Olá! Como vão?

Cá estou eu novamente. E, finalmente, de pazes feitas com a minha inspiração. Enfim, o capítulo saiu. Como alguns devem ter conhecimento, eu lancei um desafio – Quem seria o pai ideal para Pandora Tonks? – e as votações foram todas dirigidas a Theodore Nott, o que significa que o irresistível slytherin irá namorar com ela. Todavia, devido ao recorrer da fic, um personagem deveras interessante e incomum vai ter uma participação importante na fic. O que me dizem de Rabastan Lestrange ser o noivo de Charlie Weasley? (Lamento, não vai ser votação; já está decidido, mas gostaria de saber os vossos pontos de vista).

E, antes do capítulo, as respostas ao reviews:

Tata C. Evans: Oi! Draco com ciúmes é uma bomba! Sim, é infinitamente verdade! Ele bem gostaria de estar no lugar do Anderson. Nate tem muitas facetas e o seu nervosismo face à situação foi algo muito bem idealizado. Nate é um mistério. Pode ser insinuante, mas nos momentos da verdade, tem um tic nervoso. Syth é… atrevido. Também, olha os pais dele. Um gryffindor com coração slytherin e uma slytherin com métodos assassinos! O que pode acontecer? Essa cena foi marada, mesmo! Quis dar algum fundamento juvenil neles, Andromeda, Sirius e Bellatrix, e em breve vão acontecer mais cenas. A Pansy não vai nem pode ficar com a Pandora. Eu já tenho a vida da Parkinson feita e, tanto eu e a minha mente sádica, consideramos que vai ser KO. Um beijo e obrigada.

Inu: Oi! Obrigada pela tua review e quanto á tua proposta, vou responder-te da seguinte maneira e espero sinceramente que não fiques molesta comigo. Eu considerei a tua ideia e, por mais que ela me atraia, eu já vou fazer sofrer o Syth o suficiente. Posso fazer uma «quase-violação», mas não vou estrupar o Syth. E, em resposta à sua outra questão, ainda vai demorar um pouquinho para aparecer a relação SythxDraco. Beijos.

Scheila Potter Malfoy: Oizinha! Jura!? De verdade?! Bom, fico satisfeita ao saber que a Narcissa tenha um papel positivo quanto aos teus gostos. Oh, sim, minha querida amiga! Dray está morrendo de ciúmes. O que será que ele daria para estar no lugar do Nate? Pansy gosta da Hermione, agora se a Hermione gosta da Pansy… O Ronald e a Hermione? Bom, Scheila, aconselho-te a leres este capítulo e espero que satisfaça a tua curiosidade. Por enquanto, o Syth irá manter-se á parte da vida do Ron e da Herms. Dumbledore, minha cara Scheila, vai fazer aquilo que tu me pediste á dias por e-mail. Vai protagonizar um papel de manipulador. O que me diz? Sirius e Syth precisam de diálogos e, sem dúvida alguma, que isso irá acontecer no próximo capítulo. Obrigada pelo teu review! Beijos para ti e para o Matheus! Olha, lê Fate Is So Beautiful. Não só é boa, pelo menos no meu ponto de vista, como Dumbledore, Ron, Hermione e a Ordem são manipuladores. Parabéns!

Cissy Potter: Olá! Harry James Potter morreu definitivamente da vida de algumas pessoas e ele não é Syth Elliot Black. Syth é uma pessoa fria, cínica, sensual e divertida. Harry é tímido, arrogante e reservado. Pessoas completamente diferentes. Modos tarados… Sei… Ele é filho de dois tarados. Tal pai, tal filho! É verdade, Bellatrix mudou imenso. Mas ainda está presente a mulher fria e cruel. Oh se está… Ron fica com o Blaize e a Pandora é, oficialmente, par do Nott. Rodolphus? Oh, ele vai criar um furacão nas vidas de todos os Black existentes. Vai haver guerra. Fico satisfeita ao saber que gostas da Cissy. Um beijo!

DarkAngelSly: Hello! Eu não acredito, eu morri! De verdade és tu? Santo Deus, eu nem quis acreditar quando recebi a tua review. És uma fonte de inspiração para mim, eu adoro as tuas fics! Leio todas elas (apesar de não comentar) e nunca saio decepcionada. Adoro o teu modo de escrever! Merlin… ainda me estou a recuperar do choque. Muito obrigada pela tua review, mas a Pandora não irá relacionar-se com o Ronald. Jamais. Sim, a cena com Voldemort é a uma verdadeira agonia. E prepara-te, porque vem mais. Se decidires continuar a ler a fic, anda sempre com um saco por perto. brincadeira!Beijos!

Como devem ter reparado, eu alterei o sumário. Nem sequer sei quantas vezes eu já fiz isso, mas só posso dizer que vai ser definitivamente. Cheguei á conclusão que The Black's: My True Family vai ter duas temporadas que indicam o sexto e o sétimo ano em Hogwarts, respectivamente. Espero que compreendam e não deixem de comentar. Beijos e até para a semana! Boa leitura!


Chapter 12.Facts


Roménia

Motel 'Shining'

Um som na janela distraiu-o.

O homem de cabelos ruivos, desalinhados, e profundos olhos azuis encarou a janela. Era Pig. Com pesar, suspirou e livrou-se das luvas de couro que usava. Em passos largos e ruidosos, por causa das botas de cano alto, foi até ao vidro onde a coruja castanha e pequena picava, e parecia necessitar de recuperar forças, pois transportava papéis demasiado pesados para ela. Uma gargalhada divertida escapou dos lábios do ruivo e, quando abriu a janela, pegou na ave.

Com cuidado, desatou a carta e o jornal da pata esquerda e levou a coruja para uma pequena gaiola com água e comida fresca. Pig piou baixinho, satisfeita, e iniciou o seu banquete. O homem observou-a por uns segundos e dirigiu a sua mirada azulácea para o correio. Uma sombra de desprezo invadiu-lhe as suas feições divertidas e torceu o nariz; a sua vontade era atirar tudo para a fogueira e continuar como estava. Sem nada a ver com a família. Estava cansado. Cansado de pertencer a um meio que não era seu. Ele não se sentia encaixado no perfeito mundo inglês, não concordava com os ideais da família. Por outro, seria traição. E ele detestava traições.

Sem mais remédio, abriu a carta. Era a letra da sua mãe.

Querido Charlie

Como estás, meu filho? Tens-te alimentado como deve ser? A última vez que te vi, que foi na Páscoa, estavas muito delgado! Vê lá se te andas a alimentar como deve ser; os dragões têm muito estômago, eu sei, mas tu deves alimentar-te. Pareces um cadáver cada vez que te vejo! Estou preocupada contigo, faz muito que não dás notícias. Nem sequer compareceste á reunião no Café da Fénix1 após o desaparecimento do Hades2. Ele, por acaso, não apareceu por aí, querido?

O Café da Fénix está muito vazio, Charlie, há poucos clientes. Os nossos fornecedores de bolos e cerveja amanteigada parece que cortaram relações connosco. Cada vez temos menos hipóteses de fazer frente á concorrência. O Café da Serpente3 tem feito tanto negócio que é invejável.

Diz-me, meu filho, vens cá passar o Natal? Ou o Ano Novo? Não demores muito tempo a contestar, tenho que adiar as coisas. Espero que não te esqueças de te alimentar, Charlie, e toma-me cuidado por aí. Se vires que vão criar um novo Café da Serpente, avisa-nos. Estamos prontos para criar um novo Café da Fénix. Sabias que temos um na Irlanda? É um sítio muito bonito.

Os teus irmãos mandam-te abraços, filho, e eu e o pai mandamos beijinhos.

A mãe que te ama,

Molly

PS. Não te esqueças de alimentar, Charlie, e se Hades aparecer por aí, avisa-nos.

Charlie Weasley ficou uns momentos a olhar a carta e, depois, numa atitude fria, rasgou-a aos pedaços. Ele amava a sua família, disso não tinha dúvidas, mas não concordava com os seus ideais. Não acreditava na beleza da Ordem da Fénix, nem nas atitudes de Dumbledore. A seu ver, eram todos marionetas. E ele pensava que Harry tinha feito o indicado. Desaparecer. O quanto ele dava para desaparecer de todo mundo, da guerra, das mortes… da família e os seus ideais perfeitos.

Suspirou e passou a mão pelo cabelo. Pegou numa folha de pergaminho e numa pluma e escrever uma desculpa para contestar á carta da sua mãe.


"Civilização é o processo de libertar o homem dos outros homens."

(Ayn Rand)


Inglaterra

Tonks' Manor

Narcissa apareceu-se directamente e estranhou a inquietude da mansão. Ela juraria que testemunharia o rosto dramático de Andromeda enquanto assistia Bellatrix e Sirius num duelo verbal ou, no pior caso, de varinha. Todavia, fez-se luz na sua mente quando recordou as aventuras juvenis dos herdeiros Black. Entretenimento muggle. O mais obscuro segredo que os pureblood guardavam da família. O segredo de que ninguém tinha conhecimento, tirando algumas excepções, claro. Dirigiu-se para a sala.

Porém, quando cruzou o umbral gritou. No televisor, estava o rosto decapitado de uma criança. Colocou a mão no coração e fitou friamente Sirius e Bellatrix, que riam histericamente pelo chão, e Andromeda, onde no seu rosto doce bailava um sorriso divertido. Filmes de terror. Sentiu um fio na espinha só de pensar na última palavra. Ela odiava filmes de terror. Era a única Black que detestava o terror. Mirou-os molesta e balançou a cabeça, negativamente. Ela, que já os conhecia com a palma da mão, devia pressentir as suas brincadeiras. Ela devia ter adivinhado desde o princípio momento em que pisou a casa.

De súbito, mirou a poltrona vazia. Piscou. Regulus Black sorria-lhe cordialmente, com um brilho divertido e alegre nos olhos prateados, e murmurava palavras inaudíveis mas que ela sabia que eram palavras carinhosas. Regulus. Ela sentia tanta falta dele. E, no entanto, era como se ele tivesse renascido para ela. Syth Black. O rapaz, sem dúvida alguma, era Regulus Arcturus Black. O mesmo cabelo negro, o mesmo nariz, o mesmo queixo, as mesmas mãos, o mesmo corpo, a mesma forma dos lábios e dos olhos. Havia poucas coisas que ligavam o adolescente a Sirius e Bellatrix, tirando a personalidade. Porque ele, no geral, era Regulus. Teriam o seu primo e as suas irmãs notado a semelhança entre eles? Pestanejou. A poltrona continuava vazia. Regulus aparecera, como fruto da sua mente.

- Também sinto a falta dele… – Mais que nunca a voz de Bellatrix lhe soou distante e fria. Como quando eram garotas.

Narcissa não disse nada e sentou-se na tal poltrona. Andromeda tinha uma mirada triste, Bellatrix tinha os braços cruzados e estava encostada á parede. O pior parecia ser Sirius que a olhava inexpressivamente. Fitava o vazio. Ela lembrou-se o quão próximos eram os dois irmãos, uma proximidade que fora arruinada no preciso momento em que Regulus Black se uniu a Lord Voldemort para satisfazer a família.

- Bom… – Tossiu para abalar a voz rouca. Não queria interpretar a mulher débil. – Recebi uma carta de Syth.

- Ai sim? – Sirius pestanejou lentamente, por fim regressando á realidade. – E o que diz?

- Dumbledore falou com ele. Deu-lhe os pêsames pela tua morte. – Informou Narcissa, fitando o primo directamente. Um sorriso de desprezo e um rolar de olhos foi a única manifestação que recebeu. – Ele disse que era teu filho. – Fitou Bellatrix. – Julga que Dumbledore mandou Snape vigiá-lo. – Mirou Andromeda de esguelha que, de súbito, encontrou as unhas muito interessantes. Dirigiu a mirada a Bellatrix. – Ele diz que só torna a falar contigo quando tiveres consciência das tuas responsabilidades.

- O que é que ele quer dizer com isso? – Indagou Sirius mirando a loira e a morena alternadamente.

- Er…

- Nós discutimos, foi o que foi. – Disse Bellatrix rapidamente. Narcissa olhou-a perplexa e Andromeda lançou-lhe um olhar de aviso.

- Acerca do quê? – Ele não era burro e algo lhe dizia que as Black estavam a mentir.

- De Rodolphus. – Silêncio. Bellatrix assassinou Andromeda com a mirada e Narcissa continuava perplexa. – Estás a ver, o Syth sugeriu á Bella que ela pedisse o divórcio, já que lhe tinha comentado acerca das constantes discussões e infidelidades entre eles, mas a Bella negou e ambos começaram a vociferar insultos e a coisa deu para o torto. (E o prémio para a melhor mentirosa vai para… Andromeda Black-Tonks!) Pensou a aludida amargamente.

- Pois eu concordo com ele. – Narcissa parecia que ia desmaiar. O seu primo estava a falar a sério ou estava a dramatizar? Ele acreditou na mentira de Andy? Bellatrix pestanejava de dois em dois minutos e Andromeda nem respirava. – Esse verme não é flor que se cheire. E em que ficaram?

- Eu pedi o divórcio. – Agora sim é que estavam todos surpresos. Os olhos de Narcissa pareciam bolas de ténis, Andromeda abrira a boca até ao solo e, estranhamente, Sirius tinha um sorriso de orgulho. – O quê foi?

- Nada. – Narcissa balançou a cabeça enquanto murmurava algo parecido com 'St. Mungo', 'distúrbios mentais', 'Black's doidos'… – E há outra coisa. Ele tem um namorado.

Bellatrix empalideceu e afastou-se da parede. (O Lord… O Lord não vai gostar…) Pensou. Afastou uma madeixa de cabelo escuro e suspirou. Não sabia se devia alegrar-se ou preocupar-se pelo facto. Andromeda tinha um sorriso satisfeito e comemorava com Sirius que gritava que o seu filho era parecido com ele.

- Quem é ele? – Questionou Bellatrix friamente.

- Boa pergunta… ele não disse… mas é de Ravenclaw.

- Pureblood ou mudblood? – Continuou Bellatrix. Sirius bufou e Andromeda negou com a cabeça.

- Não especificou. Mas se fosse um mudblood seria problema para ti, Bellatrix? – Atacou Narcissa.

- É claro que não. – Mentiu. (É claro que é… Algum dia herdeiros meus seriam halfbloods!)

Escusado será dizer que ninguém acreditou nas palavras dela.

- O que fazemos quanto a Dumbledore? – Perguntou Andromeda fitando os Black.

- Não sei. – Contestou Bellatrix. – Mas é melhor ele não dar nas vistas. Snape é um morcego andante, mas não é estúpido. Qualquer coisa fora do comum e Snape vai lamber as botas do Dumbledore. E, aparte de Snape, temos Dumbledore. Ele, sim, não vai despegar os olhos dele.

- Não achas perigoso o Syth lá estar? – Expôs Narcissa. – Digo, se for como no nosso tempo, as notícias voam. Hogwarts inteira deve saber que Syth é filho de uma das Death Eater mais leais ao Senhor Tenebroso.

- Ele é um Black. – Afirmou Sirius sério. Não gostou muito da alcunha com que a prima loira definiu a morena. – Black's suportam tudo e mais alguma coisa.

Bellatrix sorriu com desdém e tornou a encostar-se na parede, ainda que os seus olhos tivessem um semblante preocupado; Andromeda abraçou o primo e ambos murmuraram segredinhos como se tivessem cinco anos. Narcissa estava séria e olhava fixamente a janela. Aos olhos da loira, estava lá Regulus Black com a mão no queixo, fitando pensativamente o exterior. Estruturando algum plano para o sobrinho na sua cabeça. Cissy sorriu quando o primo desapareceu lentamente do seu olhar e só restavam sombras. Ela tinha que se afastar do passado. Se o fez com Lucius, também conseguirá fazer o mesmo com Regulus.

- Bom, – Levantou-se e desviou os olhos do vidro – vou sair. Se acontecer alguma coisa, avisem-me.

- Até logo, Narcissa. – Andromeda sorriu e acompanhou a figura da irmã a sair. Sirius acenou e Bellatrix deu-lhe um olhar estranho. Quando Narcissa desapareceu, Andy fitou Bella. – Ainda não recuperou…

- Quem recupera do verdadeiro amor, Andy?

A pergunta de Sirius ficou sem resposta e Andromeda não viu os olhares envergonhados que tanto Bellatrix como Sirius trocaram nas suas costas. Ela também não esquecera o verdadeiro e único amor da sua vida. (Severus…)


"O primeiro amor é um pouco de loucura e muita curiosidade."

(George Bernard Shaw)


Grimmauld Place Nº12

Dumbledore acariciou a sua barba longa, escutando murmúrios e resmungos dos seus companheiros da Ordem da Fénix. Tinham decidido fazer uma reunião de última hora após a chegada de um Severus Snape seriamente lastimado a Hogwarts, por causa de uma misteriosa reunião do Circulo Interno de Lord Voldemort. Segundo Severus, foram discutir o verdadeiro ataque. Pelas palavras do Lord: "O ataque que debilitará a Inglaterra". E, curiosamente, Bellatrix Lestrange não fora convocada para a reunião. E era bem conhecido que ela era uma das mais fiéis de Voldemort. Pela mente de Dumbledore passaram questões para justificar a ausência da mulher. E, uma delas, era Syth Black. De alguma maneira, o garoto tinha que estar com ele. Podia ser muito gratificante para a Ordem da Fénix se Black fosse o espia. Severus fora eficiente, mas já ganhava a desconfiança de Voldemort. Precisava de alguém jovem e de mente aberta para lutar por si.

- Albus… – A voz de Minerva soou-lhe preocupada. – Estás bem?

- Pensava…

- No garoto Black? – Completou Kingsley fitando-o fixamente.

Dumbledore sorriu amplamente e assentiu em silêncio. Os seus olhos varreram a sala, vendo tantos rostos desconhecidos. Alguns deles cansados, outros determinados, outros com repulsa, ainda não acreditando que o filho do brincalhão Sirius Black estava em Slytherin, era filho de Bellatrix e uma forte aposta de que era um Death Eater. Mas os seus olhos azuis, sempre tão brilhantes, pararam em Remus, num extremo da sala, e Nymphadora, ao lado de Hestia e Emmeline. Estranhamente, ambos tinham conhecimento de que Sirius tinha um filho e, mais estranho ainda, era estarem separados. Geralmente, estavam sempre juntos. Alguma coisa tinha acontecido entre eles.

- Minerva. – Chamou a sua companheira num sussurro. – O que têm Remus e Nymphadora que não se falam?

- Ainda á pouco comentei isso com a Molly. Chegaram separados e não dirigiram a palavra em nenhum momento na reunião. – Informou Minerva, fitando os seus antigos estudantes.

- Que estranho… – Murmurou Albus acariciando a sua barba com lentidão. – Meus amigos, há novidades do Harry?

Ao terminar a pergunta, todas as cabeças dos membros da Ordem negaram lentamente. Os seus rostos pincelados com decepção, angústia e, inclusive, medo e desespero. Fazia tanto tempo. Meses que pareciam anos. Meses que passaram lentamente, envoltos em sentimentos fortes e vivências marcantes. Quanto mais lutavam, mais vidas perdiam. Harry fazia muita falta. Parecia que sem ele, a luz da esperança se tinha extinguido. Parecia que, sem o seu pilar, eram marionetas andantes e quebradas a meio.

- Não sei onde esse fedelho se meteu, mas quando eu o apanhar vai escutar das boas. – Bramiu Moody com o seu olho a girar circularmente. – Sabes como devias usar a cabeça, Albus?! Devias pegar no Black e enchê-lo de Veritaserum. Esse sacana, com a mãe que tem, deve ter segredos escondidos. Aposto que ambos têm usado o Potter como saco de boxe. Incluso podíamos usar os meus métodos eficazes. – 'Métodos eficazes' de Alastor Moody era aquilo que muitos classificam como espancamento ou, nos piores casos, tortura.

- Alastor! – Repreendeu Molly com os braços nas ancas. – Ele é só um menino! Mãe alguma enfiava o seu filho nos ramos de Aquele-Cujo-Não-Deve-Ser-Pronunciado.

- Eu não duvidaria, Molly. – Replicou Hestia Jones pacientemente e com os braços cruzados ao peito. – Death Eaters são sedentos por poder. Quem se importa com os filhos? Mulheres servem para ficar em casa para abrirem as pernas e parirem herdeiros. Meninos, como tu fraternalmente lhe denominas, servem para casar, assegurar a independência, lavar o chão manchado pelos pais e seguirem os mesmos caminhos. Quem se importa com sentimentos? Malfoy, Nott, Lestrange, Avery, McNair, Parkinson, Crabbe, Goyle, Dolohov, Peterson… Estes inúteis fazem isso aos próprios filhos.

- Hestia, não sejas dura. – Emmeline colocou um braço na sua colega.

- Dura? Tu não sabes o que é perder os teus filhos e marido ás mãos de Death Eaters, pois não? E eu vou assegurar-me, enquanto for viva, que Antoine Dolohov vai pagar por ter morto a minha família. Com ou sem a peste do Potter.

- Hestia! – Remus levantou-se de um salto. Jones ignorou-o e acenou para o director.

- Vemo-nos por aí, Albus… – Hestia Jones apertou a túnica e desapareceu da sala.

Dumbledore pegou na taça e sorveu o chá. Damien, o marido de Hestia, e os seus dois filhos, Helena e Aaron, morreram drasticamente por Dolohov, trinta e seis horas depois do ataque no Departamento dos Mistério, sítio onde Hestia se encontrava a trabalhar. Fora uma perda dura e, como tal, serviu para abrir os olhos, verdadeiramente, a Fudge e os seus comparsas.

- O que fazemos, Albus? – Perguntou Emmeline friamente.

- Devemos continuar alerta, querida Emmeline. Com ou sem o Harry, iremos lutar. E entre mim e os restantes professores, principalmente Severus, deitaremos olhos a Syth Elliot Black.

Enquanto atendia os membros da Ordem, Albus não viu o rápido olhar que Tonks e Lupin trocaram.


"De todas as dores no mundo, não há pior do que aquela de perder um filho."

(Pandora N. Black)


Knockturn Alley

Pop.

Narcissa apareceu-se num beco. Com elegância, tirou um manto negro do bolso da túnica violeta que vestia e colocou-o por cima da veste. Não podia ser reconhecida. Caminhou pelas ruas sombrias e húmidas. Praticamente vazias, comparadas com Diagon Alley. Encaminhou-se para um estabelecimento sombrio. Só lá encontraria o artefacto que Syth necessitava para proteger o seu namorado do Lord. Em letras sombrias e esborratadas, estava escrito: Borgin & Burkes. Uma loja que servia a família do seu falecido marido á muitos anos e, por conseguinte, a família Black, visto que Burkes e Black estão ligados desde o casamento de Belvina Black e Herbert Burke.

Ao entrar, não pôde evitar de soprar com repulsa. O lugar estava pior que da última vez que o visitou, e não fora á muito tempo. Cheio de teias, loiça partida, manchas escuras no chão de madeira… Um nojo. Percorreu os olhos pelo lugar á procura do proprietário. Que não estava em lugar algum.

- Mr. Borgin?

- Os Aurors destruíram tudo, Mrs. Malfoy, todavia não me arruinaram a capacidade de receber os meus clientes. Seja bem vinda, My Lady. – Borgin apareceu das sombras e sorria a Narcissa como se fossem velhos amigos. – O meu pesar pela morte de Lucius, Mrs. Malfoy. Era um bom homem, cliente difícil e exigente. Uma figura insubstituível.

- Obrigada, Mr. Borgin. – Narcissa acenou friamente. – Procuro medalhões de protecção.

- Medalhões? – Mr. Borgin levou a mão esquerda ao queixo e assentia de vez em quando. – Protecção para todas as maldições, inclusive a Avada Kedavra?

- Correcto.

- Aguarde um momento, por favor, Mrs. Malfoy.

E Narcissa esperou. Meia hora depois, quando Cissy já estava impaciente e o seu pé esquerdo, que batia no chão entre curtos espaços de tempo, era um exemplo disso. Mr. Borgin regressou com os braços cheios. Medalhões, pulseiras, brincos, anéis… toda a bijutaria servia para o pedido de Narcissa que, especificamente, pedira um medalhão. Mas Borgin é uma pessoa extremamente sábia nos seus negócios e sabe que os clientes nem sempre querem o que pedem.

- Escolha o que lhe agrada, Mrs. Malfoy.

- Toda esta tralha serve para proteger quem quer que seja de todo o tipo de maldições? – Perguntou, para se certificar.

- Exactamente. – Acenou Mr. Borgin. E acrescentou: - Não se refira aos meus negócios como tralha, Mrs. Malfoy.

- Assim que o artefacto foi usado, qual a hipótese de se quebrar?

- Quebrar, nenhuma. – Contestou Borgin rudemente. - Mas tirar, – O homem sorriu desdenhosamente – só pelas mãos da pessoa que lançou os feitiços. Estes medalhões têm um feitiço desconhecido, aplicado por mim, para que a sua função seja quebrada pela magia da mesma pessoa que instalou os feitiços de protecção.

Narcissa procurou por todos os objectos algum bonito, agradável de levar e de mostrar. Sorriu. A sua mão direita, branca e pequena, pegou num colar prateado, cujo ícone de beleza era um leão majestosamente sentado. Os olhos do animal tinham rubis incrustados e as suas garras estavam intensamente vivas com os diamantes. A cor do leão era um dourado caramelo, vivo e brilhante. Sim, um presente adequando para o namorado do seu sobrinho.

- Pode meter uma gravação, Mr. Borgin?

- Sempre vai levar o leão, Mrs. Malfoy? – O homem questionou, escondendo a sua surpresa. Imaginava que Narcissa, sendo esposa de Lucius, escolheria serpente. Mas, todavia, era mulher. Mulheres têm gostos estranhos. Mrs. Malfoy assentiu pensativa, ainda com o colar na mão. – Claro que farei uma gravação. O que deseja que esteja escrito.

- "Eternally Yours. With All My Love, Syth" 4

- Com certeza.

Narcissa deu uma nova vista de olhos á loja e, uma hora depois, Mr. Borgin regressou com o colar gravado. A mulher sorriu e recebeu o objecto. Entregou mil galeões e, antes de sair da loja, parou. Das vestes tirou uma varinha.

- Não podes saber que eu fiz esta compra, Borgin. Não podes ter conhecimento de quem é Syth. Agradece a Salazar por ainda ganhares mil galeões sem saber do por quê.

- Mrs. Malfoy! Piedade, por favor! Eu não digo a ninguém! Eu sou uma tumba!

- Obliviate!

O raio azul saiu da varinha de Narcissa e acertou, em cheio, na cabeça de Borgin que caiu desmaiado. Sorrindo vitoriosa, Narcissa Malfoy afastou-se a passos largos do lugar.

(Ai, Syth… Lembras-me a mim quando eu era adolescente… Ai… Vais ter que pagar caro por estes favores todos… As ideias começam a ferver…) Pensou, antes de desaparecer com um Pop.


"Amor não se conjuga no passado; ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente."

(M. Paglia)


Masmorras, Hogwarts

Toc. Toc.

- Entre.

Remus entrou na habitação e encontrou Severus sentado numa poltrona tentando, sem sucesso, passar uma pomada no peito lastimosamente queimado.

- Olá, Severus.

- Remus.

- Precisas de ajuda?

- Não.

- Não sejas teimoso. – Remus andou um par de passos e pegou, bruscamente, na pomada cicatrizante que Snape estava a usar no peito desnudo. – Não tens uma cama, Severus? Algum dia uma poltrona é sítio para curar feridas de Cruciatus.

- Lupin, quando cheguei, praticamente morto, não desejei uma cama. Queria era quebrar a merda das dores. – Enfatizou friamente.

- Esses palavreados aqui são incorrectos, Severus. – Remus pegou-o por um braço e, á força, arrastou-o para o quarto que estava por trás da porta fechada. Deitou Severus na cama e passou-lhe a pomada. – Por quê que não foste á Poppy?

- Para passar uma estadia lá? Enfermarias são para metidos a heróis como Harry-Para-Minha-Decepção-Não-Bateu-A-Bota-Potter. – Snape reparou na mirada triste de Lupin e tossiu.

- Não lhe digas isso, Severus. – O aludido rolou os olhos. – Harry não tem culpa que os problemas o procurem. – Se Snape visse com atenção, repararia na mão escondida atrás das costas de Lupin, que fazia figas. Por dentro, o lobisomem ria divertido.

- Claro que não! – Exclamou Snape sarcasticamente. – Ele é tão inocente como um slytherin com hormonas a ferver.

Remus riu baixinho e tapou a pomada. Se Severus era um copinho de leite, agora era um boneco de neve devido á cor esbranquiçada que adquirira o seu peito. O Professor de Poções bufou e tentou levantar-se, mas Remus deu-lhe um soco leve no ombro que o devolveu de volta á cama. Pacientemente, Lupin sentou-se na beira da cama com um livro nas mãos e ambos homens ficaram em silêncio.

Severus estava entretido nos seus pensamentos. O seu encontro com Andromeda invadia-lhe a mente constantemente e isso estava a desesperar-lhe. Não sabia o que devia fazer. Tudo em si era uma confusão. Ele já fora lastimado pela bruxa antes, que garantias tinha que ela não o abandonaria novamente? Ele não estava preparado para a tornar a encarar e, sinceramente, ele só fora aos encontros porque o seu lado… er… hum… apaixonado insistira. Seria boa ideia contar a Remus o que se passava? Não, Gryffindors não são boas ajuda… Tudo bem, ambos eram amigos, mas falar de raparigas entre si era tão… humilhante!

Remus, por outro lado, estava numa luta interna. Encontrar Tonks nas reuniões estavam a tirar-lhe o sono e a Metamorphmagus invadia a sua consciência praticamente a todo tempo. Ele precisava de aclarar as coisas, de facto, mas… não tinha coragem. E ele era um Gryffindor! Ele sentia-se ferido, Tonks devia ter-lhe contado que Harry era Syth tão rápido quando soube e não ocultar-lhe, ainda que a própria Bellatrix a tivesse obrigado a tal. Sentia-se traído. Ele estava confuso. Tonks era nova demais para ele, ele podia ser pai dela. Não podiam envolver-se. Sem falar em Andromeda que, praticamente, fará um interrogatório de A a Z. Mirou Severus. Será que ele podia ajudá-lo?

- Severus, tu já estiveste apaixonado?

- Por Salazar, Lupin, queres falar de romance? Isso é tão Hufflepuff!

- Severus!

- É claro que já estive apaixonado, idiota.

- O que farias se uma pessoa de quem gostasses de ocultasse um segredo que envolvia uma pessoa por quem tinhas um afecto extremo?

- Lupin, achas-me com cara de psicomago?

- Severus!

- Depende. Se o segredo fosse grave – (É grave, Snape!) Pensou Remus – provavelmente mandaria a pessoa ao Inferno.

- Obrigadinha… – Murmurou Remus decepcionado. (Foi exactamente isso eu fiz.)

- Remus, e se uma pessoa por quem tens… uma grande estima (Sabes fazer melhor, Severus…) te abandonasse por um idiota que não devia ter nascido?

- Depende. – Lupin ficou uns momentos em silêncio. – Possivelmente, tentava esquecê-la.

- E se essa pessoa estivesse solteira (Pelo menos eu julgo que está…) e demasiado perto de ti?

- (Quem será?) Ignorava tudo o que tivesse a ver com ela.

- Que útil… – Sussurrou Snape. – Vou dormir, Lupin. Tens poção no armário.

- Obrigada. Eu ainda fico por aqui um momento.

- Como queiras.

Severus fechou os olhos e Remus regressou á sua leitura. Ambos homens tentaram falar dos seus problemas com os seus amigos mas, infelizmente, o que um faria se estivesse no lugar do outro, era precisamente o que este fazia na actualidade.

(Para que fui abrir a boca???) Pensaram ambos resignados.


Torre de Gryffindor

Ron acordou de um sono que lhe pareceu eterno e sentou-se na cama. Esfregou os olhos e encarou a sua habitação. Seamus, Dean e Neville ainda dormiam. Desde o desaparecimento de Harry que ele tinha a mania de acordar cedo. Demasiado cedo para o seu próprio bem. Mirou a cama do seu amigo e suspirou tristemente. Aonde se encontrava? Ele fazia-lhe tanta falta… As suas miradas determinadas e tristes, os seus sorrisos falsos mas sinceros, as suas conversas animadoras. Incluso estranhava aqueles momentos de sobressalto em que Harry sonhava com Aquele-Cujo-Nome-Não-Deve-Ser-Pronunciado.

Levantou-se da cama e dirigiu-se ao banho. Enquanto se despia e se dirigia ao duche, lembrou todas as suas aventuras junto ao moreno. Podiam não ter sangue, mas Ron sentia que era mais irmão de Harry do que Bill, Charlie, Percy, Fred e George e Ginny. E não se devia ao facto de ambos terem a mesma idade ou terem enfrentado perigos idênticos. A sua amizade era tão estreita e verdadeira que superava os laços normais. Com Harry, sentia-se seguro e protegido. Só de ver o seu reflexo nas íris esmeraldas sentia-se querido. Mas sem o seu melhor amigo, o seu irmão mais velho, como dizia na brincadeira, … sentia-se frágil. Uma debilidade apoderava-se dele. Enormemente.

Quando saiu do banho, completamente molhado e entrou de novo no quarto, viu que Seamus já tinha acordado. O jovem fitava a cama de Harry como se esperasse ver os cabelos negros espetados a sobressaírem das cobertas. Acenou e o irlandês sorriu. Finnigan tinha estreitado os seus laços com Harry, descobrindo também um sentimento de protecção no moreno, após ter acreditado fielmente na sua palavra assim que Harry tinha dado a entrevista. Ron supôs que Seamus sentia falta dos sorrisos do amigo. Fora Harry quem o aconselhara a declarar-se a Dean. Fora Harry quem lhe escolheu o que devia vestir no seu primeiro encontro formal. Fora Harry quem dissera para assumirem publicamente o seu amor e vivessem felizes. Fora Harry quem os ajudou com as miradas de nojo.

Quando Seamus saiu, Ron vestiu-se lentamente. Em momento algum desviou a mirada da cama do seu amigo. Quando apertou a gravata e colocou os livros na mala, passou lentamente pela cama de Harry.

- Bom dia, Ron. - Harry sorria envolto nas cobertas.

Ron inclinou a cabeça e sorriu levemente ao ver o rosto pálido do amigo que, ao pestanejar, desaparecera.

- Ron, estás…?

Hermione entrou na habitação e viu o seu amigo parado no meio do caminho, sorrindo e vendo a cama de Harry. Aos seus olhos, apareceu o seu amigo moreno de sapatos na mão, a gravata e a capa na outra mão, as calças e a camisa abertas e os cabelos mais rebeldes que o habitual.

- Bom dia, Hermione.

- Vamos, Ron? – Granger indagou ao ver como Potter desaparecia ante os seus olhos.

- Sim.

Os dois saíram da habitação.


Grande Comedor

Theodore mal podia mexer o braço esquerdo. A cabeça obscura de Syth estava pousada no seu ombro. O seu companheiro de quarto chegara muito tarde ontem por causa da detenção de Filch e fora um problema para acordar. Assim que se sentara encostou-se a Nott e adormeceu instantaneamente. Nem sequer comera nada. De súbito, Ares, a ave de Black, apareceu transportando um sobre bastante cheio.

- Syth… – Theodore tocou-lhe na cabeça. – Syth, acorda. Ares chegou com o correio.

- Hum…

- Syth…

- Isso não funciona, Theo. – Comentou Daphne Greengrass divertida. – Viste ontem a Tonks. Só com água.

- Ele vai explodir se verter água por cima dele.

- Azara-o. – Contestou Millicent Bulstrode simplesmente. – O que foi, Daph?

Daphne mirava Pansy que, entre cada trinca que dava á torrada untada com marmelada, olhava a mesa de Gryffindor. Franziu o sobrolho.

- Daph! – Gritou Millicent.

- Não foi nada, Millie. – Replicou Daphne contemplando novamente Syth ao ver Pansy a fitá-la fixamente. – Lança-lhe um feitiço, Theodore.

Millicent bufou ao ver a incerteza do amigo e, com um movimento de varinha, conjurou: Aqua!

Um jacto de água deu em cheio no rosto de Black que saltou no banco. As gargalhadas não tardaram em preencher o Grande Comedor. Syth bocejou e, friamente, mirou Millie que tentava manter-se séria.

- Sorte a tua que estou com sono, Millicent. – Syth rosnou baixinho. – Para quê que me acordaram? Estava-se tão bem…

- Tens correio. – Nott murmurou ruborizado. E o garoto sussurrou um feitiço para secar as roupas do companheiro.

Syth sorriu inocentemente e pegou as cartas da pata de Ares que, sem ter sido convidado, comia do prato do seu dono. Porém, ao abrir o lacre de uma das cartas, ele empunhou a varinha para Millicent que o estudou horrorizada.

- Rictusempra!

As gargalhadas de Bulstrode escutaram-se por todo o Comedor. Na mesa dos professores, Minerva fazia intenção de parar todo o alarido, mas Albus negou e argumentou que eram jovens a divertir-se. Minerva iria replicar se não tivesse percebido a mirada séria no rosto do director. Enquanto lia a carta de Narcissa a explicar que tinha achado o medalhão ideal, Syth sorria e via Millicent a rir e a chorar estando sobre a maldição. Levantou a varinha e sorriu ante o rosto vermelho da garota.

- Cá se fazem, cá se pagam.

- Então, estamos quites. – Retorquiu a slytherin enquanto ajeitava as vestes com um sorriso malicioso.

Syth assentiu e dirigiu a mirada a Ravenclaw. Nathan sorria para ele com carinho e olhava para o espaço vazio á sua frente. Black abriu um sorriso e assentiu. Diminuiu aquilo que recebera e guardou na pasta.

- Aonde vais? – Theodore perguntou confuso.

- Tomar o pequeno-almoço com o meu namorado. – Afirmou sorridente.

Ares subiu para o seu ombro e, ante as miradas confusas dos seus companheiros, atravessou o Grande Comedor em direcção á casa de Rowena Ravenclaw. E, espantando todos, sentou-se á frente de Anderson e, possessivamente, puxou o pescoço do namorado para si e beijou-lhe os lábios. Gritos, alaridos, aplausos… Diversas manifestações.

- Bom dia, Bebé. Dormiste bem?

- Muito. E tu?

- Sonhei contigo. – Nate abriu um sorriso doce. – E em situações nada normais.

Os Ravenclaws tossiram quase ao mesmo tempo e Syth sorriu malicioso.

- A sério? – Aproximou-se dele.

- Sério. – Nate semicerrou os olhos.

- Jura? – O hálito quente de Syth fez Anderson franzir o nariz e arrepiar-se.

- Juro. – Nate suspirou.

- Que aula tens agora?

- Syth! Nada de faltar ás aulas! – Exclamou sério Nathan.

- Cortaste o clima… – Resmungou Black ao mesmo tempo que pegava numa maçã.

- Syth, já faltaste a aulas por minha causa e por mais que esse gesto seja romântico, não quero que te desleixes com os estudos.

- Pareces a Pandora a falar.

- E ela tem muita razão. – Cabeceou Nathan. E só depois reparou no rosto do seu namorado. – Está tudo bem, Syth? Tens olheiras…

- Noites mal dormidas. – Syth sorriu ligeiramente. Não era mentira. – Nada preocupante.

- Tens a certeza? – Era preocupação abundante que bailava nos olhos de Nate. Syth assentiu e beijou-lhe os lábios levemente.

- Sim.


"Os gestos de amor são humildes."

(E. Clemente)


Quarto/Sala de Tonks, Hogwarts

Vermelho-sangue.

Azul-metálico.

Verde-lima.

Verde-garrafa.

Azul-noite.

Lilás.

Amarelo-dourado.

Prateado.

Rosa-choque.

Nymphadora estava a ver-se fixamente ao espelho. O seu cabelo rosa-choque espetado contrastava com a sua pele anormalmente pálida. Tivera uma noite má. Normalmente usava aquela cor mas, naquele momento, considerou que rosa-choque era uma cor nojenta. E, em vez de usar cores vivas, optou pelas cores obscuras. E foram muitas até que, finalmente, se decidira por um cinzento-escuro quase preto e olhos rosa-choque. Combinação estranha, mas ela gostava.

Um suspiro escapou dos seus lábios. Remus. Como estaria ele? Já não conversavam á tanto tempo. Trocavam olhares, sim, mas eram olhares preocupados com Syth cada vez que o seu nome era proferido nas reuniões da Ordem da Fénix. Nunca teve a oportunidade de se desculpar. Não tentara e Remus nem dera indícios de querer conversar com ela. Estava a sofrer, o seu coração lastimado e triste. Seco. Seco e áspero como uma folha num dia de Outono. Pegou na escova e penteou os cabelos.

Atrás da porta, escondida, estava Pandora. A menina observava a irmã. Notava que ela não se encontrava normal. E Remus Lupin era o dono dos seus pensamentos e a causa de todo o seu sofrimento. Uma mirada decisiva atravessou o rosto de Pan. Ela iria juntá-los. Sozinha não conseguira. Syth tinha que a ajudar. Ele compreendia o lobisomem. Um sorriso travesso desenhou-se nos seus lábios. Nymphadora tornar-se-ia novamente trapalhona e alegre. Ou ela não se chamava Pandora Tonks.


"A tristeza pode sobrevoar nossas cabeças mas nunca a deixe fazer ninhos."


Notas:

Devido ao perigo das cartas serem interceptadas por mãos desconhecidas, Albus Dumbledore inventou um processo eficaz.

1- Café da Fénix é a Ordem da Fénix.

2 Café da Serpente é Voldemort e os Death Eaters

3 – Hades é Harry Potter.

4 – "Eternamente teu. Com todo o meu amor, Syth"


Continua…