Capítulo I- Molly e Arthur discutem

Na casa do Largo Grimauld toda a Ordem da Fênix se reunia trocando idéias e estratégias para a derrocada definitiva de Voldemort. Harry, Rony e Hermione estavam em seu sétimo ano e o mundo mágico a cada dia considerava mais próximo o enfrentamento final. Mesmo que a Mansão Black não lhe trouxesse boas lembranças, Harry preferia ficar ali a estar com os Durleys durante aquelas férias de Natal. Até mesmo o quadro da Sra. Black parecia menos bravio que de hábito. Hermione considerava que a velha megera, embora não admitisse deveria sentir alguma afeição pelo filho Sírius, o pária de sua linhagem.

- Molly querida- disse Arthur entrando na cozinha com estrépito.

- O que foi, Arthur? – questionou ela, cuidando com atenção da louça que se lavava por meio de magia.

- Hoje teremos um lauto jantar. – informou ele, satisfeito consigo mesmo.

Harry e Rony pararam na porta da cozinha, escutando atentamente a conversa.

- Em honra a quê? – quis saber ela, secando as mãos em uma toalha.

- A quem, Molly.. a quem...- o rosto de Arthur Weasley parecia inflar de orgulho. - O Snape conseguiu capturar Avery, Nott e Roderwood com um só lance.

- Não acredito que você esteja querendo minha colaboração para organizar um jantar para o Snape! – ela parecia indignada- Como se aquele Snape fosse boa coisa. Não... um Snape jamais seria boa coisa...- Molly estava ainda mais inflamada.

Harry limitou-se a balançar a cabeça, pois lhe parecia uma insensatez organizar um jantar em homenagem ao Snape! Justo àquele cretino que matara seu padrinho!

- Mas , Molly- Arthur interrompeu a torrente de palavras da esposa- Você tem que...

- Eu não tenho nada, Arthur! – retrucou ela, inflamada- Se Severo Snape conseguiu capturar aqueles comensais da Morte, ótimo para ele, mas sempre meu caro- ela tinha o dedo indicador a centímetros do nariz do marido- sempre é preciso que saibamos os métodos que ele usou! – Molly Weasley respirou fundo- O que foi desta vez? Alguma maldição imperdoável nova? Alguma daquelas poções alucinógenas que lê prepara? Ou algo mais grotesco como...

- Chega Molly!- Arthur interrompeu sua esposa com um grito frio, destituído de emoção- Chega! Dumbledore pediu que fizéssemos esse jantar.- Secando a testa, ele se corrigiu- Que você fizesse o jantar. Ele diz que é preciso que o Snape se sinta integrado a Ordem...

Molly parecia ainda bravia, disposta tirar a limpo toda a questão sobre o Snape, mas não gostava de questionar ordens... ordens não.. pedidos de Dumbledore, embora na maior parte dos casos não concordava com eles.

- Tudo bem, Arthur. Tudo bem- ela deu de ombros.- se foi a pedido de Dumbledore, executaremos, mas... – a mulher parou duvidosa, no meio da frase.

- Mas...- o marido ficou curioso.

- Mas quem sabe Sírius não estivesse coma razão no caso do Snape? – ela franzia a testa, demonstrando grande concentração.

- Bobagem Molly querida- comentou Arthur, saindo da cozinha antes que se iniciasse uma nova discussão. Sabia o quão a esposa poderia ser implacável e quanto o temperamento dela, era no mínimo explosivo.

O sr. Weasley saiu da cozinha e nem percebeu a presença dos dois garotos. Rony limitava-se a olhar para Harry. Sabia o quanto delicada ainda era para ele, a morte inesperada de Sírius, e mais sabia que Harry considerava Snape culpado disso.

Harry sentia os olhos do ruivo presos em si, mas não esboçou nenhuma reação. Odiava Snape desde quando o vira pela primeira vez, e mesmo inocente, o passado sempre falaria contra o ex-comensal da Morte. Mas, realmente era complicado entender porque Snape seria recebido com honras e um jantar especial na casa que fora de Sírius. Não deveria ser simplesmente por ter capturado três importantes comensais da Morte. Deveria ter algo muito serio por detrás disso, muito serio. Como Harry já sabia por experiência própria, as ordens de Dumbledore tinham um porque indiscutível e deveria ser cumpridas. Sempre! O moreno foi retirado de seu devaneio pela voz feliz de Hermione que dizia a suas costas:

- E então garotos, alguma novidade?