Disclaimer: Inuyasha não me pertence, todos os direitos autorais estão no nome de Rumiko-sensei… e esse não ser meu nome… u.u

Sacrifícios Para Amar

Capítulo Um: O Acidente

Dedicado à Shampoo-chan e Palas Lis

Estava ela mais uma vez 'sobrando' entre os amigos, pra variar um pouco… todos tinham marcado de se encontrar no shopping naquele final de semana, Kagome, Inuyasha, Sango e Miroku. E ela, sempre ficava de lado. Claro, ainda não arrumara um namorado para si, enquanto seus amigos tinham seus companheiros bem definidos, mesmo brigando mais que namorando naqueles loucos encontros em grupo que combinavam, não havia que dissesse que eles realmente não se amassem. Mas por que só ela estava sozinha? Sim… não queria admitir, mas ainda tinha uma pequena esperança de que conseguisse obter a atenção dele, nem que fosse um mísero olhar sem toda aquela frieza e distância, ao menos um "oi"… mas ele nunca se aproximava de ninguém… nunca.

Já fazia dois anos que se mudara para a capital, para poder terminar a sua faculdade de Direito, naquela época não poderia estar mais feliz, iria morar com sua prima, Kagome. Já se conheciam de longa data e se davam muito bem, mas dificilmente se encontravam pela distância de suas moradias atuais. Seguiu para a capital afim de cursar os últimos dois anos da faculdade, sim, já estava bem perto de conseguir seu tão esperado diploma.

Fora muito bem recebida pelo entusiasmo da prima que também estava a dois anos de concluir seu curso de Medicina. Kagome sempre fora muito extrovertida e com a ajuda incomparável dela, conseguira mais três amigos, Inuyasha, Sango e Miroku. Mas além deles, por meio de Kagome, acabou encontrando uma outra pessoa que sem dúvida alguma chamara a atenção de seus olhos. Ele tinha um porte altivo, decidido, seus olhos estavam tão frios e mortos quanto às árvores e suas folhas secas naquele início de inverno, mas mesmo assim transmitiam uma segurança desmedida e uma beleza sem comparação. Seus longos cabelos balançavam ao leve som daquela fria brisa no dia em que se encontraram pela primeira vez. Ele falara com Inuyasha apenas, e só tinha a atenção voltada para os outros caso ouvisse seu nome sendo chamado, Sesshoumaru… era esse o nome que ouvira naquele dia. A beleza dele e seu jeito incomum chamaram a sua atenção, ele parecia sempre tão sozinho e tão distante. A sua voz combinava com seu porte, grave e seus tons eram diretos e decididos, claro que também eram tão frios quanto o dourado de seus olhos. Mas aquela voz, jamais fora dirigida apenas a ela. Sequer um "oi", um "Bom dia" ou "Como está"… ele nem parecia saber da existência dela, mesmo tendo-a encontrado tantas vezes na companhia de seu meio-irmão e seu grupo.

"Tantas vezes?" pensou de forma irônica, as vezes que ele se prestava a sair de casa e falar com alguém tinham sido tão poucas nesses anos que dava até pra contar nos dedos das mãos. Mas mesmo não podendo ouvir sua voz, incontáveis vezes pôde observar seu rosto, seus olhos, seus cabelos… sua simples existência… mesmo que a dela simplesmente parecesse não importar para ele…

Julgava-se realmente tola, ria-se de sua própria ingenuidade natural, como pudera se encantar perdidamente por alguém que jamais a notara e viver à sombra de uma esperança quase finda? Era engraçado, era ridículo, era motivo de piadas para aqueles que soubessem dessa admiração secreta – ninguém até então, pelo menos assim supunha –, mas era seu jeito e sua esperança… sempre aprendera que esperança era a última a morrer, mas do jeito como as coisas andavam, ela morreria mais cedo. Ria-se… ria-se para não chorar, ria-se para não admitir que nada valia seu sonho perdido… ria-se para não admitir que se um dia ele viesse a notá-la, talvez não atendesse aos seus sonhos e fantasias de como seria estar com ele, conversar com ele, viver com ele.

– RIN! – fora tirada de seus pensamentos de maneira tão brusca, com aquele grito, que seria mais fácil se tivessem arremessado-lhe uma viga de carvalho no meio da testa. E para variar um pouco, o responsável por esse "chamamento de atenção" fora ninguém mais, ninguém menos que Kagome.

– Nani! – Rin respondeu à prima, esta quase subindo na mesa da praça de alimentação do shopping pra poder alcançar seu alvo principal.

– Kagome, poderia ter falado um pouco mais baixo… tem gente olhando. – disse Sango puxando Kagome para que ela se sentasse mais uma vez, olhando para os lados de forma discreta.

– É, poderia ter falado mais baixo. – disse Rin concordando com Sango.

– No que estava pensando Rin-chan? – Kagome perguntara voltando a sentar na sua respectiva cadeira, com Sango do seu lado direito e Inuyasha do lado esquerdo. – Ou melhor, em quem estava pensando?

– Ahn? – Rin enrubesceu com a pergunta dela. – Eu… não estava pensando em ninguém K-chan… só lembrando das provas dessa semana… – mentiu.

– Você acha que consegue me enganar, não é! – disse Kagome de forma astuciosa. – Eu sei muito bem que provas não prendem tanto a atenção de uma pessoa, principalmente a sua, pra ficar tão voadora…

– Eu definitivamente não estava pensando em ninguém. – Rin reforçou a idéia num tom mais convicto.

– Sei… sei. – disse Kagome.

– Kagome, esqueça isso… deixe Rin quieta. – disse Sango e Rin ficou aliviada ao receber apoio. – Será que ela não pode ter um namorado sem que você saiba?

O alívio foi-se embora ao ouvir o resto da frase, por que elas insistiam tanto nisso!

– E-eu não tenho namorado nenhum! – implicou ela.

– Ah… então Rin-chan está com vergonha de nos apresentar, não é! Tem vergonha da gente, Rin-chan, ou tem vergonha dele? – questionou Miroku aproximando-se da garota como se esperasse que ela lhe confidenciasse algum segredo.

– Eu já disse que não tenho nenhum namorado! – ela tornou a falar, já se sentindo incomodada com a situação.

– Sim, sim, nós já ouvimos isso… – disse Kagome. – Mas que tal a outra metade da história!

Nossa, como Kagome e Miroku conseguiam ser tão insistentes numa coisa tão… tão… supérflua como aquela? Chegavam a ser irritantes!

– Dá pra pararem com isso! – pediu Rin cruzando os braços diante do peito de maneira emburrada e infantil.

Kagome riu da posição dela, Rin realmente parecia uma criança certas vezes, antes que pudesse falar mais alguma coisa, ouviu a voz de Inuyasha falar.

– Hey, o filme já vai começar, está quase na hora, vamos indo. – disse ele já se levantando sem esperar o consentimento dos amigos.

– Ih, é mesmo. – disse Kagome ao consultar seu relógio de pulso. – Vamos ou vamos perder o começo.

Todos levantaram-se de suas cadeiras diante da mesa, exceto por uma pessoa.

– Rin, você não vem? – perguntou Kagome ao perceber que ela não se movera.

– Iie… – ela respondeu simplesmente. – Eu já vou indo pra casa, quero estudar um pouco, realmente não estou com vontade de assistir filmes hoje.

– Ahn? Doush'te? – perguntou Kagome curiosa.

– Não é nada, só não estou mesmo com disposição. – respondeu ela se levantando. – Vocês divirtam-se, eu vou indo pra casa na frente. Ja ne.

Ela seguiu por um dos corredores do shopping sem esperar resposta ou consentimento dos amigos. Eles andaram na direção oposta, para irem para as salas de cinema.

– Eu acho que a Rin não se sente bem saindo com a gente. – comentou Kagome enquanto caminhavam a passos longos e lentos.

– Por que não? Ela parecia muito bem. – disse Inuyasha.

– Ah, vocês homens não entendem nada. – disse Kagome. – Eu acho que ela se sente sozinha no meio da gente.

– Eu também acho isso, Kagome. – disse Sango. – Mas não podemos fazer muita coisa.

– Hm… é claro que podemos! – disse Kagome com um brilho estranho nos olhos.

– No que está pensando Kagome? – perguntou Sango já sabendo a reação que partiria da amiga.

– E que tal se arrumássemos um namorado para Rin! – ela propôs parecendo satisfazer-se com a própria idéia.

– Kagome, pare de pensar. – disse Inuyasha de maneira irônica.

– O que está tentando insinuar Inuyasha! – perguntou com raiva.

– Eu? Nada. – o garoto fez-se de inocente.

– Humpft! – Kagome bufou com o comentário que ela julgara inútil partindo do namorado.

– Kagome, não comece com essas idéias… agora está querendo virar casamenteira! – comentou Sango.

– Mas não é uma má idéia… – dessa vez foi Miroku quem falou, ele sempre dava pra concordar com as loucuras da amiga. – Rin está precisando mesmo de um namorado, alguém como eu!

– É melhor ficar solteira. – comentaram Inuyasha e Kagome em uníssono ao que Sango tentou ignorar o comentário.

– Eu tenho uma boa opção pra ela… que tal o Kouga? Eu poderia falar com ele, ele até cursa direito também. – disse Kagome pensativa.

– De jeito nenhum! Você não vai falar nada com o Kouga! – Inuyasha disse contrariado.

– Que foi Inu? – questionou Kagome divertida. – Está com ciúmes?

– Eu! Daquele lobo fedido! Feh… – virou o rosto e cruzou os braços mais infantilmente que Rin, minutos atrás. Kagome riu da reação dele.

– Eu acho que tenho uma opção melhor. – começou Miroku.

– Miroku, a Sango está do seu lado… – Kagome lembrou-o antes que ele mesmo se candidatasse ao cargo, Sango lançou um olhar de soslaio ao namorado, de maneira assassina.

– Ahn er… eu não tava pensando nisso exatamente. – comentou Miroku sem graça.

– E em que você estava pensando exatamente? – perguntou Sango no mesmo tom que combinava com o desafio de seus olhos.

– Eu estava pensando sobre Sesshoumaru. – respondeu ele rapidamente.

– Quem! – dessa vez Sango, Kagome e Inuyasha se pronunciaram, pensando não ter ouvido bem o que ele dissera.

– Isso mesmo que vocês ouviram, o Sesshy! – comentou Miroku como se estivesse dando a solução para a Terceira Guerra Mundial.

Os outros três ficaram em silencio por algum tempo, talvez considerando a opção maluca que Miroku dissera, mas na verdade estavam apenas associando o nome à pessoa, a pessoa ao nome… e do nada, caíram na gargalhada, no meio do shopping, chamando a atenção dos outros para si.

– Você só pode estar de brincadeira! – riu-se Sango.

– Sesshoumaru sair com a Rin! HuahuauhahuHUAHUhuahua! – Inuyasha comentou como se fosse a maior piada que ouvira na sua vida.

– Miroku, você precisa de uma séria análise… – completou Kagome tentando conter o riso. – Você não dá pra ser casamenteiro.

– Ah… foi a melhor opção até agora. – disse Miroku ignorando as risadas que insistiam em continuar.

– Não, a melhor e mais rápida opção até agora foi a do Kouga. – corrigiu Kagome.

– Não melhor coisa nenhuma… – disse Inuyasha fechando a cara.

– Todo mundo sabe que ele só falta se jogar no chão para você passar sem sujar as sandálias Kagome, nem vai adiantar. – disse Sango.

– Então, não existe uma opção decente! – perguntou Kagome já irritada com a situação.

– Hm… e que tal Kohaku? – questionou Miroku pensativo.

– Você quer dizer o irmão de Sango? – perguntou Kagome.

– É, eles até que combinam… – disse Sango pensativa.

– PERFEITO! – Kagome se pronunciou. – Nós já vamos conseguir arrumar tudo pra Rin! Sugoi!

– Tá, mas deixamos isso pra depois do filme… – comentou Inuyasha quando finalmente chegaram à entrada do cinema. – Já está em cima da hora, os trailers já devem ter passado, vamos, vamos entrar de uma vez!

– Hai, hai… vamos assistir ao maldito filme. – disse Kagome seguindo com o namorado para dentro da sala, acompanhados de Sango e Miroku.

Enquanto eles entravam na sala do cinema, Rin já estava saindo do shopping, chamara um táxi para poder voltar para casa, viera de carro com Inuyasha e Kagome, então tinha que arranjar um transporte alternativo pra voltar sozinha.

Como eles falavam sobre ela ter namorados… mal sabiam que esse namorado que ela tinha em mente simplesmente nunca conversara com ela… era como se apaixonar por um ator de cinema, sendo que ele estaria a sua frente, mas com tantas pessoas entre os dois, ele nunca enxergaria a sua mera insignificância. Era insignificante? Talvez… nunca prestara tanta atenção em si mesma, mas sabia que para ele sim, era nada mais que insignificante, inexistente. Por incontáveis vezes, ela perdia-se em pensamentos nos quais ele prevalecia e repreendia-se constantemente por isso, afinal, ele não merecia tanta atenção dela, quando ela não recebia nenhuma… mas sabia que isso era impossível, quando ela simplesmente o esquecia para pensar em assuntos da faculdade, inexplicavelmente ele surgia para ter com Inuyasha sobre algum assunto que ela não conhecia… e mais uma vez a imagem dele invadia-lhe a mente. Como? Como uma pessoa podia ter tão pouco autocontrole ao ponto de não conseguir conter desejos por uma mera figura…?

Suspirou pesadamente percebendo que pensava nele até mesmo quando pensava em tentar tirá-lo da cabeça… aquilo parecia de certa forma, irônico. Até mesmo para poder esquecê-lo teria que pensar nisso… conseqüentemente teria de pensar nele mais e mais uma vez.

– Faculdade, Rin! Você tem que pensar nas provas, está no último ano e não pode desperdiçar seu tempo pensando no que não deve! – repreendeu-se sem dar-se conta que falara alto. O motorista do táxi fitou-a através do retrovisor, ela percebera o que falara.

Oras, uma pessoa não podia nem conversar consigo mesma e já recebia olhares reprovadores? Ela não era insignificante, mas sim a sociedade em peso e seus preconceitos… não tinha nada demais em pensar no seu príncipe montado no cavalo branco, mesmo estando com seus 23 anos… ou será que tinha? E mais uma vez… pensando nele… talvez a única solução fosse simplesmente parar de pensar, é… faria isso, pararia de pensar. Mas agora estava pensando em parar de pensar…

Balançou instintivamente a cabeça para os lados tentando tirar toda aquela porcaria que se acumulara em sua mente com seus pensamentos desnecessários. A melhor forma de não pensar em nada era dormir e ponto final. Não tentaria fazer mais nada com seu consciente sabendo que no final bagunçaria tudo mais uma vez e outra e outra…

Fitou a rua pela qual passava de maneira demorada, até mesmo o movimento das pessoas fora do carro era interessante quando não se tinha o que fazer. Mais alguns minutos dentro do cruzando umas conhecidas ruas da cidade e finalmente chegara em casa.

Morava em uma casa que Kagome herdara dos pais, eles moravam em Kyoto desde que ela começara a sua faculdade e deixaram a casa sob a responsabilidade da filha, morou alguns anos sozinha, confessou que nunca gostara da solidão, então constantemente Sango dormia na casa dela, mas de dois anos até então, Rin começara a morar com ela, e mesmo assim Sango continuava a passar noites inteiras lá, as três ficavam apenas jogando conversa fora, comendo chocolate lá pras duas da manhã e assistindo filmes hora de romance, hora de terror.

Tirou a chave de dentro da bolsa, abrindo a porta, entrando e fechando-a atrás de si. Arremessou a chave sobre uma pequena mesa que havia ao lado da porta e retirou os sapatos, deixando-os na entrada. Sem demoras, subiu as escadas. Parou ao topo desta, seguindo para uma porta no lado direito do corredor.

Entrou no quarto notando que ele parecia estar mais organizado de que quando saíra pela manhã. A cama estava devidamente forrada, o guarda-roupa com as portas fechadas por pura segurança, não queria nem imaginar o que aconteceria se abrisse as portas de uma vez. Mas uma outra coisa lhe chamou a atenção. A escrivaninha ao canto do quarto, estava simplesmente repleta de livros, anotações e cadernos, total e completamente desarrumados. Devia ter trabalho de pelo menos 4 anos de faculdade amontoados ali…

Olhou para a escrivaninha e suspirou cansada, jogou a bolsa das costas em cima da cama e em seguida sentou-se, massageando os pés cansados de tanto caminhar… já devia ter se acostumado a sair para as compras com Kagome, antes tinha de se preparar para uma maratona. Deitou-se por uns minutos, com os pés fora da cama, relaxando antes de mergulhar naquela enorme pilha de anotações para concluir seu trabalho. Não demorou mais que cinco minutos deitada ali, sonhando que poderia ficar o resto do fim de semana sem fazer porcaria nenhuma além de descansar, o fato era que segunda tinha aula na faculdade, aula implicava em mais e mais pesquisas e em apresentações de trabalhos, ou seja, mais noites em branco para terminá-los. Então era melhor apressar as coisas antes de se arrepender.

Levantou-se se espreguiçando rapidamente e trocou de roupa, realmente aquela calça jeans não era tão adequada para passar praticamente o resto do dia trabalhando naquela organização. Colocou uma camisa folgada de mangas compridas e um short tão curto que ficava escondido pelo tamanho exagerado da camisa, às vezes calculava que caberiam umas três dela dentro daquela blusa.

Seguiu para a escrivaninha retirando as pilhas de papel uma por uma e carregando até o centro do tapete circular no meio do quarto. Hora levava os livros e hora os cadernos e anotações soltas, o que tinha em peso. Quando estava dando a quinta viagem – pelas suas contas – acabou achando um outro objeto em cima da mesa, um par de óculos de grau.

– Ah! Então era aqui que estavam! – comentou feliz consigo mesma.

Não conseguira encontrar os malditos óculos de leitura durante a semana inteira e acabara travando uma guerra com suas dores de cabeça durante as aulas, tanto para mexer no computador quanto para decifrar as loucas anotações dos professores no quadro e as pequenas letras dos pesados livros. Pendurou os óculos na gola da camisa e terminou de fazer o transporte das anotações e livros até o centro do tapete.

Depois de mais umas dez viagens finalmente colocara toda aquela papelada onde queria, agora fitava a escrivaninha, ela sim estava organizada, em compensação, o resto do quarto agora estava com papéis para todos os lados.

Sentou-se bem no meio da enorme pilha que acabara de montar e começou a pegar folha por folha e ler tudo o que havia escrito e rabiscado, hora amassava as anotações que julgava serem desnecessárias e arremessava na lata de lixo bem ao lado da escrivaninha, em geral errava quatro arremessos de três, hora rabiscava mais as anotações necessárias e colocava-as numa pilha mais organizada e decente.

Não se importou muito com o tempo que passara lendo e analisando tudo aquilo que precisaria para o resto do ano, para o trabalho e que não precisaria. Mas ao fitar o relógio quando sentiu o estômago revirar pedindo por comida, constatou que apenas tinha se passado quase uma hora inteira. Suspirou retirando os óculos do rosto e esfregando os olhos fechados, estava com a vista cansada. A barriga pareceu reclamar mais uma vez, concordando com o merecido descanso dos olhos. Rendeu-se e levantou-se com o propósito de ir até a cozinha comer alguma besteira.

Espreguiçou-se mais uma vez, suas pernas estavam dormentes do tempo no qual ela tinha passado sentada sobre elas. Caminhou até a porta, e saiu do quarto dirigindo-se para as escadas. Desceu o lance sem pressa e foi para a cozinha, ainda com as meias nos pés.

Chegando na cozinha seguiu rapidamente para a geladeira, precisava urgente de alguma vitamina, proteína, ou seja lá o que fosse… qualquer coisa que a mantivesse viva enquanto não terminava o maldito trabalho. Simplesmente despencou de seus devaneios sobre comida quando abriu a porta da geladeira e viu o que tinha lá dentro. Apenas uma maçã comida pela metade e podre, e um vidro com no máximo um dedo de leite.

– Eu… não acredito! – ela reclamou fechando a porta da geladeira com força. – Kagome! Eu vou te matar quando voltar pra casa! Não acredito que não comprou nada de comida!

Suspirou derrotada, estava com fome, tinha uma pilha de trabalho pra terminar e estava cansada e com preguiça de ir comprar alguma coisa, mas no momento não via nenhuma saída, tinha que comer, seu estômago estava clamando por isso, se não comesse, não conseguiria raciocinar, e sem conseguir raciocinar, acabaria arremessando todo o trabalho que já tinha feito no lixeiro sem se dar conta. Encostou-se na porta fechada da geladeira e escorregou até sentar-se no chão.

– Ah… parece que não tenho mais saída. – disse para si mesma, levantando-se finalmente e seguindo para o quarto. – Kagome, você vai ter que vender suas compras para sobrar dinheiro para a feira desse mês… devia ter feito antes de ir para o shopping… agora lá se vai a comida. – comentava no caminho.

Trocou de roupa – certamente não iria com a atual para a rua – e pegou a bolsa com o dinheiro, compraria alguma coisa rápida e prática para não demorar muito, tinha que terminar aquela bagunça que arrumara em seu quarto e não tinha muito tempo, queria aproveitar o domingo, e sabia que se demorasse muito aquela pilha ficaria para o resto do fim de semana, ou seja, desperdiçaria todo o tempo livre.

Antes de sair do quarto, teve sua atenção chamada para seu discman pegou-o rapidamente e colocou os fones, ouvindo musicas de um CD de seleção internacional. Desceu as escadas já mais animada e mais apressada, música realmente era algo para se relaxar. Pegou as chaves de casa que deixara em cima da mesinha na entrada, saiu de casa e fechou a porta mais uma vez. Começou a caminhar pela rua, olhando atentamente para todos os lados, tinha essa mania, sempre muito atenta a cada movimento à sua volta.

Andou uns dez minutos e finalmente estava chegando ao mercado, tinha apenas que atravessar a rua e pronto, a rua era mais movimentada naquela parte da cidade, tinha mais carros e ela achava um absurdo não ter um sinal de trânsito naquele mercado. Andando mais um pouco e observando as coisas ao redor, parou ao ver uma coisa, mais precisamente uma pessoa.

Ele estava do outro lado da rua de frente para o lado que ela vinha, estava olhando os lados da rua para poder atravessar, a sua pose tipicamente altiva estava apenas um pouco afetada por ele estar com uma das mãos na cabeça, parecia estar com dor de cabeça. Ele olhou um pouco para os lados e vendo que não tinha nenhum carro a vista, pôs-se a atravessar.

Rin ficou a observá-lo, mesmo que parecesse estar passando mal, era simplesmente perfeito… os cabelos balançando ao leve som do vento, os olhos dourados que refletiam com perfeição a luz do sol… permaneceu parada, apenas observando-o andar rapidamente para atravessar a rua, mas de repente, a mão que ainda pairava em sua cabeça, fechou-se com força, assanhando a franja, ele parou fechando os olhos de maneira forçada.

– "O que será que ele tem?" – ela perguntava-se preocupada com a situação nada boa do homem que admirava.

Preocupou-se mais ainda ao perceber que ele parara no meio da rua, levando a outra mão à cabeça, ele devia estar com uma dor de cabeça realmente impressionante. Do nada acabou caindo sobre os joelhos, bem no meio da rua.

– Kami-sama! – Rin disse retirando os fones do ouvido e já se preparando para ir ajudá-lo, já que mais ninguém que transitava na rua naquele momento parecia preocupar-se com o estado de um simples estranho.

Quando ela moveu um passo para chegar até o lugar onde ele estava, percebeu que a situação não estava favorecendo a ela, um carro acabara de virar a esquina na velocidade máxima permitida naquela avenida, o que chegava a 60 km/h, mas como todo bom motorista, deveria estar perto dos 80 km/h desprezando os limites impostos. Ele não iria conseguir frear a tempo, de um jeito ou de outro acabaria atingindo Sesshoumaru. Mas o que diabos ele tinha que não saía logo dali!

Esqueceu que sua melhor característica era sempre pensar antes de agir e correu, simplesmente correu para tentar mudar alguma coisa do que já tinha previsto… correu para salvar o que para ela nada mais era que uma imagem, mas diferente das outras, uma imagem com vida, e a vida que ela queria para si.

Ouviu a freada brusca do carro, correu…

Dor… uma pontada forte a incomodava na cabeça…

Vozes… podia ouvir vozes indistintas vindo de algum lugar acima de si…

Sombras… seus olhos não conseguiam enxergar nada mais além de sombras que se juntavam sobre si…

Escuridão… foi a última coisa que teve certeza de enxergar antes de não mais ter consciência do que estava ou estaria acontecendo.

Final do Capítulo Um

Esse fic é dedicado, como vcs devem ter visto, à Shampoo-chan e Palas Lis, não creio que seja niver delas, ou coisa do gênero, mas eu fiz o fic de presente pra elas pra mostrar o quanto eu admiro as duas tanto como escritoras, como quanto pessoas, sempre q posso, converso com elas pelo msn...

Bom, eu creio q elas naum saibam da existência desse fic... pelo menos naum souberam por minha parte, pq desde já naum kero q se sintam na obrigação de ler... simplesmente achei q mereciam e escrevi... mesmo pq até onde eu saiba, ambas cursam a facul e trabalham, realmente naum tem tempo nem para as próprias fics, dificilmente para ler outras que desejariam ler...

Então, basicamente eu keru q kem leia esse fic saiba q eu as considero ótimas autoras e com certeza merecedoras de um fic, mesmo sendo meu... -.-'

Espero q akeles q leram tenham gostado e se acharem q eu mereço, ficarei feliz em receber reviews...

Bjus da Mitz-chan!