Capitulo 2: Um idiota e Um Vira-Tempo

Passado

Cruzei as pernas. Era mecânico já, cada vez que o agudo de Minerva se acentuava em minha direção, eu cruzava as pernas como forma de proteção, tamanha a vergonha que sentia.

Burra!

Sim burra ao quadrado!

Não acreditava que tinha me deixado levar pelo ser mais leviano da escola, apenas porque o idiota falou algumas palavras melosas pra mim. E ainda por cima, ser pega no maior amasso pela professora Minerva!

Eu era uma cretina burra e estúpida!

- COMO PODE SENHORITA EVANS? COMO PODE? NESSA ESCOLA EXISTEM REGRAS! – O grito foi tão agudo dessa vez que eu tinha certeza que meus miolos tinham sido sacudidos.

Arfh! Aquilo não era normal! Tudo bem que eu merecia, mas nenhum ser humano consegue a proeza de falar por tanto tempo, sem parar! Merlin amado, Minerva já estava berrando feito louca há uns bons 30 minutos. Passando sermão desnecessário na gente sobre honra, conceitos, regras e tudo que possam imaginar. Nem o pior ser humano da terra merecia aquilo. Era castigo demais!

Se ela soubesse como estava me sentindo, como tudo aquilo, perceberia que os berros, os sermões, as regras sendo ditas de trás pra frente, como num mantra sem fim, não significam absolutamente nada diante da confusão da minha cabeça, na certa deixaria de falar e iria me consolar.

Ou surtaria pra sempre. Pois do jeito que a professora estava falando... E como falava, parecia que nunca acabaria, se ela soubesse que não fazia diferença alguma estourar 50 regras pra mim ou nenhuma, acho que me enforcaria.

Credo, agora eu lembrei porque sempre evitei fazer algo de errado!

Minha cabeça estava totalmente dolorida de tanto falatório.

Enquanto a professora continuava com o blá blá blá... Desviei minha atenção e o fitei com muita raiva, não parecia nem um pouco afetado pelo sermão gigantesco de Minerva. Como alguém poderia ser tão sonso assim?

Olhei para frente e vi que professora ainda não tinha calado a boca e aquilo me fez perguntar internamente quando a tortura iria acabar?

Um barulho na lareira, fez com que a atenção da professora se desviasse da gente, para a própria, e vi a cabeça de Dumbledore flutuando. Seus olhos por um segundo, focaram os meus, para em seguida fitarem Minerva, e ambos começarem a cochicharem.

Procurando evitar ficar olhando, e assim não contribuir para mais sermões vindo da professora, meu olhos procuraram qualquer coisa que chamasse atenção, que não fosse a conversa dos professores.

Focaram rapidamente em algo que James rodava em um dos seus dedos, preso numa corrente, em formato de esfera. Nunca tinha visto tal objeto, e me perguntei cheia de curiosidade sobre o que se tratava tal coisa.

Não era uma jóia, apesar de parecer de ouro. Aparentava ser um relógio de bolso, mas ao mesmo tempo, diferente demais pra ser um. Estava confusa.

O que diabos era aquilo?

- O que é isso? – Não controlei.

- Curiosa?

- Posso perguntar a professora Minerva se preferir? – Seus olhos vacilaram. Foi pro um milésimo de segundo, mas vacilou.

- Seus métodos de conseguir algo de mim, cada vez mais me surpreendem. – respondeu sarcástico.

- Não adianta me enrolar pra se safar.

- Não estou enrolado, só sinto informá-la querida, que para que você fique sabendo sobre esse objeto em especial, teremos que está hum, digamos... sozinhos.

- Se você fosse esperto, não iria querer ficar sozinho comigo, para o seu próprio bem.

- É exatamente por ser esperto que eu quero está sozinho com você. – Ele falou tão despreocupadamente, que me desconcertou.

- Não te entendo.

- Vai entender. – A resposta firme e o olhar determinado, me fez corar até a raiz dos cabelos.

O barulho de Minerva limpando a garganta desviou nossos olhares e eu agradeci imensamente a ela.

- Os dois irão cumprir detenções por três dias. Limparam a sala dos troféus com inspeção de um monitor.

Me afundei na cadeira de desgosto. Era a primeira vez que iria cumprir uma detenção na vida.

- Acredito que como o senhor Potter está tão acostumado com os castigos, poderá ajudar a senhorita em tudo que precisar.

- Pode contar com isso professora.

Não gostei nem um pouco da felicidade exagerada com que ele respondeu a professora.

- Lembre-se senhor Potter que você terá alguém de minha inteira confiança lhe vigiando. É melhor que não tente nada.

- Não precisa se preocupar comigo professora. Seus troféus ficaram limpinhos! – O desgraçado está zombando com a professora ou era impressão minha?

- Estão dispensados.

Levantei rápidos, e meus ossos estalaram. Por pouco não soltei um gemido de dor. Estava toda dolorida e com as pernas dormentes. Tensa até a alma.

Eu tinha que aprender a relaxar.

Assim que saímos, e começamos a caminhar pelo corredor que dava acesso a torre da Grifinória, escutei novamente o barulho do objeto estranho que James carregava, girando em um de seus dedos.

Parei de caminhar na hora e o encarei. Ele percebendo minha parada repentina me encarou.

- Algum problema?

- Não respondeu a minha pergunta.

- Não lembro que tenha me feito pergunta alguma.

- James, perguntar a Minerva ainda é uma opção pra mim. – Seus olhos brilharam focados em mim, e depois ele sorriu.

- Vira tempo.

- O que?

- Esse objeto, trata-se de um vira tempo. – Meus olhos arregalaram pra tamanho de pratos tenho certeza.

- Como... como?

- Era do meu pai. Só que está quebrado. É como se fosse um amuleto da sorte pra mim.

- Eu achei...

- Que eu tinha roubado daqui da escola?

Meu rosto esquentou. Pois eu achava exatamente aquilo. Eu tinha que parar de achar as coisas definitivamente.

- Tudo bem, não precisa ficar com vergonha, já estou acostumado.

- Você disse que está quebrado? Não tem como consertá-lo? – Tentei mudar de assunto, pois minha cara estava no chão de vergonha.

- Vira tempo são raros, assim como as pessoas que os faz. Até hoje, papai disse que não conseguiu encontrar ninguém que pudesse consertá-lo.

- Entendo.

- Foi por isso que Minerva não reclamou contigo quando te viu com ele?

- Tenho uma licença especial pra usá-lo, dado por Dumbledore. Sabe que não representa perigo algum está com ele. Como eu te disse, me serve mais como amuleto da sorte, do que qualquer coisa.

- Parece uma jóia.

- Essa é a intenção. Parece com uma jóia, para que ninguém desconfie que você tenha um. Isso seria como uma arma, nas mãos erradas.

Engoli em seco. Ele tinha razão sobre aquilo.

- Matei sua curiosidade?

Senti que corei de novo, estava me sentindo muito intrometida agora.

- Eu peço desculpa. Não queria parecer...

- Tudo bem Lily, não me importo de te contar nada da minha vida. Pode se sentir a vontade pra perguntar o que quiser.

Meu rosto esquentou mais ainda.

- Eu acho melhor a gente subir logo pra torre. Podemos ser pegos novamente.

- E isso seria pra você pior que a morte né?

- E pra você mais uma vitoria conquistada né?

Ele sorriu, e eu não sei por que, mas aquele sorriso fez algo acordar na minha barriga e pular.

- Digamos que hoje eu tive sim uma vitoria, mas não com a detenção.

Desviei meus olhos dos dele e comecei andar. Se eu continuasse a encará-lo, minha cabeça iria explodir de tanto embaraço.

- Acho melhor nós irmos embora.

- Você quer ver?

Voltei a fita-lo, e vi que ele estendia o vira tempo em minha direção.

Ainda curiosa, dei alguns passos me aproximando dele, e estendi minha mão.

James posou o objeto em minha mão, e seus dedos roçaram minha pele de leve, e a criatura da minha barriga deu um lupe de 360º. Me deixando mais nervosa, do que eu estava. Dei um passo para trás desconfortável.

Mesmo não sendo uma jóia, era lindo. Era todo em ouro, sua corrente delicada, e o pingente parecia uma ampulheta, que girava no próprio eixo, adornada com um círculo todo em ouro, desenhado com inscrições sem sentido pra mim.

- Sabe o que está escrito?

- Com o Tempo Tudo Muda. – James respondeu de praxe.

- Algum significado especial?

- Acho que tem vários significados na realidade e não um especial. Pode servir como aviso. Servir como algo sábio a se dizer, ou simplesmente para responder uma pergunta. Gosto de pensar que nos diz a verdade. Pois nada como o tempo para mudar as coisas.

- Verdade. – Respondi sem jeito. Estava impressionada com as palavras dele.

Voltei meu olhar para a peça, e percebi o porquê de James gostar tanto dela. Era tão bonito na sua singularidade, que era inevitável não apreciá-la. Era única, e perfeita.

Estiquei minha mão de volta pra James com a jóia, lhe devolvendo seu amuleto, mas assim que nossas mãos se tocaram, algo estranho aconteceu; uma corrente elétrica percorreu todo meu corpo, o objeto passou a zunir e a ampulheta começou a girar, um globo enorme nos envolveu, aparecendo como que por encanto. Tentei soltar minha mão e só aí percebi que estava presa assim como a de James também parecia presa.

- O que está havendo? – perguntei apreensiva.

- Eu não sei.

- Você disse que estava quebrado!?

- Mas está!

- Isso já aconteceu antes?

- Nunca.

O globo começou a girar em torno de nós. Girar cada vez mais rápido. E minhas pernas começaram a falhar e logo me vi ficando sem forças e caindo sentada no chão. A cabeça explodindo, sentindo minhas forças sendo sugadas.

- LILY!

- Não me sinto bem. – murmurei quase sem forças.

- Tente se soltar Lily. Tente soltar!

- Não consigo, estou presa.

- Se concentre e faça força Lily.

Fechei meus olhos e puxei minha mão com toda força que tinha, mas não moveu um centímetro se quer do amuleto. Respirando fundo pela segunda vez tentei, e senti meus dedos soltarem a muito custo o objeto, e assim como começou, rapidamente tudo parou de girar, o globo em volta de nós, sumiu como uma gigante bolha de sabão, e meu corpo tombou exausto, antes de tudo escurecer ao meu redor.

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Presente

O salão da Grifinória estava lotado de alunos cumprimentando uns ao outros, perguntando o que tinham feitos nas férias, e os novatos, começando novas amizades.

Eu, como de costume, me isolei no canto da sala e me pus a esperar Dino, para que pudéssemos conversar. Na certa estaria com raiva, por não ter viajado com ele. Queria poder dizer que também não estava nada satisfeita em ter viajado com Harry, mas isso iria dar força pra que Dino resolvesse de vez brigar comigo pra valer, o que eu não estava nem um pouco a fim na realidade.

O livro que segurava no colo, apenas pra disfarçar, caso alguém chegasse, já estava começando a ficar convidativo, com a demora exagerada de Dino aparecer. Eu tinha certeza de ter o visto no jantar. Onde ele tinha se metido?

- Que livro está lendo? – Hermione perguntou me fazendo pular no lugar onde eu estava de susto.

- Oi Mione, você me assustou sabia? – Ela apenas sorriu em resposta.

- No mundo da lua?

- Esperando pelo Dino.

- Vi Dino seguindo pra ala oeste, quando estávamos vindo pra cá.

- Ala oeste?

- É, ele e Parvati. – Arquei uma sobrancelha em dúvida.

Não me lembrava de Dino ter me dito nada a respeito de ala oeste, e principalmente sobre Parvati.

- Tem certeza Hermione?

- Tenho. O que está acontecendo Gina?

- Vou descobri.

Larguei o livro nas mãos da minha amiga, e sai em disparada pra saída do retrato.

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Aquelas escadas em caracóis era um saco de subir, ainda mais quando se estava cansado como eu estava. O que não daria pra cair na cama agora e fechar os olhos por pelo menos uma semana. Quem sabe assim descansava um pouco minha cabeça de toda confusão que ela se encontrava.

Mas pensar em descansar era demais. Quase que impossível nas circunstâncias que as coisas se encontravam, e agora mais do que nunca teria que aprimorar meus treinos e meus poderes, deixá-lo mais fortes, e controláveis por assim dizer.

Abri a porta a minha frente, fazendo um ruído chato e me deparei com professor Dumbledore acariciando Fawkes calmamente. Às vezes tinha a impressão que nada o abalava. Nem aquela guerra eminente.

- Vejo que não foi preciso enviar Fawkes para lhe chamar. – Sua voz saíra tão calma quanto seu estado aparente.

- Achei que gostaria de conversar.

- Achou certo. – Ele acarinhou a fênix uma ultima vez, antes de seguir para sua cadeira, ao centro de sua sala. – Sente-se Harry.

- Não vamos treinar?

- Amanhã. Hoje quero apenas deixá-lo a par de tudo que descobrimos.

- A fonte?

- Ela está a salvo, não se preocupe. Como eu previ, o seu afastamento foi essencial para que tudo corresse, e corra bem. – "Afastamento" aquela palavra me incomodou mais do que deveria.

- Acredita mesmo que ela estando longe de mim, Tom irá ignorá-la?

- Acredito que enquanto demos outras coisas para ele se preocupar, nossa fonte estará segura. – Dumbledore juntou suas mãos sobre sua mesa e me encarou por cima de seus óculos meia lua.

- É estranho ter que me comportar da forma que me comporto com ela. – Comentei.

- Vocês nunca foram amigos, eu estou certo.

- Sim, está. Mas... é diferente agora.

- Diferente em que?

- Acho que... não sei explicar direito.

- Tente.

- Eu conheço o irmão dela desde os 11 anos, ela desde os 10, e, bom é esquisito pra mim ter que me comportar como se ela não existisse.

- O que você quer dizer com isso Harry?

- Eu só acho que... bom... não sei.

- O que você está querendo me dizer realmente Harry, é que está nutrindo afeição pela mais nova dos Weasley?

Fiquei mudo por pelo menos cinco segundos, antes de responder.

- Não.

- Sabe que qualquer coisa que você faça diferente de nossos planos, pode colocar tudo a perder, não sabe? – Meu corpo tremeu só de pensar na possibilidade.

- Não precisa ficar repetindo isso.

- É apenas um aviso.

- Ta mais pra uma sentença do que um aviso. – murmurei baixo, apenas pra mim.

- As coisas poderiam ser muito piores Harry.

- Iremos falar logo do que interessa, ou posso ir descansar.

Dumbledore respirou profundamente, antes de começar:

- Tom conseguiu novos aliados.

- Quem?

- Gigantes. Mas vamos beber um chá, nossa conversa vai ser longa.

Soltei um suspiro cansado. Hoje certamente, eu não descansaria.

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Lily caíra desmaiada, e sinceramente não conseguia pensar em nada. As coisas estranhas tinham acabado de repente. O globo que tinha girado várias vezes a nossa volta, se dissolvido por completo, e o vira tempo, estava aparentemente normal caído no chão.

Me aproximei dela afoito, e a sacudi um pouco, a chamando, Lily se quer se mexeu. Com medo de ter acontecido algo mais complexo, peguei o vira tempo, o guardando no bolso, puxei a ruiva pro meus braços, e segui rumo à enfermaria. Só pedia por tudo que era mais sagrado, que não tivesse acontecido nada de mais sério a ruiva.

Tive a impressão ao longo do caminho, que o castelo parecia diferente, mas podia ser o nervosismo tomando conta de mim.

Chegando a porta da enfermaria vi um garoto negro e uma menina saírem com cara de sofrimento, mas ignorei, deixando aquele assunto irrelevante de lado, empurrei com o pé a porta da enfermaria, pois o casal, não tinha se quer me notado, e adentrei ao local.

Ali também estava diferente, as camas não se dispunham dos lugares de sempre, e tinha uns armários ali que também nunca vira.

Depositei Lily na cama, e corri gritando pela infermaria chamando madame Promfrey.

Logo em seguida a enfermeira apareceu como que por encanto, mas nada me preparou pra o que veio a seguir.

Promfrey parecia ter envelhecido uns 20 anos, acabada e cheia de rugas, a enfermeira vinha calmante, como se nada anormal estivesse acontecendo.

- Não precisa gritar Potter. O que houve dessa vez?

- Li-ly... Li-ly... – Eu gaguejava sem parar, assustado com a cara velha dela.

- O que? Você é está bem Potter? Machucou a cabeça novamente?

- Não sou eu. – consegui dizer. – Lily precisa de ajuda!

- Lily? Quem é Lily?

- Lilian Evans! – Falei quase gritando.

A enfermeira pareceu engolir a língua, tamanho o susto, e seus olhos por pouco não saltaram pra fora.

O que eu tinha dito de tão extraordinário? Ela tinha a cara mais murcha que eu tinha visto, e ela simplesmente se assusta com o nome da Lily? Onde eu estava?

- Potter pare de brincadeira!

- Não estou brincando, Lily precisa de ajuda madame Promfrey!

Promfrey parecia disposta a me ignorar, quando seus olhos bateram em Lily que estava deitada na cama, desmaiada, bem atrás de mim.

- Essa garota? – Ela perguntou aparentemente nervosa, se aproximando com passos calculados.

- Sim Lily Evans, agora a senhora poderia parar de fazer perguntas e tratar logo dela?

- Como... como é possível? – A velha parecia cada vez mais chocada. Será que ela achava que eu tinha machucado Lily?

- Olha não foi minha culpa ta? Estávamos conversando e aconteceu, eu não sei o que houve! – falei afobado, com a perspectiva de acharem que a culpa por Lily está daquele jeito era minha.

- Não faz sentindo, oh! Meu Merlin será que estou sonhando novamente? – ouvi ela murmurar, enquanto tocava Lily com a ponta dos dedos como se ela fosse algo nojento.

- Você não está dormindo e pelo amor de Merlin, quer logo cuidar da minha amiga e parar de comportar como louca?

- Preciso chamar Dumbledore. – Ela comentou enquanto verificava a pulsação de Lily.

- Que? Não, você precisa cuidar da Lily! – Gritei nervoso.

- Você não entende garoto. – Ela falou, examinando os olhos da ruiva.

- O QUE EU NÃO ENTENDO É PORQUE A SENHORA ESTÁ SE COMPORTANDO FEITO LOUCA E NÃO VÊ LOGO O QUE A LILY TEM! – que porra de mulher louca era aquela?

- Potter pare de gritar! A menina só está dormindo! – Ela falou revoltada com a minha gritaria.

- Dormindo? – O alivio me arrebatou.

- Sim dormindo. E agora eu irei chamar Dumbledore.

- Se ela está só dormindo, porque chamar diretor? – Perguntei aflito com o castigo futuro.

- Porque eu sinto informar rapaz, mas eu acredito, que esteja na época errada! – E com isso ela saiu, me deixando sozinho, com milhões de perguntas na cabeça.

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Ok! Eu tinha o sangue quente dos Weasley correndo na veia. Agora estava mais que comprovado. Nada justificava o meu comportamento de agora pouco. Acontecera tão rápido, que uma hora que estava procurando pelo meu namorado, e na outra, chuvas de azarações e socos tinham voando pra cima dele e Parvati, que estavam se agarrando num amasso, em pleno corredor.

Mas o que ele queria que eu fizesse?

Era mais que merecido tudo que havia feito. Dino tinha se comportado como um verdadeiro idiota. Porque não havia me dito que estava com Parvati? Podíamos ter acabado com isso de maneira muito mais civilizada, do que ele com a cara cheia de furúnculos, e ela com a orelha cheia de pêlos!

Arfei indignada. Aquele tipo de coisa só acontecia comigo!

Chegando a torre, percebi o quanto tinha demorado. Havia feito de propósito, pois não queria ter que me deparar com o mais novo casal de Hogwarts. Por isso, tinha feito um tour pelo castelo, pensando na minha vida medíocre.

Assim que passei pelo retrato, após dizer a senha, notei que o Rony e Mione conversavam meios sem graças, de frente a lareira. Tentei fazer o mínimo de barulho possível, para não atrapalhar, mas Rony acabou me vendo.

- Onde estava?

- Não te devo satisfação Ron.

- Deve sim, você é mais nova. – Harry respondeu surgindo de trás de mim, sem nem se quer tirar os olhos do livro que estava lendo, passando por mim e sentando na poltrona vazia de frente a lareira.

Aquilo me deixou mais do que revoltada. Quem ele pensava que era?

- Viu? Até Harry compreende o sentimento de preocupação fraterna. – Não consegui evitar olhar para ele, que no momento também me fitava.

As palavras de Ron girando na minha cabeça. Será que meu irmão tinha razão? Harry apenas me via como uma irmãzinha?

- Sinceramente, de irmãos, minha cota já está cheia. – Minha resposta fez Harry voltar a atenção a leitura.

- Harry se preocupa com você. – Rony falou todo solicito.

Respirei fundo e sorri para Rony, contendo a vontade de botar pra fora, tudo que queria no momento.

- Obrigada Rony, mas de verdade, não preciso da proteção de nenhum dos dois! Nem você, nem Harry tem obrigação de proteger minha honra, isso vocês podem deixar que eu mesma faço.

Harry não respondeu, assim como parecia muito concentrado em sua leitura, ele permaneceu. Já Rony parecia ter engolindo algo maior que o permitido pela sua boca enorme, e não parava de fazer caretas em minha direção.

- Gina, você encontrou o Dino? – Mione tentou apaziguar pelo jeito, mas só conseguiu deixar meu humor pior.

- Mione, por favor, evite falar dele, e de qualquer espécie masculina do meu lado, ta bom? – Soei totalmente grosseira.

- Certo. – Ela respondeu incerta.

- O que houve? – a voz rouca de Harry soou em meus ouvidos.

Foi impossível ignorá-lo, e como mágicas meus olhos posaram sobre os verdes dele.

- Nada.

- Está mentindo. – Ele falou com tanta certeza que me irritou. Cretino! Como ele sabia que eu mentia?

- Preciso ir dormir. – Falei me dirigindo as escadas.

- Precisa ir à enfermaria, está machucada, no pulso. - Meus olhos se arregalaram, eu havia escondido aquilo com a manga do sobretudo. Como ele havia visto?

- Machucada? Mas como Gi? – A voz do meu irmão, preocupado, me chamou atenção.

Não consegui responder. Estava tão espantada, que a única coisa que fiz foi ficar muda e encarar Harry e meu irmão, nervosa. Como iria explicar aos dois que tinha me metido numa briga com Dino, no estilo "gladiadores"? E que o pulso machucado era obra de um soco lindo na cara de pau de Dino?

- Gina o que houve? – Mione perguntou preocupada.

- Já disse que não foi nada. – Disfarcei, levando o pulso machucado as costas, puxando a manga para cobri-lo.

- E como machucou o pulso Gi? – Rony que já tinha levantado e estava ao meu lado, perguntou, segurando o pulso machucado.

Foi necessário morder a língua pra conter a dor.

- Cai na escada Ron, nada de mais. Nem está doendo. – Nesse momento girei o pulso para mostrá-los que era verdade, mas o maldito doeu terrivelmente, e a careta foi inevitável.

- Você devia ir à enfermaria dar uma olhada nisso. – Harry mais uma vez se pronunciou.

- Já disse que estou bem.

- Você vai tratar esse pulso Gina, nem que eu tenha que levá-la pelos cabelos. – Meu irmão chato quase gritou.

- Você não ousaria?!?

- Experimente?!? – Abri e fechei a boca, como um peixe perdendo o fôlego.

- Você é um imbecil!

- Um imbecil que se preocupa com você. – Me envergonhei com a resposta dele.

Rony estava preocupado com o meu bem estar, e tudo que eu fazia era dar varias patadas no coitado. Que infantilidade a minha.

- Desculpa Ron.

- Tudo bem Gi, agora vamos logo cuidar desse pulso. – Sorri sem graça.

- Ron, temos que fazer a ronda agora nos corredores seis e sete. – Hermione se pronunciou.

- Não vou fazer nada enquanto não levar minha irmã pra enfermaria Mione.

- Se vocês quiserem posso levá-la. – Harry falou fechando o livro e jogando na poltrona próxima.

Foi por pouco que não me engasguei com minha própria saliva.

- Eu vou levá-la Harry, isso é responsabilidade de irmão mais velho.

- Mas vamos nos atrasar Ron. E Minerva vai acabar nos dando um castigo por isso.

- Não quero nem saber, é da Gina que estamos falando. Não vou abandonar minha irmã, só porque aquela velha quer que eu desfile pelos corredores vazios de Hogwarts!

- RON!

- Galera?! – Eles ainda continuavam discutindo. Só Harry permanecia mudo e me observando minuciosamente. – Ron, Mione! Pelo amor de Merlin, querem me ouvir?

- Você é uma lunática que só pensa em obrigação! – Hermione inchou feito um balão, totalmente em cólera.

- E você um folgado que não preza por suas responsabilidades! – A voz dela saiu tão fina e irritada, que doeu em nossos ouvidos.

- HEI! – Gritei chamando a atenção dos dois. – Assim ta melhor... Agora como eu estava tentando dizer, eu posso tranquilamente ir com o Harry a enfermaria. – Rony abriu a boca pra me interromper, mas não deixei. – E nem adianta gritar Ron, você e Mione vão fazer seus trabalhos, Harry me acompanha. Ok?

Muito a contra gosto Ron aceitou, e Mione satisfeita por não faltar com sua obrigação, puxou ele retrato a fora, para a ronda.

- Boa sorte Gina! – Ouvi ela falar, enquanto puxava um Ron revoltado.

- ME DEIXE A PAR DE TUDO DEPOIS, HARRY.

Ouvimos o grito dele, antes do retrato se fechar, deixando Harry e eu sozinhos no Salão Comunal.

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Passado

O Salão comunal estava lotado, mesmo sendo tarde da noite, todos conversando alegre, contando sobre seus verões com seus amigos.

- Cadê a Lily? – Alice perguntou preocupada a Marlene.

- Foi fazer a ronda com Remo.

- Então como é que ele já chegou e ela não? – Marlene que até aquele momento lia displicentemente seu livro, viu Remo junto com os outros marotos, comprovando o que Alice dizia.

Mas notou também que James não se encontrava no grupo. E isso a fez sorrir e levantar a sobrancelha em descrença.

- James também não está aqui.

- É verdade. Mas o que você quer dizer com isso Lene? Não me diga que...

- Eles estão juntos. Tenho certeza disso Alice.

- Será?

Marlene gargalhou achando graça.

- Quero só vê a desculpa esfarrapada que ela dará dessa vez.

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Presente

O caminho pra a enfermaria estava sendo feito no mais total silencio. E como estava me incomodando. Tinha insistido para que ele me deixasse ir sozinha, mas com aquele olhar duro e verde profundo, se negou, não me deixando escolha.

E agora estávamos os dois seguindo em direção a enfermaria. Mudos, e Harry parecia totalmente alheio a qualquer coisa ao redor. Os passos calmos e premeditados, me diziam que ele apenas me acompanhava, nada mais que isso. Exigir um diálogo, para que eu pudesse esquecer pelo menos a dor cruciante do meu pulso, era pedir demais.

Respirei fundo, e com a mão boa, segurei o pulso que doía irritantemente, me fazendo quase chorar. E me pus a andar um pouco mais rápido, para que chegasse logo a enfermaria. Só queria uma poção. Algo que aliviasse a dor.

Eu devia ter ido à enfermaria no momento que machuquei, mas minha raiva e teimosia, tinham me impedido de ir me tratar. Dino e Parvati estariam lá, e era arriscado demais topar com os dois assim tão cedo.

Arrisquei um olhar a Harry, e notei o quanto eu estava atrás. Tinha diminuído meu passo e nem tinha percebido. Ele como estava no seu próprio mundo, seguia com seus passos calculados e rápidos, me deixando cada vez mais distante dele.

Tinha a visão de suas costas. As mãos no bolso da calça, tranqüilo, como se nada pudesse afeta-lo. Ombros largos, cabelo todo desalinhado. O corpo perfeito. Droga! O desgraçado era lindo até de costas!

Abaixei minha cabeça, sentindo o rosto quente.

Se continuasse olhando pra ele daquele jeito, Harry na certa iria perceber. Estava sendo descarada demais pra minha própria saúde. Parecendo a garota de onze anos novamente.

De repente, do nada, Harry parou, ficou uns segundos quieto, e do nada, me abraçou e jogou uma capa sobre nós. Não consegui fazer nada, apenas encará-lo, atônita, enquanto ele me fazia sinal pra que eu não dissesse nada.

No corredor as minhas costas, barulho de alguém se aproximando, virei a cabeça devagar e notei, Dumbledore e madame Promfrey andando em nossa direção, ambos discutindo algo, absorto demais neles mesmos.

- Eles estão na minha sala professor. – Promfrey parecia muito afobada.

- Temos que tomar cuidado para que ninguém os veja Paupola. – Harry do nada, apertou o abraço, me fazendo fita-lo.

- A menina está dormindo, mas o rapaz está agitadíssimo. Não diz coisa com coisa, Dumbledore.

- Está confuso, é natural nessas circunstancias. Você falou que a menina está dormindo, sabe o por quê?

- Parece está apenas cansada.

- Muito bem.

Eles passaram por nós, feito furacões, em direção a enfermaria. Não tinha entendido nada, mas Harry que continuava prestando atenção nos casal, me segurando em seus braços, tremia absurdamente, me deixando aflita.

- Algum problema? – murmurei próximo ao seu ouvido.

- Tenho que entrar na enfermaria. – Achei aquilo tão idiota a se dizer, pois eu precisa do mesmo. – Digo na sala da madame Promfrey.

- Tem haver com o que vimos aqui?

- Sim. Consegue segurar um pouco mais, a dor no pulso? – Seus olhos brilharam, quando me perguntaram, e nesse momento eu percebi o quanto estávamos perto.

- Claro.

Nos mexemos em baixo da capa, e ficamos na posição aparentemente confortável, Harry caminhando ao meu lado, com um braço ao redor de minha cintura. Passamos pela porta da enfermaria, e a encontramos vazia. Harry pressionou minha cintura, e o arrepio foi inevitável. Engoli em seco e o fitei, para logo em seguida, vê-lo indicar a porta da sala de madame Promfrey.

Seguimos para lá, e quando Harry se preparou para abrir a porta, algo o impediu.

- Droga!

- O que houve?

- A porta estar encantada, não consigo abri-la. A não ser...

- Allomorra?

- Não. Preciso de algo mais complexo.

Não entendi o que ele quis dizer, muito menos quando tirou a capa de cima da gente e saiu do meu lado.

Fechando os olhos e no que me pareceu, está se concentrando, Harry esticou a mão, e com a ponta do dedo indicador, passou na maçaneta, e com um suave clique, ouvimos a porta se abrir suavemente.

- Como fez isso? – perguntei perplexa. Harry tinha acabado de fazer magia sem se quer usar a varinha pra isso.

- Segredo. – respondeu calmamente, e sorriu, quase que invisivelmente, e depois entrou na sala.

O segui, ainda chocada, e chegando em seu interior, pude ver que estávamos sozinhos novamente. A sala redonda de madame Promfrey, era toda branca, com estantes e mais estantes de poções, distribuídas para todos os lados. No centro ficava uma mesa, com duas cadeiras, uma de cada lado.

- Achou o que procurava?

- Ainda não. – Harry respondeu, e mais uma vez seus olhos foram fechados.

- O que está fazendo?

- Achando a passagem secreta pra verdadeira sala de madame Promfrey.

- Achei que essa...

- Achou errado.

E com essa resposta malcriada, ele seguiu para uma estante a nossa direita, onde tinha um vão, entre duas delas, e pegando a poção que estava no lugar mais alto de uma delas, abriu o vidro, e jogou uma gota mínima no chão.

Riscos negros saíram de dentro da gota, e seguiram para a parede, entre as duas estantes. E a porta foi desenhada com graça, e cheia de detalhes, pela pequena gota que Harry havia derrubado no chão.

- Como sabia disso?

- Outro segredo. – respondeu se aproximando da porta recém surgida e colocando o ouvido próximo a ela.

Mas antes mesmo que eu perguntasse sobre o que ele estava falando, a porta abriu, revelando Dumbledore sorrindo misteriosamente.

- Achei mesmo que não esconderia de você por muito tempo Harry. Olá Srta. Weasley.

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Quando a louca da enfermeira havia me deixado plantado esperando por resposta, com Lily adormecida, enquanto ia procurar por Dumbledore, me encontrei muito agoniado.

Preso, num local que não conhecia mais e para aumentar meu estresse, Lily continuava naquele sono digno de ursos que hibernam.

Achei que com a chegada de Dumbledore, tudo iria mudar, e até teria respostas para todas as minhas perguntas. Mas com o aparecimento do diretor, só consegui ficar mais nervoso. Com o surgimento dele, vi que realmente estava no futuro, suas rugas acentuadas e cabelos brancos diziam isso claramente. A minha idéia de por acaso madame Promfrey ter se acidentado com uma poção do envelhecimento, estava totalmente descartada.

É com a afirmação de está no futuro, veio as dúvidas em relação ao vira tempo. Papai havia me garantido que não funcionava mais. E eu até já tinha testado, quando tentei voltar no tempo, apenas para ver a poção gosmenta explodir na cara de Snape novamente, e nada ocorrera.

"- Está quebrado filho e não há como consertá-lo, sem um mestre do tempo."

Era isso que meu pai sempre repetia, quando perguntava qualquer coisa relacionada ao vira tempo.

Então o porquê daquilo?

Como se explicava o fato de Lily e eu termos pulado vários anos no futuro com uma peça quebrada?

Nenhum bruxo tinha o poder de viajar no tempo, há não ser é claro, os mestres do tempo. Mas isso era uma lenda tão antiga, que eu duvidava que fosse verdade.

Mestre do Tempo era como era chamado as pessoas que conseguiam viajar no tempo conforme queriam, e construir vira tempos. Diz a lenda, que são pessoas que nasce com o dom de poder mexer com o tempo da forma que quiser, podendo viajar tanto pro passado, quanto pro futuro. Muito perseguidas, principalmente por pessoas com sede de poder, eles passaram a se esconder. Nessa época, toda criança nascida era testada, e assim que ficavam sabendo que eram Mestre do Tempo, eram mortas. Todos tinham medo que algo ruim pudesse acontecer, portanto, matá-las parecia a melhor opção. Alguns anos depois, percebendo que nenhuma criança nascia com essa "anomalia" pararam os testes.

Um dia, um bruxo chamado Nimue limpava um objeto empoeirado, quando de repente fora lançado três horas a frente em seu tempo. Perplexo, procurou saber como havia adquirido aquela peça, e descobriu depois de muito tempo procurando, que a tal peça havia sido feita por uma mulher misteriosa que vivia na floresta e era taxada de louca. E essa tal mulher já tinha vivido em sua humilde casa.

Nimue seguiu pra floresta, destinado a encontrá-la de qualquer forma. Procurou por anos, sem descansar, até que um dia, conseguiu achá-la, quando já não tinha esperanças. Miriam era o nome dela, e era uma Mestra do Tempo. Foi paixão a primeira vista pra Nimue, que ficou encantado com a beleza de Miriam. A bruxa desconfiada, e com medo, por ter sido descoberta, tentou de tudo para afastá-lo, mas com suas negativas, só conseguiu que Nimue ficasse cada vez mais apaixonado. E após varias tentativas do bruxo, cedeu sua confiança, com isso, também se permitiu apaixonar por Nimue.

Miriam nunca brincou com o tempo, mais um dia, quando descobriu que estava grávida, ficou curiosa em saber qual seria o sexo da pequena vida que carregava. Assim ela pulou no tempo. Mas quando se aproximou do berço do pequeno bebê, se deu conta, que não existia criança, procurando mais um pouco, encontrou Nimue jogando num canto da casa, com uma garrafa de bebida na mão, enquanto com a outra brincava com o seu velho relógio do tempo. Miriam descobriu que a criança veio a falecer.

Isso a destruiu, e foi o ápice para o fim do romance.

Nimue não entendia o abandono repentino de Miriam, e numa tentativa desesperada de esquecer o grande amor, voltou no tempo. Mas muito mais que lhe era permitido, fazendo assim que Nimue não mais existisse. Só existem relatos sobre Nimue, porque Miriam não permitiu que seu grande amor fosse esquecido.

Miriam viveu por longos anos, amarga e sozinha, mas há quem digam que sua criança sobreviveu, fazendo assim sua linhagem prevalecer. Meras especulações, que pra alguns totalmente sem sentindo.

Consta, que nesses quase 500 anos, nenhum mestre do tempo nasceu, pois Miriam não permitiu. E que ela fora a única que construiu todos os vira tempos existentes.

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Os corredores estavam vazios, e nossos passos secos batendo no piso antigo de Hogwart me faziam ter receio, o silencio incomodava. Detestava silencio, dava aflição.

Rony seguia com a cara fechada, ainda chateado por não ter levado Gina a enfermaria. Na certa, ainda irado comigo, que tinha o impedido.

Mas o que ele queria que eu fizesse?

Temos responsabilidades!

Será que só eu me lembro disso em todo castelo?

E Gina estava muito bem acompanhada!

Odiava ser taxada de insensível, não tendo culpa alguma. Apenas vi uma oportunidade de Gina ficar com Harry! Isso não é o fim do mundo, oras!

- Tudo certo, vamos voltar. – Rony se pronunciou, virando nos calcanhares seguindo rumo a torre.

Estava tão absorta que nem tinha visto que o trabalho estava acabado.

- Não acabamos. - respondi discordando dele.

- Sim acabamos. – respondeu andando.

Cruzei meus braços, chateada pela indiferença e o segui.

- E se tiver por acaso algum casal se agarrando no final do corredor? – O ruivo olhou pra trás sorrindo sinicamente.

- Então, eles irão me agradecer futuramente.

Meu rosto esquentou sem meu controle, e me encolhi quando ele gargalhou.

- Mas nosso trabalho é impedir que isso aconteça. – murmurei irritada.

- Relaxa Mione. Ninguém merece ser interrompido numa situação dessas.

- Mas e se...

- Hermione se põe no lugar da pessoa. – Arregalei os olhos com o que ele disse.

- O que?

- Imagina que você é aquela garota que ta lá no final do corredor se agarrando com o cara.

Meu rosto esquentou mais, se isso era possível.

O jeito que Rony me encarava, esperando minha resposta estava me desconcertando. As íris azuis brilhavam de forma séria, penetrantes, me fazendo engoli em seco, tamanha o meu tormento.

- Como pode dizer uma coisa dessas? – perguntei nervosa, querendo que ele olhasse pra qualquer lugar, menos pra mim.

Ele sorriu e se aproximou, me empurrando sem se quer encostar o dedo em mim, para a parede a minhas costas.

- Imagina uma saudade te consumindo, te deixando em febre? – A cada palavra, Rony chegava mais perto. – Um desejo te enlouquecendo, tomando conta de você?

Estávamos tão perto que podia sentir sua respiração batendo no meu rosto.

- E aí, você se vê sozinha com essa pessoa, podendo desfrutar de tudo que você passou o verão inteiro esperando... – Ele molhou os lábios com a pontinha da língua e sorriu. – Me fala a verdade, Mione, o que você faria?

- Eu... eu não sei. – consegui responder quase sem fôlego.

- Tem certeza?

E com a pergunta deixada no ar, Rony se afastou como se nada tivesse acontecido, seguindo corredor a fora.

- Vamos deixar o pobre casal matar a saudades. Amanhã você dar uma de tirana novamente.

E seguiu, com as mãos no bolso da calça, andando tranqüilo, enquanto minhas pernas não paravam de tremer. E só uma coisa gritava na minha mente me deixando tonta.

"O que diabos tinha sido aquilo?"

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- Achei mesmo que não esconderia de você por muito tempo Harry. Olá Srta. Weasley. – ouvi Dumbledore falando com alguém do lado de fora da porta.

E quando ele deu passagem, pra as pessoas com quem falava passarem, meu coração falhou numa batida.

Eu me via, do lado do diretor. Igual, como um irmão gêmeo, e aquilo só ajudou para que meu coração galopasse no peito, a ponto de me machucar, e meus olhos arregalarem ao extremo.

- Sente-se. – Dumbledore falou, mas apenas a garota ruiva ao seu lado sentou.

- Gina está machucada, diretor. – meu clone falou, e para meu espanto a voz era uma copia fiel a minha.

- Papoula. – o diretor se pronunciou chamando a atenção dela.

Olhei para a garota e não pude notar nada. Madame Promfrey se aproximou dela, a examinando, e entre uma careta e outra, enquanto a enfermeira mexia em sua mão, ela simplesmente não tirava os olhos dos meus e do meu clone, que me encarava também. O que eu pude sentir.

- Só um pulso destroncado. Só preciso por no lugar. – A garota parecia hipnotizada por mim e pelo clone, pois se quer dava atenção a enfermeira. – Vou buscar uma poção para tirar a dor.

Assim que saiu, a sala que continuava em silencio foi preenchida pelos resmungos baixos de Lily que começava a acordar.

- Lene... – Ela murmurou baixinho, tentando abrir os olhos. – Alice?

Corri pra onde estava e me pus a ajudá-la a levantar, já que se encontrava deitada numa maca que tinha ali na sala.

- Lily você está bem? – perguntei preocupado.

- O que está havendo? – perguntou ainda sonolenta.

- Ta sentindo alguma dor?

- James? – ela pareceu espantada. – O que faz no meu quarto?

- Não estamos no seu quarto Lily, estamos na enfermaria. – Isso pareceu desperta-la.

- Mas por quê?

- Lily você não se lembra do que aconteceu?

E como se tivesse levado um choque, Lily levou a mão aos lábios, tampando seu susto, me olhou como se tivesse acabado de brotar uma cabeça a mais no meu pescoço.

- Ai meu Deus! Ai meu Deus! – Ela passava a mão na cabeça e olhava pra mim aflita.

- Lily calma!

- Como calma seu idiota!

- Senhorita Evans? – E levando mais um susto, Lily percebeu que não estávamos sozinhos. – Quero que se acalme.

- Diretor... – a voz dela parecia um miado, de tão baixa.

Madame Promfrey chegou com uma poção rosa fumegante e deu para ruiva que estava ao lado do meu clone. Em seguida puxou o braço dela de uma vez, e pôs duas talas e envolveu com gases.

- Daqui duas horas pode tirar as talas senhorita Weasley. – Ela veio caminhando em nossa direção, e os olhos de Lily pareciam que iriam sair das orbitas. – A senhorita está bem? Sente alguma dor? Fraqueza?

Lily se quer respondeu, apenas voltou a me olhar, seus olhos rasos d'água, me quebrando o coração. Ela estava com medo, era visível.

- Me tira daqui James.

Me senti tão inútil com aquele pedido impossível, que apenas baixei a cabeça, envergonhado.

- Me perdoe Lily.

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A dor havia passado, mas o gosto azedo da poção havia ficado na minha boca, me deixando com vontade de fazer caretas a todo momento que engolia saliva. O clima naquela sala estava pesado, Dumbledore tentava acalmar Lilian Evans que só fazia chorar, enquanto James Potter continuava escondendo seu rosto, cabisbaixo, sem saber o que fazer.

Harry estava serio e em nenhum momento tirou os olhos da mãe. Varias vezes o peguei dando uns leves impulsos, mas se controlando no meio do ato, em ir consolar a mãe.

Como será que estava a cabeça dele, em ver seus pais vivos? O que se passava na cabeça de Harry Potter naquele momento?

E para minha surpresa, e total assombro, Harry me encarou. As íris verdes estavam num tom tão escuro, sombrio, que me assustou. Não conseguia perceber o que ele sentia.

- Harry, Virginia, já que estão aqui, precisarei da colaboração dos dois.

- Sim diretor. – Respondi, Harry apenas o fitou.

- A senhorita já se sente mais calma?

- Sim senhor. – Lilian respondeu.

- James?

- Sim senhor. – Espantosamente a voz dele era parecidíssima com a de Harry.

- Então tentando entender todo o problema, o vira tempo não estava quebrado como havia me dito, não é James?

- Meu pai, diretor, me garantiu que o vira tempo estava quebrado. Eu mesmo o testei e não funcionou.

- Certo. Mas como vocês me falaram rapidamente, ele os envolveu numa esfera, e ambos não conseguiram se soltar?

- Acho que posso tê-lo acionado Diretor. – Lilian se pronunciou.

- Como Lily? – Ela olhou pra ele e não respondeu.

- Porque acha isso senhorita?

- Eu só estou dizendo o que senti. Quando o vira tempo começou a funcionar, percebi que todas as minhas forças foram sugadas.

- Mas não há relatos que o vira tempo possa deixar a pessoa debilitada assim Alvo. – Promfrey falou.

- Tem razão senhora, mas há relatos também que uma pessoa que possa ativar tal peça, possa sim ficar em frangalhos.

- O que está deduzindo Alvo?

- Especulando apenas, senhora. – Ele fitou cada um de nós atento. – O senhor veio a enfermaria porque a senhorita desmaiou certo?

- Sim. Fiquei assustado com tudo e achei melhor cuidar de Lily.

- E não notou que viajou no tempo?

- Estava transtornado demais com Lily desmaiada pra pensar em qualquer coisa diretor. Apenas quando vi madame Promfrey, foi que percebi que tinha algo de errado.

- O vira tempo está com você?

- Sim. – E com isso ele pôs a mão no bolso e entregou o objeto ao diretor.

- Vamos resolver toda situação da melhor maneira possível.

- Quanto tempo viajamos no futuro? – Quem fez a pergunta foi Lilian.

- 22 anos. – quem respondeu foi Harry, que fitava a mãe intensamente.

- Você é filho do James? – Ela perguntou nervosa.

- Sou.

- Quem é sua mãe? – Arregalei os olhos assustada. Ela não havia percebido que era mãe de Harry!

- Diretor, onde eles ficarão? – Harry desviou o assunto.

- Acredito que melhor, no quarto como todos os outros assim não levantam suspeitas, Harry.

Olhei para o pai de Harry, e percebi que este me olhava. Fiquei sem graça e desviei o olhar para a mãe, essa encarava o filho, meio aérea.

- Sou sua mãe, não sou? – Ela falou para o espanto de todos.

- Porque pergunta isso? – Harry fez questão de perguntar.

- Seus olhos, são iguais aos meus.

E pela primeira vez, desde que havia entrado naquela sala, Harry sorriu. O que fez meu coração falhar e os olhos da mãe brilhar.

- Tem razão, mãe. Iguais aos seus.

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Ainda podia ouvir a palavra "mãe" ecoando pela minha cabeça, me preenchendo de calma e carinho. Aquele era meu filho, grande crescido, lindo, e pelo o que eu podia notar, até mais maduro que James.

James...

Meu rosto esquentou sem controle quando percebi a direção de meus pensamentos.

Deus eu tinha mesmo casado com ele? Como aquilo era possível? O que tinha dado em mim pra fazer tal asneira?

Não posso ter casado com essa coisa!

Sentia vontade de perguntar aos quatro ventos:

O que vocês fizerem realmente? Andem, me digam o que vocês fizeram, quem foi o torturado??

Só podia ta doida quando aceitei uma coisa tão estranha como casar com James Potter.

Mas droga, o meu filho lindo estava ali pra comprovar que tinha casado, e o pior, engravidado dele. Porque Lene e Alice não impediram essa idiotice?

De repente foi me batendo um desespero, uma angustia, e quando notei, estava chorando aos soluços.

- É castigo não é? To pagando por ter sido cruel. – Dumbledore olhou com pena pra mim. – Eu juro que aquela vez que madame Norra ficou cacarejando foi por puro acaso.

- Lily? – ouvi a voz de James.

- Como eu posso ter casado com o cara que eu mais odeio no mundo? Isso não é normal... – minha voz foi morrendo, enquanto os soluços aumentavam.

- Senhorita Evans, o tempo é algo que muda constantemente, portanto, não fique se lamentando por possíveis escolhas ruins. O que pode ser ruim agora pode ser maravilhoso futuramente.

Meu choro foi acalmando, e as palavras do diretor rondando minha cabeça. Encarei Potter, e pude ver que estava triste, cabisbaixo, mexendo num buraco no forro da poltrona. O que eu tinha falado sem pensar, mais uma vez tinha o magoado.

- Acho que está na hora de vocês quatro irem descansar. – Dumbledore falou se levantando. – Harry leve-os para os dormitórios. James ficara sobre seus cuidados. Lilian sobre os cuidados de Virginia.

Continua...

N/A: Pois é galera, demorei, mas cheguei!!! Ahuahauhauhau

Quero pedir desculpa pra todos, e dizer que a demora foi por está trabalhando muito. Meu tempo está escasso, e quando tenho algum, normalmente desmaio e descanso. Tirei o dia de hoje (18/02/2009) pra terminar esse cap. que estava a tanto tempo quase concluído. Bom pra quem acompanhava a antiga versão, vão perceber que as coisas estão mais explicadinhas, e menos quebra pau. Com a Lily quebrando tudo pra cima do James feito uma louca desvairada. Isso, logicamente deixarei para o futuro! Ahauhauhauhauah!

Espero que o cap. esteja do agrado de todos, e qualquer reclamação é só mandar um review, posso demorar pra responder, mas prometo responder.

Ahhhh, acho que nessa nova versão vocês também notaram que o Rony ta tudo de bom né? Tenho pena da Mione! Ahauhauhauh.

Ahhhh², não foi betada ok?! Não tive tempo de mandar pra ninguém... se alguém quiser corrigir pra mim e me mandar por email depois, vou adorar...

Bjs pra todas...

Muitos reviews que eu vou adorar...

Ara Robert (antiga Ara Potter!)

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