Deixe-me cuidar de você

por Nina Neviani

Epílogo

Ele lentamente virou-se e ela pôde ver o bonito rosto do cavaleiro. Rosto esse, que agora não demonstrava emoção ou sentimento.

Ficaram se olhando por algum tempo sem nada dizer. Minu decidiu falar primeiro.

– Você se machucou? – Ao perceber que a frase poderia se referir tanto ao passado distante quanto ao que ocorrera a pouco, resolver esclarecer – Quero dizer, as suas costas... o galho da árvore... – parou de falar ao ver um sorriso de deboche formar-se nos lábios dele.

– É preciso muito maus do que um galho podre de uma arvore para me machucar, Minu.

– Oh, você ainda lembra de mim – era a vez de ela usar um tom cínico na voz. O que, obviamente, não combinava nada com ela – Talvez seja por eu não ter mudado muito. Ao contrário de você. Desculpe-me, por um momento esqueci que você não é mais o pequeno Ikki que conheci. Você agora é o poderoso cavaleiro de Fênix. Aquele que não se machuca.

A voz de Minu tremeu, denunciando assim que ela não sabia ser tão cínica quanto queria demonstrar.

– Um belo discurso, ma você está enganada.

Ela não desistiu de manter postura de cinismo.

– Estou enganada quanto ao fato de você ter mudado muito, ou de eu não ter mudado. Ou será que o meu erro foi quando deduzi que você se lembra de mim.

Ele balançou a cabeça e disse calmamente.

– Está enganada quando diz que eu não me machuco.

Outro momento de silêncio. Ikki tocou na árvore e disse.

– Veja quanta coincidência. O garotinho assustado foi escolher logo esta árvore para se esconder. Logo esta. – Como Mino permanecia calada ele explicou – Não sei se você se lembra, mas era sob essa árvore que, quando menina, você cuidava dos meus machucados.

– Sim, eu me lembro.

– Eu acredito que nunca agradeci corretamente os seus cuidados. Eu queria parecer independente, mas o seu apoio naqueles momentos era muito importante para mim. – Vendo a surpresa estampada no rosto da mulher a sua frente, assegurou. – É verdade. Naqueles momentos, eu via que tinha alguém do meu lado. Alguém que me apoiava, não importava o que eu aprontasse. – sorriu – Alguém que até me dava broncas quando eu merecia. – Ela riu e abandonou por completo o tom cínico.

– Eu não sabia que você se lembrava de tudo isso.

– Eu nunca esqueci. Assim como também nunca esqueci... – calou-se. Como se tivesse falado algo que não deveria.

– Da promessa? – Ela completou – Eu também nunca me esqueci dela. Sabe essa não é a primeira vez que eu te vejo depois da sua partida do orfanato.

Ele olhou-a surpreso.

– Eu o vi na Guerra Galáctica.

– Ou seja, você me viu quando não deveria ter visto. Naquela época eu estava perturbado, com ódio do mundo. – Suspirou. – Desculpe-me se te decepcionei.

Ela apenas assentiu com a cabeça e ele viu-se compelido a explicar-se mais.

– Foi uma época na qual eu não tinha ninguém para me fazer ver a realidade, para me fazer ver que eu não era melhor do que os outros, não tinha ninguém para cuidar das minhas feridas.

– Ela sabia que ele não se referia a machucados físicos.

E não resistiu a tentação de perguntar:

– Houve alguém, além de mim, que cuidou de você?

Ele confirmou com a cabeça antes de dizer:

– Mas acho que só deixei-a cuidar de mim por se parecer muito com você. Não fisicamente. Mas tinha a mesma paciência, calma, e delicadeza que você.

Ela ficou vermelha e não soube o que dizer.

– Porém, o destino não quis que ela ficasse por muito tempo ao meu lado.

Ela entendeu o sentido oculto daquelas palavras e solidarizou-se com a dor dele.

– E você, Minu? Alguém cuidou de você?

Ela negou. Outro período de silêncio.

– E o que vamos fazer agora, Minu?

Ela queria abraçá-lo bem forte e dizer o quanto temera pela vida dele, mas não seu corpo parecia não obedecê-la. Então, respirou fundo, tomou coragem e perguntou:

– Você ainda precisa de alguém para cuidar de você? – Um sorriso escapou dos lábios dele.

– Só se, dessa vez, você me deixar cuidar de você também.

Abraçaram-se.

– Eu senti muito a sua falta, Ikki.

– Também senti a sua. – Abraçou-a mais forte. – E vou cuidar de você pelo tempo que me resta de vida.

Ao senti-la estremecer, explicou:

– O mundo pode estar em paz agora, mas continuo sendo um cavaleiro de Atena.

– Eu sei. Assim como sei também que tudo ficará bem.

FIM


(Nina Neviani suspira!)

Nota da autora: Mas uma história com um final feliz! Gostaram do final?

Eu sei que pode ter alguém estranhando o fato de não ter lido nenhum "eu te amo!" na fic, mas essa era a minha intenção desde o começo. Pois queria que vocês sentissem que eles se amavam e não lessem esse sentimento.

Espero que tenham me entendido.

Agradeço sinceramente o apoio e as reviews.

Obrigada!

Beijos e até uma outra loucura minha!

Nina Neviani