Disclaimer: Lost e seus respectivos personagens não me pertencem, esta fanfiction é sem fins lucrativos.

Categoria:Romance/Humor.

Censura: T ( R para algumas cenas).

Jate/Sana

Spoilers: nenhum

By Renata Holloway.

Sinopse: Continuação de "Um Conto de Natal Jate". Kate Austen está de volta aos Estados Unidos anos depois, para rever as pessoas que um dia amou mais do que tudo. Porém, esse reencontro deixará sua vida "quase perfeita" de cabeça para baixo.

O Casamento da minha melhor amiga

Nada se comparava ao nascer do sol no rancho dos Shephard. Em nenhum outro lugar Jack tinha visto dia mais bonito, seria por que se sentia realmente feliz pela primeira vez em muito tempo? Abriu a janela de seu antigo quarto e os pêlos de seu peito nu eriçaram-se devido ao frio, afinal era uma manhã de inverno. Fechou a janela novamente e deitou-se outra vez em sua cama, se permitindo o pecado da preguiça. Não iria ao hospital hoje de jeito nenhum, queria ficar no rancho, passar um bom tempo com sua família e principalmente com Kate.

Batidinhas familiares na porta o retiraram de seus pensamentos. Sorriu, antes de dizer:

- Entre!

Claire entrou no quarto, segurando seu bebê adormecido, sorrindo de orelha a orelha para Jack. Deitou-se na cama ao lado dele, colocando o pequeno Aaron entre eles. Jack acariciou a cabecinha do menino. Claire disse a ele, aconchegando-se embaixo dos cobertores:

- Mano, se lembra quando chovia muito de madrugada e eu ficava com medo dos trovões?

- È claro que eu me lembro!- respondeu Jack, tocando os cachos dos cabelos loiros da irmã.

- Eu sempre ia pra sua cama porque sabia que o Sawyer iria me expulsar. Mas não você, era sempre tão doce e carinhoso comigo. Senti muito a sua falta.

- Eu também!- disse Jack. – Seu filho é lindo. Quantos meses ele tem?

- Ele completou oito meses no último dia dez, é o meu orgulho. Papai surtou quando eu fiquei grávida, principalmente quando eu disse que o pai dele era um cantor de rock e que íamos nos casar...

Jack riu.

- Mas depois que ele nasceu, o papai passou a aceitar tudo numa boa, inclusive a minha mudança pra Inglaterra.

- Isso é bom, você está feliz lá?

- Como eu nunca estive. Sabe, eu amo o rancho, mas a Inglaterra é o meu segundo lar. Mesmo assim nunca deixei de passar o natal aqui. E quanto a você Jack, por que sumiu? Por que nos abandonou durante tanto tempo?

Jack cruzou os braços para trás da cabeça, sentando-se na cama.

- Eu acho que estive dormindo nos últimos anos, mas agora eu acordei e estou disposto a recuperar tudo o que perdi.

- Incluindo a Kate?- Claire indagou, maliciosa.

- O que você quer dizer com isso?- perguntou Jack, se fazendo de desentendido.

- Não se faça de bobo, você sabe do que eu estou falando! Depois de todos esses anos, a Kate liga pra mamãe e diz que está voltando para os Estados Unidos e que quer rever todo mundo. Ora Jack, isso é desculpa furada, Kate queria ver você, pediu até o número do seu consultório pra mamãe.

Jack gostou de saber daquilo, mas não se deu por vencido para a irmã:

- Claire, a Kate é e sempre foi uma pessoa maravilhosa, mas não sei se nosso relacionamento vai além da amizade.

- È claro que vai!- disse Claire dando corda. – Vocês já namoraram uma vez, agora só precisam de um empurrãozinho para as coisas voltarem a dar certo.

- Sei, sei!- disfarçou Jack, lembrando do beijo apaixonado que trocaram ao se reencontrarem na estrada. Depois que chegaram a casa, não tocaram mais no assunto, embora Jack tivesse passado a noite de natal inteira desejando os lábios dela novamente.

- Tá bom, Jack. Se vai ficar aí fingindo que você não quer beijar a Kate, abraçá-la e outras coisas, como nos velhos tempos, eu vou fingir que acredito.

Jack balançou a cabeça negativamente e deu um beijinho na testa da irmã, pensando, "sim quero beijar, abraçar a Kate, tê-la em meus braços, mas não sei se é isso o que ela quer também..."

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Sawyer entrou no quarto encoberto pela penumbra da manhã de inverno, pé ante pé para não acordar seus filhos que dormiam amontoados na cama de casal, próximos à mãe, todos exaustos por terem ficado acordado até tarde esperando pelo Papai Noel. Aproximou-se da esposa e tocou carinhosamente uma mecha de seus cabelos negros, sussurrando ao seu ouvido:

- Amorzinho, acorda. Eu tenho uma surpresa pra você!

Ela remexeu-se preguiçosamente na cama, e gemeu afastando o rostinho de Mônica de cima de seu peito.

- Hum!

- Hey, dorminhoca, acorda! Quero te mostrar uma coisa, coelhinha!

Ana-Lucia abriu os olhos e estendeu sua mão para Sawyer. Ele ajudou-a a levantar-se com cuidado, para não acordar as crianças. Ainda sonolenta Ana-Lucia se apoiou nele e fechou os olhos outra vez.

- Ana-Lucia!- bradou Sawyer, baixinho.

Ela sorriu e disse:

- Tá bom, já estou acordada, homem! O que quer me mostrar?

- Vem!- ele disse puxando-a pela mão para fora do quarto.

- Benzinho, eu estou de camisola, deixe pelo menos que eu vista o casaco.

Sawyer esperou na porta, impaciente, batendo o pé no chão, até que ela finalmente veio. Os dois passaram pelo corredor ainda silencioso da casa, e desceram as escadas. Na cozinha, Laura preparava o café da manhã junto com Raquel. O cheiro forte e agradável encheu as narinas de Ana-Lucia e fez roncar seu estômago. Ela falou:

- Sawyer, esse cheiro de comida está me dando uma vontade, por que você não me mostra o que ia me mostrar depois que eu comer, querido?

- Nada disso, isso não pode esperar! Tenho que te mostrar agora!

- Sawyer, por favor!- implorou Ana-Lucia, dengosa.

- Nem pensar, não adianta fazer dengo pra mim!

- Está bem, está bem!- ela disse, resignada. – Me mostra logo isso que é tão importante assim pra você me tirar da cama tão cedo dia de natal e ainda por cima não me deixar tomar café antes e...

Enquanto ela falava, Sawyer continuou puxando-a para fora da casa, e uma vez lá fora Ana-Lucia não tinha mais palavras. Uma picape vermelha, lindíssima, zero km, com um laço dourado gigantesco em volta estava estacionada em frente à casa.

- Sun of a bitch!- ela exclamou bem alto, levando as duas mãos à boca. – Eu não acredito que fez isso, seu desgraçado!

Sawyer deu uma gostosa risada e a abraçou bem forte. Ana-Lucia encheu o rosto dele de beijinhos até chegar aos lábios onde trocaram um beijo cheio de volúpia, como costumavam fazer.

- Você disse que ia me dar um carro, mas só depois que a Tereza nascesse. Você me enganou, Sawyer, não sei nem o que dizer, querido...

Ele colocou a chave do carro nas mãos dela:

- Não diga nada, amor. Um carro é muito pouco ainda para eu dar a você, já que está prestes a me dar o quinto filho.

Ana-Lucia beijou-o mais uma vez e caminhou até o carro, toda contente.

- Hey, já quer sair no carro? Não é melhor tomarmos café da manhã antes?

- Dane-se o café, eu quero dirigir!

- Mas Ana, o rancho está coberto de neve, a pista escorregadia...- disse Sawyer entrando no lado do carona, pois Ana-Lucia já havia colocado o cinto e ligado o carro.

- Vamos rodar!- ela anunciou, arrancando com o carro, dando tempo para Sawyer apenas colocar o cinto.

Kate assistia tudo sorrindo, da janela do quarto de hóspedes. Achava tão bonito vê-los junto, eram assim desde que começaram a namorar na adolescência, e ela sempre quis um relacionamento tão apaixonado quanto o deles. De fato, chegou a sentir que viveria algo assim com Jack, mas a transferência de seu pai para o exterior mudou totalmente o rumo de seus planos, e Kate acabou tornando-se uma mulher de negócios na Austrália. Trabalhava com uma coisa, que pensou jamais aconteceria para ela, casamento. Tinha uma empresa que promovia desde a cerimônia até a festa, incluindo, roupas, decoração, igreja, tudo o que se poderia querer para um casamento perfeito.

E foi assim que conheceu Boone Carlyle, seu noivo, o homem com quem se casaria no primeiro dia do próximo ano. Boone era uma das melhores pessoas que já conhecera na vida, e foi com ele que montou o milionário negócio de casamentos. No início, eram apenas bons amigos, mas aos poucos as coisas foram mudando e Kate viu-se envolvida pelo irresistível charme do Capitão América, como sua futura cunhada costumava chamar o irmão. Mesmo assim, casamento nem de longe passava por sua cabeça, depois que deixara a vila rancheira onde cresceu nos Estados Unidos, Kate tornou-se uma mulher do mundo, independente, agressiva, visionária, de modo que não conseguia mais se imaginar como um dia sonhou ser, uma esposa devotada, com muitos filhos ao lado de Jack vivendo naquela maravilhosa casa do Rancho Shephard.

Entretanto, ao rever novamente o cenário onde crescera, Kate sentiu um rompante de saudade daquela época e de seus pequenos desejos. Tanto que quando reviu Jack, coincidentemente na estrada na véspera do natal, não resistiu e beijou-lhe. O que ele estaria pensando em relação a isso agora? Ana-Lucia contou-lhe durante o jantar de natal que Jack se divorciara a algum tempo de sua esposa, e que o casamento só tinha durado dois anos.Será que o beijo que haviam trocado na estrada tinha reacendido nele toda a paixão que um dia nutriram um pelo outro, ou isso aconteceu só na cabeça dela?

- Não!- Kate disse a si mesma. O verdadeiro motivo que a tinha levado a voltar aos Estados Unidos além de rever todos, era convidar Jack, seu melhor amigo, para ser seu padrinho de casamento. Boone chegaria em no máximo três dias com sua família e a cerimônia seria realizada em Los Angeles, para isso, Eko, o padre nigeriano que sempre costumava contratar para realizar os casamentos promovidos pela empresa, viria pessoalmente da Austrália apenas para realizar seu casamento.

- Definitivamente não!- repetiu mais uma vez, com ênfase. – Vim aqui por um motivo, e o fato do Jack estar sozinho não vai mudar isso, eu amo o Boone, estamos morando juntos há quase dois anos e vamos nos casar. Minha vida está perfeita!

Continua...