Cap. 24 - Desesperança

By Surviana

Aviso: Todas as personagens do universo Harry Potter, assim como as demais referências a ele, não pertencem ao autor deste texto, escrito sem nenhum interesse lucrativo, mas à JKR.

Por favor, não me processem! Só peguei emprestado para me divertir e divertir os outros!

Adolescência. Ou ele era anormal, ou sua mente banira as memórias de suas atitudes nessa época. Não se lembrava de ser tão insuportável, ou – olhou pelo canto do olho o sofrimento do Longbottom em frente a seu caldeirão – tão retardado. O que se lembrava daquela época mesmo? Lembrava dos poucos amigos, Avery e Nott, brilhantes porém maléficos demais. Suas boas notas, sua exótica e comentada amizade com Lílian. Sua experiência de quase morte pelas mãos de Lupin... Pensando melhor, tinha sido um Longbottom retardado naquela ocasião.

Mas também tinha descoberto o resultado entre misturar raiz de asfódelo em pó e uma infusão de losna. A útil Poção do Morto-vivo. E inventara o Levicorpos, feitiço que o remetia as humilhações sofridas nessa fase. Às vezes os adolescentes são mesmo uns covardes inúteis.

O burburinho no fundo da sala interrompeu suas memórias. Potter e Weasley. Adolescentes também são más influências, mesmo que estejam no lado de cá. Sua aluna mais brilhante conversando na aula. Adolescentes também perdem a noção do perigo muito fácil.

Silenciosamente, deslizou até a mesa dos garotos grifinórios, ainda pôde ouvir uma parte da conversa que quase o fez rir. Adolescentes são tolos, apaixonadamente tolos.

— Ele me convidou logo depois de ter me tirado do lago, assim que se livrou da cabeça de tubarão. Madame Pomfrey nos deu cobertores, e então ele meio que me puxou para longe dos juízes, para eles não ouvirem, e me perguntou, se eu não estivesse fazendo nada no verão, se eu gostaria de...

Weasley parecia muito interessado no assunto, diferente de Potter, que somente ouvia o assunto com uma expressão deprimida. — E o que foi que você respondeu?

— E ele realmente disse que nunca se sentira desse jeito com nenhuma garota. Mas como é que Rita Skeeter poderia ter ouvido? Ela não estava lá... Ou estava? Vai ver ela tem uma Capa da Invisibilidade, vai ver entrou escondida na propriedade para assistir a última tarefa...

— E o que foi que você respondeu? — insistiu Weasley.

Ele também gostaria de ouvir o que a Srta. Granger respondeu. O que estava fazendo bisbilhotando a conversa de três jovens? Igualando-se a eles em suas paixões infantis? Que imprestável...

— Bem, eu estava tão ocupada vendo se você e Harry estavam bem que...

— Por mais fascinante, sem dúvida, que seja sua vida social, Srta. Granger — e embora tivesse recobrado sua compostura, ele ainda se sentia frustrado por não saber a resposta dela —, devo lhe pedir para não discuti-la em minha aula. Dez pontos a menos para a Grifinória.

Por não responder antes que eu recobrasse minha postura e por deixar-se ouvir propostas como essa — pensou ele irritado.

Irritado o descreveria bem hoje. Estava irritado por Dumbledore ter permitido que Moody invadisse sua sala quando bem entendesse. Irritado por ter tido seus estoques de ervas raras assaltado, desfalcando-o de Guelricho e Ararambóia, itens difíceis de repor e que o levariam até a Travessa do Tranco, lugar que odiava por assombrá-lo com memórias desagradáveis. Irritado por saber que, após um longo período afastados ,a Srta. Granger e a celebridade estrangeira estavam mais próximos. Irritado pela perseguição de Karkaroff.

A aula – que começou desagradavelmente ruim – culminou com a entrada de Karkaroff em sua sala, apontando-lhe a sua Marca Negra, desesperado por respostas do porquê ela escurecera gradativamente nos últimos meses. Ele realmente merecia isso tudo.

Não devia se preocupar com o que adolescentes fazem, com quem meninas beijam, com que poção está no ponto ou totalmente perdida. Suas preocupações deveriam ser as mesmas de Karkaroff.

Mas não conseguia prever o que o aguardava. Não tinha como saber. O Lorde das Trevas era desprovido de sentimentos. Bons. Os ruins, ele cultivava. E se fosse mesmo verdade seu iminente ressurgimento, e era, ele voltaria mais forte, mais disposto e sedento por poder.

E ele, Severo Snape, sofreria. Convencendo-o ou não de que apenas o aguardava no mesmo lugar onde ele o havia deixado. Ele sofreria na pele, nos ossos, na alma e onde mais pudesse ser tocado. Seu único refúgio seria sua própria mente.

E embora parecesse idiota pensar em poções e adolescentes, era quando pensava nisso que ela sempre estava lá. E ela era algo que não podia possuir, mas que mesmo assim desejava. E ela tinha o dom de fazê-lo esquecer de suas dores, e também de fazê-lo desprender-se do seu corpo enquanto sofria o que tivesse que sofrer. Ela conseguia libertar sua consciência, levando-o para longe.

Levando-o para Hogwarts. Seu lar e o lar de quem o fazia esquecer quem era e que idade tinha. E esquecer que garotas jovens não se apaixonam por mestres de Poções. E que mortos não ressuscitam. E que Dementadores não sorriem. E que bruxos das Trevas não perdoam. E que bruxos de bem também julgam os outros. E que sua Marca Negra não se apagaria. Seus erros também não.

— Severo?

— Sim? — respondeu ao chamado do diretor vindo de algum lugar à sua frente. Não se deu ao trabalho de levantar para olhá-lo.

— Já chegou aos meus ouvidos a visita inesperada em sua turma.

Severo não respondeu. Nem levantou os olhos. Parecia ainda mergulhado em pensamentos, olhando, sem realmente ver, o pergaminho sobre a mesa.

— Eu tomei a liberdade de pensar sobre o assunto e não vejo porque não devo conversar logo com você sobre ele.

O professor não deu nenhum sinal que o ouvira. Continuou em sua observação implacável dos veios do pergaminho amarelado sobre sua mesa.

— E... eu tenho que pedir novamente que você se arrisque por nós... quando chegar a hora — continuou o diretor.

Severo se ergueu sem olhar o bruxo à sua frente. Caminhou pelo escritório, respirando fundo. Os braços cruzados sobre o peito, num gesto inevitável de proteção, aproximou-se da janela encantada que refletia o que se passava no verdadeiro céu.

— Sinta-se confortável para qualquer resposta — complementou Dumbledore.

Não havia como estar confortável nessa situação. Mas também não havia opções. Embora Dumbledore sempre costumasse dizer que havia escolhas para qualquer situação em nossas vidas, Severo Snape as desconhecia quando o assunto era o seu retorno à atividade de Comensal da Morte. Era voltar ou ser um covarde. E ele podia receber qualquer título com dignidade, fosse ele o mais infame possível, mas jamais seria chamado covarde. Jamais se esconderia de novo enquanto pessoas inocentes morriam. Não haveria outra Lílian em nenhum lugar da face da terra, jamais.

— Eu gostaria de ser deixado sozinho agora. — Foi pouco mais que um sussurrou, mas quase que imediatamente ouviu a porta se fechar e o trinco suave da fechadura se vedar com o seu feitiço de proteção.

Reforçou as proteções na porta do escritório e se aproximou da moldura próxima à sua lareira. Estendeu a mão diante da figura, e a imagem se distorceu um pouco, voltando à forma original, revelando em seguida, na pedra lisa em torno de si, uma porta oculta na parede.

Aquele era o único lugar do castelo em que seu medo aflorava à flor da pele. Ali ele escondia suas dores, suas magoas, suas tristezas. O baú negro com a serpente entalhada na própria madeira não apenas guardava suas vestes de Comensal e sua máscara, escondia ele próprio. Quando partia vestido como um deles, Severo ficava ali adormecido, anestesiado. O Comensal que se apossava de seu corpo levava apenas suas habilidades em se ocultar e sua indiferença. Nenhuma emoção partia junto com ele, mas todas as que ele vivenciava nesses momentos, voltavam e continuavam a encher aquele aposento de melancolia, tortura, tristeza e desesperança.

Depois de tantos anos sem abri-lo, Severo gostaria de não o fazê-lo. Mas não podia simplesmente deixar os bruxos pelos quais sentia alguma simpatia no escuro; até o fim da sua vida protegeria Potter, mesmo ele sendo um cabeça-oca, por lealdade a Lílian. E protegeria Draco, que sofria desde criança pelos assombros do desequilibrado pai, como ele sofrera. E respeitaria qualquer decisão de Dumbledore, o melhor amigo que conheceu. E cuidaria de qualquer criança do mundo bruxo, apenas porque elas deviam ser protegidas. E não deixaria nada arruinar o futuro da Hermione, porque queria vê-la bem, com o futuro que ele sonhou quando esteve com ela vinte anos atrás.

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Ela realmente odiava aquela Skeeter nojenta! Como ela podia ser tão insensível para publicar um artigo desse nível no dia da terceira tarefa de Harry?

HARRY POTTER "PERTUBADO E PERIGOSO"

Janela aberta... Malfoy falando como se estivesse com um walkie-talkie... um besouro em seus cabelos na prova do lago... Janela... Voar... — Tive uma idéia... — disse Hermione, olhando para o espaço. — Acho que sei... porque desse jeito ninguém poderia ver... nem Moody... e ela poderia ter chegado até o peitoril da janela... mas isso é proibido... decididamente é proibido... acho que a pegamos!

Saiu correndo em direção à biblioteca, deixando para trás um Harry e um Rony atônitos.

E foi lá, em seu baú de respostas, a biblioteca da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, que Hermione de verdade a pegou.

Animagia.

Ela era um animago ilegal. E um besouro, o besouro que estava em seus cabelos quando Vítor a convidou para passar o verão na Bulgária. E que Malfoy falava como se estivesse conversando num walkie-talkie invisível. E que voaria sem esforço nenhum até o alto da Torre Norte.

Bingo!

Ganhou o dia! E se não estivesse tão preocupada com o que aguardava Harry na terceira tarefa, brindaria com os amigos essa descoberta. O que era dela estava guardado. Rita Skeeter pagaria todas as ofensas despejadas em Hermione e seus amigos. Era uma questão de tempo.

Um barulho no corredor mais ao fundo de onde estava calou sua euforia. Estranho alguém na biblioteca, todos deviam estar almoçando rapidamente e com os livros abertos sobre o colo para não perderem nenhum segundo antes de entrarem no próximo exame.

Uma voz rouca e com um tom de desespero preencheu a quietude da biblioteca.

— Hoje está pior! Como você pode estar tão calmo?

Hermione ouviu um muxoxo impaciente responder a voz. Olhou por cima do ombro e não viu Madame Pince em lugar algum; devia estar nos corredores mais ao leste. Avançou alguns passos em direção a voz. Agora que chegara mais perto, percebeu que elas estavam vindo da Sessão Restrita. Novamente, o tom desesperado ecoou pelo silêncio.

— Devíamos fugir! E-euu não sei o que pode aconte-ecer... E-e-u...

— Então fuja! — respondeu uma voz suave que fez o sangue de Hermione gelar. — Eu ficarei aqui, e quando for chamado, irei. Não sou tão covarde.

— Ele o matará, Severo! Se formos juntos teremos mais chances.

Hermione recuou os passos que tinha avançado em direção a eles. Aquela era uma conversa que ela realmente não queria ouvir. Mas o som das vozes a alcançara mais uma vez.

— Igor, não há chance — sussurrou Snape. — Especialmente para traidores como você. Se não morrer pelas mãos do Lorde das Trevas, o que duvido, pois você é muito insignificante para isso, morrerá pelas mãos dos que traiu. E quem for esperto o bastante não estará com você quando eles os alcançarem.

— Se-v-eero... — gaguejou o diretor de Durmstrang —, o que faço então?

— Prolongue sua vida o quanto puder escondendo-se e morra como um rato inútil. Quanto a mim, já tomei minha decisão e voltarei. Mesmo sem saber o que me aguarda.

Hermione lamentou ouvir tanto. Saiu correndo antes que qualquer um deles saísse da Sessão Restrita, deixando cair o livro que consultava. Derrapou na entrada da sala de História da Magia e pôde ver pela cara de espanto de Rony que devia estar assombrada.

Foi torturante lutar contra o lado de sua mente que tentava responder a prova do Prof. Binns e o que pensava em Snape. Quando a sineta do fim da aula tocou, fugiu para o dormitório antes que Rony a alcançasse e se afundou na cama com os olhos arregalados de horror.

O nome de Harry no Cálice de Fogo, as suspeitas de Sirius, os desaparecimentos estranhos no mundo bruxo e no mundo trouxa que pareciam ter ligações - embora nenhum deles tivesse percebido ainda -, a preocupação de Dumbledore quanto à segurança de Harry, o ataque ao Sr. Crouch e a Krum nos jardins, Karkaroff levantando a manga da blusa para Snape ver na aula de Poções do desastroso artigo amoroso de Rita Skeeter. Tudo indicava uma noite sombria.

Em pouco mais de meia hora, Harry entraria em um labirinto tenebroso, e Snape voltaria para o que quer que fosse. Voltaria. Seu estômago embrulhou.

Trevas. Trevas que os mais velhos sentiram de perto e que ela só podia imaginar em seus piores pesadelos. Elas voltariam esta noite. Merlin!

Snape... O que seria dele? O que Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado achava dele? Era um traidor, um espião, o que era, afinal? Por que ele se arriscaria em voltar lá? Será que ele tinha tanta auto-confiança assim para voltar para o lado daquele bruxo maligno e continuar espionando a mando de Dumbledore? Ou ele era o maligno?

Não, ele não era, Hermione tinha absoluta certeza.

Pelo que então ele estava se arriscando? O que seria depois daquela noite? Como Harry sairia daquele labirinto? Como ela pôde se preocupar com a animagia ilegal de Rita Skeeter se o que assombrava seu coração agora era a perspectiva de que podia perder dois dos bruxos que mais amava na vida? E tudo em uma única noite. Esta noite.

Seu coração não parou de bater acelerado em nenhum minuto desde que percebera que tudo que temeram nesse ano se resolveria naquele labirinto. Não lembrava como chegou à mesa do jantar, mas lembrava que não comeu. E que Harry também não. E Snape também não. Todos eles sabiam. Dumbledore também.

Foi simplesmente empurrada para a arquibancada por Rony e o clã dos Weasleys. Nada fazia sentido ali: os gritos, tambores, os vivas e nem mesmo o boa-sorte murmurado que saiu de seus lábios quando encarou os olhos verdes de Harry e viu seu próprio medo refletido ali.

Quando acomodaram-se nas arquibancadas, ela o procurou com o olhar. Estava sentado do outro lado de onde estava, e ele parecia distante dali. Mesmo à distância que estavam, pôde ver uma aura de melancolia sobre os ombros dele.

Hermione não podia deixar de admirá-lo por seu pesar solitário. Ambos estavam tão rodeados de pessoas, mas somente com suas próprias preocupações os acompanhando. Seus olhares se cruzaram em algum dado momento da longa espera por Harry, e ela percebeu que ele sabia que ela o ouvira na biblioteca.

E o olhar que trocaram lhe disse tanta coisa. Coisas que ela achava cedo demais para serem ditas. Snape disse que a amava. E que lamentava muito por tudo. E que tinha razão, no ano passado, quando disse que o tempo em que eles viviam não os dava chance a nada.

E o olhar de Hermione não respondeu. Apenas derramou lágrimas solitárias. Pois sabia que estavam se despedindo. Despendido-se da era da esperança e entrando na era da incerteza.

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Hermione teve razão quando achou que aquela seria uma noite sombria.

Ela viu quando Snape arfou e quase caiu de joelhos no lugar onde estava. E ela teve certeza do que ocorrera. Foi somente por estar se sentindo doente em não poder ajudá-lo e por tantas pessoas ali não perceberem isso que ela conseguiu aguentar a difícil espera por Harry. Um Harry ensangüentado e carregando um cadáver. Vomitara nos pés de Rony, que só não a xingara por estar tão horrorizado quanto ela.

Foi ela também quem viu Moody carregar Harry quase à força castelo adentro. E correra até a Profa McGonagall para lhe contar a estranheza da cena. E na enfermaria, ela presenciou o pedido de Dumbledore a Severo, e seu coração doeu tanto que ela não imaginava a profundidade do que sentia por ele até aquele momento. E ela teve vontade de matar Rita Skeeter quando a capturou na janela da enfermaria por ser uma porca desprezível para pensar em matérias enquanto pessoas sofriam.

E quando tudo o que restou foi um Harry embalado no colo da Sra. Weasley, sob efeito de uma Poção do Sono, seus pés não a levaram até seu dormitório, mas até a sala de aula de Aritmancia. O lugar onde o encontrara da primeira vez que seu vira-tempo louco a levou.

Reviveu seus momentos com Snape no passado tão perto para ela e tão longe para ele, se perguntando a todo momento onde ele estaria. Não percebeu a noite acabar, e quando os primeiros traços da aurora no horizonte ameaçaram clarear, ela tomou a decisão que rondara sua noite.

Levantou-se do seu esconderijo próximo as cortinas e deixou-se levar por sua vontade até os corredores das masmorras. Desceu cuidadosamente os degraus de acesso ao corredor das salas de aula e ouviu o som de vozes sussurradas vindo de lá. Respirou fundo, reunindo toda a sua coragem grifinória, característica marcante dos componentes desta Casa, e caminhou decidida até lá.

A porta estava entreaberta, e ela identificou as vestes do Diretor quando as viu. Estacou à entrada quando reconheceu a voz preocupada da enfermeira da escola. Sua mente estava tão entorpecida pela preocupação com ele que não entendeu nada do que era dito ali, somente quando seus pés reagiram à sua ansiedade é que ela voltou a respirar. E entrou.

Os dois bruxos conversavam próximos a lareira. No sofá dentro do recinto, uma massa de roupas escuras embrulhava algo que tremia. Hermione tentou engolir a saliva em sua boca, e ela desceu rasgando sua garganta. Seus olhos se encheram de lágrimas. Mas não parou até chegar mais perto.

Dumbledore a fitou quando percebeu sua presença. Madame Pomfrey interrompeu sua preleção quando seguiu o olhar do diretor. Hermione a viu abrir a boca para perguntar algo, mas ela foi silenciada por um dedo levantado do velho bruxo. Hermione agradeceu silenciosamente e se aproximou um pouco mais da massa trêmula. Sabia que era ele.

Ajoelhou-se junto ao seu rosto e viu que ele tinha os olhos fechados. As palmas de suas mãos contornavam seu corpo como se ele estivesse sentindo um imenso frio. Seus pés descalços estavam ensangüentados, e a manga de sua blusa estava levantada, deixando à mostra a tatuagem negra que maculava sua pele clara.

Hermione levantou os olhos para o diretor, e ele apenas a olhou com ternura.

— Inconsciente, mas bem — foi o que ele respondeu à sua pergunta silenciosa.

Ela deixou que seus olhos mais uma vez naquela noite chorassem por ele antes de alcançar seu antebraço esquerdo e tocá-lo com seus lábios úmidos e salgados. E se algum bruxo ali não acreditava em milagres, presenciaram um, pois no instante que ela o tocou, ele relaxou a postura e mergulhou num sono tranquilo.

E Dumbledore apenas confirmou o que já sabia há muito tempo. Que o amor cura todas as feridas.

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N/A:

1. Desculpem pelos capítulos mais curtos, mas eles fecham alguns momentos tão bem que não vejo sentido em continuar dali.

2. Reafirmando que sempre escrevo os capítulos ouvindo músicas, esse foi escrito ao som de "Angel of Darkness – Alex C".

3. Final da Temporada Cálice de Fogo.

4. As seguintes frases foram retiradas da história original:

Tive uma idéia... — disse Hermione, olhando para o espaço. – Acho que sei... porque desse jeito ninguém poderia ver... nem Moody... e ela poderia ter chegado até o peitoril da janela... mas isso é proibido... decididamente é proibido... acho que a pegamos!