Disclaimer:

Os personagens de Harry Potter pertencem a JK Rowling. Tomei-os emprestado apenas para escrever uma história destinada a entretenimento, sem fins lucrativos.

Para Lílian Evans

Por Ayame N. Yukane


Capítulo 1

Por Rosas e Horas

As monótonas férias de Lílian Evans definitivamente não eram salvas com sua preocupação excessiva. Não era para menos.

Começaria seu sétimo ano: o último ano da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, o ano dos N.I.E.M.s. Não que a ruiva fosse má aluna, pelo contrário.

Ficava mais apreensiva a cada dia só de saber que seu futuro dependia desses exames. E sabia que isso significava muito estresse e intermináveis dores de cabeça durante todo o seu ano letivo.

O dia estava muito quente, afinal, era agosto. O calor aumentava progressivamente em seu quarto, trancado e abafado. Como se já não bastasse, sua irmã ainda batia na porta gritando:

– Lílian! Abra logo essa porta! O quarto não é só seu, anormal!

Lílian suspirou. Até pensou em retrucar dizendo que a única anormal era ela, mas sua boca despejou outras palavras mais rápido:

– Cale sua boca, girafa! Por que não vai lustrar os móveis que tanto gosta? É uma perfeita réplica de elfos domésticos!

– Elfos o quê? – perguntou Petúnia Evans com ar de curiosa parando seu escândalo instantâneo.

– Nada, nada... Esqueça.

– Por que você fica trancada aí, hein? – disse ela voltando a levantar o tom de voz. – Está praticando suas magiquinhas?

Lílian suspirou novamente. Já estava suficientemente nervosa por causas dos exames, e ainda tinha que aturar aquela gralha que era sua irmã mais velha.

– Juro para você que se não calar essa sua boca, faço você virar um sapo! – gritou Lílian de volta não pretendendo realmente cumprir a ameaça por pura questão de regulamento bruxo, se não fosse por isso, estava disposta a tudo.

Ela ouviu a irmã exclamar algo como "Eu odeio sapos!", mas ela logo teve de ir atender a porta, felizmente para Lílian. O namorado de Petúnia havia chegado, como Lílian observou pela janela.

Entediada, a ruiva ficou os observando pela janela. Conversavam melosamente, mas parecia não estar escutando nenhuma palavra do que diziam, aliás, aquilo tudo a enojava.

"O casal perfeito: um hipopótamo e uma girafa!", pensou ela ironicamente. "O filho com certeza vai ser um porco! Vamos ter um zoológico na família!".

Lílian, então, desviou o olhar dos dois ao escutar um som que a alarmou subitamente. Era o bater de asas que tanto soava a música em seus ouvidos. Levantou os olhos e vislumbrou uma coruja cinza aproximando-se de sua janela.

"Que bom! Deve ser o convite de casamento de Alice e Longbotton!", pensou ela feliz.

Lílian abriu a janela para a coruja entrar, acariciou a pluma da ave e a recompensou com alguns petiscos que tinha por perto. Após distribuir bicadinhas de felicidade em seus dedos, o pássaro estendeu a pata para a bruxa pegar a carta que trazia consigo.

A moça pegou a carta da pata da ave tomando cuidado para não rasgá-la como fizera da última vez, ou então acidentalmente ferir a coruja – não tinha boas lembranças da ave de Sirius.

"Nossa! A Alice poderia feito algum convite mais formal... Desde quando se escreve em um convite de casamento 'Para Lily'?".

Lílian caminhou até sua cama e se deitou para ler o convite, entusiasmada em saber onde seria a tal festa que Alice insistira em não contar por querer que fosse surpresa até o último momento.

Abriu cuidadosamente a carta. Porém, seu espanto foi grande ao ver que ao abrir o pergaminho, começaram a cair pétalas de rosas vermelhas por todo seu quarto. Elas se materializavam poucos antes do teto, o que dava a impressão de que caiam do andar superior, atravessando a parede.

Instantaneamente, iniciou-se uma trilha sonora que acompanhava cada frase que lia do suposto convite.

"Lily,

Minhas férias são um tormento sem você."

The wind it blows through the trees. Claiming those innocent leaves

And the thunder rools these crashing seas

Like a tender kiss holds this heart in me

"É estranho estar escrevendo isso agora, pois acho que nunca teria coragem de lhe dizer isso pessoalmente"

In this life long a love song. You can love right, you can love wrong

In this love song you can love long. But if you love wrong it doesn't mean love's gone

"Aliás, nunca pensei que fosse fazer isto,"

Lílian was a Young girl with a young girl's heart

All I can remember is I loved her from the start

I was hers forever, she was mine too

But something's wrong cause now she's gone. Tell what should I do

"já que você já demonstrou que não quer nada comigo. Mas meu impulso foi mais forte desta vez."

In this life long a love song. You can love right, you can love wrong

In this love song you can love long. But if you love wrong it doesn't mean love's gone

"Eu preciso aprender a me controlar."

And it doesn't mean love's wrong, just because you're feeling low

And it doesn't mean love's gone, cause you feel like you want to let go

Well no one wrote in this book of love that you'd always know

I wish someone would have told me before

– Lílian! Abaixe esse som! – berrou Petúnia do outro lado da porta do quarto.

"Na realidade, queria poder tirar de mim aquilo que me prende a você."

We talked about love a million times it seems

The words come our lips like we forgot what it means

We said we'd be together 'till death do us part

But we said those words with only half our heart

"Não sei o que exatamente eu gosto em você, Lílian Evans, mas eu realmente gosto muito."

In this life long love song. You can love right, you can love wrong

In this love song you can love long but if you love wrong it doesn't mean love's gone

I wish someone would have told me before

"Espero te ver antes do ano letivo. Esta saudade está me secando por dentro...

ILLE."

A música de fundo cessara junto às palavras da carta. As pétalas de flores pararam no ar do jeito que estavam, organizando-se para formar as seguintes frases no ar:

O coração que está agora balançando, balançando

Sem poder acreditar em nada

E o que estava florescendo era o meu coração de rosas

E neste mundo balançando

Sem nem poder amar

Muito triste, como se fossem lindas pétalas de flores.

Lílian estava petrificada. Olhou desesperada para o local que antes a coruja estava, mas agora estava vazio. Sua única chance de explicação se fora. Sua mente não conseguia processar as informações corretamente. O convite de casamento de Alice deveria chegar, mas... Aquilo fora uma declaração de amor?

Ela caminhou até a janela e mirou o céu azul, olhando pensativamente para as nuvens, que estranhamente formavam as silhuetas de um veado, um cão, um lobo e um pequeno ponto ao lado destes.

– Ille...? – perguntou-se ela. – Quem é Ille...?

Porém, suas reflexões foram interrompidas pela voz de sua irmã:

– Ainda bem que você desligou o som! Mesmo que a música não seja anormal, jamais faça isso quando Valter estiver aqui! – a voz de Petúnia ecoava contra as paredes do corredor, e atravessava o quarto de Lílian, mas ela não escutava mais do que vagas palavras soltas no ar.

"Que bom que logo-logo não serei mais obrigada a aturá-la todos os dias!", pensou Lílian satisfeita, lembrando-se das figuras que vira nas nuvens. Assim, concluiu que era um sinal divino que mostrava que em breve a família Dursley poderia se formar e seria um zoológico, definitivamente.

Entretanto, por mais que tentasse desviar a si mesma do assunto, não conseguia tirar da cabeça a estranha carta que recebera, mesmo porque o pergaminho continuava bem seguro entre seus dedos. Conforme divagava, apertava-o com mais força do que planejava.

Quem seria Ille? "Ille", com certeza, não era um nome, era o pseudônimo de alguém. Mas quem seria esse alguém?

Então, emergiu novamente de seus pensamentos ao lembrar que a irmã continuava do outro lado da porta a bater paulatinamente porque Valter Dursley estava visitando a casa.

– O que você quer agora, Petúnia? – Perguntou Lílian impaciente.

– Abra logo essa porta! – Disse Petúnia com ar de superioridade torcendo para que seu amado no andar de baixo estivesse escutando seu tom autoritário para tratar a irmã. – Não tenho tempo para suas provocações! Preciso pegar minha bolsa!

– Onde é que ela está? – Perguntou Lílian disposta a pegá-la para a irmã.

– Se você acha que eu vou deixar você ficar xeretando nas minhas coisas está muito enganada! Abra logo esta porta!

Lílian fechou a janela, colocou o pergaminho no bolso e caminhou até a porta. Mesmo naquele forno de quarto, ela conseguira sobreviver com as costas suadas e os longos fios de cabelos ruivos colando no rosto. Abriu a porta vagarosamente, aproveitando cada segundo para observar o rosto da irmã contorcido de raiva.

Um rosto magro, branco e sarcástico pôs-se para dentro do quarto, mais parecia um cavalo, acompanhado de um fino e longo pescoço. A cara de Petúnia deixou Lílian aborrecida.

– O que aconteceu aqui? – Perguntou Petúnia correndo os olhos arregalados pelo quarto.

Lílian, que estava tão detraída pensando em quem seria Ille, esqueceu-se que deixara o quarto do jeito que estava: as pétalas de rosas continuavam sobre o chão, fazendo um lindo tapete vermelho no quarto. Ao menos a mensagem flutuante já se juntara às demais pétalas no assoalho.

– Depois que eu voltar, não quero ver nenhuma pétala de rosa no chão, e não me interessa nem um pouco que tipo de estranhice é essa! Você não tem o direito de fazer isso no meu quarto! – Disse Petúnia enquanto tirava sua bolsa de dentro de um guarda-roupa branco.

Mas Petúnia não deixou o quarto como era previsto pela ruiva, na verdade, ficou parada à porta:

–... O que você estava fazendo? - Perguntou com curiosidade.

Lílian revirou os olhos e não respondeu. Qualquer coisa que dissesse poderia ser usada contra ela, e como sabia que a irmã se interessava por determinados assuntos relacionados a magia, novamente iria tentar descobrir o que estava fazendo.

Petúnia, antes de deixar o quarto, fuzilou a irmã com o olhar e deixou o aposento, visivelmente irritada por não ter descoberto o misterioso significado das rosas.

"Ah! Como eu odeio quando ela faz essa cara de cínica, falsa, metida e invejosa!", queixou-se Lílian em pensamento, escandalizada pelo comportamento esnobe da irmã. "Que droga de irmã! Por que eu não nasci filha única?".

A ruiva fechou os olhos e inalou profundamente o ar, aspirando-o em seguida. Tinha mais o que se preocupar do que com as futilidades absurdas de Petúnia.

Afinal, quem era Ille? Teria mesmo um admirador secreto? Ou seria só mais uma brincadeira de algum idiota? Talvez de Black, Sirius sempre gostara de tirar sarro dela. Mesmo depois de terem saído juntos ele não mudara seu comportamento... Ou ainda podia ser Potter. Só de pensar no maroto suas tripas se reviravam dentro de seu corpo. Tiago realmente sabia como ser a pessoa mais insuportável e esnobe da face da Terra!

Mas, não... Ninguém como eles gastariam seu tempo com cartas que explodiam flores. Pensando como eles, deveria ser muito mais divertido comprar bombas de bosta e algum artigo da Zonko's que pudesse mostrar a reação da pessoa ao vê-las explodir. Talvez fosse aquele garoto do segundo ano que cismara em venerá-la como sua deusa... Ou ainda seu ex-namorado...

Lílian ficou pensando no assunto durante horas... Não chegava a conclusões. Formulava cada vez mais hipóteses, muitas absurdas, outras até prováveis, mas não se decidia por nenhuma. Não conseguia dormir, não conseguia descansar.


C.O.N.T.I.N.U.A.

N/A: Olá a todos!!

Bem, esta é minha primeira fic, publicada inicialmente em abril de 2002, finalizada no começo de 2004, mas republicada agora. Creio que alguns de vocês já leram a história, mas eu ficaria muito contente se pudesse retomar contato com meus antigos leitores! Para os novos: gostaram? A música que toca na carta do Ille chama-se Love Song, e é do Hanson. E a segunda, que está com tradução em português (apenas um trecho), chama-se Rosier do Luna Sea.

Muito obrigada a todos! Espero reviews!

Beijinhos!

AyaNayru