N/A: Olá! Olha eu aqui de novo, com mais uma tradução! Desta vez é da fic "Starving for Truth", das Hopeless Romantics. A fic é um pouco grandinha, e ainda não está terminada, e como eu tenho mil outras coisas para fazer, além é claro de dar continuidade à minha própria fic e outros projetos futuros (que vocês podem ver no meu profile), não garanto atualizar a fic sempre, nem rápido. Mas vou me esforçar ao máximo, certo?

Bem, espero que vocês gostem dela tanto quanto eu! x)


Fome de Verdade

Inesperadamente Trancados

Lily Juliet Evans, não era uma garota feliz, no momento. Ela era Monitora-Chefe. Deveria ser uma honra. Mas não era, já que ela estava presa ao seu Monitor-Chefe conhecido por James Potter. Eles estavam patrulhando os corredores como de costume, fazendo uma última busca por alunos fora da cama antes de voltarem eles mesmos para as suas. Seu distintivo de Monitora-Chefe brilhava importantemente em seu peito, suas longas e ruivas madeixas suspensas bem arrumadas, cascateando até perto de seus cotovelos.

"Ainda não sei como eu fiquei presa a você." Ela resmungou, olhando de soslaio com seus verdes olhos brilhantes. "Digo, honestamente James." ela disse com um abano de cabeça. "Você é o resumo daquilo que um Monitor-Chefe não deveria ser. Encare isso." Disse a garota rolando seus olhos.

"Ah Vai Evans, eu não sou tão ruim assim." James retorquiu. "Você está sendo muito dura. Você precisa relaxar e ter um pouco mais de diversão." Ele acrescentou sorrindo falsamente.

"Relaxar é para garotos imaturos que não deveriam ser Monitores-Chefe para Monitoras-Chefe como eu." ela retorquiu friamente apenas para assustar-se ao passo que James saiu de seu lado, correndo para o armário de vassouras mais próximo. "Eu não saio enquanto você não concordar em sair comigo!" ele declarou, antes de se trancar lá dentro. Lily suspirou e soltou um pequeno gemido.

Ela andou até a porta, abrindo-a. "Você realmente conseguiu me convencer da sua imaturidade num novo nível, James Po--" ela foi cortada por sua mão livre sendo agarrada e puxada com força, fazendo-a tropeçar e cair dentro do armário, a porta fechando bruscamente atrás de si. Uma série de xingamentos escapou de seu lábios enquanto ela lutava para sair de uma particularmente... ahn... interessante posição com o Sr.Potter. "Eu odeio você!" ela sibilou na escuridão.

James não pôde evitar sorrir. Aquilo era uma coisa tão Potter de se fazer, puxar Lily para dentro de um armário de vassouras. Ele não tinha muita certeza porque ele tinha feito isso. Para ser honesto, ele não tinha muita certeza de porque fazia as coisas que fazia perto de Lily. Ele tinha adotado a atitude de "arrogante cabeção" em seu segundo ano, e ela simplesmente ainda não tinha se desgastado. Bom agora isso não era bem verdade, ela tinha sim se desgastado, e bem frequentemente, somente quando não havia ninguém por perto. Como James percebeu, ele tinha que viver com seu padrão Maroto. Ele tinha que ser egoísta e metido, ele tinha que pregar peças e atormentar outros, porque como a maioria via, este era James Potter.

Voltando a faceta de ego aumentado de James Potter; James inclinou-se contra uma parede no escuro armário de vassouras, seu sorriso sacana crescendo mais ainda.

"E então… o que me diz Evans?" ele perguntou casualmente, agindo calmamente a despeito do fato de estar extremamente escuro no armário, a tal ponto que Lily não podia vê-lo de nenhum jeito.

Lily amarrou a cara na escuridão. "Nunca. Eu sairia com Severus Snape antes de sair com você." Ela disse áspera, veneno enlaçando suas palavras. Mas justo quando a garota ia se levantar, houve um click, acompanhado de uma voz grosseira familiar cantando para seu gato. James não podia dizer, mas Lily empalideceu consideravelmente. Filch acabar de trancá-los lá dentro. Em silêncio, a garota esperou até que ele fosse embora, antes de ir desesperadamente puxar a porta.

Trancada.

Ela alcançou sua varinha, e rapidamente murmurou uma série frenéticos 'alohomoras' antes de desistir e voltar amuada para sua respectiva parede – o mais longe de James possível.

"Fantástico." Ela grunhiu. "Nós estamos presos aqui até ele destrancar o maldito armário. Brilhante trabalho, Potter."

O sorriso de James se desfez consideravelmente. Ele se desencostou da parede, dando apenas um passo e meio antes de alcançar a porta, e tentou um 'alohomora' por si mesmo. Era assim que James era, ou pelo menos achava que era, nunca acreditando em nada até que ele mesmo declarasse como verdadeiro. Quando o feitiço falhou, ele lentamente se virou para onde Lily estava, e não precisou vê-la para saber que ela estava lívida.

"Desculpe… eu… eu não sabia que isso ia acontecer…" ele murmurou. Ele havia sido pego desprevenido e não tinha nenhuma resposta rápida, ou engenhosa.

"É, bom, você não pensa em muitas coisas, Potter. E desculpas não mudam o fato de que aconteceu.

De fato. Ela estava lívida. Ela certamente não queria passer horas nesse maldito armário com James. ela não queria passar cinco minutos com ele, muito menos até de manhã, senão mais tarde.

Ela suspirou, olhos estreitos. "Se você tentar qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, eu juro por Merlin que você nunca terá filhos, Potter." Ela disse numa voz baixa e calma.

James instintivamente se cobriu em defesa.

"Eu não vou..." ele se afastou rapidamente. Percebendo que eles ainda estavam no escuro, James fez a primeira coisa inteligente da noite e sussurrou "Lumos", fazendo o pequeno armário de vassouras se iluminar consideravelmente.

O armário de vassouras era bem pequeno; quase não havia espaço para os dois. Lily havia conseguido se espremer num pequeno canto do armário que era oposto a James, deixando claro que ela não queria nada com ele. James acenou com a cabeça positivamente, como se ela tivesse dito em voz alta, e sentou-se num balde de removedor de sujeira mágico.

Lily se agüentou em pé por um bom tempo, não olhando para James de maneira alguma, ou então simplesmente olhando de soslaio para ele. Seus olhares diziam o que seus lábios omitiam. 'Eu o culpo inteiramente por isso, seu grande canalha'. Suspirando pesadamente de seu canto para vocalizar um pouco seu descontentamento, Lily continuou mal-humorada, até que ela finalmente limpou a garganta. "Você tem noção de que se não fosse um retardado imaturo, nós não estaríamos presos nesse armário maldito, né?" suas palavras eram como veneno. Ela não estava confortável com a situação.

Lily tinha se agüentado em pé por um bom tempo, e nesse tempo, James ficou sentado pensando. Ele admitira para si mesmo que isso era sua culpa, não havia como negar isto. Mas ele começou a se sentir como quando ele ficava sozinho, e ninguém estava por perto para fazê-lo exibir o James que ele normalmente era. As palavras de Lily o feriram, sim era sua culpa, e ele sabia disso, mas ela precisava ficar lembrando-o disso?

A única resposta que ele conseguia pensar era bem simples.

"Sinto muito."

Ele disse num tom suave, para mostrar que ele realmente sentia. 'Duvido que um pedido de desculpas vindo de mim signifique alguma coisa pra ela.' ele pensou consigo.

Lily foi tomada em surpresa. Ela tinha preparado uma observação maldosa para atirar-lhe de volta apenas para se divertir, mas ele sentia muito. Genuinamente. Isso era óbvio. Ela abriu a boca, antes de fechá-la novamente. Não era freqüente Lily J. Evans ficar sem palavras, mas esta era uma dessas vezes. Ficando em silêncio e e puxando seus joelhos para mais perto de seu peito, ela levou um momento para se estabilizar. Havia apenas uma resposta que ela conseguira bolar. "Tudo bem." Ela disse, embora soasse incerta de si mesma. Que tipo de peça ele estava tentando pregar agora? "Bom. Não está tudo bem. Mas obrigada por se descupar." Ela corrigiu.

James concordou com a cabeça em resposta. Uma parte de James não podia evitar pensar que talvez eles tivessem que ter ficado trancados naquele armário; talvez esta fosse sua chance. Eles estavam além de tudo em seu sétimo ano agora. No fim deste ano, James estaria dizendo adeus a Hogwartz e à maioria das pessoas lá. ele não queria ter que dizer adeus a Lily. Creio que você poderia dizer que este era o momento em que James decidira mostrar a Lily que ele não era só brincadeiras e curtir com os Marotos, que havia esse lado dele que ele apenas desejava que ela pudesse ver.

Alguns momentos passaram antes de ele perceber que era estúpido eles ficarem sentados ali em silêncio até de manhã, eles poderiam conversar.

"Então..." James disse, deixando o "então" demorar-se no ar por um momento, "Lily... por que você me odeia?"

Ele não queria realmente ter dito isso, mas foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça. Era algo que ele poderia ter respondido por si mesmo, mas agora ele estava curioso para ouvir o lado dela nisso.

"Bem, isto é simples." Ela começou notoriamente. "Porque..." ela deu para trás. Talvez isso não fosse tão simples. Lily ficou em silêncio novamente, ponderando. "Bem, porque você é horrivelmente imaturo. Você é desprezível com qualquer um ao seu redor só para parecer legal e poderoso. Você intimida os outros para fazer você se sentir melhor. Você é mais do que arrogante, e não tem nem um pouco de empatia com os outros. Você é cruel, egoísta, e parece estar convencido de que o mundo gira ao seu redor. Você correu atrás de mim por anos porque eu sou a única garota da escola que você não pode ter, e você afastou completamente qualquer possibilidade de namoro escolar que eu poderia ter. Resumindo, Sr. Potter, você é um total e completo imoral." Sentindo que tocara na maioria de seus tópicos e desabafara suficientemente, ela fixou seus enervantes olhos sobre ele, para assistir sua reação. Isso seria interessante.

O coração de James pungiu. Mas ele não mostrou isso do lado de fora; ele simplesmente continuou sentado lá, encarando o nada. Ele esperou um momento antes de responder.

"Você está certa." Ele disse sem interromper seu olhar fixo. Ela estava certa, era horrível admitir isso, mas era verdade. Ele então passou a fitá-la, olhando dentro daqueles vibrantes olhos verdes.

"Você está absolutamente certa."

Mais uma vez, ele a chocara. O que raios estava acontecendo ali?! "Se isso é algum tipo de brincadeira, Potter..." ela o advertiu, olhando-o em suspeita. Mas, quando ela pôs os olhos nele, de modo a olhá-lo mais claramente, ela sentiu-se amolecer um pouco. Talvez ele estivesse dizendo a verdade? Talvez ele não fosse tão mal assim?

O que diabos ela estava pensando?

Mantendo a guarda, ela o olhou cuidadosa. "Claro que estou certa." Ela disse. "Hora engraçada para começar a concordar comigo, devo dizer. Eu só tenho dito isso desde o momento em que o conheci."

James encolheu os ombros e passou a fitar seus sapatos. Talvez ele devesse mudar de assunto, talvez Lily não quisesse ver "o verdadeiro eu" dele. Talvez ele finalmente devesse seguir em frente. Esta última era impossível entretanto, então ele decidiu contra isto. Havia algo em ficar preso num armário com Lily, que era diferente de ficar com ela digamos, na Sala Comunal, ou patrulhando os corredores. Era mais privado. Ninguém poderia abordá-los; ele não precisava se mostrar para Sirius e os garotos. Lily tinha obviamente construído uma forte barreira contra ele, uma que ele duvidava que conseguiria quebrar facilmente, e era justamente por que ele agora recuara voltara ao silêncio e esperava que ela começasse uma conversa.

A garota o assistiu recuar ao seu silêncio novamente e franziu a testa. De algum modo, ela sentira-se mal com isso. E se ele genuinamente estivesse tentando mudar? Talvez ele não seria tão mal quanto ela sempre pensara? Talvez ele só precisasse de uma chance apropriada? Talvez. E novamente, talvez não.

Ela remoeu suas opções por pelo menos três longos e silenciosos minutos, antes de decidir que estava presa por pelo menos doze horas, e ele havia se desculpado. Talvez ela pudesse ao menos escutá-lo.

"Então. Por que agora a súbita revelação, Potter? Por que de repente você quer admitir suas várias culpas?" ela inquiriu, erguendo uma sobrancelha.

"Por que não? Você preferia que eu continuasse agindo como um grande idiota?" ele perguntou com um olhar sincero. Ele começava a sentir que ela podia não estar acreditando nele, que estaria pensando que tudo era uma grande piada que ele havia começado. Isso era o que ele odiava em si mesmo; ninguém conseguia levá-lo a sério. Ele era o garoto que gritara lobo.¹

Verdade seja dita, ela não acreditara em nenhuma palavra da boca dele. Bem, não completamente, em nenhum grau. "Estou satisfeita que você finalmente tenha visto o erro em seus caminhos, Potter, mas honestamente, ponha-se no meu lugar. De repente, um garoto que tem provado ser completamente não digno de confiança por toda sua carreira escolar, fica preso num armário de vassouras com você antes de ter um insight.²" ela ergueu uma sobrancelha. "Você não pode dizer que não ficaria cético também."

"É, eu acho." James disse concordadno com a cabeça. "Então agora eu acho que depende de você acreditar em mim ou não." Ele acrescentou. E se Lily terminasse não acreditando nele? E terminasse odiando-o pelo resto do ano, e então ele a teria perdido para sempre? Lily havia se tornado mais do que uma simples paixonite para James; ele sinceramente achava que poderia estar amando. Ele daria qualquer coisa para chamar aqueles brilhantes olhos esmeralda e vibrantes e rubros cabelos de seus, e ele destruiria qualquer coisa que poderia danificá-la, ela aprovando essa atitude ou não. Sirius frequentemente ria de James por ser tão "de quatro" por Lily. Ele o chamou de encoleirado e disse que ele cairia fora mais cedo ou mais tarde.

James começou a se perguntar que horas eram, se essa tentativa de conquistar Lily mais uma vez era fútil, então ele teria bastante tempo para tentar persuadi-la.

"Bom, eu não acredito. Só pra você saber." Ela disse firmemente, trocando de posição, e tentando ficar mais confortável. Pessoas sempre falaram sobre fazer coisas pervertidas nesses armários malditos. Ela precisava descobrir se havia um jeito secreto de fazer aquilo mais confortável. Ela descobriria mais tarde. Lily sacudiu a cabeça para tirar algumas alarmantemente vermelhas mechas de seu rosto, antes de olhar para o garoto à sua frente.

"Então, Sr. Potter. Alguma idéia brilhante sobre como devemos passar as próximas, oh, doze horas? Não acho que dormir seja uma opção nesse lugar horrível."

James pensou por um momento; ele decidiu que a atmosfera estava pesada demais para continuar com a conversa sobre James sendo sincero, mas havia muitas respostas que ele queria arrancar de Lily, então a idéia ocorreu a ele.

"Por que não jogamos o jogo da Verdade?" ele perguntou, e ele não pôde evitar um sorriso de se espalhar por seu rosto, exceto que este não era o sorriso "James Potter, o Grande", de fato, era um sorriso genuíno.


N/A:

¹Essa história é sobre um garoto que ficara de cuidar de umas ovelhas no topo de uma montanha, e era para ele gritar por ajuda se avistasse um lobo. Mas ele era um garoto muito brincalhão, e toda hora gritava "lobo!", fazendo todos correrem até ele para resgatá-lo, mas quando chegavam lá, ele tinha inventado tudo e ria da cara do pessoal. Ele fez isso algumas vezes, e depois o povo deixou de acreditar nele, e quando apareceu mesmo um lobo, ele gritou, gritou, mas ninguém veio resgatá-lo, e aí o lobo comeu o garotinho. É. Chocante. Mas a moral da história é (mais ou menos): não conte mentiras demais, ou brinque demais, um dia as pessoas não vão mais acreditar em você, e aí você se ferra. Essa é uma história muito recorrida para ensinar crianças a não mentir, e parece que nosso James não aprendeu quando deveria... bom, pelo menos agora ele se deu conta.

²Não, não é que eu tenha esquecido de traduzir essa palavra, ou não soubesse como traduzi-la. Bem, mais ou menos. Em português a tradução dela não é bem o significado, dá pra entender? Tipo, insight é quando a gente tem aquele estalo, aquele plim!, quando acende a lâmpada na cabeça com uma idéia brilhante. É, mais ou menos isso.

Reviews? xD