Esta fic foi gerada na minha cabeça (Nana Pizani), mas obteve enorme ajuda e apoio da minha grande amiga e "prima" do coração Amy-Lupin-Black (carinhosamente conhecida por Ami-chan). Saint Seya não é nosso e nem temos interesses lucrativos com essa fic. Por favor, não nos processem, mas podem enviar um review com a sua opinião.

Não vamos seguir datas, mesmo porque Saint Seya está cheio de erros de continuação. Espero que gostem mesmo assim...

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Primeiros sintomas

Kamus era um homem muito bonito, mas muito tímido. Tinha longos cabelos escuros e olhos azuis, lindos num corpo perfeito! Nunca se declarara, mas já teve a oportunidade de ser pedido em namoro ou casamento várias vezes. Ele não se sentia atraído por ninguém e isso o incomodava, pois já havia passado dos 20 anos e nunca havia beijado ninguém apaixonadamente.

Ele estava sentado na varanda da sua casa ou de seu esconderijo, como diriam os amigos. Amigos? Será que ele tinha algum amigo? Ele tinha colegas e se dava relativamente bem com eles, mas haveria alguém a quem pudesse chamar realmente de amigo?

Ele não podia responder a essa pergunta. Não sentia amor ou amizade. Há anos perguntava-se a si mesmo que tipo de sentimento era esse, mas não encontrava respostas. Sentia-se vazio por dentro e uma dor constante em seu peito. Não era problema cardíaco, ele sabia, mas faltava algo. Kamus sempre foi do tipo de pessoa que tinha medo de envolver-se demais com alguém e tinha facilidade de afastar as pessoas ou até esquecer alguém, por mais especial que fosse.

Só havia uma coisa que ninguém poderia negar: o cavaleiro de ouro de Aquário era um dos mais responsáveis e dedicados cavaleiros. Ele era muito persistente ou teimoso, como Milo costumava brincar. Aquele Escorpião metido era o único que conseguia colocar um sorriso nos lábios do aquariano e por isso tinha um carinho especial. Achava que era algo como um irmão que ele nunca teve, mas não sabia se o amava.

Hoje era um dia de treinos e, para variar, ele já estava presente na arena 20 minutos antes do horário marcado. Esta era outra de suas qualidades: a pontualidade. Num compromisso, Kamus preferia estar uma hora antes a 5 minutos depois do combinado. Ele detestava atrasos e essa era a sua maior briga com Milo, que sempre aparecia, no mínimo, 30 minutos depois.

Este dia não poderia ter sido diferente. As lutas começaram quase uma hora depois do horário estipulado, o que já estava virando uma tradição e causando revoltas nos cavaleiros mais disciplinados. Hoje seria aplicado um teste de resistência também e por isso as batalhas foram mais para uma aquecimento dos músculos. Kamus não falava nada, mas havia um certo tempo que uma fisgada na região da virilha esquerda o incomodava.

Todos iriam começar a prova da maratona. Teriam que correr 42 quilômetros em 10 minutos. Não era nada impossível para alguém que conseguia alcançar a velocidade da luz. Na verdade, era mais uma prova de auto-controle do que de força ou velocidade. Os cavaleiros logo começaram a correr e Dohko ficaria na linha de chegada para certificar que todos conseguiram cumprir a prova no devido tempo. Passados, 10 minutos, sentiu a falta de dois cavaleiros.

- Tudo bem que o Milo adora arranjar uma desculpara para não treinar, mas onde está o Kamus? – Perguntava o cavaleiro mais velho.

Não houveram respostas. Os cavaleiros se olharam e só havia uma coisa a fazer.

- Vamos procurá-los! – propôs Mu.

- Não precisa. – Todos reconheceram a voz de Milo.

O cavaleiro de Escorpião aparecera carregando Kamus nas costas. O aquariano se agarrava a ele, mas parecia ter vergonha de estar sendo carregado. Todos se aproximam, preocupados.

- Kamus? Mas o que aconteceu? – pergunta Shakka.

- Acho que ele teve um estiramento muscular na coxa esquerda. De qualquer forma, não tem mais condições de andar e por isso vim avisar que o levarei ao hospital. – Milo falava com um tom preocupado, ainda carregando Kamus nas costas.

- Tudo bem, Milo. Tome conta dele e... se souber que é outra de suas armações, vai ser exemplarmente punido. – avisa Dohko.

- Mestre ancião, perdoe a minha interferência, mas não acredito que Kamus concordaria em participar dos joguetes de Milo. O nosso aquariano é sério e orgulhoso de mais para esse papel. – afirmava Aioria.

Milo não estava a fim de ouvir sermões e percebia que Kamus ainda gemia de dor, por isso resolveu sair dali imediatamente, sem nem olhar para trás. Passou-se um longo período de exames, mas logo o médico veio com a notícia:

- O seu amigo não teve nenhum estiramento. Ele só forçou demais o músculo e terá que fazer compressas geladas na coxa esquerda, evitando fazer esforço físico por mais ou menos uma semana. – seu semblante era tranqüilo.

Milo ouve as instruções atentamente. Mais tarde, já no templo de Aquário, Milo está sentado na cama, ao lado de Kamus e com uma bolsa de gelo sobre a perna dele. Kamus olha o escorpiano, com cara de quem não está entendendo nada e pergunta:

- Por que está fazendo isso? Se eu quisesse poderia congelar a minha perna se fosse preciso. – sua voz sai um pouco ríspida.

- Não precisa ofender, Kamus! Eu só quis te ajudar, mas se te ofendo ficando, vou embora! – Miro diz, já se levantando.

- Espere, Milo! Desculpe-me. Você não tem culpa do meu mau-humor... – Kamus diz, cabisbaixo.

- Kamus, eu sou teu amigo. Pode desabafar o quanto quiser... – o cavaleiro de escorpião fala gentilmente.

- Eu... eu não gosto de falar dos meus problemas pessoais... – Kamus fica cabisbaixo.

- Entendo. Não vou forçar... – Milo diz, segurando a bolsa de gelo.

- Posso fazer uma pergunta? – Kamus começa.

- Já fez, mas faça outra! – Milo fala, com sua habitual alegria.

- Por que você se importa tanto comigo? – Kamus pergunta seriamente.

- Ah! Você é meu amigo e sempre fica tão rabugento, que gosto de provocar. – responde o cavaleiro de Escorpião, bagunçando o cabelo do amigo.

- Meu cabelo! Você sabe que eu não gosto... – reclama Kamus.

- Não falei? É só provocar um pouquinho que você já fica bravo! – o escorpiano diz com um largo sorriso.

Kamus sorri discretamente e balança negativamente a cabeça. Ele faz menção de levantar-se, mas Milo não deixa.

- Repouso absoluto, Kamus! – o rapaz diz, colocando a mão sobre o ombro dele.

- Mas eu preciso ir ao banheiro. – protesta Kamus.

- Por que não falou? Eu te ajudo... – Milo estende a mão.

Conforme o tempo vai passando, a perna de Kamus começa a melhorar e uma semana depois o cavaleiro de Escorpião volta para sua casa, deixando Kamus novamente sozinho. Naquela semana, começa a chover, nada espantoso, pois estávamos na primavera, época de chuvas.

Os treinos prosseguiam mesmo assim. Kamus arriscava a participar de exercícios leves, pois sua perna ainda não estava totalmente recuperada. Os treinos seguem de forma normal, mas Shakka (que lutava contra Milo) percebe que o cavaleiro de Escorpião não está nada bem, pois eles mal começaram os treinamentos e ele já estava cansado. Todos assustam-se quando Milo perde as forças, caindo de joelhos no chão.

- Milo? – Shakka o segura nos braços.

O cavaleiro de Escorpião não pode responder, pois está muito ofegante. Dohko balança negativamente a cabeça e, com um tom de repreensão, fala:

- Milo, você anda perdendo muitos treinos! Não é à toa que se cansou por tão pouco.

- Milo está muito ofegante, acho melhor ele descansar um pouco e continuar depois. – Shakka fala.

- Tudo bem! Mas logo trocaremos de parceiros e a próxima luta do Milo será contra Aioria – avisa o cavaleiro de Libra.

- Entendido, mestre Dohko. – Shakka responde.

Passa-se o tempo e logo Milo volta à luta, mas não consegue concentrar-se e acaba apanhando feio de Aioria. O cavaleiro de Leão desiste de continuar e leva Milo para casa.

- O que estará acontecendo? Primeiro Kamus e agora eu... – preocupa-se Milo.

- Como o Dohko disse, você não anda treinando do modo devido e por isso está tão cansado. Para piorar, ainda estava desconcentrado. Tem algo a ver com Kamus? – pergunta Aioria.

- Sim, fiquei um pouco preocupado com ele... – responde o escorpiano.

- Milo, eu sei que não tenho nada a ver com sua vida pessoal, mas você gosta do Kamus? – pergunta o leonino, com certo receio.

- Se gosto do Kamus? Ele é um dos meus melhores amigos... – responde Milo.

- Não dessa maneira. Você sabe... – Aioria fica sem graça ao tocar no assunto.

- Você está perguntando se eu sou gay? – Milo assusta-se.

- Bom, entenda como quiser... – responde o cavaleiro de Leão, vermelho.

Milo solta uma gargalhada gostosa e responde:

- Não, eu não sou! Tenho um carinho especial pelo Kamus sim, mas sei lá! É quase como se fosse um irmão que nunca tive... – Milo confessa.

- Entendo. Não me leve a mal, mas é que esse seu comportamento estava afetando a todos... – justifica-se o Leão.

- Eu sei! E devo desculpas, mas não posso parar de pensar no meu amigo. Ele é sempre tão solitário... Vai acabar ficando doente. – entristece-se Milo.

Aioria desconfia da reação de Milo, mas não faz mais pergunta. Conhecendo o amigo, ele sabe que o escorpiano se abriria mais cedo ou mais tarde. Os dois caminhavam lado a lado, até que Milo novamente perde as forças nas escadarias entre Gêmeos e Câncer.

- Milo! – preocupa-se Aioria.

- Droga! Estou me sentindo tão fraco... – reclama Milo.

Aioria verifica o pulso de Milo e percebe que está com palpitação e sua mão está um pouco gelada. Assustado, ele pega Milo no colo e continua subindo.

- Aonde vamos? – pergunta o escorpiano.

- Para a minha casa. Acho que esse mal-estar não é só preocupação com o Kamus... – responde Aioria.

Quando o treino termina, cada cavaleiro sobe até sua casa e, os que têm que passar por Leão, te uma desagradável surpresa.

- O Milo já está em casa? – pergunta Kamus.

- Não, ele está no meu quarto de hóspedes e não está nada bem... – avisa o leonino.

- Como assim? – preocupa-se Kamus.

- Talvez seja só uma gripe, pois ele estava com palpitação, fadiga e agora está febril... – informa o cavaleiro de Leão.

- Onde é o quarto? – Kamus pergunta nervosamente.

- É a terceira porta à direita. – Aioria fala.

Kamus corre em direção ao quarto, enquanto os outros cavaleiros que ali estavam ficam ouvindo todas as explicações de Aioria e pedindo informações sobre tudo o que acontecera. Ao chegar ao quarto onde estava Milo, Kamus pára em frente à porta, com um olhar de preocupação. Milo sorri ao ver que seu amigo estava ali e fala:

- Estou bem, não fique assim.

- Milo... Eu sei que talvez esteja preocupado de mais com você, mas... – o aquariano cora.

- Kamus, é só uma gripe! Mas fico feliz ao saber que você está aqui. – fala o escorpiano.

- E por que não estaria? Você é o meu melhor amigo, um irmão que nunca tive... – Kamus tenta justificar-se.

- Irmão? Nossa! O cavaleiro de gelo chamou alguém de irmão... – Milo provoca.

- Milo! – Kamus repreende.

O cavaleiro de Escorpião ri de si mesmo e da cara enfezada que o outro demonstrava.

- Só você mesmo... – Kamus dá um sorriso de canto de boca – Como está se sentindo?

- Ainda um pouco cansado, com dores no corpo todo e alguns calafrios. – responde o escorpiano.

- Resumindo, sintomas de uma gripe comum... – alivia-se Kamus.

- Sim, mas eu tive um pouco de febre também, acho que não será tão comum assim... – Milo diz sorrindo.

- E você diz isso sorrindo? – espanta-se Kamus.

- Ah! Pelo menos assim eu sei que você vai se preocupar comigo e me visitar sempre. – justifica o outro.

Kamus balança negativamente a cabeça, encarando a expressão divertida de Milo. Não conseguindo se conter, acaba soltando um pequeno sorriso.

- Droga! Onde está a câmera fotográfica? Kamus sorrindo é pra ficar na história. – brinca Milo.

- Não sei o que faço contigo. Agora descansa... – Kamus diz, virando-se para sair.

- Kamus, espere! Eu... eu gostaria de ter você ao meu lado... por favor! Nem que seja para ficar em silêncio, mas fique comigo. – pede Milo, com uma ponta de tristeza.

- Por quê? Você tem tantos amigos no santuário... Por quê eu? – pergunta Kamus.

- É que... você é o meu irmão, esqueceu? – Milo fala sério.

Kamus sorri com a justificativa e resolve ficar ao lado do amigo. Logo os outros cavaleiros entram e começam a bagunçar. Fato que faz Kamus sair do quarto e procurar um lugar para ficar sozinho. Afinal, se tem algo que ele deteste, é a bagunça.