Comunicado: Os personagens e ambientação da história a seguir são fruto do trabalho de J.K.Rowling e sua propriedade intelectual.

Renascer

Harry não entendeu o que houve. Logo após Snape recitar o encantamento, ouviu uma porção de POPs , um atrás do outro. Eram os aurores chegando. Mas ele não devia estar morto? Como escapara mais uma vez da maldição da morte?

Finalmente reparou que quem Snape matou foi Voldemort. Logo Tonks estava ao seu lado, enquanto Kingsley tinha lançado um feitiço anti-aparatação em Snape e agora o estava prendendo pela morte de Dumbledore.

– Harry, você está bem?

– Não sei, acho que Voldemort tentou me matar e não conseguiu. Sinto falta de ar e um aperto no peito.

– O que houve? Você matou Voldemort?

– Eu ainda estou paralisado e sem varinha, portanto o que você acha? Além do mais não consigo falar sobre nada.

– Quem matou Voldemort fui eu, Kingsley. Vi que ele ia matar o rapaz e por mais que eu despreze Harry, meu instinto de professor ainda fala mais alto.

– Ora, Severo, você matou Dumbledore. Estava do lado de Voldemort. Por que o mataria agora? Se quisesse matá-lo, deveria tê-lo feito há muito tempo

– Nunca estive de fato do lado de Voldemort e posso prová-lo. Matei Dumbledore porque ele me pediu que o fizesse. E matei Voldemort porque...

– Kingsley, Harry não está bem e acabou de levar uma maldição. Ele não vai poder depor mesmo, deixe-me levá-lo para Madame Pomfrey – Tonks interrompeu.

Kingsley assentiu.

Finite! Accio varinha do Harry! – Depois de dizer esse encantamentos, Tonks aparatou com Harry na sede da Ordem e levou-o pela rede de flu até a escola.

Madame Pomfrey imediatamente começou a examiná-lo.

– Mas o que fizeram com esse garoto? Eu o deixei ir hoje de manhã com a promessa que repousaria e se cuidaria.

– Ao que parece ele recebeu uma maldição da morte, que por algum motivo não deu certo, mas não adianta interrogá-lo. Por algum motivo ele não pode falar sobre o que lhe aconteceu. Vou chamar os amigos dele.

Rapidamente Gina, Rony e Hermione estavam na ala hospitalar.

– Não quero uma multidão aqui. Harry está fraco e precisa repouso.

Hermione, mostrando o seu distintivo de Monitora-chefe como quem reafirma sua responsabilidade, disse:

– Madame Pomfrey, talvez possamos ajudar. Tonks disse que Harry parecia ter sido o alvo de mais uma das maldições da morte de Voldemort. Acontece que sabemos por que ela não poderia dar inteiramente certo. É que Voldemort usou o sangue de Harry para recuperar seu corpo. E o sangue de Harry, como o de sua mãe, está protegido pelo amor. Quem tem esse tipo de proteção não é capaz de lançar a maldição da morte – e Hermione estendeu à enfermeira as anotações de Lilian Potter.

Harry tomou algumas poções e só acordou no dia seguinte, com Gina aos pés de sua cama.

– Ei, garoto que perdeu a cicatriz, como vai?

Meio grogue. E aí, me explica o que aconteceu.

– Bem, você quer o bom ou o ruim?

– Começa pelo ruim.

– O Profeta Diário arranjou um novo herói: Severo Snape. E Rufus Scrimegeour agora está todo amiguinho dele.

– Herói? Depois de ter matado Dumbledore?

– Ele contou uma história complicada. Disse que Dumbledore estava doente e que trocaram idéias por legilimência logo antes da morte de Dumbledore. Diz que Dumbledore ia morrer de qualquer modo por causa de sua doença, aliada aos feitiços que tinha sofrido. Que só o fato de estar assim tão fraco podia explicar Draco ter conseguido desarmá-lo. Dumbledore teria pedido isso para que Snape pudesse continuar a proteger tanto Draco, quanto você. Ele diz que Draco não é mau garoto, só teve que agir premido pelas circunstâncias, sua família toda ameaçada de morte. Mesmo assim não teve coragem de matar Dumbledore.

– E o povo acredita nessa balela toda?

– Acontece que Snape matou Voldemort e o povo está propenso a acreditar em qualquer coisa que ele diga. Além disso, ele tem umas cartas de próprio punho de Dumbledore explicando que confiava absolutamente em Snape porque Voldemort matou a mãe dele.

– E daí? Que Dumbledore confiava nele, sabemos. Mas o resto é mentira. Dumbledore não tinha sido enfeitiçado, tinha tomado uma poção. Eles não tiveram tempo de trocar tanta informação assim. E Draco quase matou um monte de gente, Katie, seu irmão, até eu e Slughorn teríamos morrido também, se Rony não tivesse sido tão apressadinho para beber o hidromel e o efeito do veneno não fosse tão rápido.

– Mas é aí que vem o lado bom.

– Qual?

– Acabou a história de O Eleito. Como a imprensa não sabe do seu papel na morte de Voldemort, disseram só que aparentemente estavam errados em supor que houvesse qualquer coisa de extraordinário a seu respeito. Snape aproveita para dizer que você sempre fez de tudo para chamar a atenção e que adorou virar O Eleito.

– Então vão continuar a encher o meu saco. Agora para caçoar pelo fato de eu não ser O Eleito.

– Acho que não. O próprio Snape não quis falar muito disso e a imprensa está muito mais interessada nas mortes de Voldemort e Dumbledore, assuntos mais palpitantes.

Nesse momento, Hermione e Rony juntaram-se a Gina e Harry e os quatro ficaram comentando as novidades.

– Vocês podem me explicar como Snape explicou por que matou Voldemort só agora? – Harry perguntou.

– Ele diz que a sua prioridade era defender você e que se tivesse matado Voldemort no lugar em que ambos estavam escondidos, outros Comensais da Morte teriam vindo em defesa de seu mestre, então foi só quando Voldemort o chamou para ajudá-lo a conversar com você em segurança que a ocasião se apresentou – Hermione respondeu.

– E por que não o matou assim que chegamos ao bosque? Por que esperar que ele lançasse uma Avada Kedavra contra mim? Nós conversamos um bocado antes de Voldemort sacar a ausência da Horcrux e me atacar.

– Acontece que a imprensa não sabe desse detalhe e não fez esse questionamento. Então não podemos saber.

– Ora, Hermione, podemos especular – Rony discordou. – Sabe, Harry, tem uma coisa que me deixou intrigado. Belatriz Lestrange não teria vindo sozinha até aqui com a Nagini e muito menos teria abandonado a serpente sem proteção. Voldemort deve ter feito montes de recomendações a ela. Como não vimos ninguém, suponho que houvesse alguém sob uma capa de invisibilidade. Outra evidência disso é que sumiu um pedaço grande do frasco com veneno que Belatriz estava roubando.

– E daí?

– E daí que essa pessoa pode ter ouvido quando eu comentei com Hermione que tinha destruído a última Horcrux e que Voldemort agora era mortal.

– Não entendo o que isso tem a ver com Snape, Rony – Hermione comentou.

– É simples. Suponha que fosse o Snape. Ele queria matar o Voldemort. As diversas cartas de Dumbledore falam disso. Ele foi quem ouviu a profecia e sabia que Harry era de fato O Eleito. Quando ele me ouviu falar com você, pode ter sacado que tínhamos feito algo importante. Quando estavam os três juntos no bosque, ele esperou que Harry fosse matar Voldemort. Afinal era isso o que tinha entendido da profecia. Quando Voldemort lançou a Avada Kedavra em Harry, ele, que não sabia que Voldemort não era mais capaz de lançar a maldição, achou que Harry tinha perdido. Então tinha que aproveitar o momento, ou não teria mais outra oportunidade tão favorável.

– Sabe que a sua teoria parece bastante plausível, Rony, parabéns. Meu irmãozinho está ficando inteligente de tanto conviver com a Hermione.

– Ora, ele sempre foi inteligente. Sempre ganhou de mim no xadrez – Hermione respondeu, sem preceber que Gina estava apenas provocando Rony.

– Bem, mas já está na hora das aulas. Temos que ir. Cuide-se, Harry.

No dia seguinte, Madame Pomfrey achou que Harry já podia se juntar aos demais estudantes e freqüentar as aulas normalmente.

Logo na mesa do café da manhã, Harry reparou em um fantasma novo, que mais parecia uma ratazana.

– O que é aquilo? Pensei que só bruxos pudessem virar fantasmas.

Não sei, apareceu ontem, ou talvez anteontem, mas não dei muita imporância, Gina respondeu.

Nick-Quase-Sem-Cabeça, que ouviu a pergunta, respondeu.

– É um novo fantasma, de um ex-aluno muito apegado à escola, só não entendo por que é tão pequeno. Tom Riddle era um rapaz normal.

Harry quase engasgou, ao ver no que Voldemort tinha se tornado.

– Há, vocês ouviram essa? – perguntou a Rony e Hermione, que pareciam não ter prestado atenção na história.

– O que? O que é tão engraçado?

– Vocês estão vendo aquele mini fantasma? É Voldemort. Ele partiu tanto a alma que virou um fantasma ridiculamente pequeno.

– Nossa, mas não está pequeno demais? – perguntou Gina – ele é bem menor que um sétimo de gente.

– Mas, Gina, ele não partiu a alma em sete partes iguais. Cada vez que ele fazia uma Horcrux, deixava nela metade da alma que restava. O Rony comentou que o espectro que saiu de Nagini era muito menor que o que vimos sair da taça – Hermione ponderou.

– É pensando bem, acho que tinha mais ou menos o tamanho do novo fantasminha – Rony disse, também quase engasgando de tanto rir.

– Então, Voldemort partiu sua alma seis vezes, cada vez ele dividia o que restava em dois. Portanto o pedaço que restou não é um-sétimo da alma dele, mas um dividido pela sexta potência de dois, ou seja, um-sessenta-quatro-avos de alma. Se levarmos em conta que ele devia ter em torno de 85 quilos, o fantasma corresponde a um fantasma de algo com cerca de 1,3 quilos.

– É, bem que devíamos esperar por essa. Nick me contou quando Sirius morreu que só viravam fantasmas aqueles que não queriam aceitar a morte. Voldemort realmente não parecia propenso a aceitá-la, não é mesmo? – Harry acrescentou, sem parar de rir.

A explicação parecia convincente e os amigos logo trataram de espalhar entre todos os alunos que aquele arremedo de fantasma era Voldemort. Como estavam dando aulas de Defesa contra as Artes das Trevas, tinham uma situação privilegiada para espalhar rumores. Logo a escola inteira estava caçoando e implicando com o fantasma de Voldemort, principalmente Pirraça.

O fim de Voldemort significou o fim da guerra e a escola estava agora muito mais animada. Harry, porém, preocupava-se em traçar o seu futuro, agora que seu destino não mais estava marcado por uma profecia. Na noite de quinta-feira, ele comentou com Gina.

– Amor, tem uma coisa muito séria que preciso falar com você antes do tal jantar de sábado na casa de seus pais.

– Já está arrependido do noivado? Agora, que até a Profa. McGonagall nos permitiu deixar a escola no fim de semana por causa dele?

– Ao contrário, queria saber se você concorda em já marcarmos a data do casamento para o dia de seu aniversário.

– Mas por que tanta pressa?

– Você já vai ser adulta, então acho que seus pais não vão se opor. Isso é apenas a razão para não ser antes do dia 11 de agosto. Mas a questão é a seguinte. Você ainda tem mais um ano de escola. Eu, se tudo der certo, consigo os meus N.I.E.M.s e vou treinar para ser auror. – Como vamos fazer para nos encontrar o ano que vem? Você só vai sair nos fins de semana de Hogsmeade e fica chato eu levar você para um quarto no Três Vassouras. As pessoas vão comentar. E depois, os aspirantes a auror têm que fazer plantões de vez em quando nos fins de semana. Vai que o meu plantão coincide justamente com o seu fim de semana de Hogsmeade. Se estivermos casados, eu tenho um motivo razoável para tentar ajustar os meus plantões ao seu esquema e podemos até convencer a diretora a deixar você vir passar fins de semana comigo, mesmo que não haja passeios a Hogsmeade.

– É, parece bem pensado. Topo. Isso pode nos dar muito mais tempo juntos no próximo ano letivo. Pode falar com a minha família.

No sábado à noite, os Weasley fizeram um jantar para comemorar o noivado de Harry e Gina. Estariam presentes só a família, Hermione, Remo, Tonks e Minerva McGonagall, esta última mais para assegurar que tudo corresse bem com os quatro adolescentes em sua saída e volta à escola.

Harry deu uma passada na casa do Largo Grimmauld, para se arrumar, mas aproveitou para colocar Régulo a par da situação. Contou até do fantasma, para que Régulo tivesse a certeza de que poderia voltar a ter uma vida normal. Régulo então autorizou o rapaz a contar tudo para Remo e Tonks e os quatro fizeram os planos de retirada de todas as coisas da casa.

Todos estavam bastante felizes e a morte de Voldemort e as reais lealdades de Snape foram os assuntos da noite, como era de se esperar, apesar de ser uma festa de noivado. Os adolescentes conversaram com Remo sobre Snape.

– Não posso acreditar como o humor do povo muda. Snape era o diabo até a semana passada. De repente diz um monte de coisas sem sentido e todo o mundo passa a acreditar nele – Rony reclamou inflamado.

– Ora, Rony, o povo precisa de heróis e já que Harry nunca reivindicou sua posição de herói, Snape ocupou o vácuo – ponderou Remo Lupin.

– Como assim, nunca reivindiquei minha posição?

– Você não fez nenhuma concessão, não ficou dando entrevistas, não fez as vontades do ministro, não se preocupou em criar uma imagem pública. E não contou a ninguém sobre as Horcruxes.

– Você está doido? Quer que os Comensais ainda soltos saiam por aí fazendo Horcruxes? Falando nisso, como é que ninguém cobrou de Snape mais informações sobre Comensais à solta, se ele tinha tanto acesso a Voldemort?

– Ele denunciou aqueles que todos já conheciam, mesmo assim tentando livrar a cara deles. Dizendo que Voldemort não permitia a ninguém sair de seu serviço. Jogou boa parte da culpa das piores ofensivas deles em Belatriz, que já está morta mesmo, e no Rabicho, que sempre foi seu inimigo pessoal e está foragido.

– Mas como podem acreditar, se alguns dos ataques recentes foram feitos depois da morte de Belatriz?

v Ela foi colocada como a grande estrategista, coisa que, conhecendo Belatriz e sabendo como ela era doida, duvido muito. Acho mais provável que o grande estrategista, além de Voldemort, seja o próprio Severo.

– Vocês não estão sendo muito apressados em condenar Snape? – perguntou Hermione.

– Como assim, vai me dizer que você acredita no monte de asneira que ele diz? – Harry perguntou furioso.

– Ah, Harry, todos sabemos que você não é nem um pouco imparcial em se tratando de Snape, mesmo ele tendo salvo a sua vida.

– O que? Desde quando ele salvou a minha vida? Ele armou foi um espetáculo para os aurores verem. Ele só atacou Voldemort depois dele mandar uma Avada Kedavra em mim, se você não se esqueceu. E os aurores chegaram quando ele nem tinha acabado de lançar a maldição sobre Voldemort.

– Mesmo assim, ele não podia saber que os aurores viriam. E se ele não conseguisse matar Voldemort, Snape estaria em maus lençóis.

– Hermione tem razão, Harry. Como ele sabia que Voldemort podia ser morto?

– Eu acho, e Harry concorda, que ele, ou alguém fiel a ele, ouviu o que eu disse a Hermione na véspera sobre isso. Debaixo de uma capa de invisibilidade, é claro. A imprensa acredita que Belatriz estava sozinha, mas nós, que sabemos que ela levou Nagini e que Nagini era uma Horcrux, não podemos mesmo acreditar que ela tivesse abandonado a cobra, não é? Depois, sumiu um pedaço grande do frasco que a envenenou – Rony respondeu.

– É, pode ser, mas não temos como saber isso, temos? – perguntou Remo.

– Pois acho que não é possível que o Prof. Dumbledore tenha errado tanto no que se refere a Snape. Ele sempre o defendeu – tornou Hermione.

– Sabemos por que o defendeu – interrompeu Harry – porque Snape tinha um motivo sólido para odiar Voldemort. Mas isso não quer dizer que Snape quisesse que Dumbledore ou a Ordem, e muito menos eu, fôssemos o lado vencedor. É só reparar nas atitudes dele, Hermione. Ele está apoiando os aurores, dando informações úteis? Não, ele está se mancomunando com Scrimgeour, para angariar confiança do povo nele próprio, Severo Snape. E Scrimgeour é tão idiota que nem se tocou.

– Vocês estão discutindo Severo? – A Profa. McGonagall os interrompeu. – Pois vocês não sabem da última. Ele me escreveu dizendo que gostaria de voltar à escola, caso seja absolvido em seu julgamento.

– E você vai permitir? – Remo perguntou.

– Não tenho a mesma concepção de Dumbledore sobre a escola. Pelo que acompanhei dos alunos de minha casa ao longo dos anos em que ele foi professor, deu para perceber que, além de ser injusto, as técnicas didáticas dele de intimidação são no mínimo discutíveis. Tanto que as médias dos alunos nos N.O.M.s de poções sempre estiveram abaixo das médias em Transfiguração, Feitiços e Herbologia. Mas eu não tenho a força de Dumbledore e Severo está usando a infuência dos Malfoy no conselho da escola. Não duvido nada que eu seja obrigada a aceitá-lo de volta, como professor de Defesa, porém, a sua matéria predileta.

– Será que com a morte de Voldemort a maldição sobre o cargo foi desfeita? – Harry perguntou.

– Não sei de maldição nenhuma, mas, falando nisso, preciso pedir a vocês um favor. Recebi várias corujas esta semana de alunos que tinham deixado a escola, principalmente os que pretendem fazer N.O.M.s e N.I.E.M.s este ano pedindo para freqüentar os próximos meses até os exames. Não são tantas, já que entre os alunos que fazem os exames havia ocorrido muito menos abandono da escola. Ainda assim, nosso esquema de aulas vai ser dificultado. Vocês acham que dão conta do aumento da carga de trabalho?

– Claro, Minerva. Já não tenho quase tarefas da Ordem, com Greyback e seus comparsas presos. Posso perfeitamente pegar mais trabalhos para corrigir e até dar algumas aulas, se você achar conveniente – Remo respondeu.

Já estava ficando tarde e o Sr. Weasley propôs que todos se juntassem em torno à mesa e fizessem um brinde à felicidade do casal que assumia um compromisso naquela reunião. Após o brinde, Harry pediu a palavra, agradeceu e contou de seus planos de se casar logo e suas razões.

– Não temos de fato por que esperar. Temos plena certeza, por tudo o que enfrentamos juntos, que o amor que nos une é extremamente sólido, tenho grana e condições de manter um lar e não queremos ficar longe um do outro mais do que o estritamente necessário.

Molly chorou ao pensar na sua caçulinha saindo de casa, mas aprovou a decisão dos dois. Tonks aproveitou para dizer a Remo que eles não tinham desculpa de ficar para trás, e este acabou respondendo: –É, agora que a casa do Largo Grimmauld não mais será sede da Ordem e nem é mais do Harry, acho que vou ter que morar oficialmente com você mesmo, então que casemos.

Todos riram e fizeram Remo, Tonks e Harry explicarem o que ocorrera com a casa.

Os meses passaram rápido. Harry nunca tinha sido feliz. E até estava rendendo bem nos estudos. Rony, que com o namoro, estava muito mais estudioso, também estava super bem. De modo que fizeram os N.I.E.M.s com muita confiança de que poderiam garantir sua aceitação para o treinamento de aurores.

Terminado o ano escolar, Harry passou a cuidar dos preparativos para o casamento. Não que fosse haver uma grande festa. Os convidados seriam praticamente as mesmas pessoas do noivado, mais Hagrid, Luna, Neville e algumas colegas de classe de Gina. E os Dursley, mas Harry duvidava que mesmo tia Petúnia viesse.

Harry precisava ter uma casa e começou a reconstruir a de seus pais em Godric's Hollow. Na verdade, não pretendia ir logo morar lá. Ficaria n'A Toca até o início do ano escolar e pensava em se hospedar depois no pub de Madame Rosmerta, para ficar mais perto de Gina. Porém precisava arranjar uma casa onde pudesse estabelecer sua própria família.

Num sábado, passou na obra para ver como ela estava andando. O bruxo encarregado da reforma conversou com ele, explicou alguns detalhes, recebeu algumas instruções e saiu, pois seu horário de trabalho já terminara. Gina também foi embora, pois precisava passar no Beco Diagonal para experimentar seu traje de noiva. Harry ficou um pouco mais por ali, sonhando acordado.

De repente, Severo Snape e Draco Malfoy estavam ali.

– Surpreso em me ver, Harry? Você sempre foi descuidado mesmo. Como é que O Eleito fica assim numa obra, sem nenhuma proteção?

– Pensei que eu não fosse mais O Eleito e que sendo você a pessoa que matou Voldemort, você é que deveria estar se cuidando – Harry empunhou a varinha.

– Achou que não tem mais inimigos. Como é ingênuo! Você acha que eu vou deixar você ficar solto por aí para contar sobre as Horcruxes?

– Eu nunca falaria sobre elas. Não ia querer dar idéias a ninguém – Harry, sem palavras, estuporou Draco Malfoy.

Snape, porém já estava com a sua varinha apontada para Harry e começou a lançar a maldição da morte sem palavras, mas não conseguiru mirar, pois um rato deu-lhe uma mordida e o fez perder a concentração. Harry aproveitou para estuporar Snape também.

Rabicho tomou a forma humana.

– Eu lhe devo minha vida. Tinha que pagar minha dívida – e calmamente matou os dois bruxos estuporados usando as varinhas deles.

Harry ainda estava em estado de choque.

– O que você fez? Matou-os assim estuporados, sem poder se defender?

– Fiz muito pior, não fiz? Mandei Sirius para a cadeia e seus pais para a morte e eles foram meus amigos, ao contrário de Severo e desse menino, que nunca perderam a oportunidade de me humilhar.

– E agora, como explico aos aurores esses dois mortos aqui?

– Não se preocupe. Vou deixá-los na casa de Severo. Ninguém poderá associá-los a você. Sua varinha está limpa também. No máximo, aparecerá que você estuporou dois bruxos. Eles, em compensação, serão deixados de tal modo que parecerá que um matou o outro. Já tenho tudo planejado. Vou deixar junto aos corpos muitas cenas que presenciei e cujas lembranças guardei em frascos, para serem vistas em uma penseira. Nwelas eu estou transformado em rato. De modo que quem entrar na penseira não saberá de quem é a lembrança. Pensará que é de um dos dois ou da Narcisa, que estava sempre com eles.

– E o que aconteceu nessas cenas?

– Eles mencionaram que era preciso destruir certos objetos de Voldemort para que ele se tornasse mortal e que você estava cuidando disso.

– Não. Não pode deixar que as pessoas saibam que é possível fazer mais de uma Horcrux.

– Não se preocupe. Escolhi cuidadosamente as cenas. Eles só dizem coisas do tipo que achavam que a sua conexão com Voldemort seria especial e que você teria que morrer se quisesse tornar Voldemort mortal. – E é claro, tem a cena em que Draco voltou de Hogwarts com o cadáver da cobra e disse que Rony afirmara para Hermione que Voldemort agora era mortal e que você atravessara o véu. Que véu é esse?

– O véu que tem no Departamento de Mistérios e que é um portal para o mundo dos mortos.

– Você atravessou mesmo?

–Atravessei e voltei. Foi assim que consegui destruir a Horcrux que estava na minha cabeça. Eles tinham razão. Mas por que você mudou de lado?

– Eu nunca estive do lado deles, Harry. Ajudei Voldemort porque ele fez chantagem comigo. Sem que meus amigos soubessem, casei-me com uma filha de um Comensal da Morte e tivemos um filho. Não sabiamos na ocasião que o pai tinha lançado um feitiço sobre a própria filha quando ela era bebê. Por esse feitiço ele sempre podia saber onde ela estava, com ajuda de um talismã. É um tipo de magia antiga que as famílias puro-sangue mais antigas usavam para controlar os filhos.

– E por que a família de Sirius não fez isso com ele? Ou com Andrômeda?

– É preciso fazer antes do bebê dar o seu primeiro choro. De modo que nem sempre é possível.

– Então Voldemort sempre poderia achar sua mulher.

– Sim, minha mulher e depois meu filho, que estava sempre com ela. O pai dela morreu ainda antes de casarmos, mas deixou com Voldemort o talismã que permitia que ela fosse encontrada. Voldemort, porém, nunca contou isso a ninguém. Primeiro porque nenhum outro Comensal sabia que eu o estava ajudando até pouco antes da morte de seus pais. Depois, porque apesar de tudo fui eu que o ajudei a voltar a ter um corpo.

– Por que fez isso?

– Eu não tinha saída. Se me entregasse, mandariam-me direto para a cadeia e Sirius tinha razão. Os Comensais que me encontrassem seriam bem capazes de me matar. Agora isso terminou. Destruí o talismã e já consegui estabelecer contato com minha esposa. Nesse meio tempo, ela chegou a ter outros namorados, mas não se casou novamente. Depois, na época da morte de Sirius, quando soube do que realmente aconteceu comigo, ela deu um jeito de me encontrar. Quando eu terminar este assunto, vamos fugir e nos estabelecer do outro lado do mundo. Não quis ir embora, porém, deixando que Snape o matasse, como estava claro que faria. Devo-lhe a vida e nunca consegui me perdoar inteiramente pelo que fiz a seus pais e a Sirius. É uma forma de não me sentir tão mal. Bem, deixa eu ir.

– Não, espere um pouco. Explique-me direito por que achava que Snape queria me matar.

– Ele sempre dizia nessas reuniões com os Malfoy que precisariam de se livrar de você depois da morte de Voldemort, pois você teria muita influência no mundo bruxo se conseguisse de fato derrotar Voldemort. Ele tinha ambições de poder. Queria assumir uma posição semelhante à de Dumbledore no mundo bruxo. Pretendia voltar a Hogwarts e assumir a diretoria e você poderia ser um empecilho.

– Mas ele nunca teve paciência de ensinar!

– A preocupação dele não era propriamente educacional. A não ser pelo fato de que pretendia voltar a ensinar Artes das Trevas em Hogwarts, fazendo todo o esforço para apagar a influência de Dumbledore na escola. Ele a via como um grande espaço de poder, pois o diretor tem capacidade de influenciar muita gente. Deixaria o governo por conta dos Malfoy, que sempre souberam lidar com isso. O plano deles era conseguir o que Voldemort, com seus métodos tirânicos demais, não conseguira: fazer com que a pureza do sangue assumisse maior relevância do que a que tem dentro da sociedade bruxa.

– Entendo. Pode ir. Finalmente entendi por que você foi selecionado para a Grifinória.

Os corpos de Severo Snape e Draco Malfoy foram encontrados na casa da rua da Fiação, exatamente como nos planos de Rabicho. Nunca ninguém ligou as mortes seja a Rabicho, seja a Harry. Os pensamentos foram examinados numa penseira e Snape voltou a ser considerado um assassino.

– Não disse , Hermione? Aquelas histórias do Snape eram pura baboseira – Harry comentou ao contar o que tinha acontecido.

– É, mas eu nunca pensei que Dumbledore pudesse ter se enganado assim.

– Ele sempre confiou demais nas pessoas. Era o seu defeito – Rony pontificou.

– Bem, agora que mais esse assunto está terminado, vamos planejar o casamento e a Copa de Quadribol. Terei minha lua de mel no Peru. Dizem que Macchu Picchu é o melhor lugar do mundo para repor enegia mágica – Gina disse como quem não admite contestação. Já bastava de problemas. Agora uma nova vida se abria diante dela e do seu noivo, sem nenhuma necessidade de se preocupar com o passado, sem nenhuma cicatriz.

FIM

Nota da autora: O fato de Rabicho ser da Grifinória sempre me pareceu significar que ele é mais corajoso do que pensamos. Não pretendi redimi-lo. Ele continua sendo um traidor, que pagará com a dor na consciência a sua vida inteira. E também com todos os anos em que foi um rato ou que foi humilhado.