Música tema: The Blower's Daughter de Damien Rice

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Em algum dia qualquer de 2005,

Londres,

Inglaterra.

Passei meus dedos por entre os pequenos suvenires dispostos nas prateleiras da loja. Até que meu olhar se prendeu em uma cabine de telefone público na vitrine. Eu sempre adorei aquelas cabines típicas da Inglaterra. Fisgada por ela fui até a vitrine e retirei a peça para examiná-la.

Não sei explicar como, mas eu senti algo diferente naquele momento. Olhei então para a rua através do vidro da loja. Todos os tipos de pessoas passavam de um lado para o outro. A maioria com muita pressa, mal olhava para os lados. Algumas sorriam enquanto falavam com um amigo. Outras passavam enquanto falavam ao celular. Algumas crianças paravam para espiar os objetos da loja, mas logo seus pais as puxavam reclamando.

Passei um bom tempo observando as pessoas até que minha atenção foi direcionada a um rapaz de cabelos castanhos que na mesma pressa mordia um hambúrguer. Foi em câmera lenta que eu o vi passando e só saí do meu transe quando uma voz me chamou a realidade.

-Lily, já escolheu o que vai levar? Ainda temos que muito que fazer. – James disse e me beijou na bochecha. – Lily? – Ele repetiu quando percebeu que eu não havia compreendido, minha boca estava entreaberta.

-Remus!

-O que tem o Remus? – James perguntou.

-Era ele! Eu vi. – Eu disse e dei uns passos para trás, saindo as pressas da loja. Espremi-me no meio das pessoas e tentei achá-lo, mas ele já havia se perdido no meio da multidão. Até que novamente, numa fração de segundo ele reapareceu já distante, pronto para atravessar a rua.

-REMUS! – Eu gritei, chamando a atenção de várias pessoas que me olharam torto.

Nesse instante Remus ficou paralisado e depois virou devagar o rosto, espiando por cima do ombro. Ele arregalou os olhos ao me ver acenando.

-Lily? Você está vendo coisas! Não pode ser o Remus, ele está na Alemanha... - James me alcançou e segurou minha mão. – Remus? - Falou espantado ao vê-lo me abraçando.

Fazia tanto tempo desde a última vez que nos vimos. Toda aquela saudade me atingiu no peito e eu não conseguia mais segurar as lágrimas que teimavam nos meus olhos. Ficamos abraçados bem forte ainda durante algum tempo, atrapalhando a travessia das pessoas pela rua. Depois nos separamos sorrindo e ele e James também se abraçaram.

Decidimos ir ao Hyde Park, assim poderíamos conversas enquanto apreciávamos a bela paisagem do parque. Fora uma boa escolha, pois o local estava calmo e dava ouvir os pássaros. As árvores e a grama estavam bem verdes, poucas pessoas passavam por lá naquele final de tarde.

-O que você está fazendo aqui em Londres? – James perguntou enquanto caminhávamos. – Pensei que estivesse na Alemanha com a família do seu pai.

-O jornal que eu trabalho precisava fazer uma reportagem em Londres e eles precisavam de algum jornalista que falasse inglês fluentemente. Lógico que eu não perdi uma oportunidade dessas. – Ele falou.

-Então quer dizer que a carreira de jornalista está indo bem? – Perguntei.

-Nem tanto, as vezes as coisas ficam difíceis e as notícias escassas. Mas eu vou me virando. – Ele riu. – E vocês?

-Sabe aquela minha exposição das minhas fotografias que tinha te falado num email há tempos atrás? – Perguntei. Remus assentiu com a cabeça. – Finalmente ela vai sair do papel! Estou tão animada!

-Quando ela diz que está animada, é por que ela está quase tendo um troço. Só fala disso ultimamente. – James brincou, eu estreitei meu olhar para ele.

-E você James? – Ele perguntou.

-Ah, a carreira de médico é penosa. Eu sabia quando escolhi, tinha o exemplo do meu pai em casa. Mas acho que foi por causa disso mesmo que acabei entrando para a medicina. – James disse enquanto brincava com uma mecha do meu cabelo.

-Fico feliz em saber. – Remus sorriu. Daquele modo dele de sempre ficar feliz pelos outros. Ah, que saudades daqueles tempos... –Mas agora é minha vez de perguntar, o que estão fazendo aqui? – E colocou as mãos nos bolsos.

-Eu e James juntamos uma boa quantia durante um tempo e resolvemos fazer uma viagem de férias. Escolhemos Londres assim poderíamos rever Sirius e Lizzie. – Respondi.

-Vocês têm falado com eles? – Remus perguntou. – A notícia mais recente que tive foi que Lizzie tinha voltado para a Inglaterra e eles tinham voltado. Fiquei muito feliz em saber disso.

-Nós quatro nos encontramos ontem e passamos o resto da tarde num café. Os dois seguiram nosso exemplo e agora estão dividindo um apartamento aqui em Londres.

-Sirius não podia estar mais feliz. – James falou malicioso. Eu o belisquei.

-Bem, continuando... Lizzie a cada dia se apaixona mais pela pediatria e Sirius pela culinária. Se eu não soubesse por ele próprio nunca acreditaria que nosso amigo ia fazer gastronomia. Afinal ele só fazia comer aquelas bolachas dos hospitais. – Nós três gargalhamos, mas aos poucos as risadas foram cessando e somente o barulho dos nossos passos podia ser ouvido.

De um modo estranho todos ficamos em silêncio. Dispersos em nossas próprias lembranças do passado, mergulhados em um sentimento de saudosismo. Principalmente daquele ano. Sim, aquele foi um ano inesquecível, pena que tinha passado. Agora, aquele tempo parecia ser uma época muito distante das nossas vidas atuais. Quase dez anos haviam se passado e aos poucos cada um tomou seu rumo.

Quando nós finalmente concluímos os estudos e saímos do colégio, tivemos várias perdas. Sirius teve que voltar por exigência dos pais para a Inglaterra. Pelo que entendi, depois daquele Natal em que ele foi passar com a família, os Black perceberam que deviam ficar mais próximos do filho. Lizzie estava inconsolável na época. Eles terminaram o namoro, pois não sabiam quando voltariam a se ver. Até parece que eu estava vendo a minha história e a de James se repetir. Somente muito tempo depois quando Lizzie terminou o curso de medicina e voltou para Inglaterra para se especializar, eles voltaram a se ver.

Andy foi outra pessoa que nos surpreendeu muito. Ela terminou fazendo amizades com outras pessoas e nos distanciamos bastante, pois as novas amizades dela eram completamente diferentes de nós. Ela e Remus então perceberam que não tinham mais nada em comum além da linda história que tiveram no passado. Foi impossível para eles sustentar o namoro e com o fim dele pareceu ter se rompido o último vínculo que a unia a nós.

E o tempo passou. E com um baque recebemos a notícia de que a mãe de Remus, Lucy, havia morrido em um acidente de carro. Acho que foi um dos momentos em que mais nos unimos por Remus depois que ele superou o câncer. Até Andy na época deixou um pouco os seus novos amigos para ficar ao lado dele. Mas durou pouco, pois nosso amigo foi morar na Alemanha com o pai e a nova família de Sr. Lupin. Só nos vimos duas vezes desde então.

E foi assim que nos perdemos por esse mundo.

-Parece que faz séculos não é? – Eu falei quebrando o silêncio. Nós três demos um risinho tímido.

-É. Muita coisa aconteceu desde então. – James disse.

-Eu ainda tenho aquela última foto que tiramos antes de Sirius voltar para a Inglaterra. – Parei para abrir minha bolsa e pegar a carteira. Imprensada no meio de todos os papéis que eu juntava na carteira, eu achei a nossa foto dobrada e passei para Remus.

Ele olhou durante um longo tempo. Eu senti que naquele momento um aperto no coração tomou conta dele, pois eu me sentia do mesmo jeito. Olhar para aquela foto na qual todos nós sorríamos sem imaginar tudo o que ia acontecer de lá pra frente, sempre dava um aperto, como se minha garganta se fechasse.

-Tem tido notícias dela? – Ele perguntou sem dizer o nome, mas eu sabia que ele falava de Andy.

-A última vez que soubemos algo sobre ela foi que estava indo para a Itália fazer um doutorado na Itália, você sabe que ela está no ramo da moda. Não poderia dispensar uma oportunidade daquelas. – James tratou de responder.

-Eu nunca vou conseguir entender direito o que aconteceu para nos afastarmos. – Falei.

-Eu também não Lily. – Remus sorriu. – Mas com o tempo consegui entender uma coisa. Precisamos aceitar que as pessoas mudam, os interesses mudam, a vida nos leva a percorrer caminhos diferentes. E acho que foi isso que aconteceu com todos nós. Andy teve uma ligação muito forte conosco durante um tempo, mas em algum momento das nossas vidas precisamos fazer escolhas. Escolhas que vão determinar o nosso futuro e Andy talvez não quisesse mais aquilo para ela. De uma maneira estranha nossos rumos se desvincularam, mas para sempre ela vai ficar marcada na minha vida como alguém especial. E no fundo eu sei que ela também vai sempre se lembrar de mim e de vocês.

Eu sorri para Remus e segurei sua mão. Então com um sorriso estranho ele olhou para minha mão direita.

-Não! Vocês... ? – Ele pegou minha mão e a de James.

-Sim. James finalmente parou de me cozinhar em banho Maria e me pediu em casamento. – Eu falei. – Faz pouco tempo, por isso não tivemos a oportunidade de contar pra muita gente.

-Isso é maravilhoso! – Ele disse sem controlar o riso e nos abraçou. –Aquele facínora do Sirius já pegou o posto de padrinho não foi? – Remus falou depois.

-Sinto dizer que sim. Lizzie será a madrinha junto com ele. – James riu.

Então o celular de Remus começou a tocar e apressado ele procurou pela sua bolsa. Eu ri e tirei o aparelho do casaco dele, lendo no visor o nome Liesel. Remus sorriu constrangido e atendeu ao telefone afastando-se um pouco de nós. Depois de um tempo, em que eu e James nos sentamos na grama verde do parque, ele voltou e sentou-se ao nosso lado. O sol já estava se pondo nos proporcionando um belíssimo espetáculo.

-Quem é Liesel? – Perguntei com um tom de malicia. Eu e James percebemos na hora que ela devia ser alguém importante para ele, já que reconhecíamos aquele antigo hábito dele corar.

-Ahm, é só minha colega do jornal. Ela veio comigo a Londres e estamos fazendo a reportagem em parceria. Nós sorrimos para Remus.

-Ei! Não é nada disso que vocês estão imaginando! – Ele se defendeu, mas depois nós três começamos a gargalhar. -Rever vocês foi a melhor coisa me aconteceu nesses últimos dias. – Ele disse finalmente. –Fez-me lembrar muita coisa que eu havia esquecido, mas... agora eu preciso ir. – Ele sorriu um pouco triste por estarmos nos despedindo e levantou-se. - As notícias não esperam para acontecer.

-Remus, espere um minuto. – Eu então vasculhei minha bolsa e peguei um papel e escrevi um endereço. - Sirius e Lizzie nos convidaram para um jantar amanhã no apartamento deles. Seria uma ótima surpresa se você fosse.

-Ultimamente estou muito atarefado, mas vou fazer de tudo para ir. Volto para a Alemanha daqui a dois dias. – Ele disse e pegou o pedaço de papel.

-Adeus Remus. – Eu o abracei e logo depois James também. Mais uma vez eu estava com um aperto no coração.

-Se eu não conseguir ir amanhã diga que sinto saudades deles. - Ele sorriu. – Bem, meu caminho é aquele. Então... Adeus. – Dizendo isso, ele nos olhou profundamente, depois deu as costas e foi-se.

Eu e James ainda ficamos algum tempo olhando para as costas dele e o vendo se distanciar aos poucos. Até que, enfim, seguimos o caminho contrário ao de Remus, sem saber realmente quando voltaríamos a nos ver. Mas com apenas uma certeza, nossa amizade ficaria para sempre guardada e que nos uniria onde quer que estivéssemos.

O sol já havia sumido quase que completamente.

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N/a: Caham. E assim termina por completo NRF, sem mais nenhuma continuação ou coisa do tipo. Fica a cargo de vocês imaginar como foi a vida deles daí por diante, se o Remus foi ao jantar ou não, se a Andy algum dia se arrependeu do caminho que tomou, quem era Liesel, se os seis voltaram a se ver algum dia, se eles realmente casaram...

Desculpem se esse epílogo não corresponder às expectativas, mas eu queria quebrar um pouco da aura de fantasia que o último capítulo deixou. Eu queria mostrar um pouco mais do mundo real sabe, por que é assim que acontece. O exemplo da Andy mesmo é uma coisa que aconteceu com uma das minhas amigas de muito tempo.

Porque algumas meninas me pediram, fiz um último desenho para NRF.

Obrigada a todos que sempre comentaram na minha fic ou aqueles que comentaram somente uma vez ou até mesmo aqueles que leram e nunca comentaram,

Com o coração na mão eu me despeço de vocês e da minha menina dos olhos, NRF. Esse epílogo foi tanto uma despedida da fic e dos personagens quando minha, pois não sei se vou voltar a escrever aqui.

Que 2008 tenha algum motivo para ser especial pra cada um de vocês,
Lilys Riddle.