ALGO CHAMADO DESTINO

Capitulo 1 - A Sra. Yong, a taróloga.

Quando Tomoyo me lembrou de que nós quatro, do apartamento, havíamos marcado uma consulta com uma taróloga na segunda feira, meu estômago se revirou ligeiramente, pelo choque.

"Você esqueceu" – acusou Chiharu, balançando a cara. Eu esquecera mesmo.

Espalmando as mãos por sobre a mesa, ela me avisou:

"Nem mesmo pense em dizer que não vai"

"Saco" – murmurei, porque era exatamente isso que pensara em fazer.

Não que eu fizesse objeções sobre conhecer o futuro, Pelo contrário, era até um pouco divertido Especialmente quando chegava à parte onde as videntes me diziam que os homens dos meus sonhos estava para aparecer a qualquer momento, e isso era até um tanto cômico. Até porque estava solteira e sem perspectiva alguma de surgir um príncipe encantado.

Só que eu estava dura, embora tivesse acabado de receber o salário, minha conta parecia um país arrasado com cadáveres por todo lado, pois no dia que recebi meu contracheque gastei uma fortuna em óleos aromáticos e cosméticos que prometiam me rejuvenescer, me energizar e levantar meu astral.

Assim quando Chiharu lembrou que eu me comprometera a pagar 30 ienes a uma mulher para que ela me dissesse que eu ia viajar sobre o mar e possuía um pouco de mediunidade, compreendi que ia ficar sem almoçar por duas semanas.

"Acho que não vou poder pagar ..." – disse, nervosa.

"Você não pode dar para trás agora!" – trovejou Chiharu – "A Sra. Yong vai nos dar um desconto. Nós três vamos ter que pagar mais caro se você não for."

" Quem é essa tal de Sra. Yong? – perguntou Meilin, desconfiada, interrompendo o jogo de paciência e olhando em cima do computador".

" A taróloga" – respondeu Chiharu.

"Mas que tipo de sobrenome é esse, Sra. Yong? – quis saber Meilin".

" É um nome chinês." – respondeu Chiharu meio impaciente já.

"Não! - Meilin sacudiu seus longos cabelos negros, aborrecida. – "Estou perguntando que tipo de nome é esse, 'Sra. Yong', para uma taróloga? Ela devia se chamar Madame Mim ou algo do tipo. Ela não pode ter esse nome, Sra. Yong. Com um nome desses, como não é que a gente vai acreditar no que ela prevê?

" Bem é o nome dela." – Chiharu parecia um pouco chateada. – " Mas disseram que ela é ótima".

"Você acabou de acabar de terminar com Yamamoto, Sakura. – disse Tomoyo virando a capa da revista Vogue, olhou para o meu rosto e disse: – " Está precisando mesmo visitar uma taróloga."

Embora eu não gostasse de reconhecer, talvez ela tivesse razão. Agora que acabara de descobrir que Yamamoto, não era o homem dos meus sonhos, era só questão de tempo antes de eu começar a fazer algumas pesquisas paranormais, a fim de saber exatamente quem, seria. Esse era o tipo de coisa que minhas amigas e eu fazíamos, embora tudo fosse farra, e ninguém mais pretendesse acreditar, de verdade na cartomante. Pelo menos nenhuma de nós iria admitir que acreditara nela.

Pobre Yamamoto, ele fora uma grande decepção. Especialmente depois que as coisas começaram de uma forma tão promissora. Achei que ele era lindo. Sua beleza mediana tinha sido ampliada. Ele parecia um selvagem, perigoso e despreocupado com as calças pretas de couro e a moto. Bem, era de se esperar? Para que serviam as motos e as calçar de couro preta a não ser representar o uniforme de um homem selvagem, perigoso e despreocupado?

Evidentemente achei que não tinha a mínima chance e alguém como ele teria um monte de garotas à sua disposição. Eu era tão, tão mirradinha e geralmente homens gostavam de mulheres peitudas e loiras e eu não tinha nenhum atributo que se encaixasse no tipo " Loira Peituda". Meus peitos mais pareciam dois ovos fritos. Uma desgraça para mim, pois sempre colocava algodão no sutiã para que meus peitos parecessem maiores.

Para a minha surpresa, Yamamoto me chamou para sair e agia como se gostasse de mim. Eu não entendia direito, como um homem como ele queria ficar comigo. E claro que a cada palavra que saía de sua boca, eu não acreditava em nenhuma. Quando dizia que eu era a única garota da sua vida, imaginava que ele estava mentindo. Quando dizia que eu era adorável, eu me perguntava por qual ângulo.

Levou algum tempo para eu compreender que ele estava sendo sincero. Eu esperava ter um breve caso com ele, bem passional, uma montanha russa de sentimentos, em que meus nervos iam viver retesados à espera de seu telefonema, para finalmente eu sentir o inundado pelo êxtase quando ele realmente telefonava. Só que ele sempre ligava na hora marcada e dizia que estava linda, não importasse que roupa usasse. Em vez de sentir feliz me senti um pouco à vontade. Ele começou a gostar muito de mim, o problema é que não era recíproco. Por quanto mais ele me cercava com bajulações até chegar ao ponto que mal conseguia respirar perto dele. Comecei a desprezá-lo por gostar tanto de mim. Ele me desapontara. Esperava desrespeito em vez disso, dedicação. Esperava infidelidade e em vez disso, um compromisso. Esperava um lobo e consegui um cordeiro.

Sei que é desagradável quando o cara legal de quem você tanto gosta demonstra ser um canalha completo, mentiroso e com duas caras. Mas é quase tão mau quando o cara que você espera ser um galinha em quem não se pode confiar prova que é, na verdade, um sujeito descomplicado e legal. Foi quando entendi que a frase " mulher gosta de apanhar" já rolava há centenas de anos e então relaxei, afinal, não fui eu que fiz as regras.

"Ai Tomoyo" – disse olhando para ela, não acreditando no que ela dissera. Tomoyo olhou para mim com as sobrancelhas arqueadas e com um cara " Tomoyo o que?"

" Ok... ok, eu vou" – disse concordando, afinal não queria que elas pagassem mais caro para ir a Sra. Yong e também porque já estava até um pouco curiosa para saber o que o futuro reservava para mim.


Parecia haver uma ligação direta entre a dificuldade se chegar à casa de uma taróloga e sua reputação. Quanto mais inacessível e desanimadora a localização de sua residência, melhores e mais confiáveis eram as suas previsões. Essa idéia era geralmente aceita.

Isso significava que Sra. Yong devia ser brilhante, por que ela morava em subúrbio distante e horroroso nos arredores de Tóquio. Tão obscuro e escondido que tivemos de ir até lá no carro de Tomoyo.

" Por que não podemos ir de ônibus?" – perguntou Meilin, ao ouvir Tomoyo avisar que todo mundo ia ter que rachar a gasolina. Meilin estava mais dura que eu. Ela passara os dois últimos finais de semana sem sair para economizar dinheiro para ir a taróloga. Dois finais de semana significavam uma coisa: sem festas, sem bebidas. O que para Meilin era muito. Convenhamos, para qualquer uma de nós dois finais de semanas sem festas e sem bebida era um terror.

" Os ônibus não vão mais até lá!" – disse Chiharu de forma vaga.

"Por que não?" – insistiu Meilin

"Por que não." – explicou Chiharu.

"Mas por que não?" – eu continuava intrigada.

"Houve um problema" – e isso foi tudo que explicou sobre o assunto.

Na segunda feira, ás cinco em ponto, Meilin, Chiharu, Tomoyo e eu nos encontramos na cafeteria perto do local onde Tomoyo trabalhava. Ela foi buscar o carro onde estava estacionado a quilômetros de distancia dali, pois estacionar o carro no centro de Tóquio era assim mesmo.

" Vamos deixar esse lugar almadiçoado" – sugeriu Tomoyo, chegando com o carro.

A viagem foi um pesadelo. Passamos horas no tráfego engarrafado ou então passando por subúrbios desconhecidos, até que entramos em uma rodovia. Depois de nos perdemos por alguns minutos, Tomoyo já estava irritada com Chiharu, pois ela sempre conseguia se perder, mesmo com um mapa na mão. Após alguns minutos conseguimos chegar em um conjunto residencial. Este não havia jardins, nem plantas e muito menos arvores e era totalmente obscuro, pois era pintado de cinza dando um aspecto nada agradável.

Verificamos o numero d casa e o endereço da casa de Sra. Yong, no pequeno papel que Chiharu anotara. Logos encontramos e não podia ser nada diferente que uma casa revestida por pedras, janelas de vidro duplo e pequena varanda envidraçada. Todas as janelas possuíam cortinas finas, rendadas e lindas persianas. Evidente que os sinais de prosperidades que faziam a casa se sobressair de todas em volta, A Sra. Yong devia ser uma espécie de estrelas entre as tarólogas.

" Toque a Campainha" – disse Tomoyo a Chiharu

"Eu não. Toque você" – reagiu Chiharu

" Mas você já esteve aqui antes!" – explicou Tomoyo

" Deixem que eu toco" – suspirei, esticando o braço e apertando a campainha.

A porta se abriu e em vez de uma mulher exótica, sombria e com cara de médium, um rapaz com cara emburrada nos atendeu para nossa surpresa.

" Pois não? – perguntou ele, olhou cada uma de nós como estivesse examinando.

Todas nós estávamos com vergonha e não conseguimos falar uma palavra. Fazíamos o gênero discreta. Foi então que Tomoyo deu uma cotovelada em Chiharu e esta deu uma cotovelada em mim e eu sem alternava, já que Meilin estava atrás de mim, disse:

"A Sra Yong, está?"

Ele me olho meio desconfiado, e então decidiu que tinha um ar confiável.

" Ela está ocupada" – murmurou

" Fazendo o que?" – perguntou Meilin impaciente.

" Tomando chá" – respondeu

" Será que podemos esperar?" – perguntou Tomoyo

" Ela está nos esperando" – disse Chiharu

" Viajamos de tão longe" – especou Tomoyo

"Viemos seguindo as estrelas" – completou Meilin, prendendo o riso

Nós três olhamos para Meilin franzindo atesta. Embora eu estivesse quase rindo da situação.

" Desculpem" – disse Meilin

O rapaz parecia um tanto ofendido que fez questão de fechar a porta.

"Não, por favor, não faça isso" – implorou Tomoyo. – "Ela já pediu desculpas!"

" Então está certo" – disse ele, um pouco desconfiando, deixando-nos entrar em uma sala minúscula. – " Esperem aqui!" – ordenou ele.

Não lembro quanto tempo ficamos ali, mas pareceu uma eternidade. Ficamos naquela sala minúscula esperando o tempo passar e sentimos totalmente ignoradas.

" Isso tudo é ridículo! Vamos embora!" – disse Meilin

" Meninas, por favor, esperem! È sério, ela é fantástica! – pediu Chiharu

Finalmente, a Sra. Yong havia terminado o chá e surgiu no meio de nós. Não consegui evitar o desapontamento quando a vi. Ela parecia tão normal. Não tinha nenhum lenço na cabeça, nenhum brinco de argola e muito menos roupas exóticas. Ela simplesmente usava uma cala de moletom e uma camiseta e ainda por cima estava de chinelos.

" Certo meninas!" – disse ela. – "Quem será a primeira?"

Chiharu foi à frente, depois foi Meilin, seguido de Tomoyo e por ultimo, eu. Quando chegou a minha vez, entre no que ra evidentemente, a 'sala boa', porque o ambiente estava cheio de objetos esotéricos desde cristais a incensos.

A Sra. Yong estava sentada em uma das poltronas cobertas de plástico e fez um gesto para que eu me sentasse à frente. Enquanto tentava chegar à poltrona que ela me indicara, comecei a sentir nervosa e empolgada. " O que ela me dirá? Me perguntava. O que o futuro reservava para mim?

" Sente-se aqui" – indicou ela. Sentei na pequena poltrona revestida de plástico. Foi quando ouvi. – "Bola ou cartas?"

"Como disse?"- perguntei um pouco nervosa

" Bola ou cartas? Bola de Cristal ou cartas de tarôt?" – repetiu educadamente.

" Ah bem ... qual a diferença?

" Cinco ienes"

" Não, estou falando ... deixa pra lá . Cartas, por favor"

"Certo" – disse Sra. Yong, e com isso, começou a embaralhar as cartas com habilidade. – " Agora, querida, você deve embaralhas um pouco! Mas tenha cuidado! Não deixe cair no chão!

Deixar cair no chão parecia representar má sorte.

"Agora, faça uma pergunta a si mesma, mentalize, mas não conte nada. Não preciso saber sua pergunta. – continuou ela.

Eu podia ter escolhido varias perguntas. Por exemplo: "haveria o fim para o a fome do mundo?", "Haveria paz no planeta. De certo modo, descobri que a pergunta que queria saber realmente era; " Algum dia vou conhecer o meu príncipe encantado?"

"Já decidiu a pergunta querida?" – perguntou ela.

Acenei que sim e ela começou a arremessar as cartas sobre a mesa. Não sabia o que significava aquelas figuras, mas tudo indicava que eram coisas boas. Aparecia a figura de uma homem e isso parecia ser coisa boa.

" Sua pergunta é em relação com um homem?" – perguntou ela.

Mas isso não impressionou muito, pois era uma mulher jovem de 26 anos e só havia duas coisas com que me importar: vida profissional e amorosa.

" Sim" – respondi desanimada.

" Você tem tido pouca sorte no amor" – disse ela.

Também não me impressionei com ela, por que todas as garotas que vem procurar uma cartomante é por que tinha problemas com relacionamentos passados.

" Há um homem no seu passado, vejo que é algo recente" – disse ela. " Ele não é um homem para você"

Realmente era recente, ela parecia falar de Yamamoto. Mas isso já havia descoberto sozinha.

"Obrigada" – disse, aborrecida

" Não desperdice lágrimas por ele" – disse ela

" Pode deixar"

" Por que há um outro homem a caminho" – afirmou ela

" Sério?" – quis saber, estava curiosa e isso fez com que inclina-se um pouco mais.

" É verdade. – disse ela. – "Estou vendo casamento aqui."

" Casamento? De quem? – perguntei.

" Seu, querida.

"Meu?" – perguntei não acreditando. Mal eu tinha um namorado.

"Sim, querida, seu!" – disse ela, com sorriso nos lábios. – Antes que as folhas caiam pela segunda vez, querida!

"Como?"

"Antes que as quatro estações passe uma vez e metade de outra. – explicou ela.

" Não estou entendendo?" – pergunte a ela. Essas manias de falar difícil.

" Em um ano" – afirmou ela

" Um ano? Não dá pra esticar o prazo não?" – perguntei a ela, afinal era tão jovem para casar, e pelo jeito ria me casar no outono e eu sempre me via casando na primavera.

"Desculpe querida! Sou apenas uma mensageira!" – disse ela. – Vamos dizer que a previsão vais acontecer em até 18 meses."

" Mas quem poderá ser ... – falei.

" Você precisa ter cuidado querida" – avisou ela. " A principio, pode ser que você não o reconheça como a pessoa que realmente é.

"Vou conhecer em uma festa? – perguntei

"Não." – negou ela. – " Estou dizendo que ele não pode ser o seu tipo preferido de homem"

" Entendi, então! – continuei – " Quando Takeda, o cara da locadora, todo estranho e antipático, me convidar a sair, eu devo mais tirar sarro da cara dele.

"Essa é idéia. – continuou. – Vejo que você não vai ser rica, mas vão ser muito feliz"

Disse também:

" Você tem uma inimiga"

Nessa tive que rir, por que embora eu e as meninas discutíssemos um pouco nunca fomos de picuinhas. Isso era infantil.

" Bom é isso, querida! Boa sorte" – disse. " Ah, e nunca se afaste das pessoas que te querem bem"

" Pode deixar" – disse

Sai da sala da Sra. Yong extasiada. Descobri que tinha uma inimiga, o que era pouco provável por que sempre me dei bem com todas as minhas amigas. Descobri que ia casar e dentro de um ano. O único problema é que não tinha nenhum namorado. Isso parecia improvável acontecer. Casar significava fim de festas e fim da vida de solteira!