Disclaimer: Nada mudou: os personagens continuam pertencendo a J.K. Rowling e eu não ganho absolutamente nada com isso.

Obrigada, Marck Evans , beta mais lindo.

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Capítulo 29

Harry foi caminhando até o quarto, um pouco confuso com tudo que estava acontecendo. Entraram em silêncio e virou-se, ainda sem acreditar que Draco estivesse tão bem.

- Draco, eu estou muito feliz com sua volta...

Draco ergueu a sobrancelha levemente e perguntou:

- Mas?

- Não tem nenhum 'mas'. Nada vai diminuir a minha satisfação em vê-lo bem.

- Ótimo. – Draco sorriu e se aproximou, abraçando-o.

Harry retribuiu o abraço, mas afastou o torso para poder encarar o outro rapaz.

- Não quer saber como as coisas aconteceram? Sobre seu julgamento?

Draco fez uma expressão divertida e disse:

- Não, Harry, não quero. Severus já me contou que fui inocentado e é isso que importa por hora. – continuou ironicamente. - Depois, pode me fazer uma narrativa dessa história emocionante. – Aproximou-se ainda mais. – Agora, só quero colocar 'nossos' assuntos em dia. Não é porque eu estava desacordado que vou deixar barato quase um ano sem sexo.

Draco venceu o restante da distância e o beijou. Nenhum deles falou mais nada, mais preocupados em matar a saudade que sentiam. Cada gesto, cada beijo, cada carícia e gemido, relembrando todas as vezes que estiveram juntos. Harry estava muito feliz com recuperação de Draco, mas de repente lembrou-se do olhar magoado de Sirius. Afastou-se, sentindo-se culpado novamente.

- Draco, espera. Nós precisamos conversar...

- Ora, Harry, por favor! Se eu quisesse saber as notícias, eu lia o Profeta. – Deu um sorrisinho de lado.- Não são muito confiáveis, mas paciência. Agora, prefiro continuar de onde paramos.

Draco tentou abraçá-lo outra vez, mas Harry o evitou e disse:

- As coisas mudaram...

Draco o encarou e indagou:

- Mudaram como? Além das mudanças óbvias que poderiam acontecer com a derrota do Lorde e minha inocência, é claro.

Harry encarou Draco, procurando um modo de contar o que estava acontecendo entre ele e Sirius. 'Não tem um jeito fácil', pensou e acabou dizendo, de supetão:

- Estou com Sirius agora.

Tão rápido quanto o sorriso de Draco surgiu antes, ele foi substituído agora por uma expressão fria e que Harry conhecia muito bem a ponto de conseguir identificar a raiva do outro. Não era justo falar aquilo assim, daquele jeito. Mas Harry não ia conseguir ficar muito tempo mais com aquela culpa o remoendo.

- Você está com seu padrinho? – Draco estreitou os olhos.

- Sim, estou. Eu e Sirius... foi uma coisa recente...

- Não me interessa saber se é recente. Você estava transando com seu padrinho enquanto eu estava em coma? – A voz, apesar de fria, demonstrava claramente a raiva mal contida de Draco.

- Draco, não foi bem assim. Eu queria ficar com você. Fiz de tudo para que se recuperasse, fosse inocentado e pudesse levar uma vida normal quando acordasse. Para aproveitarmos juntos. Eu te esperei o quanto pude, mas de repente não deu mais...

Harry quis se estapear pela sua falta de jeito, ao perceber a fúria evidente em cada uma das palavras de Draco quando ele o interrompeu:

- Potter, você é um idiota. O que espera que eu faça? Te agradeça por limpar meu nome? – Fez uma pausa, mas não esperou resposta, dizendo com desprezo. – Obrigado, mas não fez mais que sua obrigação. Estava apenas tentando quitar sua dívida bruxa porque eu o salvei naquela batalha. – Draco se afastou mais. – Eu devia saber que você não pretendia cumprir nada que me disse antes. Mas nunca pensei que chegaria a esse ponto. Transar com o padrinho!

Harry começou a se irritar com aquilo.

- Chega, Draco. Sabe muito bem que não fiz nada por obrigação. Fiz porque queria te ver bem. Não queria que tivesse acontecido assim. Me desculpe.

- Te desculpar? Por que? Pelo seu lapso? Não vai acontecer novamente? – Draco disse secamente.

Harry empalideceu. Não poderia se separar de Sirius agora. Tinham acabado de se entender.

- Não é isso. Eu estou com Sirius e pretendo continuar com ele.

Os olhos de Draco se estreitaram e cada palavra foi pontuada pela raiva:

- Então, não perca seu tempo pedindo desculpas. Saia daqui.

- Draco...

- Agora!

Harry saiu do quarto, sentindo-se arrasado. Não queria que as coisas tivessem tomado aquele rumo, mas deveria saber que Draco não aceitaria a situação muito bem. Se fosse bastante honesto, sabia que teria reagido mil vezes pior se estivesse no lugar do outro. Foi direto ao quarto de Sirius e não o encontrando, saiu à procura dele. Encontrou Remus sozinho na sala, uma expressão preocupada no rosto.

- Remus, está tudo bem?

- Comigo, sim. Mas Sirius saiu assim que você subiu com Draco. Ele parecia bastante chateado.

Harry praguejou baixinho e começou a sair da sala, imaginando onde Sirius estaria. Mas parou ao olhar atentamente para Remus.

- Tem certeza que está tudo bem? Você parece chateado.

Remus apenas deu um suspiro e respondeu:

- Estou. Só Severus que ficou furioso quando eu disse que procuraria Sirius. Acabamos brigando por causa de vocês.

- Se quer um conselho de bobo, não deixa que nossos problemas interfiram na vida de vocês. Procure ele e diga que não sabia de nada. Já bastam três pessoas ferradas nessa casa.

- Você vai conseguir resolver isso, Harry. – Remus disse, levantando-se.

Harry deu um sorriso torto e os dois saíram da sala. Remus foi em direção ao laboratório de Poções e Harry saiu de casa. Do lado de fora, tentou imaginar onde Sirius poderia ter ido. Encolheu-se com a rajada fria que recebeu e deu alguns passos em direção ao ponto de aparatação.

No meio do caminho, deteve-se ao avistar uma mancha negra meio soterrada pela neve. Correu em direção a ela, identificando a forma canina de Sirius. Abaixou-se preocupado e percebeu que o outro não reagia. O animago parecia ter caído numa vala, ficando preso. Harry sabia que ele deveria estar desesperado para não ter voltado à forma humana e saído dali. Angustiado envolveu-o nos braços e o carregou até onde poderiam aparatar, seguindo para o único lugar possível naquela situação.

Sirius acordou sentindo um calor gostoso emanando de um corpo ao lado do seu. Esticou o braço e puxou o outro para mais perto. Sem nem abrir os olhos, correspondeu ao beijo, ávido, ao sentir os lábios de encontro aos seus. Sua desorientação foi substituída pelo desejo quando sentiu os dedos tocando sua pele nua. Nem se lembrava de ter vindo para a cama e se despido, mas nos últimos dias tinha sido assim, nem se preocupavam em se vestir para dormir. Mas então, de repente, lembrou-se que não estava mais no México. Tinham voltado e encontraram Malfoy acordado. Aquilo foi como um jato de água fria e Sirius abriu os olhos, encarando Harry que parecia bastante surpreso.

- O que foi? Por que paramos? – O rapaz perguntou, beliscando levemente o mamilo de Sirius.

- Onde estamos e o que aconteceu com Malfoy? – perguntou, confuso.

Harry deitou-se lado, apoiando a cabeça em uma das mãos.

- Eu te encontrei caído na neve, desmaiado, e te trouxe para Grimmauld Place.

Sirius fez uma careta de desgosto e olhou o quarto em volta, reconhecendo-o como seu. Até que não parecia tão ruim. Harry provavelmente dera um jeito ali. Mas aquilo não era realmente importante. Não com a mão de Harry fazendo círculos ao redor do seu umbigo e descendo cada vez mais. Segurou a mão do rapaz e disse:

- Você não me falou o que aconteceu com Malfoy.

Harry deu um suspiro e puxou a mão que Sirius segurava, voltando acaricia-lo.

- Ficou em casa. Eu contei para ele sobre nós.

Milhares de perguntas passaram pela cabeça de Sirius naquele momento, mas estava tão contente que só perguntou:

- Então, ele sabe?

- Sabe. – Harry sorriu. – E também sabe que eu quero ficar com você.

Sirius deu um pulo da cama, feliz demais. Transformou-se no cão negro e começou a correr e pular pelo quarto, latindo contente. Ouviu a risada de Harry e pulou sobre ele. Voltou a forma humana, encaixando-se entre as pernas dele e o beijou. Mal podia acreditar que daquela vez seria diferente. Esqueceu os momentos em que esteve preso no buraco na neve e os poucos pensamentos dolorosos que ainda persistiam mesmo em sua forma animaga. Prometeu-se que não deixaria que tudo desse errado, que seria diferente daquela vez.

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Mais que nunca, o papel de Remus naqueles dias foi atuar como conciliador. Severus estava furioso, acusando-o de ser cúmplice de Sirius e Harry, e tornando a conversa entre eles muito difícil. Apenas com muita paciência e reafirmações que não sabia de nada, conseguiu acalmar o outro homem. Depois disso, Severus saiu e conversou longamente com Draco, voltando bem mais tranqüilo para o quarto. Como ele não quis contar o teor da conversa, Remus também não insistiu. Achou que apesar de tudo, a situação ficaria estremecida entre eles. Por isso, se surpreendeu quando Severus o convidou para viajarem. Passarem um bom tempo fora de casa, agora que Draco estava recuperado seria uma boa oportunidade para tudo entrar nos eixos.

Óbvio que sobrou para Remus dar a notícia a Harry e Sirius. Também sobrou para ele, convencê-los a retornarem para casa.

- Então, você e Sniv- Snape vão viajar? – Sirius perguntou.

Remus repetiu pacientemente:

- Sim, vamos. Uns tempos fora será bom para todos.

Harry permaneceu calado e Sirius voltou a perguntar, exibindo uma expressão desconfiada:

- E Malfoy?

Remus observou divertido o amigo. Sirius estava sentado no sofá, com um dos braços passado possessivamente ao redor do ombro de Harry que exibindo um ar tranqüilo.

- Não sei, Sirius. Mas acho que Severus deu a idéia de viajarmos para fazermos companhia ao Draco. Sabe, para a poeira se assentar por aqui.

Pela primeira vez, Harry exibiu uma expressão de culpa. Remus bem podia imaginar a situação difícil que o rapaz estava.

- Ótimo. Se é assim, nós tomamos conta da casa. – Sirius disse animado, mas continuou sério. – Mas só voltamos quando já estiverem de partida. Nem pensar que vou dividir o mesmo teto que Malfoy.

Remus deu um meio sorriso e respondeu:

- Sem problemas. Vão continuar aqui em Grimmauld Place?

- Vamos sim. Agora que descobri como manter o quadro da minha mãe calado, as coisas estão bem divertidas.

Harry começou a rir e Remus podia até imaginar o tipo de diversão a que Sirius se referia: irritar o máximo possível o quadro. Ficou mais um tempo com eles até que voltou para casa, satisfeito pela evidente felicidade dos dois.

No dia combinado para viajarem, Harry e Sirius chegaram em cima da hora, e Severus e Draco apareceram quando já estavam prontos para sairem.

- Então, vocês prometem tomar conta da casa na nossa ausência? –Remus perguntou, de novo.

- Claro, podem ir tranqüilos. – Harry disse, sorrindo. – E a bagagem?

Remus bateu no bolso, indicando que estavam guardadas.

- Bem, então já vamos.

Remus os abraçou, Severus apenas apertou a mão deles, e foram em direção a lareira. Viu Harry e Sirius olharem indagadores para Draco que não tinha dado nem um passo de onde havia parado. Com um gesto elegante, Draco disse:

- Façam boa viagem.

Sirius virou-se no mesmo instante para Draco e perguntou:

- Você não vai com eles?

- Claro que não. – Draco respondeu calmante e deu um sorriso presunçoso. – Esse é um péssimo momento para viajar. Pretendo recuperar tudo que me pertence. – disse dando um longo olhar na direção de Harry.

O grito furioso de Sirius foi à última coisa que Remus ouviu, antes que as chamas os envolvessem. Tinha quase certeza de ter percebido uma risada de Severus às suas costas, mas não tinha certeza. Pensaria sobre isso mais tarde, apenas aproveitaria suas merecidas férias, já antevendo o tipo de caos que aqueles três aprontariam até que voltassem.

FIM

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Acabou! Nossa, mesmo tendo escrito quase tudo antes de começar a postar, ainda deu a maior trabalheira. Principalmente porque sou Drarry e Sirem de coração! Espero que tenham gostado.

Meus agradecimentos mais que especiais para todos que deixaram reviews: Matthew Potter Malfoy, Maaya M., Fernanda Kuhn. No LJ: Jessy Snape, Nicolle Snape, Paula Lírio. E para quem acompanhou a fic. Muitas vezes, postei mais rápido porque sabia que estariam aguardando a atualização. Foram tão atenciosos que era o mínimo que podia fazer.

Eu sempre respondo as reviews que me mandam (quando estão identificadas), então, mesmo terminando se quiserem comentar, ficarei muito feliz em respondê-los.