Desafio: "Um feitiço de Voldemort transforma Harry em hermafrodita (ou, se preferir, Snape). Harry (ou Snape) se sente um lixo, acha que ninguém mais vai querê-lo. Snape (ou Harry) tenta animá-lo. Eles se aproximam e se apaixonam. Harry (ou Snape) toma a pílula, mas Draco (se for Harry) ou Ron (se for Snape) faz uma sacanagem com ele e troca as pílulas dele por pastilhas de açúcar ou qualquer coisa assim. Ele engravida, e seu parceiro fica muito assustado com a situação. Surgem conflitos". (Ptyx)

Título: Uma delicada situação
Autor: Magalud
Classificação: M
Casais: Harry/Snape
Resumo: A vingança de Voldemort ao descobrir que Severus é um espião traz conseqüências que só Harry consegue apagar.
Disclaimer: Olho em volta, não moro em Edimburgo, não sou loura nem magra nem alta, nem rica. Então eles não me pertencem, mas eu saio com eles e nós brincamos juntos. Depois eu os devolvo (quase) intactos.
Avisos: Non-con, Mpreg
Notas (opcional): Lilibeth mais uma vez me ajudou com a betagem. Minha musa fez ligeiras mudanças nesse desafio. Espero que a autora não se importe...

Uma delicada situação

Capítulo 1

– Você vem, Harry?

A aula de Poções Avançadas tinha terminado, e a turma do sétimo ano estava saindo. Tudo que Ron Weasley mais queria era imprimir a maior distância possível entre ele e Snape. Mas Harry continuava de pé, em frente à escrivaninha do professor.

– Vão na frente – disse o rapaz.

A sala estava quase vazia quando Snape notou a presença de Harry Potter à sua frente.

– Perdeu alguma coisa, Mr. Potter?

– Eu só queria lhe falar – o garoto parecia constrangido – Eu... vi o que aconteceu.

– Do que está falando?

– Antes do ataque. Eu vi o que ele fez com você.

O rosto de Snape se fechou num misto de vergonha, dor e fúria. Flashes de imagens passavam por sua mente, as imagens que ele menos queria ver. A veia no pescoço saltou.

– Então veio me humilhar? Ou só quer satisfazer sua curiosidade de ver como é uma aberração?

– Não é nada disso, eu...

– Fora! – Snape tremia, vermelho – Saia daqui!

Harry saiu correndo sob uma chuva de jarros com ingredientes de poções e com a firme determinação de voltar mais tarde.

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Snape deu um pulo ao ver Harry Potter materializar-se dentro de seus aposentos, saindo de debaixo de uma Capa de Invisibilidade.

– Potter!... O que está fazendo aqui? Como conseguiu entrar?

– A tapeçaria de cobra me deu a senha em Parseltongue. Desculpe, professor, mas acho que precisa falar sobre o que aconteceu.

– Está testando a minha paciência. Não há nada a dizer, e ainda que houvesse, eu não quero falar sobre o assunto, muito menos com você. Vá embora. Está no horário de recolher.

Harry simplesmente o ignorou:

– Tentei visitá-lo enquanto esteve na enfermaria, mas Madame Pomfrey proibiu todas as visitas. Professor, eu sinto muito. Queria ter chegado antes. Deve se sentir horrível.

Ainda se recuperando de seus ferimentos e de seus sofrimentos, Snape não tinha forças para brigar com Potter naquele momento. Ele suspirou, deixando-se cair numa poltrona:

– Estou vivo, não estou? Eu devia ser grato por isso. Vocês chegaram na hora. Sempre imaginei que uma vez descoberto pelo Lord das Trevas como espião, eu não sobreviveria.

– Eu vi quando ele fez... a transformação.

– Não houve transformação – corrigiu Snape, amargo – Ele fez de mim um hermafrodita ao transferir órgãos de uma garota Muggle para o meu corpo. Ele pretendia me usar como cobaia para gerar um herdeiro.

– Disso eu não duvido. E você seria... mãe?

– Não – ele abaixou a cabeça – Não, isso seria muita honra para um espião e traidor. O plano era fazer o mesmo com você e impregná-lo com o herdeiro das Trevas. Ele acreditava que, vindo de você, a criança seria muito poderosa. Eu não seria mais do que uma cobaia, a ser descartada ao fim da experiência.

– Mas... hermafroditas não são funcionais. Não podem ter filhos.

– Ele me fez completamente funcional, incluindo glândulas hormonais. Sou capaz de sustentar uma gravidez natural sem magia, como qualquer mulher.

– Por isso você ficou tanto tempo na enfermaria.

– Meu corpo... não aceitou totalmente os órgãos transplantados. Ainda vou sofrer os efeitos hormonais durante algum tempo.

– Hormonais? Por isso sua pele está mais rosada e seus cabelos mais macios?

Snape deu de ombros:

– Presumivelmente, ao que tudo indica. Os hormônios estão desequilibrados.

Harry arregalou os olhos:

– Como desequilibrados? Você... Você está grávido? De Voldemort...?

– Não – Snape estremeceu diante da lembrança – Ele não... teve tempo de... consumar o ato. Como eu disse, vocês chegaram bem na hora.

– Ele... ia engravidá-lo? – Harry se horrorizou – Mas você estava sangrando, ele mal tinha transferido os órgãos da moça!...

– Isso jamais seria capaz de detê-lo. Mas a partir desse ponto, eu pouco me lembro. Não posso lhe dizer mais nada.

– Eu posso. Foi quando nós chegamos. A Ordem invadiu a Mansão Riddle, Voldemort foi morto, seus seguidores, presos ou mortos. Nenhum Death Eater escapou. Agora os Aurores procuram os simpatizantes.

– O Prof. Dumbledore me disse isso. Haverá uma cerimônia e homenagens. Você deve se consagrar, Potter.

– Eu não mereço. Não pude evitar o que lhe aconteceu.

– Não é culpa sua, Potter.

– Além do mais, o senhor trabalhou tanto ou mais do que qualquer um no esforço de guerra. Arriscou-se muito. É claro que também deve ser homenageado.

– Potter, o ministério quer me varrer para baixo do tapete. Eu sou um incômodo: ex-espião, ex-Death Eater e, agora, um aleijão.

– Não diga isso.

– É a verdade. É o que eu sou. Nunca mais terei uma vida normal. Se algum dia eu quis ter planos para depois da guerra... estão destruídos.

– Pretendia fazer algo em especial? Deixar Hogwarts?

– Isso agora pouco importa. Está tudo arruinado. Tudo... – A voz dele tremeu – Oh, não. Malditos hormônios!

Harry viu que uma lágrima tinha escapado dos olhos negros, e Snape apressadamente tentou enxugar seu rastro, mexendo-se na poltrona. Aquilo tocou o coração do rapaz.

– Não se preocupe, professor. Vai dar tudo certo.

– São esses hormônios! – ele tentava conter as lágrimas e esconder o rosto, humilhado – Estou perdendo o controle. Minha vida está arruinada. Tudo por água abaixo! Não sou exatamente um homem, muito menos uma mulher! Não posso ter amigos nem família! Sou uma coisa, uma aberração! Quem vai querer se aproximar de mim? As pessoas vão fugir de minha condição repulsiva! Outros vão querer me colocar numa gaiola e me expor ao público, como no circo Muggle!

Harry observou a explosão, penalizado.

– Não diga isso. Não é uma aberração, nem é repulsivo.

– Como não? Eu sou um mutilado, Potter. Sabe o que Dumbledore me disse? Ele vai requerer junto ao Ministério uma pensão por invalidez, por ferimentos de guerra. Se isso não é uma declaração de que eu sou um aleijado, eu não sei o que é.

– É uma reivindicação justa por todos os sacrifícios que fez no esforço de guerra.

– Eu sou uma anomalia defectiva. Vergonha! Como pode, Potter, alguém que precisa se barbear todos os dias ser obrigado a tomar uma poção para o período menstrual? Simplesmente não é natural.

Harry arregalou os olhos:

– Você... tem menstruação?

– Feito uma cachoeira – Snape soluçou, vexado, o rosto lavado de lágrimas – Meus seios estão doendo, eu estou inchado, e esse choro não pára! Não sei como as mulheres agüentam. Pomfrey está tentando controlar esses picos hormonais com uma Poção Anticoncepcional.

– É possível conviver com isso. As mulheres passam por essas situações o tempo todo e vivem normalmente.

– Começo a duvidar disso. E também, caso não tenha notado, Potter, eu não sou uma mulher. Nem um homem.

– Não, você não é. Nenhum dos dois. Agora você virou uma pessoa única. Não há outro igual. Eu não ficaria surpreso se algumas pessoas achassem isso atraente.

– Humpf – sarcasmo – Atraente, sei.

– Estou falando sério. Devia pensar nesse ângulo.

– Uma aberração, você quer dizer. As pessoas ficariam curiosas.

– Não, eu quero dizer que você agora é uma pessoa toda especial. E quem não pensar assim, não merece tê-lo por perto de qualquer maneira.

Severus o encarou e percebeu que ele era sincero no que dizia. Poderia isso ser verdade? Um raio de esperança começava a se infiltrar em seu coração.

Ou talvez fossem apenas os malditos hormônios.

Humpf.