Nota da tradutora e da beta: Os créditos dessa fanfic são totalmente e somente das autoras, Dawnatello e Luna, nós apenas fazemos a versão para o português. Como a fanfic é relativamente antiga (a original foi publicada em março de 2002), há alguns detalhes no enredo que não se encaixam mais na história oficial (inclusive os signos e aniversários atribuídos aos personagens), mas relevem, pois isto aqui VALE a pena.
Optamos por traduzir os apelidos, mas manter os nomes originais dos personagens, porque "Tiago Potter" é algo que NINGUÉM merece.

Disclaimer: Os personagens e o universo de Harry Potter são propriedade da J. K. Rowling. Apenas pegamos os Marotos emprestados um pouquinho. Essa fanfic não possui fins lucrativos.


Escrito nas estrelas
por Dawnatello e Luna

tradução para o português por Calíope Amphora
betagem da tradução por Dana Norram

Capítulo Um

POV¹ DO SIRIUS

Quando eu era criança, minha mãe sempre tinha alguns ditados nos quais ela acreditava. Ela sorria ao repeti-los, quase como se as simples palavras trouxessem algum bálsamo de conforto a ela. Talvez trouxessem. Eu venho lembrando de muitas das coisas que ela me dizia em seus últimos dias, cuidadosamente desempacotando essas lembranças do fundo da minha mente, junto com a memória do sorriso dela, do seu perfume, do seu amor por mim e por papai, e, talvez, mais do que tudo, da sua esperança por mim — a esperança de que minha vida fosse cheia de amor e confiança, como ela tinha tido com meu pai.

As palavras da esperança dela são as que surgem mais claramente na minha mente. Uma dessas frases que eu sempre considerei boba quando ela costumava repetir é a que agora mais tem significado para mim. Ela sempre dizia que "o amor está escrito nas estrelas". Eu me lembro de sorrir sarcasticamente e balançar minha cabeça quando ela me disse isso uma vez. Ela simplesmente colocou a mão na cintura do seu jeito habitual, me olhou com aqueles impenetráveis olhos violetas e disse: "Sirius, você é igual ao seu pai! Você acha que não pode confiar nas coisas que estão além do seu controle ou compreensão. Mas você está errado. Você olha para o céu e vê as estrelas e a Lua — apenas pontos bonitos de luz. Mas é nisso que você está errado. Elas são muito mais do que isso. Essas estrelas contam histórias, sabe. Histórias muito importantes. Agora mesmo, você pode não investir muito esforço nas estrelas, no amor e nessas coisas 'sentimentais', mas, acredite, jovenzinho, um dia você irá dar valor. E quando esse dia chegar você irá lembrar dessas palavras — o amor está escrito nas estrelas. Lembre-se disso".

Muitos anos depois, eu estava destinado a descobrir como essas palavras eram verdadeiras…

— x —

Oh… Merlin… só olhar para a pilha de substância marrom e nojenta que lembrava vagamente carne no meu prato estava me fazendo sentir incrivelmente enjoado. O que eles estavam querendo com isso? Envenenar os melhores e mais brilhantes de Hogwarts de uma só vez! Eu odeio bolo de carne.

Olhando ao redor da mesa, percebi que ninguém tinha a mesma aversão ao "jantar", se é que dava para chamar isso assim, que eu tinha. Na verdade, Pete estava claramente devorando o dele! Gaah! Hmmm… o Aluado, sim, agora estava certo. Ele estava gentilmente enrolando com a comida, como ele sempre fazia. Coitado... ele precisava mesmo comer mais — mas não dessa porcaria nojenta!

Eu olhei para Remus por mais alguns segundos, observando enquanto ele cortava a comida em minúsculos pedacinhos, cuidadosa e delicadamente. Tudo que ele faz é tão gracioso. Eu ainda não entendia por que ele não ia se inscrever para o Quadribol. Bem, certo, eu entendia. Quer dizer, eu sabia os motivos. Algumas partidas de Quadribol são conhecidas por durarem períodos excepcionalmente grandes. Dois anos atrás, a partida entre a Corvinal e a Sonserina durou quase uma semana! Uma semana! Quem iria pensar que uma partida entre os nerds e os molengas poderia durar tanto! De qualquer modo, seria um problema se Remus estivesse jogando durante uma dessas partidas. Tenho arrepios só de pensar o que aconteceria se escurecesse e a Lua cheia aparecesse no horizonte. Eu duvido que um lobo possa ficar bem em cima de uma vassoura.

Como se percebesse meus pensamentos voltados para ele, Remus me encarou, uma sobrancelha castanho-aloirada perfeita levantada em sinal de questionamento. Eu sorri, meu rosto um pouco quente, e voltei o olhar para meu jantar nojento e intocado. Finalmente, com uma careta, eu enterrei minha faca bem no coração da pilha marrom. "Isso simplesmente não é comestível", reclamei com os meus companheiros de mesa, resmungando alto. "Os elfos domésticos devem estar aborrecidos e descontam a raiva deles em nós, nos forçando a comer essa... essa porcaria!". Pete deu de ombros: "Eu gosto. Se você não quer o seu...". "Por favor, Pete. É todo seu", respondi, empurrando o prato na direção dele.

Meu jantar desgraçado foi interrompido pela súbita aparição de um corado e pasmado James Potter.

"James!", Peter guinchou, os olhos azuis cheios de exaltação. Ele praticamente idolatrava James. Se eu soubesse o porquê! Quero dizer, eu adoro James, o amo como um irmão, mas... eu realmente não acho que ele se encaixa no perfil de herói-idolatrado, especialmente nesse que Rabicho designou a ele. Só aquele cabelo já prova que ele é tão humano e falível quanto qualquer um. Eu ri internamente do meu próprio pensamento e sorri para James, finalmente perguntando por que ele estava tão emocionado.

"Eu vi Lily hoje de novo vindo da biblioteca. Eu acho... eu acho que ela piscou para mim! Não tenho certeza, é claro, porque o corredor estava meio congestionado, mas, eu juro, pareceu que era direcionado para mim!"

"Calma, Pontas", eu ri enquanto ele se deixava cair, sorrindo e corado, na cadeira ao meu lado. "Você, sendo um herói do Quadribol e tudo mais, como ela poderia resistir?"

"Você também é um herói do Quadribol, Sirius", Peter interrompeu, cuspindo comida.

"Arrrgh, me faça um favor e feche a boca enquanto você está comendo, Pete!", eu ri. "Mas não tenha dúvidas, eu também ganho minha porção de piscadas e olhares de admiração".

"Sim, pena que todos eles venham do espelho", James respondeu em um tom piedoso, o que, logicamente, lhe rendeu um belo tapa na cabeça bagunçada.

"Ei! Almofadinhas, essa droga dói, seu grande idiota", ele reclamou, esfregando a cabeça e me lançando um olhar ameaçador por trás dos óculos.

Juntei meus lábios para ele, fazendo biquinho, o que o irritou ainda mais. Ele me deu as costas e propositadamente sorriu para Aluado, rodando os olhos. "Eu não estou mais falando com você, Sirius. Só estou falando com Remus e Peter".

"Oooh, você partiu meu coração, Jamsey! Como é que eu posso viver sem te ouvir gaguejando pela Lily", respondi com um sorriso enquanto me reclinei na cadeira e, em um ataque de tédio, comecei a bater minha colher e minha faca contra a borda da mesa. Hmmm... o ritmo da batida até que não era ruim...

Aproveitava meu pequeno interlúdio musical quando uma sombra surgiu no canto da mesa e eu olhei para os olhos negros de Severus "Seboso" Snape. Céus, eu o desprezava. Ele me encarou, me apontando seu nariz de abutre, com seu sorrisinho infernalmente irritante e arrogante.

"Vocês, grifinórios, já ouviram as novidades?" ele falou lentamente, ainda sorrindo.

Eu o encarei com raiva e percebi que até James tinha parado de tagarelar sobre a Lily para ouvir o Snape.

"Eles vão nos designar novos parceiros de estudo para as aulas de Poções e Adivinhação esse ano. Parece que o quarteto ridículo será separado". Ele sorriu de novo e deu as costas, a capa ondulando, o cabelo oleoso brilhando à luz dos archotes.

Peter pareceu enjoado com a idéia, empurrando sua comida para longe de repente. Compreensível. O pobre Pete sempre teve dificuldades nessas matérias com a gente o ajudando, imagine se ele fosse colocado com algum imbecil sonserino, como Snape ou Avery.

Remus, o rosto calmo e plácido como sempre, parecia imóvel. Ele sorriu como para dizer que aquilo não importava. E, é claro, gênio do jeito que ele é, aquilo não importaria para ele. Além disso, Remus é a pessoa mais gentil e bondosa que eu já conheci. Diabos, ele poderia se dar bem com um dragão dorso-cristado norueguês com hérnia! Um novo parceiro não era nada para ele se preocupar.

Enquanto isso, James estava tagarelando consigo mesmo "Lily faz essas matérias com a gente! Talvez eu seja colocado com ela, vocês não acham?"

E eu… o que eu achava? Pessoalmente, não descartaria a hipótese de Snape estar mentindo, só para tentar nos provocar, e eu, por mim, não iria dar-lhe essa satisfação. Encarei-o firmemente do outro lado do Salão Principal e sorri largamente. Ele fechou o rosto, lábios curvados em descontentamento, o que apenas aumentou meu sorriso ainda mais.

A verdade era que, com a minha sorte, eu iria ser colocado com algum parceiro de estudo mais do que indesejado — algum idiota Sonserino ou algum Lufa-Lufa risonho e apaixonado ou talvez um Corvinal alienado. Quem podia saber. Mas não fazia sentido me preocupar com aquilo.

James, sua irritação comigo obviamente já esquecida, virou-se novamente. "Ok, bem, possíveis novos parceiros de estudo à parte, você acha que a Lily pode estar interessada em mim? Eu sei que você conhece a amiga dela, Pandora. Ela mencionou alguma coisa sobre a Lily gostar de mim?".

Eu resmunguei à menção da pegajosa morena. Pandora definitivamente não queria me ver agora, já que ela tinha me visto agarrando Iris Springwell, que, para minha infelicidade, descobri ser prima da Pandora. "James, eu não falo com a Pandora há dois meses, cara! Você sabe disso! Além do que, esse não é o tipo de coisa que ela me diria", finalmente respondi, encolhendo os ombros.

Ele suspirou, derrotado, e me olhou com aqueles olhos azuis, me fazendo ter pena. "Ok, Jamie, isso é o que você tem que fazer. Na próxima vez que você ver a Lily, chegue perto dela, bata seus cílios, sorria sensualmente e ronrone: Ei, baby, qual é o seu signo?". Eu pensei que esse era um ótimo conselho. Tinha visto isso em um filme trouxa.

"De jeito nenhum, isso é horrível, Almofadinhas!" James rosnou, apesar do meu sorriso de contentamento. "O signo dela? Por favor! Não essa besteira astrológica sem sentido! Eu sei que você não acredita nessa porcaria!".

"Mas é um ótimo modo de começar uma conversa, Pontas!", eu argumentei, tentando atiçá-lo mais. Nada era mais engraçado do que Potter sendo feito de bobo.

James me olhou com cara raiva outra vez, balançando a cabeça. "Não. Não é. Ela vai pensar que eu enlouqueci ou algo assim. Se você acha tão legal usar essa frase, Sirius, por que não vai você perguntar para ela?"

"Porque, por mais adorável que ela seja, eu não estou interessado na Lily, esse é o porquê!" respondi, ainda sorrindo um pouco.

"Bem, eu não vou perguntar isso para ela! Isso é besteira! Astrologia! Honestamente!" James desdenhou petulantemente.

"Na verdade, eu acho o estudo da astrologia fascinante", Remus disse de repente na sua voz macia e doce, instantaneamente conquistando todas as atenções. Ele é incrível desse jeito. Quieto, discreto, apenas uma figura magra, pálida e bela pairando em silêncio em torno de nós. Mas, quando ele fala… ele ganha a sua atenção. Deve ser algo com a voz bela, macia e modulada, o tom de sabedoria, a aparência extasiada de interesse que ilumina suas feições douradas por dentro… há algo… algo cativante nele, que eu não consigo definir, mas eu percebi que parece funcionar com todo mundo. Um tipo de mágica especial do Aluado — a habilidade de fazer os outros escutá-lo, o fato de sua voz baixa conseguir tanta atenção quanto os meus brados e a tagarelice de James e os guinchos de Peter.

"Você acha?" James perguntou, interrompendo meus pensamentos.

Remus acenou, sorrindo timidamente, e começou a explicar.

— x —

POV DO REMUS

Eu olhei de rosto em rosto, cada um parecendo atento a cada palavra minha, como se eles estivessem mesmo interessados em o que eu tinha a dizer sobre o assunto. Peter parecia meio apreensivo sobre a idéia toda — ele era mesmo um pouco supersticioso, no final das contas. James estava atento como sempre, embora a expressão do seu rosto exprimisse claramente o seu ceticismo. Sirius... ele reagiu bem como eu esperava. Parecia irritado e impaciente, mesmo me encarando de um jeito meio estranho, como se de repente eu tivesse declarado meu amor eterno ao bolo de carne da escola, que ele tanto odiava.

Apesar de eu costumar dividir minhas opiniões abertamente e conversar de tempos em tempos, meus amigos nunca se cansavam de se espantar com as minhas palavras. Eu sou uma pessoa quieta por natureza, e eles não estavam acostumados com as minhas participações no meio de conversas. Não era muito para confrontar, embora eu aprecie a oportunidade de dividir minhas visões sobre assuntos que considero importantes. Eu gosto de pensar que eles achavam o que eu tinha a dizer interessante, embora eu soubesse que às vezes eles simplesmente me achavam maluco.

"As estrelas são fascinantes, Pontas. Elas podem nos dizer muito sobre quem nós somos e o que vai ser da nossa vida".

"Ah… é?", ele me lançou um olhar de descrença.

"Sim", eu disse calmamente, tentando explicar os pontos mais legais da arte de observar as estrelas. "Lembra das aulas da professora Nebula, quando nós estudamos aqueles mapas das estrelas—"

"Oh, que bobagem", Sirius balançou a cabeça, resmungando. "Remus, isso é só fantasia. Qualquer um pode sentar e escrever um monte de besteiras e te dizer que aquilo é real e guiado pelas estrelas".

Eu suspirei. "Não é bobagem, Sirius. Bem, certamente, algumas coisas são besteiras, como aqueles escritos nos jornais dos trouxas, mas se um bruxo qualificado em Adivinhação ou Astrologia —"

"Aluado, você acredita mesmo nessas coisas?" James parecia genuinamente intrigado, ainda que em dúvida.

Eu suspirei de novo e esfreguei minhas têmporas. Estava tentando explicar as aplicações práticas do zodíaco e tudo que estava conseguindo em retorno do meu esforço era uma dor de cabeça.

"Sim", disse eu novamente. "Por exemplo, James – você é um cara amigável, mas um pouco teimoso às vezes…" Isso rendeu uma risada do Sirius. "Você gosta de lutar pelas coisas em que você acredita. Eu lembro que na semana passada mesmo você estava reclamando que os monitores mereciam ter duas pilhas de papel higiênico no banheiro…"

Dessa vez Peter começou a rir também, e eu não consegui prender um sorriso.

James rolou os olhos, suas bochechas corando levemente. "Aluado! Essa foi uma conversa particular entre eu e Dumbledore!"

"Meu ponto é que você tem as características claras de um aquariano. Você é honesto, individualista, independente… e você é muito leal aos seus amigos". Nessa hora eu senti algo entalar na minha garganta, pensando no seu voto de segredo e como ele veio em minha defesa tão veementemente na frente de Dumbledore quando ele descobriu da minha licantropia.

Acho que vi uma farpa de reconhecimento e intriga nos olhos do James, mas logo sumiu. "Sim, bem… você tem um pouco de razão… mas isso tudo é só coincidência".

Sirius concordou. "Além disso, qual é a graça de diagnosticar tudo mundo desse jeito? Onde está a espontaneidade de ir conhecendo a pessoa?"

Apenas balancei a cabeça. "Típico de Áries", murmurei.

"O que isso deveria significar?"

"Nada, não ligue".

Peter, que até então considerava em silêncio a conversa, finalmente falou. "Então, que tipos de coisa as estrelas podem dizer para uma pessoa?", ele perguntou nervosamente.

A voz de Sirius ganhou um tom místico e havia um brilho condescendente em seu olhar. "Sim, grande Aluadini… nos diga quais revelações das estrelas você tem para nós hoje…"

Eu rodei os olhos, completamente exasperado. Era rara a ocasião em que meus amigos me levavam a sério. Talvez pelo fato de eu ter passado tempo demais da minha juventude inventando desculpas para minhas faltas e encontrando razões para explicar por que eu não era bom o suficiente para amigos como aqueles.

"Prevejo que você irá levar meu pé no seu traseiro se não ficar quieto", sorri com prazer.

Sirius me deu um sorriso — do tipo que iluminava seu rosto inteiro e revelava duas linhas de dentes perfeitos e brancos. Eu não pude evitar rir diante daquilo. Havia algo na felicidade e no bom humor dele que era contagiante.

"Bom, mesmo assim…", James insistiu, tentando mudar de assunto. "Não importa, porque eu não faço idéia de qual é o signo dela. E eu não vou usar essa frase terrível que o Sirius sugeriu".

Sirius apenas sorriu para ele.

"Sabe, eu não entendo. Como é que você consegue tantos encontros usando pérolas como essa, Almofadinhas?"

"Não sei…", ele pareceu ponderar. "Deve ser meu charme impecável e a minha beleza".

"Sonhe mais, Black", James riu.

"Ah, vai, é uma boa frase. Serve para quebrar o gelo".

"Ah, é? Então eu digo de novo, se você gosta tanto assim, por que não vai você perguntar para ela?"

"James… eu te disse, por mais que eu goste da Lily, não sou eu que estou me corroendo por ela".

Eles continuaram nessa por vários minutos. Eu realmente queria que eles fossem mais sinceros e abertos sobre astrologia, mas, percebendo que eles se recusavam a considerar o assunto outra coisa além de besteira, eu desisti. Foi assim, até que tive uma idéia.

"Eu vou perguntar para ela".

"O quê?" três pares de olhos recaíram sobre mim.

"Eu disse que eu vou perguntar para ela. Marquei de encontrá-la para estudar Aritmancia amanhã à tarde mesmo". Essa seria a chance perfeita para provar que havia verdade nas minhas palavras. Mostraria para eles como a astrologia podia ser precisa. "Aposto que ela é de Sagitário. Ela tem aquele otimismo e coragem do arqueiro, sem mencionar que ama a liberdade…"

James parecia horrorizado. "Não… não, Aluado!", ele esbravejou. "Ela vai perguntar por que você quer saber, e eu tenho certeza que ela vai perceber que isso tem alguma coisa a ver comigo…"

Eu sorri. "Mas, James… se meu palpite estiver certo e ela for de Sagitário, vocês dois são um casal feito no paraíso".

Ele se encolheu, correndo uma mão pelos cabelos pretos bagunçados, embora seus olhos estivessem esperançosos.

"Os temperamentos de aquarianos e sagitarianos são muito parecidos. Vocês dois gostam de viajar e de emoção, e vocês entendem um ao outro. Isso é importante".

James começou a ficar de um tom verde interessante.

"O que foi, Pontas?" Sirius bateu nas costas dele. Peter e eu nos abaixamos para proteção no caso de o tapa resultar no lançamento de algum projétil indesejado. "Você está com medo do Aluado estar certo?".

James empalideceu diante do silencioso desafio nos olhos de Sirius. Eu estava começando a me preocupar com ele estar doente. "Não, eu não estou com medo" disse ele orgulhoso. "Eu só… bem, e se você estiver errado e ela for de algum signo que significaria que nós dois seríamos um desastre juntos? Não, eu prefiro não saber". James se endireitou na cadeira, e eu coloquei uma mão no braço dele. Eu sabia como era esperar por algo que tinha certeza que não poderia ter. Mas eu sabia que tinha esperanças ali. Via o jeito que Lily olhava para James, e tinha certeza que ela também sentia algo por ele.

"É por isso que eu vou perguntar", assegurei.

"Não! Por favor, Aluado… deixa isso quieto. Prometa para mim".

"Está bem, está bem". Havia um brilho de terror nos olhos de James, e eu não pude fazer nada além de concordar.

Uma expressão de alívio se formou no rosto dele, então ele pulou de sobressalto, olhando para o relógio. "É melhor eu ir, ou vou me atrasar para o treino de Quadribol!"

Assisti calmamente enquanto ele atravessou o salão, um plano já formado na minha cabeça. Iria perguntar para Lily amanhã, na biblioteca. Afinal, eu não tinha exatamente prometido para James que eu não iria falar com ela a respeito disso.

"Remus, você acha que pode me ajudar com a minha lição de casa de Feitiços?", Peter perguntou, levantando da mesa.

"Claro, Peter", eu sorri.

Enquanto nós saíamos do Salão Principal, lancei um olhar para Sirius, e me surpreendi ao ver o sorriso que ele me deu, que me disse que ele sabia exatamente o que eu pretendia fazer.


Nota:
¹POV, para quem não sabe, é uma abreviação de "point of view" (ponto de vista). Logo, quando o capítulo começar com o "POV do Sirius" significa que aquele trecho em questão será narrado do ponto de vista do Sirius. "POV do Remus" será narrado do ponto de vista do Remus e assim por diante...