UNFAITHFUL


o O o

Estavam sentados na mesa do restaurante há muito tempo sem falar nada. Afrodite mexia nas folhas de alface em seu prato de uma maneira distraída, os olhos perdidos, sem se erguerem da verdura.

Carlo se sentia deslocado. Estavam juntos há seis meses, seis meses no qual Afrodite tinha se mostrado o namorado perfeito. Lindo, charmoso, dedicado. Tinha ensinado a ele um modo de viver muito menos amargo do que ele conhecia.

Aprendera a plantar rosa, sem se espetar com os espinhos. A caminhar de mãos dadas por entre os demais cavaleiros sem se preocupar com o que pensassem dele. A manifestar afeto sem ficar envergonhado disso.

Nada substituiria as noites assistindo D.V.D de braços dados, ou acariciando os cabelos loiros de Afrodite, que cedo ou tarde acabaria pegando no sono antes do fim do vídeo.

Nada no mundo o faria esquecer do jeito que Afrodite pulava na cama quando acordava atrasado para o treino matinal com Shun, arrancando risadas genuínas dele. Ou então o dia em que ficaram presos do lado de fora da casa de peixes sob um temporal dos infernos, e correram pulando os degraus molhados, como duas crianças pequenas e felizes.

Momentos. Momentos que se distanciavam com o silêncio de Afrodite, cada vez mais costumeiro.

Afrodite não conseguia erguer os olhos para Carlo. Se o fizesse teria que sorrir, e não sabia porque, não conseguiria sorrir genuinamente. Tampouco seria justo. Era um jantar para comemorar seis meses de namoro e Afrodite se sentia indo para forca. O peito queimando de vergonha. Os olhos ficando turvos de lágrimas. Porque diabos não conseguia olhar para Carlo como antes? Porque não conseguia sentir aquele amor e paixão de antigamente?

Carlo e seu carinho perderam totalmente a graça. Carlo e seu jeito carente de vir a ele tinham amainado o fogo. E agora lá estava ele, com um homem que ele amava, mas não amava... E também não queria erguer os olhos. Duas mesas atrás das costas de Carlo havia um homem que não tirava os olhos dele, e estava encabulando-o. Afrodite estava morrendo por dentro, por corresponder ao flerte, mas não conseguia evitar. Fora o sentimento de carinho e amor por Carlo, não sentia mais nada pelo Cavaleiro de Câncer.

Story of my life

Searching for the right

But it keeps avoiding me

Sorrow in my soul

cause it seems that wrong

really loves my company

Sabia que não poderia cair em tentação. Terminar com tudo daquele jeito. Não queria que Carlo sofresse. Não tinha nem o que dizer ao cavaleiro caso tivessem que terminar. Para falar a verdade, Afrodite não queria perder Carlo. Mas por que ser egoísta e prende-lo a si?

O loiro ergueu a cabeça e desviou os olhos do prato. Olhou por cima do ombro de Carlo e viu alí os olhos do homem da outra mesa que o sorriam. Um flerte ousado demais. Sentiu o rubor nas faces. Não pode evitar. Estava atraído por um homem que não era o seu namorado, e estava flertando com ele na frente de Carlo.

Subitamente Carlo rompeu o mutismo:

- Vou ao banheiro. Está quente aqui não está?

"Está quente aqui, não está?" Que frase era aquela? Afrodite pensou. Se não tem o que falar, não fale. Ele sabia que ele estava olhando para outro. Por que não reagiu de alguma forma e sim saíra da mesa?!

Por que não gritou com ele, nem fez um escândalo, como ele próprio faria?

Mas Carlo nada fez. Se movendo lentamente entrou no banheiro. O que de fato ele fora fazer lá, para Afrodite pouco importava. O loiro ficou observando quando o rapaz que o encarava chamou o garçom,escreveu algo em um guardanapo e pediu para que o garçom entregasse a ele.

Olhando para os lados, Afrodite sentiu seu mundo tremer quando olhou novamente para o papel e para Carlo que vinha de volta do banheiro . Só deu tempo de ler.

DUAS CASAS ABAIXO.

Afrodite engoliu em seco. Como ele havia mudado ... Se realmente fosse quem pensava. Estava muito mais bonito...

Quando Carlo sentou a sua frente, Afrodite sorriu, jogando os cabelos para trás com um gesto feminino. Depois cobriu as mãos de Carlo com as suas próprias em uma carícia intima que pareceu iluminar o rosto do Cavaleiro de Câncer com esperança. Carlo sorriu.

Na cabeça de Afrodite vieram todos os momentos que viveram em um lapso de imagens. Ele e Carlo andando na rua de mãos dadas. Sentados na escadaria do Santuário, cantando musicas um para o outro.

Ele queria que durasse. Ele queria ficar com Carlo. O italiano era mais do que apenas um homem na cama. Era seu companheiro. Era seu amigo. O defendia das chacotas dos outros cavaleiros no Santuário e fora dele. Várias vezes Afrodite se pegara pensando no futuro, e o futuro só tinha Carlo. O italiano era a razão para que o céu fosse azul mesmo debaixo de chuva. Mas o céu estava ficando nublado, pois como sempre, ele estava sucumbindo novamente, fazendo tudo errado, e ele sabia que se ele fosse ao encontro do homem que enviara o bilhete, o flerte viraria caso ,como os dois outros homens anteriores a esse.

Ele já tinha traído Carlo antes, mas a cada traição parecia ainda mais difícil ser verdadeiro e terminar logo com tudo. Ou parar de trair...

His more than a man

and this is more than love

the reason that this sky is blue

the clouds are rolling in

because I'm gone again

and to him I just can't be true

Quando eles saíram do restaurante, Carlo estava sorrindo. E por dentro seu peito era só desespero. Por quê ele não conseguira gritar, Deusa, porquê ele não estapeou Afrodite pelo jeito que ele olhava para alguém atrás dele. Era um homem com certeza, e pelo brilho do olhar do namorado, um homem muito bonito. Afrodite adorava homens bonitos. Tinha sido esta sua perdição. Não ser o homem mais bonito do mundo para prender eternamente a atenção de Afrodite. Não conseguia ser perfeito, não conseguia ser o que o outro queria. E cada vez mais Dido perdera a paciência com ele.

No inicio Afrodite tinha tido paciência. Ensinou-o a se vestir direito. A comer com os talheres apropriados de peixe e carne nos jantares de Saori Kido. Comprara perfume para ele. Mas agora era só Carlo vestir a calça jeans errada com uma blusa que Dido não gostasse, que o mundo desabava. Depois vinha a calmaria.

Mas a calmaria para Afrodite era outro homem. Um homem que soubesse apreciá-lo. E Carlo sabia dos outros homens...

Um era um garoto de menos de quinze anos, que vivia em uma aldeia em Mikonos. Ele tinha visto Afrodite, perfeitamente encantado pelo garoto quando foi ao mercado sem que o Pisciano soubesse.

Quando chegou a feira onde Afrodite costumava comprar seus legumes junto com as criadas, Carlo viu que Afrodite e o adolescente se olhavam de maneira cúmplice. Eram amantes, e se não o fossem,não tardariam em ser .

E Carlo sentiu o monstro verde do ciúme crescer dentro dele. Não podia ser... Era só uma criança... Uma criança com um metro e oitenta, olhos oblíquos e esverdeados, com o rosto esculpido pelo próprio Zeus. Um anjo caído nas ruas de Mikonos e que Afrodite queria para si.

O motivo?

Carlo nunca soube. Só que Afrodite nunca falara uma palavra sobre o garoto. Tudo estava normal, tudo muito bem, nada mudara. O sexo era a mesma coisa, os beijos, ainda mais saborosos. Como se Afrodite precisasse enfeitiça-lo ou encontrar nele algo que o fizesse continuar voltando a Carlo.

Então, Carlo engoliu o ciúme. O desespero da traição o empurrando para o mais profundo calabouço de sua alma, estuprando seu orgulho masculino, o fazendo se sentir execrável, um corno. Como diriam seus conterrâneos. Um corno que não ousava gritar.

Se gritasse perderia Afrodite. Se mandasse Afrodite para fora da sua vida, o sentido se perderia. Então sorriria. Fingiria. Suportaria a dor. Talvez se ele fosse completo, Afrodite ficaria com ele. Se ele fosse lindo, compreensivo, esforçado ... Afrodite o olharia novamente como na primeira vez. Na primeira dança.

Enquanto dirigia seu Audi de volta para o Santuário, a mente de Carlo se perdia nesses pensamentos. As lágrimas sufocando-se por si mesmas, enquanto Afrodite ajeitava os cabelos no espelho retrovisor.

- Estamos chegando. Mas pare aqui. – O loiro pediu.- Farei compras na FENDI. Encomendei uns lenços fabulosos. Você irá adorar! – falou animado. Carlo sabia o quanto ele amava fazer compras.

- Eu posso estacionar mais perto Dido. – Carlo falou animado, engolindo os pensamentos que o engoliam antes, e ansioso, se ele o convidasse... Seria como nos velhos tempos... juntos, fazendo compras. Mas Afrodite nem olhou para ele. – Quero fazer surpresa para você. Vai pra casa, assiste o futebol. O Inter de Milan vai jogar hoje e você adora não é amor?

Carlo sentiu o sangue ferver. Ficou rubro. Como ele o dispensava assim? Mas os olhos de Afrodite encontraram os seus, e o loiro o pegou pela nuca, colando seus lábios carnudos nos dele.

Carlo se entregou a sua danação como sempre. E por sorte, quando pegou a estrada que dava entrada para o Santuário, saindo da rua que deixou o namorado; O cavaleiro de Câncer não viu quando Afrodite entrou na loja e poucos minutos depois saiu vestindo um vestido decotado e preto. E dando a mão para um elegante homem parado na porta da loja, e entrou em seu carro Mitsubichi de vidros fumê.

And I know that he knows I'm unfaithful

and it kills him inside

to know that I am happy with some other guy

I can see him dying

o O o

Dentro do carro, Afrodite lembrava-se do olhar desolado de Carlo enquanto sentia as mãos de seu outro amante subir e descer sobre suas pernas. O calor do corpo de Aiolia de Leão o enlouquecia, os cabelos dourados do leonino eram um pouco mais escuro do que os dele, e quase se embaraçavam enquanto o leonino o agarrava pela cintura estreita. Marcada pelo vestido.

- Vamos para onde? – Aiolia perguntou com um sorriso safado no rosto. – Você está lindo com esse vestido. Sabia que assim me enlouquece, minha putinha?

- Para longe do Santuário, para longe de Marin e Carlo. – Afrodite disse entre dentes, sentindo as mãos de Aiolia correrem do volante para o meio de suas pernas. – Quero que você faça bem gostoso hoje, pela humilhação de me vestir de mulher...

- Faço bem gostoso sempre! – Aiolia respondeu com a autoconfiança típica dos leoninos. Afrodite limitou-se a olhar para a paisagem enquanto ouvia Aiolia baixar o zíper de sua jeans rota e colocar o pau para fora da braguilha com a mão que estava livre do volante. – E lhe garanto que eu vou fazer esse vestido em pedacinhos... é só uma fantasia.

- Sua mulher poderia cumprir uma fantasia que se faz de vestido. – Afrodite falou se inclinando e lambendo o pescoço de Aiolia que liberava o pênis com dificuldade tentando manter os olhos fixos no trânsito caótico da ilha Grega.

- Não quero causar um acidente. – Afrodite falou enchendo a mão com o pênis longo e vermelho do leonino.

- Se você não chupar logo, sua bicha, aí sim vamos causar um acidente! – Aiolia rugiu.- E a Marin não tem o que você tem entre as pernas! – ele falou a contragosto.

Afrodite se sentiu arrepiar. Não entendia porque gostava dos maus tratos de Aiolia, não entendia porque estava alí com o pênis do outro na boca, como uma vadia, se podia estar com Carlo, sendo bem tratado. Amado, sendo muito mais feliz...

E porque simplesmente não conseguia dizer não a Aiolia, ou a qualquer outro nos últimos dois meses? Porque macular o amor dele e de Carlo por momentos tão levianos. E por quê Carlo fingia que de nada sabia? Porque Carlo, diabos! Não tomava uma atitude e morria por dentro...

Não era só culpa dele se Carlo não lutava.

Tudo bem que esse pensamento não o eximia de culpa, mas se Carlo ao menos falasse...

Ele não... não queria aquilo.

Olhou para Aiolia e o que viu não foi o atraente cavaleiro de leão que o possuía ao invés da namorada. Não o homem que após faze-lo gozar acariciava seus cabelos e o levava para jantar, ou ao cinema enquanto Carlo achava que ele estava com as amigas. Ou fingia achar.

O que ele viu foi a lama da sua traição voando em sua direção, sem permitir que ele fechasse os olhos.

O sufocando, o maculando, da mesma forma que ele matava e maculava Carlo com tudo que fazia.

Aiolia era uma arma. O menino da aldeia era uma arma. O homem que o enviara o bilhete no restaurante, era uma arma... E todas se cravavam em Carlo a medida que os pênis se cravavam nele.

E Afrodite não queria ser um assassino.

I don't wanna do this anymore

I don't wanna be the reason why

Everytime I walk out the door

I see him die a little more inside

I don't wanna hurt him anymore

I don't wanna take away his life

I don't wanna be...

a murderer

Não era uma questão de trocar o certo pelo duvidoso. Era pelo prazer. E somente por ele, mas ele não conseguia parar...

Enquanto chupava Aiolia Afrodite pensava nas lágrimas que Carlo derramaria pela traição. Pois ele com certeza sabia de tudo. Não era cego nem burro. E começou também a pensar nas lágrimas que ambos derramariam se o que ainda tinham terminasse.

Foi bom que Aiolia estivesse gozando enquanto Afrodite lacrimejava. Não viu a lágrima que borrou a maquiagem perfeita em volta dos olhos. Não viu o arrependimento que só vinha tomar Afrodite quando estava com o leite de um homem que não era Carlo, em sua boca.

o O o

Carlo ouviu o ferrolho girar, e secou as lágrimas que manchavam seu rosto másculo. Rolou sobre a barriga,fechando os olhos e fingindo dormir, quando na verdade não havia pregado os olhos a noite inteira. Sabia do outro... Mas que outro? E o que ele poderia fazer? Brigar, gritar... tudo para não terminar com Dido.

Sofria com tudo aquilo. Sabia muito bem que se quisesse, poderia mata-lo pelo que estava fazendo com ele. Mas não suportaria. A idéia de vê-lo afastado ou morto era demais para ser concebida. Quis morrer.

Virando de bruços novamente, enfiou a cabeça no travesseiro a medida que os passos se aproximavam do quarto. Ouviu o rangido seco da porta do quarto, os passos de sapato alto. Afrodite passou direto para o banheiro da suíte da casa de Peixes, e logo Carlo ouviu o barulho da água do chuveiro caindo com força.

Mas havia também outro ruído.

Soluços?

Afrodite estava chorando?

Carlo quis levantar da cama. Mas pensou bem... Não queria perguntar porque Afrodite chorava.

O confortava saber que o outro estava sofrendo por algo... Mas se preocupava se este algo era ele, Carlo, ou algum outro qualquer.

Mascara da Morte optou por fingir que estava dormindo. Aos poucos o som da água se fechou e Afrodite saiu do banheiro, vindo para cama. Deitou-se ao seu lado. Tocou com a ponta dos dedos o seu rosto. Afundou o nariz em seu pescoço e o cheirou. Depois enfiando os braços por baixo dos de Carlo ( que estavam um sobre a barriga e o outro atrás da nuca) abraçou o cavaleiro com ardor. Como se fosse um ursinho perdido e depois reencontrado por uma criança. Carlo sentiu as lágrimas quentes tocarem-lhe a pele, rolarem sobre o seu peito. Afrodite estava inclinado sobre ele, chorando.

Depois inclinando-se sobre ele, controlando o choro, beijou-o nos lábios.

- Carlo – sussurrou. – Amor ... você está acordado?

Era obvio que Carlo estava acordado. Como dormiria com ele na rua?

- hummm – o cavaleiro de Câncer murmurou. – O que é ? Algum problema? – falou fingindo sono.

- Preciso de você... Dentro de mim. Agora. – Afrodite disse se largando sobre ele. Carlo podia sentir o fogo da paixão no namorado quando este arrancou suas calças de pijama e sentou-se sobre seu pênis, roçando as nádegas nele.

- Seu louco... – Carlo suspirou. Mas Afrodite não ouvia mais nada. Somente ajeitou-se sobre o membro que endureceu rápido como uma pedra, e sentou-se de uma vez, arrancando gemidos de Carlo, até começar sua cavalgada pelo prazer de ambos.

- Devagar Dido! – Carlo falou segurando-o pelos quadris, tentando prolongar o prazer, retardando o êxtase, mas Afrodite pulava sobre o membro com a fome de um desvalido, o escroto de Carlo tocando a polpa de suas nádegas brancas e firmes. Os cabelos voando de um lado para o outro, colando-se em sua testa suada.

- ME FODE! – Afrodite gritou alto. Carlo podia jurar que ele chorava. Mas não conseguia pensar. – CALA A BOCA E FODE! – ele voltou a gritar. – VEM VEM VEM...

Carlo arremeteu-se com força, enfiou-se com precisão e logo Afrodite começou a se contorcer, seus espasmo fazendo com que se arqueasse para trás como uma arco de violino no ar. Seus cabelos caindo sobre as pernas de Carlo que não parava de enfiar-se no loiro nem por um segundo.

- VEM VEM VEM! – Afrodite gritava. – Me dê ele!

- Está bem seu louco! Louco! Lindo! – Carlo gritou socando com força, até que Afrodite começou a jorrar seu esperma no ar, masturbando-se freneticamente, gozando o peito, o pescoço e o rosto de Carlo que explodia de prazer dentro do namorado. Seu pênis tremendo dentro de Afrodite, lançando seus jatos no reto suado e esfolado.

Afrodite caiu sobre Carlo exausto. Depois rolou para o lado. Carlo o abraçou e disse:

- Eu amo você.

Afrodite fechou os olhos. Doía, doía, doía mais do que pudesse pensar. Não era o sexo que o prendia a Carlo, mas algo além disso. Era aquelas palavras, ditas daquela forma, entre um suspiro, depois do orgasmo, entre seus braços. Aquelas palavras que o lembravam do quão infiel ele era. E do quão fraco ele era de se entregar a aquelas traições.

No entanto Dido não conseguiu responder a Carlo. Somente virou-se a ele e o beijou dizendo:

- Eu também...

o O o

I feel it in the air

As I'm doing my hair

Preparing for another day

A kiss up on my cheek

He's here reluctantly

As if I'm gonna be out late

I say I won't be long

Just hanging with the girls

A liar didn't have to tell

Because we both know

Where I'm about to go

And we know it very well

Afrodite tinha acabado de desligar o seu Nokia. Carlo estava cochilando na cama de casal dos dois. O pisciano estava vestindo uma camiseta de alças, verde musgo, com babados indianos. Usava sua calça de lona branca e sandálias de saltos um pouco alto. No pequeno lóbulo das orelhas, uma argola de prata fina e delicada que vinha até o ombro, livre de se prender no cacho de seus cabelos, que estavam amarrados em um coque, envoltos por um lenço da FENDI prateado.

Estavam no apartamento de Mikonos, já que tudo corria bem no Santuário, e Afrodite parecia ter se interessado mais pelo centro da cidade do que ficar em sua casa de Peixes . Carlo concordou com ele, mesmo sem saber que fazia isso para fugir do incômodo Aiolia que agora parecia apaixonado.

Mas Afrodite não estava pensando em Aiolia, tampouco no Santuário ou em Athena. Parado em frente a janela, olhava-se no espelho preso a parede ao lado da cama em que Carlo dormia, a sua perfeição estonteante. Ajeitando os últimos detalhes dos fios de sua franja para que ficasse perfeito.

Constatou em cinco minutos que estava pronto ao mesmo tempo em que o celular bipou Conferiu-o e o SMS do amante tinha acabado de chegar e ele tinha de descer. Sabia que Carlo estava relutante, já tinham se passado dois dias depois que fizeram amor, e Afrodite não conseguia ficar muito tempo com ele. Mas a excitação do novo encontro obliterou a boa vontade do pisciano que se inclinou e beijou o namorado que cochilava na bochecha. Carlo imediatamente abriu os olhos e o encarou.

- Vai sair ?

- Sim, vou dar uma volta com as garotas... pelo Centro. Estou bem vestido? – O pisciano respondeu.

- Vai demorar ?

- Não, vou só me divertir com as meninas, um pouquinho.

Afrodite sabia que não deveria ter contado a mentira. Porque em seus íntimos, ambos sabiam onde ele estaria indo muito bem.

Carlo devolveu o beijo na bochecha. E fechou os olhos novamente antes de ver Afrodite sair pela porta do apartamento, batendo-a . Depois seguiu até a janela e esperou que ele saísse. O viu caminhando com a graça de um modelo até a esquina, quando o namorado desapareceu dentro de um carro que ele desconhecia o dono.

Sentindo como se tivesse sido atingido por um golpe de um Deus, Carlo caiu no chão do apartamento gritando. Ele era um merda. Um merda... um nada.

o O o

'Cause I know that he knows I'm unfaithful

And it kills him inside

To know that I am happy with some other guy

I can see him dying

I don't wanna do this anymore

I don't wanna be the reason why

Everytime I walk out the door

I see him die a little more inside

I don't wanna hurt him anymore

I don't wanna take away his life

I don't wanna be...

a murderer

Se ajeitando em cima dos saltos mortais DIOR que usava, Afrodite foi entrando no amplo teatro Municipal de Athenas. O homem que o buscara de carro não era o rapaz do restaurante, mas sim, seu criado.

Afrodite não disfarçou a surpresa quando entrou no carro com o numero de placa que recebera no SMS, e deparara com um chofer. O mesmo chofer o levou a uma das lojas mais caras da BVULGARI onde Afrodite recebeu um lindo colar de diamantes e cristal, entregues a ele por uma vendedora, com um belo cartão que estava escrito, FENDI.

Afrodite não entendeu, mas logo percebeu que o carro se dirigia para a loja de nome FENDI, onde outra mulher veio até a porta do carro e lhe entregou uma sacola com roupas. Afrodite quase desmaiou quando viu a nota da roupa, uma quantia de mais de dez zeros, após a soma vultosa. E junto com a roupa, mais um cartão escrito MUNICIPAL.

Afrodite arrancou a roupa dentro da limosine mesmo ( O chofer fechou a parte que o separava de Afrodite) e vestiu a roupa caríssima e linda. Era uma camiseta negra e fendida na frente como um decote enorme que quando ele vestiu ficou abaixo de sua cintura. Tinham calças alí, mas Afrodite preferiu sair só com a camiseta que mais parecia um vestido que era aberto na frente. Ao lado da blusa, dentro da enorme bolsa, saltos altos maravilhosos. Afrodite estava quase sem fôlego. Primeiro pelos presentes. Uma Limo,depois um colar que valia mais que o próprio carro em que estava, sandálias de salto, de fazer Saori Kido, e todas as amazonas rolarem em vidro e arame fumegante pra conseguir, E aquela camiseta, bata, vestido que caiu perfeitamente nele. Feita sob medida. Era incrível que o seu futuro amante acertasse em tudo.

Soltou os cabelos antes de sair do carro. Estava lindo, perfeito, divino.

O chofer não conseguiu tirar os olhos dele enquanto o deixava na porta do municipal.

A noite caia sobre Mikonos a medida que Afrodite vencia os degraus de entrada do THEATRO. Uma vez lá dentro, pensou estar sozinho até um homem apontar uma porta que dava acesso ao palco. E Afrodite seguiu por ela. Equilibrando-se nos saltos mortais como um Deus, chamando a atenção de todos que ousassem passar por seu caminho. Estava confiante. Mas mais uma vez veio a imagem de Carlo em sua mente. E ele não conseguiu ignora-la. Quis desabar dos saltos, mas algo o puxava para frente. Talvez fosse a melodia do piano, alguém tocava piano no palco do Municipal.

Afrodite passou por dois ou três contra-regras, que estavam indo embora do teatro, largando o expediente. Os dois olharam para ele como se ele fosse a visão do próprio Zeus, ou a própria Afrodite Deusa encarnada. Ele simplesmente ignorou. Até chegar ao palco e ver seu futuro amante ao piano.

- Shura. – ele disse se apressando para perto do pianista. – Quase não o reconheci quando te vi com os cabelos longos... Nem sabia que estava de volta a Grécia. Quando renasceu, você voltou para a Espanha...

- E você achou que ia se ver livre de mim e dos meus presentes, cariño? – o espanhol falou. A musica Unfaithful de Rihanna dedilhada rápida no piano. Afrodite se sentiu tremer.

Unfaithful ...

Infiel em inglês.

Afrodite quase desabou. Mas as mãos de Shura correram para impedi-lo. E a imagem de Carlo veio a sua mente. Chorando, caído, lamentando em alguma parte do apartamento. Gritando dentro de seu coração.

Ele estaria enterrando Carlo dentro de si, ou enterrando o que sentia, ou queria sentir por Carlo, se desse mais um passo na direção de Shura, tudo estaria perdido.

- Senti saudades! – Shura disse sorrindo. Sentindo Afrodite entregue. – gostou dos presentes?

- Amei Santiago ! Amei! –ele respondeu. Jogou-se em cima do piano como uma diva. Deitou-se sobre o instrumento musical. – Toque o para mim Shura...

E Shura começou a tocar mais alto ainda Unfaithful. Afrodite sentiu novamente aquela fisgada no peito.

Carlo.

Realmente o espanhol havia mudado muito desde que abandonara o Santuário e passara três anos na Espanha. Os cabelos negros estavam na altura dos ombros. O jeito de se vestir e se portar era altivo como o dos espanhóis. E até o sotaque na voz estava mais carregado.

Afrodite não o reconhecera no bar, ao longe, achara que era somente mais um paquera, não um que lhe conhecesse tão bem. Mas depois dos bilhete juntou dois mais dois.

His trust

I might as well take a gun and put it to his head

Get it over with

I don't wanna do this

Anymore (anymore)

As mãos de Shura tocaram a cintura de Afrodite o tirando de cima do piano, sentando-o ao lado dele, e o envolvendo. As mãos de Dido correram sobre as teclas lentamente, e os cabelos negros do espanhol embaraçaram-se nos seus quando se beijaram. Ardentes, desejosos.

Shura rapidamente levantou-se e arrancou a jaqueta que vestia. Pegou Afrodite pelos braços e o jogou no chão ao lado do piano, levantando a blusa de tecido mole até a altura dos mamilos do pisciano, que vestia somente uma cueca transparente e negra por baixo, e já exibia um pênis rosado muito teso.

"Sinto muito Carlo... Eu não queria que eu fosse a razão de que, toda vez que eu saio pela porta, eu te vejo morrer um pouco mais por dentro. Eu não queria te ferir mais... Eu não queria estar minando sua vida, eu não queria assassinar o nosso amor"

Mas eu o fiz.

Afrodite se perdeu nos braços de Shura alí mesmo. No palco do teatro municipal de Athenas.

Sentiu-se cavalgado, amamentado,deliciado e excitado ao limite. Carlo distante naquele momento. Perdido em algum canto do seu mundo que fora totalmente devastado pelo seu egoísmo, sua falta de vergonha, suas mentiras. Carlo estava perdido, perdido para sempre. Não existia mais nada além de Shura. Shura e suas jóias, seu pênis grosso que martelava dentro dele, sua boca carnuda, seu desejo crescente. E palmas.

Palmas?

Afrodite demorou a entender o que acontecia quando em meio a cavalgada, ouviu palmas. Saiu de baixo de Shura. Conhecia aquele perfume, e aquele perfume naquela pele. Conhecia o jeito de andar daquele homem que vinha em sua direção lentamente. Com lágrimas nos olhos.

Shura se afastou dele. Olhando-o desesperançado.

Carlo vinha andando calmamente na direção dos dois. E deu as mãos para Shura se erguer deixando Dido prostrado no chão.

I don't wanna do this anymore

I don't wanna be the reason why

Everytime I walk out the door

I see him die a little more inside

I don't wanna hurt him anymore

I don't wanna take away his life

I don't wanna be...

a murderer (a murderer)

No no no

Yeah yeah yeah

Afrodite não entendeu nada quando viu as mãos de Carlo ajudar-no a se erguer também. Sua vontade era enfiar-se pelo assoalho a dentro. As lágrimas transbordando, saindo envergonhadas, quentes. Carlo alí, o ajudando a se levantar. Carlo lá dentro, tinha visto ele cavalgando Shura, gemendo por Shura,querendo Shura como queria qualquer homem. Como um perdido em uma noite imunda.

- Carlo... – Afrodite chorou. Mas Carlo já não vertia mais lágrimas. Shura continuava mudo.

- Abrace-me. – Carlo falou ríspido. – Abrace-me Afrodite. – o Canceriano pediu sério.

Afrodite se jogou no braços do italiano. O peito arfando, as lágrimas descendo copiosas, caindo no ombro de Carlo que usava uma camiseta branca e justa.

- Não perguntarei o por quê, porque não me importo mais em saber... – Carlo sussurrou empurrando Afrodite lentamente para trás. – Saiba que esse foi nosso ultimo abraço.

- Carlo ...

- Não quero mais saber, não tenho mais lágrimas para chorar. Não vou gritar, não vou implorar nem espernear, vim aqui para ver. O Shura me ajudou a ver, que você não era pra mim.

- Como assim? – Afrodite berrou desesperado levando as mãos a cabeça.

Nunca tinha ouvido tal disparate antes. Sabia que alguns homens não serviam para ELE não o contrário. E como Shura tinha dito isso se... Como fora idiota!

Era obvio. Carlo saíra da mesa para que Shura mandasse o bilhete. Carlo não insistira em ir atrás dele. Não fazia perguntas. E como Shura soube de tudo que Afrodite gostava? As roupas e sapatos de tamanhos perfeito. Como era estúpido!

- Não acredito que você brincou assim comigo?! – Afrodite gritou.

- Ora, Cale-se Afrodite! Nem vou dizer o que eu senti quando você foi caindo como um patinho. Quando eu vi que o que eu sentia era NADA, eu era um MERDA! Você que brincou comigo. E eu achei que suportaria. Achei até que a culpa era minha... mas não era! Nunca foi! Você me domou e depois ficou com pena de me abandonar!

- Carlo ... não... Carlo! – Afrodite levou as mãos a boca, mas não conseguiu sufocar o soluço. – Carlo pelo amor de Deus!

- Deus? Eu pedi a ele que eu estivesse errado, mas não estava. Você não presta para mim! Não presta para ninguém a não ser seu reflexo no espelho. Acabou Dido. Não sinto mais nada por você.- o italiano disse.

Afrodite tentou correr para Carlo, mas o odioso Shura o segurou pelo braço, o afastando.

- Agora eu cuido dele.

- Como ?- Afrodite berrou perdendo os sustentos.

- Acha que escolhi a melodia da Infidelidade ( Unfaithful) á toa ? Você estaria sendo infiel, eu sabia disso, sempre soube. E eu também estaria sendo, mas com o aval do homem que eu quero...

- Não estou entendendo... – Afrodite disse furioso.

- Eu cuido do Carlo agora Dido. – Shura disse sorrindo tristemente. – Você perdeu, meu amigo.

Os olhos de Afrodite se esbugalharam ao máximo. Não acreditava. Não queria acreditar. Perdera Carlo. Estava perdendo Carlo!

- Carlo! – Ele gritou- Você não pode estar fazendo isso... Não pode.

- E digo mais ... fique LONGE do meu namorado. Ou eu te fatio.

E enquanto Carlo e Shura saiam de mãos dadas do Teatro, Afrodite só berrava e berrava. Nunca sentira tanta dor em sua vida. Seria tarde demais?

Sim, era tarde demais.

As rosas não falam, mas elas murcham.


A. Kinney – 16 de dezembro de 2006 – 00:28h


Bem, amigos e amigas esse é o fim da Fanfic Unfaithful.

Sei que o final não é o que muitos esperam, mas é o meu final até agora, desculpem-me...

A fanfic é baseada no Clipe Unfaithful da cantora Rihanna. Quem quiser ter uma idéia da melodia basta procurar no YOU TUBE, e ter uma idéia de porque a fanfic nasceu.

Mas não fiquem tristes, o ano de 2007 promete e nada me impede de uma continuação.

As meninas, Mariana/ Joana, Carlinha, Shaina, Flor de Gelo... Obrigado pelo apoio e as reviews.

Um feliz natal a todas! E um prospero ano novo.

A.Kinney.