EPÍLOGO

Cinco de janeiro, segunda feira. Sete da manhã.

- Nathaliya! Nathaliya! Hora de acordar! Você não quer perder a festa, quer?

A russa vagarosamente abriu os olhos, encontrando o rosto de Rumiko muito perto do seu, com os olhos brilhando, um grande sorriso e claros sinais de que a japonesa tinha recém acordado, como a saliva seca no canto da boca e as remelas nos olhos. Do outro lado da garota estava o berço de Hikaru – todos concordavam que Nathaliya tinha mais jeito com bebês e por isso era a mais indicada para acudi-lo caso alguma coisa acontecesse durante a noite – e ela se perguntava se ele também estava acordado. Nathaliya ficou encarando Rumiko por um longo tempo antes de responder, percebendo que precisava juntar muita energia para conseguir falar alguma coisa em seu atual estado de sonolência:

- A festa? Ainda é de manhã, falta muito pra festa! – A russa fez menção de cobrir a cabeça com sua coberta, porém Rumiko a impediu. – Deixa eu dormir mais! – Exclamou ela, enquanto Rumiko atirava o cobertor longe.

- Nananinanão! – Retrucou a japonesa, assumindo uma postura muito parecida com a de Satsuki quando queria ensinar-lhe uma lição. – Hoje é o nosso dia especial e eu quero comemorar o máximo que eu puder, mesmo que isso signifique acordar terrivelmente cedo e atazanar todos os nossos amigos!

As duas meninas se encararam, Rumiko com um olhar divertido e excitado e Nathaliya com um olhar quase assassino por ter seus sonhos interrompidos de uma maneira tão brusca. Era interessante notar que, nos últimos cinco dias, desde que os Soldier of Russia deixaram o flat no oitavo andar para se juntar a suas novas famílias, todas as manhãs era Nathaliya quem passava trabalho para tirar Rumiko da cama, e não o contrário. A inesperada mudança se devia ao fato de o dia cinco de janeiro não ser um dia qualquer, mas um dia que a japonesa sempre associara a festas e folia e a russa, a coisas bem menos felizes.

- Atazanar os amigos, você disse? – Perguntou a loira finalmente. Rumiko concordou com a cabeça e as duas trocaram um outro tipo de olhar, dessa vez mais maroto. – Bem, acho que hoje eu vou finalmente levar a melhor sobre o Vova, vai ser um dia tão interessante!

Nathaliya finalmente levantou. Usava um pijama vermelho de manga curta, enquanto Rumiko vestia sua camisola rosa de fadinha. As duas foram checar o berço de Hikaru, encontrando o bebê já acordado e olhando para elas com seus olhos verdes brilhantes e curiosos. A russa colocou-o em sua cama enquanto as duas se vestiam, e como seus pais estavam ainda dormindo, decidiram descer com ele para o restaurante.

- Antes que eu me esqueça, Nathaliya, feliz aniversário pra você! – Rumiko abraçou a nova irmã quase na porta do flat, surpreendendo-a.

- Feliz aniversário pra você também, Rumiko! – Respondeu a russa, sorrindo. Hikaru se agitou em seu colo, sorrindo e babando como se quisesse cumprimentar suas Nee-chans também.


O restaurante ainda estava vazio. Sem aulas e sem motivos para treinar o dia todo, os beybladers não se preocupavam em acordar muito cedo, preferindo aparecer somente às nove da manhã ou mais tarde, alguns minutos antes do restaurante fechar. As duas meninas comeram silenciosamente, cada uma fazendo seus próprios planos para a festa de mais tarde. Demorou cerca de meia hora para que os primeiros beybladers aparecessem, fazendo as garotas sorrirem ao ver quem se aproximava:

- Feliz aniversário Rumiko Nee-chan! Feliz aniversário Nathaliya Nee-chan! – Yoshiyuki veio correndo em alta velocidade em direção às meninas, sorrindo como nunca. Parou a poucos passos delas, entregando para cada uma um pequeno pacote. Koichi e seu avô vinham logo atrás, observando a cena como se ela fosse rotina. – Essa aqui é a primeira parte do presente de vocês! A segunda vem só na hora da festa!

As meninas abriram os pacotinhos, curiosas. Dentro havia uma miniatura de Fenki e de Ciesel feita de argila com um bilhetinho escrito "Vale presente. Favor apresentar na hora da festa. Sem vale, sem presente."

- Onde você conseguiu isso, Yoshiyuki? – Perguntou Nathaliya, se referindo à miniatura quase perfeita de sua fera-bit. – Eu não acho que esse seja o tipo de coisa que se encontra em uma loja...

- E não se encontra! Eu e o Nii-chan fizemos eles ontem! E pintamos também! – Respondeu o geniozinho, pomposo. Tanto Rumiko quando Nathaliya o encararam, surpresas, sem saber exatamente o que dizer. – Eu queria dar um presente especial pra vocês, e sabia que isso era uma coisa especial!

- Yoshiyuki, eu nem sabia que você e o Koichi sabiam fazer esse tipo de coisa! – Exclamou Rumiko, finalmente recuperando sua voz. – É tão lindo! – Ela examinou seu Fenki de argila, revirando-o em sua mão para observar os detalhes. A armadura do centauro brilhava como se fosse feita de metal de verdade, e sua expressão ameaçadora poderia assustá-la se não estivesse tão acostumada com a fera-bit.

- Na verdade, eu não fiz quase nada, só a forma básica. O Yoshiyuki é que fez tudo. – Declarou Koichi, apontando para o irmãozinho. – Ele é que é gênio, afinal.

- Ah, Nii-chan, você ajudou também! Só está dizendo isso pra manter a sua imagem de cara sério que não é capaz de fazer uma coisa legal pelos amigos! – O líder dos Soldier of Russia começou a fazer beicinho, encarando o irmão com fingido desgosto. A discussão entre os irmãos provavelmente teria continuado se Toshihiro, Vladmir e Satsuki não tivessem chegado ao restaurante.

Ao ver o namorado se aproximando, Rumiko levantou correndo de sua cadeira para cumprimentá-lo, esquecendo todas as lições de boa educação que sua mãe lhe ensinara para pular no pescoço do garoto, sorrindo e gritando "Toshihiiiiiro!" bem alto. Os dois só não caíram no chão porque Vladmir e Satsuki estavam lá para segurá-los.

- Ah, Toshihiro, eu estava com saudades! – Exclamou a garota, pegando o namorado pela mão e o conduzindo até a mesa.

- Rumiko, nós nos vemos ontem de noite! – Retrucou o chinês, espantado com a fala da mestra de Fenki.

- Mas pra mim isso é muito tempo! Pra você não é? – Sentindo que a sua resposta provavelmente decidiria o futuro de seu relacionamento com a japonesa, Toshihiro foi esperto ao responder não o que ele queria dizer, mas o que Rumiko queria ouvir:

- É, tem razão, Rumiko. Uma noite longe de você é muito tempo!

Outros beybladers e alguns adultos foram chegando aos poucos, todos cumprimentando as aniversariantes e lhes desejando feliz aniversário. Duas horas depois, apenas algumas crianças ainda não haviam aparecido, e seus nomes não eram nenhuma surpresa para os seus amigos, afinal Felipe da Silva, Luiz Schester, Carlos Figueiredo, David Dubiaku, William Hopfiel e Ken Urashima eram bem conhecidos por gostar de aproveitar um pouco de tempo extra na cama. Cansada de esperar por eles, Rumiko puxou Toshihiro para fora do restaurante, dizendo que queria conversar com ele a sós.

- O que foi, Rumiko? – Perguntou ele, assim que a dupla encontrou um cantinho silencioso para ficar, sentados na borda da arena.

- Ah, é que eu queria ficar um pouco mais de tempo com você! – Respondeu ela, segurando o pingente de coração em suas mãos. – Sem ninguém pra atrapalhar, eu quero dizer...

- Eu entendo... os últimos dias foram realmente agitados, né? – Toshihiro abraçou a namorada, fazendo com que a cabeça dela se apoiasse em seu peito. – Nós mal tivemos tempo para ficarmos sozinhos...

- É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que eu fico até zonza! – Completou Rumiko, sorrindo. – Não que eu esteja reclamando, ter todos os nossos amigos aqui, sem precisar ficar com medo de nenhuma ameaça ou coisa assim, lutando só por diversão e conhecendo a minha irmã gêmea são coisas que me deixam muito feliz por estar aqui e eu queria que a gente pudesse ficar pra sempre assim!

- É, mas com tanta festa a gente acaba não tendo tempo pra fazer mais nada! – Toshihiro também sorriu, algumas das lembranças dos últimos dias eram boas demais para serem esquecidas tão cedo. – Lembra quando nós nos reencontramos no hospital e o Ken e o Takashi perceberam pela primeira vez que a gente estava namorando? – Tanto o chinês quanto sua namorada riram ao serem invadidos pela lembrança daquele momento.

- Aham... Eu cheguei a achar que eles ficariam traumatizados pra sempre... E que nunca mais iam sair daquela pose ridícula que eles ficaram... – Completou Rumiko, tentando imitar a tal posição, colocando um braço por cima do couro cabeludo e o outro atrás das costas em uma expressão distorcida, boca aberta e olhos vesgos esbugalhados.

- Eu fiquei com a impressão de que tudo aquilo era inveja, isso sim! – Exclamou Toshihiro, rindo agora da pose da japonesa. – De noite, quando fica tudo quieto no quarto, eu ainda escuto o "Traição! Traição!" na voz do Ken buzinando nos meus ouvidos...

- Ao menos eles já voltaram a falar com a gente...

- E não ficam mais ocupando o karaokê cantando músicas dramáticas de amores que não deram certo...

O casal se encarou, exibiam os mesmos sorrisos marotos e provavelmente seus pensamentos também eram os mesmos, pois suas próximas falas saíram sincronizadas:

- É, eles estavam com inveja!

Os dois permaneceram mais algum tempo em silêncio, relembrando os acontecimentos daquele dia; como a Dupla de Ouro, tentando fugir dos "traidores", encontrara Koichi e Satsuki conversando com Yoshiyuki, os dois de mãos dadas por insistência do garotinho, o que deu ainda mais combustível para sua hiper-reação. O escândalo só parou quando uma das enfermeiras ameaçou expulsar os garotos do hospital. Depois da festa de ano novo, rodeados de cenas românticas por todos os lados, os dois decidiram encher a cara de refrigerante e passaram o primeiro dia do ano arrotando e reclamando de dor de barriga. Por associação de pensamentos, Toshihiro logo se lembrou de um outro acontecimento envolvendo a Dupla de Ouro:

- Lembra quando o Vladmir e o Takashi contaram para a Zanxam-sensei que o Ken estava pensando em invadir a cozinha durante a madrugada e ela deixou ele de castigo sem sobremesa por dois dias?

- Lembro! – Os dois começaram a gargalhar com a nova lembrança. – Foi a primeira vez que eu vi o Vladmir sorrir tanto, ele e o Takashi pareciam bem felizes enquanto comiam todos aqueles doces e chocolates na frente do Ken só pra deixar ele irritado!

- E depois o Isaac e o Yoshiyuki começaram a fazer isso também e o Ken decidiu que não voltaria mais para o restaurante! Claro que, sendo o Ken, ele estava de volta meia hora depois dizendo que seu estômago tinha trocado de lugar com o cérebro! - Essa lembrança em particular deixou os dois rindo por um tempo considerável, até Rumiko lembrar de um outro acontecimento, um pouco mais recente – quando Ken ainda estava de castigo – e que não envolvia diretamente seus companheiros de time, mas que nem por isso deixava de ser divertida:

Os beybladers estavam todos reunidos na hora da janta, terminando de comer a sobremesa – Ken era o único que não estava mais presente, por razões óbvias – e por algum motivo não muito importante, estavam todos relembrando os acontecimentos do dia 31 de dezembro, mais especificamente os acontecimentos de dentro dos túneis. Entre uma piadinha e outra sobre os vários momentos marcantes, Franklin deixou escapar um comentário sobre o que ele e Nathaliya presenciaram quando Felipe e Luiz se encontraram, fazendo as atenções de todos se voltarem para os dois brasileiros em questão:

- Oh, não! Nosso segredo vazou! – Exclamou Felipe, se levantando de seu lugar ao lado do gaúcho, com uma estranha expressão de terror em sua face. – O que via ser de nós agora, meu Deus?

- Nós nunca devíamos ter confiado nosso maior segredo nas mãos de alguém tão traiçoeiro, eu amaldiçoou você, Franklin Hill! – Luiz também se levantou, sua expressão idêntica à do paulista. Com os olhos marejados, os dois se abraçaram, fazendo os olhos já arregalados de seus amigos crescerem um pouco mais.

- É, Luiz, acho que não temos outra escolha, vamos ter que contar tudo a eles... – Declarou Felipe, separando-se do colega e observando a multidão como um réu em um tribunal. – Todos os nossos segredos, nossos sentimentos, um por um...

- Tudo bem, se é assim que deve ser, assim será! – Os dois, de mãos dadas, encararam seus amigos, ansiosos. Seus pais não estavam muito longe, e estavam ainda mais impressionados do que os beybladers.

- Primeiro de tudo, já que nós já fomos descobertos mesmo, eu quero anunciar que, em um futuro próximo, nós estamos pensando em fugir juntos, ficar noivos e nos mudar para a Holanda, onde poderemos viver a nossa vida a dois sem nenhuma preocupação. – Começou Felipe, sorrindo levemente ao ver o mar de expressões bizarras que se formava a sua frente.

- E segundo, nós nos declaramos culpados por sucumbir ao pecado da luxúria noite passada e nas últimas duas noites também, lá na arena, durante a noite, sem nossos pais saberem. – Continuou Luiz, com seu rosto se tornando cada vez mais vermelho enquanto observava as expressões bizarras ficarem ainda mais bizarras. Para aqueles que os ouviam, isso era sinal de vergonha ou sentimento de culpa, quando na verdade a vermelhidão no rosto do gaúcho se devia a muita vontade de gargalhar acumulada e ao esforço de permanecer sério.

- É exatamente isso que vocês estão pensando, só que com um detalhe surpreendente. – Enquanto Felipe falava, sua mão que não estava entrelaçada com a de Luiz mergulhou no bolso de sua calça. Poucos perceberam que o líder brasileiro tinha uma máquina fotográfica em suas mãos até o flash brilhante invadir seus olhos, ao mesmo tempo em que ele terminava de falar. – Nada disso é verdade, nós somos muito bons atores e poder guardar para sempre essas caras de vocês é pagamento mais do que suficiente por todo esse show!

A última foto que Felipe conseguiu tirar foi a de uma multidão avançando contra ele e Luiz com variadas expressões assustadoras, assassinas e nada agradáveis. Os dois garotos passaram a noite escondidos, voltando para seus flats apenas no dia seguinte, tentando evitar encontros desnecessários com os beybladers mais irritadiços.

- Ah, o Felipe só voltou a falar com a gente depois de ser escoltado pela Zanxam-sensei, lembra? – Perguntou Toshihiro, depois de mais algumas gargalhadas. Ele e Rumiko estavam entre os que fizeram as caretas mais esdrúxulas, e também entre os poucos que decidiram não atacar, curiosos para ver as fotos.

- Aham... os dois ficaram um tempão sem chegar perto da Nathaliya e da Ann, mesmo sabendo que Ann estava com cólicas e ela não estava violenta naquele dia. – Respondeu Rumiko, ainda sorrindo, apesar de mais calma. – Eu queria saber exatamente o que eles fizeram naquela noite que eles sumiram... Onde será que eles dormiram?

O casal trocou um olhar significativo enquanto uma hipótese para responder a essa pergunta se formava em suas mentes. Eles jamais tentariam confirmar isso com os brasileiros, suas mentes guardariam para sempre essa respostas em segredo, alimentando sua imaginação selvagem.

- Acho melhor a gente mudar de assunto... – Declarou Toshihiro, tentando evitar que certos pensamentos ganhassem muita força dentro dele. Se queria ter uma conversa racional com Rumiko, não podia pensar nesse tipo de coisa. – Que tal falarmos de beyblade?

- Falar o que de beyblade? – Perguntou Rumiko, olhando para a arena enquanto sua cabeça escorregava até ficar deitada no colo do chinês. A trança do garoto novamente transformou-se em seu brinquedo enquanto a conversa continuava.

- Ah, não sei... O próximo campeonato, quem sabe? – Sugeriu Toshihiro, sorrindo ao ver a namorada tão entretida com sua trança. Sua opinião continuava a mesma quanto a quem devia tocá-la.

- O próximo campeonato mundial?

- Não, o campeonato desse ano, o regional mesmo. – Naquele momento, nenhum dos dois queria falar sobre o campeonato mundial a ser realizado em três anos, tinham o pressentimento de que não conseguiriam competir nele, apesar de ser apenas três anos no futuro. – Parece que, como não vai ter nenhum outro grande torneio durante o ano, ele vai acontecer em abril em todos os países. Você vai participar, não vai?

- Mas é claro que eu vou! – Os olhos da japonesa se iluminaram enquanto as lembranças de sua primeira competição oficial voltavam para ela. – Eu sou a atual campeã, não sou? Preciso defender meu título acima de tudo!

- Você até parece o Koichi desse jeito, com a diferença de que ele não falaria tudo isso abertamente! – Comentou Toshihiro, também sorrindo com os olhos brilhantes. Apesar das saudades de casa e de toda a confusão com os Blue Fish, Toshihiro nunca se arrependeria de ter deixado Xigaze para participar no torneio do Japão, afinal de contas tornara-se um campeão mundial por causa disso, e ganhara não um, mas dois irmãos ao fim de toda essa aventura, além, é claro, de uma penca de amigos novos e uma namorada. Não podia querer mais. – Será que esse ano a final vai ser entre vocês dois de novo?

- Eu não sei, agora os Soldier of Russia vão competir junto com a gente também, pode ser que eu acabe enfrentando o Yoshiyuki de novo, já imaginou? – A garota se levantou, excitada com a possibilidade de lutar novamente contra o garoto gênio em uma luta oficial. – Ou eu podia enfrentar a Nathaliya de novo! E já imaginou se o Ken e o Isaac se enfrentam também? Eles nunca se enfrentaram em uma luta oficial antes, seria tão emocionante!

Rumiko e Toshihiro passaram um bom tempo fantasiando os confrontos que poderiam acontecer no Japão, bem como seus resultados. A imaginação da dupla mostrou-se realmente sem limites ao imaginar uma luta em que Ken ganhava de Yoshiyuki oferecendo uma barra de chocolate gigante ao garotinho se ele desistisse e uma batalha entre Koichi e Isaac que acabaria com o russo congelando Koichi eternamente, para desespero de Satsuki, e a loira ficaria tão furiosa que assumiria a personalidade de Nathaliya e faria churrasquinho do russo e sua beyblade.

- Hey, o que é isso! Escapando da gente sem a gente ver, é? Espero que não estejam fazendo nada proibido, as supostas experiências do Felipe e do Luiz aqui já deixaram traumas o suficiente, ok? – O momento de solidão da dupla foi interrompido quando Ken e Isaac entraram na arena. O russo não estava mais na cadeira de rodas, usando muletas para se locomover com a perna enfaixada. O tapa-olho de gaze e esparadrapo fora substituído por um tapa-olho preto de pirata – idéia de Ken – e o ferimento em suas costas tornara-se nada mais do que uma grande cicatriz não muito bonita.

- Nós não estávamos fazendo nada demais, Ken... – Retrucou Toshihiro, fazendo uma careta para o amigo. Ele e Rumiko se levantaram para cumprimentar os recém-chegados, e a japonesa ouviu pelo que pareceu a centésima vez em uma manhã o "feliz aniversário" dirigido a ela.

- Vocês querem lutar beyblade em duplas? – Perguntou o japonês de franja fisicamente impossível enquanto abraçava Rumiko por seu aniversário. – Isaac e eu estivemos ensaiando uns movimentos, e achamos que seria interessante testar nosso entrosamento contra vocês! Ainda mais sabendo que vocês dois têm um ataque combinado!

Rumiko e Toshihiro coraram ao se lembrar de tal ataque, revelado no dia do aniversário de Takashi, pouco antes do chinesinho nanico revelar à japonesa que seu compatriota guardava sentimentos diferenciados por ela. Na luta em dupla contra Erik e Alice, com ele usando Fenki e ela, Fenku, a primeira notícia de uma fusão de feras-bit deixou todos impressionados, registrando para sempre os acontecimentos nas memórias das testemunhas.

- Não me digam que em tão pouco tempo vocês dois já estão entrosados o suficiente para desafiar a gente em uma luta dessas! – Exclamou Toshihiro, olhando de Ken para Isaac com uma sobrancelha erguida. Os dois tinham o mesmo sorriso maroto no rosto, e mesmo com as claras diferenças físicas entre eles, poderia facilmente se passar por irmãos biológicos por seus gestos e ações.

- Se você duvida, é melhor aceitar o desafio! – Devolveu Isaac, jogando suas muletas no chão para apanhar Comulk. Estava se equilibrando em uma perna só e não parecia ter problemas com isso.

- Nós aceitamos! – Rumiko respondeu por ela e seu namorado, também preparando Fenki. – Vamos ver do que vocês dois são capazes! – Quando Ken e Toshihiro também prepararam suas beyblades, foi a garota que deu a ordem. – Go Shoot!

As quatro beyblades entraram na arena ao mesmo tempo, e Fenrochi e Comulk logo começaram seus ataques, os movimentos de um espelhando o do outro enquanto seus mestres os observavam com a mesma expressão concentrada. Seus adversários ficaram impressionados com a sincronia, porém não por muito tempo. Uma vez que não estavam mais hesitantes em seu aproximar um do outro, lutar em dupla tornou-se uma tarefa bem mais fácil, e logo os dois também passaram a combinar seus ataques, fazendo a luta se equivaler.

- Acho que está na hora de vocês soltar o seu maravilhoso ataque, não? – Provocou Ken, encarando o casal de uma maneira suspeita. – Nós queremos ver o Futari no Elegy em ação de novo!

- Se é assim, eu imagino que vocês têm uma carta na manga para tentar contra-atacar, não? – Perguntou Toshihiro, sem perceber de mãos dadas com Rumiko.

- Ataque e descubra! – Responderam Ken e Isaac ao mesmo tempo. Os dois sorriam, ansiosos, enquanto Toshihiro e Rumiko trocavam um olhar inquisitivo, tentando se decidir se deviam tentar atacar ou não.

- O que você acha? – Perguntou o chinês, olhando para sua beyblade com o canto do olho.

- Por mim tudo bem, são eles que estão pedindo... – Rumiko sorriu para o namorado, também estava ansiosa para rever a fusão de Fenki e Fenku, o leviatã com pernas de cavalo – ou centauro com corpo de leviatã – que representava sua união e sincronia. Os dois fecharam os olhos, tentando cruzar a ponte até a mente do outro, e não se surpreenderam com a facilidade que conseguiram conectar seus sentimentos. Uma energia positiva e revigorante passou a fluir entre eles, e quando os dois gritaram juntos, a nova criatura apareceu, fazendo com que os queixos de seus adversários despencassem alguns centímetros:

- Fenki, Fenku, Futari no Elegy!

- É agora, Isaac! – Gritou Ken. Seu irmão concordou com a cabeça, e os dois chamaram o seu ataque juntos. – Fenrochi, Comulk, Twin Bite!

Enquanto as beyblade de Rumiko e Toshihiro subiam aos céus entrelaçadas, deixando para trás uma trilha azul e preta, as beyblades de seus adversários se envolviam em um furacão de gelo e fogo que envolveu seu ataque. Quando suas beyblades começaram a cair para terminar o ataque, a onda de choque formada pelo encontro dos dois ataques jogou os quatro beybladers longe, enquanto os ecos de uma poderosa explosão se espalhavam pela sala.

- Wow, o que foi isso? – Toshihiro, que no reflexo abraçara Rumiko para evitar que ela se machucasse na queda, foi o primeiro a se recuperar. A japonesa estava segura, usando-o como colchão amortecedor, e logo estava em pé, ajudando-o a se levantar também. Do lado oposto da arena, Ken ajudava o irmão, lhe oferecendo a muleta para que ele se apoiasse.

- A explosão foi realmente poderosa, eu espero que as beyblades ainda estejam inteiras! – Exclamou o russo, usando as muletas para se aproximar novamente da arena com Ken ao seu lado.

Os quatro, de certa forma, já esperavam encontrar as quatro beyblades paradas no centro da arena, por isso não ficaram surpresos com o resultado da luta. Quando Rumiko e Toshihiro interrogaram os adversários sobre a origem desse novo ataque, os dois novamente responderam falando ao mesmo tempo:

- Nós pensamos nas coisas que nossas feras-bit tinham em comum. Um dragão de fogo e um urso polar à primeira vista parecem completamente diferentes, mas na verdade eles têm sim uma coisa em comum: dentes poderosos. Por isso nós fizemos esse ataque desse jeito. Ficou legal, não?

O casal de namorados demorou algum tempo para absorver a informação, impressionados demais com a capacidade dos dois de falar tanta coisa sem sair da sincronia. Depois de algum tempo discutindo a luta que acabara de terminar, o quarteto decidiu voltar para junto dos amigos, aproveitando o restante do dia antes da festa para fazer mais festa.


- Rumiko, vamos logo! Desse jeito a gente vai se atrasar! – Eram quase sete horas da noite e Nathaliya batia com força na porta do banheiro para tentar chamar a atenção de sua irmã, que já estava lá dentro a mais de uma hora.

- Já estou quase acabando! De verdade! – A russa suspirou ao ouvir pela décima vez a mesma resposta. Rumiko estava quase acabado há meia hora, nesse ritmo, quando as duas aniversariantes finalmente aparecessem na festa, todos os convidados já teriam ido embora.

- Prontas, meninas? – Takao Higurashi entrou no flat carregando uma grande caixa embrulhada com ele. Lançou um olhar inquisitivo para Nathaliya e em seguida para a porta do banheiro.

- Rumiko ainda está no banheiro, Takao-san. – Respondeu a garota, apontando para a porta fechada atrás de si. O homem estreitou os olhos ao ouvir o jeito que ela o chamara, apressando-se em corrigi-la:

- Eu sei que isso pode soar estranho para você, Nathaliya, mas eu quero que você me chame de pai agora, sim?

- Ah, desculpe, Taka... digo, Tou-san, – ela se corrigiu bem a tempo, sorrindo sem jeito. – É que eu não me sinto muito segura, o pedido da adoção ainda não foi aceito, e eu não quero que, se alguma der errado, ficar pensando que eu perdi meus pais de novo e...

- Hey, hey... – Um pouco sem jeito, Takao se aproximou da garota, passando a mão por seus cabelos, que estavam soltos para combinar com sua roupa de festa. – Vai dar tudo certo, sim, não precisa ficar pensando essas coisas! Urashima-san sabe o que está fazendo, e depois de tudo o que aconteceu no campeonato, juiz nenhum pode negar a conexão que existe entre vocês! Deixe esses pensamentos negativos de lado e aproveite bem a festa, já que falta um ano inteiro para ter outra... – O homem sorriu, acentuando sua semelhança com Rumiko e fazendo com que Nathaliya sorrisse também, sentindo boa parte de suas recentes preocupações evaporarem. – Agora quanto a minha outra filha... – Takao lançou um olhar significativo para a porta fechada, elevando sua voz ao continuar falando. – Eu temo que ela vá perder o bolo de chocolate e todos aqueles docinhos, sem falar nos presentes...

Dois minutos depois Rumiko estava fora do banheiro, brigando com seu pai por tê-la assustado de uma maneira tão cruel.


Com apenas cinco minutos de atraso, as duas aniversariantes entraram no salão, acompanhadas de seus pais e de seu irmãozinho. Rumiko foi correndo abraçar Toshihiro assim que o viu, enquanto Nathaliya calmamente cumprimentava seus amigos, se desculpando pela falta de educação da irmã. As garotas logo foram bombardeadas por uma montanha de presentes, mal conseguindo abrir um e agradecer antes de receber outro. Por fim, apenas Toshihiro, Vlamir e Yoshiyuki ainda não haviam dado seus presentes.

- Eu quero os vales de vocês! – Demandou Yoshiyuki, sorrindo divertido. Rumiko começou a expressar sua agonia quando Nathaliya tirou do bolso de seu vestido os dois vales, seu e de Rumiko, e entregou ao líder de sua equipe.

- Aqui, Yoshiyuki. – Disse ela, antes de se virar para Rumiko e falar com ela. – Eu imaginei que você acabaria perdendo o seu, Rumiko, por isso achei melhor guardá-lo comigo.

- Muito esperta, Nathaliya, é por isso que você é da minha equipe! – Brincou o garotinho, fazendo pose de gente importante. – Vamos logo ao que interessa! Tá aqui o presente de vocês! – Yoshiyuki passou duas grandes sacolas para as meninas, que revelaram conter duas esculturas, dessa vez em chocolate maciço, das feras-bit das meninas. Cada escultura pesava meio quilo, e novamente o garoto gênio se declarou seu escultor.

- E ele comeu todo o chocolate que sobrou do bloco que ele usou. – Completou Koichi, aparecendo por trás do irmão exatamente naquele momento. Yoshiyuki fez seu famoso beicinho de criancinha fofinha enquanto as meninas riam. Deviam ter imaginado que o presente do garotinho envolveria de alguma forma chocolate, afinal era só nisso que ele falava desde o fim do campeonato, para desespero de seu irmão mais velho.

Quando Toshihiro e Vladmir se aproximaram para dar os seus presentes, os corações das duas meninas dispararam. Rumiko mal podia esperar para ver o que seu namorado havia preparado para ela dessa vez, depois da surpresa do natal, enquanto Nathaliya imaginava o que receberia da pessoa que há mais tempo a conhecia entre todos os presentes.

- Toma, Nathaliya! – Exclamou Toshihiro, começando pela russa para poder gastar mais tempo com a namorada. Ao seu lado, Vladmir entregava seu presente a Rumiko. Os dois garotos rapidamente trocaram de lugar, deixando o chinês e a japonesa frente a frente novamente. – Rumiko, isso aqui é pra você! – O garoto entregou seu presente para a namorada, sorrindo. – Não é muita coisa, eu meio que fiquei sem fundos depois do natal, então...

- Tudo bem, qualquer coisa que venha de você eu vou adorar! – Exclamou a garota, rasgando sem dificuldades o papel azul que envolvia o presente. – Oh, que lindinho! – A exclamação da garota chamou a atenção de Nathaliya e Vladmir, que voltaram sua atenção para a dupla ao lado. – Que fofinho, que bonitinho! Eu adorei! – Rumiko abraçou forte o peixe azul de pelúcia que o namorado lhe dera. Era realmente muito fofinho.

- É pra você lembrar de mim, mesmo quando nós estivermos separados, ok? – Perguntou ele, sorrindo. Referia-se ao dia, agora já não tão distante, em que teria que voltar para Xigaze e ela, para Tóquio. – E não precisa ter medo dele, ele não é um jacaré.

- Tudo bem, eu não vou ter medo! – Rumiko voltou a olhar para o chinês, ainda abraçada ao peixe de pelúcia, e depois de algum tempo passou a abraçá-lo também. – Eu não vou te esquecer nunca, nem quando for uma velha esclerosada, e vou ficar esperando o dia que a gente vai poder ficar junto de novo!

- Eu digo o mesmo! – Respondeu Toshihiro, abraçando a garota também. Vladmir e Nathaliya se entreolharam, também sorrindo, e a russa comentou, aos surros:

- São bonitinhos eles dois assim, não?

- É, eles ficam bem quando estão juntos. – Respondeu seu companheiro, no mesmo tom. A garota ainda tinha em suas mãos o presente meio-aberto de Vladmir, e ao terminar de abri-lo teve uma reação muito parecida à de Rumiko ao ver o morceguinho peludo e fofinho com um olhar brilhante que parecia o de Yoshiyuki e não tinha nada de ameaçador.

- Ah, esse morceguinho é tão parecido com você! – Brincou a garota, erguendo o bichinho na altura do rosto de Vladmir para comparar os dois.

- Foi o Toshihiro que viu esse morcego na loja. Eu gostei da idéia dele, também não quero esquecer os últimos oito anos. – O russo estava perigosamente perto da amiga. Sem perceber, Nathaliya deixou seu rosto corar, o que fez com que o mestre de Castil sorrisse levemente. – Você era tão bonitinha quando tinha cinco anos, pena que as crianças crescem...

- Posso saber o que você quer dizer com isso? – O vermelho do rosto de Nathaliya aumentou, porém isso nada tinha a ver com vergonha. Vladmir percebeu que essa era a hora que ele deveria sair correndo, e assim o fez, lembrando-se dos tempos do orfanato pela primeira vez com um pouco de nostalgia. Nathaliya pegou o seu morcego de pelúcia pelas asas e girou-o no ar antes de atirá-lo na direção do amigo fugitivo, acertando em cheio e derrubando Vladmir em cima da mesa onde os D.E.M.O.N.S., agora com a companhia de Isaac, pareciam tramar um novo plano para acabar com a paz da festa. – E isso é pra você aprender a não mexer comigo! – Nathaliya estava de pé, com as mãos na cintura e cara de braba. Vladmir se recompôs e voltou a encará-la e os dois começaram a rir, deixando seus amigos confusos.

- Acho que agora eu entendi o que o Ivan e o Grygory queriam dizer... – Declarou o russo de cabelos azuis durante uma pausa em seu ataque de riso. Os garotos mencionados eram dois dos mais arteiros do orfanato, que gostavam de torturar criancinhas menores. Eles eram pelo menos três anos mais velho que Nathaliya na altura que ela chegou ao orfanato, porém nenhum deles levantara um dedo contra ela depois de uma primeira tentativa de incomodá-la, que falhou miseravelmente segundo o relato da própria dupla.

- E aprendeu a lição também, eu espero! – Retrucou Nathaliya, tentando parecer séria novamente, sem muito sucesso. Demorou ainda algum tempo para os dois voltarem ao normal, e logo em seguida Daitenji-san apareceu, chamando os três russos para conversar com ele em particular.


- O que você quer, Daitenji-san? – Perguntou Nathaliya, estranhando a atitude do presidente da BBA. Por que ele fazia questão de tanto segredo?

- Eu tenho aqui um presente que acho que vocês três vão gostar. – Respondeu ele, tirando três embrulhos retangulares de uma sacola. – Estive trabalhando nisso nos últimos cinco dias, espero que gostem.

Nathaliya, Vladmir e Isaac abriram seus presentes ao mesmo tempo, soltando exclamações impressionadas ao contemplar, cada um, um grande álbum de fotos com o nome de suas famílias bordado na capa. Em cada página, duas ou três fotos não somente de seus pais, mas também de antigos amigos – Hajime e Kino Yuy não estavam presentes em nenhuma das fotos – e outros familiares, como avós, tios, tios-avós, bisavós, primos de segundo grau, entre outros. Para Vladmir principalmente, o presente do homem significava mais do que ele poderia colocar em palavras. Os três ficaram tão absortos nos presentes que se esqueceram completamente da presença de Daitenji-san, que entendeu a situação e deixou-os sozinho, saindo sem fazer barulho.

- Minha avó materna tinha uma verruga de bruxa no nariz! – Exclamou Vladmir, após algum tempo observando uma foto em que sua mãe, sua avó e sua bisavó apareciam sentadas uma ao lado da outra, em uma foto que datava de 1974. Segundo a legenda, sua mãe tinha dez anos na época, e estava se preparando para o primeiro dia de aula daquele ano. Seus dois amigos riram do comentário, e Nathaliya entendeu isso como um sinal de que também devia comentar alguma coisa:

- E meu pai tinha um irmão gêmeo! – A garota apontou para a legenda de uma foto que mostrava dois garotos idênticos, com os mesmo cabelos loiros bagunçados e sorriso feliz brincando com um homem alto e forte que deveria ser seu avô, onde estava escrito "Alexandre e Alexei tirando Leonid do sério". – O que será que aconteceu com ele? – O sorriso da russa desapareceu por alguns segundos ao descobrir a resposta para sua pergunta na página seguinte, onde a legenda indicava "Os Kott após a tragédia" acima de uma foto onde Alexandre, seu pai e sua mãe pareciam muito tristes e abatidos, vestindo roupas totalmente pretas. A foto datava de 1980, seu pai tinha quinze anos de idade.

- Ah, eu sinto muito, Nathaliya... – Isaac, que estava mais próximo à amiga, também viu a foto dos três Kott de luto. Segundos após dizer a frase, parou para pensar na estranheza do que acabara de fazer. Ela também pareceu pensar assim, pois os dois trocaram um olhar inquisitivo antes de rir baixinho. – Bem, ao que parece meu pai quando bebê tinha um certo gosto por rolos de papel higiênico. – O comentário estranho do Mestre do Gelo fez seus dois amigos se aproximarem para observar a foto de Isaac Anatoliyev, com não mais do que três anos de idade, perdido em uma pilha de rolos de papel higiênico, rindo como se aquela fosse a melhor coisa do mundo.

Os três ainda ficaram um bom tempo observando atentamente cada foto do álbum antes de decidir voltar para a festa e mostrar para seus irmãos e amigos seu novo presente. Precisavam também agradecer a Daitenji-san, e quem sabe pedir-lhe que contasse histórias para eles sobre o tempo em que convivera com seus pais. Seus planos para o que fazer no futuro foram interrompidos assim que eles chegaram ao salão, porém, pois seus amigos estavam discutindo a possibilidade de fazer ou não outra pista de dança, não algo romântico como no baile, mas algo para todos os beybladers se divertirem e se descontraírem.

- Eu acho que é uma idéia interessante! – Exclamou Nathaliya, impondo sua opinião de um jeito que até o momento somente Ann conseguira fazer. – Vamos nos divertir pisando nos pés uns dos outros!

- Eu concordo com a Garota Foguinho! – Exclamou Ken, erguendo o braço para chamar a atenção. Como acontecera com Vladmir mais cedo naquele dia, o japonês descuidado se tornou mais uma vítima do letal morceguinho de pelúcia, caindo de costas no chão após receber o impacto da bolinha de pelos bem no meio da cara.

- Eu não gosto muito de apelidos, Ken, que fique bem claro... – Declarou ela, diante dos olhares pasmos e divertidos dos demais beybladers.

No fim, a idéia da pista de dança foi aprovada, e Isaac, John e Cathy pediram para participar do grupo de músicos que seria regido por Paul Willians e teria a companhia de Julia Willians. Antes de começarem a tocar, os pais de John e Ann chamaram o russo para conversar um pouco, revelando que também conheciam seu pai e que já haviam tocado juntos algumas vezes. O mestre de Comulk ficou surpreso e emocionado, e pediu que eles avaliassem sua performance, confessando seu sonho de seguir os passos de Isaac Anatoliyev.

Os pais dos beybladers participaram ativamente dessa parte da festa, dançando sem se preocupar com o tipo de música que tocava. Lily e Erik ficaram surpresos ao ver seus pais dançando juntos, mas logo aprovaram a idéia. Jack Brum e Fian Skirnoff eram ambos viúvos, era bom vê-los com outra pessoa para variar. A mãe de Elizabeth também arranjou um par inusitado: o pai de Ayatá, e tratou de ensinar o pajé a dançar valsa, apesar de os músicos estarem tocando rock'n roll.

Casais se formaram entre os beybladers e seus irmãos, e os desacompanhados trataram de se agrupar também, divertindo-se dançando em grupos de cinco ou seis ao mesmo tempo, ignorando a música no fundo. O grupo de Ken, Takashi, William, David e Carlos em especial causou um grande alvoroço com seus movimentos esdrúxulos, mas sincronizados, que deixaram todos ao seu redor estarrecidos. Por onde esse grupo passava, as pessoas próximas eram obrigadas a parar de dançar para assistir ao showzinho do quinteto, sempre aplaudindo no final em meio a gargalhadas.

Daitenji-san e Zanxam-sensei surpreenderam seus amigos e alunos ao serem descobertos – por ninguém menos que Momoko Kinomoto – trocando beijinhos carinhosos em um canto obscuro do salão, admitindo depois que estavam seriamente pensando em começar a namorar. Outros casais de namorados foram impulsionados por isso a terem momentos mais românticos, e logo Lily e Hehashiro, Franklin e Christie, e Len e Jun sumiram das vista dos demais. Erik e Alice saíram da pista para comer doces e não voltaram mais, e Koichi e Satsuki nem sequer chegaram a aparecer na pista de dança. Mais tarde, Yoshiyuki espalhou para todos os que queriam saber que ele havia trancado os dois no banheiro, e só os soltaria quando eles dissessem que estavam namorando. Sua tática acabou falhando, porém, quando o líder dos Taichi arrebentou a porta do banheiro e passou a perseguir seu irmãozinho, ameaçando deixá-lo sem chocolate se ele continuasse a fazer esse tipo de coisa.

Enquanto Isaac fazia um solo no piano, Takashi assistiu entusiasmado enquanto seu pai e sua mãe dançavam juntos, sem olhar para a cara do outro, mas ao menos de mãos dadas e sem reclamar. Os dois pareciam no meio de uma guerra para ver quem pisava no pé de quem enquanto tentavam seguir o ritmo da música. Os WATB pararam o que estavam fazendo para assistir sua treinadora demonstrar as sutilezas da guerra, com Ann e Emy torcendo ativamente em seu favor.

Nathaliya e Vladmir também dançavam, um pouco envergonhados, novamente mergulhados em lembranças de seus últimos oito anos de vida. Estavam a tanto tempo juntos que se sentiam quase como irmãos, e encaram com um certo medo a sua primeira separação depois de tanto tempo.

- Vai ser estranho não ter você por perto. – Sussurrou Nathaliya, de mãos dadas com o amigo. – Acho que vou demorar um pouco para me acostumar.

- Você vai ter Isaac e Yoshiyuki por perto, não vai ser tão difícil. – Respondeu ele no mesmo tom. – Em Tóquio você vai ter um monte de amigos para dominarem a sua atenção.

- E você também! – A Mestra do Fogo elevou um pouco a voz. – Os Blue Fish também vão exigir bastante da sua atenção em Xigaze, não é verdade? – Vladmir hesitou um pouco ao responder, e sua companheira percebeu logo que havia algo estranho em seu tom de voz:

- É, pois é...

- Tem alguma coisa errada? – Perguntou ela, sentindo que conhecia bem demais o garoto para deixar-se enganar por sua pífia tentativa de parecer animado.

- Não, não tem nada demais, eu só estava pensando que vai ser um pouco barulhento com o Toshihiro e o Hehashiro na mesma casa... – O russo fez o melhor possível para sorrir enquanto falava, porém mesmo assim Nathaliya percebeu que alguma coisa não estava muito certa. Acabou decidindo não pressionar o amigo, entretanto, afinal ele estava falando a verdade, os irmãos Urameshi eram mesmo barulhentos, como fora provado naquela mesma tarde, quando os dois decidiram que tinham que fazer uma serenata romântica para suas namoradas. Isaac foi terrivelmente afetado pela sinfonia, ficando cerca de meia hora reclamando de dor de ouvido e paralisia dos tímpanos.

A alguns metros de distância, Rumiko e Toshihiro também estavam juntos, curtindo o momento. O pensamento de logo terem que se separar tornara-se uma constante a assombrá-los desde a troca de presentes. Assim que saísse o resultado do processo de adoção, os Urameshi voltariam para Xigaze e os Higurashi, para Tóquio, e o único jeito de o casal se comunicar seria por telefone, ou então por cartas, algo que nenhum deles se animava a fazer porque demorava muito e exigia muita mão-de-obra.

- A gente vai voltar a se ver logo, não vai? – Perguntou Rumiko, quebrando o longo silêncio entre eles. Estava ansiosa para voltar a Tóquio, para sua casa, com seus novos irmãos e novos amigos, e mesmo assim a sensação de vazio quando pensava que Toshihiro não estaria com ela insistia em incomodá-la.

- Vai sim, eu prometo! Nem que tenha que vender a minha cama para comprar uma passagem para ir te ver! – Respondeu Toshihiro, fazendo a garota rir com sua exclamação. Também estava com saudades de casa, não entrava em seu quarto há praticamente um ano! Voltar a passear com os Blue Fish – agora acompanhado de Hehashiro e Vladmir – pelas ruelas da cidade e se tornar uma celebridade na escola eram acontecimentos que ele aguardava com ansiedade, assim como a chegada de Lily, prometida para abril, o que significaria que ele ganharia uma cunhada e mais uma casa para bagunçar além da sua. Ao ser informado pelo irmão que Lily concordara em ir morar com eles em alguns meses, o garoto logo se perdera em seus devaneios do dia em que fosse morar junto de Rumiko. Sua mente de garoto de quase quatorze anos não considerava problemas como "quem colocaria dinheiro na casa" ou "como cozinhar o almoço e trabalhar ao mesmo tempo", mas ainda assim as poucas coisas que conseguia imaginar divertiam-no imensamente.

- Então tá! Nós vamos nos ver logo, e quando isso acontecer, vamos viver ainda mais aventuras, ok? – As palavras da japonesa trouxeram conforto para os dois corações inquietos. Uma nova reunião dos Taichi deveria acontecer em breve, se não em um campeonato, ao menos em outra aventura, com mais amigos para ajudá-los a vencer mais um desafio.

Os campeões mundiais de beyblade não poderiam imaginar, durante aquela festa de aniversário em Moscou, o quão certas as palavras de Rumiko se provariam nos próximos meses. A jornada da equipe número um ainda não estava terminada, pois o destino ainda lhes reservava mais provações e lutas em um futuro próximo, colocando novamente à prova sua amizade e as lições aprendidas durante um ano inteiro de batalhas dentro e fora da arena, batalhas essas que mudaram de várias maneiras seu jeito de ser, e que ficariam marcadas para sempre em sua memória, impedindo que mesmo a passagem do tempo apagasse todas essas lembranças e enfraquecesse os laços formados nesse tempo.

OWARI


AGRADECIMENTOS

Yoshiyuki: Essa é a sessão especial em que nós agradecemos aos leitores e mais um monte de outras pessoas por tudo que fizemos nos últimos dois anos, quatro meses e vinte e cinco dias! XDDD

David: (puxando um papelzinho do bolso) Em primeiro lugar, nós queremos agradecer aos pais do James, a doutora Elizabeth e o falecido Jaiçon, por terem se dado ao trabalho de fazer aquelas coisas que até agora só a Lily e o Hehashiro já fizeram lá pelo meio de fevereiro de 1989 pra que o Jamie pudesse existir nesse mundo! XD

(Aplausos para os pais do James)

Toshihiro: E nós agradecemos também à gatinha fofa, preta e malvada do Jamie, a Bruna, porque era nela que o Jamie descontava as frustrações dele. Se alguém me perguntar por que ela é tão estressada e nos ataca sem mais nem menos, eu já tenho a minha teoria... u.ú

Ann: Agradecemos também aos professores da escola do Jamie que fizeram ele aprender a escrever mais ou menos bem. Não, peraí... ele não aprendeu... Acho que não precisamos agradecer então... n.n

Satsuki: A gente podia dizer obrigada à baba do James, que ficou com ele quando a mãe dele – uma doutora em psicologia, o que explica o fato de o James ser fora da casinha e ninguém ter feito nada quanto a isso ainda – ficou na Escócia e ele, no Brasil. o.o

Gaby: E agradecemos também ao tio do Jamie que deu pra ele o laptop velho e acabado que ele usou pra escrever a fic. E que ajudou a dar o computador lento e sem memória que também serviu pra escrever a fic. n.n

Ken: Agora a gente começa a agradecer aos leitores, porque é pra isso que essa parte da fic serve. u.ú

Rumiko: (fingindo que está em uma cerimônia solene) Obrigada, Marian Ivanohv, por ter servido de inpiração pra mim, por ter sugerido que eu ficasse com o Toshihiro e por encher tanto o saco do Jamie e tentar matar todo mundo dos seus reiviews, nas raras ocasiões que eles apareceram... n.n'' Me sinto bem feliz por ter sido inspirada em você e é por isso que nós gostamos muito de você! XDD (Abraça a Marian emocionada)

Alice: E obrigada, littledark, por ajudar o James com as minhas falas! XDD E por falar conosco no MSN quando precisávamos de inspiração e de alguém para inspirar-nos! XDD E por... e por... e por muitas coisas que não cabem aqui! Amamos-te muito, viu? XDDDDDDD (Abraça a littledark e se recusa a soltar)

Christie: E um agradecimentos especial à Xia Matsuyama, uma grande fã nossa – e minha também, com certeza, afinal, mesmo quem não gosta do Jamie gosta de mim, eu sendo a pessoa tão talentosa, carismática, bonita e poderosa que sou ao lado do Franky – que deve ter mandado reviews pra pelo menos 90 por cento dos capítulos, e "jinhos" e tudo mais! Nós somos seus fãs, todos os trinta e seis que somos, e a Zanxam-sensei e o Daitenji-san e... (Christie pára de falar pra pensar um pouco) Não, eu não acho que o Hajime-baka seja seu fã... apaga essa parte... u.ú (Abraça a Xia e manda "jinhos" pra ela)

Felipe: Hey, Ketz, sabia que você desenha melhor do que o Jami-baka?Nós queremos ver mais desenhos seus! E se você fizer alguma coisa yaoi eu...

Isaac: ...Nós vamos ficar muito felizes. XDD E eu agradeço pelo Felipe, porque parece que ele não vai querer fazer mais isso... (Felipe vermelho movendo a boca como se quisesse falar coisas indecentes) Obrigado por seu suporte, pelos desenhos e por ser a primeira a abertamente dizer que gostava da gente! n.n (Abraça a Ketz)

Vladmir: E agradecemos também à Angel T-chan Nekoi, mas como na verdade ela fala por várias... Obrigado Yura...

Ayatá: Obrigado Soley-chan...

Luiz: Obrigado, Yve-chan…

Marie: Merci Beaucoup, Paty-san…

Lily: Obrigada, Luka-chan…

Hehashiro: E à Autora, Escritora, e afins…XDDD

(Vladmir, Ayatá, Luiz, Marie, Lily e Hehashiro abraçando as seis)

John: Obrigada também à HikariTenchi, que anda meio sumida, mas nem só por isso vai ser esquecida aqui! Estamos com saudades, viu? (Abraça a HikariTenchi junto com o resto da equipe dele)

Chang: E, finalmente... Pinku Aisu Kuriimu, Bela Dark, Mistr3ss, Mione11 e Ayanokouji Lyra, e mais todos os que leram essa fic, mandaram reviews ao longo dos últimos 132 capítulos e que a gente pode ter esquecido de mencionar por causa da emoção do momento... (Close nos beybladers chorando emocionados abraçados ao lado de uma pilha de lenços usados) Obrigado por tudo! Espero que tenham se divertido assim como a gente! (Abraço em grupo no grupo)

Rumiko: Será que a gente esqueceu de alguém? O.õ

Koichi: Conhecendo o James... provavelmente, sim... ¬¬''

Yoshiyuki: Oh... XDD Que pena... XDDD

Toshihiro: Acho que agora a fic acabou mesmo... O.O

Satsuki: É... ç.ç

Takashi: Pessoas, se vocês estiverem lendo isso e estiverem tão emocionados quanto a gente, por favor, por favor, apertem aquele botão roxo que tem logo ali em baixo e mandem um último review pra gente! Pra comemorar...

Ken: ... E pra dividir com todo mundo as emoções dos últimos 133 capítulos!! E pra saber o quanto os meus fãs realmente me adoram, porque eu sei que eles com certeza me amam e...

James: Yo! (Aparece do nada) Eu quase perdi o encerramento... (Beybladers olhando pro James com cara de "eu-não-acredito-que-ele-se-atrasou-até-para-o-encerramento") Eu só queria dizer que esses últimos dois anos e quatro meses e blá,blá,blá foram um período muito importante pra mim, assim como esse bando de personagens. Apesar de loucos, insanos e de ficarem tirando com a minha cara o tempo todo, eu ainda gosto muito deles, fazer o que... ¬¬''' E eu queria saber se pra quem leu a história isso também é assim...

Takashi: É, ele quer reviews, gente... XDD

James: Então tá, Takashi! Termina a fic, vai ser o seu presente de aniversário esse ano. Você agora é um mocinho de 12 anos, afinal...

(Beybladers zoando do Takashi porque ele é "mocinho")

Takashi: Blé... u.ú Se é pra eu fazer as honras, então tá...

D.E.M.O.N.S. Awake! Ò.Ó

E FIM!

OWARI!


(Beybladers olhando pro Takashi esperando pelo fim)

Takashi: Que foi? Esse foi o fim... O.O

Ah, e não esqueçam do review! E de checar no dia 2 de novembro pela segunda fase das nossas aventuras!

Diretamente da Universidade de Strathclyde, em Glasgow, Escócia, eu, Takashi Yadate, encerro oficialmente a fic Beyblade 2 – Os Antecessores, no dia 25 de outubro de 2007.

E que abram as champanhes!