Constatações

É terça-feira, estou de férias e acordei as oito – oito! - da manhã com as gritarias da mamãe. Eu, Ronald Weasley, o Homem do Sono de Pedra! Estes preparativos pro casamento deixaram todo mundo louco aqui em casa. Não que nos importemos tanto, mas Merlim sabe que Molly Weasley nunca é capaz de enlouquecer sozinha, ela sempre leva alguns de nós junto. E se ela está assim hoje, imagine quantas coisas não vão explodir na sexta, que é quando o Bill se casa.

Eu me levanto e ela está brigando com a Ginny. "Pelo amor de Merlim, Ginny, tem como você me ajudar aqui na cozinha? Preciso terminar o suflê de batatas para começar a preparar o bolo!", ela bradava, agitando a varinha aqui e ali para lavar um monte de louça e ferver uma caneca de água. "E não me dê esse olhar, mocinha! Não quero saber de má-vontade por aqui!". Ela se vira e Gin joga as mãos pros céus, exasperada. Eu lhe dou um olhar que espero ser de solidariedade, mas me apresso a fugir dali antes que sobre para mim, também. Não que eu possa evitar por muito tempo.

Alguém que não conhecesse os Weasley, mesmo um bruxo, se espantaria com a confusão na nossa casa em dias assim. Uma dúzia de ruivos andando para cima e para baixo, falando alto e carregando coisas é uma visão e tanto! A mamãe está uma pilha de nervos, e eu fico imaginando se ela é capaz de ficar mais brava – porque se não for, posso aproveitar o momento para contar a ela que seu menino mais novo vai abandonar a escola para sair em uma caçada suicida com seus dois melhores amigos por pedaços da alma de Você-Sabe-Quem.

Tenho pensado muito nisso nos últimos dias. Quero dizer, você não pode simplesmente contar esse tipo de coisa a Molly Weasley, como se estivesse pedindo um copo d'água ou algo assim, entende? Mas que opção eu tenho? Harry precisa de nós e nós também precisamos dele. Além disso, eu jamais o deixaria fazer nada sozinho. Ele pode ser meio cabeça dura, o cicatriz, mas ele também não tem opção. Ainda não sei direito o que ele tem em mente – ele está nos Dursleys até quinta, que é quando faz 17 anos e poderá sair de lá definitivamente, de acordo com o que Dumbledore planejara.

Temos trocado cartas e gostaria que ele pudesse vir pra cá antes, porque sei que ele não está nada bem; ele fica se afundando num poço de auto-pena cavado por ele mesmo. Mas não há nada que possamos fazer, não até a quinta-feira. Depois do casamento, posso tentar convencê-lo a ficar mais uma semana, no máximo duas, mas sei que não serei capaz de fazer mais do que isso. Provavelmente iremos primeiro a Godric's Hollow, a vila onde os pais do Harry foram atacados por Você-Sabe-Quem e tudo mais, mas e depois? Esse é o maior problema, sabe – nós deveríamos saber o que vem depois, mas a gente não faz idéia. E por mais que eu odeie confessar, isso me assusta um bocado.

Mas tem uma coisa que me assusta mais do que tudo isso: mamãe, Horcruxes, Harry fulo da vida, a indefinição do nosso futuro, muito mais. Essa coisa tem cabelos castanhos armados incríveis e está lá em cima, dormindo no quarto da minha irmã. Se é que ainda não se levantou e foi tomar banho – putz, essa visão não me faz muito bem. Ultimamente, tem sido difícil ficar ao lado dela. Desde que eu fui envenenado as coisas ficaram muito diferentes entre nós. E olha que legal, que outra pessoa no mundo poderia dizer que quase morrer foi a melhor coisa que lhe aconteceu nos últimos tempos? Ok, brincadeira.

O Harry insiste que ela... quer, também, mas eu não consigo acreditar nele cem por cento. Porque, se ela quisesse... quero dizer, ela é A Hermione: inteligente e bonita e fantástica. Porque ela não vem simplesmente e me fala? Não pode ser pelo mesmo motivo que eu não falo pra ela, afinal, ela é linda, e eu não sou, digamos assim, muito favorecido fisicamente, muito menos intelectualmente. Essas trocas de olhares, mãos tocando umas nas outras, as gentilezas... tudo isso tem aumentado em 200 o número dos meus banhos frios semanais, ainda mais agora no verão, que eu já tomo uma porção deles por causa do calor. E mesmo essas interações, esses pequenos sinais aos quais eu acho que ela corresponde... e se ela estiver fazendo isso por pena? Simplesmente porque é minha amiga e não quer me decepcionar?

Bom, tudo que eu sei é que desde que ela chegou, no fim-de-semana, depois de passar algumas semanas na casa dos pais explicando a "delicadeza" da situação, as coisas tem estado... estranhas. Parece que nós ultrapassamos o nível amizade convencional, mas ainda não estamos no outro nível, entende? É como se fosse um... intermediário entre um nível e outro. Como um limbo dos relacionamentos ou algo assim.

O pior é que o casamento está chegando, e eu vou ser obrigado a vê-la em um daqueles vestidos incríveis que as mulheres usam em festas. Quase consigo ver a maneira como ela vai amarrar o cabelo, enrolando atrás com alguns fios pendurados na frente, a maneira como ela vai se maquiar, como ela vai entrar, o sorriso que vai esboçar ao ver as pessoas se divertindo, mesmo nesses tempos negros. Nós merecemos, afinal, uma festa dessas – talvez por alguns momentos possamos esquecer o que nos espera. Vai ser um divisor de águas; a vida antes do casamento do Bill e depois do casamento do Bill.

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Homens são patéticos, não? O Ron me dá esse sorrisinho como se fosse resolver alguma coisa, mas não faz nada pra me ajudar. Mas é claro, tolice minha esperar que o Ronald seja, de alguma forma, prestativo e me ajude com as tarefas domésticas.

Eu já deveria ter me acostumado mesmo. A mamãe nunca foi muito justa nessas coisas, às vezes ela pega o primeiro que vê na frente e eu, pra variar, estava na hora errada no lugar errado. O problema é que ela tá enlouquecendo todo mundo com esse casamento. Eu entendo que é importante pra ela, o primeiro filho que se casa, mas o que eu tenho a ver com isso – além do cara ser meu irmão, óbvio. Eu não devia estar trabalhando aqui hoje, com esse sol lá fora... droga, droga, droga.

Pela janela dá pra ver o idiota do meu irmão sentado na grama. Pelo olhar dele, provavelmente está pensando na Hermione. Eu não sei qual é a daqueles dois, quero dizer – é tão óbvio pra todo mundo. Eles deviam fazer alguma coisa a respeito. Todo mundo já percebeu que as brigas são a maneira que eles encontram de descarregar a tensão existente. Tudo que eles precisam é de umas boas duas horas se pegando. Tudo bem que desde a Lavender os dois têm sido só sorrisos um pro outro, dá até nojo. Mas aí é que eu compreendo menos ainda: porque um dos dois não toma uma atitude? Acho que a responsabilidade é do Ron nessa parte, porque a Mione já o tinha convidado pra festa do Slughorn. E o idiota pôs tudo a perder! E eu não tive culpa, quem mandou ele ser um idiota hipócrita?

É, são patéticos mesmo. Eu devia ter previsto com o Harry. Como o Menino-Que-Sobreviveu-Várias-Vezes deixaria sua donzela indefesa em perigo? JA-MA-IS! É claro que ele ia querer bancar o herói comigo, com aquela merda de "preciso-te-proteger-gin-querida-óh!", e é claro, eu não ia discutir com ele no funeral do Dumbledore. Ele escolheu o momento certo, aquele idiota. Como se eu não pudesse cuidar de mim – ou como se eu não tivesse o direito de escolher se vou ficar com ele ou não! É absolutamente... egoísta por parte dele escolher por mim o que eu devo ou não fazer. Não é a escolha dele, e nem poderia ser.

Sei que se eu tentar algo... se, hipoteticamente falando, eu saísse por aí atrás de algo ou alguém, na intenção de ajudá-lo, ele ficaria preocupado comigo. E ele não precisa de mais problemas. Mas eu não vou ficar parada – vou dar um jeito de fazer alguma coisa. Ou não me chamo Ginevra Molly Weasley.

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A Senhora Weasley é meio agitada, não? Nessas ocasiões especiais, então, alguém segure a mulher. Não reclamo por mim, ela é sempre muito amável comigo, como são todos os Weasleys. Mas todo mundo acaba ficando uma pilha de nervos por causa dela – e eu, que estou aqui como hóspede, acabo ficando meio sem graça de não fazer nada, ou de acordar tarde e coisas assim.

Nunca fui de dormir muito, na verdade; meus pais são meio sistemáticos e eu sempre tive que estar de pé cedinho, a tempo de pegar o jornal e o leite na porta de casa. Me acostumei a uma vida saudável, quero dizer, uma alimentação balanceada, um sono completo e adequado, vida ao ar livre e todas essas coisas do Discovery Health. Criei o hábito de escovar os dentes cinco, as vezes seis vezes por dia: uma ao acordar, outra depois do café-da-manhã, uma depois do almoço, uma depois do café da tarde, outra depois do jantar e mais uma antes de dormir. Na verdade, me sinto incompleta quando não sigo esses pequenos rituais. Parece meio estranho, mas é só coisa de filha única de dois dentistas. Nada muito fora do normal nesse universo de flúor e cremes dentais.

Falando em Discovery Health, às vezes me esqueço como é bom tirar umas férias do mundo bruxo. Nada muito longo, já que faz parte da minha vida... é minha vida, eu não poderia ficar longe muito tempo. Mas nessas duas semanas que estive em casa, mesmo sendo legalmente apta a fazer magia, resolvi que não ia usá-la para nada - exceto, claro, em emergências, por isso continuei andando com a varinha, mas felizmente não precisei dela. Merlim sabe como foi bom voltar um pouco ao outro mundo, parece que recarrega as baterias. Todo ano gosto de passar essas semanas na casa dos meus pais não só pra revê-los, mas por causa dessa "recarga mágica", também. Ela me ajuda a enfrentar todas essas coisas pelas quais eu e os garotos passamos todos os anos.

Se bem que têm algumas coisas que mesmo assim eu não consigo enfrentar. São poucas, mas nada tem a ver com Voldemort ou Horcruxes. Esse ano, por exemplo, eu quase não agüentei ver o Ron com aquela vaca. É, vaca. As pessoas acham que eu não posso xingar, mas elas estão muito enganadas sobre mim. Sei o que devem pensar: "Hermione, a puritana" ou "Hermione, a encalhada". Quer dizer, encalhada eu posso estar, mas a culpa não é minha! Eu o convidei pra festa do Slug, e ficaram claras minhas intenções, é claro, afinal não se convida as pessoas assim a esmo. E de repente, absolutamente sem nenhum motivo, ele vem e me trata daquela maneira? Depois as mulheres que são complicadas. Ok, quanto ao palavrão, eu não gosto que o Ron fale, mas veja bem... Acho que algumas horas realmente pedem, e as pessoas acabam falando, é normal. Mas sei que ele fica possesso quando eu o repreendo, então é por isso que eu falo, é claro. Adoro ver nos olhos dele aquele brilho de 'como você ousa?', é como um convite. Além disso, ele me tira do sério, com aquelas piadas fora de hora e... aquele sorriso e aqueles olhos tão azuis que eu me perco neles, e a maneira como as orelhas dele ficam vermelhas quando ele está com vergonha, a coragem dele, ou como ele é tão tímido pra certas coisas e tão ousado pra outras – como por exemplo, SAIR AGARRANDO A VACA DA LAVENDER!

Lembrar daquelas cenas não me faz bem – ele com os braços ao redor dela, a boca na dela, eu não sabendo onde começava um e onde terminava o outro de tão perto que estavam. Eu sinto náuseas, tenho vontade de chorar, de sair desse quarto e perguntar a ele o que a vaca tem que eu não tenho – exceto os peitos, é claro, mas isso é muito óbvio. Eu encaro tudo isso muito melhor agora, depois que ele terminou com ela e deixou bem claro que ela era uma chata – é, uma chata! -, mas me lembro de todos os momentos como se eles fossem agora, de cada detalhe sórdido, de todos os lugares onde eu os vi se beijando, de tudo. De todas as vezes que eu quis que fosse eu lá, no lugar dela.

Que patética eu sou: o mundo bruxo está sendo destruído por um homem cruel, que quer matar meu melhor amigo e eu estou aqui pensando em... homens. Mais cruel do que o Voldemort são os hormônios, e isso me irrita, porque algumas vezes eles não permitem que eu controle a maneira como meus pensamentos fluem. É a única explicação racional para eu não parar de pensar essas coisas o tempo todo. Eu não deveria estar pensando no Ron, agora – mesmo que isso seja o que eu faço a maioria do tempo, droga. Daqui a aproximadamente duas semanas eu vou sair com Harry e ele para a missão mais importante da nossa vida – e do mundo, certamente, porque se ele falhar, acabou. E eu sei que precisava estar estudando, planejando, pesquisando, rabiscando possibilidades, mapas e essas coisas. Mas eu quero me dar estes dias de folga, sabe? Até o casamento. Pra poder fingir que eu sou só uma adolescente preocupada com a prova da semana que vem, ou com o cara de que eu gosto. Eu deveria estar me preocupando com essas coisas sabe? Quando olho pra eles, pro Ron e pro Harry, e pra mim também, eu percebo que a gente tá adiando esse crescimento. Quero dizer, tudo pelo que a gente passou, a gente se tornou mais forte, mas também mais cético, mais maduro. A gente perdeu boa parte da vida em batalhas contra as trevas – falo por mim por força do hábito, mas aqui estamos falando do Harry do Ron, também. E se tudo não mudou drasticamente depois da morte de Dumbledore, sem dúvida vai mudar quando a gente partir. Porque não somos mais crianças – não podemos ser. A gente tenta não pensar, mas... e a morte? Quero dizer, para eles, para Malfoy e aquele sujos, é tão fácil dizer Avada Kedavra. Em dois segundos estaríamos mortos. Então é por isso que eu tento manter minhas preocupações em coisas fúteis, por enquanto – até a hora que vai ser inevitável crescer de vez. Daqui a alguns dias, na verdade. Não sei onde achei a tranqüilidade pra agir assim – normalmente eu estaria pesquisando e rabiscando e estudando. Mas deve ser porque eu sei que o final está chegando. É tudo ou nada, agora. Do nosso sucesso depende nossa vida, nossa felicidade, e tudo que importa para as pessoas que amamos. Acho que tenho o direito de me dar esse presente – quatro dias de felicidade cega. Os últimos em muito tempo.

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É impressionante como os dias se arrastam aqui nos Dursleys. Não sei se é o calor que faz nessa época que contribui, ou a minha falta de vontade de ficar aqui – tudo o que sei é que os dias parecem ter 48 horas. Daqui a dois dias saio daqui de uma vez por todas. Até soa estranho, "saio daqui de uma vez por todas". Eu sabia que aconteceria um dia, quero dizer, assim que eu pudesse, mas acabou que bem, faltam apenas alguns dias.

"Eu sei, Edwiges. Não adianta me olhar assim, você sabe que não há nada que eu possa fazer. Falta pouco, ok?"

Ela me olha como se a culpa fosse minha. É que o Tio Vernon me obrigou a mantê-la dentro da gaiola, e ela precisa esticar as pernas. Não consigo soltá-la a noite, aquele trouxa idiota pregou as janelas. Ele não me trancou aqui no quarto, mas não que isso faça muita diferença, porque eu só saio daqui para comer, ir ao banheiro e tomar banho, quando muito. Eles estão satisfeitos assim, e eu também estou, porque aí preciso ver menos a cara deles. A única coisa que me incomoda é que eu irei embora bem no dia em que me será permitido fazer magia fora de Hogwarts, pra sorte deles.

Na quinta-feira, o Sr. Weasley e mais alguns membros da Ordem vêm me pegar. Eu insisti que podia cuidar de mim mesmo, pegar o Nôitibus ou ir de vassoura, coberto pela capa. Mas eles argumentaram bem, é claro – "Se nem Dumbledore estava seguro, quem dirá você..." – e com a menção do nome de Dumbledore não tive mais forças para debater. Marquei com eles às dez da manhã, e já avisei os Dursleys, para evitar maiores conflitos (não que isso seja possível, acho). O Tio Vernon adquiriu uma expressão de satisfação depois que eu lhe contei que vou embora definitivamente. Até permitiu que eu trouxesse meu material aqui pra cima. Estou lendo "Hogwarts, uma história", mesmo que a Hermione ache uma afronta à inteligência dela, ("Por favor, Harry! Merlin sabe quantas vezes eu já li esse livro e sei que não tem nada de importante sobre os Horcruxes aí! Eu teria percebido, oras!", ela bradou na última coruja que me mandou, depois que soube da minha leitura) mas eu acho que diante das circunstâncias, o mínimo que posso fazer no momento é tentar conhecer um pouco mais da história dos fundadores. Tentar achar alguma coisa que possa ser importante.

Depois do casamento, quero partir o mais rápido possível. Não podemos nos dar ao luxo de perder tempo. É estranho o "podemos", mas parece que já me acostumei à idéia deles irem comigo. Os dois, Ron e Mione, conseguem ser bem teimosos às vezes. Não acho que conseguirei convencê-los a ficar, mas vou tentar, até o último minuto – porque essa é uma batalha minha. E eu não quero perdê-los, quero dizer, eles não entendem que se eles não estiverem seguros eu não ficarei tranqüilo. Eu tenho que lutar e eu tenho que morrer por isso, se for o caso. Não eles.

Estive pensando em visitar os aposentos de Snape em Hogwarts - depois de ir a Godric's Hollow, é claro. No meio daquelas centenas de livros empoeirados deve ter alguma coisa sobre os Horcruxes de Voldemort, ou alguma informação importante sobre artes das trevas. Vai levar um tempo e alguns cuidados para pesquisar, só espero que McGonagall não se oponha – ela não entende a importância disso tudo.

Lembrar daquelas cenas na Torre de Astronomia faz meus dentes rangerem, ainda. Sinto a vontade de me vingar correndo pelas veias e não dou a mínima que isso seja um sentimento ruim ou algo assim. O filho-da-puta matou Dumbledore! O único homem que acreditou nele, que apostou alguma coisa nele durante todos esses anos. Dumbledore pediu a ajuda dele, estava indefeso, e ele... Os trouxas dizem que existem três fases pelas quais você passa quando alguém querido morre. Acho que são: negação, lamentação e aceitação. Acho que é isso, não tenho certeza. Mas pra mim não funciona assim; eu não posso aceitar. Quero dizer, eu aceito que ele se foi, por mais doloroso... e estranho, e desesperador que possa ser. Eu vi com os meus olhos, afinal. Mas não posso aceitar que tenha sido em vão – aquele cretino tem que pagar pelo que ele fez. E vai ser pelas minhas mãos.

Depois da morte de Dumbledore, eu tenho tido um pesadelo recorrente. Sonho sempre que enfrento Voldemort e que não sou capaz de matá-lo porque não consigo lançar um Avada Kedavra. E ele ri de mim, uma risada alta fria e cortante, que sempre ecoa no sonho. Ele diz "um tolo, sempre foi um tolo, e morrerá por causa dessa tolice..." e gargalha, e eu acordo assustado. Assassino ou assassinado, não tenho escapatória.

E tem a Gin, claro. Mas ela está melhor sem mim, agora. As pessoas que se aproximam de mim, todas têm problemas. É melhor que ela se afaste. Não tenho dúvidas que fiz o melhor pra ela e, logo, o melhor pra mim, mesmo não sendo fácil pra nós agora – mas é questão de se acostumar. E fico feliz que ela tenha compreendido tão facilmente – estranhei, até. E é claro, depois que isso tudo acabar, se eu viver, ela merece mais do que um namorado assassino. Ela precisa de alguém jovem, que tenha as mesmas preocupações que ela, o mesmo brilho nos olhos. Alguém que não tenha lançado maldições imperdoáveis e que não a coloque em perigo simplesmente por estar ao lado dela.

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N/A: Pessoal, essa é minha primeira fic. Por favor, preciso de reviews e críticas de vocês. Agradecimentos à minha beta, Flávia.