Disclaimer: Saint Seiya, por incrível que pareça, não me pertence, mas sim a Masami Kurumada. Esta é uma obra de fãs para fãs, sem qualquer fim lucrativo.

Resumo: [Universo Alternativo, vários personagens, Aioria x Marin] O pequeno Aioria teve sua vida destruída devido a uma grande injustiça a qual ele e sua família foram vitimas. Oito anos depois, o famoso e temível Leão Dourado retorna para se vingar...


Chapter Seven: Secret


Marin conteve um grito de horror. Ela, de forma alguma, podia comportar-se como uma mocinha assustada. Não naquele momento. Não quando Aioria jazia caído no chão, desacordado. E como se não bastasse, o vulto ainda estava lá, engatilhando a arma novamente.

Mais um tiro em Aioria ou o alvo seria ela desta vez?

As duas alternativas pareciam-lhe igualmente assustadoras.

Com as mãos trêmulas, Marin puxou o gatilho impetuosamente exatas três vezes, atingindo finalmente o misterioso vulto. Seu sangue gelou ao ouvi-lo xingar em italiano. Era Máscara da Morte, um dos pistoleiros mais cruéis e com melhor mira de todo o Oeste. Atirou mais uma vez, praticamente às escuras, não lhe dando tempo de revidar. Foi com alívio que o viu recuar o cavalo, retornando para onde veio, à toda velocidade. Ele podia ser perigoso, mas estava ferido e ninguém naquele estado arriscaria um embate a tão pouca distancia.

Jogou o revólver no chão, abaixando-se em seguida para ver o estado de Aioria. No mesmo instante, um Saga assustado chegava ao local.

– O que houve? Ouvi tiros!

– Um pistoleiro veio nos pegar, Saga. – Parou o que estava fazendo quando uma possibilidade, remota, mas provável, passou-lhe pela mente – Você não teria coragem de...?

Um silêncio desconfortável caiu sobre ambos, Saga finalmente entendendo a implicação da pergunta incompleta.

– Obviamente que não! Como eu contrataria um assassino se estou aqui há dias sem comunicação com quem quer que seja?! Mas, o que aconteceu com Aioria, ele foi atingido?

– Sim! Ajude-me aqui, por favor! – Desesperada, deitou-o no chão, tirando o casaco de brim e rasgando o tecido da camisa, que já estava ensopado de sangue.

O ex-xerife examinou o ferimento mais atentamente. Instantes depois, suspirava, parcialmente aliviado:

– Ao que tudo indica a bala acertou o ombro. Porém, não tenho certeza disso. Eu posso estancar o sangue, mas se queremos realmente salvá-lo, precisaremos de um médico!

– Um médico? – Marin tentava recordar-se de alguém competente e confiável. Súbito, lembrou-se de um grande amigo – Ah, claro! Eu conheço um. Mas, ele está em Sand's Santuary...

Silêncio novamente. Era quase inacreditável a forma como a vida sempre arranjava um modo de pregar peças com suas reviravoltas imprevisíveis. Sem Marin, seria Saga que cuidaria de Aioria até a vinda do médico. Cuidaria e tentaria salvar a vida daquele que o queria morto.

– Tudo bem, Marin. Vá até a cidade e ache esse seu amigo. – Saga disse com determinação, a fim de tranqüilizá-la. – Eu ficarei com Aioria e farei o máximo para mantê-lo vivo até lá.

Marin suspirou, estava sem alternativas. – Então está bem. Vamos levá-lo para dentro da cabana e, assim que ele estiver acomodado, partirei.


A noite adentrava a madrugada do Saloon Exuberance Satin. Risadas, bebidas, música e belas mulheres compunham o cenário perfeito, que atraía tanto os homens de todos os locais próximos a Sand's Santuary.

Por mais que em seus íntimos desejassem uma folga, Miro e Camus não estavam ali para isso. Vieram a trabalho, seguindo uma pista que os levara até o tão comentado lugar. Observavam o local com certa discrição. Mesmo com duas belas vedetes compartilhando a mesa, a atenção não podia ser toda dispensada a elas. "Malditos ossos do oficio!", pensava Miro indignado. A loira, que já se insinuava em seu colo, estava deixando-o quase fora do ar. "Concentre-se, Miro!". Outro dia, quando as coisas estivessem mais calmas, poderiam voltar e desfrutar dos encantos do Saloon, mas, naquele instante? Não, definitivamente.

– Oh, Mirinho, a cerveja já está acabando... Quer que eu vá lá pegar mais para você? – Perguntou-lhe com a voz manhosa.

Miro olhou para Camus do outro lado da mesa, que lhe fez um sinal para dispensar a companhia.

– Infelizmente, não vou poder ficar mais... Sabe como é, muito trabalho, e amanhã ainda vou ter que acordar cedo, fica pra outro dia a nossa diversão – Piscou maroto.

– Ah, então está bem. Mas, só porque é você, caso contrário eu ficaria imensamente decepcionada... – A cada palavra dita pelos lábios vermelhos, um beijo era depositado no rosto de Miro. Por fim, a loira levantou-se. Sabia que o seu Escorpiãozinho voltaria. – Bem, então... Até mais! – Mandou-lhe um beijo a distância, sorrindo abertamente em seguida.

– Adeus, Belladonna, adeus... – Mandou-lhe um beijo também a distância. Ao perceber que não era mais visto por ela, virou-se para Camus, que também já estava só. – E então? Vamos agora?

Camus levantou-se rapidamente da cadeira, observando um ponto do outro lado do Saloon, para só então responder – Oui.

Ambos levantaram-se de seus lugares, tentando a todo custo passarem despercebidos aos olhos dos presentes, o que não seria difícil, visto que quase todos estavam muito bem acompanhados e entretidos. Passaram por uma discreta porta próxima ao balcão, encontrando um lance de escadas que desembocaria no andar de cima. Andaram por um corredor, contando todas as portas com precisão. Não podiam errar agora. Quarta porta à direita. Olharam para os lados, certificando-se de que não eram vistos. Com a mão devidamente enluvada, Miro a pousou sobre a maçaneta da porta, abrindo-a lentamente.

Adentraram ao local escuro. Um quarto. O quarto do pianista do Saloon.

Instantes se passaram no mais pleno silêncio, até a porta ser reaberta dando passagem a um belo e talentoso rapaz. De costas para os oficiais, retirou o casaco preto, ficando apenas de camisa e colete. Acendeu uma lamparina que ficava próxima a sua escrivaninha e quase caiu pra trás ao ver quem o esperava do outro lado do quarto...

– Mas, o quê...?! – Perguntou com a mão posta em cima do peito que subia e descia rapidamente, prova do susto que levara há pouco.

– Acalme-se, senhor. Como já deve saber, somos da policia, e estamos aqui para fazer-lhe algumas perguntas. – Miro dizia com um tom extremamente formal.

Aparentemente mais calmo, Afrodite desencostou-se da parede, recompondo-se. – Pois bem, sentem-se, por favor. – Apontou duas belas cadeiras próximas ao centro do quarto, arriscando um sorriso simpático, porém, visivelmente nervoso – Embora, eu não tenha idéia do porquê de estarem aqui...

– É simples, senhor, apenas nos diga se conhece Andrew Hindenburg...

Miro poderia jurar que o vira estremecer a simples menção daquele nome. Talvez, estivessem na pista certa. Afrodite sentou-se na cadeira da escrivaninha, enquanto o silêncio pesava no quarto. Engoliu em seco, levantando os olhos e respondeu por fim:

– Sim, eu o conheço. É um primo meu que veio da Suécia para morar aqui por alguns anos. Infelizmente, ele teve de ir embora antes da hora, e eu não o vi mais desde então.

Camus e Miro trocaram olhares discretos, numa concordância mútua de que as coisas não seriam nada fáceis.

– Certo. Coincidência ele ter ido embora alguns dias após o escândalo envolvendo Aioros e a delegacia de Sand's Santuary há alguns anos, não? – Camus disse de forma casual mantendo uma expressão neutra no rosto.

– É-é... realmente, eu nunca tinha parado para pensar nisso... Coincidências acontecem sempre, não é? – Respondeu visivelmente nervoso, mas ainda tentando manter o sorriso que desfalecia a cada pergunta feita pelos oficiais.

– Sim, mas acontece que nem sempre as coincidências são realmente "coincidências", se é que o senhor nos entende... – Miro emendou sorrindo maroto, porém estava ansioso pelo resultado daquela conversa.

– Ah, sim, claro...

– Já que tocamos no assunto, presumo que o senhor já morava aqui quando ocorreu o caso de Aioros? – A pergunta foi feita por Camus, que de uma hora pra outra, decidira acabar com aquele joguinho de meias palavras e ironias.

Por alguns instantes, o belo rapaz não soube o que responder. Correu os olhos pela escrivaninha repleta de partituras, como se ali, nas notas musicais, houvesse alguma resposta ou saída. Levantou os olhos, mirando alternadamente para ambos, enquanto suspirava cansado antes de perguntar em um tom de voz baixo:

– Vocês já sabem, não sabem?

– Do que, especificamente? – perguntou Miro, inclinando-se para frente, temendo perder alguma informação.

– Vão me fazer confessar, não? Pois bem, eu conheço Andrew Hidenburg. Esse era o meu nome há oito anos. E eu sei exatamente tudo o que aconteceu com Aioros.


Viu-o sair da casa onde anteriormente cuidava de uma garotinha com febre. Escondeu-se atrás de sua diligência, apenas aguardando o momento certo. Ouviu quando o médico entrou na mesma, sentando-se e pegando as rédeas dos cavalos. Uma última olhada para a casa a fez constatar que não seria ouvida, uma vez que esta já estava às escuras. Finalmente, caminhou para perto dos cavalos, sendo vista pelos orbes azuis no mesmo instante:

– Marin? É você? – Discretamente, sua mão esquerda escorregou para a pequena pistola presa na cintura. Ele, como médico, não se sentia confortável em andar com um instrumento que poderia findar a vida de alguém, mas reconhecia a necessidade de uma boa arma carregada sempre em mãos.

– Shhh... Não fale meu nome alto. E pode deixar essa arma onde está.

Shaka suspirou aliviado, tanto por não ter que usar a pistola, quanto pelo fato de conhecer quem o abordava – Desculpe. Não consigo me acostumar com "Águia de Prata"...

– Você sempre diz isso. Mas, mudando de assunto, preciso conversar com você. – O belo semblante de Marin transformou-se em pura angústia – Na verdade, quero te pedir um favor, mas pra isso você terá de me prometer que não fará perguntas e guardará segredo...

– Está bem, prometo. Mas, quer que eu faça esse "favor" agora? É algo grave?

– Sim, gravíssimo. Um amigo meu foi atingido por um tiro...

– Novidade. O que mais tem nesse lugar é gente atingida por tiro... – Estreitou os olhos – Marin, por Deus, em que encrenca você se meteu dessa vez?

– Quieto! Vou ter que te pedir de novo para não falar meu nome? – Disse, nervosa, especialmente por saber que a cada minuto que perdia ali conversando com Shaka, a vida de seu Leão Dourado se esvaía. – E, por favor, sem perguntas. Apenas me responda: vai me ajudar ou não?

– Certo, você venceu. Quem é esse seu amigo?

– É o... Leão Dourado.

Shaka franziu o cenho, não acreditando no que acabara de ouvir:

– Como é que é? – Sibilou.

– Isso mesmo. Vem comigo? – Perguntou receosa pela resposta que receberia.


Continua...


Bom, aqui estou eu novamente com alguns bons meses de atraso. Gostaria de agradecer a todos os comentários, e dizer que estou bastante determinada a terminar essa fic. Se terei leitores até lá, só o tempo dirá (hehehe), mas fiquei bastante animada com os comentários do último capítulo. Dou a minha palavra que terminarei a fic por vocês (mesmo que isso leve mais algum [bom] tempo, sorry, mas eu sou realmente devagar ^^')! Muito obrigada à Lucy Holmes, Marina Jolie, Dra. Nina, celina (muchas gracias! ^^ ), Luciana, Star e SiningStar!

Até a próxima o/