Capítulo 6: O chamado

- Bem, Sirius... Assim que chegar o resultado do último exame vou lhe dar alta, e você pode ir embora... Tenho aqui a poção para a dor de cabeça... Mas seria ótimo que você voltasse para um check-up daqui a duas semanas... Estou um pouco preocupada com essas dores. Embora eu acredite que você não venha... – murmurou em complemento, os cantos dos lábios tremendo ligeiramente.

- E está certa.

Lílian suspirou e ficou a observar o amigo, que olhava, com os braços cruzados, para além da janela à sua direita no quarto, sem encarar Lílian em momento algum. A ruiva hesitou por alguns instantes, refletindo se deveria falar ou não. Não queria pressionar Sirius, fazendo-o se fechar mais ainda e acabar com o progresso mesmo que minúsculo que tinha feito em relação à barreira em volta do velho amigo. Pelo menos, agora, ele respondia, mesmo que com monossílabos ou uma frase curta e agressiva aqui e ali.

Abriu a boca duas vezes, pronta para falar, mas voltou a fechá-la, indecisa. Era como decidir tocar ou não em um animal selvagem, não se podia prever suas reações, apenas esperar o pior.

Quando finalmente decidiu arriscar, a porta do quarto se abriu, para sua descrença.

- Doutora? – disse Marge, olhando de Lílian para Sirius e tentando imaginar que tipo de conversa, exame ou até mesmo sessão de legilimência os dois estavam tendo.

- Sim, Marge? – disse Lílian, se virando para a mulher, a expressão cansada.

- Tem uma pessoa querendo falar com a senhora... Ele disse que se estivesse ocupada voltaria outra hora...

- Não, eu... – Lílian virou-se para Sirius, que ainda olhava para a janela, mas ela podia ver que ele estava atento à conversa. – Eu posso ir... Tudo bem, senhor Black?

Sirius não respondeu, mas Lílian também não se deu ao trabalho de tentar alguma coisa. Era melhor se satisfazer com o silêncio do que conseguir uma resposta fria e ignorante. Tristonha, saiu do quarto, caminhando para sua sala seguida por uma Marge confusa.


Remo ouviu a porta ser aberta, mas não pode tirar os olhos do porta-retrato sobre a mesa. Ouviu a voz dela, exclamando seu nome com surpresa, mas ainda assim não desviou o olhar do porta-retrato. E, quando ela pulou em seu pescoço o abraçando, ele desviou o olhar por dois segundos suficientes para sorrir em resposta ao sorriso que recebia. E, enquanto ela tagarelava o quanto sentia saudades, agarrada em seu pescoço, ele voltou a observar o porta-retrato.

Ali, com o braço em torno da cintura de Lílian e a mão no ombro de Harry, sorrindo para a foto, era certo estar James, e não aquele loiro que, mesmo que aparentasse uma pessoa simpática e boa – não era quem deveria estar ali.

Suspirou, triste. Por mais que gostasse de Lílian, que considerasse a mulher como uma irmã, que desejasse sua felicidade... Não podia deixar de pensar que estava traindo James, olhando para aquele porta-retrato e sorrindo, indulgente, enquanto a ruiva falava sobre o casamento que seria marcado.

Mas resolveu mudar rapidamente o rumo da conversa. Afinal, foi ali com um motivo já certo, e deveria discuti-lo o mais rápido possível. Enquanto Lílian falava sem parar, procurou palavras para dizer o que viera dizer, fazer o que precisava ser feito. Mas não era fácil. Não era simples. Muito menos livre de dores. Sim, dores. A dor da verdade.

- Lílian – disse, cortando timidamente o que a mulher dizia. – eu... Na verdade essa não foi uma visita aleatória... Eu... Bem, eu tenho que te dizer uma coisa. E preciso falar com ele depois.

- O que aconteceu, Remo? – disse, imediatamente se preocupando com a expressão do amigo e com a referência à Sirius. Até onde ela sabia, eles não se falavam há muito tempo, e se Remo viera decidido a falar com Sirius, com certeza sabia de sua indiferença e veio preparado para enfrentá-la. Isso tudo, concluiu Lílian, só poderia ter um motivo muito sério.

- Lílian... – começou o homem, suando levemente. Eu... Eu estive conversando com Dumbledore, dois dias atrás... E ele me pediu para passar uma mensagem para algumas pessoas... Não vim aqui primeiro porque precisei resolver alguns assuntos antes...

- Fale, Remo. – disse Lílian, empertigando as costas e se esperando, do mesmo modo que Remo esperou, atento, Dumbledore falar as palavras que seu sub-consciente se preparou antecipadamente para ouvir.

Remo olhou rapidamente para a porta e para as paredes, checando se algum dos quadros prestava atenção aos dois. Empertigou-se, olhando dentro dos olhos verdes.

- Está em chamas, Lílian.

Após o impacto das palavras, Lílian fechou os olhos por alguns segundos, tentando lidar com as diferentes emoções que aquela frase significava. Remo viu surgir no rosto da amiga à sombra de cada pensamento que também passou por seus olhos após ouvir o mesmo do professor Dumbledore, menos de dois dias antes. Lílian por fim respirou fundo e abriu os olhos devagar... E Remo podia jurar que o verde havia mudado de tonalidade. Havia um brilho negro, bem ao fundo. Um túnel, uma passagem para algo novo. Talvez outra alma por trás daquela, uma alma mais forte e mais decidida, uma alma que não se permitia sonhar, não esperava pelas decisões, não fraquejava. E Remo podia se lembrar dela. Aquela que garantiu que seu casamento vivesse, que garantiu que ela e seu filho vivessem. A alma lutadora por trás da doçura dos olhos verdes.

- Certo. – disse ela, a voz consideravelmente mais firme, se levantando devagar. – que dia?

- Sábado.

- Obrigada por ter vindo me avisar.

- Claro, Lílian. Eu... Eu tenho que falar com Sirius.

- Não vai ser fácil. – disse a ruiva, olhando para as rugas precoces de Remo.

- Oh, sim, alguém já me disse isso.

Lílian abraçou de leve o amigo, afagando seus cabelos com cuidado.

- Você está muito abatido... Posso te dar uma poção, pelos meus cálculos você começou isso logo depois da lua cheia...

- Bom... Eu realmente preciso de força...

Lílian foi até uma porta que levava à outra salinha e vasculhou lá, arrastando vidros e mais vidros de poções prontas.

- Aqui. – disse, trazendo um vidro com uma poção alaranjada. Pegou um dosador e mediu algumas gotas... Então o passou a Remo, que virou rapidamente. Estremeceu, e devolveu o dosador à Lílian. – é o quarto 71.

- Certo... Obrigado, Lily.

Lílian sorriu pela primeira vez desde que Remo dissera a que veio. E se manteve firme até o amigo deixar a sala, para só então cair em sua cadeira e, cansada, se lembrar do dia em que ouviu essa frase pela primeira vez.

Lílian fechou seu plantão e foi para casa, instruindo as enfermeiras que Sirius não deveria ser liberado até ela mesma lhe dar alta, no dia seguinte. Mas imediatamente entrou em alerta ao lembrar que Harry não estava em casa.


- Então... Você vai passar os verões lá, certo?

- Claro. – disse Harry, em resposta à caçula dos Weasley. – e também posso vir para cá pela rede de Flu sempre que quiser...

- Que bom – disse Rony, com um grande sorriso.

- Harry... Mas... E o... – começou Hermione, hesitante.

- Não pergunte sobre o que eu não irei responder, Mione. Por favor.

Hermione encarou expressão dura do amigo, e mais uma vez disse à si mesma que, se Harry não se importava, não tinha porque ela se importar. Era melhor deixar que Harry resolvesse aquilo sozinho. Tentar interferir não adiantaria em nada, a não ser uma discussão entre os dois.

- Olha... – disse Harry, tentando ser racional. – Nunca vai dar certo. E ponto. Não quero discutir sobre esse assunto. Ele não existe pra mim, assim como eu não existo para ele.

Hermione abriu a boca, mas decidiu que não devia se meter nisso. Nisso não.

- Hei... O que acha de uma partida, Harry? Aposto que Fred e Jorge também iriam... – disse, Rony, e Harry pôde admirar o tato do amigo em deixa-lo confortável sempre que esse assunto surgia. Mesmo que Rony não fosse muito sutil em outros assuntos.

Harry concordou com um aceno da cabeça e os quatro puseram-se a descer as escadas. Encontraram com os gêmeos e, juntos, Harry, Rony, Fred e Jorge foram em direção à um pequeno morro na propriedade dos Weasley, enquanto as meninas ficaram conversando na cozinha.


- Sirius?

- O que você está fazendo aqui? – disse Sirius, olhando surpreso para quem o chamava da porta, indeciso se deveria entrar.

- Eu... posso entrar? – disse Remos, inseguro.

- Já está praticamente aqui dentro, não é?

- Bom... É. – Remo comentou enquanto entrava no quarto e fechava a porta.

Remo caminhou até próximo da cama de Sirius, olhando firme nos olhos do outro homem. Assim como Lílian, teve a sensação de estar lidando com um animal selvagem, do qual não sabia o que esperar, a não ser, talvez, o pior. Quando estava bem próximo da cama, os dois ficaram a se encarar por alguns instantes, e Remo pôde sentir algo a mais nos olhos de Sirius. Por um momento, teve a sensação de... Mas ela foi rapidamente cortada pela agressividade das palavras seguintes de Sirius.

- Então... Você veio aqui pra me falar alguma coisa importante ou ficar me encarando? – disse, virando o rosto para a janela para a qual estivera olhando boa parte do dia.

- Sirius eu... Tenho uma mensagem de Dumbledore.

Sirius virou tão rapidamente a cabeça de modo a encarar Remo que o outro sentiu uma leve vertigem. E, pela segunda vez aquele dia, Remo pôde enxergar cada sensação que se passava dentro da pessoa a quem falava de acordo com o ritmo em que ia absolvendo o que significava sua mensagem. Mas as reações em Sirius eram bem diferentes das de Lílian. A máscara de frieza foi substituído por um brilho fugaz, um calor por trás dos olhos azul-acinzentados e, até mesmo, poderia-se dizer que um leve sorriso queria a todo modo surgir em seus lábios.

- Que dia? – disse, antes que Remo sequer confirmasse suas suspeitas.

- Er... – embolou-se Remo, um pouco assustado, mas não surpreso com toda a precipitação do amigo. Ou ex-amigo, não saberia dizer. – Sábado.

- Certo. – resmungou Sirius, agora voltando a encarar a janela, mas sem dúvida, com um novo brilho em sua face.

- Sirius? – chamou Remo, incerto, depois de alguns segundo. Sirius virou lentamente a cabeça, mas não olhou Remo diretamente nos olhos. – Você... Eu e... – Remo sabia que com essa hesitação só deixaria o outro mais desconfiado. Respirou fundo e disse logo o que tinha a dizer. – Sirius, você pode me ajudar? Eu tenho que... Tenho que falar com ele e...

Sirius riu, um latido rouco, mas nada parecido com as risadas que sempre dava perto dos amigos. Agora a risada parecia destilar um veneno que destinaria a um de seus inimigos.

- Não me faça perder meu tempo, Lupin. Então, era só isso que tinha a me falar? – e, sem esperar resposta, pegou sua varinha sobre a mesinha ao lado da cama e acenou para a porta, a abrindo - Pode ir então.

Remo olhou longamente para Sirius, mas percebeu que teria de ser muito mais sutil se quisesse algum progresso. Realmente muito mais sutil.

- Até sábado, então – e, sem esperanças de uma resposta, deu as costas e saiu do quarto, sentindo a porta bater atrás de si assim que saiu por ela.


N.A.: Hi pessoas! (Dane dando pulinhos de felicidade e cantando We will rock you) Aain, meus pedidos foram realizados, não? Mais reviews, mais reviews! (levanta da cadeira do pc e dança pelo quarto) Aain, obrigada ;) Hoho, sexto cap. Não gostei muito desse... da parte do meio, pra ser mais exata. Enfim, deu bloqueio aqui, ficou meio difícil sair melhor (dane com cara de cachorrinho pulguento). Me dêm um desconto! (cachorrinho pulguento e esfomeado).

Agradecimentos: Well... eu não sou uma pessoa... digamos, muuuito organizada. Devido à minha grande empolgação pelo número de reviews ter aumentado consideravelmente, acabei me confundindo aqui e não sei se respondi à alguém ou não (chora escandalosamente). Então, facilitando pra todo mundo, vou responder às reviews por aqui mesmo (sorrisão banguela):

JhU Radcliffe, aain, suas reviews são as coisas mais maravilindas que eu já vi! (dane beija testa da Jhu) pode deixar, não vou demorar. p.s.: eu tenho medo de você oO. Mel Black Potter: Um cervo, Mel. Um cervo! (faz carinho no James - não liga pra ela, querido.) hoho, cap no dia em que prometi (menina exemplar... snif) aaah, slash é tããão fofinho... (ri) tudo bem, eu também tenho meus "não desce" H/H, por exemplo. Não adiaanta, não vai! (chora) -Laura- : obrigada, que bom que gostou :) Well, não pensei nisso ainda... eu não escrevo separando os acontecimentos, eu vou escrevendo... aí, quando penso "Oh, seria bom se terminasse aqui" eu fecho o cap. Mas dando um previsão que pode ser bastante furada... diríamos uns vinte. :O, eu sei. Lolamedr: thanks! okok, prometo que não demoro. Espero que tenha gostado desse também. Paolla: ahaa, obrigada (dane sorri, toda besta) hm... pergunta complicada. O James é um idiota, mas é o idiota lindo da mamãe aqui. Não sei... talvez... Mas sempre tem a possibilidade da Lily não querer mais ele e o nosso cervinho conhecer uma bruxa, por acaso chamada Daniele, aí ele se apaixona perdidamente (suspira)... Tá, parei. Todo mundo tem chance! hoho

Oh, gente. Eu sempre procurei manter uma boa dianteira dos caps e ter tudo preparadinho com antecedência, pra poder marcar um dia certo de atualização. Mas agora estou sem caps prontos, muito menos betados. Semana que vem volto às aulas (grita de frustração) mas vou usar esse final de semana para tentar adiantar até o cap oito ou nove, quem sabe. Depois, entrego às mãos da minha beta ;) Vou tentar não ultrapassar a marca de uma semana para atualização, mas sinceramente... não quero prometer o que talvez não possa cumprir. Juuuro que não demoro, mesmo que tenha que começar o ano já boiando nas aulas de geografia pra atualizar isso logo xD

hmm... lembra que eu mencionei um leve bloqueio? um pouco de incentivo ajudaria... hOhO seja ele por review, email ou o que quer que seja. Um número maior de reviews do que o último cap decididamente iria aumentar minha criatividade. ;)

beijos à todos. (é minha impressão ou isso aqui tem mais conteúdo do que o cap em si?)

No próximo, acho que vou matar parte da curiosidade de vocês... Veja bem, apenas parte. (risada malígna)