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Itálico - Presente

Normal - Passado

Negrito e Itálico - Canção do Miroku

Sereias

(Mermaids by Maiden of the Moon)

Epílogo

"E... É isso." Kagome suspirou, largando a caneca de conhaque vazia no balcão e sufocando um soluço enquanto encostava-se à parede, brincando com o colar. "Essa foi a última vez que um de nós o viu." Ela fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, tentando segurar as lágrimas. "Ele desapareceu desde então."

Quando ela terminou, o silêncio cobriu os clientes do 'Folhas do Outono' como uma manta de lã. Alguns pareciam surpresos pela história, alguns como se tivessem sabido o tempo todo e outros um pouco enciumados. De qualquer forma, todos tinham um sentimento em comum: pena.

"Senhorita... Senhorita Brandy, sinto muito por ter perguntado." Hojo sussurrou, abaixando a cabeça. Kag olhou para cima, como se tivesse esquecido que ele - e todos os outros - estavam ali ainda. Então ela sorriu gentilmente, balançando a cabeça.

"Não é sua culpa, Hojo-kun. Não é culpa de ninguém."

"É sim! É culpa daquele cara, Inuyasha!" Um homem mais velho franziu a testa, levantando a caneca para aqueles que responderam com sincera concordância. "Ele devia ter ficado com você."

"É uma moeda de duas faces, senhor." Kagome riu sem humor algum, saindo de trás do balcão e pegando alguns pratos vazios. "Ele devia ter ficado comigo, assim como eu deveria ter ido com ele. Um de nós teria que abrir mão de grande parte de nós mesmos... Um de nós teria que sacrificar algo de que não estávamos preparados para desistir."

Não estavam preparados para desistir...

Não naquela época, pelo menos.

"...Você estaria preparada agora?" Um garotinho ruivo perguntou, com os olhos verdes inocentes e arregalados. Kag se assustou com a pergunta, mas apenas acariciou a cabeça dele em resposta e os outros se calaram.

"Bem." Sango bateu palmas pedindo atenção, tirando todos os olhos de Brandy (muito para o alívio da dita garçonete.). "Está ficando tarde. Vamos fechar em cinco minutos. Todo mundo. Terminem suas bebidas e saiam, a não ser que queiram fazer a limpeza...?"

Em um piscar de olhos, todos menos os empregados tinham sumido.

A morena riu, girando os olhos. "Sempre funciona..."

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"Obrigada por ouvir hoje." Kagome sussurrou, apertando mais o casaco em sua fina forma, enquanto ela e as amigas se despediam do lado de fora do bar trancado. "Eu sei que deve ser irritante ouvir tudo de novo."

"Não foi nada." Kikyo assegurou-lhe batendo gentilmente com uma mão no ombro dela. "Vá para casa e descanse, tudo bem? E tente esquecer aquele bastardo..."

"Você sabe que eu não posso." Brandy sorriu sem alegria. "O destino não deixa - esta taverna não deixa." Ela começou a brincar com o colar de novo. "Nem a lua, as estrelas, meu corpo ou coração." Ela suspirou enquanto as folhas dançavam no vento. "Nem mesmo as folhas do outono...

Boa noite, vocês duas. Bons sonhos." E com isso ela lentamente desapareceu na escuridão.

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Ironia era uma coisa engraçada, ela decidiu enquanto caminhava. Por quê? Era só olhar para as coisas irônicas que aconteciam na vida dela! Só para dar um exemplo - Não era engraçado como seu apelido significava conhaque, quando ela secretamente desprezava a bebida? Não era engraçado que ela vivia tão perto de um tipo de terreno que odiava? Não era engraçado como ela se apaixonara pelo tipo de homem que ela jurara para si mesma nunca amar? E não era engraçado como seu bar era nomeado pela canção que descrevia tão bem sua vida...?

Parando por um momento no meio da ponte - sua e de Inuyasha - ela encostou-se no peitoril de pedra e olhou para o oceano, respirando fundo o ar fresco. Ela sentia-se como se precisasse soltar alguma coisa - um grito, um soluço, um palavrão - mas não sabia bem o quê. Então ela eventualmente se contentou com uma canção. Afinal de contas, trabalhava com Miroku e estava muito quieto ali fora, de qualquer forma. "As folhas do outono...

Caem na minha janela...

As folhas de outono...

Vermelhas e douradas.

Vejo seus lábios

Os beijos de verão

As mãos bronzeadas

Que eu costumava segurar..." Ela cantou suavemente, sentindo uma única lágrima deslizar por sua bochecha enquanto ela desviava o olhar daquela paisagem, caminhando para sua casa solitária, os olhos na estrada.

"Desde que você partiu

Os dias ficaram mais longos...

E logo eu escutarei a velha canção de inverno.

Mas eu sinto sua falta acima de tudo, meu querido.

Quando as folhas do outono começam a cair."


At night
When the bars close down
Brandy walks through a silent town
And loves a man
Who's not around
She still can hear him say
She hears him say "Brandy,
You're a fine girl
What a good wife you would be!
But my life, my lover, my lady
Is the sea!"

(À noite

Quando os bares se fecham

Brandy caminha por uma cidade silenciosa

E ama um homem

Que não está por perto

Ela ainda pode ouvi-lo dizer

Ela o ouve dizendo "Brandy,

Você é uma garota ótima

Que boa esposa seria!

Mas minha vida, minha amante, minha dama

É o mar!")

...Caminhando para sua casa solitária...

Tão solitária... Sua casa era tão solitária. Ela nem a considerava um lar mais. Afinal, lar é onde o coração está e o seu já partira há muito tempo - para o mar, com Inuyasha.


The sea, the sea, the sea-
He says, "Brandy,
You're a fine girl!
What a good wife
You would be!
But my life, my lover, my lady
Is the sea!"

(O mar, o mar, o mar-

Ele diz "Brandy,

Você é uma garota ótima!

Que boa esposa

Você seria!

Mas minha vida, minha amante, minha dama

É o mar!")


Oh, se ele ao menos voltasse. Apenas por um tempo! Se ela pudesse voltar no tempo - para quando ele a chamara para partir consigo - então teria mudado sua resposta. Teria dito sim!

Mas ela não podia voltar no tempo...


Ela não podia encontrá-lo...

Tinha o perdido para sempre.

"Começam a cair..." Ela continuou a sussurrar, virando uma esquina para sua rua, mãos nos bolsos do avental e a cabeça abaixada.

"E eu vejo seus lábios...

As folhas do outono..."

Ela automaticamente subiu os degraus para a porta, procurando a chave e sussurrando o último verso da canção. "As folhas do outono...

Vermelhas e douradas."

"Você tem uma bela voz, sabe..."


- - - ?!

Ela congelou - a chave que ela tinha acabado de pegar caindo de sua mão no choque, como se fosse feita de fogo. Enquanto ela caía no chão com um ruído, Brandy virou-se, sem ousar ter esperanças, mas sabendo muito bem quem ela ouvira falar. 'Poderia ser...?'

Poderia.

E era.

Ali, no início dos degraus, se encostando casualmente em um poste de metal, estava Inuyasha. Inclinando a cabeça para o lado despreocupadamente com seu sorriso costumeiro. "Olá."

Ela ficou boquiaberta, os olhos se arregalando.

Não era... Tinha... Tinha que ser a mente dela...

Certo?

"Sinto muito por não ter chegado a tempo no bar." Ele se desculpou calmamente, se endireitando e caminhando lentamente para perto dela. "Cheguei um pouco mais tarde do que esperava." Ele estendeu a mão calosa, correndo os dedos pela bochecha macia dela, como se quisesse provar que eles realmente estavam ali na entrada. Não estavam?


Sim...

Ela podia ouvi-lo. Esta era a voz dele.

'Inu... Yasha?'

Ela podia senti-lo - este era o toque dele.

'Inuyasha...?'

Ela podia cheirá-lo - este era o seu aroma.

'Inuyasha?'

Era ele MESMO.

De repente a ficha caiu sobre ela como uma onda de incredulidade. ELE VOLTARA.

Era o seu coração que ela sentia aparecer dentro de si...?

"Inuyasha!" Ela arfou alegremente, as lágrimas de tristeza dando lugar às gotas de alegria enquanto abraçava-o tão espontaneamente que o marinheiro quase caiu para trás com uma risada. "É você mesmo! É você mesmo!"

"Sim, sou eu mesmo..." Ele assegurou suavemente, inspirando o doce aroma dela e enterrando o rosto na curva de seu pescoço.

"Você voltou! Você está aqui!"

"Sim, estou." Ele riu, mordiscando a garganta dela enquanto ela abraçava-o mais forte.

"Você está! Mas - mas como? Por quê?" Ela se afastou dele apenas o suficiente para encará-lo nos olhos curiosa, mas sorrindo. "Pensei que você tinha dito que não podia viver sem o oceano! Era seu lar!"

"Eu estava errado." Ele sussurrou, encostando sua testa contra a dela e beijando-lhe a ponta do nariz. "É você que eu não posso viver sem. Você é meu lar." Ele riu repentinamente quando ela corou e começou a girá-la no ar. "Oh, Kagome - Estou tão feliz em te ver!" Ele sorriu. "Tenho tantas coisas para te dizer! Tantos contos e histó - - -" Mas antes que ele pudesse dizer algo mais, Kag pôs um dedo em seus lábios, levantando-se na ponta dos pés enquanto ele a colocava cuidadosamente no chão.

"Eu só quero ouvir uma coisa." Ela murmurou, uma expressão séria tomando conta de suas feições. Umedecendo os lábios secos com a língua, ela envolveu o pescoço dele com um braço e manteve o outro na boca dele. "Você vai ficar comigo?"

Ele sorriu largamente para ela, beijando a ponta de seu dedo. "Sim. Sempre."

Ela sorriu de volta. "Ótimo."

Com isso, Kag puxou a cabeça de Inu para encontrar a sua, os lábios se capturando apaixonadamente. Ela arqueou as costas, pressionando-se nele enquanto ele topava com a grade, segurando-a mais perto. Ela gemeu quando sentiu a língua dele deslizar em sua boca, brigando com a sua por dominação e suas mãos se enterravam no cabelo sedoso dele. Mas eles ficaram sem ar e tiveram que se separar.

Inuyasha foi o primeiro a se recuperar, rindo calmamente enquanto pegava as chaves dela e arremessava-as sem cuidado. "Você não sabe quanto tempo eu esperei para fazer isso."

"Acho que sei." Kagome sorriu, enterrando o rosto rosado na camisa dele quando sentiu seus lábios contornando sua orelha.

"Você também sabe..." Ele sussurrou. "Que eu ainda topo qualquer excursão para o seu quarto que você possa oferecer...?"

A garçonete riu e se afastou rapidamente, batendo no braço dele divertidamente. "Seu paquerador incorrigível!"

"Verdade." Ele sorriu marotamente. "Mas eu sou o seu paquerador incorrigível. E você é minha."

"Sim." Ela concordou suavemente. "Você tem razão..." Beijou sua bochecha e sorriu. "Eu te amo."

"Eu também te amo." Ele sussurrou, correndo os dedos pelo cabelo dela. "Minha sereia..."

Ela corou e então balançou a cabeça, como se para clareá-la. "Bem, vamos." Ela anunciou então, pegando as chaves da mão dele e abrindo a porta. "Está ficando tarde e, se eu quiser chegar a tempo no trabalho amanhã, vamos ter que começar sua excursão desde já."

Inuyasha se assustou, olhando-a com surpresa enquanto ela piscava.

"Vem?" Ela riu, jogando a trança por sobre o ombro.

"O qu- - -? Eu - - - heh. Nem mesmo um oceano poderia me manter afastado." Ele ofegou, antes de seguir Brandy rapidamente para dentro da casa, trancando a porta atrás dele mais uma vez.

- - - - - - - -

Acabou que Brandy não chegou ao trabalho em tempo no dia seguinte, mas quando todos souberam por quê, eles perdoaram-na rapidamente. Afinal, tinham sua Kagome de volta, finalmente.

E Kagome tinha Inuyasha de volta.

E Inuyasha tinha sua sereia.

Não é engraçado como tudo parece acabar bem no fim?

A ironia é boa desta maneira.

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Oi povão!

Só queria dizer que adorei traduzir essa fic! Ela é uma das minhas favoritas, daquelas q a gente fica chateado pq acabou, sabe? XD

Bom, espero que vocês tenham gostado tb, assim como eu. Foi um prazer enorme estar representando a Maiden of The Moon, seria um crime não deixar que vocês conhecessem a grande escritora que ela é. E pretendo traduzir outras obras dela, então fiquem de olho, hein?

Muito obrigada a todos vocês! Reviewers e leitores, obrigada pelo apoio que me deram em todas as minhas fics. E os beijos especiais vão para A Sofy e Artis, que mesmo não tendo muito a ver com essa fic me ajudaram demais a melhorar minha escrita e minha atenção. Querem agradecer a alguém pela maior descrição das cenas em PNA e a minha tradução mais atenta presente em Sereias? Essas são as suas garotas! E a Tici, que revisou a fic com todo o carinho para que vocês não vissem meus erros cabulosos! Eu só não fui presa por assassinar o português graças a essa aí! XD E, é claro, a Maiden of The Moon, que, além de escrever divinamente, ainda deixou que eu traduzisse as obras dela!

Bom, é isso. Espero que tenham aproveitado muito a fic.

Beijos,

Bella