Título: Caminho do Coração

Gênero: Romance / Drama

Pares: Harry x Seamus / Sírius x Remus / Harry x Draco

Importante: Harry Potter e personagens pertencem a J. K. Rowling, todos os direitos reservados. Fic sem fins lucrativos.

Atenção: Slash / Yaoi / Homem x Homem – caso te desagrade, ofende ou qualquer outra coisa do gênero, não leia.

Resumo: Pós Hogwarts Guerra, Harry começa um novo emprego em uma creche de educação infantil aberta por Remus e Sírius e acaba por reencontrar um antigo rival SLASH!


Capítulo 1 – Novo Emprego

Harry abriu a porta de sua casa, equilibrando dois pacotes de compras nos braços enquanto virava a chave e empurrava a porta com o pé. Morava numa casa mediana, na parte bruxa de Londres.

Entrou com certo cuidado, para não tropeçar nas inúmeras caixas espalhadas pelo hall de entrada até a sala e cozinha. Pulou algumas delas e com sacrifício colocou as mercadorias sobre o balcão que dividia a cozinha em dois ambientes – o de copa e o de sala de jantar.

Suspirou enquanto passava os dedos pelos cabelos, sempre rebeldes e olhava a bagunça. Uma caixa em especial lhe chamou mais a atenção, onde brinquedos se espalhavam ao redor.

- Léo! – chamou da porta, olhando em direção da sala.

Uma cabecinha de negros cabelos igualmente revoltos apareceu pelo encosto do sofá. Olhinhos atentos e brilhantes num tom esverdeado muito familiar e um sorriso amplo na boquinha rosada.

- Papai! – deu tchauzinho.

- Querido, quantas vezes papai vai ter que falar pra não deixar seus brinquedos espalhados pela casa?

O garotinho fez beicinho antes de escorregar pelo sofá e encaminhar até onde Harry estava. Esperou ser acariciado nos cabelos e passou a recolher seus brinquedos.

- Bom... – Harry voltou ao balcão, retirando as compras dos pacotes e os separando. Alimentos perecíveis para a geladeira, bolachas e biscoitos para o armário.

A cozinha não se diferenciava muito da cozinha trouxa comum, apenas o fato das coisas funcionarem sem eletricidade e o fogão ser à lenha, com um lugar próprio para um caldeirão genuinamente bruxo.

De vez em quando dava uma olhada no garoto, vendo-o parar o que fazia e brincar com um ou outro brinquedo interessante. Sorriu feliz, sua vida era ótima, tinha um filho encantador e um companheiro que conhecia muito bem, afinal, estudaram juntos por sete anos. O único problema era ter que ficar mudando de residência. Fazia uma semana que voltaram à Inglaterra por causa do emprego de Seamus. Sim, estava num sério relacionamento com Seamus Finnigan, o irlandês mais safado da Grifinória, e isso já fazia três anos. Antes de voltarem à Inglaterra, estavam morando na Alemanha em uma cidade bruxa em Berlim, sem contar que já morou nos Estados Unidos e na França. Seamus era capitão do time oficial de Quadribol, sendo assim, tinha que permanecer incontáveis meses nos países em que jogava, já que o Quadribol não tinha tempo certo de término.

Namoraram o último ano em Hogwarts e nos dois anos seguintes. Antes de completar seu treinamento para Auror, soube que teriam um filho, o que de fato o afastou dessa carreira. Não podia ter um emprego que exigia a maior parte de seu tempo e largar o filho a cuidados de terceiros. De início foi um choque saber que podia engravidar, mas por outro lado, a felicidade o arrebatou, afinal, teria a tão sonhada família.

Tentou por várias vezes arranjar algum outro emprego, mas não se adaptou em nenhum. O jeito foi permanecer apenas cuidando do filho, agora com seus três aninhos de idade.

Um barulho se fez nas escadas e Seamus apareceu na porta da cozinha, lutando com a jaqueta.

- Quer uma ajudinha? – Harry se ofereceu, já o ajudando a enfiar os braços pelas mangas.

- Estou atrasadíssimo! – disse lhe dando um selinho e roubando uma maçã da fruteira, sobre a mesa.

- Pensei que passaria mais tempo conosco.

- Treino, e não posso faltar. Ahm, Harry, dê um jeito nessa casa, está horrível! – argumentou antes de aparatar num estalo.

Harry ficou um pouco chateado e olhou às caixas. Podia muito bem usar de magia e tudo estaria em seus lugares sem demora, mas estava sem fazer nada e preferia o modo trouxa de arrumar as coisas para passar o tempo. Seus olhos pararam no garotinho, sentado perto da entrada da cozinha. Ele fazia uma carinha triste e emburrada.

- Ele esqueceu do meu anjinho? Vem cá vem – esticou uma mão o convidando.

Sem demora, o pequeno correu em sua direção sendo carregado e tendo o rostinho tomado por beijinhos. O riso do garotinho logo encheu a casa.

- Que cena mais linda! Só podia ser o Harry!

O moreno olhou em direção à porta da cozinha, que estava aberta e diante dele estava Remus Lupin e a seu lado seu padrinho, Sírius Black.

- Remus! Sírius! – os abraçou se esquecendo da sutil tristeza que o tomara momentos antes. – Não imaginei que os encontraria assim, de surpresa! Como souberam que voltei?

- Nada passa pelo Aluado, você já deveria saber disso – Sírius comentou, enquanto olhava a casa.

- Verdade... – Harry sorria feliz. – Já estava ficando chateado aqui, sem ninguém pra conversar.

- E onde está Finnigan? – Remus comentou casualmente, sentando numa das cadeiras da mesa.

Harry ficou um pouco incomodado. – Oh! Ele trabalha muito, foi ao treino, é capitão sabe...

- Sei... – Remus o olhava nos olhos, percebia que o rapaz não estava muito feliz.

Quando Harry ainda estudava em Hogwarts, sabia que ele não tinha muitas esperanças em construir uma vida, ficava deprimido a maior parte do tempo. Quando souberam que Seamus estava loucamente a fim dele, Rony, Hermione e até mesmo ele, Lupin, deu todo apoio e incentivo para que aceitasse o irlandês e começasse um namoro. Pelo menos, na época, o tão sofrido menino-que-sobreviveu, estava vivendo a juventude que merecia. Talvez fosse pela falta de carinho e de companhia que o fez se entregar ao outro rapaz e Remus já não mais sabia se fizera a coisa certa, em aprovar esse relacionamento.

- Então, vocês aceitam um chá? – Harry ofereceu enquanto tinha o filho tomado dos braços por um empolgado Sírius.

Enquanto preparava a chaleira e as xícaras, via como Sírius erguia o garotinho nos braços.

- Seu menino é uma graça! Como se chama? – perguntou encantado. Remus se juntou a ele e também mimava o pequeno, passando a mão com carinho na cabeleira negra.

- Nossa Harry, ele é a sua cara! Onde tem vestígios do Finnigan aqui? – Lupin brincou.

Harry apenas sorriu. – Eu o registrei como Leonard Harold Potter.

- Harold? – Sírius pareceu surpreso.

- Bem, Leonard é o nome que eu escolhi, já Harold foi o Seamus. Por enquanto é só Potter, pois não somos casados.

- Leonard é um belo nome, mas prefiro chamá-lo de Leonard Harry Potter, é mais meigo. – elogiou Remus, recebendo um sincero sorriso.

- E quando vão casar? – perguntou o padrinho, com interesse.

Harry deu de ombros e tratou de preparar o chá, colocando em três xícaras e uma mamadeira. Colocou cada uma das xícaras em frente a eles, sobre a mesa e esfriou a mamadeira, deixando o líquido morno. Pegou Léo no colo e se sentou numa das cadeiras, perto de Sírius.

Os dois mais velhos se olharam um pouco, antes de Remus ir direto ao assunto.

- Harry, nós abrimos uma creche para crianças até cinco anos e precisamos de alguém que nos ajude. Como ficamos sabendo que você não estava trabalhando por causa do Léo, achamos que gostaria de se distrair um pouco.

Harry abriu um largo sorriso, estava cansado de ficar sem fazer nada e a maior parte do tempo sozinho. – Eu adoraria!

- Sim, e você não precisará ficar longe do seu anjinho – Sírius piscou-lhe um olho.

- E nem de vocês dois – Harry complementou.

Ambos concordaram com a cabeça, felizes por vê-lo sorrindo como há muito tempo não viam.

- E quando começo?

- Que tal ir hoje, conhecer o lugar? – propôs Sírius.

- Tenho que terminar de arrumar essa bagunça – Harry suspirou, olhando o estado de sua recém casa.

Não seja por isso – com um aceno de varinha de Remus, os objetos foram todos organizados no devido lugar, sem deixar nenhuma caixa no chão ou objetos espalhados.

- Bem... Agora não tenho porque recusar.


Uma casa. Era exatamente essa a descrição da creche de seus padrinhos. Nada de dois andares, pois se tratavam de crianças novinhas. Por fora, como pôde perceber, eram desenhados unicórnios saltitantes, fadas que voavam manchando de luzes as paredes e pequenos dragões brincando pela paisagem clara de um bosque.

Harry sorriu ao ler o nome "Magia dos Pimpolhos", em letras animadas que piscavam coloridas.

Entrando no estabelecimento, o que antes era uma suspeita, se transformou em fato. A creche realmente era uma casa, desde a sala com puffs e almofadões espalhados pelo piso carpetado e muitas estantes com livros infantis, a cozinha protegida com um cercadinho da altura da cintura de um adulto e o pátio, de teto encantado, quase como de Hogwarts, onde haviam mesinhas para as refeições. No fundo do pátio, como pôde perceber, já que a parede era em vidro transparente, havia uma piscina rasa, um jardim de plantas inofensivas e um carrossel que mesclavam réplicas de hipogrifos, dragões, unicórnios e vassouras em sua base. Tudo cuidadosamente enfeitiçados para maior segurança das crianças.

- É maravilhoso! – exclamou.

- Papai, deixa brincar? – Léo pediu, apontando para o carrossel, os olhinhos brilhando de fascinação.

Harry olhou para os dois sorridentes, donos daquele lugar encantador, como se pedisse permissão.

- Claro! – disse Lupin, pegando o garotinho do colo de Harry e o levando pela mão até o jardim.

- Eu quero andar na vassoura! – exigiu dando saltinhos e estendendo os bracinhos para ser colocado numa delas.

Harry observava de longe, ao lado de Sírius. – Aqui é tão aconchegante! Vou adorar trabalhar aqui!

- Espero que sim. Apesar de termos inaugurado faz um ano, a procura é muito grande, o que nos levou a ter de aceitar somente crianças residentes na região, ou estaríamos sem espaço. Mesmo assim, necessitávamos de mais alguém organizando e nos ajudando, sendo que Aluado não pode permanecer sempre aqui, por motivos óbvios, eu não dou conta sozinho, e tive de contratar Hermione e Gina Weasley.

- Hermione e Gina estão trabalhando aqui? – ficou surpreso.

- Hermione tivera de largar o emprego no St. Mungus devido a seus filhos, e Gina, adora crianças, e segundo ela, ser professora era uma paixão. – Sírius suspirou enquanto levava Harry até um corredor, do outro lado da casa. – Mesmo assim, não estamos dando conta e é necessário mais um para cuidar dessas pestinhas.

Harry sorriu, não queria emprego melhor, ainda mais um emprego que pudesse ficar com o filho, estava realizado.

- Antes que você pergunte, Hermione é a nossa medibruxa, coisa que é obrigatória em qualquer escolinhas, e quando não precisa fazer curativos nos diabinhos, ela cuida da turminha dos cinco anos, onde já estão aprendendo matemática através de brinquedos pedagógicos bruxos e acompanham algumas letras nos livros encantados.

- Como a mais inteligente da escola, era impossível ela não querer educar as crianças – Harry riu, Mione nunca mudava. - Você disse que ela tem filhos? Quantos filhos? – ficou surpreso, pois pelo jeito, Rony aderiu ao costume da família, só estava impressionado que Hermione tenha concordado.

- Três – Sírius sorriu – E não pense que ela aceitou ficar fazendo filhos a torto e a direito. Por sorte, ela teve três numa única vez.

- Trigêmeos? – Harry se impressionou.

- E puxaram os tios – não pôde deixar de rir da careta de Sírius, talvez lembrando de como eles eram pentelhos.

Um barulho chamou a atenção deles e entrando, lá estava o motivo da conversa, a seu lado vinha uma sorridente Gina. As duas pararam a meio caminho, quando seus olhos avistaram o rapaz, com um largo sorriso no rosto e cabelos revoltos.

- Merlin! – exclamou Hermione, enquanto lágrimas enchiam seus olhos. Ao seu redor, três foguinhos idênticos com cerca de quatro anos o olhavam com curiosidade. – Harry? É você? Não acredito!

- Harry! Onde esteve? – gritou Gina, surpresa e também emocionada.

Harry não teve como responder, em meio minuto, já estava sendo apertado e sufocado no meio das duas, que tentavam matar a saudade e o apertavam como se para terem certeza de que era realmente verdade.

- Não inabilitem meu novo funcionário antes dele começar a trabalhar! – brincou Sírius, deixando os amigos matarem a saudade enquanto seguia até o jardim, atrás de Remus.

E perguntas e mais perguntas foram soltas pra cima do sumido rapaz, depois foi a vez dele conhecer os trigêmeos de Rony e Hermione, que pelo seu espanto, sorriam descaradamente sem um pingo de vergonha e já sabiam que ele era Harry Potter, ou tio Harry, como eles fizeram questão de gritar em coralzinho.

O dia que prometia ser entedioso, se tornara maravilhoso, no final das contas. Reviu os padrinhos, as amigas, conheceu os 'sobrinhos' e tinha um emprego finalmente. O que mais faltava acontecer?


N/A: essa é minha nova fic, eu espero que gostem e acompanhem. Obrigada por lerem e, por favor, deixem reviews! Abraços!