N.a.:/ HAHA Presente de Natal para vocês! Prometi um cap grande. 15 páginas no Word com letra 10.

Abram só depois da meia-noite – brincadeira. HO HO HO

Acidentalmente Entrelaçados

By Dessa-i-Rê

Capítulo 18

As estrelas eram o único brilho no céu escuro aquela noite. O clima estava quente, no entanto uma leve brisa abrandava o ar abafado. As folhas farfalhavam, produzindo murmúrios como se as árvores cochichassem segredos umas às outras. InuYasha encontrava-se imóvel, no centro de uma clareira fracamente iluminada pela luz da fogueira. Seus olhos estavam fechados e seu rosto trazia uma carranca de impaciência do mesmo modo que seu corpo encontrava-se retesado. O hanyou balançava seus pés, com os braços cruzados e Tetsusaiga apoiada em seu ombro. Uma madeixa caiu sobre sua face, fazendo-o abrir os olhos, irritado, e empurrar o cabelo negro para o lado. Lançou um olhar aborrecido para o céu. Noite de lua nova.

Estivera no encalço de um youkai por três dias até que, na tarde do atual dia, finalmente conseguira alcançá-lo. Tinha que admitir que a velocidade dele havia-o impressionado. As preocupações que tomavam sua cabeça, contudo, distraíram-no a ponto de deixar-lhe alheio a passagem do tempo. Somente quando adentrara no pequeno bosque e assistira a luz do sol desaparecer lentamente do céu é que se dera conta de sua situação. Agora estava presa nessa maldita forma fraca e tinha que esperar até o nascer do sol!

- Como se eu não conseguisse chutar a bunda daquele maldito de qualquer jeito! Feh! – resmungou ele, olhando novamente para o céu. A imagem de Kagome imediatamente veio a sua cabeça. Sentiu um aperto no coração ao pensar nela. Em como ela estaria. Se ela ainda estaria viva. Apertou com força o cabo da Tetsusaiga. Não devia pensar nisso. Tinha que continuar tentando. Suspirou, direcionando seus pensamentos a outro lugar. Um sorriso amarelo formou-se em sua boca. Perguntava-se como seus pais estavam reagindo a sua demora.

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Mirok observou o conjunto de árvores a alguns quilômetros de distância. Passou as mãos pelos cabelos, suspirando, cansado. Já fazia algum tempo que não parava para descansar. Seus olhos voaram para a figura imóvel ao seu lado. Seshoumaru trazia o rosto inexpressivo, como sempre, deixado no máximo transparecer um quê de impaciência. O moreno se perguntava se o motivo para aquilo seria ter sido obrigado a sair à procura de seu meio-irmão imprudente ou se seria ter sido obrigado a fazer aquilo com ele no encalço. Um suspirou escapou de seus lábios mais uma vez. Tinha maior convicção na última alternativa. Não podia fazer nada, contudo. Ordens eram ordens.

O barulho quase imperceptível do youkai movendo-se alertou o monge que incitou o cavalo para frente. Soltou o ar pelo nariz, irritado, à medida que tentava se acalmar. Já era quinta vez, aquele dia, que Seshoumaru partia sem aviso! Seus pensamentos aborrecidos, no entanto, foram varridos de sua cabeça quando uma explosão ecoou nos seus ouvidos e seus olhos avistaram uma grande elevação de poeira no meio do arvoredo. O monge levantou os olhos para o céu, enquanto tentava, inutilmente, obrigar o cavalo a acompanhar a velocidade de Seshoumaru. Um arrepio subiu por sua espinha ao observar o céu em breu.

-Droga, InuYasha! Espero que não tenha feito nenhuma bobagem...

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O brilho opaco da Tetsusaiga refulgiu na clareira escura. InuYasha apoiava-se na espada, inútil no momento, enquanto observava atentamente a figura a sua frente emergir da poeira. Um sorriso de deboche apareceu em seu rosto. FEH! O idiota finalmente havia sentindo sua presença! Endireitou-se, empunhando a espada enquanto esperava baixar a poeira. InuYasha assistiu os últimos grãos de pó desaparecerem no ar. A figura humanóide fitava-o levemente surpreso do meio da clareira, quase como se não acreditasse o que via em sua frente. Um sorriso de desdém surgiu em seu rosto branco e o hanyou assistiu o youkai dar as costas a ele.

- EI! FEH... ONDE PENSA QUE ESTÁ INDO? – gritou InuYasha, indignado por estar sendo ignorado. O youkai parou, virando um pouco a cabeça, antes de recomeçar a caminhar.

O hanyou grunhiu atirando-se em cima do youkai, tentando cortar-lhe com a espada enferrujada. Conseguira abrir um corte no ombro do outro que se virou com um velocidade surpreendente, para a condição humana de InuYasha, e atirou-o para longe. InuYasha bateu com força em uma árvore, levantando-se rapidamente caso o youkai tornasse a escapar. Ele, no entanto, permanecia agora com uma expressão de fúria no rosto à medida que encarava o hanyou.

- Humano idiota...

- Onde está Kagome?! ONDE ELA ESTÁ? – perguntou InuYasha e o youkai apertou os olhos, examinando-o. Um sorriso de deboche estampou seu rosto.

- Você é um hanyou então... – murmurrou ele.

- FEH! Cala a boca! ONDE ELA ESTÁ? Eu sei que você sabe! Você tem o mesmo cheiro daquele maldito... – InuYasha foi interrompido pela risada baixa e rouca do youkai.

- Como se você estivesse em posição de pedir alguma coisa. – debochou o youkai, suas mãos se transformando em lanças e avançando sobre o hanyou. InuYasha desviou do ataque com dificuldade e lentamente devido a sua condição. A lâmina conseguiu passar de raspão por sua perna que agora escorria sangue pelo tornozelo. Praguejou, levantando os olhos e deparou-se com o youkai a uma pequena distância de si. Protegeu-se com a Tetsusaiga, atirando-se entre a vegetação.

O hanyou rolou sobre seu corpo, escondendo-se atrás de uma árvore. Respirava a arquejos. Olhou para o céu esperançoso, mas ainda estava longe do amanhecer. Droga! Como iria conseguir alguma informação daquele jeito? Seus olhos percorreram o bosque mergulhado em breu, preocupado com o súbito silêncio. O barulho do farfalhar de folhas e de um graveto sendo quebrado às suas costas fez com que se virasse a tempo de ver o youkai abrir um sorriso desdenhoso antes de sentir uma dor dilacerante em seu estômago.

- Merda... – praguejou ele, cambaleando para trás ao passo que a o youkai retirava a lâmina do seu corpo. Sentiu o sangue quente jorrar de seu estômago, encharcando suas roupas e o chão. Um sentimento de leveza começou a tomar conta de sua cabeça ao mesmo tempo em que sua visão escurecia. DROGA DE CORPO HUMANO! Não podia morrer aqui. Lutava para manter-se consciente quando viu a cabeça do youkai saltar fora de seu corpo.

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O som de passos apressados e vozes alteradas despertou Izayoi que se encontrava recostada em uma poltrona em seus aposentos. Seu corpo estava em um ângulo estranho e desconfortável, com sua cabeça pendendo sobre o pescoço em direção a janela a sua frente. A rainha piscou várias vezes, lentamente processando a informação enviada ao seu cérebro, enquanto olhava ao seu redor. Lentamente endireitou-se na cadeira, constatando de fato os barulhos provenientes do castelo. Suas sobrancelhas levemente franziram ao passo que seus olhos contemplavam distraidamente os portões do lado de fora. Um suspirou escapou de seus lábios. Nada. Quatro meses haviam se passado e nada. Nenhuma informação.

As vozes alteradas persistiam, porém Izayoi não estava interessada. Deveriam ser somente os criados ou os comandantes gritando ordens a seus soldados. Nos últimos tempos paz não existia mais naquele castelo. Seu olhar percorreu a sala vazia com um aperto no peito. Muito menos tranqüilidade. As vozes e os passos tornaram-se mais altos e Izayoi levantou-se irritada, caminhando até a porta para xingar os criados. Quando se lançou ao corredor, contudo, seu corpo paralisou com a visão diante de si.

- ... InuYasha! – chamou a rainha tremulamente, aproximando-se do filho que era carregado em uma maca por dois soldados. InuTaisho, que vinha acompanhado de Seshoumaru e Mirok, segurou a mulher pelo braço.

- Está tudo bem, querida. Ele vai se recuperar. Só foi atacado em sua forma humana, por isso parece tão mal. Mas agora que já voltou a forma normal conseguira se recuperar mais rápido. Deixe que Kaede cuide dele. – informou o youkai e a rainha assentiu apesar de ainda acompanhar o filho com os olhos. Quando a porta do quarto foi fechada, tornando-se inútil continuar observando, virou-se para o marido.

- O que aconteceu? – perguntou ela e o rei explicou-lhe. Izayoi ficou em silêncio por alguns minutos até olhar seriamente para o marido.

- Você vai deixá-lo sair em busca novamente? – InuTaisho suspirou, desviando seu olhar da mulher.

- Não...

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- COMO ASSIM EU ESTOU PROIBIDO DE SAIR DO CASTELO?! VOC... VOCÊ ESTÁ LOUCO? KAG... – Izayoi massageou as têmporas, estressada. Sabia que o filho não gostaria nada das notícias. Na realidade, nem ela gostava.

- InuYasha! Baixe a voz! – repreendeu InuTaisho, suspirando e fechando os olhos em seguida. – InuYasha, eu sei que você quer salvar Kagome, eu faria o mesmo por sua mãe, mas...

- Então ME DEIXE SAIR DAQUI! – gritou InuYasha, debatendo-se, mas foi impedido pelos ofudas postos em sua cama. – MIROK! TIRA ESSAS DROGAS DAQUI!

- InuYasha! – e agora o rei esboçava uma expressão séria. – Você procurou Kagome por quatros meses sem sucesso! Você não tem a mínima noção do paradeiro dela e sua única pista seu irmão teve que matar pra salvar sua pele! É inútil você se arriscar a sair novamente, sendo imprudente como você demonstrou! InuYasha, eu entendo o que você está sentindo, mas não posso deixá-lo sair. Outros soldados foram designados para a busca. Não estamos simplesmente de braços cruzados! Além disso, estamos com um exército na nossa cola, InuYasha! Você deveria considerar isso como uma possibilidade arranjar informação.

O hanyou encarou seu pai por longos minutos antes de baixar os olhos, apertando os punhos. InuTaisho relaxou um pouco as costas, porém antes que alguém pudesse proferir alguma palavra passos apressados puderam ser ouvidos no corredor, seguidos de uma batida ansiosa na porta. Sango, que estava mais perto, abriu a porta para deixar passar um soldado ofegante.

- Eles conseguiram passar a barreira, Majestade. – a tensão tornou a tomar conta do quarto. Todos permaneceram em silêncio olhando do soldado ao rei que matinha a expressão fechada. InuTaisho confirmou com a cabeça e o soldado saiu disparado do quarto. O rei fez menção de sair, mas foi interrompido por InuYasha.

- Você não me deixar aqui?! PAI! Pai... – InuTaisho bufou alto, virando-se lentamente para o filho e depois voltando-se para Mirok.- Certifique-se de que os ofudas o impeçam de fugir do campo de batalha...

Mirok acenou afirmativamente com a cabeça, caminhando até InuYasha enquanto InuTaisho saía do aposento. O monge murmurou algumas palavras, liberando o hanyou, mas acrescentando outros ofudas no corpo do mesmo. InuYasha resmungou alguma coisa antes de sair atrás do pai com Izayoi atrás de si. Mirok suspirou, fazendo menção de segui-los, mas foi impedido por um puxão em seu braço. O moreno virou-se para encontrar Sango fitando-o com os olhos vermelhos. A garota apertou com mais força a manga da sua camisa.

- Sango...- começou ele, mas foi interrompido pela dama de companhia da princesa.

- Prometa. Prometa Mirok, que você vai voltar inteiro e respirando. Vivo. – pediu Sango antes de enterrar o rosto no peito do monge, soluçando. Mirok passou uma mão pelos cabelos da garota, abraçando-a com o outro braço.

- Prometo, Sango...

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O teto escuro e coberto limo foi a primeira coisa que viu ao abrir os olhos. O barulho de água pingando encheu o ambiente, no entanto ela não se importava mais. Não mais. Depois de ficar trancafiada durante quatro meses dentro daquela cela, com apenas algumas saídas por dia para ir ao banheiro, para seu deleite, realmente não se importava mais. Virara uma rotina. Até já se acostumara com o barulho distante dos ratos correndo que, para sua felicidade, nunca tinha avistado. A espera. A incansável espera da donzela por seu salvador. Quase rira ao pensar nisso. Salvador!

A demora, contudo, preocupava-a. Por que ninguém havia vindo buscá-la? Por que ninguém conseguira achá-la? Aquele lugar seria tão impossível de localizar assim? Na realidade não tinha idéia. Kagura havia desacordado-a antes que pudessem chegar. Uma angústia tomou conta de si. Iria definhar ali? Ou ainda, havia acontecido alguma coisa com InuYasha, ou os outros, para não terem chegado ainda? Não, pensara ela, balançando a cabeça. Se algo tivesse acontecido, certamente aquele bastardo viria atormentá-la e já estaria morta.

- InuYasha... – sussurrou ela, passando a mão pelo ventre proeminente. Sorriu fracamente ao sentir um chute na barriga. Seu filho estava crescendo. E aquilo a deixava ao mesmo tempo feliz e preocupada. O que faria aquele monstro se tivesse a criança naquele lugar horrível? Um arrepio passou pelo seu corpo, fazendo-a balançar a cabeça para afastar aqueles pensamentos. O som de passos fez com que a garota levantasse os olhos para as grades.

- O que você quer? – demandou a princesa ao observar a figura vestida de babuíno a sua frente.

- Kukuku... Estamos um pouco irritados hoje. – provocou a figura, sua voz fria reverberando nas paredes. Kagome fechou a cara, encarando o youkai. – Se é assim, então não vou lhe dar notícias do seu querido hanyou...

- O QUE VOCÊ FEZ COM INUYASHA?- gritou ela, levantando-se num assalto e batendo as grades de ferro que tremeram violentamente. O youkai observou com uma leve surpresa as barras estremecerem até cessar o movimento, antes de voltar-se, sorrindo desdenhosamente, para a garota.

- Nada... ainda. Mas sabe como é. Está acontecendo uma batalha e... acidentes podem acontecer. Kukuku

- SEU DESGRAÇADO! VOLTE AQUI! UGH! – praguejou Kagome, batendo com o punho na parede. Respirou fundo várias vezes, tentando se acalmar. Sentiu um chute forte na barriga e pousou a mão, tranqüilizando seu filho com palavras.

Passos novamente ecoaram pelo corredor escuro e Kagome tornou a levantar os olhos para as grades. Kagura observava-a do outro das barras de ferro com um prato de comida numa das mãos.

- Ele não machucou você, machucou? – perguntou ela e Kagome considerou, por alguns segundos, se responderia antes de dizer:

- Não fisicamente.

- Hm... – disse Kagura passando o prato pelas grades e dando as costas para a garota. Kagome chamou-a, fazendo a youkai parar, virando levemente o rosto para trás.

- O que é garota?

- Kagura, por favor. Me ajude a sair daqui. Eu converso com InuTaisho. Eu tenho certeza que ele irá aceitá-la... Kagura, espere! – a youkai dessa vez virou-se completamente para a humana.

- É inútil, garota. Eu estou tão presa quanto você. Senão mais. Ele tem meu coração. Um erro e eu estou morta.

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Aquilo estava virando uma carnificina. Apesar de seu exército ser superior em força e habilidade, a quantidade youkais era enorme. Eram dez deles para cada um dos seus. Era impossível para grande parte dos soldados lidar com mais de cinco ao mesmo tempo. O rei arquejou em sua forma não humana enquanto varria o campo de batalha com seus olhos. Um clarão de luz forte chamou sua atenção quando cerca de cinqüenta youkais desaparecem instantaneamente, para logo em seguida outros cinqüenta ocuparem o lugar dos anteriores. Bom, InuYasha estava tentando agilizar o trabalho, porém estava realmente muito difícil. De onde saíam tantos youkais?

Suas presas estraçalharam mais uma débil criatura. Voltava-se para os outros quinze que vinham em sua direção quando algo o alertou. Aquele maldito cheiro novamente. Todas as criaturas o exalavam, entretanto agora estava mais forte. Com um patada derrubou os youkais com extrema facilidade, virando-se para buscar a fonte daquele odor. Seu olhar buscou pelo filho mais novo, encontrando-o alguns metros de distância, assistindo uma massa disforme crescer diante de si.

InuYasha empunhava a Tetsusaiga com firmeza à medida que observava a fonte de seus problemas tomar forma a sua frente. Aquele bastardo! Iria arrancar dele o paradeiro de Kagome e o faria pagar pelo que fizera. O hanyou assistiu, surpreso, uma cabeça surgir em cima do corpo desfigurado sorrindo com desdém para ele. Quando InuYasha praguejou, exigindo Kagome de volta, o youkai riu friamente.

- Por que a preocupação, InuYasha? A essa altura ela já deve estar morta. Ela e seu filhinho... kukuku.

- GAAH! SEU DESGRAÇADO! – berrou Inu Yasha, saltando em cima do youkai que apenas ria dele, desviando facilmente e conjurando outros youkais de seu corpo. InuYasha avançava com dificuldade, rosnando e revezando entre os golpes com sua Tetsusaiga e com suas garras. Para ajudar Narak fazia aparecer, do nada, tentáculos que o atacavam por todos os lados.

- Que foi, InuYasha? Falei algo que você não gostou? – provocou Narak, rindo ainda mais ao se desviar e atacar o hanyou, cortando-o no braço.

- SEU BASTARDO, O QUE VOCÊ FEZ COM ELA? – berrou InuYasha, atacando-o cegamente. Não. Não podia ser verdade. Ele devia estar mentindo. Sua lâmina passou a milímetros da cabeça de Narak que arregalou levemente os olhos, afastando-se e exalando miasma no processo. InuYasha recuou, cobrindo o rosto com o braço. Narak franziu o cenho ligeiramente. Tinha que acabar com aquilo de uma vez. E sem esperar o miasma dissolver, conjurou mais tentáculos, atacando. InuYasha, que tenta enxergar atrás da névoa roxa, só percebeu o atque quando estava a centímetros de si. Tentou se esquivar, contudo um dos tentáculos perfurou um lado de seu corpo.

- Droga... – resmungou ele, colocando a mão na ferida e olhando mais cuidadosamente para os lados. Seus olhos dourados percorreram a área a sua volta sem encontrar nada. Quando se virou novamente, no entanto, Narak sorria friamente para ele a um metro de distância. Antes que o youkai pudesse fazer qualquer, entretanto, foi jogado para o lado por enorme criatura quadrúpede. InuYasha observou seu postar-se em sua frente, seu rosnado ressoando pelo campo de batalha. Ótimo, Seshoumaru iria atirar aquilo na cara dele pro resto da vida.

Narak examinou o enorme taiyoukai a sua frente, proferindo pragas em sua cabeça. Forçou seu corpo a crescer, mas InuTaisho não esperou que o youkai se recompusesse, pegando impulso nas patas e saltando sobre Narak. Este tentou recuar, atacando-o com os tentáculos e exalando miasma, mas foi derrubado de costas, com InuTaisho prendendo com as patas dianteiras. Uma fileira de dentes a centímetros do seu rosto. InuYasha rosnou fazendo menção parar atacar, mas foi interrompido por um grito ao seu lado. Um dos tentáculos de Narak segurava Mirok, o qual viera ver o que acontecia, pelo pescoço.

- Ataque e eu mato o humano. – ameaçou Narak e InuTaisho hesitou por um momento antes de recuar um pouco. O youkai riu maliciosamente liberando o pescoço do monge, mas perfurando o braço do mesmo. InuTaisho virou-se para o youkai, arrancando uma parte dele antes que desaparecesse. Narak arregalou os olhos e sumiu em meio ao miasma.

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Kagome estava decidida. Ela iria arranjar um jeito de sair dali com ou sem a ajuda de Kagura. Iria aproveitar a ausência de Narak para fugir. Seus olhos examinaram a cela escura a procura de alguma coisa útil para ajudá-la na fuga, porém sabia que não acharia. Fizera isso todos os dias desde que fora trancafiada ali. Caminhou até a entrada da cela, observando o lado de fora através das grades de ferro. Nada. Só havia algumas pedras pontiagudas, limo e poças d'água. Suspirou, batendo levemente a cabeça nas barras. Olhou distraidamente para o lado, repousando os olhos na porta das grades. Ando até ela, sacudindo-a inutilmente. Nada. Seus olhos para as dobradiças enferrujadas. Como não tinha pensando naquilo antes?! Correu esperançosa para examiná-las. Um sorriso surgiu no seu rosto. Perfeito! Eram antigas. Era só puxar o pino e estaria livre. Tentou puxar com os dedos por diversas vezes, sentindo seu entusiasmo murchar. Não moveu um centímetro.

Escorregou pela parede, soltando o ar pelo nariz. E agora? Se ao menos tivesse algo para empurrar o pino... As pedras! Engatinhou apressadamente até as grades, passando um braço através delas. Se pudesse alcançar. Só mais alguns milímetros. Conseguira! Sorriu vitoriosa, apressando-se para trabalhar nas dobradiças. Depois de alguns minutos de esforço, Kagome achou que estava sonhando. Empurrou a porta enferrujada para um lado, tentando fazer o máximo de silêncio possível. Atravessou para o corredor quase dando pulinhos.

Seu olhar escaneou o local. Kagura e o bastardo sempre vinham por aquela direção quando vinham vê-la. Depois disso, no entanto, não tinha mínima noção de como sair dali. Caminhou cuidadosamente pelo corredor escuro, onde havia outras celas, porém vazias. Deparou-se com uma escada iluminada por archotes. Subiu lentamente, tentando não fazer barulho nas pedras molhadas e puxando levemente o vestido encardido que usava para não tropeçar. Quando chegou a entrada, meteu a cabeça para fora, olhando rapidamente outro corredor escuro. No final deste havia uma porta que deixava passar por debaixo dela um pouco de luz. Se havia luz, então seria a saída, não seria?

Havia outras portas no corredor escuro e úmido, porém todas fechadas ou somente entreabertas. Caminhou rapidamente, não olhando mais para os lados, somente para seu destino. Quando estava somente a alguns metros da porta, ouviu um barulho às suas costas fazendo-a congelar no lugar.

- Garota... O que você está fazendo aqui? – ecoou a voz de Kagura nas paredes de pedra. Kagome virou-se lentamente para a youkai. Sabia que era inútil tentar escapar dela. Sentiu os olhos encherem de lágrimas. Tinha ido tão longe!

- Como você conseguiu fugir? – indagou a youkai, olhando para os lados e aproximando-se da princesa. Kagome sentiu a primeira lágrima escorrer e olhou desesperada para a mulher a sua frente.

- Kagura, por favor. EU LHE IMPLORO. Me deixe sair!

- Garota, eu já lhe disse...- começou Kagura, mas Kagome precipitou-se segurando os braços da youkai. Kagura olhou-a, confusa.

- Não. Por favor, Kagura. Narak não está aqui... Ele não iria saber...

- Mesmo assim... – disse a youkai hesitante. Kagome assistiu Kagura retesar as costas de repente e a garota chegou a pensar, com o coração na garganta, que Narak havia aparecido. Kagura virou-se para trás, franzindo o cenho, mas era apenas uma aranha solitária que caminhava na direção delas.

- Devo estar imaginando coisas... – resmungou a dama dos ventos. Virou-se novamente para Kagome que tornara a suplicar. Suspirou, fitando com indiferença os olhos inchados da garota, os cabelos desarrumados e o vestido simples, que um dia fora branco. Não acreditava no que ela estava prestes a fazer.

- Acho que tenho que ir alimentar aquela humana inútil. Deve estar dormindo novamente há essa hora... – disse Kagura como se estivesse sozinha e falasse consigo mesma. Kagome abriu um sorriso, abraçando a youkai. Kagura apenas levantou uma sobrancelha. – Espere.

- Hã... – disse Kagome, observando a youkai alcançar-lhe uma bolsa de couro, ignorando a pequena aranha que correu para dentro da mesma. Kagome sorriu fracamente.

- Obrigado, Kagura. Eu tentar arranjar uma maneira de libert...

- Hm... – disse a youkai dando as costas para a princesa.

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Logo Kagome se viu ao ar livre, cavalgando depressa, com os cabelos ao vento. Se não tivesse tão desesperada em chegar ao castelo, teria aproveitado melhor o calor do sol em seu rosto depois de quatro meses. Descobrira, ao atravessar a porta, subir um barranco e olhar para trás que sua prisão era quase imperceptível por estar infiltrada em baixo de um pequeno monte, com a portinhola escondida pela relva.

Certamente o médico do castelo não recomendaria, depois de ter quase perdido o filho e ter ficado meses sem cuidados, que ela cavalgasse na velocidade em que estava. Encontrara o cavalo amarrado a uma árvore, perto de um lago, após ter caminhado por algum tempo. Esperava que não tivesse trazido muitos inconvenientes para a pessoa de quem roubou, mas chegar ao castelo era mais importante.

Já era seu terceiro dia de viagem e continuava a olhar para trás, por vezes, temerosa de Narak viesse a seu encalço. Na realidade estranhava a ausência de qualquer sinal de perseguição. Esperava que estivesse tudo bem com Kagura. A esta, por sua vez, tinha que somente agradecer. Além de tê-la libertado, correndo o risco de ser punida, havia-lhe dado uma bolsa de viagens com mantimentos e algum dinheiro. E foi com o pensamento de que estava meio dia de distância do castelo que parou em um vilarejo e dirigiu-se a uma pousada. Queria continuar, mas simplesmente seu corpo não obedecia mais. Não só isso. Achava muito arriscado dormir no cavalo, correndo o risco de cair e machucar o bebê.

- Vamos, bebê. Vamos descansar um pouquinho e logo estaremos em casa. – conversou Kagome com a sua barriga, desmontando do cavalo e dirigindo-se à pequena pousada. Entregou seu cavalo no estábulo adjacente ao casabre, apertando uma capa ao corpo e caminhando até a porta. Estava preocupada em chamar muita atenção. Uma mulher grávida viajando sozinha.

O porteiro olhou-a desconfiada, mas não fez objeção ao passar pela porta. Kagome apertou mais a capa em seu corpo, examinando o aposento. O andar de baixo, como a maioria das pousadas era um bar. Repleto de mesas redondas, com um balcão ao fundo e uma escada que levava ao andar superior. Algumas figuras faziam estardalhaço ao beber, mas havia uma parte sentava em silêncio, tentando se esconder tanto quanto ela. Algumas mulheres conversavam animadas a uma mesa ao canto. Kagome caminhou rápida e silenciosamente através do salão, em direção ao balcão. Uma senhora gorducha, baixinha e de ar atarefado mexia em papéis, passava pratos de comida por cima do balcão e berrava ordens às garçonetes tudo ao mesmo tempo. A velha levantou os olhos quando Kagome se aproximou.

- Quarto? – perguntou ela de maneira direta e Kagome acenou afirmativamente, abrindo um pouco a capa para puxar a bolsa escondida ali. Quando fez isso, deixou aparecer o ventre proeminente que a velha notou, arregalando os olhos.

- Você não pretende ter essa cria aqui, né? Por que eu... – começou a mulher, aumentando um pouco o tom de voz, e chamando a atenção de algumas pessoas próximas. Kagome estendeu o dinheiro, balançando negativamente a cabeça de maneira vigorosa. Algumas mulheres da mesa ao canto levantaram os olhos curiosos para ela, mas a princesa puxou a capa, escondendo a barriga.

- Uma noite. – informou Kagome, em um murmúrio, quando a velha perguntou quanto tempo ficaria. Depois lhe entregou um caderno, pedindo para que ela assinasse. Kagome hesitou diante disso. A velha ao notar disse:

- Não vai fazer diferença se você mentir seu nome ou não. Ninguém vai ficar sabendo. É só para ter um nome para designar mesmo.

A princesa concordou com a cabeça, forçando um sorriso fraco. Assinou um nome falso, entregando o caderno à mulher. A velha lhe entregou uma chave velha.

- É quarto 7. Você tem direito a um jantar que será servido às nove. O banheiro é comunitário, apesar de não aconselhá-la a rir tomar banho lá. – a velha riu desdentada, olhando para os homens baderneiros a uma mesa. - Tranque a porta também.

Kagome subiu as escadas, abrindo a porta do seu quarto e examinando-o. Bem... Perto das instalações dos seus últimos quatro meses, aquilo era um luxo. Resolveu não deixar nada no quarto, apenas tentou pentear um pouco os cabelos com os próprios dedos, antes de descer e sentar a um canto esperando pelo jantar. Tentou ignorar as risadinhas e os olhares curiosos das mulheres na mesa ao lado, mas depois de um tempo se viu pega ouvindo a conversa delas.

- Aii! Eu ouvi dizer que o príncipe é muito bonito. Não sei como que aquela princesa do leste não o quis. Por Kami, se fosse comigo... – disse uma loira, sentado no meio da roda. As outras concordaram com a cabeça, suspirando. Uma outra, obviamente youkai pelos olhos vermelhos e garras no lugar de unhas, comentou:

- Mas eu ouvi dizer também que aquela outra humana, a segunda noiva, também deixou o castelo há alguns meses. – e olhando para os lados, baixando a voz. – Dizem que foi pego aos amores com a princesa.

Uma exclamação de surpresa escapou cós lábios das garotas. Kagome virou a cabeça um pouquinho para o lado para tentar ouvir melhor. Outra voz se pronunciou em meio aos murmúrios excitados das outras:

- Eu ouvi dizer que descobriram que a princesa estava grávida do príncipe e por isso que a segunda noiva foi embora.

- Também pudera. Deve estar com a cabeça pesando com dos chifres... – risadinhas se seguiram. Kagome congelou, ao ouvir aquilo. Como que os rumores haviam se espalhado tão rápido? A princesa passou a mão pela barriga, inconscientemente.

- Esse príncipe é muito rápido. E o pior, agora que a guerra deu uma trégua, dizem que o rei quer garantir um herdeiro para o trono logo antes que sejam travadas outras batalhas. Minha prima, que trabalha no castelo, diz que estão preparando um casamento às escondidas para amanhã. Parece que depois do fracasso de duas noivas, eles não quiseram anunciar para todos desta vez. Me pergunto como que a princesa deve estar se sentindo depois de ele ter feito o que queria com ela e estar sendo passada pra trás pela segunda vez.

Kagome não reagiu ao ouvir a explosão de risadas da mesa ao lado nem quando a velha colocou o prato de comida diante de si. Suas mãos pousaram na barriga ao sentir um chute de seu filho, respirando com dificuldade. Como assim... casamento?

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InuYasha se olhou no espelho, remexendo na gola que o incomodava. Odiava usar aquelas vestes idiotas! Bufou irritado, desistindo de mexer nos trajes, e caminhando até a sacada de seu quarto. Apoiou-se na mesma, olhando o horizonte. Como é que eles conseguiam pensar em alguma coisa dessas com tudo o que estava acontecendo? Endireitou-se, caminhando impaciente de um lado para o outro. Também não podia culpá-los por pensarem daquela forma. Afinal de contas, era uma guerra.

Uma batida em sua porta fez com ele parasse de andar e olhasse através da janela. Mirok entrou no quarto, trajando vestes formais também, mas com o braço enfaixado. Os olhos do hanyou pousaram no ferimento por alguns instantes antes de levantaram-se para o rosto do monge.

- Está na hora.

Caminharam pelos corredores, estranhamente vazios. Obviamente que todos os criados estavam ocupados com outra coisa. Mirok olhou-o furtivamente pelo canto do olho, entristecendo um pouco a expressão. Pararam em frente às portas do Salão Principal. InuYasha respirou fundo e a luz lentamente expandiu em seu rosto.

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Apesar da respiração cansada do cavalo tanto quanto a sua, e dos chutes insistentes em sua barriga, Kagome não parou um minuto sequer. Seu olhar estava fixo no horizonte, cheio de determinação. Suas mãos apertavam com força as rédeas. Não dormira direito a noite toda de tanta ansiedade. Chegara a pensar em desistir, mas dessa vez não! Dessa vez ela faria alguma coisa! Ela já tinha ido até lá. Chegaria ao fim.

Mal amanhecera e ela empacotou os seus pertences, forçando-se a engolir alguma coisa como café da manhã rapidamente e avisou a dona da pousada de sua partida antes de correr para o estábulo e partir em disparada. Agora, com o sol batendo forte em seu rosto, se encontrava a apenas alguns minutos do castelo. Seus olhos esquadrinharam a construção, ainda pequena, mais a frente. Incitou o cavalo a ir mais rápido.

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O hanyou escutava o que o seu pai dizia com impaciência. Como rei, ele fazia as honras em certas circunstâncias. Por vezes InuTaisho lançava um olhar de censura ao filho que retribuía com um olhar de rebeldia. A cerimônia era simples. Na realidade, não havia muitas pessoas. Somente os mais próximos. Seus olhos voaram para uma das enormes janelas de vidro do Salão, pousando seu olhar no horizonte. Droga! Por que ele tinha que estar ali? Por que não podiam esperar? Izayoi lançou outro olhar de repreensão ao filho, apesar dele notar a compreensão por trás dele.

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Finalmente estava a poucos metros do castelo. Cavalgou depressa, torcendo para que o cavalo não perecesse logo agora. Chegou perto dos portões sem diminuir a velocidade, mas meia dúzia de guardas postou-se a sua frente, fazendo-a puxar as rédeas, parando o cavalo.

- ALTO AÍ! QUEM VEM LÁ? – gritou um dos guardas quando Kagome tentou novamente transpô-los.

- ME DEIXEM PASSAR! É URGENTE! – gritou ela desesperada, tentando contorná-los, mas era fechada. Praguejou alto.

- Certo... E simplesmente vamos deixá-la entrar no castelo. Desça para que possamos...

- SOU EU. PRINCESA KAGOME! – disse Kagome desesperada e os guardas riram.

- É! Certamente. Caso você não saiba, a princesa foi seqüestrada. E ela não andaria maltrapilh... – o guarda interrompeu sua fala quando Kagome puxou o capuz e aproximou-se dele.

- Alteza Kagome!- exclamou ele, surpreso.

- Abram os portões! Depressa! – ordenou ela e os guardas correram para atender. Kagome disparou pelo pátio, desmontando apressadamente e subindo os lances de escada até a entrada principal. Parou no meio do hall por alguns segundos, olhando para todos os lados. Onde eles estariam? Quis se bater quando se perguntou aquilo. Obviamente no Salão Principal! Correu com dificuldade, segurando a enorme barriga e puxando o vestido para não cair. Só mais um pouco.

Avistou as enormes portas do Salão e correu até ela. Vozes podiam ser ouvidas provenientes do aposento. Kagome jogou-se com força contra a porta, abrindo-as num só empurrão.

- PAREM!

Todos do Salão deram um salto assustados, virando-se rapidamente para trás, temendo ser um ataque ao castelo. O silêncio durou por alguns instantes em que todos observavam a garota maltrapilha, ofegando e caindo lentamente de joelhos. Kagome franziu o cenho, confusa. Sango, com um lindo vestido branco, e Mirok, em suas vestes formais, olhavam-na, de mãos dadas, e estupefatos de cima de um altar montado no meio do Salão. InuTaisho congelara no meio do processo de falar alguma coisa, olhando-a com a boca aberta. Musashi esboçava uma expressão como se tivesse visto um fantasma. Sehoumaru apenas a fitava inexpressivamente. Izayoi e Rin foram soltaram um grito mudo. InuYasha, mais ao lado no altar, nem piscava. Tudo aconteceu de uma vez só.

- KAGOME! – berraram Sango, Rin e Izayoi, ao mesmo tempo em que corriam até ela. Mirok soltou um palavrão, passando a mão pelos cabelos e parecendo muito feliz ao vê-la. Musashi sentou-se na cadeira mais próxima aliviado com InuTaisho indo auxiliá-lo. InuYasha, após se recuperar do choque, atravessou o salão como um raio, tomando a garota em seus braços e abraçando-a com força.

- Kagome...

- InuYasha... – sussurrou ela, apertando-o com força e sentindo seu coração saltar na garganta. Finalmente tinha chegado. Estava segura. Estava com ele. E ELE NÃO ESTAVA SE CASANDO!

- Kagome... – tornou ele a falar, agora a examinando à procura de algum ferimento. Seus olhos pousaram na barriga de sete meses da princesa, para depois voarem aos olhos dela com preocupação. Kagome sorriu tranqüilizadora.

- Está tudo bem... Só estou um pouco cansada.– assegurou ela e o hanyou tornou a abraçá-la. Kagome soltou-se um pouco para tirar a capa de viagem e jogar a bolsa para longe. Uma aranha saiu sorrateiramente da abertura.

- O que aconteceu com você? – perguntou Sango, abaixando-se para a amiga e abraçando-a também. Kagome examinou-a, a felicidade tomando conta dela agora. InuTaisho observou com os olhos franzidos a aranha caminhar até o centro do Salão.

- Sango, você está tão linda! Eu não acredito que você está se casando! Quando eu ouvi os rumores eu pensei que InuYasha...

- Eu nunca faria isso. Nunca mais. – disse InuYasha sério e Kagome sorriu sem jeito. Virou-se para o hanyou.

- InuYasha, eu...

- INUYASHA! – gritou InuTaisho, mas antes que alguém pudesse reagir uma explosão soou no meio do salão, jogando todos contra a parede. InuYasha reagira mais rápido, protegendo Kagome com seu corpo. Uma parte do teto havia desmoronado e a poeira impedia-os de enxergar alguma coisa.

- O que aconteceu? – perguntou Kagome, tossindo enquanto InuYasha ficava a sua frente e olhava atentamente para os lados. Gritos puderam ser ouvidos assim como rosnados. Quando a poeira baixou, Kagome arregalou os olhos. Narak encontrava-se no meio do Salão, desviando e rebatendo ataques de InuTaisho e Seshoumaru, os dois em sua forma humana. Se se transformassem, havia o risco de cair o resto do castelo.

- Mas que merda! Como ele entrou aqui? – resmungou InuYasha sacando a Tetsusaiga, mas não foi juntar-se ao pai e irmão. Kagome sentiu como se um balde de gelo tivesse sido jogado em cima de si.

- Fui eu. Só pode ter sido eu. – respondeu Kagome com horror. InuYasha virou-se para ela.

- O QUÊ?

- Ele deve ter me seguido... ou... A aranha! Quando Kagura me deu a bolsa, uma aranha entrou dentro dela. Só pode ter....

- Kukuku... Isso mesmo, princesinha! Pra uma humana fraca até que você é esperta! Pra ter conseguido fugir sozinha daquela cela... – InuYasha soltou impropérios ao ouvir aquilo. – Claro que não sem a ajuda de Kagura... Ela vai pagar quando eu...

- VOÊCÊ NÃO VAI FAZER NADA COM ELA!- gritou Kagome, mas o youkai apenas riu direcionando um ataque em sua direção. InuYasha atirou-se em sua frente, defendo-se com a Tetsusaiga. Mais pedras desmoronaram do teto e Sango gritou.

- INUYASHA! LEVE KAGOME AO MIROK!- ordenou InuTaisho e voltando-se para o monge. – Tire as mulheres daqui! Musashi, não! Pelo amor de Deus! Espadas comuns não vão adiantar. Vá com ele! Não seja teimoso! Isso não é questão de ser covarde ou não.

Kagome viu-se sendo sobrevoando o aposento nos braços de InuYsha por alguns segundos antes de ser colocada no chão e ser puxada por Sango através de uma passagem atrás dos tronos. A porta de pedra se fechou e os barulhos foram abafados. Os sons de luta puderam ainda ser discernidos. Caminharam rapidamente por alguns corredores, antes de Mirok empurrar mais uma porta de pedra e verem-se em um dos Salões de entrada do castelo. As portas de entrada se abriram e Kouga atravessou-as, olhando-os por alguns segundos antes de ouvir outra grande explosão e correr em direção ao Salão Principal.

Izayoi disse alguma coisa enquanto guardas corriam para todos os lados, já que agora youkais tomavam em assalto o castelo. Mirok puxou Kagome pelo braço, mas garota protestou. Sango correu até ela, puxando-a também. Por fim, Kagome seguiu-os com os olhos na porta do Salão principal que fora jogada contra a parede do corredor. Quando estavam já nos estábulos com Izayoi, Mirok, Sango e Rin correndo para preparar cavalos, uma explosão enorme ecoou pelas paredes do castelo, fazendo tremer os alicerces de pedra e os cinco se apoiarem para não cair. O silêncio caiu pelo castelo. Por alguns instantes os cinco se entreolharam assustados. O grito de vitória dos soldados, no entanto, fez com que respirassem novamente. Estava tudo bem.

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Kagura observava o céu de cima de uma rocha, em um lago, perto do esconderijo de Narak. Seus pensamentos voavam para a garota humana para sua irritação. Desde quando se preocupava com humanos inúteis? Voltou os olhos para as águas, sentindo o vento em seu rosto. Os youkais haviam desaparecido há algum tempo o que só significava que Narak estava lutando. E logo ela estaria morta.

Apertou com força a barra da manga de suas vestes, enquanto o vento soprava. Nunca seria livre. Mal viera a cabeça a imagem do seu fim quando sentiu algo em seu peito, assustando-a. Suas mãos voaram para o local, sentindo o batimento através da pele. Seus olhos, arregalados com a surpresa, suavizaram-se. Um sorriso formou-se em seu rosto.

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- InuYasha! Você quer parar um instante? – disse a voz irritada de Kagome. O hanyou que até o instante remexia-se incomodado na cadeira parou sob o olhar ameaçador da garota.

- Ótimo! Agora fique assim! – pediu ela, tornando ao seu processo de escovar o cabelo de InuYasha. O hanyou lançou um olhar aborrecido a ela.

- Pra que eu tenho que escovar o cabelo? Qual é a finalidade afinal? – resmungou ele e Kagome rolou os olhos, respondendo pela quinta vez aquele dia:

- Você vai se apresentar para o conselho, InuYasha.! Você tem que estar apresentável! Como que você vai convencê-los se nem arrumado propriamente estiver? E, ah! Sua mãe disse que é para você parar de falar feito um camponês...

InuYasha olhou-a, indignado. Kagome suspirou, baixando a escova, mas rindo um pouco.

- Somente por hoje, InuYasha. Por favor. Eu quero que dê tudo certo! – pediu Kagome, abaixando-se à altura da cadeira e abraçando-o. A garota observou o reflexo do hanyou relaxar. Kagome sorriu, aproximando-se para beijá-lo. InuYasha riu baixinho, puxando a garota para o seu colo, que deu um gritinho assustada. Uma tossida forçada pôde ser ouvida atrás deles e os dois congelaram em meio a risadinhas. Kagome endireitou-se rapidamente, quase caindo no processo.

- Será que os dois pombinhos podem parar de se agarrar por um instante?- brincou Mirok e InuYasha lançou um olhar fulminante ao monge que só riu. - Já está na hora, InuYasha.

- Argh... Vamos de uma vez com isso.

InuYasha parou na frente da porta de carvalho do Salão Principal, agora restaurado, que estavam usando para a reunião. Respirou fundo, fechando os punhos. Uma mão delicada pousou na sua fechada, fazendo-o se virar. Kagome sorriu para ele.

- Vai dar tudo certo. Eu deixei tudo escrito no papel para você não se perder. Está até numerado, InuYasha. Além disso, eu vou estar na passagem, logo atrás de você.

O hanyou assentiu com a cabeça e a garota beijou-o antes de se afastar. InuYasha adentrou no Salão e os conselheiros se levantaram, sentando-se depois que InuYasha acomodara-se no trono. Mirok anunciou o início da reunião e os conselheiros olharam para InuYasha com expectativa. Olhou os papeis na sua mão e pigarreou.

- Bem... Então estamos aqui para fazer a votação para a Emenda da Constituição. - disse InuYasha tentando ser formal, mas sentindo suas orelhas ficarem vermelhas quando Mirok abafou um risada e Kagome, como pudera ouvir, também. – A Emenda visa a inclusão de um decreto de proibição da obrigação de casamentos arranjados, seja por acordo imperial, seja por qualquer outras razões, abragendo toda a população. Eu declaro aberta a dis... MIROK FAZ O FAVOR DE PARAR!

O monge que mais uma vez abafara uma risada, recompôs-se sob o olhar dos conselheiros. Inuyasha voltou-se para a dúzia de youkais e humanos a sua frente, com uma veia saltando na cabeça.

- Eu declaro aberta a discussão... disse ele, entre dentes. Um dos conselheiros adiantou-se.

- Por que a votação a um decreto que proíba casamentos arranjados se o próprio Vosso é um? – InuYasha levantou uma sobrancelha ao ouvir aquilo.

- Não é óbvio? Eu não quero que mais ninguém passe pelo que eu passei. – O homem franziu o cenho.

- Mas Vossa Majestade e Majestade Kagome se dão tão bem...

- Por sorte, eu encontrei no casamento arranjado a pessoa certa. No entanto, todos sabem que maioria deles não acaba assim. E quem mais sofre, acima de tudo, são as mulheres, como o senhor pôde notar com o meu exemplo. – explicou InuYasha secamente e o homem engoliu em seco. Outro se adiantou.

- Mas por que tanta preocupação com o que as mulhe...

- Por que, ao contrário do senhor, nem todos pensam dessa maneira. – respondeu InuYasha, friamente. Outro se manifestou em seguida.

- Por que estamos perdendo tempo com alguma coisa dessas quando... – e uma discussão acalorada começou a partir daí. InuYasha massageou as têmporas irritado. Ser rei era uma droga! Por que seu pai tivera que renunciar para ele assumir? Velho esperto! Quisera se livrar desses problemas.

InuYasha bufou, levantando-se, para o espanto dos conselheiros que ficaram observando-o. O hanyou contornou o trono, abrindo a passagem secreta e puxando para fora uma Kagome muito surpresa.

- InuYasha, o que você está fazendo? – perguntou ela, mas o hanyou arrastou-a pela mão, parando diante dos homens.

- Essa é a razão de eu estar lutando por esse decreto. Porque ela é a mulher que eu amo e sei o que ela sofreu por causa de um casamento arranjado. Aliás, vocês deviam se dar conta de as mulheres podem ser muito melhores em certas coisas do que os homens. Só algumas. Foi ela quem fez quem escreveu e planejou toda a emenda. – declarou InuYasha, e os homens olharam surpresos para a garota, que olhou para o marido que ele não devia ter dito aquilo. InuYasha ignorou, voltando-se para os homens e chamando a atenção pra si. – Aliás, foi minha mãe que sempre escreveu todas as leis que meu pai colocou em votação, e que vocês sempre acharam extraordinárias. Além disso, vou fazer com que o conselho tenha algumas cadeiras para mulheres. É.

E dizendo isso, InuYasha saiu do Salão deixando-os estupefatos. Kagome olhou para os conselheiros que ao se recuperarem do susto, começaram a cochichar energeticamente. Com um suspiro saiu atrás do hanyou, balançando a cabeça, mas sorrindo de canto. Só ele mesmo. Encontrou-o no corredor, encostado em uma balaustra, olhando para os jardins.

- InuYasha! Você não devia ter dito aquilo! Era segredo!

- O que aconteceu? – perguntou Izayoi acompanhada de Sango. A ex-rainha vinha com um bebê de 6 meses no colo.

- InuYasha enlouqueceu e contou a verdade! – contou Kagome, mas o hanyou só resmungou alguma coisa sem dar atenção ao olhar de sua mãe. O barulho da porta se abrindo atrás deles e dos conselheiros saindo fez com que se virassem. Mirok andou até eles com um sorriso enorme.

- Eles aprovaram a Emenda! – declarou ele e todos deram vivas de alegria. O bebê deu uma risada, chamando a atenção de todos e fazendo-os cair na gargalhada. Kagome pegou seu filho nos braços, sorrindo.

- Você está feliz, Katsu? – falou ela com o bebê que sorriu ainda mais.

- Falando nisso Kagome, você nunca disse por que escolheu esse nome. – comentou Sango enquanto saiam do castelo para o jardim. Kagome sorriu brincando com as orelhinhas do garoto, herdadas do pai.

- Porque significa vitória. E ele representa isso pra mim. – e sorrindo eles caminharam pelos jardins, lembrando acontecimentos felizes e vivendo tantos outros.

The end

AAAAH! Não acredito! Eu terminei cara! Ainda não estou chorando pq a ficha não caiu. Husauhashsahusa Aiinn depois de o quê? 5 anos! Heheheh (também com o tempo que eu demoro pra atualizar)

Antes de tudo quero agradecer a todos que me ajudaram a escrever essa fanfic, principalmente a Rê com que era em conjunto a história.

Obrigada a todos vocês leitores, mesmo os que desistiram de ler a fic, pelo apoio e por nunca desistirem apesar de que, EU SEI, eu demorei muuuiiiitoooooo pra postar os capítulos. OBRIGADA MEEESMOO!

Espero que todos vocês tornem-se meus leitores quando eu algum dia terminar meu livro (heheheh), o qual vou me dedicar inteiramente agora, mas principalmente se eu passar no vestibular. Fiquem tranqüilas. Eu escrevo melhor no meu livro pq eu tenho mais tempo pra planejar a trama e com certeza mais tempo pra arrumar os erros de português.

Vou dizer para vcs... Escrever esse cap não foi fácil. Eu tinha prometido a mim mesma que daria ele como presente de natal, mas faz um mês que eu não tenho um final de semana livre, que é quando eu tenho tempo para escrever. Então eu tive que escrever nos intervalos que me restaram essa semana, conseguindo escrever boa parte ontem pq eu não fui na aula e hoje. Sinceramente, eu me senti Zeus quando Atenas nasceu da cabeça dele. Porque, francamente, foi quase isso que aconteceu para escrever esse capítulo. UHSAUHSAUHSAUHS

Bom, acima de tudo, espero que vocês tenham gostado. Eu sei que cometi alguns deslizes ao decorrer da fic, mas acontece hehehehe Não falarei para colocarem em Story Alert, já que acabou! Mimimimimi Mas espero reviews!!!

Muito obrigada, mais uma vez. Feliz Natal a todos e Feliz Ano Novo!

Com muito amor,

Dessa-chan