Capitulo Um: Dois Mundos Quase Iguais!

Passado...

Sabe quando você acorda e percebe que aquele dia miserável vai te trazer algo que você não vai gostar? Pois é, eu acordei com esse sentimento estranho...

Primeiro, minha querida irmã me acordou daquela forma carinhosa, linda, que eu aprecio tanto...

- ACORDA, ANORMAL!

Quase caí da cama, tamanho o meu susto, com esse pequeno berro esganiçado. Na boa, minha irmã Petúnia deve sofrer seriamente de um distúrbio mental.

Depois de acordar super bem, desse jeitinho delicado de ser, fui tomar banho e não tinha água quente.

- Puta que o pariu!

Não deu para me controlar, banho frio de manhã é horrível, ainda mais para mim, que detesto água fria.

Saí apressada para o café e percebi que a segunda pessoa mais insuportável da Terra – Valter Dursley - estava na mesa. Falo segunda, porque o primeiro irei ver só mais tarde.

Voltando... Meus córneos não batiam com o Valter Dursley, o namorado idiota da minha irmã, nem se eu forçasse muito e pedisse ajuda celestial! Ignorei por completo para não perder a cabeça logo de manhã.

- Bom dia, filha! – meu pai me cumprimentou todo sorridente.

Juro que queria ser alegre como o meu pai de manhã!

Sorrindo com muito custo, sentei ao lado de sua cadeira e depositei um beijo em seu rosto.

- Dormiu bem? – perguntou todo carinhoso, e vi de soslaio Petúnia cochichar no ouvido do saco de banha do namorado dela.

Respirando fundo e contado até dez, balancei a cabeça. Mamãe colocou as panquecas na mesa com um sorriso amoroso para mim e depois sentou do outro lado, ao lado de papai.

Comecei a comer em silêncio, aproveitando o delicioso desjejum, quando a voz da minha amada irmã grasnou, chamando atenção de todos na mesa.

- Papai, Valter e eu iremos sair e precisamos do carro. – Detestava o modo que ela falava. Sempre autoritária, mandando em todos.

- Desculpe, Petúnia querida, mais irei levar Lily para a estação de trem.

Pronto! Só aquilo foi necessário para minha irmã fazer um escândalo e me xingar de anormal a cada cinco segundos. Mamãe gritava com raiva para que ela parasse de me chamar assim, enquanto o saco de banha ria da minha cara.

Tentando não cometer um crime, nem furar o olho daquele imbecil com minha varinha, sai da mesa, sem que ninguém tivesse me notado realmente, e segui para o meu quarto, para terminar minha mala.

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Presente...

- Ô folgado, acorda! – escutei a voz de meu amigo longe. – HARRY ACORDA, ESTAMOS ATRASADOS!

Rolei assustado pela cama e caí com tudo no chão.

- Ai... – Minha cabeça tinha batido com força no chão e tudo estava embaçado.

- Foi mau, cara, mas você nem se mexia. Parecia morto. – Enquanto eu tentava me achar, no meio daquelas cores fortes embaçadas, Rony me esticou meus óculos. – Mamãe não quer que agente se atrase.

Levantei e percebi que Rony já tinha se arrumado. Peguei minha toalha que estava no espelho da cama e segui para o banheiro. Um banho gelado iria me acordar e esfriar um pouco meu corpo do sonho quente que eu estava tendo.

Se algum Weasley imaginasse que tipo de sonho era, poderia me considerar um cara estéril. Para falar a verdade, um cara estéril e morto!

- AHHHHHHHHHHH! – O grito fino quase estourou meus tímpanos quando percebi que tinha aberto a porta do banheiro e que Gina estava lá dentro, enrolada na toalha, ainda molhada do banho, com os olhos gigantescos em espanto. – SAI DAQUI, HARRY!

Ela continuou gritando e eu percebi que ainda a encarava. Bufando e revirando os olhos, bati a porta, me encostando do lado de fora, de frente a porta, esperando ela sair.

Sorri com a minha sorte, e de uma coisa eu estava certo: o grito tinha servido pra me acordar. Mas eu ainda precisava daquele banho gelado.

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Meu coração ainda batia feito louco dentro do peito. Merlin! Por apenas uns segundos Harry não me pegou completamente pelada! Nua em pêlo! Tinha que aprender a trancar a maldita porta do banheiro. Nunca me lembrava daquilo de manhã. Sempre estava dormindo demais para isso.

Continuei me secando, mesmo que as mãos tremessem demais, e pus minha roupa devagar, ainda pensando como iria encará-lo depois dessa manhã "agitada".

Poxa, mas dessa vez não tinha sido minha culpa. Bom, pensado bem, parcialmente sim, já que eu deixei a bendita porta destrancada, mas eu iria adivinhar que ele iria invadir o banheiro daquele jeito? E ainda mais me olhar daquele jeito?

Sim, porque ele me olhou muito estranhamente. Como se estivesse me vendo pela primeira vez na vida, mas de uma forma bastante assustada.

Me olhando no espelho e respirando profundamente, abri a porta do banheiro tranquilamente pra sair, quando notei que Harry estava de frente para mim com os braços cruzados, os cabelos todo revolto, só a parte de baixo do pijama e uma toalha na mão. Ele tinha acabado de acordar, era notável. E era terrivelmente lindo quando acordava, isso também era muito notável.

Todo meu ar pareceu sumir e me deu uma vontade enorme de correr. Mas me segurei e esperei.

- Me desculpe, Gina, eu ainda estava sonolento. – Engoli em seco e pedi forças a Morgana para responder descentemente.

Mas essa não veio e eu fiquei feito uma idiota o encarando, e sem dizer uma só palavra. Eu tinha desenvolvido essa mania terrível de encarar os outros sem dizer uma só palavra.

Enquanto encarava, desci meus olhos pelo seu corpo descaradamente, ele tinha a barriga toda de gominho, os braços fortes, ombros largos. Uma postura sexy, marcante.

Merlin amado, ele era todo perfeito!

Quando percebi que tinha feito papel ridículo na demora absurda para lhe responder, e que aquilo iria me custar alguns momentos de autoflagelo, respondi com a primeira palavra que saiu da minha boca.

- Valeu! – "Ai meu Merlin! Como assim, valeu Gina? Que porra de resposta sem sentido é essa?!"

Fechei meus olhos, prendendo minha respiração, não acreditando na minha burrice e falta de senso, e só pude sair quase em disparada para o meu quarto, querendo enfiar a cabeça num buraco.

Eu me odeio com todas as minhas forças. De verdade!

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Passado...

O caminho até a estação de trem tinha sido um verdadeiro martírio. Por dois motivos. Primeiro: papai adorável e de coração mole tinha prometido emprestar o carro para Petúnia. Segundo: para Petúnia pegar o carro, ela teria que ir junto com a gente para a estação. Ou seja, papai querido tinha obrigado minha adorável irmã a se despedir de mim, como uma família linda e feliz deve ser.

Como se isso fizesse alguma diferença para mim ou para ela!

O fato era que Petúnia, a todo o momento durante a viagem até a estação, soltava aquelas tiradas ridículas dela, e ainda por cima, o saco de banha estava junto conosco. Era um castigo completo.

Eu iria para o céu, disso, eu não duvidava mais.

Quando chegamos, fui direto pegar minha bagagem e me pus a andar em direção a estação 9 ¾, querendo por tudo fugir daquela loucura toda. Papai e mamãe estavam meio tristes por eu ter que ir, mas entediam que era importante pra mim.

Me abraçavam a cada cinco segundos e faziam várias recomendações. Pediam para que eu escrevesse sempre e lhes dessem mais orgulho. O normal de todos os anos. Mamãe já estava com os olhos cheios de lágrimas, enquanto papai tentava permanecer forte. Petúnia, que tinha sido praticamente arrastada para vir, fazia umas caretas na minha direção, quando nossos pais não estavam olhando.

Deus! Ela era tão infantil às vezes!

Vi alguns amigos meus e os cumprimentei com um aceno, mas permaneci ao lado dos meus pais, pois sentia sempre muita saudade deles quando partia para Hogwarts. Passados alguns minutos, onde eu ria com o comentário de papai sobre umas roupas bruxas, vi a primeira pessoa mais insuportável da terra. E sabe o que é péssimo? Meus pais são completamente loucos por ele. Muito injusto!

- Senhor Evans! Senhora Evans, como vão? – o ser falou todo cheio de dentes, me encarando.

Juro por tudo que é mais sagrado que deu vontade de socá-lo.

- James Potter! O rapaz de ouro! – Meu pai é tão exagerado...

O cretino abriu um sorriso maior ainda diante do elogio do meu pai. E virou todo educado para minha mãe, como um bom cavalheiro.

- Senhora Evans, a senhora continua cada vez mais linda. – Acho que vou vomitar... descarado, jogando charme para minha mãe?

- Obrigada, querido. – Minha mãe tinha corado feito uma garotinha... ninguém merece!

- Lily, como foram as férias? – Tudo foi ficando negro diante de mim. Ele tinha muita coragem para falar comigo.

- É Evans, Potter, e minhas férias foram ótimas porque não vi sua fuça! – O sorriso dele vacilou um pouco, porém, não se desfez.

- Lilian, que modos são esses? – minha mãe me reprimiu, mas desta vez eu ignorei.

- Não se preocupe, senhora Evans, no fundo eu sei que Lily morreu de saudades minhas. – Tive ganas de gargalhar e foi exatamente o que fiz.

- Só nos seus sonhos Potter. – E ainda rindo da cara do Potter, saí de perto deles, porque poderia vomitar a qualquer momento, e segui para onde minhas amigas estavam.

Chegando lá, percebi que Marlene brigava com Alice e esta tinha a face abaixada, fitando os pés, com um sorriso bastante travesso.

- O que eu perdi? – perguntei curiosa.

- Essa doida disse para o Black algo imperdoável – Lene respondeu com as mãos na cadeira.

E como se o que a morena tivesse dito fosse a coisa mais engraçada do mundo, Alice começou a rir e se sacudir no mesmo lugar.

- Você ainda ri, sua traíra? – Com essa pergunta, Alice riu mais ainda. – Você não presta, sua tampinha.

- Meninas o que houve? – minha curiosidade estava mais aguçada.

- Alice disse para o Black que nessas férias inteiras eu sonhei com ele e lhe chamei durante todas as noites. – Quando Lene terminou, estava com os olhos acesos de raiva, e aquilo foi engraçado demais, e, assim como Alice, eu não consegui conter minhas risadas.

Lene inchou ainda mais - se é que era possível - de raiva, e cruzou os braços diante do peito, indignada por nossas gargalhadas.

- Isso, isso mesmo, riam da amiga de vocês. – Já estávamos nos dobrando em risadas. – Eu queria ver se fossem vocês, as injustiçadas.

- Lene, você sabe muito bem que Alice tem razão, você fala dormindo – eu falei meio arfante.

- Mas, por que falar para aquele filhote de cruz credo que eu sonhei com ele? – Gargalhamos mais ainda. – Foram pesadelos, 'tá? PE-SA-DE-LOS! Entenderam?

Alice e eu olhamos uma para outra, e como se combinássemos, caímos em mais uma gargalhada sonora.

- Ok! Eu desisto! Eu desisto completamente!

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Me despedi dos pais da minha querida Lily e vi meu amigo com um sorriso de orelha a orelha vindo em minha direção.

- Por que esse peito tão empinando? 'Tá parecendo um pombo, Almofadinhas – comentei com o meu amigo que parecia estar com o peito inchado de orgulho.

- Acabo de descobrir uma coisa que me fez muito feliz, meu caro Pontas.

- Que eu sou mais bonito que você?

- Há controvérsias. – Gargalhei em resposta. – Mas não é isso. Acabo de descobrir que nossa queria Lene sonhou o verão inteiro comigo. – Ele parecia flutuar de felicidade.

- Tem certeza que foram sonhos e não pesadelos?

- Muito engraçado, Pontas!

- Como ficou sabendo disso?

Ele chegou mais perto de mim para cochichar.

- A tampinha me contou.

- Alice?

- Conhece outra tampinha? – Sorri. – E você? Agradando os pais da fera?

- Apenas me comportando como o bom menino que sou. – Fiz uma firula para meu amigo e esse riu.

- Sabia que hoje em dia não existe mais casamento arranjado?

- Que calúnia, Almofadinhas! – me fiz de ofendido e Sirius achou graça.

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Presente...

O caminho para a estação estava sendo uma festa, com os gêmeos o tempo todo irritando Rony, e Mione e eu rindo sem parar. Senhora Weasley a todo o momento virava para trás para brigar com a gente no velho carro reformado da família. Mas isso não adiantava muito, em meio àquela bagunça toda.

A única que não participava daquilo e evitava a todo custo me encarar era Gina, que seguia o caminho olhando pela janela, muito concentrada.

Até entendia, na certa estava com vergonha do que eu a fiz passar. Mas convenhamos que a culpa não tinha sido totalmente minha, já que ela tinha esquecido a porta destrancada! E de manhã, eu demoro um tempo relativamente grande para acordar totalmente. Então, sendo assim, Gina devia ter mais cuidado.

Sorri sem me conter, quem eu estava enganando? Eu tinha gostado de pegá-la daquele jeito. Tinha sido a primeira vez que eu a via tão desprovida assim de roupa, e confesso que foi praticamente impossível não pular em cima dela.

Diabos, ela tinha se tornado tão linda com o passar dos anos, que só um cego não veria o que eu vejo. E olha que eu sou bem cego, hein!

Os cabelos vermelhos, sua marca registrada, desciam como um manto rubro pelas costas, lisos e perfeitos, parecendo tentadoramente macios. O rosto oval, com maçãs rosadas salpicadas por pequenas e charmosas sardas. Os olhos de um castanho enigmático, profundo. A boca carnuda, vermelha como um fruto maduro, sensual, que ela insistia em morder sempre que estava pensativa.

O corpo, esguio, com curvas perfeitas. Seios arredondados, do tamanho proporcional, a cintura fina, ancas largas, com pernas longas e brancas como leite, que ela fazia questão de mostrar com os shorts curtos que usou por todo verão, para o meu total desespero. Era perfeita, e eu me perguntava o porquê de só notar essa perfeição esse verão.

Eu era o idiota mais cego do planeta!

E agora que eu a percebo, sou impossibilitado de ficar com ela... Oh, vida cruel!

Resmunguei baixo com minha frustração, e de certa forma aquilo atraiu sua atenção, que direcionou seus olhos mel para mim num olhar quieto, misterioso.

Oh! Céus, eu amava aquele olhar dela!

Se ao menos ela soubesse disso...

Não consegui me desviar, mesmo que lá dentro eu soubesse que era o certo a fazer, eu apenas continuei encarando e tentando decifrar todo aquele mistério que ela guardava pra si. E da mesma forma que aquilo tudo começou, terminou, com Gina voltando a atenção para a janela, como se eu não passasse de uma barata incômoda.

Engoli em seco e soltei a respiração que tinha prendido com aquele olhar. Era tolo, mas ela parecia olhar pra minha alma quando me encarava daquele jeito. E me incomodava. Incomodava não poder fazer nada e ter que ser totalmente indiferente.

Eu não podia tê-la.

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Eu sempre detestei sair com minha família. Não que eu os detestasse. Não, isso não. Eu apenas não gostava de sair com eles, muito menos quando tínhamos companhia. Meus irmãos exibidos tentavam a todo custo tirar gargalhadas de todos, e cada vez que isso acontecia, a exibição aumentava, e aquilo me irritava. Era tão infantil. E eu detestava infantilidade. Eu até tinha pena do pobre Rony que sempre era o visado nas brincadeiras, sempre de mau gosto, e que faziam meu pobre irmão quase perder a cabeça.

Mas por outro lado, esse exibicionismo bobo era legal quando certas companhias estavam com a gente, pois assim pelo menos podia vê-lo sorrindo. E ele merecia sorrir, merecia ficar alegre, principalmente agora que estávamos voltando para o colégio, onde provavelmente aconteceria alguma coisa para deixá-lo triste.

Não que eu seja pessimista, na verdade sou até bem otimista, mas também sou realista, e sabendo que o destino dele é tão marcado, fica difícil pensar o contrário. Ele é o herói, o escolhido, o que todos crêem que vai livrar o mundo do mal, o que toma as dores de todos para si e vem derrotando Você-Sabe-Quem a cada batalha.

Sinceramente, não acredito que esse ano para ele vá passar em branco.

Enquanto tentava ignorar as brincadeiras sem graça de Fred e Jorge, vendo a paisagem que passava rápido pela janela do carro, ouvi um resmungo familiar, e por mais que eu quisesse ignorar, não consegui. Meus olhos, que eram teimosos e em certos momentos criavam vida própria, nunca obedeciam ao comando de simplesmente não olhar.

E lá estava eu, olhando para aquelas duas pedras verdes que eram os olhos de Harry Potter.

Puxei o ar com força e soltei devagar, fazendo força para não corar, e não desviei o olhar. Não que eu quisesse ficar encarando, mas minha mania também me dominava e não me deixava alternativa a não ser encarar.

Os cabelos estavam molhados ainda, arrepiados para todas as direções possíveis; os olhos verdes brilhantes como duas folhas de uma planta nova, ou a mais pura esmeralda, me fitavam, emoldurados por aquele óculos redondo, tão característico e tão único. A boca numa linha fina, o maxilar apertado, como se estivesse contendo algo. Tão sério...

Eu não sei por quanto tempo nos encaramos sem dizer nada, expressar nada, apenas olhares profundos, olhares especuladores. Apenas sei que em um determinado momento desviei o olhar, não agüentando mais aquela queda de braço inútil. Eu não queria corar nem cometer uma besteira por conta dos meus hormônios malucos, e se continuasse a olhá-lo daquele jeito e receber aquele olhar de volta, corar seria uma das minhas últimas preocupações.

"Se não quer conseqüências, não arrume os atos!"

Frase de Molly Weasley que faz todo sentido agora...

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A estação estava atolada de alunos. Alguns correndo alegres de encontro aos amigos, outros levando seus malões para o expresso. Despedindo dos pais.

Eu empurrava o carrinho que dividia com Mione. Seu malão em cima do meu e Edwiges piando dentro da gaiola cheia de vontade de sair.

- Calma, menina, logo a soltarei – murmurei tentando acamá-la.

- Acho melhor vocês levaram as bagagens para o expresso, e depois podemos nos despedir com mais calma – senhora Weasley falou ao mesmo tempo em que ajudava Gina com seu malão.

- Mamãe, não precisa se preocupar, eu consigo carregar o meu sozinha – ouvi Gina protestar.

- Vamos, Harry, achar uma cabine para nós ficarmos – Rony falou, enquanto Mione se colocava ao meu lado.

- Rápido para podermos nos despedir de seus pais, Ron. – Ele revirou os olhos e seguiu encabeçando a fila em direção ao expresso.

Encontrar uma cabine vazia tinha sido fácil, foi logo a terceira. Nos acomodamos, jogando os malões pra cima.

Tive oportunidade de ajudar Gina nessa tarefa, mas procurei evitar, então, fiz de conta que estava procurando algo no corredor do expresso. Rony logo foi ao auxílio da irmã, e, depois de terminar, saímos para nos despedir do Senhor e Senhora Weasley.

Cada um de nós ganhou um abraço de urso da matriarca da família, um banho de lágrimas e recomendações. O patriarca já foi mais controlado, e apenas nos deu um abraço e sorrisos cúmplices.

No final de tudo, apenas seguimos em direção ao nosso vagão, rumo a Hogwart.

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Passado

Marlene continuava com uma tromba enorme, e eu não conseguia controlar algumas risadas que escapavam quando eu olhava sua cara revoltada.

- Lene? – perguntei contendo o riso.

- Não enche, Lily!

- Não seja rude, Lene! – Alice rebateu.

- E você cale a boca, tampinha! – Marlene quase gritou.

- Mas que mau humor, credo! – Alice respondeu tranqüila.

- Lene relaxe... – tentei apaziguar.

- Não vou relaxar, ainda não acredito que fui traída pela minha própria amiga.

- Você está sendo dramática – comentei.

- Estou sendo realista. – Lene era tão cabeça dura.

- Sirius não levou isso a sério, Lene.

- Aquele cachorro asqueroso deve estar espalhando para o colégio inteiro, Lily.

- Não acho que Sirius faça algo do tipo – Alice defendeu.

- Alice, você é a melhor amiga dele, não vale de nada sua opinião.

- Magoei. – Deu vontade de rir da cara de falsa mágoa de Alice.

De repente, em meio à discussão, a porta da nossa cabine se abriu e dela pudemos ter a visão dos rapazes mais lindos de Hogwarts. James Potter, Sirius Black, Remo Lupin e Pedro Pettigrew. Meu ar por alguma razão ficou alguns segundo rarefeito.

- Podemos entrar? – perguntaram juntos.

- Não – respondemos Lene e eu, mas é claro que Alice tinha que contrariar.

– Sim! – Olhamos pra ela sem acreditar, querendo lhe arrancar a cabeça. - Podem entrar, meninos, fiquem à vontade. – Dessa vez, nossos olhos arregalaram para tamanho de pratos.

- Alice, o que está fazendo? – murmurei baixinho para a tampinha, enquanto James sentava na minha frente com um sorriso de 32 dentes.

A desalmada ignorou minha pergunta completamente, começando uma conversa animada com Lupin.

Odiava quando Alice tomava a frente de tudo, não nos deixando outra alternativa, a não ser aceitar.

- Lily? Já te chamei pra sair hoje?

Ai, Deus! A viagem pelo jeito seria muito longa...

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Juro que fui um ser humano muito ruim na minha outra vida. Só isso explica o fato de ter que aturar esse idiota super egocêntrico ao meu lado.

- Você sabe do que eu soube, Lene? – Ele estava tão perto que roubava meu ar.

- Que você é um babaca? – ironizei.

- Que você tem sonhado demais comigo. – Corei feito uma retardada.

- Eu já lhe disse que o odeio, Black? – Ele sorriu todo contente com essa pergunta.

- Não hoje, Lene, querida. – Será que eu falava grego e aquele infeliz não entendia?

- Vê se me erra, Black!

- Impossível, sendo tão linda. – Corei de novo. Ai, Merlin, amado, eu me odeio.

- Arfh! Ninguém merece! – gritei nervosa, saindo da cabine em seguida. Eu precisava respirar.

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Lá estava eu, olhando para aquele idiota na minha frente tentando, em vão, jogar seu charme de araque pra cima de mim. Era anormal, sabe? Sem nexo!

Até hoje, eu não consegui compreender por que aquele imbecil resolveu me pegar para Cristo; todo ano era a mesma coisa, eu fugia dele com o Diabo foge da cruz, e o infeliz parecia se divertir com o meu desespero, e a cada ano, colava mais em mim.

Era castigo, Deus não gostava da forma que eu me comportava diante dos meus pais. Só podia ser isso.

Lógico, eu também não era cega ao ponto de achar ele horrível, claro que não, James até que não era de jogar fora: alto, corpo másculo, cabelos negros e arrepiados, olhos castanhos e uma boquinha vermelhinha que dava até vontade de morder. Mas mesmo assim, nada a ver!

E sim, não poderia esquecer o detalhe mais importante: GALINHA; isso mesmo, galinha, acho que não existe outro ser no mundo mais galinha do que James Potter. Bem, quer dizer, tem o Sirius, mas com certeza é um páreo duro; acho que o nojento do Potter já saiu com toda a população feminina de Hogwarts, e quando eu falo toda a população, eu falo toda ela mesmo.

O tarado, maníaco, perturbado sexualmente, não perdoa nem as primeiranistas! Certo, certo, 'tô exagerando, é claro que as primeiranistas ele não "pega". Mas as secundanistas era uma verdadeira dúvida pra mim!

Todos os dias, eu vejo o desgraçado com uma garota diferente, parece que não cansa. Todo dia uma pobre coitada é iludida pelo maléfico James Potter. Eu sei que elas também não prestam por ficar com ele, mas que o sem mãe já tinha brincado com os pobres corações femininos de metade de Hogwarts, ahhhh! Isso ele já tinha feito.

As horas naquela cabine do Expresso Hogwarts pareciam se arrastar, ainda mais com aquelas amigas muquiranas e os projetos de gente em minha frente, realmente era pagar todos os pegados cometidos e os que eu ainda irei cometer.

Lene, que parecia ter discutido com Sirius, tinha se mandado da cabine com ele em seu encalço. Alice conversava alegremente com Lupin e gargalhava como se nada estivesse acontecendo. Pedro parecia cochilar no banco ao lado de James, mas caindo em direção contraria a ele. Meio bizarro, levando em consideração a baba que escorria pelo canto da boca aberta dele. Nojento.

Ou seja, eu estava no inferno e nem tinha notado ainda. Quer dizer, tinha notado agora!

- Vamos lá, Lily... – escutei o imbecil quatro olhos falar pela milionésima vez.

Fechei os olhos e respirei profundamente contendo a vontade de mandá-lo para o inferno.

- Potter, você deve sofrer de um sério distúrbio mental. Ou adora masoquismo. – Ele sorriu. Céus o que havia com aqueles garotos em especial?

Porque sempre que a gente os tratava mal, os infelizes sorriam como uma miss universo que acaba de ganhar? De verdade, era muito assustador aquele tipo de atitude!

- Calma, Lily - falou sorrindo sedutoramente, e, droga, o infeliz ficava lindo demais rindo. – Você está muito estressada. - Terminou com aquele sorriso de derreter iceberg.

- Eu estou muito calma, Potter. Acredite, você nunca me viu estressada. – Falei tão séria, que sorri quando o vi engolir em seco.

- Que tal uma volta? – Tive que encará-lo com minha cara mais descrente.

- Uma volta? Com você? – Ele concordou sorrindo, enquanto se aproximava. – Nem se eu estivesse louca varrida!

- Com medo, Lily? – Fechei a cara na mesma hora.

Preciso dizer uma coisa que não disse antes. Eu tenho um pequeno defeito, que é bastante incômodo. Não posso ser desafiada. É como uma ofensa horrorosa para mim se alguém, por um segundo sequer, me desafiar, me provocar; eu vou fazê-lo engolir areia de alguma forma por ter ousado ter feito tal coisa comigo. Funciona mais ou menos assim. Entende o porquê de eu ter fechado a cara para o imbecil do Potter?

- Eu não tenho medo de nada, Potter – falei com raiva.

- Então vamos dar aquela volta que eu te falei? – Deus! Já disse que detesto esse moleque metido?

- Estou bem aqui, Potter. – Não iria ser tão fácil.

- Anda, Lily, é só uma voltinha, não vou arrancar pedaço. – Cretino!

- Não enche!

- Ah! Ruivinha... assim vou achar que está com medo de verdade.

- Já disse que não estou. – Que vontade de sumir, Senhor!

- Então prove! – 1, 2, 3... – Venha comigo. – 4, 5, 6...

Puxei sua cabeça para perto da minha, segurando sua gravata. Nossos rostos estavam a milímetros um do outro.

- Se você tentar algo, eu juro que te deixo estéril. – E sem esperar resposta, deixei a cabine, caminhando pelo corredor, puta, com James atrás de mim.

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Quanto mas eu corria pelos corredores daquele trem velho, mais o cachorro do Black corria atrás de mim. A única diferença era que eu o xingava de tudo que era nome, enquanto ele continuava gargalhando às minhas costas.

- Black, volta para a sua corja e me deixe em paz! – gritei revoltada, entrando numa cabine vazia e batendo a porta.

- Prefiro ficar com você. – Arfei indignada.

- Você é uma peste, sabia? Daquelas chatas que grudam e não largam de jeito nenhum! – Cruzei os braços o encarando.

- E você é uma dramática, linda e que eu estou louco para beijar. – Meus braços que estava rígidos cruzados, descruzaram na hora, moles feitos geléias.

- O quê?- sussurrei fraquinho.

- Será que você não entende, Lene, que eu sou absolutamente louco por você? – Agora eram minhas pernas que estava como geléias.

- Isso não tem graça, Black – minha voz saía tão baixa, que ele só ouvia por está muito perto de mim agora.

- Não. Não tem. – Ele passou os braços ao redor da minha cintura. – E é Sirius, lembra?

- Não vai dar certo. – Nossos rostos estavam próximos.

- Me deixe tentar, pelo menos.

- Não posso.

- Por que não? – Sirius olhava fixamente para os meus lábios.

- Você vai brincar comigo. – Choraminguei um pouco quando senti seu hálito perto da minha boca. – Vai me descartar.

- Não vou, Lene. Juro que não vou. – O aperto dos seus braços no meu corpo se acentuou.

- Sirius, por favor... – implorei. Pelo o quê? Eu não sabia.

- Não precisa implorar de novo, meu amor. – E não me dando direito de resposta, ele acabou com o espaço que existia entre nós.

Sua boca tocou tão delicadamente a minha, que meu coração parou por um tempo indeterminado. Era quente, macia, e se encaixava perfeitamente, como se tivesse nascido apenas com aquela função.

Minhas pernas falharam e eu levei os braços ao redor do seu pescoço, me segurando bravamente a ele. Me sentia como se estivesse me afogando e agora Sirius tivesse aparecido para me salvar.

Sua língua passou devagar pelos meus lábios pedindo passagem, não lhe neguei, não tive forças para isso. E ela invadiu minha boca, morna, exploradora, me levando ao céu em questão de segundos.

Maldição! Não acreditava que estava beijando Sirius Black por livre e espontânea vontade. Iria me flagelar pelo resto da vida. Era fato. Mas como eu podia lidar com alquilo? Fugir? Eu não era forte o bastante. Era grandioso demais para que eu meramente pudesse conter.

Sua mão que até a pouco estava nas minhas costas, a acariciando, subiu em direção a minha nuca, me deixando a beira do desespero. O rastro quente, marcante, fez todos os pêlos do meu corpo gritar em êxtase.

Gemi. Gemi por puro delírio, e como resposta àquele gemido, Sirius me empurrou em direção à parede da cabine que estava atrás de mim. Nossos corpos se colaram inteiramente. E dessa vez quem gemeu foi ele. Longamente.

Mais motivada, enfiei meus dedos em seus cabelos, sentindo os fios sedosos deslizarem por eles, arranhando sua nuca. Sirius me pressionou mais forte contra a parede, soltando minha cintura e segurando borda da janela as minhas costas. Estava quase se fundindo a mim, só um milagre não fazia com que a gente atravessasse aquela janela da cabine. Sentia seu corpo todo no meu. Nossas pernas quase entrelaçadas. As bocas se buscando incansavelmente, num espiral sem fim.

Estava quente. Quente demais naquela cabine. Jamais devia ter deixando as minhas amigas.

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Estávamos caminhando há um bom tempo e aquilo me intrigou um pouco, pois James não era de deixar uma oportunidade como aquela em branco. Sempre que podia, e sempre que estávamos a sós, tentava me beijar. Ele era assim! Insistente e bastante irritante.

- Qual é o plano? – Não agüentei ficar calada naquele silencio todo, enquanto caminhávamos pelo corredor do expresso Hogwarts.

- Como? – Por um segundo, achei ter perturbado seus pensamentos, pois James não parecia estar ali ao meu lado. Não mentalmente, pelo menos.

- Você quieto, sem tentar nada? – O sorriso safado dele foi impagável.

- Quer que eu tente, Lily? – Revirei os olhos.

- Muito engraçado!

- Não te entendo. Fica chateada quando eu faço alguma coisa. Mas também fica chateada quando eu não faço. O que você quer realmente, Lily? – Paramos no meio do corredor, ficando um de frente para o outro.

- Que você suma da minha vida – falei direta. – Mas acho que isso já é pedir um pouquinho demais ao Criador.

- Por que você é assim, Lily?

- Assim como?

- Fria.

Fiquei espantada com aquela pergunta e, por segundos indeterminados, não consegui responder nada, apenas encará-lo chocada demais com aquela afirmativa.

- Por que diz isso?

- Só acho que você deveria mudar sua forma de pensar. – James me encarava tão aficionado, que me desconcertava.

- E isso obviamente inclui você? – Droga! Sempre me dava tremedeira quando conversava com ele.

- Nunca se perguntou o porquê de minha obsessão por você? – Ele deu um passo em minha direção e eu me colei mais à parede às minhas costas.

- Devo ser uma espécie de prêmio difícil de ganhar. – Eu não sei explicar, mas de alguma forma tinha ferido seus sentimentos. Era visível.

- Você não tem idéia do que diz. – Fiquei sem graça quando ele se aproximou mais. – Já gostou de alguém, Lily? Já amou alguém? – Engoli em seco.

Meu rosto esquentou significantemente e fiquei sem saída, quando James me encurralou, não me deixando alternativa, a não ser fita-lo de volta.

- Já precisou ficar perto de alguém, tanto que até dói? – Minha respiração começou a ficar ofegante. – Já sentiu vontade de ficar com uma pessoa de qualquer jeito, mesmo que ela te odeie? – Meus olhos sem motivo marejaram. – Já sentiu vontade de tocar alguém nem que seja por um milésimo que fosse, apenas para sentir a textura da sua pele? Já sentiu seu coração bater enlouquecido no peito apenas por ver alguém? Já sentiu vontade de beijar alguém, tanto que achou que fosse morrer se não o fizesse? – A cada pergunta, ele ficava mais perto de mim.

- Por que está me dizendo essas coisas? – minha voz saiu fraca.

- Porque é exatamente como eu me sinto com você. – Foi como uma pancada sem aviso direto na cara. Não consegui dizer absolutamente nada.

E como se nada tivesse acontecido, James se afastou e me deixou ali, estática no corredor, sem saber ao certo o que me atropelou.

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Presente...

Rony e Mione tinham ido para a reunião de monitores e eu, por livre espontânea pressão, fiquei fazendo companhia a Harry.

Mas como fazer companhia para alguém que você mal consegue abrir a boca?

Comecei a olhar a vegetação que passava rápido pelas janelas da cabine e procurei pensar em algo para falar que não soasse completamente idiota.

- Acho que nunca ficamos sozinhos. – Engoli em seco e me virei, ele estava na minha frente, me fitando intensamente.

- É. – Devolvi o olhar e esfreguei uma mão na outra. – Rony e Mione não vão demorar.

- Eles ainda vão monitorar todos os vagões.

- Verdade. – Sorri sem graça. – Então vão demorar.

- É.

Seguiu um insuportável silêncio que por pouco eu não gritei para tirar aquele sufoco que estava sentindo. Não gostava de ficar sozinha com Harry em canto nenhum, e não era por ele ser uma má companhia, e sim por não saber o que falar.

Nós não éramos amigos, éramos apenas conhecidos por conveniência. Ele era o melhor amigo do meu irmão que passava o resto das férias na minha casa. Apenas isso. Não tínhamos intimidade, não falávamos de nada, e ele raramente me dirigia à palavra. A não ser, é claro, numa situação embaraçosa como essa. Na boa, só não vou embora porque ficaria muito chato!

- Pensei que você estaria com o Dino. – Desviei minha atenção dos meus devaneios chocada com a pergunta.

Harry queria que eu estivesse com o Dino? Era isso? Que preferia viajar sozinho, a ter a mala – que sou eu, óbvio! - sem alça com ele?

- Avisei ao Dino que lhe faria companhia – respondi, e pra falar a verdade, nem sabia por que tinha dito aquilo.

Era verdade, tinha avisado ao Dino que faria companhia para Harry, o que não tinha lhe agradado, mas não tinha lógica dizer aquilo a ele. Não tinha nada a ver.

- Não precisava se preocupar comigo.

- Agora já está feito – falei grossa.

- Pode ir se quiser, eu estou bem. – Aquilo me emputeceu.

- Está tentando me expulsar daqui de alguma forma?

- De maneira nenhuma. – Harry também pareceu alterado.

- Ótimo!

- Ótimo!

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Ela era louca ou que? Droga, eu sou educado e ela vem desse jeito todo grosseiro, e só faltou pular no meu pescoço! Que ruiva mais doida.

Que mal havia em perguntar o porquê de ela estar aqui comigo e não com o namoradinho dela? Era uma coisa obvia, não? Sou curioso, pombas!

E a tromba dela não me deixava alternativa a não ser perguntar o porquê de ela estar ali comigo e não com o Dino? Estava na cara que detestava me fazer companhia. E era estranho. Não tínhamos intimidade, trocávamos poucas palavras um com o outro. Éramos como dois estranhos.

Droga! Eu não queria que fosse assim, seria tão mais fácil levar o que eu sinto se pelo menos tivéssemos uma amizade. Pelo menos falaria com ela... Mas eu não podia, não enquanto tentávamos esconder ela de Voldemort. Se ele pudesse sonhar com o poder que está selado no corpo dela... Nem sei o que dizer, é algo perigoso demais.

E esse era o porquê de me manter afastado dela. O miserável tinha ainda uma linha de ligação comigo, pouca, mas relevante, que podia fazer estragos ao menor dos meus deslizes. Dumbledore, que estava a comando de meus treinamentos, dizia que aquilo estava com os dias contatos, graça ao poder dos elementos que eu havia desenvolvido.

Mas, mesmo assim, a distância era melhor para nós dois, para evitar qualquer perigo eminente.

Dumbledore só não sabia o quanto aquilo estava sendo difícil para mim, com todos aqueles negócios estranhos acontecendo comigo. Já fazia uns dois meses que tinha começado os arrepios sem mais nem menos, o frio na barriga, o calor... E tudo por culpa dela.

Gina Weasley. Por que ela? Por que logo a irmã do meu amigo? Por que a garota justamente que sou proibido de me aproximar?

Era castigo... só podia ser...

Esse ano seria horrivelmente longo.

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Passado...

A minha suave conversa com James não tinha me deixado voltar para a cabine, não queria ter que fitá-lo tão cedo. Passei toda a viagem conversando com Severo em uma cabine longe de olhares curiosos. Pelo menos ele não me colocava em nenhuma saia justa, onde eu ficava sem saber o que fazer.

Chegamos à estação de Hogsmeade e eu, como monitora, estava ajudando os pequenos.

Logo pude avistar Remo chegando e se desculpando pela demora, falei que não tinha problema e começamos a ajeitar a bagunça de crianças que se encontrava ali. Logo partimos para Hogwarts, nas carruagens.

Quando chegamos ao salão principal, pude ver Dumbledore, sentado, imponente, com seus olhos vidrados no salão, prestando atenção em tudo e em todos, senti seus olhos azuis em mim e um sorriso confortador em minha direção, não pude deixar de retribuir o gesto, seu sorriso sempre me deixava com paz de espírito.

A seleção dos alunos do primeiro ano foi tranqüila, o discurso do Prof. Dumbledore também e nessa hora minha amigas de quarto, Lene e Alice, já tinham chegado e se encontravam ao meu lado. Mas não dei muita atenção para elas, que pareciam ainda brigadas, já que minha cabeça estava no mundo da lua, por conta das palavras do Potter. Ainda as sentia fazendo eco na minha cabeça.

Quando o jantar terminou, saí com Remo da mesa e fui ajudar novamente os pequeninos.

Estava com uma dor de cabeça desgraçada, mas tinha que cumprir com minha obrigação, e ainda por cima tinha que checar o corredor do sétimo andar. Estava rezando para logo aquela tortura acabar, para quem sabe eu desmaiar na cama e só acordar no outro dia, totalmente restabelecida.

Passei pelo retrato da Mulher Gorda deixando Remo com os menores e me dirigi ao sétimo andar.

Já estava há um bom tempo passeando pelos corredores do sétimo andar, e meus olhos parecia não me obedecer, pois sentia uma vontade desesperadora de fechá-los, o silêncio e aquele escuro estava me fazendo sentir mais sono do que o normal. Estava praticamente me arrastando pelo local e não percebi que estava sendo seguida.

Estava tão absorta em meus pensamentos que pensei que iria morrer, tamanho foi o susto que levei. Potter havia me seguido e aparecido do nada na minha frente naquele breu dos infernos, tive uma vontade enorme de pular em seu pescoço e trucidá-lo ali mesmo.

- Me dê um motivo para não matá-lo agora.

- Você me ama loucamente, só que não sabe ainda.

Chiei igual uma panela de pressão preste a explodir e voei em sua direção, querendo assassiná-lo de todas as formas possíveis, e de preferência as mais dolorosas.

James me segurou no ar, o que foi engraçado, se eu tivesse parado para pensar um pouco, mas como minha raiva ainda queimava nas minhas entranhas, não medi esforços, me debati feito louca em seus braços.

- Lily, calma.

- Não me chama de Lily, seu crápula.

Senti minhas costas bater na parede, e doeu. Gemi e James afrouxou o aperto dos meus braços.

- Machucou? Você está bem?

- Vou arrebentar sua cara, seu cretino.

- Lily, você tem a boca muito suja.

- E eu vou sujar a sua com o seu sangue, seu animal.

- Adoro ver você assim.

- E eu vou adorar ver sua cara quebrada.

Ele gargalhou, o que inflamou minha raiva, multiplicando em um milhão. Meu rosto estava quente e meus dentes trincando de vontade de machucá-lo, mas o infeliz era forte demais, e por mais força que eu fizesse pra me soltar, não conseguia soltar meus pulsos, que estavam tão bem seguros pelas mãos dele.

- Se você não me soltar agora, eu vou gritar o mais alto que meu pulmão e diafragma permitirem.

- Vai me bater?

- É claro que sim.

- Então não irei soltá-la.

- Me largue, imbecil.

- Não.

- Vou matá-lo.

- Eu sei. – Quase sorri com sua afirmação.

- Está me machucando.

- Isso não cola comigo, Lily, sei que não estou.

- Vamos ficar aqui a noite inteira?

- Podemos ir para outro lugar se você quiser. – Era muito descarado.

- Quando eu sair daqui, vou azará-lo tanto que você vai pedir misericórdia para Merlin!

- Adoro quando você me ameaça, ruivinha.

- Por que eu, hein? Desencana, procura outra para Cristo!

- Com você é mais legal.

Gritei histericamente, enquanto James continuava a me segurar tranquilamente, como se nada tivesse acontecendo.

- Me largue!

- ...

- Potter, seu cretino, me largue!

- ...

- ME LARGUE! – gritei mais alto ainda.

E ele continuava lá, encarando, com aquele sorriso prepotente no rosto.

- 'Tá sorrindo por que seu imbecil?

- ...

- Pare de rir de mim!

- ...

- PARE DE RIR DA MINHA CARA! – E meu controle emocional começou a se desequilibrar, a ponto dos meus olhos encherem de lágrimas.

Eu sempre chorava quando ficava com muita raiva.

- Eu odeio você... – murmurei quando a primeira lágrima escapou de meus olhos.

Ele não disse nada, mas seu sorriso morreu.

- Sempre rindo, diminuindo as pessoas, se achando o máximo, magoando os outros.

- ...

- Você não presta, e eu te odeio com todas as minhas forças. – Eu não sei explicar o que foi, mas meu coração pareceu diminuir depois dessas minhas palavras.

Estava sendo cruel e aquilo não era de mim. Não costumava ser cruel com ninguém, e de certa forma me senti envergonhada por dizer aquelas coisas, porém, já era tarde demais para consertar qualquer coisa.

- Você tem razão, sou um imbecil. – Engoli em seco quando ouvi sua voz ressentida, e só pude abaixar a cabeça, não conseguindo encará-lo. – Mas...

- Mas?

- Me desculpe. – Fiquei tão chocada com o pedido, que paralisei e nem me dei conta de que ele havia me soltado.

-Não precisa se desculpar comigo – murmurei envergonhada.

- Preciso sim. Nunca quis deixá-la triste. Meu desejo sempre foi vê-la sorrir. Por favor, Lily, me perdoe por ser tão infantil.

- James, não é necessário...

- Sim, é! Lily... – Fiquei muito sem graça com súbita aproximação dele. Estávamos quase que dividindo o ar.

- 'Tá bom! Está desculpado, agora me deixe ir que eu estou com pressa! – falei tentando tirá-lo da minha frente.

- Sempre imaginei que gosto teria seus lábios.

- O quê?

- Ficava pensando... Vermelhos desse jeito, será que têm gosto de morango? – Meu ar ficou rarefeito, quando ele encostou o nariz dele no meu.

- Pára... – A palavra mal saiu.

- Também me perguntava se eles não são doces como um chocolate? – Sua boca roçou na minha, leve, sensual, e meu corpo arrepiou inteiro.

- James, por favor...

- Sua boca é uma tentação, Lily. – Ele pegou o meu lábio inferior e o sugou, o mordendo eroticamente. – Que suculentos eles são. Me deixe prová-los?

- Não...

- Sim, Lily... sim.

E ele me beijou. E meu mundo parou.

Continua...

N/A: Bom por onde eu começo? Vamos pelo inicio né?

Quando eu resolvi escrever essa fic, estava conversando com a Nani pelo MSN, e escrevi as cinco primeiras paginas da historia, e mandei pra ela. Nani adorou e pediu para que eu escrevesse mais. Porem eu estava eufórica com o sucesso de Maninho, e postei do jeito que estava, ou seja, um lixo, cheio de erro, e faltando tudo o que era necessários para a fic ficar legal.

Conforme fui escrevendo os outros cap. Percebi que todos estavam gostando, me dediquei mais, os cap.s começaram a ficar melhores, mandei eles para as betas, contudo, continuava lixo pra mim, pois ainda fugia um pouco do contexto, não tinha começado da maneira que eu queria, e como eu havia iniciado errado, o erro continuava persistindo, mesmo que eu fizesse de tudo para consertar!

Escrevendo o cap. 17, percebi, que o melhor a fazer era começar de novo, e escrever uma coisa bem feita, sem erros, com a historia contada de forma clara, e da forma que eu sonhei exatamente.

Por isso, estou escrevendo novamente, mais sério, com mais dedicação, e sem erros grotescos!

Quero pedir desculpa pra todos que acompanham a fic, e pedir uma chance para a nova fase de CTTM.

Um beijo pra todos...

Obrigado pelo carinho...

Ara Potter (Robert).