V Capítulo

Quando eu acordei hoje, domingo, me senti estranha.
Ontem, o dia foi, ao todo, muito bom. Mas ainda me senti preocupada em relação a minha reação por Harry... Ele é realmente um amor. Meu melhor amigo e uma pessoa muito especial em minha vida. Sempre. Mas eu não estava preparada para sentir mais que isso.

Sentir ciúmes, ou algo assim, me fez me sentir horrível, com uma dor... Não me lembro também de ter sentido algo tão devastador por ele, quis afastar aquela menina do seu corpo, quase discuti com Gina por ele. E sentia vontade de tocá-lo, senti-lo. Sentia medo quando alguém se aproximava dele, o tomando de mim. E eu nunca fui tão verdadeira em uma de nossas brincadeiras como fui naquela tarde.
E, por Deus... Imaginei sentir os lábios de Harry nos meus, mesmo que por um segundo. E só aquela ilusão me deixou completamente desnorteada.

Fui ao banheiro dos monitores, tomar um banho poderia me deixar mais tranqüila para pensar. Para saber o que quero.

Não conseguia entender o que, de um dia para o outro, mudou em mim. Quero dizer, sim, Harry é um rapaz maravilhoso, lindo, amigo, divertido... Sedutor, com olhos brilhantes que não há como ignorar. Mas quando foi que passei a sentir ciúme e corar? Quando passei a desejar experimentar seus lábios? Não sei responder. Mas a pior de todas as perguntas me atormenta mais: Como eu pude não notá-lo? Tentei ignorá-la, mas é como tentar não olhar para os olhos verdes dele.

E com um suspiro parei de negar. Com certeza há alguma coisa errada, e o problema desta vez é comigo, não com Harry. O que não ajuda muito, porque averiguar e auxiliá-lo seriam muito mais fácil, além do que eu já estou bem acostumada a...
Tudo bem, vamos tentar não falar de Harry por pelo menos uma hora.

Acabei por não ajudar Rony, no que quer que tenha sido o problema que tinha em trasfiguração...
Ele simplesmente, me ignorou quando fui ao seu encontro tentando ajudá-lo. O que foi muito ignorante de sua parte, me senti ofendida. Harry disse que não poderia ter sido normal aquele pedido do ruivo (para estudar) e chamou a mim e Gina para jogar Xadrez bruxo. O que, devo admitir, foi melhor para mim.

E mais uma vez me peguei olhando para Harry... E mais uma vez acabei pensando em Harry.
Ainda não tenho certeza do que sinto ou como me sinto. Tenho certeza, no entanto, que não tardarei a descobrir e tenho mais certeza ainda que saberei o fazer com esse sentimento – qualquer que seja. – quando entendê-lo.

Quero entender, não sei o que fazer, no entanto.
Fecho meus olhos, e me concentrei em enxergar Harry, não foi nada complicado. Em segundos estava vendo seus olhos, seu sorriso, e seu corpo – estremeci e abri os olhos. Estava sem palavras, quem era aquele Harry?

Deixei a banheira para trás, enlaçando a toalha em meu corpo, pegando uma outra para secar os cabelos. Meu corpo tem uma sensação quente, e suspeito que não foi da água.
Alguma coisa me diz que meu corpo está em sintonia com meu coração, que lateja, "quem é esse Harry?". O que eu perdi? Ou que eu fingi não enxergar?
Aquele era Harry Potter, um rapaz. Que me atormenta os pensamentos e juízo, e não é de ontem. Muito menos hoje.

-Me desculpe – disse olhando para mim. – Achei que não havia ninguém, por causa do horário. Perdoe-me Mione.

Por mais bizarro que possa parecer, Harry Potter estava a minha frente quando me virei para ir a um Box.

-O que você está fazendo no banheiro feminino – indaguei fracamente.

Ele sorriu sem graça. – Bom. É que a Murta está no banheiro masculino, e ela tem uma mania muito estranha de me espiar – eu tentei não rir. – Então vim no banheiro feminino, acho que ela não espia garotas... E como capitão do time de quadribol, sou autorizado a usar o banheiro dos monitores.

-Isso eu sei Harry. É que eu apenas estranhei - franzi a testa. - Mas como você sabe-

-A senha? Lembro de ter dito para Padma, há uns dias, então tentei essa mesma senha, deu certo – disse dando de ombros.

-Bom. Eu vou me trocar, e tem o banheiro todo para você.

-Valeu – ele sorriu tirando a blusa e colocando a um canto. Tentei olhar para baixo, mas não deu... E eu realmente devo estar vermelha. Harry me olhou curiosamente.

-Rony estava estranho ontem, você não achou?

Me atrevi a levantar os olhos. – Não que ele seja normal.

Harry riu. – Tem razão.

Os olhos dele quase tocaram meu corpo enquanto me observava. – Harry. Há quanto tempo exatamente você está aqui? – perguntei sem saber se queria uma resposta sincera.

-Não se preocupe. Você já estava de toalha - corei violentamente.

-Não quis supor isto.

-Entendo.

-Harry! Sério.

–Não disse nada.

Nunca imaginei que um rapaz pudesse entrar aqui, principalmente sendo Harry. E muito menos pensei que estaria conversando com ele "vestida" de toalha.

-Mas onde está Rony? – ele indagou fingindo ciúmes, olhando para os lados.

-Onde está aquela quintanista? – retruquei. Ele sorriu.

-Não sei. Mas se você quiser, eu posso descobrir.

-Não se atreva, Harry Potter, a sair daqui vestido assim – falei cruzando os braços.

-'Vestido assim'?

-Eu quis dizer, na verdade, "despido assim".

-E você fica com ciúmes por eu sair assim? – ergueu a sobrancelha.

-Eu nem me importo. Por mim, se você quisesse, poderia sair até nu pelos corredores.

-Ah é?

-É.

-E por que você não me deixa sair, então?

-Pela política da escola. Não quero que saibam que um amigo meu tenha provocado estardalhaço.

-Agora eu sou amigo, é? – ele deu alguns passos à frente.

-O que mais poderia ser?

-Quer que eu responda? – ergueu a sobrancelha. – Um parente distante, talvez. Um por quem você sente muito afeto – disse pensativo enquanto dava mais um passo. – Seu namoradinho... quem sabe – ele disse dando mais um passo. – Ou seu – ele estava a menos de um metro de distância de mim. – seqüestrador.

Dei um grito quando ele me segurou no colo. – Me solte senhor seqüestrador! – falei em tom reprovador, mesmo não reprovando nada.

-E o que ganho em troca?

-Minha gratidão.

-Só aceito dinheiro de resgate.

-E quanto é? Tenho certeza que meus pais arrumaram um modo de pagar.

-1.000.000 galeões.

-O que! Eu não tenho tudo isso.

-O que posso fazer? O que tenho nas mãos é muito precioso... - sorri. – Tudo bem, hoje como estou bonzinho tenho outra proposta, mas talvez ache esse preso ainda mais caro...

-Sou toda ouvidos, senhor seqüestrador.

-Quero seu coração para mim.

Senti meu corpo queimar e eu nunca estive tão consciente de Harry quando agora. – Trato feito – murmurei fitando-o.

Não tenho mais idéia se Harry está brincando. Sei que eu não estou, há muito tempo.

Ele me retirou de seus braços, um sorriso pequeno nos lábios. –Dessa vez eu vou cobrar, Srta. Granger... – ele murmurou. – Você pode fugir agora mesmo, seu seqüestrador está deixando – as mãos dele na minha cintura, sua testa na minha.

-E não ver mais esses olhos verdes? Acho que não...

Quando ele mordeu os lábios, meus olhos sorriram. Ele não poderia estar brincando. Quando ele beijou meu pescoço, tive certeza.

-Eu acho que amo você – Harry murmurou antes de beijar meus lábios. E acredito que estou num paraíso, completamente distante da realidade.

Harry era uma mistura deliciosa, era carinho, respeito, desejo... Acho que, por mais que tente, não terei o suficiente de seus lábios. A língua dele em minha boca me deixa tonta... E seu abraço apertado não me deixa esquecer de sua presença. Minhas mãos em suas costas o arranham em prazer e eu ainda quero mais...

-Eu amo você – disse ainda de olhos fechados. E isso soavam tão certo que eu sorri. Era isso, eu o amava. Senti Harry beijar minha testa e decidi abrir os olhos. Harry me fitava, e eu nunca mais poderia esquecer a mensagem que seus olhos verdes brilhantes me traziam.

Beijamo-nos mais uma vez, e outra e outra... Até acabar o ar, e respirar e voltamos à parte do beijo. De onde nunca deveríamos ter saído.
Acho que eu nunca fiquei tão feliz por uma barganha como nesse momento.

Quando contaram a novidade para Rony e Gina, eles apenas se entreolharam e Rony disse:

-Não conto se você não contar... – Gina assentiu e sorrindo foi felicitar a amiga, que estava bem confusa, assim como o namorado.

Fim