Título: Clover
Ficwriter
: Kaline Bogard
Classificação
: yaoi
Pares
: YohjixKen, AyaxOmi
Resumo:
E se três Weiss se apaixonassem por Ken Hidaka? Por qual o moreninho se decidiria? E se de repente ele não escolhesse nenhum?


Clover
Kaline Bogard


Capítulo 1 – Uma questão de sorte. Ou azar...

A noite estava tão escura como nunca vista antes. Não havia estrelas, nem luas, apenas nuvens pesadas e densas, anunciando uma provável tempestade.

(Yohji) Essa foi por pouco!

(Omi) O muro dos fundos fica por ali!

(Ken) Vamos dar o fora daqui logo!

A missão fora difícil, haviam mais bandidos do que o esperado, e por pouco os integrantes da Weiss não ficaram em apuros mais sérios. Felizmente eram assassinos bem treinados, e tinham muita presença de espírito para lidar com as reviravoltas imprevisíveis que implicavam em uma missão.

(Aya) Falta muito, Bombay?

(Omi) Não. Ali está!

Tiveram que desviar da rota original, e agora o único meio de fuga era pelos fundos do depósito.

Chegaram perto do muro, analisando a situação.

(Ken) Merda! Olha o tamanho desse muro!

Apesar da noite estar escura, era possível vislumbrar o contorno do muro, e o mesmo deveria ter um pouco mais de quatro metros de altura.

(Yohji) Eu vou primeiro!

O loiro tomou impulso, e num salto estava sobre o tal muro. Olhou para o outro lado, e sorriu.

(Yohji) Não dá pra ver nada, mas acho que é seguro.

O depósito tomava conta de todo o quarteirão, num bairro afastado do centro. Era usado para guardar armas e bebidas traficados ilegalmente.

(Yohji) Ops... cuidado ai embaixo!

O muro era velho, e estava semi desmoronado em alguns pontos. Yohji acabou pisando em um tijolo solto, fazendo o mesmo cair em direção os outros três assassinos. Felizmente ninguém foi atingido.

(Ken) O que houve?

(Yohji) Essa droga tá caindo aos pedaços! Cuidado na hora de subir!

(Omi) Balinese, agora é minha vez!

O chibi tomou distancia e saltou, segurando na mão que Yohji lhe estendia.

(Yohji) Tudo bem?

(Omi) Obrigado!

Sem esperar mais o loirinho saltou, caindo do outro lado em segurança. Procurou algum inimigo que pudesse estar a espreita, mas a noite estava escura e silenciosa demais. Era um sinal evidente de que ninguém rondava a área, além dos quatro.

(Omi) Tudo ok!

Yohji olhou para os outros dois, sabendo que eles eram ágeis o bastante para se virarem sozinhos. Depois deixou o corpo escorregar, caindo em pé ao lado de Omi.

(Yohji) Caramba, essa movimentação vai estragar meu penteado...

(Omi)...

Do outro lado do muro, Aya e Ken se entreolharam. Sabiam que não teriam nenhum problema em saltar.

(Aya) Vai você primeiro.

Preferia ficar por último, e se certificar que tudo estaria bem.

(Ken) Certo.

Afastou-se a uma boa distancia, e correu, saltando de forma ágil. Parou em cima do muro e virou o corpo, olhando para Aya.

(Ken) Quer ajuda?

Antes que Aya respondesse, o muro fez um barulho e estremeceu. Era uma estrutura velha, e não estava agüentando com o peso que lhe era imposto.

Sem que Ken tivesse tempo de entender o que estava acontecendo, uma parte do muro caiu, derrubando-o junto.

Yohji e Omi afastaram-se espantados, temendo que algum dos tijolos caísse sobre eles. Viram que o moreninho caiu de mal jeito, entre alguns escombros. O playboy arregalou os olhos ao ouvir um som que diferia dos outros... parecia barulho de... ossos quebrando!

(Omi) Ken! Está tudo bem?

Por sua vez, Aya ficou um segundo paralisado pela surpresa, mas logo reagia, tomando distancia e saltando o muro, cuidando para evitar a parte quebrada.

(Yohji) Nossa...

Ken ainda estava no chão, sujo de poeira e meio atordoado pela longa queda.

Aya saltou ao lado deles e se aproximou, analisando a situação. Em questão de segundos Yohji recuperou o senso prático, e abaixou-se, ajudando o moreninho a levantar-se.

(Yohji) Se machucou?

(Ken) Acho que não... ai!

Ken apoiou o pé esquerdo no chão e sentiu uma dor profunda, que o fez trincar os dentes.

(Yohji) O que foi?

(Omi) É a sua perna?

O chibi abaixou-se e apalpou a perna do companheiro, por cima da calça jeans. Quando tocou no local machucado, Ken encolheu-se e tentou se afastar, mas Yohji o segurou com firmeza.

(Ken) Isso dói, Omi!

(Yohji) Calma, Ken, ele está fazendo isso para o seu bem.

(Omi) Acho que você quebrou a perna.

(Aya) Hum...

(Ken) Droga!

(Yohji) É melhor leva-lo para um pronto socorro...

Amparou o moreninho, e ajudou-o a se locomover.

(Aya) Era ó o que faltava...

(Ken) Eu não tive culpa!

(Yohji) Aya, deixa de ser chato. Se você não vai ajudar, é melhor voltar pra casa.

Mas o ruivo calou-se, passando na frente dos companheiros, afinal ainda estavam em missão, e podia haver algum inimigo escondido. Mesmo eles tendo se esquecido de usar os codinomes, devido a preocupação com Ken.

Omi entendeu a estratégia do líder da Weiss e adiantou-se, acompanhando-lhe os passos.

Por sorte não havia mais ninguém e eles se acercaram do carro sem nenhum problema. Haviam deixado os veículos em segurança à alguns quarteirões acima, por precaução.

(Omi) E a moto do Ken?

Os quatro se entreolharam.

(Aya) Yohji, você vai embora na moto do Ken, deixa que Omi e eu o levamos até o hospital.

O loiro ficou indeciso entre abandonar o jogador nas garras do insensível líder da Weiss, mas, estando Omi com eles, Yohji ficava mais tranqüilo. Acabou aceitando, e permitindo que Aya amparasse Ken, e o ajudasse a se locomover.

(Yohji) Vão com calma.

O ruivo acenou com a cabeça, logo ele colocava Ken meio deitado no banco de trás, cuidando para não encostar na perna ferida. Omi sentou-se ao lado do motorista, enquanto Aya dava a volta e assumia a direção.

(Omi) Yohji, a gente te liga dando noticias.

(Yohji) Certo.

Aya ligou o carro e deu ré, indo em direção ao centro da cidade.

O loiro deu um suspiro desanimado, depois olhou para a moto do companheiro.

(Yohji) Esse capacete vai estragar meu penteado...

Mal terminou essas palavras, e sentiu um pingo de chuva cair sobre seu rosto. Era o começo de uma tempestade.

(Yohji suspirando) Mais essa... falta de sorte...

oOo

O hospital estava movimentado e cheio de gente. Médicos e enfermeiras se moviam de modo aparentemente desgovernado, mas cada um deles sabia exatamente o que fazer.

Depois de esperar por meia, um enfermeiro aparecera com uma maca, e levara o moreninho para ser finalmente atendido.

Aya ficou na recepção, esperando noticias do companheiro, enquanto Omi ia ligar para Yohji, como prometido.

Alguns minutos depois o loirinho voltou, trazendo um sorriso no rosto e dois copos de café. Sentou-se ao lado de Aya e explicou:

(Omi) Yohji queria vir pra cá, mas eu disse que não precisava.

Estendeu um dos copos com café para o ruivo, que aceitou em silencio. Beberam o café em pequenos goles, cada um perdido em pensamentos secretos e íntimos.

(Omi pensativo) Como será que o Ken está?

(Aya) Não se preocupe. É apenas uma perna quebrada.

(Omi pensativo) Que azar do Ken...

(Aya) Ou sorte minha...

O chibi não entendeu o comentário de Aya. Fitou o companheiro por alguns segundos. Depois deu de ombros e amassou o copo de papel, jogando-o num cesto de lixo próximo.

Enquanto terminava de beber o café, Aya suspirou. Pensou que tinha uma parcela de culpa, por mandar que o moreninho saltasse o muro na frente. Se ele próprio tivesse ido, com certeza ele estaria no lugar de Ken agora...

Engraçado pensar nisso... uma questão de pura sorte... ou azar, dependendo do ponto de vista.

Sentiu um pouco de remorso... mas essa sensação durou apenas um segundo, logo um dos enfermeiros se aproximou, e sorriu para os dois assassinos. Trazia uma prancheta nas mãos.

(Enfermeiro) Vocês que trouxeram o senhor Hidaka?

Omi sorriu ao ouvir o "senhor Hidaka", dava a impressão de uma pessoa mais velha, e não o Ken que conhecia.

(Aya) Sim.

(Enfermeiro) O médico gostaria de dar algumas recomendações à vocês. Venham comigo, por favor.

Ambos ergueram-se e foram atrás do enfermeiro, até uma das salas usadas por um dos médicos de plantão.

O enfermeiro abriu a porta, indicando que Aya e Omi deviam entrar. Depois fechou a porta, afastando-se para cuidar de outros pacientes.

(Doutor) Boa noite.

Era um médico de idade avançada, com olhar experiente e acolhedor. Estava quase totalmente careca, e os poucos cabelos que lhe rodeavam a cabeça eram brancos. Apesar de estar sentado, dava pra notar que era alto e magro, além de parecer muito distinto.

(Omi) Boa noite.

(Doutor) Sou o dr. Wasaki, e eu cuidei do senhor Hidaka. Vocês são da família?

(Aya) Somos sim.

Omi concordou com a cabeça, pois não era uma mentira... preferia encarar como meia verdade.

(Doutor) Não precisam se preocupar, o rapaz fraturou a perna esquerda, mas não é nada muito sério. A perna foi engessada, e eu recomendo 35 dias de imobilização.

(Omi) Mas... ele vai...

(Doutor) Não haverão seqüelas, logo ele estará novinho em folha como se nada tivesse acontecido. Recomendo apenas muito descanso e que ele evite fazer muito movimentos, pelo menos na primeira semana. Imobilizamos a perna dele, pois o gesso ainda é o modo mais seguro de "sossegar" os jovens.

Riu de modo animado, e descontraiu, permitindo-se esquecer da rotina agitada do hospital, que não permitia descanso, apesar da hora avançada.

(Doutor) Acreditem, eu tenho um filho na idade do sr. Hidaka, e quando ele quebrou a perna não foi fácil segura-lo!

Aya suspirou irritado. Estava mais interessado em saber do companheiro do que ouvir histórias da vida particular do médico.

Mas o doutor assumiu novamente o ar profissional e continuou explicando a situação.

(Doutor) O sr. Hidaka ainda está dormindo, é normal, pois o anestesiamos para aliviar a dor, enquanto a perna era engessada.

Estendeu um frasco para Aya, que pegou em silêncio. Analisou as informações e depois guardou o vidro num dos bolsos do sobretudo.

(Doutor) Ele vai sentir um pouco de dor nos primeiros dias... levem esse analgésico com vocês... dêem uma dose pela manhã, durante oito dias. Se a dor se fizer muito presente, podem dar mais uma, mas eu não recomendaria. Vou dar alta a ele amanhã de manhã, pois é bom que o rapaz fique em observação durante essa noite.

(Omi) Obrigado, doutor.

(Doutor) Não tem de que. Normalmente apenas uma pessoa tem autorização para passar a noite com o paciente, mas o sr. Hidaka está sozinho no quarto, e creio que não há problemas se vocês dois ficarem com ele.

(Omi) Obrigado!

O doutor ergueu-se e fez um gesto para que eles o acompanhassem.

(Doutor) É o fim do meu plantão. Vou mostrar-lhes o quarto, e depois vou para casa.

(Aya) O senhor volta amanhã?

(Doutor) Claro! Não se preocupe que as nove horas eu estarei aqui para assinar a alta do senhor Hidaka.

Seguiram em silêncio por um dos corredores, e logo o doutor parou em frente ao quarto 201, entrando no mesmo.

Como o doutor havia dito, Ken estava sozinho no quarto, e dormia profundamente. Estava coberto com um lençol branco, e a perna engessada descansava sobre um suporte revestido com um acolchoado.

(Doutor) Ele vai dormir a noite toda. Bom, tem duas cadeiras ali, não será muito confortável, mas... é o que dá pra fazer.

(Omi) Obrigado por tudo.

(Doutor) Só fiz o meu dever. Boa noite.

Saiu do quarto deixando os dois assassinos sozinhos com o amigo ferido.

(Omi) Vou até recepção ligar pro Yohji, e deixa-lo a par das novidades. Volto logo, está bem?

O ruivo balançou a cabeça concordando. Depois encaminhou-se até uma das cadeiras, e colocou-a próxima a cama de Ken.

(Omi)...

(Aya) Você não vai?

O loirinho deu as costas e saiu do quarto depressa. Não entendera a atitude de Aya, e não havia gostado nem um pouco...

Aya olhou para a porta por onde o chibi havia saído, perdendo-se em pensamentos confusos.

Estava mais preocupado com o jogador do que deixava transparecer, e não sabia que nome dar a esse sentimento... não entendia o que estava acontecendo...

Ver Ken deitado naquela cama lhe dava uma sensação muito semelhante a que sentia quando estava com sua irmã.

Será que ele estava...

Não. Recostou-se na cadeira, fechando os olhos e respirando fundo. Tentou mudar o rumo dos pensamentos, pois uma discussão mental consigo mesmo era o que menos queria nesse momento.

Sorriu levemente ao lembrar-se do olhar quase ciumento do Omi. Era óbvio que sentira ciúmes...

(Aya) Só faltava isso...

O ruivo notara a tempos que Omi olhava de modo diferente para Ken, e talvez nem mesmo o chibi percebera essa mudança em seus sentimentos...

Mas Aya sim... o ruivo estava atento a qualquer detalhe que envolvia Ken... mesmo que não demonstrasse, ele se importava mais que com os outros dois companheiros...

Tinha desconfiança do que poderia significar esses sentimentos, mas... ainda não admitiria isso... por enquanto...

Suspirando, o ruivo ergueu-se, e deu uma pequena volta pelo quarto, tentando espairecer as idéias. Quando deu por si, estava parado bem próximo ao leito onde Ken dormia tranqüilamente.

Sem poder se conter, Aya permitiu que seus olhos percorressem toda a face do moreninho.

E ele estava tão sereno... tão...

Era difícil resistir aos encantos do jogador... e Aya entendeu que não conseguiria manter a postura indiferente por muito tempo...

Quase sem perceber, o frio líder da Weiss esticou o braço e depositou a mão sobre os cabelos castanhos de mechas lisas e macias. Deslizou a mão de modo gentil e carinhoso, muito diferente da maneira como se portava no dia a dia.

Suspirando fundo, Aya chegou a sorrir. Queria fazer isso a muito tempo, mas... algo ainda o impedia...

Continuou acariciando o cabelo de Ken, até que a porta do quarto se abriu, e Omi entrou, parando surpreso ao ver a cena.

(Omi) Eu... já avisei o... Yohji...

Caminhou até a cadeira onde Aya estivera sentado e acomodou-se nela, ficando quieto, com os olhos perdidos em algum lugar entre este mundo e o mundo dos sonhos.

Sentiu-se confuso com as sensações que preencheram seu corpo ao ver o modo gentil que Aya tocava em Ken...

(Omi pensando) O que está acontecendo comigo?

Continua...