Casal: 1x2, 3x4, provavelmente 5xSally

Classificação: AU (universo alternativo), OOC, OC, Romance, Humor, e por aí vai.

Resumo: Kohako está cansada de ver o seu irmão sempre dentro de relações vazias e de uma noite só, e resolve bancar o cupido quando em seu caminho cruza um americano de trança quê, na sua opinião, é perfeito para agitar todas as estruturas do advogado mais sério e frio de Boston.

N.A: Estou entrando de férias, eu sei, mas isso não quer dizer muita coisa. Com a tv por assinatura desligada, meu irmão e eu teremos que levar uma conversa sobe como dividir o pc, por isso sejam pacientes em relação às atualizações. Outra coisa, eu soube que Yui em relação a mulher se escreve com um "y" apenas, mas creio que nesse caso usarei o Yuy com dois "y", até porque esse é um sobrenome de família, acho que seria estranho se fosse escrito de maneira diferente.

N.A: Eu realmente queria muito, e como meu aniversário é nessa sexta agora, esse seria um presente e tanto. Mas, infelizmente, estou mais dura e lisa que um coco, o que significa que por mais que eu chore, os G-boys não me pertence, o que é uma pena. Pena mesmo, se fossem meus eu os trataria como reis, depois de matar dolorosamente a Rainha do Mundo... hauhauhauhauhuhauhua.


Os olhos cobaltos percorreram o corredor de cima a baixo, voltando um tempo depois para a porta branca a sua frente. Piscou um pouco, inspirando profundamente o ar e erguendo a mão, decidida, a levando a campanhia ao lado da porta. Era agora ou nunca. Já que estava aqui não poderia voltar atrás. E, pensando bem, ela não queria voltar atrás. Não tinha atravessado meio mundo para voltar atrás. A partir de hoje uma nova etapa da sua vida começaria e teria que encarar isso de cabeça erguida. Afinal, não era mais uma menina. Com isso estabelecido, apertou o botão claro com firmeza e esperou.


Heero abriu os olhos em um rompante quando ouviu o barulho infernal da campanhia ressoar por todo o apartamento. Virou-se na cama, emaranhando-se no lençol e franziu o cenho ao ouvir um barulho de água correndo. Tinha alguém além dele em sua casa. Tentou sentar-se mas uma dor lancinante estourou por detrás de seus olhos, o obrigando a deitar-se novamente. "Pense, Heero, pense", obrigou seus neurônios a funcionarem, mas parecia que a dor agonizante não os deixava trabalhar. Forçou um pouco mais a mente e finalmente conseguiu se recordar do que havia acontecido.

Noite passada ele havia saído com os seus associados para comemorarem a vitória em um caso extremamente difícil. Ele havia bebido, mas não o suficiente para fazê-lo esquecer que flertara com quase metade das mulheres do bar, e por fim trouxe uma morena curvilínea para casa e que tal morena, infelizmente, era a sua secretária. Sua secretária que estava noiva de um sujeito qualquer. Merda, foi à única palavra que a sua mente conseguiu processar em meio à dor e ao maldito barulho da campanhia.

-Quer que eu atenda, senhor Yuy? – Michele, sua secretária, havia acabado de sair do banheiro e secava com uma toalha branca e felpuda os cabelos castanhos escuros e cacheados.

-Por favor. – grunhiu em meio a sua ressaca, cobrindo a cabeça com o travesseiro. Michele sorriu um pouco, jogando a toalha dentro do banheiro e apreciando pela última vez o homem deitado na cama. Sabia que não deveria nutrir esperanças, até porque estava noiva, mas o senhor Heero Yuy era uma tentação muito grande, até para mulheres comprometidas. Porém qualquer uma que tenha a oportunidade de conhecer um pouco esse homem, sabe que ele não se apega a ninguém. Que troca de namoradas com a mesma facilidade que troca de roupas e quê, se apaixonar por ele seria a sua perdição. Uma noite, era o máximo que qualquer uma conseguiria dentro de uma relação com o japonês. Aos vinte e oito anos, ele era o homem mais cobiçado de Boston e o mais intocável.

-Bem, a gente se vê segunda no escritório, sr. Yuy – disse, terminando de amarrar as suas sandálias e caminhando em direção a porta de entrada da casa. –Tenha um bom dia. – falou e recebeu apenas como resposta um aceno de mão dele.

Já estava começando a perder a sua paciência diante da demora e já estava prestes a erguer a mão e socar a porta, quando essa foi aberta, revelando uma bela mulher morena, vestida elegantemente em trajes formais.

-Sim? – perguntou Michele, olhando a jovem a sua frente de cima a baixo.

-Heero Yuy mora aqui? – indagou a garota, remexendo no bolso de sua calça e retirando um pedaço de papel com um endereço escrito em uma língua que Michele não reconheceu direito.

-Sim, ele mora. Quem deseja?

-Kohako Yuy. – disse a garota, estendendo a mão para a mulher.

-Oh, você então que é a Kohako. – retrucou a morena. Afinal, cansara de atender ligações dessa mesma jovem, querendo falar com o sr. Yuy. –Bem, acho que você pode entrar. O senhor Yuy deve estar no quarto. – disse, cedendo passagem a ela, que entrou na sala do grande apartamento, trazendo as suas bagagens junto. –Foi um prazer te conhecer. – falou a mulher, já no corredor. –O quarto dele é no fim do corredor. – e fechou a porta.

Kohako ainda ficou observando a porta por alguns segundos, antes de largar as malas no chão e caminhar pelo apartamento, entrando no corredor apontado por Michele. Passou por várias portas, até que encontrou uma no fim do corredor. Vagarosamente a abriu e deu um pequeno sorriso quando viu um corpo encolhido sob as cobertas, com um travesseiro cobrindo o rosto, permitindo somente a visão de cabelos castanhos e desgrenhados entre os tecidos das roupas de cama. Alargando o sorriso, ela caminhou até o homem e sem nenhuma cerimônia pulou sobre ele, fazendo a cama ranger em protesto ao peso bruscamente colocado sobre ela.

-ONI-CHAN! – gritou a jovem e Heero sentiu todas as suas veias estourarem dentro de sua cabeça, o fazendo sentar bruscamente, com os olhos azuis flamejando em fúria para a criatura que ousou importuná-lo. Quando os pontos brancos pararam de dançar diante de sua visão, o homem viu-se mirando um par de orbes azuis cobalto, tão parecidos com os seus, que brilhavam em divertimento ante a expressão de dor que ele fazia.

-Kohako? – grunhiu, piscando um pouco para tentar divisar quem estava em cima dele. Uma jovem beirando seus dezoito anos sentava sobre as suas coxas. O corpo esguio era acentuado por roupas justas e a pele morena brilhava com o sol matutino que entrava pela janela, assim como os longos cabelos negros, que iam até a cintura violão, lisos e fartos e que refletiam os raios solares dando a sensação de que eram de um azul escuro brilhante.

-Eu mesma. – a jovem abriu um brilhante sorriso branco que quase cegou Heero, e que no Japão era o motivo de vários corações partidos.

-Você não chegaria apenas amanhã? – o homem grunhiu novamente, deixando-se cair na cama e cobrindo o rosto com o travesseiro, tentando bloquear o sol que apenas fazia a sua dor de cabeça aumentar.

-Perdeu-se no fuso horário? Amanhã de acordo com o horário do Japão, o que seria hoje aqui. – falou divertida, saindo de cima dele e sentando-se ao seu lado na grande cama. –Belo quarto, bela casa… bela morena. Quem era aquela mulher que saiu daqui quando eu cheguei? – Heero murmurou algo contra o travesseiro que a jovem não conseguiu entender. –Como? – perguntou novamente, aproximando seu rosto do irmão.

-Minha secretária. – resmungou e Kohako piscou seus grandes olhos azuis, totalmente descaracteristico de alguém que tinha origem japonesa.

-Aquela com quem eu sempre falo cada vez que eu ligo para você? Ela não era noiva?

-E ainda é. – murmurou o homem.

-HEERO! – o grito fez mais dor cruzar o seu cérebro. –Anda arrastando para a sua cama mulheres comprometidas? – e olhou para a acusada cama, saindo de cima dela rapidamente. –E eu nem acredito que sentei aqui. Com certeza metade da população feminina de Boston deve ter conhecido esses lençóis. Você está pior do que era quando deixou Shizuoka. Para você tudo que tiver pernas e saia é pegável. Pensei que já tinha superado isso. Afinal, já faz dez anos. – outro grunhido, tão característico dele, foi o que ela recebeu em resposta. –Sabia que eles têm uma filhinha de dois anos? Ela é uma gracinha. Os vi uma vez no centro comercial da cidade. – falou displicente, enrolando uma mecha de seus cabelos negros entre os dedos.

-Não me interessa. – Heero murmurou. Não estava a fim de ouvir sobre a sua ex-noiva, Relena, que o havia o trocado por outro depois de sete anos de namoro. A mulher foi um dos motivos de ele ter ido embora do Japão, o que deveria em parte agradecê-la. Afinal, não seria o que era hoje se não tivesse ido embora de sua cidade natal.

-Heero, você precisa arrumar uma vida nii-chan. – falou divertida, dando tapinhas leves no ombro exposto dele. Heero virou-se para ela, descobrindo o rosto e lhe dando o tão tradicional olhar gelado dos homens da família Yuy.

-Eu tenho uma vida. – suspirou, cruzando os braços por detrás da cabeça e mirando o teto branco.

-Eu falo de uma vida amorosa, baka! – disse frustrada, recebendo um outro olhar famoso na família Yuy, o olhar assassino. Ninguém chamava Heero Yuy, o advogado mais conceituado de Boston, de idiota e sobrevivia para contar história. Porém, nem todo mundo era afetado pelo famoso olhar "omae o korosu", como Kohako costumava chamá-lo quando era pequena.

-Não preciso de uma vida amorosa. Até porque nenhuma mulher que encontrei até hoje me satisfez.

-E eu aposto que não foram poucas. – retrucou a jovem com um sorrisinho malicioso. –Talvez você esteja procurando do lado errado da rua, já pensou nisso? – o moreno sentou-se cama e, se possível, seu olhar ficou ainda mais frio ao mirar a garota recostada na parede a sua frente.

-O que você quer dizer com isso? – perguntou desconfiado.

-Nada… quero dizer… - começou, enrolando outra mecha do cabelo entre os dedos. -… Talvez você não tenha encontrado a mulher ideal porque… bem, talvez o seu negócio não seja mulher. – os olhos cobalto do homem escureceram em fúria, embora a sua expressão não tenha alterado em nada.

-Você até ontem engatinhava e andava de fraldas, fedelha. O que lhe dá o direito de vir hoje aqui e questionar a minha sexualidade?

-Não estou questionando. – Kohako estava se segurando para não rir da cara do irmão. –Estou apenas afirmando aquilo que você não quer ver. Seu negócio não é um belo par de seios Hee-chan… mas sim… - porém ela não pode terminar, pois teve que sair correndo do quarto antes que a luminária, que Heero lançou, a acertasse.

-Ela mal chegou e já está questionando minha vida… - o homem começou a resmungar, levantando-se da cama e caminhando até o banheiro, batendo a porta com força assim que entrou. –Quem ela pensa que é? Minha mãe? Menininha irritante. – e continuou resmungando por um bom tempo, ora falando em japonês, ora falando em inglês.


-Esqueça Maxwell! – a voz soou como um trovão que ecoou por todo o andar. Cabeças despontaram por cima dos pequenos cubículos, olhando para a porta no fim do corredor, de onde o grito havia vindo.

-Qual é Fei-fei… - começou a protestar, mas o chinês o cortou novamente.

-É Wufei seu… seu… - um rosnado foi-se ouvido e um barulho de algo se quebrando ecoou pelo andar novamente. As pessoas estavam quase subindo nas divisórias para poderem se aproximar e ouvirem melhor a discussão que se dava na sala do editor.

-A matéria é ótima, vale primeira página.

-Mas você não tem provas, Maxwell. Como você quer que eu publique algo que não tem provas?

-Mas a minha fonte…

-A sua fonte é totalmente duvidosa, além de não querer se revelar. Eu esperava mais de você Maxwell. Primeiro aluno da classe, repórter renomado, e está arriscando jogar a sua carreira de sucesso fora por causa de uma velhaca que acha que viu e ouviu alguma coisa?!

-Chang… - agora as pessoas dariam a sua vida para serem uma mosquinha e poder ver o que estava acontecendo por detrás daquela porta. Para Duo "o brincalhão" Maxwell ter chamado seu editor, principal alvo de suas piadas, pelo nome, pior, pelo sobrenome, a coisa estava extremamente séria e esquentando dentro daquela sala.

-Sem provas, sem matéria. É a regra, e você sabe disso Duo. – Wufei disse com uma voz mais moderada, visivelmente se acalmando.

-Pois bem! Você terá essas provas antes do fechamento dessa edição, ou eu não me chamo Shinigami! – declarou, saindo da sala, e rapidamente todos voltaram aos seus lugares como se nada tivesse acontecido. –Oliver! – gritou e um garoto magricela, de cabelos dourados e sardas aproximou-se hesitante do homem. –Esquente o furgão companheiro, temos trabalho a fazer. – e saiu pisando duro até a sua mesa, batendo com força a sua bolsa contra a madeira e fazendo muitas coisas em cima do móvel pularem. Olhares rapidamente voltaram-se para o homem com uma longa trança, curiosos para saber o que estava acontecendo.

–O que foi? – gritou para os enxeridos. –Nunca me viram em um dia de fúria? Vão arrumar o que fazer! – e em um estalo todos voltaram aos seus afazeres. Afinal, Duo Maxwell irritado não era algo nada bonito de se ver.

Em sua sala, Wufei Chang recostou-se em sua cadeira e retirou seus óculos, esfregando os olhos cansados e dando um suspiro. Quando Duo dizia que arrumaria as provas, em nome de Shinigami, ele poderia esperar pois com certeza o americano iria até o inferno para ter a sua matéria publicada. O que ele tinha de talento, ele também tinha de teimosia. Muita teimosia.