N.A.: Eventos após Stray Dog Struts

Agatha observava o local que havia sido escolhido. Parecia muito belo e cheio de verde e natureza:

"Este local vai lembrar Hogwarts mesmo para os mais puristas.", pensou ela.

– Parece que o local que você viu em suas visões é realmente bom, Eloise. – disse Agatha com um sorriso.

– É clarro que sim. – disse Eloise Delacour, com seu sotaque francês – Além da beleze de minhe avó, herrdei também ume capacidade de premoniçon de meus antepassadas.

Agatha Emmanuelle Granger Weasley observava o local que estavam escolhendo para criar uma nova escola de magia e relembrando tudo o que seus avós lhe contaram, pouco antes da morte de ambos. Os cabelos ruivos e cheios de Agatha transpareciam sua herança dos famosos Ronald Billius Weasley e Hermione Jane Granger, que lutaram ao lado de Harry Potter quase um século antes.

Tudo começou com o Incidente do Portal, a tecnologia que os trouxas haviam desenvolvido para viajarem pelo espaço. Uma falha ignorada no sistema do Portal destruiu a Lua em 2021, o que foi vista pelos bruxos como um mau presságio, mas muito aconteceu para que os próprios bruxos conseguissem sair da Terra. Uma dessas coisas foi o surgimento das naves Spelljammer, navios especialmente construídos com tecnologia tecnomântica experimental para viajar pelo espaço por vários meios, incluindo os Portais trouxas.

No meio tempo, os trouxas descobriram novamente a existência dos bruxos e da magia. Porém, dada a grande variedade de criminosos que existiam em todo o Universo, a polícia e a ISSP não podiam agir de maneira a fazer o que se temia, uma nova Inquisição. Os que atacavam os bruxos acabavam tendo sua cabeça colocada a prêmio, assim como os bruxos mais periogosos, que acabavam sendo apanhados pelos caçadores de recompensas, ou cowboys.

Durante o espaço de 50 anos, os bruxos se espalharam pelo espaço, procurando novos locais com floresta e natureza ricas e/ou poucos trouxas onde pudessem se desenvolver. Ganimede, Urano, Io, Europa... Todos esses planetas e satélites possuiam populações bruxas, e o uso das naves Spelljammer foi fundamental durante o início da colonização espacial bruxa. Com o tempo, novas criaturas fantásticas foram encontradas, como o lendário Dragão do Vácuo Marciano e os sandworms de Mercúrio.

Mas Agatha parecia confiante no local escolhido:

– Quem imaginaria uma escola de magia aqui, em Ishtar?

– Ninguém... Os trouxas não conseguiram explorar nem 1% do Universo... Estamos de certa forma seguros. – disse uma voz ao seu lado. Ao se virar, ele viu um rosto sardento, redondo e de cabelos negros, mas com olhos verdes.

Sylvester Jeremiah Weasley Longbottom era, assim como a própria Agatha, descendente direto de uma linhagem de tradição entre os bruxos como bruxos que defendiam o bem. No caso, a linhagem de Ginevra Molly Weasley e Neville Longbottom. Sylvester era um tecnomante gabaritado: sua principal área na magia era a combinação de elementos de tecnologia trouxa e magia bruxa, uma área particularmente importante na criação e manutenção das naves Spelljammer. A nave na qual vieram, Noah, foi uma construção de Sylvester, que exigiu dele 3 anos e muitos Galeões e Woolongs, a moeda dos trouxas no ano de 2071, para sua construção, e ainda mais para passar com ela pelo Portal.

Agatha percebeu a aproximação de sua amiga, Eloise Françoise Weasley Delacour. Diferentemente de Agatha, Eloise tinha cabelos loiro-prateados, que esvoaçavam levemente. Uma excelente encantadora, herdou a beleza de sua avó, Fleur Weasley Delacour, a força de caráter de seu avô, William Weasley Delacour, e o talento para encantamento de ambos. Além disso, a tatataravó de Eloise, avó de Fleur, era uma veela, e aparentemente tinha a Terceira Visão, e esse dom desceu até Eloise. Qual o motivo para isso nem mesmo Eloise era capaz de dizer, mas tinha sido útil: assim como as lendas diziam que Helga Hufflepuff viu em uma visão o local onde construir Hogwarts, Eloise vira em uma visão o local aonde todos estavam, pouco depois de descer das vassouras que os levaram da Noah até ali.

– Parrece um lugar muito bon parra crriarmos a escola que desejamas.

– Sem sombra de dúvidas... Já consigo ver o estádio de quadribol exatamente ali! – disse o rapaz de cabelos negros e olhos verdes bem vivos, levemente saltados apontado para uma depressão próxima – E alí vai ser ótimo... Acho que vamos conseguir trazer um Crumpled-Horned Snorkack...

– Orra... Isso non ecsiste! – disse Eloise. O garoto deu de ombros. Agatha sufocou uma risadinha.

Agatha já estava acostumada com as "pirações" de seu melhor amigo: Julius Sirius Lovegood Potter, neto do Menino-Que-Sobreviveu, O-Escolhido, Aquele-Que-Venceu-Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, Harry James Potter. Quase tão maluquete quanto a avó, Luna Lovegood Potter, Julius era, entretanto, um talentoso transfigurador, e voava como poucos. Não à toa ganhara todos os torneios de quadribol de que participara. Julius era, acima de tudo, o melhor amigo de Agatha. Mesmo Sylvester e Eloise sendo amigos dela, e aceitando a empreitada de construir uma escola de magia em Vênus, Agatha confiava em Julius mais do que em qualquer outra pessoa que conhecia, sendo Julius seu confidente em muitos assuntos pessoais.

– E agora? – disse Agatha – Precisamos descarregar a nave...

– Precisamos antes construir uma doca ali no lago. – disse Sylvester. O que era verdade: diferentemente de outras naves Spelljammer, a Noah havia sido construída com o corpo de um navio, o que a impossibilitava de decolar e pousar fora de regiões com água.

Noah se refletia em sua beleza no lago aonde pousaram. Uma bela nau-capitânea, quase do tamanho de uma nave MONO trouxa das grandonas, construída e adaptada com tecnologia trouxa, magia bruxa e muita tecnomância para manter tudo junto, tinha um belo convés, de onde dava para se ver, onde deveria estar o leme, o Elmo. O Elmo era o centro nervoso das naves Spelljammer: uma cadeira que lembrava um trono, com um manche e vários equipamentos tecnomânticos dispostos diante dela, sempre devia ser ocupada por um bruxo, que utilizava uma parcela ínfima de sua própria energia mágica para, com o auxílio de muito equipamento tecnomântico, criar uma redoma de ar que era auto-renovável, o que permitia que os ocupantes viajassem pelo espaço, e a força propulsora para a nave se deslocar pelo espaço, com a ajuda de motores trouxas para o Portal, além de oferecer a gravidade artificial para a nave.

Eloise pegou sua vassoura junto com Julius e voltaram para a Noah. Logo depois retornaram, com uma grande caixa:

– Acho que esta madeirra que trrouxemas da Terrra deve serr o bastanta até conseguirrmas plantar nossas próprias plantas. – comentou Eloise.

– Sem dúvida. – disse Sylvester. Em seguida, ele pegou o chão aonde pisava, amassou-o e o cheirou – Além do mais, esse local possui um bom solo e acho que logo conseguiremos produzir todas as ervas de que iremos necessitar. Bem, vamos então construir a doca.

Agatha, Julius e Eloise começaram a mandar com as varinhas as placas de madeira até o melhor ponto, seguindo as indicações de Sylvester. Logo a doca ficou pronta e pôde-se trazer a Noah mais para perto. Uma pequena tropa de elfos domésticos começou a descarregar a nave.

– Este é o começo da Escola de Artes Mágicas Alvo Dumbledore, em Ishtar, Vênus! – disse Agatha entusiasmada, apontando sua varinha para o céu e desenhando nele o futuro brasão da Escola: Um fundo azul marinho com um planeta levemente esverdeado em sua parte inferior, um aro no céu do brasão indicando os Portais e uma varinha e uma vassoura se cruzando sobre o aro.

– E que ela siga a trradiçon de honrradez e corragem de seu patrrono. – disse Eloise, em um tom romântico e sonhador.

– Saberemos disso logo. – completou Sylvester, sério e compenetrado.

– Ela viverá. – disse Julius, observando o brasão – Pode crer nisso!

E assim começou a saga dos Quatro Amigos. Mal sabiam eles que essa saga seria tão dura quanto a de seus antepassados.