Me lembre de não esquecer que te amo

Autora: Thaís Potter Malfoy

Shippers: Harry/Hermione; Draco/Hermione; Harry/Gina.

Resumo: Hermione sofre um ataque e acorda na enfermaria da escola, sem memória. Agora ela está totalmente perdida e não sabe se deve acreditar em seus sentimentos ou no que as pessoas lhe dizem.

Spoiler: 1 a 5.

Capítulo Vinte – Love Will Set You Free

- Eu tenho um plano – Harry havia anunciado. – Será que eu posso entrar ou não? Realmente não queria discutir no corredor.

Claramente contrariado, Malfoy abriu a porta de seu quarto e deixou o arqui-inimigo entrar. Harry olhou ao redor, já que era a primeira vez que pisava ali. Não pôde evitar pensar nas horas que Malfoy tinha passado ali com Hermione, o que o fez fechar os pulsos, invadido pela raiva.

- Diga logo, Potter. – Malfoy sentou-se na cama e indicou que Harry se sentasse na cadeira da escrivaninha. Assim ele o fez.

- Minha proposta é simples. – Harry começou. – Eu não quero que Hermione lute na batalha. Quero levá-la para o mais longe possível daqui. Ela é a primeira que vai morrer se ficar aqui e Voldemort puser as mãos dela. Além de ser nascida trouxa, ela é a pessoa mais importante na minha vida.

Draco absorveu as palavras calmamente. Seu olhar confuso deixou claro que ainda não tinha entendido.

- Então você está pensando em fugir com ela? É isso? – Malfoy perguntou.

- É claro que não. – Harry enfureceu-se. – Eu não posso fugir, Malfoy. É minha briga, minha responsabilidade. E não importa aonde eu vá, o conflito vai me seguir.

- Então...

- Eu quero que você a leve.

Malfoy arregalou os olhos. Harry rolou os dele, e cruzou as pernas na cadeira.

- Malfoy, a primeira coisa que eu te disse foi que eu a amava o suficiente para deixá-la livre. – Harry voltou a explicar. – Estou confiando que você fará tudo em seu poder para vê-la sã e salva. Estou errado?

- Não. Claro que não. – Draco respirou fundo. – O que eu mais queria era não ter que enfrentá-la na guerra. Você aparecer aqui com esse plano é praticamente a resposta a todos os meus pedidos.

- Então você o fará? – Harry ergueu as sobrancelhas.

- Você sabe o que está em jogo, não sabe? O Lorde está contando comigo em seu exercito. Quando descobrir que não estou aqui, virarei seu inimigo número um. Se ele ganhar de você, vai me caçar até o fim do mundo. Eu e Hermione estaremos mortos.

- Mais um motivo para eu ganhar, então, não é mesmo? – Harry disse, permanecendo calmo. – Escute, Malfoy, eu já pensei nos detalhes. Se eu perder, conto com você para manter Hermione segura e, na medida do possível, feliz. Sei que o seu próprio medo de Voldemort te alcançar vai te tornar um fugitivo bastante criativo.

- E se você ganhar? – Malfoy indagou. – Eu trago ela de volta e você espera que ela vai voltar correndo para os braços do salvador do mundo mágico, é isso?

– Você tem certeza de que conhece a Hermione? – Harry riu, desdenhoso. – Ela jamais vai me perdoar por tê-la despachado para longe e tirar dela a chance de lutar. Vai estar furiosa. Até que ela me perdoe, você terá tempo suficiente para conquistá-la, se este for seu desejo e preocupação.

- Potter, essa sua clássica manobra de se sacrificar e colocar Hermione em primeiro lugar, antes mesmo do que a sua própria vida, vai fazer Hermione cair como um patinho. – Malfoy apontou, torcendo o nariz.

- Você está se esquecendo de que você também está fazendo um sacrifício por ela, Malfoy. – Harry chamou a atenção do loiro. – Abandonar Voldemort para salvá-la pode ser o que faltava para que ela admita de uma vez que é você quem ela ama.

Malfoy ponderou por alguns minutos.

- Você pode ter razão – Draco aceitou. – Acho que o fato de nós dois fazermos isso por ela nos deixará quites. Nós dois começamos do zero. Temos igual chance de conquistá-la depois que tudo isso passar.

- Para isso, temos que sobreviver. – Harry disse, sombrio. – Não se esqueça disso. E, acima de nossa sobrevivência, existe a sobrevivência dela. Eu estou disposto a dar minha vida. Você também está?

Era aquela resposta que Harry buscava. A partir dela, poderia determinar se realmente podia confiar Malfoy com a pessoa mais importante do mundo para ele.

- Conte comigo, Potter.

Harry abriu um sorriso.

DMHG – DMHG - DMHG

Os próximos cinco dias passaram rápido como um raio. A ansiedade, pela primeira vez, não tinha sido capaz de parar o tempo, e Hermione se via cada vez mais perto de enfrentar as forças das trevas na batalha de Hogwarts – ao lado de Harry, e contra Draco. Eles tinham apenas um dia. Um dia. Na manhã seguinte, teriam de estar preparados para o que quer que fosse acontecer.

Vários alunos haviam retornado à escola para lutar e protegê-la. Alguns pais corajosos os acompanharam, a maioria deles com alguma ligação com a Ordem da Fênix. Todos os professores tinham ajudado nas aulas e batalhas preparatórias e a confiança havia se instalado lado a lado com o medo.

Harry havia dormido junto dela todas as noites. Eles se abraçavam e trocavam beijos – alguns mais tímidos e alguns íntimos e quentes – até adormecerem. Rony não demorou a perceber a ausência dos amigos todas as noites e sempre dava a entender que estava honestamente aliviado por Hermione ter aparentemente esquecido Malfoy.

- Já era hora de vocês estarem juntos – Rony havia dito durante o almoço, enquanto abraçava Luna. Harry e Hermione estavam sentados do lado oposto da mesa.

- Não seja bobo, Rony, não estamos juntos – Hermione corou, mas respondeu a verdade. Harry apenas abaixou a cabeça e riu.

A tarde tinha sido cansativa. Hermione tinha liderado uma classe de anos secundaristas, ensinando-os feitiços de proteção. Harry tinha passado a tarde tentando ensinar o patrono aos alunos do sexto e sétimo anos. Após o jantar, o Salão Principal ficara mais silencioso do que de costume, o que Hermione imaginou que deveria ser por conta da antecipação ao dia seguinte. Assim, ela e Harry se despediram e caminharam em silêncio até o quarto dela. Quando já estavam deitados em sua cama, protegidos pelo calor do edredom e pelos braços um do outro, Hermione aproximou os lábios dos de Harry, mas o garoto a parou.

- Harry? – ela o chamou. – Alguma coisa errada?

- Nada, minha linda. – ele sorriu, passando os dedos pelos cabelos dela. – Só quero aproveitar cada minuto. Tenho a sensação de que essa pode ser nossa última noite juntos em muito tempo.

- Harry – Ela fechou os olhos, apertando-os. – Você sabe que eu não gosto de te ouvir falando desse jeito.

- Me desculpe – ele riu. – É meu senso de humor negro falando. Anda, me beija.

Ela abriu os olhos castanhos, relutando alguns segundos antes de se aproximar e beijá-lo. Harry tomou-a com uma paixão renovada e ela se entregou, afinal, aquela realmente poderia ser a última vez. Com isso em mente, uma decisão foi tomada por Hermione. Ela cortou o beijo e prosseguiu para tirar a camisa de Harry, que sorriu e a permitiu. Quando encontrou o peito desnudo do rapaz, jogou seu corpo sobre o dele e passou a distribuir dezenas de beijos, partindo de seu pescoço até seu umbigo.

- Você não tem ideia do quanto eu sonhei com você por cima de mim, me atacando desse jeito – Harry brincou, observando-a com um brilho nos olhos que ela não via há muito tempo.

Ela fez o caminho contrário da trilha de beijos que tinha traçado e foi subindo até alcançar os lábios do moreno. Hermione sentiu as mãos de Harry subir por suas costas, mas não demorou até que uma dela deslizasse pela lateral de seu tórax e envolvesse um de seus seios. Pega de surpresa, ela parou o beijo e sentiu Harry tirar a mão rapidamente.

- Desculpe, eu pensei que-

- Tudo bem, Harry. Vá em frente. – ela disse, respirando fundo. – Só estou nervosa.

Ele riu. – Nervosa? Por quê?

- Porque eu quero ir até o fim. – ela anunciou. – E eu nunca fiz isso antes. Tudo bem por você?

Harry sorria feito um bobo.

- Por mim? – ele disse, rindo. – É tudo o que eu quero, Hermione. Mas e você? Uma semana foi suficiente para te conquistar? Se eu soubesse que era tão fácil, tinha tentado antes.

- Harry, não estou brincando! – ela ficou brava, mas logo riu do jeito dele.

- Então por que essa súbita mudança? Só quero entender – ele alisou as coxas dela, que ainda estava por cima dele, sentada em seu estômago.

- Foi por causa do que você disse... – ela começou, determinada. – Harry, caso o pior aconteça, não quero ter nenhum arrependimento. Se eu sou a pessoa que pode te fazer feliz e te dar esperança, me sentirei especial. Eu já te amei muito um dia e sonhei em passar noites com você, te amando. Você sabe que eu me sinto muito bem quando estou nos seus braços, ou não estaríamos aqui.

- Uau. – Harry respirou fundo. Ele se sentou, segurando-a num abraço de modo que os torços ficassem unidos. – Já posso morrer feliz. – ele sorriu. Era exatamente esse o efeito que Hermione esperava obter com sua decisão.

Queria fazê-lo feliz. Além do mais, os dois poderiam não sobreviver. Não era hora para pensar duas vezes ou pensar nas consequências. Devagar, ela o beijou outra vez. Segurou a mão dele com a sua e o guiou a passear por suas curvas, ao que Harry logo tomou conta da tarefa sozinho. O moreno girou os corpos de modo que Hermione deitasse na cama com ele por cima. Ela podia sentir a excitação dele entre suas pernas, mas ainda sob a calça do pijama. Quando Harry falou com ela, tinha a voz mais doce que ela já ouvira.

- Essa já está sendo a melhor noite da minha vida. – os olhos dele admiravam-na. – Quero que seja a sua também.

E os desejos de Harry foram atendidos. Naquela noite, Hermione se entregou completamente. De certa forma, Harry era um dos amores de sua vida, era a escolha fácil e segura. Ele a amou como ela merecia. A fez sentir coisas que ela só tinha imaginado. Antes de adormecerem, Harry a chamou.

- Hermione... Eu te amo. Não se esqueça, ok?

- Você também. Não se esqueça, eu também te amo. – ela respondeu, ajeitando-se nos braços dele.

Ela logo sentiu Harry adormecer ao seu lado. Ela, no entanto, após fechar os olhos, teve todos os seus pensamentos voltados para Draco Malfoy. Não se arrependia de ter se entregado a Harry, mas agora ela tinha a confirmação daquilo que sempre suspeitara... Draco era seu amor de verdade.

DMHG – DMHG - DMHG

Era o dia.

Draco acordou repassando o plano de Potter em sua cabeça. Não sabia o porquê de ter aceitado entrar no jogo do inimigo, mas era a única chance que tinha. Tentou se lembrar da última coisa que Potter tinha dito.

- Vou informar o Rony sobre o plano. – ele dissera. – Um de nós dois mandará uma coruja a vocês, contando o resultado da luta. É claro que, se perdermos ou se acontecer alguma coisa com um de nós dois, vocês não vão receber nada. Então não saiam do esconderijo até saberem com certeza o que aconteceu.

Draco estava apreensivo. Apesar de já ter tomado conta de todos os detalhes, separado suprimentos e despistado os outros sonserinos, era normal ainda estar nervoso. A parte mais crítica do plano estava por vir. Iria tentar convencer Hermione a vir por livre vontade, mas algo o dizia que teria que levá-la a força – e o faria sem arrependimentos.

O único lado bom de tudo isso seria estar com ela. Sozinhos. Finalmente teriam espaço para dizer o que sentiam, sem se preocuparem com as pressões das expectativas das pessoas sobre eles. O fim do mundo tinha esse benefício... As convenções sociais iam para o espaço, e só sobravam os sentimentos, as vontades. Ele tinha certeza que Hermione ia querer estar com ele.

O que ele não esperava, por outro lado, era que alguém batesse em sua porta tão cedo no dia da batalha. Hesitou, sem saber se deveria responder ou não. Foi quando ouviu sua voz, chamando seu nome.

- Draco!

Era Hermione.

Decidiu abrir a porta, e correu para fazê-lo. Do outro lado da madeira, a garota abriu um sorriso tímido ao vê-lo. A ansiedade dele aumentou com a visita inesperada.

- Eu só quero te agradecer. – ela começou, com um brilho nos olhos que poderiam sugerir lágrimas vindas à tona. – Por avisar. Por fazer a coisa certa.

- Hum... De nada? – ele ofereceu. Não sabia o que fazer. Não estava nos planos eles se encontrarem antes do começo da batalha.

Hermione parecia não ter terminado. Ela falou novamente. – Só não entendo... Por quê?

Ele riu com o canto da boca. Achou melhor não entregar nenhuma parte do seu plano. Não podia correr o risco de algo sair errado.

– Não temos mais tempo para joguinhos... – ele disse. – Não vamos mais ficar fingindo o que nós já sabemos. Eu te amo. Te avisei porque queria te dar a sua melhor chance.

Ela claramente não sabia o que dizer. Sua boca ficou seca. Será que ela estava surpresa? Draco tinha certeza de que essa hora ela já saberia dos seus sentimentos. No entanto, aparentemente ela não sabia. Ou não acreditava. Não tinha acreditado, pelo menos não até aquele momento. Então, a força desta percepção fez com que Hermione enrolasse os braços ao redor da cintura de Draco e apoiasse a cabeça em seu ombro. Abraçou-o como se fosse a última coisa que faria na Terra.

- Eu me preocupo com você, por isso eu vim. – ela disse, em voz extremamente baixa, suave. – Precisava saber que você sente pelo menos uma parte do que eu sinto, e fico feliz que a reposta seja sim. Eu te amo tanto, tanto. Só agora percebi e pude admitir para mim mesma.

- Venha, vamos entrar – Draco a puxou e fechou a porta atrás de si. Novamente, Hermione o abraçou, ainda mais apertado. Os braços dele imitaram os dela, retribuindo o aperto do abraço na mesma intensidade agonizante.

- Quando eu paro para pensar que essa pode ser a última vez que eu vou te tocar... – ela começou um choro tímido.

- Acho que isto significa que você me perdoa. Por tudo o que eu te fiz. – ele sorriu com o canto da boca, tentando melhorar o humor da morena, sem deixar transparecer que ele estava tranquilo por saber que teriam ainda bastante tempo para ficar juntos, caso o plano de Potter desse certo.

- Minha razão não te perdoa, mas meu coração sim. – ela sorriu.

- Mas pense que tudo tem um lado bom... – Draco sugeriu. – Se eu não tivesse te enganado, nunca teríamos nos apaixonado. E eu posso dizer que você foi a melhor coisa que já aconteceu comigo.

- Eu também penso exatamente assim.

Hermione saiu dos braços dele. Seu sorriso era quase triste. Passou os dedos na face de Draco, tentando guardar o momento, saboreá-lo. Sem aviso, ela grudou os lábios nos dele, iniciando o beijo mais feroz que já tinham trocado. Havia fogo, havia paixão, mas havia um desespero que fazia da experiência uma mistura perturbadora. Draco a beijava até que lhes faltasse o ar. Nenhum dos dois queria que acabasse. Separaram-se sem tirar as mãos um do outro.

- Se conseguirmos passar por isso... Essa guerra... – Hermione começou – Iremos ficar juntos? Por favor, Draco, me dê um motivo a mais para lutar.

Ele abriu um sorriso. Nunca tivera tanta certeza de que ela pertencia a ele.

– É claro que sim. É claro que quero ficar contigo, Herm. – A resposta dela a fez sorrir. Ouvi-lo chamá-la pelo apelido carinhoso que, afinal, fora ele quem inventara, foi mais do que Hermione poderia suportar. Uma lágrima tímida escorreu de seus olhos.

- Boa sorte, Draco.

Ela deu um último beijo no rapaz e foi embora.

DMHG – DMHG - DMHG

N/A: Só mais um capítulo... Ainda tem alguém aí? Rsrs. Comentem o final, beijos.