A trilogia dos Valetes tem um significado especial para mim. Já confessei a Lulu que foi depois de ler Mistérios de Londres que eu virei definitivamente fã dela. Vi O Nome do Jogo nascer, e ajudei no parto de Sétimo Selo...

Assim, tenho que confessar que fiquei com pena de postar o final da história. Sabe quando se tem um amigo de muito tempo e sabe que deve deixar ele partir, mesmo que saiba que vai sentir saudades? È assim que me sinto com SS.

Mas toda boa história precisa de um começo-meio-fim. Já dizia o tio Neil Gaiman e ele sabe das coisas.

Aqui estamos diante do fim.

Queria agradecer a todos que me acolheram tão carinhosamente quando assumi a fic, por terem sido tão receptivos. Agradecer por tudo, pelos elogios, pelas perguntas, por tudo mesmo.

Provavelmente eu e a Lu continuaremos por aqui por algum tempo. Nosso próximo projeto está parado, mas, quem sabe? Temos algumas idéias. Falta apenas tempo e um estalo.

Por enquanto continuaremos postando aqui Para Sempre na Memória e Walking Down the Aisle.

Quanto aos personagens do Universo dos Valetes, acho que chegamos a todos os pontos finais. Ás vezes penso em alguma coisa com Órion-Leda-Ariadne-Kyle, mas, ainda não sei se seria aqui ou no Expresso Hogwarts (para quem não sabe ainda, os personagens de SS foram devidamente adaptados para o Expresso, na Fic "Time of Your Life", o quarteto acima aparece.

Deixo vocês com o final.

Espero que gostem

Abraços, Ana


Epílogo

Londres, dezembro de 1950

Querida Mina,

Como estão as coisas na América? Espero que estejam bem. Aqui muitas coisas mudaram desde o último Natal, quando esteve conosco.

Talvez seja do interesse da minha digníssima Miss Holmes saber que o fruto de suas investigações levou a um saldo cada vez mais positivo para Órion. Como te contei anteriormente, o reitor não ficou muito satisfeito em saber que o fantasma era obra do meu irmãozinho querido. Talvez nem a lábia de papa fosse o suficiente para amainar a ira do homem, contudo,o professor de química e física ficou impressionado com as estripulias de Órion.

Assim, como parte do "castigo", ele ficou encarregado de trabalhar nos laboratórios, auxiliando o professor em suas experiências e na manutenção do lugar.

Se Aria não tivesse sido aceita na Academia, e, os dois tirassem parte do tempo livre para namorarem pelos arredores da escola, certamente o caçador passaria dias e noite enfurnado nos laboratórios.

Aproveitando o ensejo, Leda também vai muito bem, obrigada. Ela e Kyle estão estudando na mesma escola aqui em Londres. Tio Remus ainda não se decidiu se está feliz ou preocupado.

Falando no tio Remus, ele e Tonks (que mesmo depois de casada ainda prefere ser chamada pelo sobrenome de solteira) vão ganhar um bebê, muito em breve. Não preciso dizer que tia Andie e tio Ted também vieram para cá acompanhar o nascimento do primeiro neto.

Tonks está quase ficando louca. Acho que ela reza todos os dias para que seja um menino e possa chama-lo de Theodore, e, assim, evitar as sugestões de nomes da mãe dela.

A sorte da minha prima é que a mãe está simplesmente encantada com a nora. Tia Andie praticamente quer arrastar Ginny e Arch para o altar, com a aprovação e o apoio da senhora Weasley. Os dois apenas se fazem de desentendidos quando as mães tocam no assunto.

Mama e Papa não poderiam estar melhores. Ele sugeriu fazer um retiro espiritual com minha mãe para "lembrar os velhos tempos". Seja lá o que ele quis dizer com isso, o resultado foi minha mãe ficar mais vermelha do que eu consiga me lembrar.

Tia Lily e Tio James também estão ótimos. Tia Lily, em especial, parece mais leve e feliz, talvez tenha sido a mudança da tia dela, Hannah, e da filha desta, Marie, para a Inglaterra. Você não chegou a conhecer nenhuma das duas.

Claire está exultante com a presença da nova amiga.

Uma coisa importante também aconteceu neste último semestre. Apesar de toda a loucura da minha decisão, posso afirmar que estou conseguindo conciliar as matérias de Direito e as de Psicologia. Preferi optar pelos dois cursos, ao invés de me prender a um só. Acho que vão ser bem úteis em minha futura carreira.

Quanto a Harry e eu...

-Lyn?

Ela interrompeu a carta, levantando o rosto, vendo Harry adentrar o recinto, com um sorriso estampado no rosto.

-Eu estava escrevendo uma carta para Mina - ela disse, pousando a caneta tinteiro do lado, e organizando os papéis sobre a mesa. - Talvez pudéssemos visita-la na América no próximo verão.

-É uma boa idéia - Harry respondeu, ligeiramente evasivo.

Somente então, Lyncis percebeu que o namorado tinha as mãos escondidas atrás das costas.

-O que está aprontando, Sir Potter? - ela perguntou, provocativa.

-Eu realmente não consigo esconder nada de você, Lady Black - ele sorriu, de modo muito semelhante ao dela.

Harry aproximou-se, estendendo uma caixa de um azul escuro, quase negro em direção à Lyncis.

-Queria ser o primeiro a te dar um presente de Natal.

Lyncis abriu a caixa com cuidado, quase intuindo o que estaria em seu interior. Era um rubi, do tamanho de um punho fechado, incrustado numa gargantilha de ouro branco, cercado por outros pequenos rubis.

O Coração do Dragão.

A jóia que um dia pertencera à família de Albus Dumbledore. Durante muitos anos, era tido como maldita, capaz de trazer a desgraça e a morte a quem a possuísse.

Contudo, foi aquela jóia que uniu os destinos de James e Lily, que aproximou Sirius e Susan. Não fosse a existência dela, talvez nem Harry nem Lyncis tivessem nascido, se conhecido e se amado.

A jóia portadora da morte, no fim das contas, trouxera vida àquelas famílias.

Harry tirou a jóia da caixinha, contornando-se até se postar atrás de Lyncis, que afastou o cabelo, revelando o pescoço alvo. O rapaz colocou o colar, cerrando o delicado fecho da jóia.

-Não acha o colar um pouco exagerado? - Lyn perguntou, em um gracejo, tendo Harry novamente à sua frente.

-Talvez, mas trouxe felicidade aos nossos pais. - ele retorquiu.

-E você realmente precisa de uma jóia para saber que vamos ser felizes? - Lyncis perguntou, divertida, arqueando a sobrancelha.

-Não - Harry respondeu, pousando a mão no rosto da moça - Basta eu olhar para você.

Ela passou as mãos pelos cabelos dele sem responder, mas mostrando no olhar que se sentia exatamente como ele. Harry abaixou o rosto, ao passo que Lyncis levantou o rosto novamente, aproximando-se dele e deixando que seus lábios se encontrassem em um beijo cúmplice.

Eles seriam felizes, mesmo que houvesse obstáculos em seu futuro, como reconheciam que haveria, os dois simplesmente sabiam. Seriam felizes. Felizes para sempre.


Pósfacio

Faz quase dois anos anos - quatro se contarmos com o início da trilogia, em outubro de 2004 - que essa história está rendendo. Entre bloqueios, pcs mortos, faculdade, trabalho, estágio, doença, acessos de loucura, epifanias, maldições e tentativas de se jogar da janela, finalmente, chegamos ao fim.

Sim, ao fim. Uma boa história tem que ter começo, meio e fim. E eu posso dizer hoje que a trilogia dos Valetes deu tudo o que tinha de dar. Para o bem ou para o mal.

Aprendi muitas coisas com essa história. Acredito, aliás, que nenhuma outra tenha me dado mais dor de cabeça. Mas eu estou satisfeita. Agora, eu estou realmente satisfeita. Feliz, contente e alegre como um passarinho. ALELUIA, IRMÃOS!

O que mais posso dizer nesse posfácio? Que me surpreendi com o desenvolvimento dos personagens? Acho que isso é algo que sempre acontece com escritores que passam muito tempo debruçados sobre os mesmos caracteres... O personagem começa a tomar decisões por si próprio, ele cresce, faz coisas que seu autor não imagina que ele fosse capaz de fazer... ele amadurece. E o autor amadurece junto com ele.

Que foi uma honra trabalhar com a Ana? Que sem ela não teríamos chegado a esse ponto? Acho que também é óbvio. Para início de conversa, não fosse ela, SS nunca teria "nascido". Foi ela quem sugeriu a continuação, foi com ela que passei horas discutindo sobre os próximos lances da história, sobre cada detalhe que tinha planejado... Não deve ser coincidência, portanto que, assim como devemos a ela por essa história ter começado, também devemos o fato de a história ter terminado.

O que mais, o que mais... Ah, sim... quase me esqueço do mais importante. A verdadeira causa de estar aqui, nesse momento, quase à beira das lágrimas (estava cortando cebola na cozinha para mamãe)... Vocês, leitores.

O que seria de um escritor sem seus leitores? O que seria da gente sem vocês? É por vocês que chegamos até aqui. É para vocês que dedicamos a essa história.

Obrigada pela paciência. Pela confiança. Pela torcida. Esse foi o melhor prêmio para nosso esforço. E palmas para vocês que nos suportaram até aqui. Eu confesso, não é fácil. Mas vocês deram conta da tarefa. ;)

Beijos, pessoal! E até a próxima!

Silver.