Manchetes: Um Romance de Hollywood

(Headlines A Hollywood Romance by Maiden of the Moon)

cap.13 – Leve-me para casa (parte 2)

O silêncio era uma coisa engraçada. Ele podia ser leve e casual, como uma brisa de verão que gentilmente acariciava suas bochechas na praia. Ou podia ser frio, duro e um mau presságio - semelhante a uma tempestade de inverno. Podia ser quente e amoroso, fazendo uma imitação relativamente boa de uma lareira acesa.

Ou podia ser como naquele momento - Chocado. Vazio. Simplesmente... Silêncio. E mais nada.

Kagome e InuYasha apenas olhavam enquanto o mencionado silêncio cobria todos no set de Um Conto de Fadas Feudal - cada membro da equipe, cada assistente, cada ator, cada dublê, cada membro das autoridade. E, enquanto eles olhavam, sentiram seus rostos empalidecerem, suas mandíbulas ficarem tensas e seus dedos se fecharem sobre as palmas das mãos. Ignoraram os olhares penetrantes que os perfurava de todos os ângulos. E então uma das pessoas algemadas sorriu, balançando as amarras metálicas com um brilho divertido incomum em seus olhos.

"Olá, InuYasha - Senhorita Kagome!" Miroku sorriu insolentemente, adorando estar acorrentado ao lado de Sango, preso com ela junto à Goshinboku falsa. "Surpresos?"

Kagome ficou boquiaberta, lágrimas de fúria e confusão fazendo seus olhos arderem. "S-Sango-chan...?" Ela ofegou, sentindo os joelhos tremerem enquanto sua agente sorria para ela, erguendo uma mão em um cumprimento silencioso. "Mas... Mas como? Por que...? Por que- POR QUE ESTÃO TODOS RINDO?!"

Juntando-se à InuYasha em um rosnado longo e primitivo, a atriz virou a cabeça raivosamente para lançar olhares fulminantes às centenas de rostos que uivavam e choravam de tanto rir. Percebendo que InuYasha estava tão confuso quanto ela pela expressão furiosa em seu rosto, Kagome começou a bater o pé dolorosamente, tentando atrair a atenção dos tolos. "HEY!" Ela guinchou, mais do que irritada. "EU ESTOU FALANDO AQUI! ESCUTEM E ME DIGAM O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO!"

"Bem, qual você prefere que nós façamos?" Sango deu uma risadinha, facilmente tirando as algemas dos pulsos e ignorando o suspiro de Miroku. "Escutar suas reclamações ou te dizer o que está acontecendo?"

"Eu... ah... " Kagome ficou em silêncio, a face pálida se tornando furiosamente vermelha. InuYasha continuou calado ao seu lado, evidentemente tão irritado que palavras não poderiam expressá-lo apropriadamente. Porém, seu rosto arroxeado cumpria bem essa tarefa. "Oh... calem-se e falem logo!"

"A rainha das contradições, não é?" Miroku fez um leve som de desaprovação, endireitando a camisa enquanto tirava as algemas. "Sim... Na verdade, foi isso que te colocou nessa confusão, não é mesmo?" Ele sorriu alegremente, o que confundiu ainda mais a pobre garota. Notando a aflição da garota, Kikyou suspirou e saiu da multidão, colocando uma mão no ombro da amiga.

"É bem simples, na verdade." Ela começou, apoiando-se em Kagome como se a estrela internacional fosse um poste. Porém, seu corpo estava tão tenso naquele momento que ela realmente faria um bom poste... "Nos últimos anos, desde que se tornou quem é hoje, você tem verbalmente recusado tudo que tenha envolvimento com InuYasha, mesmo que tenham trabalhado juntos com tanta freqüência.

"Isso mesmo!" Jakotsu disse com sua voz fina, pulando na multidão para ser notado e balançando um baby-liss como se fosse uma bandeira. Ele conseguiu a atenção que queria, sorrindo enquanto todos se viravam para ele. "E o que é realmente horrível - além das brigas insanas e barulhentas e a tensão que causou alguns problemas SÉRIOS de acne na sua pele, Inu querido-"

"NÃO ME CHAME ASSIM, MALDIÇÃO!!!"

"-É que todos nós sabíamos que vocês ainda estavam apaixonados um pelo outro." O ator que fazia Sesshoumaru completou, jogando as madeixas prateadas e sedosas sobre o ombro com um movimento ligeiro e elegante. Todos os membros da multidão assentiram fervorosamente, os sorrisos tão largos quanto o Oceano Pacífico.

Kagome piscou.

InuYasha fez o mesmo.

"Esperem..." O hanyou interrompeu, compreendendo algo levemente perturbador. "Ainda?" Ele repetiu, dando um passo hesitante para frente - na direção de seu quase-morto agente. "Como vocês sabiam que nós já havíamos estado apaixonados antes...?"

O par sorriu larga e arrogantemente. Em resposta, curvaram-se. Em seguida, deram um passo para lados opostos e se afastaram enquanto a multidão abria espaço e dela saía...

Uma linda mulher em seus vinte e poucos anos, com cabelos ruivos puxados em um coque mal-feito e enfeitado com flores. Vestida em um impecável terno branco, ela sorriu brilhantemente e arrumou os óculos de meia-lua. "Kagome!" Ela saudou amavelmente. "InuYasha! Vocês dois estão com a aparência ótima!"

Kagome - por falta de coisa melhor para fazer - piscou. De novo. InuYasha, por outro lado, deixou seu queixo cair até quase os joelhos, os olhos dourados consideravelmente arregalados. Só havia uma pessoa que usava aquelas plantas ridículas no cabelo... "A-Ayame!"

Ayame deu um sorriso de lobo. "Sim!" Cantarolou. "A própria!" Batendo um caneta na superfície da prancheta que carregava, a jovem riu estridentemente. "Eu fiz isso." Ela admitiu, soando orgulhosa. "Planejei a coisa toda. Sango e Miroku se tornaram meus parceiros no crime com avidez, claro, mas o esquema todo era meu e só meu. Sinto muito se minhas táticas os assustaram, mas admitam - vocês nunca teriam respondido a mais nada.

Certo, ela tinha um ponto. Mas o problema em questão não era esse!

"Ayame." InuYasha engasgou, os olhos dourados ainda enormes. "O que diabos você está fazendo aqui?"

"Oh, eu?" Seu sorriso ficou ainda mais brilhante. "Eu tinha que estar aqui para um caso desses! Sou a capitã deste pelotão da polícia!" Parando um momento para procurar no bolso da blusa, pegou uma espécie de carteira de couro e abriu-o para revelar uma brilhante insígnia dourada. Inclinou a cabeça para o lado, riu e piscou um olho. "Agora eu persigo os caras maus e não apenas pessoas que podem ajudar na minha vida amorosa."

InuYasha tremeu involuntariamente diante da memória. Mas, julgando pelo anel no dedo de Ayame, as coisas tinham se acertado entre ela e Kouga no final. Isso era bom, ao menos... Ele supunha...

"M-mas por que você fez isso...?"

Todas as cabeças viraram-se automaticamente para Kagome quando o sussurro saiu de seus lábios, seu tom de voz quase inaudível. A expressão de Ayame se suavizou de repente e ela colocou a insígnia de volta no bolso. Ela deu um passo adiante e colocou uma mão sob o queixo de sua colega de escola em um gesto de remorso. "...Para consertar algo lindo que eu estraguei estupidamente na minha juventude." A capitã piscou novamente. "Além disso..." Ela adicionou alegremente. "...Todos os seus colegas de trabalhos estavam começando a reclamar - não podiam mais suportar aquilo tudo! Então trabalhamos juntos para formular esse plano infalível. E veja! Funcionou! Os dois tolos caíram feito patinhos!"

Mas, enquanto o resto dos observadores começava a aplaudir, Kagome e InuYasha ficaram em um estranho silêncio mais uma vez. Um silêncio bem aterrorizante. Ayame se afastou instintivamente enquanto eles observavam em volta friamente, até que seus olhos se encontraram.

Os aplausos pararam em um instante. Eletricidade pareceu sair de seus olhares raivosos, cada segundo mais tenso do que o anterior. Vínculos feitos de força de vontade e orgulho fraquejaram enquanto o par absorvia o que acontecera e, logo...

Eles surtaram.

"ISSO É TUDO SUA CULPA!" Eles rugiram simultaneamente, um apontando um dedo acusador para o outro. "EU?"

"Foi totalmente VOCÊ!" Kagome gritou, o rosto vermelho com a força da sua raiva.

"EU REPITO - EU?" InuYasha bufou. "VOCÊ que me fez cair nessa!"

"Ah, é?" Ela roncou, cruzando os braços desafiadoramente enquanto, ao redor deles, a preocupação começou a afastar a alegria dos olhos dos outros. "E como foi que eu fiz isso?"

O homem sorriu arrogantemente. "Estupidez é contagiosa, acho. Devo ter pegado de você! Caso contrário, teria farejado uma armadilha!"

"A única coisa que QUALQUER PESSOA pode farejar por aqui é VOCÊ! Você FEDE em TANTOS sentidos!"

"É mesmo?" InuYasha fez cara de desdém e cruzou os braços, imitando-a de forma debochada. Inclinando-se para frente, ele franziu a testa enquanto ela colocava as mãos na cintura e abaixava os olhos para encontrar os dele. "Como se VOCÊ pudesse falar, senhorita Afogue-O-Mundo-Em-Perfume!"

"Mas o que...? Essa foi a resposta MAIS ESTÚPIDA que eu já ouvi!"

"Não, não foi. Essa é: BLEEEEEEEEEEEEEEEH!" E sim, ele até pôs a língua pra fora.

O olho esquerdo de Kagome se mexeu. "Você é um PORCO."

A resposta foi um sorriso convencido - aquele que ele sabia que ela odiava. "Você também é."

"Ah, é?"

"É!"

"Ah, é?"

"É!"

"Ah, é?"

"É!"

"AH, É?"

"É!"

"Quer terminar isso em outro lugar?!"

"QUERO!"

E o par saiu como um furacão sem outra palavra para a audiência, lançando olhares fulminantes enquanto rosnavam e cuspiam, empurrando a multidão para que abrissem caminho até que tivessem batido a porta do estúdio. Os gritos furiosos podiam ser ouvidos em um raio de milhas.

Todos no set observaram neutralmente enquanto eles iam embora.

"...É isso, então?" Sango murmurou, os dedos pressionados nos lábios preocupadamente. "Eles vão simplesmente nos deixar aqui - com um processo de um milhão de dólares nos nossos ombros - enquanto saem para-"

OoOoOoOoOoO

"-brigar no armário?" Os lábios de Kagome curvaram-se em um sorriso enquanto ela sentia o calor masculino do corpo perante o seu. A mão de InuYasha soltou a maçaneta e ele descansou ambos os braços sobre a cabeça dela, dobrando-os levemente e inclinando-se contra a porta para que seus narizes se encostassem. O cheio doce de couro os envolvia, vindo dos casacos e jaquetas que enchiam o quarto.

InuYasha respondeu com um sorriso sádico. "Ora, sim. " Ele ronronou contra o pescoço dela. "Eu acredito que tenha sugerido que terminássemos isso em outro lugar... Não?"

"Ora, sim, você sugeriu..." A garota retrucou com um ar de inocência. "Mas me ajude a recordar... Onde estávamos mesmo?"

Ele riu, a vibração em seu peito fazendo-o encostar levemente no corpo dela. Tremendo deliciosamente com a sensação, ela fechou os olhos. "Se minha memória não me falha, acho que estávamos..." Ele parou a um centímetro dos lábios dela, saboreando o doce aroma de morangos que parecia irradiar dela em ondas. "...Aqui."

O espaço entre eles desapareceu em um instante, a castidade do abraço se tornando ardente enquanto braços e pernas se entrelaçavam, puxando um ao outro o mais perto que conseguiam, sem querer soltar-se.

Certa vez, Kagome pedira a ele que a levasse para casa. Ele o tinha feito, mas não da forma que ela quisera.

Até agora.

Ela - e ele - estavam finalmente em casa. E agora que tinham encontrado o caminho de volta, não queriam nunca mais ir embora.

OoOoOoOoOoOoOoO

Miroku sorriu alegremente. "Oh, não se preocupe. Este não é o fim. Ora, eles estão mudando enquanto falamos. As atitudes, as aparências, as posições dos corpos..." Ele mexeu as sobrancelhas sugestivamente, esperando que a agente entendesse. Os outros colegas entenderam e começaram a se afastar, sem vontade de ficar escutando o pervertido.

"..." Sango o fitou. "...Você tem um sexto sentido pra sexo ou algo do tipo?"

"Mais ou menos isso." Ele cantarolou, satisfeito consigo mesmo.

"...Você me enoja."

"Alguém tem que fazê-lo!"

OoOoOoOoO

"Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! Olhem! Olhem!"

"EEEEEEK!" Ohh, eu tenho que tê-la! Eu TENHO que comprá-la!"

"Tire as mãos, Eri! É minha!"

"Nem vem! Eu vi primeiro! Diga a ela, Ayumi!"

"Yuka, Eri... Parem de brigar! Não- parem de puxar! Gente, vai rasg---"

RIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIP!

Pela segunda vez em apenas alguns meses, as três adolescentes se encontraram fitando uma revista arruinada. Yuka e Eri, novamente, abraçavam os restantes da capa e das páginas sedosas. Um funcionário olhou para elas ao ouvir o barulho, mas ao reconhecer o pequeno grupo, decidiu não interromper o pequeno pedaço do inferno que estava prestes a ser apresentado a ele. Ao invés disso, iria garantir que elas pagassem pelo estrago depois. Com esse pensamento em mente, voltou para sua própria cópia da revista People.

"Gente..." Ayumi suspirou, profundamente irritada. "Fala sério! Agora só tem mais uma cópia de novo!"

As outras fizeram ruídos indignados. "Eu não rasguei a primeira!" Yuka insistiu. "Foi a Eri!" Woah. Dejà vu.

"O que? Eu não!"

"PESSOAL!" A terceira interrompeu um pouco mais alto. "Por favor! Já tivemos essa conversa antes!"

"Já?" Eri perguntou, olhando para Yuka, que deu de ombros. "Um... Certo..."

"É sério." Ayumi praticamente implorou, pegando a última revista e, com um olhar fulminante para as outras duas (que começavam a rosnar diante da idéia de abrir mão da preciosa revista), abriu-a sobre a mesa. "Não podemos dividir uma cópia PACIFICAMENTE? Pra VARIAR?"

As outras duas consideraram aquilo, fitando os restos de revista em suas mãos. As engrenagens em suas mentes giraram lenta e dolorosamente.

". . ."

". . ."

"...Não." Ambas responderam decisivamente.

E com isso voltaram a brigar pelos restos da primeira revista, logo terminando de rasgá-la. Ayumi suspirou quando o par começou a discutir sobre quem arruinara qual foto e destruíra qual artigo, voltando à sua rotina de 'foi você que fez isso!' e 'mas foi você que fez aquilo!'. Por que se incomodava em andar com as duas?

Mas não importava. Se elas não queriam dividir, isso significava mais revista pra ela!

Encostando-se confortavelmente na estante de revistas, ela fitou a manchete que mantivera a mídia, os fóruns e os shows de entretenimento zumbindo feito abelhas raivosas (se é que isso existia) pelas últimas duas semanas: 'Um final de livro para Um Conto de Fadas Feudal! Fãs de todo o mundo estão chorando de tristeza e rindo de alegria neste mês, depois que os planos para o casamento de Kagome Higurashi e InuYasha Takahashi foram anunciados. Sim, depois de anos de namoro estável, InuYasha finalmente pediu-a em casamento no set de seu último filme, surpreendendo todos na indústria cinematográfica... E até a própria Kagome. Entrevistas nas páginas 24-47, com fotos do anel de noivado começando na página 48..."

Arriscando um olhar furtivo para as amigas e garantindo que elas ainda estavam... Ocupadas... Ayumi abriu a revista e continuou lendo, sem imaginar o que estava acontecendo ao lado dela naquele exato momento.

Um casal feliz - vestido em discretas jaquetas de abotoar negras e óculos escuros - estava passando por ali, de mãos dadas. Um anel de diamante espetacular brilhava no dedo da mulher de cabelos sedosos da cor do ébano. Sorrindo discretamente quando o noivo a cutucou, divertido, girando os olhos para o grupo de adolescentes na estante de revistas, ela riu - secretamente satisfeita que, para variar, a mídia tinha acertado em uma manchete.

OoOoOoOoOoOoO

Esse é o capítulo final!!!!

Sim, finalmente, depois de muita enrolação (xDD), eu consegui terminar essa tradução.

xDDD Alguém imaginava quem estava por trás de tudo????? A Mariana falou que era o Miroku e a Sango, mas não sei se ela leu o original. xDDD Mas acertou. xD

Agradecimentos a todos que leram e comentaram essa fic e principalmente à Maiden of The Moon, que me permitiu traduzi-la e, assim, pude passá-la a vocês. xD

Não sei quando (ou se) vou começar outra tradução. Não será por agora, pois quero terminar PNA e iniciar um novo projeto de fanfic de Naruto em inglês. Sim, será um novo passo pra mim, uma fic seriada em inglês. xD Estou animada quanto a isso. xD E minha primeira fic seriada de Naruto também. xDDD

Muito obrigada por me acompanharem até aqui!!!!!!

Beijos!