As estrelas do amanhã

Prólogo - O destino

Saori, Hyoga, Shiryu, Shun, Ikki saiam do mundo inferior, Shiryu e Hyoga carregando Seiya nos ombros. Um pouco antes o cosmo dele que havia desaparecido, voltara repentinamente. Ao chegarem no Santuário, correram com Pégaso para o hospital.

Ele ficou uns seis meses na U.T.I., ora mais para a morte, ora voltava. Por fim, seu desejo de vida lhe premiou com a volta ao lado dos amigos que ele tanto prezava.

Saori lhe contou que o Santuário estava precário e que tinha medo que num futuro próximo ele estive impossibilitado como fortaleza. Então, como a deusa Atena, Saori deixou para cada um o mesmo dom que Dohko havia recebido há 240 anos antes. E cada um ficou com uma missão...

- 1- Libra

Ano - 2186 Local - Rozan, China

Estava eu dormindo. Chovia forte, mas o barulho aliviava meu cansaço. Escutava o barulho do meu computador móvel no tom vermelho. Ele estava baixando uma música que eu gostava, muito antiga. Estava tendo mais um daqueles sonhos malucos.

Novamente a imagem daquela mulher vinha me adoçar os sonhos. Vestida de branco, um vestido leve como a mais pura pluma. Ela me chamou:

-Ricky... Ricky...

Me senti pálido. Era uma voz que me passava força, coragem, mas também tão suave e menina. Eu também não passava de um rapazote, sim. Quem poderia, eu, dizer tal poesia em prosa?

Ela se aproximou, com as esmeraldas ópticas e os cabelos castanhos lisos.

-Falta pouco não é? Para se tornar um cavaleiro...

Ela me perguntou. Eu não estava muito animado com idéia de me tornar um cavaleiro. Ela percebeu.

-Você me disse que era esse meu destino. Que eu não podia escapar. - disse eu.

-Ah, Ricky, aspirante a cavaleiro de ouro de Libra. Você podia ter escolhido... Mas, me conte, não era só pelo que te contei, não?

Me empalideci, mas também enrubesci. Não sei!

-Pelo menos vou salvar este mundo, não é, senhorita?

Há muito ela me visitava nos sonhos, mas já não agüentava mais não saber sua identidade...

-Quem é você? - indaguei então.

Ela me olhou e então...

A noite estava bela... Parecia a noite em que elas tinham ido. Uma há 150 anos atrás e a última já tinha 140 anos. Eu já não acreditava que tinha passado 200 anos. Fiquei espantado com o tempo e me perguntei se meu mestre já não teve essa impressão.

Shunrei foi a primeira a ir. Não havia recebido o nosso dom. Não importava o quanto esse dom nos favorecia, um dia seríamos carregados pelo destino único: morrer.

Seiya estava na Grécia desde então. Já tinha feito uns 100 anos que não recebia notícias suas. Saori lhe deixara nas mãos o poder do Santuário, se tornando assim seu novo Grande Mestre.

E eu fiquei aqui mesmo, no meu local de treinamento, Rozan. Estou aqui a pedido de Atena. Há poucos tempos, encontraram um jovem rapaz nos EUA que parecia possuir a alma de meu mestre, Dohko de Libra.

Seu nome é Ricky Valley e está preste a terminar seu treinamento. Eu tento o menos possível incomodá-lo com o fato de sempre comparar ele com Dohko. Ele não gosta e se rebela. É comum dele...

-Moça?

Eu perguntei de novo então:

-Quem é você? Qual é o seu nome?

-Saori Kido, a última encarnação de Atena na Terra. Eu fui a reencarnação que lutou com seu mestre, Shiryu, nas últimas batalhas.

Me senti congelado. Estava ali, nos meus sonhos, Atena, a deusa da sabedoria! Eu não acreditava!

-Enquanto a nova forma de Atena não está no Santuário, minha memória ecoa no tempo e espaço, encorajando os novos cavaleiros! - ela continuou.

Eu não acreditava completamente na deusa a quem ia servir, mas ainda sim a sensação de vê-la me deixava arrepiado.

-Logo você estará... - ela olhou para cima e suspirando completou. - Frente a frente com a nova Atena.

Então ela desapareceu. E eu, suando, acordei assustado. Verifiquei se a música tinha baixado. Esse computador era o mais moderno que tive notícia. Era uma espécie de óculos, de lentes vermelhas. Uma mini-CPU ficava como os walkmans do passado grudava na cintura da calça. A mini-CPU enviava sinais para a tela, caixa-de-som e tal que eram os óculos. Vesti o óculos como uma tiara e minha franja dourada seguiu o objeto e acionei o botão para tocar a música e me senti de novo, tão leve como a pluma que nos leva a Terra dos Sonhos.

-Shiryu... Shiryu!

Acordei quase que de um pulo. E teria, se a idade me permitisse. A voz de Seiya ecoava na minha mente. Depois de tanto tempo, tinha que ser algo sério.

O cosmo de Seiya podia ser sentido no meu quarto, e flutuava entre as recordações que ali moravam: fotos minhas, de Shunrei e de meus amigos. Hoje, esses papéis impressos eram verdadeiras relíquias, tudo era holografia, imagens em terceira dimensão guardadas em caixinhas do tamanho de um anel.

-Estou aqui. Do que se trata? – perguntei então.

-Lembra daquele sistema que Saori criou que só reagia ao cosmo dela, ou seja, Atena?

-Claro... Como não esquecer... – suspirei.

-Os computadores instalados aqui no Santuário por ela parecem ter detectado um sinal de Atena... No Brasil.

-Fala da terra de Aldebaran? – indaguei, assustado.

A voz de Seiya pareceu fazer um "huhum" concordando com minha pergunta... Ele então continuou:

-E então, seu pupilo já está pronto?

Soltei um pequeno riso.

-Farei o teste final com ele amanhã. Necessita de nossa presença tão cedo?

-Assim que ele passar, venham para cá... E vamos botar a conversa em dia, velho amigo...

-Já avisou Hyoga, Shun e Ikki?

-Temo por Ikki... – ele disse. – Não encontrei seu cosmo em lugar algum...

Fiquei muito triste. Pareci sentir um dos golpes que Fênix tinha me dado na mocidade.

-Espero que tenha sido só um erro de calculo.

-É noite aí, não? – ele me perguntou.

-Sim... – respondi.

Ele deu uma risada e finalmente falou:

-Então, boa noite! Devo ter te acordado... Hehehe.

-Boa noite, Seiya.

Já ouviram falar na Fundação Graad? Estou indo visitar uma exposição em holografia que mostra toda a Fundação e mansão que pertenceram a Mitsumasa e Saori Kido.

Estou maravilhada com a holografia do Coliseu, onde teve uma tal de Guerra Galáctica. Era incrível! Entrei na sala onde Saori ficava assistindo o torneio. Quer dizer, a reconstituição. Estava sozinha. Carol, Salete e Felícia foram ao banheiro. De repente a holo de Saori falou com a de seu assistente:

-Tatsumi, pode nos dar licença?

Olhei em volta da sala. Só havia eu de carne e osso e os dois de holografia. Como assim?

Tatsumi saiu passando literalmente por mim, e então Saori se levantou e falou comigo...

-Estrela, como vai? Finalmente te encontrei... – ela disse com um enorme sorriso.

-Como, como? Sabe meu nome...?

Ela andou e ficou frente a frente comigo. Ela era mais alta que eu! Incrível.

-Em todo mundo coloquei esse programa. E um dia reagiria com o meu cosmo novamente. O cosmo de Atena, a deusa da sabedoria e guerreira.

Boiei. Não entendia nada. Ela me respondeu, como seu não fosse um programa de computador:

-Eu sou você e você é eu. Somos uma só, uma única alma, a alma da deusa Atena.

Engasguei. Como assim, "deusa Atena", eu era ela e ela era eu? Me senti tonta com tudo isso... Poxa, eu sou de fé cristã, para mim, os deuses gregos são historinhas de dormir... Atena não era diferente para mim. Mas aquela mulher continuou:

-Não se assuste, seu cosmo ainda não te achou preparada... Eu compreendo. – por um momento pensei que ia chorar, mas aí lembrei: programas não choram, ela era apenas um programa.

Ela ergueu a cabeça e me mostrou numa tela que se abriu em meio à holografia e tinha uma foto de um cara.

-Este é um barman, olheiro do Santuário da deusa Atena. Este é o olheiro mais próximo e fica neste local. – e me mostrou a foto do lugar. – Vá até ele e diga: "As estrelas da deusa Atena brilham mais intenso no Santuário dela." E ele saberá que é a reencarnação de Atena, como eu fui.

"Agora não tem mais porque dessas holografias existirem, finalmente o último objetivo de mim, Saori Kido, até então, a última forma da deusa Atena foi concluído. Desativando o programa..."

-Espere! – gritei. – Quem vai me explicar sobre tudo isso estou boiando!

"MeNiNa, NãO tEmA, oS cAvAlEiRoS vÃo EsTaR dO sEu LaDo... ElEs Te GuIaRãO... Desativando em 3...2...1..."

Toda a imagem holográfica desapareceu. Cai no chão, estava me sentindo tonta com tudo. Carol e as outras chegaram, se espantando:

-Nossa, o que aconteceu? As holografias desapareceram! – exclamou Carol.

Felícia veio correndo, ainda mais assustada:

-Meu, não estão conseguindo religar a placa-mãe!

-Foi ela... – murmurei.

Salete me olhou curiosa:

-Ela quem?

-Saori Kido... Ela desativou tudo por minha causa... – respondi, baixinho. – "Eu sou você e você é eu". Foi isso que ela me disse na holo...

-Pirou? Não teria como ela falar com você... É um programa! – retrucou Carol.

-E somos a deusa Atena! – completei, num tom mais alto.

-ATENA!

Elas gritaram num coro! Carol tomou a palavra.

-Eu sonhei ontem com um rapaz oriental (por sinal, muito bonito) me falando isso: "Nosso dever é proteger Atena, ela está voltando, Shunrei", putz, Shunrei? Que nomezinho...

-E eu também uma vez sonhei com um cara, de cabelos meio azulados e uma cicatriz perto do nariz, me falando sobre Atena e me dizendo que sacrifícios às vezes são necessários, tipo isso. E nesse sonho ele me chamava de "Esmeralda". – falou Felícia.

-E eu com um garoto um pouco mais alto que eu, com cara sapeca, enxugando minhas lágrimas e me chamando de Miho. Eu não sou japa e ele me chamou assim. E nem sei por que chorava! – terminou o circulozinho a Salete.

Com tudo que as meninas disseram decidi ir até o bar, procurar o olheiro do Santuário...

-Ricky, acorda! Você dormiu de novo com o som de música na orelha?

Eu escutava sim, a voz do meu mestre. Mas na hora eu não consegui entender que era ele e não minha mãe. Que mico:

-Ah, mãe... Não ta na hora da escola... É fim de semana...

-Sem querer ser chato, isso aqui não é o colégio que estudava...

Abri meus olhos morrendo de susto! Mais um mico:

-Prova de matemática, NÃÃÃÃÃÃÃO! – então vi a cara de meu mestre, rindo da minha ingenuidade e corei.

-Huh, se tem tanto medo de uma prova de matemática... – meu mestre me falou em tom de brincadeira, insinuando que eu era covarde...

-Ora, uma prova de matemática é fogo... Sorte sua... – sentei na cama e meu computador caiu no nariz com tudo me assustando e ime irritando. – Asss, que dia... Já acordo com um micão e meu compu me machucando o nariz...

Meu mestre riu de novo, achando graça no meu linguajar. E no tom, estava furioso.

-Se apresse, rapaz, hoje veremos se irá tornará enfim Ricky de Libra. Levante e tome seu café. – e antes de sair do quarto me disse. – Aproveite para meditar, e lá pelas três horas farei seu teste. E hoje deixo você cochilar depois do almoço...

Levantei-me e vesti minha roupa chinesa de treino. Iria tirar o cochilo que meu mestre comentou, mas antes ia mexer numa CPU antiga... Fui até a floresta de bambu e antes mesmo de chegar lá senti um calafrio... Já tinha feito uns dois anos que sonhos muito loucos me acompanhavam com esses calafrios. Me perguntei o que seria.

Passei por um laguinho e não me vi refletido ali. Os olhos eram os mesmos, as mesmas jades, mas minha face... Vi outra pessoa no lugar, um cara de cabelos castanhos... Sai dali, me sentindo esquisito e sentei no meu lugar favorito. Ao fechar os olhos, vi uma menina de cabelos castanhos claros, com cachinhos bem feitinhos nas pontas e olhos azuis. Era um anjo, tão bela era sim. Ela parecia me chamar, com gestos delicados das mãos. Sorri ante aquela criatura, vestida do mesmo vestido da senhorita Saori, mas com uma capinha transparente de véu branco envolvendo os braços. Segurei-lhe as mãos e ela pareceu se aproximar de mim e percebi que era uma ilusão, um sonho, pois quando seu rosto chegou mais perto do meu, não senti seu ar. Em seguida o cheiro do almoço me despertou daquele transe tão maravilhoso.

Segui para o bar no dia seguinte. Nessa noite tinha sonhado com um rapaz de olhos verdes e cabelos loiros. Vestia uma proteção dourada e me estendia a mão, suja de terra de batalha e muitos ferimentos.

"Não importa o que for, eu enfrentarei para te proteger, Estrela, e para te proteger como Atena... Ou jamais serei digno dessa armadura..."

Foi isso que ele me havia dito. Tirei o devaneio da minha mente e segui rumo ao bar. Cheguei lá e me aproximei da pessoa que Saori me tinha dito. E falei a frase. Seu rosto demonstrou espanto de respeito e felicidade e me puxou para a adega, no porão.

-Quantos anos está agora, se mal lhe pergunto, senhora. – indagou ajoelhado aos seus pés.

-Quinze. Por que?

-Deve vir comigo, senhora Atena. Para salvar este mundo, deve voltar para seu lugar, o Santuário na Grécia. – ele me respondeu sério e levantando a cabeça. – É a única forma...

Me espantei:

-Fugir? Da minha casa?

Ele assentiu com a cabeça:

-Os cavaleiros da elite, do zodíaco de ouro estão se reunindo e deve ir até lá.

Terminei o almoço e tirei o famoso cochilinho que vos disse. Sentei numa árvore próxima a cachoeira. E voltei a sonhar com a garota da minha meditação. Ela me chamou:

"Ricky! Rickyyyy!"

Ela parecia voar. Nesse sonho, me via vestido na minha armadura, a armadura que receberia e ela vestida com seu vestido e uma armadura com majestosas asas douradas. Sua armadura parecia um vestido de realeza e ela voou até mim segurando minhas mãos, chorando.

"Por favor, não vá, eu preciso de todos vocês..."

E então me vi com muitos ferimentos...

"Nós não somos aquelas pessoas que dizem quem somos... Eu sou eu e você é você... Não importa o que for, jamais seremos eles! Você me entendeu, você não deve ir!"

Ela gritou esse "não deve ir". Me assustei, por que nesse momento meu mestre me chamara para o teste final.

-Nessa cachoeira, coloquei um ano antes de você chegar, uma réplica da urna de Libra. Reverta o fluxo da cachoeira e se você conseguir, aparecerá essa urna... Esse é seu teste. – ele explicou, meu mestre.

-Mas, mestre, isso é impossível! Não tem como mudar um fluxo fluvial! – retruquei.

Ele deu um sorriso e disse:

-Saiba que nesse mesmo lugar em que está, há exatos 200 anos eu disse a mesma coisa. E você me d-...

-EU? EU não, quem disse foi o SEU mestre. Pode me dizer o quanto quiser que sou a reencarnação dele, mas jamais serei como ele! – retruquei de novo.

Meu mestre emudeceu. Acho que fui rude com ele, mas quando fui pedir desculpas...

-Tem razão... Acho que nunca me conformei com a morte dele e desconto em você isso, não? Agora sem demora, vamos, reverta o fluxo!

Agora me sentia um pouco mais confiante. E imagem daquela jovem chorando por mim veio e me deu mais forças. "Seja quem for ela, aquela menina ta me esperando! Não posso desistir!".

Nunca tinha visto seu cosmo brilhar assim. Ele queimava tão incrível, que de novo pensei que meu mestre voltara, mas me controlei para não pensar mais nisso e tão somente observei o que Ricky faria.

Ele tomou o impulso e saltou. E concentrando toda a sua força ele atacou a cachoeira:

-CÓLERA DO DRAGÃO!

As correntes pareciam continuar na normalidade, e antes que meus olhos percebessem a água se elevou e a réplica da urna foi levantada até o céu e caiu na minha frente. Ricky caiu numa pedra e respirava com dificuldade. Talvez nunca tinha feito aquilo. Não que eu saiba. O efeito do mesmo teste que meu mestre me aplicou quando me tornei cavaleiro de Dragão foi mil vezes maior.

-Agora se eu não for aprovado e me mato! – ele brincou enquanto recuperava o ar.

-Está mais que aprovado... – concluí. – Agora, realmente você é Ricky de Libra.

E me aproximando mais perto da cachoeira terminei:

-Arrume suas coisas... Vamos para o Santuário pegar sua armadura e conhecer seus colegas, hum?

Ele me olhava feito criança de tanta alegria e fui correndo para o quarto arrumar as malas. E olhei para o céu, seria agora uma batalha ainda pior que a que enfrentei? Mais mortal e mais intensa? Dissipei esse pensamento, era momento de alegria e não de preocupações...

Continua...