Se melhorar, estraga!

Nota: Todos os direitos sobre os personagens desta fanfic pertencem à J.K. Rowling, à Warner, às editoras espalhadas pelo mundo e a quem de direito. Não ganho nada escrevendo isto, muito menos dinheiro.

Capítulo 1 – O milagre

O barulho era infernal, móveis e objetos estavam sendo atirados para todo lado. O homem, de tamanho descomunal, jogava tudo o que estava a sua frente, aparentemente, à caça de alguma coisa. Ele aparentava ter aproximadamente cinqüenta anos, tinha mais de 1,90 metros de altura, cabelos e olhos escuros. Seus movimentos eram truculentos e seus olhos brilhavam ameaçadoramente. Fazia ameaças e quebrava móveis e objetos caros enquanto procurava por alguém.

"Se eu pego o desgraçado, juro por todos os meus antepassados, faço picadinho dele!" - vociferava o homem. "Eu vi você correndo para cá, seu imprestável!" – Mais um vaso quebrado – "Ah... Quando eu te pegar..." – mais vidro estraçalhado, dessa vez a cristaleira foi ao chão, com todas as porcelanas.

"Papai, pare com isso" – Uma jovem loira, entrava correndo na sala de jantar. Tentava alcançar o pai, enquanto brigava com a manga do casaco. A moça vestia somente uma camiseta e um casaco de inverno. Ao observar sua filhinha descalça e quase despida, sua raiva intensificou-se ainda mais.

"Volte para o seu quarto, Helen! Depois eu cuido de você!" – A raiva do Sr. Blackhouse era tão grande, que o espelho sobre a lareira, do outro lado da sala, espatifou-se sozinho. As emoções do bruxo estavam completamente desgovernadas, assim como a sua mágica. Ter pegado a sua filha caçula na cama, com um homem, conseguiu fazer o pouco de bom-senso que ele possuía, esvair-se instantaneamente!

"Você pode se esconder, mas não vai escapar!" – Vociferou o Sr.Blackhouse.

"Por favor, papai! Pare com isso! O Sr. está destruindo a casa! Eu já sou bem grandinha para ter um namorado! Já tenho 18 anos e..." – Mas a garota foi interrompida por mais um "Volte para o seu quarto, Helen!" E quando o lustre de cristal espatifou-se em milhares de pedaços a moça achou melhor se proteger, e voltou para o corredor, mas ficou escondida, espiando, e suplicando por um milagre, que o Draco conseguisse escapar com vida.

Draco Malfoy estava espremido entre as grossas cortinas e a janela gelada às suas costas. Sentia frio, pois estava nu. Segurava um lençol, que escondia suas partes íntimas precariamente. Enquanto escutava toda a destruição que o Sr. Blackhouse fazia, percebia que o vozeirão se aproximava em velocidade extraordinária. Apesar do medo que sentia, ele não podia deixar de imaginar como conseguiu entrar em tamanha confusão. Sempre entrava em confusão, invariavelmente, por causa de mulheres. Aos 32 anos, Draco era um mulherengo assumido. Era charmoso, rico, poderoso... Porque não aproveitar? Como único sobrevivente, o herdeiro dos Malfoys, tinha uma vida de glamour, pompa e circunstância. Vivia cercado de belas mulheres, e todas elas tinham ilusão de conseguir "fisgar" o solteirão e levá-lo ao altar. Mas Draco era imune a todas as artimanhas, continuava feliz, rico, cobiçado, e, o mais importante: solteiro. Mas aquele parecia ser o seu fim, não tinha escapatória. Não podia aparatar, pois toda a casa e adjacências eram protegidas. Ninguém podia aparatar ou desaparatar nos terrenos da propriedade. O Sr. Blackhouse era um homem muito rico, mas também era muito odiado pela comunidade bruxa. Era um homem de negócios extremamente mercenário, que só buscava o lucro, sobre todas as coisas. A única coisa que o preocupava em igual proporção, era a filha adolescente. Que o Draco teve a infelicidade de se envolver. Mais um estrondo, e o homem estava a menos de dois metros dele, era o fim! Num momento de desespero, Draco implorou por um milagre. Clamou aos céus, aos deuses, anjos, ou a quem pudesse ajudá-lo. "Juro, pelo o que me é mais sagrado: minha fortuna; que nunca mais farei isto!" – Uma cadeira passou voando pela sua cabeça e espatifou o vidro da janela. Fazendo com que o loiro emitisse um grito assustado. Fez-se silêncio. O homem o havia escutado. Era o fim do mundo. E Draco, desesperado, intensificou suas preces:

"Eu juro que, se eu escapar vivo, vou me casar com a primeira mulher que aparecer na minha frente! Vou ser fiel..." – os passos pararam em frente à cortina, e o loiro completou: "Serei um perfeito escravo. Nunca questionarei as ordens dela... Até o fim da minha vida... ou até ela me liberar da promessa!" E então, um grito foi ouvido, e o Sr. Blackhouse jogou-se sobre as cortinas. Helen, que estava escondida, prendeu a respiração e fechou os olhos. Um palavrão, dois palavrões e: "Não é possível! – Eu sei que você estava aqui." Helen abriu os olhos, mas não viu nenhum loiro sexy. Seu pai estava lívido, não havia ninguém escondido atrás da cortina, um sorriso aflorou nos lábios da garota, afinal, milagres existiam!

Draco ainda estava com os olhos fechados, quando tudo se transformou em silêncio. Não tinha coragem de abrir os olhos. Segurou o mais firmemente que pôde o lençol, e abriu um olho, depois o outro. Neve, árvores... Por isso estava com frio, estava na neve! Mais precisamente num bosque. Um milagre! Uma alegria enorme tomou conta dele, mas essa felicidade durou exatos trinta segundos, porque logo depois escutou uma risada debochada e vários "clicks" de uma máquina fotográfica: "Realmente, hoje é o meu dia de sorte!" – uma voz feminina e dolorosamente conhecida para Draco, exclamou: "O grande Malfoy correndo nu pelo bosque..." Rs... rs... rs... "E... rs... no meio da neve! Preciso ir para a redação! A notícia do ano!" Lentamente, Draco virou-se e seus temores se confirmaram, Ginny Weasley, repórter do Profeta Diário, descia, muito feliz consigo mesma, pelo caminho entre galhinhos e arbustos cobertos pela neve; rindo e segurando uma câmera fotográfica nas mãos.

"Weasley, espere!" – gritou o loiro. Mas a ruiva riu mais alto, e sem se voltar para Malfoy, gritou:

"Tchau Malfoy! Obrigada pelo momento mais divertido da minha vida!" - Gritou Ginny. E então, desaparatou.

Malfoy lembrou-se então de sua promessa, de casar-se e ser escravo da primeira mulher...

"Não!" - Ninguém foi testemunha do homem nú, envolto em um lençol branco, chorando copiosamente ajoelhado na neve.