levantasse abruptamente.

"Raptaram! Eles a raptaram!"

"Quem raptou quem?" – Thanatos perguntava com desdém.

"Lady Cora! Dois homens levaram lady Cora!"

Os três deuses se espantaram.

"Homens!" – Hypnos indagou com surpresa.

"Sim!" – Cianéia respondia enquanto se levantava um tanto cambaleante.

"Malditos mortais!" – Thanatos resmungava enquanto fechava os punhos. – "Pensam que aqui é o Reino dos Vivos onde podem fazer o que acharem melhor! Eu os punirei imediatamente..."

"Chega Thanatos." – Nix fala tranquilamente. – "A devida punição que esses dois homens merecem, acabou de retornar."

A menos de vinte metros do portal, os dois guerreiros começavam a sorrir pelo intento bem realizado. Jamais eles imaginaram que o Reino de Hades fosse tão mal guardado, a ponto de sua rainha ficar desprotegida daquela maneira. Mas o que eles menos imaginaram naquele momento, aconteceu. De repente, como que nascido do Éter, surge na entrada do portal, um belo e forte corcel negro cavalgando a uma velocidade impressionante, indo de encontro a eles. Apesar do choque inicial, eles não pararam de cavalgar e notaram que o cavalo sem cavaleiro se aproximava mais e mais, sem parar.

"Que maldição será aquilo!" – Piritos pergunta intrigado.

"..." – Theseu não responde, mas sente que aquilo não era um bom sinal.

No exato instante que o cavalo negro passava por eles, Theseu olha para a sela vazia do animal e no segundo seguinte, vê com enorme espanto, que alguém está guiando o cavalo. O olhar frio e instigador do cavaleiro fazem com que o herói de tantos feitos sentisse sua espinha gelar por completo. Antes mesmo de dar um grito de pavor, Theseu sente que seu corpo é projetado com força no chão, devido a um potente soco. Rapidamente, o cavalo dá meia-volta e parte a alta velocidade, rumo a Piritos que está com Cora ainda nos braços e que ainda não tinha notado o que tinha acontecido ao seu amigo.

"Consegui!" – Piritos grita de emoção, apertando contra si, o corpo macio da deusa.

"Por favor, pare com isso!" – Cora diz lívida de susto.

Quando o portal se encontrava a menos de cinco metros de distância, Piritos sente que o estranho cavalo que tinha passado por ele há segundos atrás, parecia está bem atrás dele. Ao virar rapidamente a cabeça para ver melhor, ele também toma um grande susto e grita.

"Não! Não a tomará de mim agora!" – o homem grita desesperado.

O corcel negro consegue nesse instante, emparelhar com o cavalo de Piritos e o cavaleiro oferece à deusa, a sua mão que imediatamente, é tomada pelas duas mãos da jovem. Piritos não tem mais forças para conter Cora em seus braços, pois este sente que todos os músculos de seu corpo não mais o obedecem. Logo que Perséfone é amparada pelos braços do outro, Piritos apenas tem como uma última visão, uma pequena esfera esverdeada se formar entre eles dois e em menos de um segundo depois, ele não sente e nem vê mais nada.

Com um simples movimento de mão, o portal dos Elíseos se fecha, fazendo com que o potente corcel levante as duas patas dianteiras, dando um relincho como que satisfeito pelo serviço bem executado. Cora ainda um pouco assustada, olha para aquele que a salvou daquela empresa louca.

"Obrigada..." – ela diz com uma imensa gratidão.

"Perdoe-me por ter deixado que se assustasse assim, minha deusa." – Hades, que era o cavaleiro, diz com uma voz terna.

"..." – ela nada diz, pois sente que seu rosto é tocado pelos dedos frios do deus e que sua cabeça é "encaixada" na curva do pescoço do cavaleiro, que a beija na testa, mantendo ainda a mesma carícia no rosto perfeito da jovem.

"Não aparecestes em hora mais perfeita!" – a feminina voz de Nix faz com que ambos a olhassem. A deusa da noite está acompanhada de seus filhos e de Cianéia, todos montados em cavalos.

"Cianéia! Graças aos deuses você está bem!" – Cora diz aliviada.

"Lady Cora! Graças a Athena que a senhora está bem!" – Cianéia replica também aliviada.

Logo, Perséfone se vira para Hades que está por sua vez, a olhar com frieza para os servos Thanatos e Hypnos. – "Eles dois morreram...?"

"Não. Não permiti tal bênção para esses dois." – e voltando o olhar para os deuses gêmeos, diz com sua frieza costumeira. – "Agora, tomem de conta desses dois seres indignos. Joguem o herói no Tártaro e a esse outro louco, creio que se tornará um belo adorno para a entrada do Palácio. Que esse homem sirva de exemplo para que todo aquele que pensar em digladiar contra os deuses, pense mil vezes antes de fazê-lo."

E com um trote tranqüilo, todos os deuses voltam ao Palácio, como se nada de maior tivesse acontecido. Sabe-se, porém, que Hércules, o herói de grandes feitos, livrou Theseu de seu castigo eterno, mas ao pobre Piritos em sua paixão desvairada, coube continuar a adornar o portão de entrada para o Palácio do deus dos mortos até os dias inconcebíveis.

Mais algum tempo se passou e mais uma vez, o Olimpo abriu seus dourados portões, a fim de receber os imortais para mais um festim memorável. Mas nessa festa, Afrodite não se fez presente. Preferiu ficar longe do Palácio, ainda em seu exílio em Chipre. Quanto aos deuses governantes do Reino dos Mortos, todos sem exceção, compareceram ao evento que Zeus promovia.

"É muito bom vê-lo novamente aqui meu irmão." – Zeus diz com satisfação ao ver Hades acompanhado de Cora.

"Não poderia recusar um convite feito por você. E Cora também precisava sair do meu Reino para respirar um pouco de ar puro." – ele responde enquanto olha ternamente para a esposa que sorri um tanto envergonhada.

"Eu fico muito feliz em vê-la, minha filha..." – Zeus diz com um carinho muito grande no olhar. Depois que descobriu que era o pai de Cora e dadas a circunstâncias, o rei dos deuses preferiu não revelar tal fato a filha, deixando assim que ela ainda o tratasse como sempre.

"A honra é toda minha, meu Imperador. Mas... Onde está Athena?"

"Aqui querida amiga." – a deusa da sabedoria aparece por detrás de seu pai, esplendidamente vestida em uma longa túnica azulada. – "Faço minhas as palavras de meu pai. Sejam bem vindos mais uma vez."

E sem preocupações aparentes, a festa prosseguia enquanto os deuses animadamente conversavam entre si. Várias ninfas corriam de um lado para outro, preocupadas em servir os mais variados tipos de iguarias aos senhores da festa. Uma delas, uma atraente jovem de cabelos castanhos e volumosos, se aproximou de Athena com uma bandeja lotada de cálices transbordantes de néctar.

"Meus senhores..." – a jovem interrompeu com exagerada reverência.

Logo, Zeus pega dois cálices, oferecendo-os para Hades e Athena. – "Um brinde à eternidade!" – e assim, os três deuses ingerem o líquido amarelado. Ao observar a cena, a jovem serva sai a passos rápidos para o jardim central do Palácio Celestial. Dado as circunstâncias, ninguém notou que um sorriso malicioso formava-se nos lábios dela. Um sorriso pleno de vingança e discórdia.

"Nosso grande rei!" – dois jovens de aparência bela e portando armaduras prateadas se aproximam de Zeus, ajoelhando-se. – "Virmos agora que um grupo de humanos está tentando escalar o Monte Olimpo. Cremos que a pretensão deles é alcançarem o Palácio Celestial."

"Humanos?" – Zeus indaga com certa irritação em sua voz. Era do conhecimento de todos os deuses que a raça humana nunca foi bem vista pelos três irmãos Zeus, Posseidon e Hades e que a cada tentativa audaciosa que os humanos faziam para se compararem a eles, uma severa punição era a resposta alcançada pelos pobres mortais.

"Leve-me para o local onde avistaram esses homens, Odysseus. Se pretenderem chegar a algum lugar desconhecido, os levarei para o inferno de gelo eterno." – Hades ordena com tranqüilidade.

Cora encara o marido com uma indisfarçada tristeza. Ao contrário dos três irmãos, ela jamais deixou de amar a raça humana. Prova disso, foi ter aceitado Cianéia como sua dama de companhia e posteriormente, sua melhor amiga. Mas naquele momento, não é só Perséfone que demonstra insatisfação com a situação.

"Não Hades." – Athena se sobrepõe imediatamente. – "Não permitirei que manches a festa de hoje com sangue mortal. Deixem que subam, pois todos nós sabemos que por mais que tentem, eles nunca acharão a entrada para o Reino das Nuvens."

"Pallas e sua grande paixão pela raça inferior. Quando irá perceber em toda sua 'grande sabedoria', que eles apenas têm como convicção em suas vidas medíocres, a igualação com os deuses?" – Hades retruca e todos notam que o deus da morte está naquele momento, fora de sua costumeira frieza, pois as palavras saem de sua boca com certa grosseria.

"Sim, eu os amo!" – Athena também parece está fora de seu aspecto normal. – "E sei que alguns humanos têm o objetivo de nos destruir. Mas todos nós temos certeza de que isso é quase impossível e que os humanos que pensam assim não passam da minoria."

"Vai concordar com as asneiras de sua filha, Zeus!" – dessa vez, Hades perde a paciência. – "Pois se acaso concordar, eu irei executar esses invasores com minhas próprias mãos!"

"Hades, acalme-se!" – Zeus interpõe. – "Concordo com minha filha. Apesar de tudo, os humanos não passam disso: humanos. Nós os governamos e eles por mais que tentem, nunca passarão de uma raça inferior aos imortais."

Ignorando completamente as palavras do irmão, Hades começa a caminhar rapidamente em direção ao portal principal do Palácio, completamente insensível aos apelos de seu irmão e de sua esposa. Durante esse percurso, sua mão direita não abandona o cabo de sua espada de forma alguma. Athena nada diz, mas segue Hades com um semblante sério e compenetrado. Os outros deuses que estavam presentes na festa resolveram segui-los também.

Chegando ao portal escondido por perpétuas nuvens, o senhor da morte abaixa a cabeça, como se procurando por entre as nuvens algum sinal dos humanos invasores. Seus olhos por um breve momento parecem perdidos ante as espessas nuvens brancas, mas logo, ouve-se o som de espada desembainhada. O Imperador dos Mortos já havia identificado o local que os pobres homens estavam.

"Morram..." – Hades murmura com incontida e diferente alegria. Mas o que nenhum dos presentes esperava, aconteceu.

"Se ousar banhar a sua espada com o sangue dos mortais, eu banharei a minha espada com o seu sangue, Imperador do Tártaro..." – Athena diz tais palavras, enquanto segurava firme uma espada de cabo dourado, fazendo com que sua lâmina ficasse firme na pele que cobria o pescoço de Hades.

O olhar de Hades rapidamente sai do alvo pretendido, parando nos olhos azulados de sua desafiadora. Com uma velocidade ainda maior, a ponta da lâmina de sua espada encosta com firmeza no pescoço dela também. Todos os deuses que presenciavam a cena ficaram estupefatos, pois nunca haviam visto Hades e Athena naquele estado de ira. Dentre todos, Cora era sem dúvida a mais preocupada e assustada.

"Imperador, não cometa nenhum ato impensado." – Nix diz com grande preocupação.

"Athena, por favor, pare com essa discussão sem fundamento algum." – Ártemis apelava para a sua irmã também.

Mas nenhum dos dois cedia. Os olhares que ambos cruzavam pareciam a cada momento, ainda mais carregados de ódio e despeito um pelo outro. Parecia até que no momento seguinte, a cabeça de algum deles poderia sair rolando pelo piso branco. Porém, uma mão delicada e inexperiente em batalhas, fez com que Hades baixasse sua guarda. Era Perséfone que ao se aproximar de Hades, tocou-lhe delicadamente no seu braço, fazendo com que ele virasse o rosto para ela e por um breve momento, lembrou-se que deveria respeitar a presença dela acima de tudo.

"Athena. Agradeça a Cora por sua existência ter sido poupada hoje. Mas saiba que essa pausa que hoje aconteceu não se repetirá novamente." – Hades diz com um tom de voz grave e severo.

"Hades. Peça ao Destino para que nossos olhares não se cruzem novamente ou do contrário, eu selarei a sua alma para todo o sempre." – Athena declama com uma voz carregada e sombria.

Sem dizer nenhuma palavra, Hades abaixou sua espada e com a outra mão, tomou a mão trêmula de sua esposa. Mesmo que mentalmente, o casal tinha decidido a sair daquele Palácio. Eles abrem o caminho por entre os convidados de Zeus que ainda estupefatos, os olhavam. Dentre os curiosos, a ninfa que há momentos atrás havia servido néctar a eles, sorri tal como uma criança perversa que tenha acabado de ver sua travessura dar certo. Prontamente, Ganimedes aprontou a carruagem do Imperador e rapidamente, a carro negro cruzou os portões dourados rumo ao Mundo das Sombras.

Em seu exílio na ilha de Chipre, Afrodite que coberta em um obscuro manto negro, ouviu maravilhada dos lábios de Éris, a forma de como o plano de vingança havia sido executado. Éris lhe contou com prazer que sob o disfarce de uma ninfa, colocou na bebida de Hades e Athena, algumas gotas de um veneno extraído das presas de uma serpente muito rara que cujo resultado, seria o nascimento de um sentimento negro de discórdia perpétua entre aqueles que ingeriram tal veneno. A alegria de Afrodite teria sido bem maior, se não tivesse escutado que a tragédia pela qual as duas estavam esperando, havia sido interrompida pela intervenção de Cora. E como foi previamente combinado, a deusa da beleza cedeu seu cinturão a deus da discórdia.

Desde aquele dia, as diferenças entre Hades e Athena cresceram cada vez mais, como uma planta regada todo dia. Realmente, seus olhares nunca mais se cruzaram, porém, começava a se tornar comum os embates ocorridos entre os guerreiros de Hades e os cavaleiros de Athena. O estopim dessa guerra silenciosa ocorreu, quando Zeus – observando que já era o momento para que os deuses retornassem aos domínios celestiais, deixando assim o planeta de uma vez - nomeou Athena, para ser a guardiã perpétua da Terra.

E foi assim, que a primeira Guerra Santa, foi declarada.

...x...x...x...

"Hades! Hades!" – a desesperada voz de Perséfone cortava o ar frio do Palácio dos Mortos. Com passos apressados, a deusa chega até a Sala de Guerra, onde Hades olhava compenetrado alguns pergaminhos que continham algumas instruções referentes ao primeiro grande ataque contra o Santuário de Athena. Mesmo sentindo a presença da esposa, o deus continua concentrado em seu trabalho.

"Então o que Nix me falou é verdade. Vai mesmo proclamar esta guerra contra Athena..." – Cora diz anestesiada. Seu corpo todo tremia de medo e tristeza, mas a deusa fechava com força seus punhos, para que Hades não percebesse o seu estado.

"A guerra já está proclamada." – Hades responde, dirigindo seu olhar para o de sua mulher. – "O que Zeus cometeu foi uma loucura. Athena jamais será a regente do mundo dos homens."

"O que você está cometendo isso sim é uma loucura!" – Cora diz agitada, enquanto caminhava até Hades que se levantava. – "A última vez que os deuses se digladiaram entre si, acarretou na completa destruição do Reino de Chronos. Não entendes que ao enfrentar Athena e sua ordem de guerreiros, poderá atrair como conseqüência a destruição desse Reino! Tudo o que você construiu durante toda a sua existência poderá acabar em questão de momentos! Hades, não pode..."

A deusa é calada com um abraço do deus. Ao sentir os braços fortes dele enlaçarem suas costas, - mostrando o quão pequeno era o corpo de Cora se comparado ao porte físico de Hades – a deusa estremeceu e sentiu que todo aquele discurso tão exaustivamente ensaiado, não foi o suficiente para aplacar o ímpeto de guerra do Imperador dos Mortos e o pior: que o seu desejo de viverem em paz para o resto da eternidade talvez não passasse mais de uma utopia. Cora mentalmente se praguejou naquele momento por ser tão fraca. Queria ser forte como Athena ou Ártemis para poder impedir seu marido, mas isso também era algo utópico para ela. Então, como única forma de poder exprimir tudo o que ela estava sentindo naquele momento, as lágrimas puras e sentidas rolaram pela sua pálida face.

"Por que... Por que não me ouves...?" – Cora indagava baixinho. – "Não compreendes que meu maior medo se encontra no pesadelo de te perder? Será que não percebes que eu tenho medo de viver uma eternidade sem você ao meu lado?"

"Cora." – Hades pronuncia o nome de sua deusa como se este fosse um cristal frágil. – "O presente sombrio que estamos atravessando será o acesso para um futuro dourado. Por isso, peço-lhe que não tema o que já está predestinado. Você será não apenas a rainha deste mundo, mas será também a senhora da Terra que tanto ama e preza. Não tema. Apenas espere a vitória com paciência."

"Hades..." – ela balbucia seu nome enquanto levantava o pequeno rosto em direção ao rosto de Hades. Sua surpresa foi imensurável ao ver que os lábios finos de Hades formavam um sorriso terno e pleno de confiança. Também começou a sentir que o cosmo cálido do deus a abraçava, parecendo até que tal poder penetrava a fundo em sua alma ferida. E por fim, o deus se aproximou dela, dizendo:

"Minha deusa." – ele diz baixinho no ouvido de Cora, enquanto uma de suas mãos enlaçava a mão direita dela. – "Diga neste momento apenas o que minha alma anseia ouvir..."

"Amo-te. É o meu início e fim, minha vida, força e divindade... É meu rei e meu senhor... Meu amor... O amo mais que tudo, Hades..."

Talvez aquele desabafo amoroso durasse mais tempo, mas Hades não permitiu. Seus lábios buscaram com fulgor os de Cora e ele a beijou com todo o amor, com todo o ímpeto, com toda a saudade que sem dúvida ele sentiria dela a partir daquele momento, pois sem que Cora percebesse, Hades injetou em sua alma através daquele beijo, um encantamento, que consistia em fazer que a alma de sua amada deusa, adormecesse por um tempo aproximado da eternidade.

Por sua vez, Cora sentiu que seu corpo não obedecia mais aos seus comandos à medida que o beijo se aprofundava. Mas isso não a amedrontava, pelo contrário: a fazia se sentir ainda mais protegida e amada. Ela apenas queria que aquele momento de torpor não acabasse nunca mais e com um último esforço, abriu seus olhos torpes e se viu dentro daquele olhar tão gelado e temido por tantos. Viu-se dentro dos olhos de Hades. Viu-se dentro de um leito de um rio calmo e eterno.

Com cuidado, o deus a colocou em seus braços, fazendo com que a cabeça de Cora pendesse molemente em seu peito. Com um olhar completamente perdido no rosto de sua amada rainha, os lábios do deus começam a proferir o resto do encantamento em um tom baixo e carregado de muita saudade:

"Minha amada... Que este selo que agora coloquei em sua alma, jamais seja retirado por nenhuma mão impura e má. Que a partir de agora, apenas sonhe com os campos primaveris e que neles, viva despreocupadamente como uma criança. Que acordes apenas no dia que seja selado finalmente, o real vencedor desta longa batalha que eu travarei contra a deusa da guerra. Durma meu amor, minha deusa... E que em seus sonhos, eu possa ser o teu fiel companheiro..."

E assim, ele sai do Palácio com ela adormecida, indo até o outro extremo dos Campos Elíseos. O destino era um pequeno Templo dedicado à deusa e l�, Hades cerrou o corpo de Cora em uma urna de cristal, sustentada por dois pequenos pilares de ouro. Como um último ato de amor, o deus depositou em cima da tampa do caixão de cristal, uma pequena flor. Um lírio branco selvagem.

...x...x...x...

Em seu templo localizado na ilha de Chipre, Afrodite estava sozinha, nos jardins que um dia, foram o abrigo daquela que era a mais bela de todos os imortais. Mas hoje, não só o jardim, mas como todo o templo, estava abandonado. Seus seguidores não acreditavam mais no poder daquela a quem antes, veneravam com fervor. Agora, outros deuses diferentes se faziam presentes na mente e no coração dos homens mortais.

E adentrando a este pequeno recinto, uma outra mulher vestindo uma longa capa negra que o vento outonal fazia esvoaçar com violência, se aproxima da deusa do amor que por está tão quieta, parece apenas uma estátua de pedra. Ao se sentar do lado de Afrodite, a estranha retira o capuz, revelando-se Nix.

"Deusa da noite?" – Afrodite move os lábios com surpresa.

"Sim." – Nix responde. Após alguns momentos de silêncio, a deusa da noite resolve perguntar. – "Não irá para os Reinos Celestiais como os outros deuses?"

"Não." – Afrodite responde urgentemente. – "Não sou mais bem vinda no seio divino. Ficarei nesta terra que ainda assim, parece me aceitar como sou..."

"Afrodite." – Nix fala encarando a deusa do amor. – "Sabia que Hades e Athena estão nesse momento travando sua primeira grande guerra santa?"

"Imaginei." – Afrodite responde com um brilho perdido no olhar. – "Há poucas horas, alguns guerreiros de Athena que ainda parecem crer em nosso poder, vieram até o templo e reacenderam a pira dos sacrifícios. E oraram para que eu protegesse as suas famílias... Esposas e filhos..."

"Eu sei o porquê dessa guerra ter sido proclamada, Afrodite. Porque mesmo com os nossos erros, as falhas que nós, deuses imortais nunca ousamos admitir, os homens jamais deixaram de confiar em nós. Os humanos são a nossa mais cara herança e é por essa herança, que hoje Athena e Hades estarão dispostos a darem suas vidas, sem se importarem com mais nada."

"Nix... E Perséfone? Ela vai guerrear ao lado de seu marido também...?"

"Não." – Nix responde com um sorriso. – "Como forma de protegê-la, Hades a fez cair em um sono profundo que só será encerrado no dia que o real vencedor desta longa batalha seja realmente proclamado. O Imperador ama muito a sua esposa e não quis que ela presenciasse cenas de dor que só mesmo a guerra pode proporcionar."

"Então ela venceu..." – Afrodite diz com um tom de voz misterioso.

"Não Afrodite." - Nix agora fala com mais veemência. – "O amor sim, foi o maior vencedor nesta batalha silenciosa. Esse amor invisível apenas usou Perséfone e Hades para lhe mostrar que você como deusa que é, esqueceu completamente do seu maior dom: o de espalhar entre todos os seres, o amor. Você apenas se viu embriagada por sua beleza infinda e se entregou como um louco apaixonado, aos seus interesses particulares. Você esqueceu a sua real missão nessa terra e isso foi o seu maior erro, Vênus."

"Nix..." – Afrodite estende suas mãos trêmulas para a deusa da noite, mas apenas tocou as névoas noturnas. A deusa havia desaparecido. – "Obrigada..."

...x...x...x...

Já de volta ao Palácio de Hades, Nix entra silenciosamente na Sala do Trono e vê o Imperador – vestido em sua sápuris – sentado em seu trono, a encarando seriamente. Nix apenas dá um sorriso e se aproxima do deus dizendo:

"Hades, preciso lhe falar algo."

"Se for para que eu desista dessa guerra, é melhor voltar Nix."

"Não." – Nix responde rapidamente. – "Vim até aqui para me despedir de você. Partirei hoje mesmo para os meus domínios que ficam entre as estrelas e nunca mais retornarei a este Reino."

Hades se levantou abruptamente.

"Você irá partir?"

"Sim."

"Mas desde tempos imemoriais, você é a grande senhora do Mundo dos Mortos. Como pode decidir de uma forma tão rápida, partir para nunca mais regressar!"

"Hades" – Nix responde com um tom de voz maternal. – "deixei de ser a "senhora do Mundo dos Mortos" como diz, desde o dia que você empunhou seu cetro, provando seu real poder. Depois disso, apenas me tornei sua conselheira. Mas hoje, vejo que isso não é mais necessário." – antes que o deus da morte abrisse os lábios para contestar as palavras da deusa da noite, Nix levanta a mão direita, em um sinal de pedido de silêncio e continua. – "Hoje, você mostra que aprendeu tudo o que poderia aprender. Tu és um rei e tuas ações serão seguidas como lei pelos teus servos que nunca deixaram de ser leais a você. Eu não condeno a tua participação ativa neste entrave contra Pallas Athena. Mas fico penalizada em ver que seu matrimônio com a rainha Perséfone, seja mais uma vez abalado pelas forças de quem nunca quis que seu amor com Cora fosse cumprido."

Hades fica sem palavras diante do que Nix expôs. A deusa, porém, apenas sorri e se aproxima do deus, o abraçando de uma forma apaixonada. Nesse momento, as lágrimas teimam em rolar pelo seu rosto rosado. Hades por sua vez, retribui o abraço e com grande afeto, beija a fronte daquela que sempre cuidou e orientou em tudo.

"Adeus... Adeus Hades... Aquele que eu sempre tive como meu filho... O meu querido filho..."

"Adeus Nix. Minha professora. Minha mãe."

E com um último sorriso, Nix se desprende dos braços de Plutão e com seu elegante caminhar, a deusa atravessa pela última vez, o tapete carmesim que liga o trono do rei, até o portão feito de bronze maciço. E com um último olhar para Hades, em meio às lágrimas, Nix fala com um sorriso no canto dos lábios:

"E que vença o melhor."

"Eu vencerei." – Hades fala, fazendo com que o pesado portal se feche logo após a passagem da deusa, graças ao seu poder.

E assim, o vulto esbelto da deusa desaparece em meio à penumbra do corredor do Palácio, nunca mais sendo visto por nenhum olho mortal ou imortal.

...x...x...x...

Naquele mesmo dia, quando o Sol começava a se por atrás da extensa linha que o Oceano formava, Afrodite terminara de escalar o cume do monte Etna. Retirando o capuz que cobria seu rosto, a deusa sentiu pela primeira vez, o cortante vento gelado batendo furiosamente contra o seu rosto quase indistinguível. Claro que ela poderia ter se materializado em algum animal montês ou até mesmo, aparecendo sob a sua forma etérea, preservando assim a sua forma original. Mas sua forma original não era o seu maior interesse naquele momento, mas sim, o que faria em alguns instantes.

Depois do choque inicial do vento enervado em seu rosto, a deusa retirou o resto do manto, revelando-se nua para toda aquela imensidão branca e deserta. Ergueu os braços e ficou em forma de cruz durante o tempo que fechava os olhos. Logo em seguida, abriu seus lábios e como em forma de confissão, falou:

"Eu nasci em uma concha de madrepérola e por delfins fui trazida à terra dos homens e dos deuses. Fui a mais bela de todas as belas e por homens e deuses fui amada sem limites. E amei sem limites. E por esse amor infinito, estou aqui para aceitar meu Destino." – nesse exato instante, a deusa dá o seu mais cândido sorriso e diz, como se visse em sua frente, aquele que a inspirou durante tantas eras a amar sem medidas. – "Hades... Você que rege com punhos de ferro o país dos mortos e que durante tanto tempo escondeu seu rosto e seu coração de todos aqueles que um dia ousaram descobrir seus segredos, saiba que eu o amo com a loucura da paixão desvairada... Mas sei que não sou eu que moro nas brumas de seus pensamentos mais secretos..." – uma lágrima solitária escorre pelo seu rosto – "Por isso, receba Senhor das Sombras, este que é o último ato de devoção e de amor... De uma mulher que nunca deixou de sonhar com a esperança de receber daquele que sempre adorou ao menos um olhar piedoso. Receba com bom grado Hades, o meu sacrifício."

E com um salto gracioso, a deusa pulou rumo ao abismo profundo do vale montanhoso, mas antes que seu corpo fosse atingido pela primeira grande rocha, algo particularmente maravilhoso aconteceu. Seu corpo foi metamorfoseado em milhares de pombos brancos que desordenadamente voaram para os quatro cantos do mundo. E cada animal, trazia consigo um pouco do amor de Afrodite. E era esse amor que seria semeado a partir daquele momento entre os homens, sem distinção de raça, ou posição social. Um amor pleno. Um amor sem limites.

E foi nesse dia, que o Mundo dos Vivos – e dos mortos – sentiram pela última vez o cosmos de Afrodite que desde então, ficou viva apenas nos mitos e nas lembranças da humanidade, como a deusa que mais amou e que mais lutou para que sua felicidade fosse eterna e inabalável.

...x...x...x...

E eras se passaram desde então. E os deuses que antes governavam todas as esferas do mundo conhecido e desconhecido, agora não passavam mais do que lendas, personagens da tão grandiosa capacidade humana. Mas ainda havia um resquício da grandiosidade divina. E era essa pequena faísca do poder divino há muito tempo esquecido, que poderia provocar toda a ruína dos homens: a infindável batalha pelo domínio da terra, onde seus protagonistas – Hades e Athena – lutavam com mais ferocidade, na intenção de terminarem de uma vez por todas, com essa luta e enfim, o real vencedor mostrar sua face.

E tal guerra se estendeu até os dias atuais e finalmente, ela parecia ser a última Grande Batalha Santa.

E usando de uma tática ardilosa, Hades deixou seu verdadeiro corpo repousando nos Campos Elíseos – pois o Imperador não gostaria que quando despertasse sua Perséfone o visse maculado por cicatrizes – e usou como hospedeiro, o mais puro dos seres humanos.

E no meio das batalhas, usando tal corpo, o deus dos mortos novamente caminhou entre os vales floridos, a fim de rever aquela que fazia seu coração se tornar um deserto vazio e sem sentido se não estava perto dele.

Hades pára em frente ao templo e com um gesto maquinal, colhe um pequeno lírio branco e assim, ele sobe as escadas e finalmente, desaparece na imensidão daquele lugar. Seus passos finalmente cessam quando chega, até um altar, onde Cora descansa, dentro de uma urna de cristal rodeada por flores de todas as espécies. Tal urna era um artefato tão perfeito em sua concepção, que não se via nenhum defeito, parecendo ao longe, que o corpo que ali se encontrava, parecia apenas dormir inocentemente em meio a um tapete de flores.

Com um gesto cuidadoso, o visitante coloca na tampa da urna, na altura das mãos cruzadas de Cora, a flor colhida há pouco.

- "Quem é ela...?" – seu hospedeiro, o cavaleiro Shun de Andrômeda que mesmo sem ter controle sob seu corpo, ainda poderia ter a mesma visão que Hades tinha, pergunta ao ver o belo corpo em sua frente.

"Minha musa." – Hades responde gentilmente. – "A inspiradora de todos os meus atos."

- "Com certeza ela não o inspirou para esta Guerra." – o jovem cavaleiro retruca com certa ousadia.

"Você está certo. Ela jamais teria a guerra como uma de suas alegrias." – ele respondia enquanto sua mão percorria o cristal que ficava acima do rosto de Cora.

- "Ela está... Morta?" – Shun perguntou ao notar que não se ouvia nem se via a respiração da jovem. Na realidade, o cavaleiro estava completamente embriagado diante da beleza tão cândida que aquela mulher possuía.

"Não. Está tão viva quanto eu e você." – nesse momento, Hades fecha os olhos, fazendo com que Shun caísse em uma escuridão abissal. Assim, o espírito do deus se faz presente bem na frente do espírito do cavaleiro de Andrômeda e ambos se encaram por algum tempo. O olhar frio do deus contrastava com o olhar jovem e corajoso do rapaz. Após algum tempo, o deus se pronunciou. – "Shun. Quem você mais ama neste mundo?"

O jovem ficou surpreso com aquela pergunta, mas prontamente ele a respondeu: - "Eu amo o meu irmão..."

"Eu não falo do amor fraternal. Será que não existe ninguém na superfície terrestre que está esperando pelo seu regresso e que você também deseja mais do que tudo voltar a ver o olhar deste alguém?"

- "Sim..." – o rapaz pela primeira vez, desviou o olhar do deus. – "Ela é uma amazona chamada June... Eu prometi a ela que retornaria e que reconstruiria a ilha de Andrômeda para que ela pudesse finalmente viver uma vida tranqüila e de paz." – nesse momento, o cosmos de Shun pareceu se elevar mais com cada palavra proferida, o fazendo criar coragem para enfrentar aquele que era sem dúvida, o maior desafio de sua vida. – "E é por ela que eu não irei desistir! É por June que eu lutarei com todas as minhas forças para vencê-lo, Hades!" – Shun com certeza tentaria mais uma vez, se livrar do forte julgo imposto pelo deus, mas para a surpresa do rapaz, o Imperador das Sombras o olhava com um sorriso nos lábios.

"Entendeu agora o porquê de você ter sido o eleito para ser o meu hospedeiro, cavaleiro?" – Hades indagava enquanto seu espírito se aproximada do jovem. – "Eu o escolhi exatamente por isso: Você é um humano e eu, um deus. Há um grande abismo que nos separa. Mas somos em nossas essências, iguais."

- "Iguais!"

"Sim." – Hades voltou a ficar sério. – "É por causa da amazona que você não vai desistir de lutar. E é por causa de Cora, que eu vencerei esta última batalha."

O rapaz dá um passo para trás ao saber o nome da jovem que há pouco viu em seu sono. – "Ela é a deusa Perséfone! Mas a mitologia..."

"Tola mitologia! Tolas lendas contadas pelos humanos!" – Hades parece se exaltar. – "Perdidos em sua bruta sabedoria, os humanos acham que compreendem tudo, mas o que eles julgam saber, não passa de uma pequena maré em meio ao grande e tempestuoso mar!"

- "..." – o cavaleiro fica sem palavras. Tudo o que Hades falou com certeza o deixou extremamente confuso, não em relação aos seus ideais de paz, mas sim, sobre a sua concepção na qual via Hades como um deus cruel e ardiloso. O jovem se viu novamente dentro dos olhos do deus e espontaneamente, disse – "Seus olhos... Não são maus... Mas sim, me transmitem paz... Como um leito de um lago..."

"E Cora é a vida que perpetua dentro desse lago." – o deus desabafou finalmente.

E assim, o deus e o homem cessaram o diálogo. Posteriormente, a guerra se tornou mais intensa, com baixas entre os dois lados. E finalmente, aconteceu a batalha final: Hades e Athena finalmente se encontraram cara-a-cara e como o desenrolar desse longo conflito, o báculo de Athena atravessado no tórax do deus dos infernos fechou definitivamente uma guerra tão eterna quanto às estrelas.

Hades ainda teve forças para advertir Athena que com sua morte, todo o equilíbrio entre o Mundo dos Vivos e o Mundo dos Mortos, seria gravemente alterado. A resposta que obteve, foi um olhar piedoso da deusa e a afirmação de que mesmo que fosse preciso enfrentar todos os deuses, ela jamais deixaria de lutar pelo bem da humanidade tão amada. Sentindo uma dor nunca antes sentida, o Imperador cai de joelhos perante os seus inimigos e abaixa o olhar, vendo que sua mão esquerda estava encharcada com o sangue quente que saía sem cessar do ferimento causado pela deusa do Santuário Grego. Nesse momento, sentimentos nunca antes sentidos fizeram com que o coração de Hades desse um pulo. Ele sentiu o medo de saber que nunca mais seus olhos se cruzariam com os olhos de sua rainha. A tristeza não de ter sido vencido, mas de nunca mais ter o poder de amparar as lágrimas que como cristais, rolavam pelo rosto de sua amada. O pavor de saber que com seu desaparecimento, Cora ficaria sozinha. E ao levantar debilmente seu rosto, mais uma vez os olhos de Hades e de Shun se encontraram.

"Se um lago seca, é verdade que toda a vida existente nele morrerá também." – o jovem pensou enquanto uma lágrima triste rolava em seu rosto marcado pelos anos de luta.

No momento em que Athena e seus cavaleiros deixaram de vez o mundo inferior, o céu que sempre era de uma azul anil, começou a tomar para si uma penumbra coloração acinzentada. Pesadas nuvens anunciavam que a beleza que sempre permeava os Campos Elíseos, seria pela primeira vez maculada por uma amedrontadora tempestade que sem dúvida, arrasaria as árvores, as flores e os templos daquele santo lugar. As pobres almas que há séculos não conheciam o medo começaram a correr desordenadamente, procurando se protegerem contra aquela terrível ameaça. Dentre os seres vivos que zigue-zagueavam desnorteados, o corcel negro de Hades galopava com firmeza, rumo ao Templo onde o corpo de Perséfone estava guardado.

...x...x...x...

Era lindo. Aquela planície formada com delicadeza pela natureza, oferecia como um atrativo a mais, um esplêndido piso feito pela mais verde grama que já podia contemplar. Algumas árvores frutíferas se faziam presentes e ofereciam sombra perfeita. O Sol que iluminava aquele lugar era forte, mas acolhedor. Um cenário perfeito e por que não dizer, irreal.

E descansando seu corpo sob uma dessas inúmeras árvores, Cora sorria tal como uma criança que cansada de brincar, apenas recuperava o fôlego para uma nova aventura. Teve sono e ao fechar os olhos, sentiu o leve roçar de uma flor sobre seus lábios. Imediatamente, seus olhos cor de esmeralda se abriram e contemplaram um pequeno ser que sorridente, continuava a brincar com a flor.

"Acorda mamãe! Vamos brincar!" – a pequena criança pedia com uma voz aveludada e sapeca.

Ela apenas sorriu e fechou os olhos novamente, fingindo dormir. Ouviu de novo a súplica da filha, mas continuou a fingir seu sono. Repentinamente, a pequena flor deu lugar a um toque quente e úmido em seus lábios. Ao abrir os olhos novamente, a jovem viu o rosto de Hades bem próximo ao seu.

"Viu como se acorda uma rainha sonolenta, Ephemerom?"

A resposta da pequena foi uma gargalhada divertida. Cora também não deixou de sorrir e de abraçar o marido carinhosamente. Aquilo era um sonho, mas parecia ser tão real que a deusa de Hades preferiu se entregar à ilusão, a encarar tão dura realidade.

"Meu amor, nem você quer me deixar dormir um pouco?" – ela perguntava carinhosamente, ainda abraçada a ele e com os seus olhos fechados.

"Infelizmente eu não posso minha rainha, pois temos que dizer adeus."

"Adeus?" – imediatamente Cora levanta seu rosto, afastando-se de Hades. Com terror, ela vê que seu marido e sua filha estão completamente cobertos de sangue. Ambos sofriam uma hemorragia nos olhos, como se ao contrário de lágrimas, estivessem chorando sangue. – "O que está acontecendo!" – com desespero, a deusa se aproxima da filha, a abraçando fortemente. A pequena apenas dá um suspiro e cai inanimada nos braços de Cora, morta. Ainda com a filha nos braços, Cora vê Hades completamente ferido, perdendo as forças e tombando próximo a ela. – "Hades!" – ela nota então que o sangue de Hades que mancha a grama, faz com que aquela vegetação imediatamente secasse, e que tal efeito progredisse geometricamente, secando tudo: flores, árvores e frutos. De joelhos, Cora era apenas uma expectadora muda de um terrível pesadelo.

"NÃO!"

...x...x...x...

O cristal que formava a ataúde onde o corpo de Cora estava protegido se desfaz como uma fina poeira estelar. Atordoada, Cora senta imediatamente, com o corpo lavado de suor, ainda gritando e chorando desesperadamente.

Aos poucos, seu coração voltou a palpitar mais calmamente e sua visão assimilou onde realmente estava. Tentando se lembrar do que acontecera a ela antes do pesadelo, a jovem deusa se senta no altar e com as mãos no rosto, ela tentava concatenar o que aconteceu a ela.

"Pelos céus, o que aconteceu...?" – ela repetia para si várias e várias vezes, até que em um breve instante, sua mente começou a formar frases desconexas a partir de algumas palavras que ela tinha certeza terem sido proferidas por Hades.

"Apenas sonhe com os campos primaveris... acordes apenas no dia... real vencedor... batalha... sonhos... fiel companheiro...".

Finalmente, ela compreendeu tudo. – "Hades! Athena! A guerra!"

E correndo para fora do Templo, a deusa constata que o seu pesadelo parecia ter transposto os portões dimensionais e se instalado de vez no Mundo dos Mortos. Lívida de medo e temor, a deusa contemplou um céu acinzentado e grossos pingos de chuva que começavam a cair. Logo, seus olhos também avistaram o cavalo de Hades se aproximando a uma velocidade incrível e sem perca de tempo, a jovem monta no dorso do animal, que dá meia volta e parte velozmente rumo ao Palácio.

Antes de chegarem, Cora vê com desespero, os corpos dos deuses Hypnos e Thanatos inertes no chão. O coração da deusa neste momento, guerreia contra a sua razão, pois o primeiro diz que Hades continuava vivo e soberano, a esperando em seu trono, como sempre. Mas sua razão, esta a fazia ver seu Imperador derrotado e caído ao chão como um animal qualquer. Finalmente, o cavalo pára sua cavalgada em frente ao portão principal do Templo consagrado a Hades. Agora seria tudo ou nada.

E com passos tímidos, a filha de Deméter adentrava ao recinto que estava completamente entregue as trevas. A cada passo dado, sua boca secava mais e seu coração pulava mais descompassadamente. Logo, ela se aproximou do altar onde a eras atrás, foi o palco de seu casamento com Hades. Repentinamente, a deusa sentiu o cosmos de seu marido e ao virar bruscamente, ouviu um gemido: era ele.

"Hades!" – a deusa grita enquanto procurava o local onde Hades provavelmente estaria. Ela caminhou então por um corredor a leste do altar principal, que dava para outro local: o mausoléu onde Hades ocultava o seu verdadeiro corpo. Ao adentrar o recinto, a deusa conseguiu ver através da pálida luz que penetrava através de uma clarabóia, o Imperador jogado ao chão.

"Imperador!" – ela gritou e correndo, se ajoelha e rapidamente inclina a cabeça de Hades que pendeu molemente em seu colo. Cora viu que um filete de sangue saia do canto de sua boca. Ele não estava morto, a deusa tinha certeza disso, pois ainda sentia o cosmos dele se manifestar de uma forma débil. Mas seu rosto tomou para si uma inigualável expressão de terror ao notar que no local que sua mão tocou, sentiu uma umidade que logo constatou ser sangue originado de uma ferida bem maior na região abdominal. E logo a deusa concatenou que aquilo fora obra de Athena. Cora teve ali a certa resposta: a guerra acabou e com ela, Athena saiu vitoriosa.

"Cora..." – Hades sussurrou. A deusa tira seu olhar da mão suja de sangue e dirige para o rosto do deus. Hades abrira os olhos. – "Você veio..."

"Por favor não fale muito. Precisa descansar ou do contrário, seus ferimentos não irão sarar tão facilmente." – ela dizia anestesiada, tentando dar para Hades e para si mesma uma saída para toda aquela corrente de desgraças. – "Irei chamar Radhamantys e Minos para que venha lhe ajudar e..."

"Não... Cora, eles morreram..." – Hades falava com um tremendo esforço. – "Assim como eu também irei..."

"Não! Não fale nada! Você não irá desaparecer!" – a deusa gritava desesperada. Suas lágrimas molhavam o rosto e o pescoço do deus que voltou a fechar os olhos, mas que rapidamente os abriu de novo. Ele ainda deveria falar mais uma coisa a ela, antes de partir definitivamente.

"Cora... Escute-me. Você sabe que eu não sobreviverei... A guerra... A guerra foi injusta e a razão... Decaiu sobre Athena... Ela estava certa..."

"Hades..."

"Cora... Eu errei. E é por conta desse erro... Que partirei... Mas antes..." – ele puxa com esforço a pesada espada para junto de si e engolindo uma parcela maior de sangue que insistia em sair de sua boca, o deus diz. – "Tome-a para si. Esta espada... Será a prova de que o Reino não ficará sem... Sem um regente... Seja a rainha deste lugar... Retorne à vida todos aqueles que... Serviram-me... Cora por favor, me prometa... Será a rainha..." – Hades cessa suas palavras. O sangue agora o fazia dar engolfadas maiores, manchando seu rosto e fazendo com que seus olhos perdessem o brilho rapidamente. Cora enlouqueceu.

"Hades!" – ela o abraça, fazendo com que o rosto do deus ficasse bem próximo ao dela. – "Meu amor, por favor não parta! És um deus! Não pode fazer isso comigo! Já perdi nossa filha, por favor não me faça enlouquecer com a sua morte! Por favor..."

"Tenho medo..." – Hades diz em um tom de voz tão baixo, que Cora mal o consegue escutar – "Sem você... Tenho... Me..Do..."

E como uma onda que dá o seu repuxo, o cosmos de Hades desaparece por completo. O deus dos mortos havia desaparecido de uma vez por todas do mundo dos mortais e dos imortais.

"Ha...Hades..."

A deusa ofegava, enquanto sua mão ainda apertava com força o local do ferimento fatal. Seu maior desejo naquele momento era apenas esse: gritar. Gritar palavras desconexas, mostrar perante aquele local vazio e melancólico a sua dor e desespero. Mas ela se conteve. Diante daquele a quem amou, a jovem deixou cair uma última lágrima e com um semblante sereno, passou seus dedos nas pálpebras do deus, fazendo com que seus olhos se fechassem para sempre. Ouviu gritos de socorro e calmamente, retirou a bainha da espada de Hades e colocou em seus quadris, fazendo com que o lado que segurava a espada pendesse mais com o peso desta. Pôs-se de pé e nobremente, caminhou até a porta de entrada do Templo de Hades onde contemplou todo o desespero dos moradores daquele local, pois todo o Reino estava desabando e se destruindo, como uma queda de seqüência de dominós. Nesse momento, seu cosmo calmo resplandeceu e retirando a espada do falecido esposo da bainha, ordenou para que o equilíbrio se fizesse presente novamente.

Como em um passo de mágica, tudo o que estava sendo destruído voltou, como em um filme, a se reverter imediatamente. As negras nuvens se dissiparam, dando lugar novamente a misteriosa luz da perpétua manhã. A ventania cessou, voltando a ser apenas uma suave brisa. Os humanos pararam de correr desesperadamente, apenas admirando todo aquele fenômeno e a causadora de tal maravilha. Lentamente, a multidão começou a se fazer presente nas escadarias do Templo e ajoelhados, viram que aquela seria para eles de agora em diante, sua senhora e rainha.

...x...x...x...

Algum tempo se passou desde então e tudo voltou a ser como sempre foi. Os cento e oito espectros de Hades tiveram suas vidas reconstituídas e novamente guardavam não só o Castelo do Império, mas como todo o Reino dos Mortos com total zelo. Mas a rainha Perséfone foi mais além: também concedeu o dom da vida novamente para todos os guerreiros de Athena que perderam suas vidas nesta última Guerra. Segundo Cora, já bastava a dor que ela carregaria eternamente consigo. Não suportaria que mais alguém chorasse as lágrimas amargas da saudade.

Dessa forma, os dias se passavam no mundo dos vivos e dos mortos. Todas as noites, nos jardins do Palácio, era sentida a presença da deusa que solitária, passeava a esmo entre as rosas que um dia, tiveram a sua atenção e que hoje, são apenas as belas sombras que ornamentam àquele quadro de tristeza singular. E em uma noite não muito diferente de todas as outras passadas, a filha de Deméter andava sem destino algum, quando foi interrompida pela presença de mais alguém. Ela se vira sem nenhum semblante de surpresa e vê diante de si, a sua fiel escudeira, a jovem Cianéia.

"Perdoe-me o incomodo lady Cora, mas eu..."

"Não precisa me pedir desculpas Cianéia. Sua presença é sempre bem-vinda."

A jovem sorri um pouco sem graça e continua. – "Bem, é que já está muito tarde e eu vim lhe levar para os seus aposentos..." – a jovem pára novamente, ao notar que sobre ela, o olhar de Cora parecia a repreender. – Ah... Perdão...

"Cianéia. Eu me sinto bem melhor aqui." – a deusa baixa o olhar e diz em tom de desabafo. – "Sabes que àquele quarto é hoje para mim a pior prisão para o meu espírito..."

"Assim como a Sala do Trono e todo o Palácio em si." – Cianéia toma as palavras da deusa. – "Lady... Eu sei que onde quer que esteja, Lorde Hades deve está muito triste em ver que a senhora está assim. Sabe tão bem quanto eu que ele nunca quis que derramasse uma lágrima sequer."

"Eu sei... Mas é difícil! Eu sinto que a cada dia... Que a cada dia estou morrendo um pouco mais." – Cora fecha os olhos evitando que mais lágrimas caíssem.

A deusa se sente então, abraçada pela amiga. O que para os outros deuses seria uma afronta, para ela era uma honra muito grande: a de ter como melhor amiga, uma mortal ela. Então, as lágrimas saíram novamente de seus olhos cor de esmeralda.

"É muito grande... A dor do amor... A dor da perca... A dor da morte é muito grande Cianéia..."

"Eu sei senhora... Eu sei..." – a jovem repetia, tanto para a deusa como para si mesma. – "Mas, por favor, tente não pensar mais nisso. Venha, vou lhe levar até seus aposentos."

E assim, deusa e mortal somem através das sombras da noite. Cora saberia que não conseguiria dormir novamente, mas ao ver o empenho de sua serva, preferiu ceder e mais uma vez, ficar sozinha naquele aposento que trazia tantas lembranças que não se apagariam de sua mente jamais.

E então, o Destino pregou mais uma de suas peças, novamente...

...x...x...x...

Ainda não tinha percebido muito bem quanto tempo estava caminhando sem rumo algum. Tudo era revestida pela mais completa escuridão e apenas a luz aparecia quando vinha acompanhada pelo som de explosões de estrelas ainda em formação. Aquele lugar nunca foi visto por ninguém, mas ele não tinha dúvidas de onde realmente estava.

"Caos..." – Hades balbuciou enquanto um rápido filete de luz mostrou para ele um horizonte infindo de um deserto arenoso mergulhado nas trevas.

Outro relâmpago surgiu e ele teve a impressão de que tinha mais alguém ao seu lado. Mas como isso seria possível se apenas ele foi o deus destinado a povoar aquela imensidão formada apenas pelo nada?

"Não tenha medo. Se você tapar os ouvidos, não vai ouvir o barulho da explosão." – a pequena voz dizia determinada.

Outro raio. E sentiu que sua mão era tocada por outra. Um toque leve, macio, como se aquela estranha – pois pelo tom, o deus notou se tratar de uma voz feminina – com aquele gesto, lhe pedisse um pouco de carinho, de proteção. Mesmo sem ver seu rosto, Hades pegou sua mão e mais um rápido feixe de luz cortou o etéreo. E assim, ele pode ver pela primeira vez, o rosto daquele ser. E nesse momento, os olhos do deus da morte se arregalaram, em meio a surpresa, a emoção e ao medo. Parou de caminhar e imediatamente, suas mãos conseguiram correr, mesmo que às cegas, os braços da pequena, chegando assim aos seus ombros, fazendo com que sua acompanhante parasse o passo e fosse virada para ele, que imediatamente flexionou levemente as pernas, a fim de que sua altura não ultrapassasse a dela.

"Quem é você?" – Hades perguntou com um tom de voz leve e de certa forma emocionado. Seria ela quem ele tanto procurou e por infelicidade teria ido parar naquele lugar? Seria ela sua filha...?

"Meu nome é Lírio Branco Selvagem." – a pequena jovem respondeu prontamente. – "Quem me contou isso foi um senhor chamado Destino."

"Destino...?" – o imortal repetiu a última palavra num misto de emoção e incredulidade.

"Sim." – a pequena adolescente voltou a responder com um ar infantil no olhar e continuou. – "Ele me contou também que eu só vou sair daqui quando o meu pai vir até aqui e me buscar..." – ela parou ao notar que aqueles olhos verdes que a encaravam estavam marejados de lágrimas. Assim, preferiu perguntar: - "E quem é você? E o que veio fazer aqui? Ninguém vem até aqui, sabia?"

"Eu sou o seu pai, Ephemeron. E eu vim até aqui para lhe buscar..."

...x...x...x...

Os primeiros raios da manhã entravam insinuantes através das escarlates cortinas dos aposentos da Rainha do Mundo dos Mortos. Como era de se imaginar, Cora não dormia e sim, permanecera toda a noite acordada, como um fantasma. Seu rosto estava completamente pálido e seus olhos, opacos. Não chorou mais, mas isso era apenas externamente. Sua alma estava vazia e isso era um fato inegável.

Tinha que se levantar, tomar um bom banho. Logo, a jovem ergue-se rumo a janela, a fim de retirar do caminho da luz do dia, as pesadas cortinas. A luz então tocou seu rosto, revelando o inchaço de seus olhos fundos. Nesse momento, seu coração deu um pulo. Cora acabara de escutar um terrível som de desabamento vindo da direção onde se localizava o mausoléu onde continham os corpos de seu marido e de sua filha.

"Bom dia, lady Cora. Eu trouxe a sua refei..." – Cianéia para imediatamente de falar ao ver a sua senhora correr para fora do quarto. – "Lady Cora! O que aconteceu!"

A jovem não recebeu resposta alguma e preocupada, resolveu correr atrás dela. Rapidamente a rainha consegue sair dos domínios internos do Palácio e avista passeando calmamente nos jardins do Palácio, o corcel negro que pertencia a Hades. Ao avistar a deusa, prontamente o animal vai até ela, curvando-se na intenção de lhe dar a condição de guiá-lo. Segurando na crina do animal, a jovem o vira em direção ao mausoléu que começa a trotar com uma velocidade impressionante.

"Mas o que aconteceu afinal de contas...?" – Cianéia indaga, ao ver a sua senhora a uma distância considerável.

Passado alguns minutos, Cora finalmente chega até o Templo Póstumo. Como sua intuição previra, o local estava completamente destruído. Era como se uma explosão ocorrida no interior do Templo o tivesse feito em milhares de escombros. Assustada e ao mesmo tempo admirada com essa inusitada situação, a deusa desce do cavalo e com passos trêmulos, se aproxima da antiga construção, mas na altura do sexto passo, suas pernas perdem as forças e de joelhos, caem diante de outra visão. Cora chegou a pensar que estaria completamente louca. Aquilo não poderia ser possível... Não poderia ser real.

Saindo de uma fresta da enorme montanha de entulhos, um homem segurava a mão de uma menina-moça de olhar bastante curioso e perspicaz. Ambos não sofreram nenhuma forma de trauma pela explosão, pois a causa do desabamento eram na realidade, eles próprios. Ao avistarem a deusa, a menina não segurou a sua natural curiosidade e virando-se para o homem que continha em seu semblante um incomum sorriso jubiloso, pergunta mais uma vez:

"Como ela é linda! Quem é ela?"

"Ela é sua mãe." – e caminhando na frente, ele chegou até a jovem que ainda estava de joelhos e estendeu-lhe a mão, gentilmente.

"Isso é um sonho... Não pode... Não pode ser real." – Cora repetia para si mesma ao ver Hades em sua frente. Ela não queria sofrer mais por conta de uma ilusão que sua mente poderia estar lhe provocando naquele momento.

"Existe um ditado humano que eu sempre achei correto: "os sonhos podem se realizar"." – Hades disse e prontamente, ele ergue o corpo trêmulo de sua esposa. – "Eu voltei. E trouxe nossa filha também."

Não houve tempo para mais palavras. Cora estendeu os braços para a pequena jovem que os recebeu com alegria.

"Você é muito linda mamãe." – a menina disse com toda a ternura que apenas um filho pode ter para com sua mãe.

"Você também meu amor. Você é linda!" – a deusa respondia entre lágrimas.

Nesse momento, chegavam a cena, os espectros Valentine de Harpia, Radamanthys de Wivern, e Cianéia. Com uma incontida surpresa e terror, viram Hades e a pequena Ephemeron também.

"Imperador!" – Radamanthys interveio. – "Não acredito que estejas..."

"Sim." – Hades respondeu com seu tom de voz costumeiro. – "Voltei e trouxe também, a princesa do Reino. Agora, quero que incubem os melhores espectros para fazerem a partir de hoje, a guarda particular da Princesa Ephemeron. A ordem vale para você também Valentine."

"Sim senhor!" – os dois servos responderam ao mesmo tempo, de joelhos.

"E quanto a você Cianéia." – Hades se virou para a dama de companhia e disse. – "Como você sempre fez companhia à Rainha, creio que é a mais indicada para ser a dama de companhia da Princesa."

"Será... Será uma honra Imperador!" – Cianéia respondeu prontamente em meios as lágrimas de alegria por aquele momento.

E voltando a olhar as duas deusas que ainda estavam abraçadas, o deus diz com um tom de voz diferente. Uma voz carregada de afeto. – Damas, agora podemos voltar para o Palácio.

Nesse dia, o sombrio Palácio dos Mortos encheu-se de luz. Nenhuns dos seus moradores se lembravam com exatidão qual foi a última vez que aquele lugar havia sido a sede de um festim como aquele, mas isso era o que menos importava agora. O que realmente importava era o fato de que finalmente, a alegria havia se estabelecido nos corações dos senhores daquele Reino obscuro e misterioso.

Todos puderam então conhecer, a bela filha dos deuses da morte. A princesa – que fisicamente aparentava a idade de uma garota de 13 anos, - estava impecavelmente vestida em uma túnica branca, adornada com jóias de talhe belíssimo. Seus longos cabelos negros estavam soltos, com exceção de duas mechas na frente, que estavam presos em tranças. Sua pele branca era de certa forma corada e seus olhos verdes – herança que ninguém saberia dizer se era do pai ou da mãe – brilhavam cheios de curiosidade pelo novo mundo que começaria a descobrir em breve.

Os pais por sua vez, pacientemente respondiam as inúmeras perguntas feitas pela nova deusa. Sabiam que ela teria ainda muito mais perguntas a fazer. Mas sabiam também que teriam todo o tempo que quisessem para respondê-las.

"Minha deusa. Gostaria de dançar?"

"Dançar?" – Cora indaga surpresa pelo pedido inusitado do esposo.

"Sim." – ele responde gentilmente. – "Gostaria de senti-la em meus braços, mais uma vez."

Com um sorriso tímido, a deusa cede ao pedido do marido e ambos caminham até o meio do salão. A leve música então embala os dois seres em uma dança que mais parece ser um inicio de um leve planado no ar. Cora se sentiu mais uma vez, protegida pelos braços do marido e em retribuição, o abraçou com mais força. Sentia-se pequena diante da imponência física de Hades, mas isso não a importava em nada. O que apenas ela queria era que aquele momento, em que sentia estar voando, não passasse jamais. Cora entoou apenas em pensamento, uma prece para que aquele doce momento não terminasse jamais.

Hades por sua vez, sentiu que a esposa o abraçava com mais carinho e aquilo lhe trouxe um prazer incomparável. Teve a mesma vontade de abraçá-la com mais força, mas teve receio de machucar uma flor tão frágil como aquela. Enquanto ele a olhava com carinho, Cora o olhou com paixão e lhe deu um sorriso inigualável. Aquele gesto foi o suficiente para que o deus, com um gesto rápido, tomasse os lábios de Perséfone em um beijo apaixonado e carregado de saudades.

...x...x...x...

Os primeiros raios da manhã entravam insinuantes através das escarlates cortinas dos aposentos dos deuses do Mundo dos Mortos. Como era de se imaginar, Cora não dormia e sim, permanecera toda a noite acordada, amando e sendo amada por Hades. Seu rosto estava completamente descansado e seus olhos, mais belos do que nunca. Seus cabelos caiam desordenados pelo tórax de Hades, que naquele momento não dormia, mas mantinha os olhos fechados, descansando de uma noite tão maravilhosa e tão inesquecível.

"Você sabia que iria retornar não era?" – a rainha corta o silêncio momentâneo. – "Não podes imaginar o quanto eu sofri sem ter você ao meu lado. Não podes imaginar o tamanho do meu pesar."

"Minha deusa, eu não retornaria mais." – ele respondeu. – "O que fez eu agora ter você em meus braços foi o que os humanos chamam de milagre."

"Milagre?" – a deusa indaga, com um sorriso divertido.

"Sim." – ele abre os olhos e com delicadeza, acaricia o rosto dela. – "O milagre do amor. Do seu amor."

"Hades..."

"Cora. Você me salvou do meu destino certo. Foi o fruto do seu amor, foi a nossa filha, que me tirou daquele deserto seco e sem vida que é o Caos. E é por isso, é por Ephemeron que eu lhe agradeço."

"Eu te amo." – foi a resposta dada por Cora.

"Eu também lhe amo."

A deusa encostou seus lábios nos do deus com muito carinho. As respirações próximas se misturavam, acendendo mais uma vez o desejo entre ambos. Mas antes que Hades a tomasse em mais um beijo, a deusa lhe fez uma última indagação.

"Meu amor. Será que nossa história será conhecida e lembrada pelos humanos?"

"Talvez. Talvez nossa história chegue até os humanos, mas talvez isso jamais aconteça. Porém, se um dia o nosso amor for contado por alguém, quero que esse alguém intitule nossa história como 'O Mito do Amor Eterno'."

"'O Mito do Amor Eterno'? É sem dúvida um belo nome." – a deusa sorri.

A resposta do deus foi um beijo. E enquanto se beijavam, a jovem deusa tentava falar, sem muito sucesso. A impaciência dela divertia Hades, que a prendeu com mais força entre os braços, forçando seus lábios aos dela com mais urgência. Logo, a deusa se dá por vencida e se deixa ser beijada por Hades mais uma vez.

Ela sabia que para muitas coisas, sua força era sem dúvida, inferior a de Hades e a de muitos outros deuses. Mas a revelação que seu marido fizera, a fez perceber que não era fraca e sim, uma deusa forte em todos os sentidos: sua força fez com que o mais frio deus a amasse e que por ela, enfrentasse todos os obstáculos possíveis. Sua força subjugou aos lascivos dotes de Afrodite, que se viu reduzida a apenas, uma lenda. Sua força foi capaz de resgatar da morte, seu grande amor e por fim, sua força fez com que seu destino, desse uma inimaginável reviravolta, fazendo com que seu mito tido como um dos mais trágicos mitos contados pela humanidade, se tornasse então, um mito feliz, real e eterno.

...x...x...x...

Fim do mito, mas não do amor. Pois este sim, nunca deixará de ser eterno... E inabalável.

...x...

Música tema do Fanfic "O Mito do Amor Eterno"

My Immortal (clip version)

By Evanescence

I'm so tired of being here

Estou tão cansada de estar aqui

Suppressed by all my childish fears

Reprimida por todos os meus medos infantis

And if you have to leave

E se você tiver que ir, eu desejo que você vá

Because your presence sill lingers here

Porque a sua presença ainda persiste aqui

And it won't leave me alone

E isso não vai me deixar sozinha

These wounds won't seem to heal

Essas feridas não vão cicatrizar

This pain is just too real

Essa dor é bem real

There's just too much that time cannot erase

Há muita coisa que o tempo não pode apagar

When you cried I'd wipe away all of your tears

Quando você chorasse, eu ia limpar todas as suas lágrimas

When you'd scream I'd fight away all of your fears

Quando você gritasse, eu lutaria contra todos os seus medos

And I've held your hand through all of these years

Eu seguraria a sua mão durante todos esses anos

But you still have

Mas você ainda tem

All of me

Tudo de mim

You used to captivate me

Você me cativou

By your resonating light

Com sua vida ressonante

But now I'm bound by the life you left behind

Agora eu estou destinada à vida que você deixou para trás

Your face it haunts

Seu rosto frequenta

My once pleasant dreams

Meus sonhos alegres

Your voice it chased away

Sua voz persegue

All the sanity in me

Toda a sanidade em mim

These wounds won't seem to heal

Essas feridas não vão cicatrizar

This pain is just too real

Essa dor é bem real

There's just too much that time cannot erase

Há muita coisa que o tempo não pode apagar

When you cried I'd wipe away all of your tears

Quando você chorasse, eu ia limpar todas as suas lágrimas

When you'd scream I'd fight away all of your fears

Quando você gritasse, eu lutaria contra todos os seus medos

And I've held your hand through all of these years

Eu seguraria a sua mão durante todos esses anos

But you still have

Mas você ainda tem

All of me

Tudo de mim

I've tired so hard to tell myself that you're gone

Eu tenho tentado me conformar de que você não está mais aqui

And though you're still with me

Mas penso que você ainda está comigo

I've been alone all along

Eu tenho estado sozinha todo esse tempo

...x...x...x...

Notas finais:

Enfim, o fim! Rsrsrsrs... Graças a Deus, consegui terminar esse fic que me deu o prazer de ter tantos amigos! Quero agradecer a todos que leram "O Mito do Amor Eterno". Esse fanfic é dedicado a todos vocês, meus grandes amigos! Pensei em citar aqui o nome de todos vocês, mas preferi não faze-lo, pois sem dúvida eu cometeria o grave erro de esquecer de algum nome e isso seria chato demais tanto para vocês como para mim.

Eu gostaria de compartilhar com vocês, dois projetos de fics que estou pretendendo fazer, mas é claro, gostaria de saber primeiro, a opinião de vocês. Bem, o primeiro projeto será um fic – ainda sem título definido – no qual os protagonistas serão a Ephemeron, a filha de Hades e Cora e o Shun, o nosso amado cavaleiro de bronze. A história ainda não está muito bem definida, mas será bastante centralizada no amor e no sentimentalismo humano.

O segundo projeto se trata de uma série de one-shots (fics de um capítulo) onde eu pretendo contar a origem dos espectros de Hades mais conhecidos. O título dessa série será "O nascimento de uma estrela" e a primeira "cobaia", será o espectro Sphinx de Pharaó! (Risos)

Mas antes de qualquer coisa, gostaria de saber de vocês se eu faço ou não! (Risos)

Bem, acho que as notas finais terminam por aqui. Mais uma vez, o meu MUITO OBRIGADO a todos vocês, meus grandes amigos!

Até o nosso próximo encontro!

Arthemisys :.